Boulos amplia espaço no Planalto e entra no núcleo estratégico da campanha de Lula

Preso por fraude no INSS, empresário fecha delação e pode atingir rede política

Charge do Fred Ozanan (Arquivo do Google)

Sarah Teófilo
O Globo

Preso desde setembro do ano passado por suspeita de ser um dos operadores do esquema de fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), com descontos indevidos em aposentadorias e pensões, o empresário Maurício Camisotti fechou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal.

A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo O Globo. Camisotti foi preso preventivamente na Operação Sem Desconto, que também deteve o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

DELAÇÃO – Os advogados que negociaram a delação com as autoridades são Átila Machado e Celso Vilardi. Os defensores já atuaram em delações antes. Vilardi fez a colaboração da Hypera Pharma, e Machado, do doleiro Dario Messer — as duas no contexto da Operação Lava-Jato. Procurada, a defesa não se manifestou.

Camisotti e o Careca do INSS são suspeitos de serem os principais operadores do suposto esquema que desviava recursos de aposentadorias e pensões pagas pelo INSS por meio de acordos de cooperação técnica com a autarquia, segundo as investigações. Os valores eram cobrados sem o consentimento dos beneficiários.

INDÍCIOS ROBUSTOS  – “Do material colhido nas diversas diligências, emergem indícios robustos de que os indivíduos inicialmente investigados, Antônio Carlos Camilo Antunes e Maurício Camisotti, atuavam como líderes da estrutura delitiva, promovendo o branqueamento de milhões de reais provenientes dos descontos indevidos”, pontuou o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), em uma das decisões.

Como mostrou a colunista Malu Gaspar em novembro do ano passado, Camisotti sacou R$ 7,2 milhões em dinheiro vivo em 17 saques efetuados entre 2018 e 2025, segundo um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o que levantou suspeitas. Para a PF, ele adotou “condutas graves relacionadas à dilapidação patrimonial, conforme apontado pelo Coaf”.

Haddad mira agro e articula vice para romper resistência no interior paulista

Da consultoria à articulação política, Master bancou uma rede para blindar Vorcaro

Saúde de Bolsonaro melhora, mas quadro ainda sustenta domiciliar sob aval de Moraes

TV Globo prepara missão à Lua para Cesar Tralha ir e nunca mais voltar…

César Tralli, o 'amigo gente boa' do público na internet - 01/12/2025 -  Thiago Stivaletti - F5

Cesar Tralha está pronto para partir en viagem à Lua

Vicente Limongi Netto

Cesar Tralha aproveitou o retorno dos astronautas americanos que chegaram perto da Lua, para entediar e irritar os poucos que ainda se dão ao trabalho de perder tempo vendo o Jornal Nacional. Tralha é irrecuperável. Fogoso deslumbrado, fala pelos cotovelos. Ficaria rico como camelô. 

As imagens mostram tudo. Não precisam dos palavrórios de Tralha. Os comentários de apresentador de telejornal são sempre dispensáveis. Mas o Tralha insiste em ser mais importante do que a notícia.  Adora se exibir. 

MISSÃO TRALHA – A TV-Globo pedirá empréstimo ao BNDES ou ao Daniel Vorcaro para organizar a missão espacial a Lua. A previsão é partir antes das eleições de outubro.  Tralha será o único astronauta na memorável cápsula. Está mais feliz do que pinto no lixo.

Sua difícil tarefa já foi definida pelos chefões da TV-Globo. Trazer vestígios de vida de alguém no universo que seja mais chato e desagradável do que o próprio Tralha.

Cientistas responsáveis pela missão não sabem ainda quando a cápsula retornará ao Brasil. Tralha saberá da dramática decisão apenas quando a capsula estiver no espaço. Distante mil quilômetros da aprazível Terra.

COMPARAÇÃO – Vou emoldurar a comparação que recebi do acadêmico Ignácio de Loyola Brandão:

“Limongi, você está se tornando um novo Stanislaw Ponte Preta furioso”.  

Datafolha confirma que Lula empata com Flávio, Caiado e Zema no 2º turno

Um caso de amor inspirou a sinfonia imortal de Cartola e Nelson Sargento

Nelson Sargento (@oficialnelsonsargento) • Facebook

Nelson Sargento, um gigante da Mangueira

Paulo Peres 
Poemas & Canções)

O artista plástico, escritor, cantor e compositor carioca Nelson Mattos foi sargento do Exército, daí o apelido que virou nome artístico. Com parceria de Angenor de Oliveira, o Cartola, fez da vida amorosa uma bela “Sinfonia Imortal”. O samba foi lançado no CD Nelson Sargento Versátil, em 2008, patrocinado pela Natura.

SINFONIA IMORTAL
Cartola e Nelson Sargento

Nós dois somos um naipe de orquestra
Raios de sol pela fresta
Nas partituras do amor.
Surgiu no brilho dos instrumentos
Feito uma sombra, um lamento
Um contratempo da dor.

Jamais a corda lá do destino
Fez nosso amor peregrino
Vagando em acordes vãos.
E a paz era perfeita harmonia
Até que chegou o dia
Da gente fora do tom.

Quando o amor desafina
As notas que predominam
Saudade e desilusão.
Mas se o maestro é de fato
Põe na pauta um pizzicato
Resolve a situação.

E o que eu desejo afinal
É fazer das nossas vidas
Uma sinfonia imortal

Temer admite consultoria ao Master e cobra impedimento no STF

Ex-presidente afirmou ter recebido honorários pelo trabalho

Pedro Penteado
Estadão

O ex-presidente Michel Temer (MDB) confirmou nesta sexta-feira, 10, que foi contratado pelo Banco Master para realizar uma consultoria e mediação antes de o banco ser liquidado pelo Banco Central, em novembro do ano passado.

Em entrevista à CNN Brasil, ele afirmou ter recebido honorários pelo trabalho e disse que o contrato foi encerrado sem resultado. Temer também avaliou que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com possíveis vínculos ao caso Master deverão se declarar impedidos para julgá-lo.

ENVOLVIMENTO –  “Há no sistema normativo impedimentos para que eventuais ministros ou juízes ligados a familiares possam decidir certas matérias. Tenho absoluta convicção de que os ministros que têm advogados envolvidos nessa questão declararão impedimento”, disse.

Temer confirmou ter participado de uma reunião em Brasília com Daniel Vorcaro, controlador do Master, o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Afirmou não poder detalhar o conteúdo do encontro por razões de confidencialidade profissional. “Há uma certa confidencialidade nessas matérias. Isso é uma coisa ética, fundamental para o advogado”, disse. (Leia mais abaixo)

Sobre os contratos do Master com escritórios de advocacia, o ex-presidente afirmou que cabe a cada um estabelecer seus “critérios de cobrança”. Como publicado pelo G1 e confirmado pelo Estadão, o escritório recebeu R$ 80,2 milhões do banco liquidado em um período de 22 meses. Ele defendeu especificamente os serviços prestados pelo escritório de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, ao afirmar que a assessoria era “global” e não apenas de natureza jurídica.

IMPEDIMENTO – O ministro Dias Toffoli já se declarou impedido de participar do julgamento sobre a prisão de Vorcaro, em 11 de março. Antes disso, em 12 de fevereiro, ele deixou a condução das investigações do caso após a divulgação de um relatório da Polícia Federal com menções a seu nome em dados extraídos do celular de Vorcaro.

Temer disse não saber o que Vorcaro irá revelar em eventual acordo de colaboração, mas avaliou que o empresário “tinha uma influência muito acentuada” e “os mais variados contatos”. Sobre o impacto político do caso, o ex-presidente afirmou que os efeitos mais severos devem aparecer a partir de julho, com o início das convenções partidárias. “Não está sendo bom para as campanhas políticas e para o quadro institucional geral no País”, disse.

Temer negou ter orientado Moraes, ministro que ele indicou ao STF em 2017, sobre o caso Master. “Jamais me atrevi a dar uma orientação a ele. Eu conheço bem o Alexandre e sei que ele decide por conta própria”, afirmou.

Envolvido até o pescoço com Vorcaro, a eleição de Ibaneis será um desacato 

Escândalo Vorcaro: A Prisão e suas Implicações na Democracia

Esta é a pergunta que não quer calar em Brasília

Roberto Nascimento

Até semana passada, o rombo do BRB  (Banco Regional de Brasília) era de R$ 12 bilhões, jogados no colo do banqueiro fraudador e picareta Daniel Vorcaro. Mas ainda era pouco e novas investigações da Polícia Federal, apontam um rombo muito maior, na faixa de 30 bilhões.

O dono do Master, Daniel Vorcaro, salafrário, tinha uma milícia particular para fazer o serviço sujo, sob o comando do matador e aluguel, o “Sicário” Mourão, um moderno cangaceiro de Minas, parecido com o Antônio das Mortes, que também matava no sertão, por dinheiro de fazendeiros, imortalizado no filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, do cineasta Glauber Rocha.

SAI ILESO – No filme, uma bela ficção de Glauber, Antônio das Mortes sai ileso, são e salvo, enquanto as vítimas, ficaram na horizontal com terra por cima. Na vida real, o Sicário Mourão, o chefe da milícia do  Vorcaro, teria se enforcado na cela da PF em Belo Horizonte.

No meio dessa confusão, surge uma pergunta que não quer calar, e todos a fazem em Brasília e arredores:
Por que o governador de Brasília, Ibaneis Rocha, ainda não foi preso?

Ele negociou as compras de papéis podres do Master, diretamente com o banqueiro Vorcaro na mansão do picareta. Que país é este, que deixa o vampiro de Brasilia solto e livre para se candidatar ao Senado e ganhar imunidade eterna?

PROPOSTA INDECENTE – E agora surge a nova governadora Celina Leão, que era vice e assumiu o cargo de Ibanéis após a renúncia dele para se candidatar ao Senado, tenta pressionar o governo federal para salvar o BRB, o Banco de Brasília do rombo gigantesco.

Qual a proposta de Celina Leão? Ora, ela pretende que a Caixa Econômica e o Banco do Brasil, comprem papéis do BRB, da ordem de R$ 8 bilhões. Que vergonha, governadora Celina, esse pedido é uma proposta indecente e imoral.

A única saída é uma intervenção do Banco Central, liquidando de vez o BRB. Embora seja estatal, pode sofrer intervenção e liquidação por insolvência, má gestão grave ou colapso financeiro, justamente as características atuais do BRB, deixando claro que governadores não devem administrar Bancos, porque o rombo é praticamente certo.

CIDADE ABANDONADA – Ao mesmo tempo, Brasília dá mostras de que está abandonada, com o aumento do número de moradores de rua nas superquadras e a favelização das chamadas cidades satélites.

Tudo isso demonstra que os políticos querem alçar ao poder apenas para enriquecer. Pedem votos ao eleitor com promessas impossíveis e depois riem da cara do povão, quando são eleitos.

Será que o morador de Brasília ainda pretende votar no Ibaneis Rocha e na Celina Leão? Acho que não. Errar de novo e sofrer duas vezes, sinceramente seria demais.

O rastro de bilhões de reais do Master que expõe as zonas cinzentas do poder

Charge do Laerte (Folha)

Pedro do Coutto

Há momentos em que a política brasileira não se revela por discursos, mas por conexões. E poucas histórias recentes ilustram tão bem essa engrenagem quanto o caso do Banco Master — um enredo que mistura expansão agressiva, colapso financeiro e uma rede sofisticada de relações que atravessa Brasília, o mercado e o Judiciário.

As revelações mais recentes, baseadas em dados fiscais e reportagens de veículos como O Globo, mostram que o banco não apenas cresceu de forma acelerada, mas também construiu, ao longo desse processo, uma espécie de “cinturão de proteção” composto por advogados, consultores e figuras de peso da República.

MILHÕES DE REAIS – Não se trata de pagamentos clandestinos, ao menos não no sentido clássico. São contratos, pareceres, consultorias — todos formalmente registrados. E é justamente aí que reside o problema. Entre 2023 e 2025, milhões de reais foram destinados a escritórios de advocacia e estruturas de assessoria jurídica.

Parte relevante desses valores foi direcionada ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Dados encaminhados a investigações e divulgados pela imprensa indicam repasses que chegam à casa de R$ 80 milhões em cerca de dois anos .

Formalmente, não há acusação direta de ilegalidade. O próprio escritório afirma não atuar em processos no âmbito do STF e sustenta que os serviços prestados foram técnicos, com reuniões e pareceres ao longo do contrato . Ainda assim, o impacto político é inevitável. Porque, em ambientes institucionais, não basta ser legal — é preciso parecer legítimo.

PADRÃO RECORRENTE – Esse é o ponto central que transforma o caso em algo maior do que uma simples relação contratual. O escândalo do Master, já descrito como um dos maiores colapsos financeiros recentes do país, com bilhões em jogo e investigações em curso, acabou por expor um padrão recorrente na elite brasileira: a sobreposição entre interesses privados e redes de influência pública .

O controlador do banco, Daniel Vorcaro, não operava apenas no mercado financeiro. Sua estratégia envolvia algo mais sofisticado: construir pontes. Pontes com o Executivo, com o Legislativo, com o Judiciário e com a opinião pública. Consultorias econômicas, pareceres jurídicos, mediações institucionais e até gestão de crise — tudo integrado em uma estrutura que, na prática, funcionava como um sistema de proteção e expansão simultâneas.

Não é um fenômeno novo. O Brasil já assistiu, em diferentes momentos, à formação de ecossistemas semelhantes, onde o poder circula por meio de relações personalizadas, contratos bem remunerados e uma zona cinzenta entre influência legítima e captura institucional. O que diferencia o caso Master é a escala e o timing: ele explode em um momento de forte polarização política e de crescente desconfiança nas instituições.

QUESTIONAMENTOS ÉTICOS – O efeito colateral mais sensível recai sobre o próprio Judiciário. O Supremo Tribunal Federal, que nos últimos anos assumiu protagonismo político, agora se vê, ainda que indiretamente, envolvido em questionamentos éticos. E isso tem consequências. Pesquisas recentes já apontam erosão na confiança pública, alimentada justamente por episódios que, mesmo sem ilegalidade comprovada, geram desconforto coletivo .

O presidente Lula da Silva chegou a reconhecer, em declarações públicas, que há situações em que decisões podem ser juridicamente corretas, mas politicamente problemáticas — sobretudo quando afetam a percepção da sociedade sobre a imparcialidade das instituições. Essa distinção, aparentemente sutil, é hoje o centro do debate.

DÚVIDAS LEGÍTIMAS – No fundo, o caso Master revela menos sobre um banco específico e mais sobre o funcionamento do poder no Brasil. Um sistema em que contratos podem ser legais, relações podem ser formais, mas o conjunto ainda assim levanta dúvidas legítimas.

Porque, quando milhões circulam entre atores que orbitam o núcleo do Estado, a questão deixa de ser apenas jurídica — torna-se política, institucional e, sobretudo, moral. E é exatamente nesse território, onde a lei encontra a percepção pública, que crises verdadeiramente perigosas começam a se formar.

Lula está ensinando ao Supremo que em política não existe gratidão nem lealdade

Charge do Zé Dassilva: Ninguém precisa saber - NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

William Waack
Estadão

Lula entregou aos leões o homem que ele diz em público ter salvado a democracia, o ministro Alexandre de Moraes. Ao recomendar ao ministro que “salve sua biografia”, e se declare impedido de julgar qualquer coisa relativo ao escândalo do Master, Lula pediu para Moraes não atrapalhar a reeleição.

Explícito nesse conselho é o reconhecimento de que a situação do STF – perda de credibilidade e legitimidade – terá impacto eleitoral. Bastante evidente, aliás. Na noite do primeiro turno já se sabe qual será a composição da Câmara dos Deputados e do Senado. Portanto, qual o peso da tropa para se pedir votos no segundo turno contra o STF – visto como associado a Lula.

SALVAR A PELE – As posturas públicas de integrantes das duas principais alas em que se divide hoje o Supremo indicam que a luta por “preservar” a imagem da instituição cedeu lugar à luta para salvar literalmente a pele de alguns de seus integrantes. Não ganhou tração no debate a tentativa de tratar a crise em que se encontra o Supremo como esforço para preservar a institucionalidade diante de ataques infundados.

Formou-se um tipo de “onda”, de “momento” na política, no qual a hipertrofia do STF é percebida amplamente como intolerável. E surgiu bastante distante, mas está na linha do horizonte, o temor de algum tipo de desobediência civil. A tal da “autocontenção” sequer é percebida como tal.

Ao contrário. A resposta à crise dada pelo STF é vista pelo público como o emprego mal disfarçado de subterfúgios “técnicos” para limitar o poder de investigação do Legislativo, cercear a distribuição de conteúdo obtido por órgãos como a PF, mudar regras do jogo para dificultar a tramitação de pedido de impeachment dos ministros e, por último, contestar o alcance e valor de delações – quando virão várias no Master.

NOVA LAVA JATO – Talvez seja a arrogância do poder irrestrito que tenha levado alguns integrantes do STF a acreditarem que está em curso um novo tipo de lavajatismo. O paralelo possível com aqueles tempos é outro: é o grau da indignação em vários setores da sociedade com a podridão e falta de moral no “sistema”. A Lava Jato foi um grande grito de “basta”. É o que se ouve novamente.

As duas “saídas” em curso no momento para a situação do Supremo são o forte espírito corporativista do Judiciário em geral e da corte suprema em particular. E um tipo de entendimento “informal” com um Senado que não mais comanda o mesmo respeito que já teve. Ficou mais parecido com a Câmara dos Deputados e suas “negociações”, inclusive políticas.

Seria mesmo difícil vislumbrar como “saída” uma eventual ajuda vinda de um mandatário que admite em público estar no cargo graças ao Supremo. Lula ensinou que em política não existe gratidão e nem lealdade.

A ilusão da estabilidade fugaz: por que o cessar-fogo não resolve o Oriente Médio

Tudo indica que Sicário foi morto na cela, como ocorreu em NY no caso de Epstein

Os tentáculos malditos de Jeffrey Epstein - Charge publicada no jornal A Tarde.

Charge do Clériston (A Tarde)

Carlos Newton

Com as devidas proporções, o caso da morte do pistoleiro Luiz Phillipi Mourão, conhecido pelo codinome Sicário, que ocorreu recentemente na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, tem muita semelhança com o suicídio do magnata americano Jeffrey Epstein, ocorrido em 2019 numa prisão federal em Nova York.

Como aconteceu com “a morte e a morte” do célebre personagem Quincas Berro d’Água, de Jorge Amado, tanto Epstein quanto Sicário também tiveram duas mortes, porque teriam tentado o suicídio na cadeia, foram dados como mortos, mas estavam inconscientes, receberam socorro e só morreram muito depois, nos hospitais.

SABIAM DEMAIS – Como no filme de Alfred Hitchcock, Epstein e Sicário eram homens que sabiam demais. Ao morrer, o ricaço americano possuía fortuna equivalente a R$ 2 bilhões, enquanto o pistoleiro brasileiro ganhava RS 1 milhão por mês, que é salário de CEO de grande empresa privada.

Jeffrey Epstein era acusado de exploração sexual de menores, que ele oferecia a milionários e políticos do mundo inteiro, fazendo questão de se tornar íntimo deles e fotografá-los socialmente ou em plena ação, digamos assim, como ocorreu com o ex-príncipe Andrew, que sujou a barra da família real britânica e até perdeu o título de nobreza.  

Mais modesto, Sicário foi operador e pistoleiro do banqueiro Daniel Vorcaro, coordenando as ações de intimidação e segurança do patrão. Antes de sua ligação com o Banco Master, ele já era investigado em Minas Gerais por atuar como agiota e gerenciar um esquema de pirâmide financeira que teria movimentado cerca de R$ 28 milhões.

“SUICIDADOS”? – Tanto no caso do pedófilo americano lá na matriz USA quanto no caso do capanga do banqueiro aqui na sucursal Brazil, tudo indica que ambos foram “suicidados”, naquele antigo e famoso método usado para matar o jornalista Vladimir Herzog, que somente agora foi reconhecido como assassinato.

A autópsia do magnata Epstein revelou que havia vários ossos fraturados no pescoço, como acontece em morte por enforcamento ou estrangulamento. Assim, não teria sido possível identificar se foi suicídio ou homicídio.

Os advogados tinham avisado ao juiz que ele havia recebido ameaças e que temia por sua segurança. Além disso, de acordo com o status especial imposto a Epstein, ele deveria ter um companheiro de cela. Mas no momento da quase morte, o pedófilo estava sozinho, porque o outro preso tinha sido transferido, o que representa uma infração ao regulamento da penitenciária.

CÂMARA NA CELA –  Os dois guardas designados para verificar sua cela à noite, Tova Noel e Michael Thomas, adormeceram em suas mesas por cerca de três horas e depois falsificaram os registros. As duas câmeras que filmavam a cela de Epstein também pararam de funcionar naquela noite, e outra câmera tinha imagens “inutilizáveis”. Aqui na humilde filial Brazil, todo o tempo que Sicário passou na cela foi filmado “sem pontos cegos”, segundo o superintendente da Polícia Federal em Belo Horizonte, delegado Richard Murad Macedo.

Ou seja, existem imagens de Sicário dentro da cela que mostram que ele se suicidou ou foi suicidado, mas a Polícia Federal se recusa a exibi-las, alegando um sigilo que jamais foi decretado.

Na matriz, a morte do milionário está sendo investigada há sete anos pelo FBI e pelo Departamento de Justiça, num procedimento que parece o famoso “inquérito do fim do mundo” que o ministro Alexandre de Moraes inventou. E a morte de Sicário aqui na sucursal também parece que não vai terminar nunca.

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P.S. –
A Polícia Federal já recebeu três pedidos do Congresso para liberar as imagens de Sicário na cela, mas não liberou. Os próprios legislas da PF requisitaram as gravações para concluir o laudo, mas também não foram atendidos. Assim, enquanto as imagens não vierem a público, continuará a surgir todo tipo de especulação sobre “a morte e a morte” de Sicário. E a Tribuna da Internet continuará a cobrar o fim desse sigilo absurdo. (C.N.)

Após articulação de Lula, Alcolumbre tira indicação ao STF da zona de bloqueio

Em jantar com Kassab, presidente do PT aborda reforma do Judiciário e desgaste do STF

AGU corta salário de R$ 32 mil de ex-chefe do INSS preso em escândalo de fraudes

Stefanutto é investigado por descontos ilegais

Fernanda Fonseca
CNN

A AGU (Advocacia-Geral da União) suspendeu o salário do ex-presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) Alessandro Stefanutto, preso em novembro de 2025 por suspeita de envolvimento em um esquema bilionário de fraudes em aposentadorias e pensões. O corte inclui tanto o salário-base quanto os honorários.

Segundo o órgão, a medida foi adotada após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que determinou a prisão em mais uma fase da Operação Sem Desconto, sobre fraudes no INSS. Na avaliação da AGU, a restrição de liberdade — e a consequente ausência ao serviço — autoriza a suspensão.

ADICIONAIS – Stefanutto recebia cerca de R$ 32,4 mil mensais como procurador federal, valor que era ampliado com verbas indenizatórias e honorários advocatícios. Em alguns meses, os adicionais ultrapassaram R$ 15 mil, de acordo com dados do Portal da Transparência.

Stefanutto foi preso durante operação da Polícia Federal que apura descontos associativos não autorizados em benefícios previdenciários, especialmente aposentadorias e pensões. As investigações apontaram a existência de cobranças indevidas feitas diretamente nos pagamentos a segurados.

AFASTAMENTO – Ele ficou no cargo do INSS até abril de 2025. Após o esquema bilionário de fraudes ser revelado, o então presidente do instituto foi afastado e, depois, exonerado do cargo. Em outubro do ano passado, Stefanutto depôs à CPMI do INSS, em uma oitiva marcada por bate-bocas e troca de acusações.

No depoimento, o ex-presidente do instituto defendeu sua atuação enquanto esteve no cargo e afirmou ter tomado “muitas providências”, mas que talvez não tenha atendido o que a “CGU (Controladoria-Geral da União) queria”.

Derrota de Flávio e Caiado em 2026 pode manter Bolsonaro preso por mais 10 anos

Planalto arma narrativa contra Campos Neto, mas Galípolo desmonta estratégia em público

Disputa pelo vice na chapa expõe racha na direita em torno de Flávio Bolsonaro

Centrão quer Tereza Cristina; núcleo raiz prefere Zema

Andréia Sadi
G1

Há uma disputa importante acontecendo nos bastidores da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) sobre a escolha do vice. Essa disputa expõe uma divisão clara dentro da direita. Aliados mais próximos de Flávio Bolsonaro resistem ao nome da senadora Tereza Cristina, do PP, que é a preferida do Centrão e já foi sugerida mais de uma vez pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Esse “núcleo duro” e mais “raiz” do entorno do senador avalia que o vice precisa ser uma solução de lealdade direta ao projeto do filho 01 de Jair Bolsonaro, sem estar vinculado a um grupo político forte. Eles fazem até uma comparação: dizem que o ideal seria algo parecido com o que Lula (PT) fez em 2002, com José Alencar. Um aliado de Flávio definiu assim ao blog: ”um vice que vá dar paz”.

ESCOLHA POR MOURÃO – Bolsonaro escolheu Hamilton Mourão em 2018 — após negativas de outros nomes — e viveu às turras com o vice, com teorias de conspiração de que o general queria derrubá-lo. Em 2022, o ex-presidente escolheu Braga Netto, outro general, pois acreditava que ele seria uma espécie de ”seguro-impeachment”, por não ter estrutura própria de poder nem fazer parte de grupos no Congresso.

Para esse “núcleo duro” e mais ideológico da pré-campanha de Flávio, é aí que entra o nome de Romeu Zema, do partido Novo, que deixou o governo de Minas Gerais para disputar a eleição. Zema é pré-candidato a presidente, mas aliados do senador do PL enxergam nele uma “solução mais simples” para a vice, justamente por não carregar um bloco político como o Centrão.

Quanto a Tereza Cristina, ex-ministra de Bolsonaro, a resistência se dá por dois motivos. Por ser vista como um nome muito ligado ao Centrão e também por um episódio recente que incomodou a ala mais radical: a participação dela numa comitiva que tratou de tarifas nos Estados Unidos.

IRRITAÇÃO – Aliados dizem que Eduardo Bolsonaro ficou irritado com isso e atua contra o nome dela. Por outro lado, a senadora continua forte entre empresários e setores do mercado financeiro, que veem nela um nome mais moderado e previsível. No fim das contas, a discussão gira em torno de uma lógica bem pragmática: a vice como moeda de troca. O que cada nome entrega? Tempo de TV? Fundo eleitoral? Apoio político?

No caso do Zema, entra na conta o peso de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. O ex-governador é visto como alguém mais fiel ao projeto bolsonarista, mas que ainda precisa provar quanto agrega eleitoralmente. Tereza Cristina, por sua vez, é um nome ligado ao Centrão, com apoio do mercado, empresários e setores da direita.