“Cunhado não é parente”. E compadre? Brizola revive na justiça de São Paulo

Em 1963, 7 governadores eram candidatos a presidente. (Numa eleição que não haveria, mas nenhum deles imaginava). Um desses governadores (que na verdade deixara o cargo logo no início do ano), seu mandato no Rio Grande do Sul acabara, antes de FHC ninguém pensava em reeeleição e ainda por cima no Poder.

Esses governadores tinham problemas partidários, políticos, eleitorais, é natural, compreensível, ninguém é unanimidade quando se trata de enfrentar uma eleição, tentar convencer o povo a preferenciá-lo no voto e na urna.

Mas Leonel Brizola tinha problema diferente, principalmente pelo fato de ser considerado eleitoralmente muito forte. Então inventaram o veto: não pode ser candidato a presidente porque quem está na presidência é o senhor João Goulart, seu cunhado.

O já ex-governador que passara pela Guanabara (Rio) como um furacão, e recebera 1 voto de cada 5 eleitores, não deixou de graça, respondeu e criou uma campanha, baseada num slogan: “Cunhado não é parente”.

Além do mais, Brizola acrescentou o que na época explicou que estava no Aurélio: “O cunhadismo termina quando a ligação desaparece”. Como a mulher de Brizola, (irmã do presidente João Goulart) já morrera, não havia mais parentesco.

A questão não foi resolvida pelos livros e sim pelas armas. Logo, logo veio o golpe de 1964, ninguém foi candidato. Agora, surge na Justiça de São Paulo, um novo slogan posto em prática por um desembargador: “Compadre não é parente”. Só que essa questão não será resolvida por nenhum Aurélio, mas por um Ministro do Supremo (ou do Conselho de Justiça) de nome bem diferente.

E não basta anular sua estranha e extravagante liminar, é imperioso defender a LIBERDADE DE INFORMAÇÃO, cortar imediatamente essa vocação de Chavez.

*  *  *

PS – Brizola só conseguiu ser candidato a presidente, 26 anos depois, em 1989. Mas isso já é outra história, embora seja recomendável não esquecê-la, ao contrário, lembrá-la.

PS2 – O Conselho de Justiça não pode se OMITIR em relação à participação do desembargador Dacio Vieira em defesa do filho de Sarney, Fernando. Esse desembargador não só maculou a Justiça, como incitou e apoiou antecipadamente os que desprezam e tentam liquidar a DEMOCRACIA.

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