100 anos de História do Brasil, 100 anos de Teatro Municipal

É hoje a grande data deste monumento musical, agora abandonado. Foi doado pela França (réplica do Teatro da Ópera de Paris), daí a inauguração quando se comemorava a implantação da República de lá.

Dia 15 de junho de 1909 morreu o presidente Afonso Pena, assumiu Nilo Peçanha que decretou luto por 30 dias, portanto até o dia 15 de julho. Como a inauguração era na véspera, assessores disseram a Nilo que não poderia ir. O presidente riu, adorava festas, foi.

Ele e Olavo Bilac fizeram discursos vibrantes, depois foram jantar com o embaixador da França. Na Rotisserie, Rua Senador Dantas, o restaurante de maior prestígio de então.

A propósito desse famoso restaurante e do Teatro Municipal: em 1916, a Alemanha afundou navios brasileiros. Na escadaria do Teatro Municipal, Mauricio Lacerda (grande orador, pai de Carlos) fez violentíssimo discurso exigindo que o presidente imediatamente declarasse guerra à Alemanha.

No mesmo dia, Wenceslau Brás tomou duas decisões: 1. Mandou prender Maurício Lacerda. 2. Fez o que ele e todo o país exigiam: declarou guerra à Alemanha, deu 24 horas para o embaixador se retirar.

Essa guerra obrigatória desencadeou represálias contra empresas e cidadãos alemães que moravam na Brasil. (A mesma coisa que aconteceu a partir de 7 de dezembro de 1941 nos EUA, atacados traiçoeiramente pelo Japão. Japoneses que moravam lá e não tinham nada ver com o ataque e a guerra, foram perseguidos.

O ministro da Viação de Wenceslau era Lauro Müller, descendente de alemães. Procurou o presidente, pediu demissão. Ouviu do presidente o seguinte: “Você sabe que não posso fazer nada, mas estou à tua disposição para qualquer coisa, sempre”.

Meses depois, Lauro Müller telefonou para Wenceslau, perguntou: “Seu compromisso continua valendo?”. Como o presidente dissesse que sim, Lauro Müller pediu: “Então quero almoçar com o senhor na Rotisserie”.

Wenceslau riu e respondeu: “Pode ser amanhã”. Almoçaram, um sucesso. No dia seguinte, o Jornal do Commercio, o de maior importância no Rio e no Brasil, deu na primeira página: “Lauro Müller não está no ostracismo”. Em 1918, 1 ano depois, era eleito governador de Santa Catarina.

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PS – Historicamente, essa é a força direta e indireta do Poder no Brasil. E FHC se aproveitou dela para se REEELEGER, a primeira vez em nossa Historia.

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