“Castelo Branco: chefe do mais feroz, cruel e ditatorial grupo entreguista que sacrificou o patrimônio nacional”

No dia 4 de março de 1967, o “presidente” que passaria o cargo a Costa e Silva no dia 15, anunciou: “Farei três discursos, relacionando as conquistas do país durante esse RÁPIDO (textual) período de menos de 3 anos. Mostrarei ao Brasil todo, que respeitamos integralmente os direitos coletivos e conseguimos o maior desenvolvimento e progresso”.

(Revelei, então, que antes do “presidente” sair, escreveria três artigos para responder antecipadamente os anunciados 3 discursos. O primeiro saiu no dia 10 de março, e tem o título exatamente como está reproduzido lá no alto. A partir daqui, tudo é reprodução do que foi publicado no dia 10 de março de 1967, com Castelo no Poder em corpo (?) e alma (?). Nos dias 11 e 12, ainda de março de 1967, continuaria).

10 de março de 1967

Nem três mil discursos seriam suficientes ao marechal “presidente” para explicar a desvairada política de entrega do nosso patrimônio aos mais poderosos grupos multinacionais. (Sem falar que nenhuma frase ou definição seriam adequadamente dele, que só se expressa através de porta-vozes ou ghost-writers).

Todas as riquezas brasileiras, no solo ou subsolo, foram DOADAS (a primeira vez que usei a palavra, depois praticamente esgotada nos 8 anos de FHC) aos monopólios internacionais. O “presidente” Castelo, que felizmente deixará o Poder dentro de uma semana, impôs salários miseráveis aos trabalhadores, acabou com a liberdade sindical, favoreceu as elites, deu tudo aos banqueiros, cortou as fontes de crédito para a indústria rigorosamente nacional.

Além de tudo isso, o escândalo “patrocinado” pelo Ministro Roberto Campos, que criou o FGTS, (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), enganação e humilhação, aceita, difundida e aplaudida pelos jornalões da época.

(Esse FGTS, foi um acordo-combinação de Campos com seus patrões americanos. Antes desta ditadura-golpe, chamada de Revolução, pretendiam os estrangeiros ficar com nossas empresas, mas não queriam assumir nem as dívidas trabalhistas. Até 1964, os trabalhadores, depois de 10 anos numa empresa, não podiam ser demitidos. Com o FGTS, o governo encampou as dívidas dessas empresas, os que vinham “investir” aqui, recebiam tudo, limpinho).

Mas o maior escândalo do “governo” Castelo Branco, foi a compra da AMFORP, que Leonel Brizola, como governador do Rio Grande do Sul, já havia impedido, sendo aplaudido por todos que tinham voz e coragem de se manifestar. Sendo o primeiro “presidente” depois do golpe-revolução, Castelo faz questão de seguir, rigorosamente ao contrário, o que foi feito pelo governador expulso do país. E depois, por ordem desse mesmo inconsciente Castelo Branco, sequestrado de Montevidéu e “fixado” em Atlântida, a mais de 100 quilômetros da capital do Uruguai.

Neste ajuste de contas com o ditador, uma semana antes dele ir embora para sempre, não posso deixar de contar, mesmo ligeiramente, a escandalosa, traiçoeira e vergonhosa política externa do Brasil, conduzida pelo senhor Juracy Magalhães. (O mesmo que há meses, no gabinete do secretário Foster Dulles, afirmou, “o que é bom para os EUA, é bom para o Brasil”).

Nada aconteceu, ou melhor, o então embaixador recebeu telefonema-elogio do próprio ditador de plantão. E logo depois era promovido a chanceler, com a função de coordenar “a política de permanência de Castelo”. Juracy não era o homem para isso, e a “permanência-prorrogação-para-mais-4-anos”, repudiada pelo próprio Exército. Os que estavam no Poder e os que não estavam nem queriam.

Não há oratória que consiga melhorar a ridícula imagem do ditador, começando no físico e ultrapassando a mente.

Nada que o “presidente” diga ou alguém escreva para ele, nos três discursos anunciados, pode diminuir ou restringir a revolta geral contra seu “governo”.

Esses quase 3 anos, (como Castelo diz na sua linguagem tatibitati) não podem ser modificados de modo algum. O que Castelo vai deixar para o país e para o povo: sofrimentos reais e materiais. Falências, desemprego, concordatas, desespero, prisões, tortura.

***

PS – Isso começou logo em 1964, em Pernambuco. Castelo mandou seu Chefe da Casa Militar, Ernesto Geisel, ir verificar. Foi, voltou com a afirmação, “não existe nada de anormal”.

PS2 – Para terminar antes do ditador ir embora, faltando uma semana: prisões, cassações, desmoralização do Congresso, desmantelamento total do que se chamava de “regime democrático”. Conquistas sociais, políticas e trabalhistas, que eram RARAS antes de Castelo, como ele, foram totalmente eliminadas.

Amanhã, 5ª feira, reprodução do artigo publicado em 11 de março de 1967, com o título, textual: “O PRESIDENTE HUMBERTO DO AMARAL PEIXOTO.

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