90 por cento dos senadores so REPUBLICANOS, mas adoram e invejam Pedro Alvares Cabral

A crise do Senado, bradou Jos Sarney, se defendendo das acusaes indefensveis. Mas no s no explicou coisa alguma, no tocou nos pontos fundamentais da controvrsia, como no fez a menor sugesto para que existisse uma pauta de debate, de discusso, at de divergncia. E no a exibio permanente de vandalismo verbal, atingindo o pessoal, e quase chegando ao corporal.

Sarney disse: Estou sendo julgado por crimes menores. O que ele, que j est na terceira presidncia, considera que so crimes menores? Certamente a nomeao de parentes, principalmente o namorado da neta. Se o ex-presidente andasse nas ruas (meu estado o Amap, disse ele, desacreditando tudo o que veio a falar), compreenderia at de forma dramtica, que a maior repercusso a respeito de tudo o que aconteceu, foi exatamente a questo envolvendo a neta e seu namorado.

No apenas senadores, mas outros polticos, gostam muito de falar sou Republicano, e ligam essa palavra com democracia. Mas na verdade, desacreditam a primeira, no respeitam a segunda, criam uma terceira, que todos conhecem, e que tem muitos e variados sinnimos.

O Brasil jamais teve uma democracia plena, o que no chega a ser surpreendente, se lembrarmos que a Repblica comeou com um golpe de estado, dois marechais tomando o Poder, e ultrapassando as melhores figuras de homens pblicos que este pas j conheceu.

Eram os Abolicionistas e os Propagandistas da Repblica, que se tivessem chegado ao Poder, teriam escrito a Histria do Brasil de forma inteiramente diferente. Mas dois marechais, que vieram da estranha Guerra do Paraguai, como coronis e brigadssimos entre si, tomaram o Poder, e sem nenhuma surpresa, transformaram a Repblica to sonhada, numa armadilha militar, militarista e militarizada.

A nossa Repblica chegou melanclica, lamentvel, triste, trada e traidora, ao contrrio do que aconteceu em quase todos os pases do mundo ocidental, com a proclamao da Repblica.

Estados Unidos, Frana (com um ano de diferena), Espanha, e muitos outros, mergulharam em guerra de libertao, muitas vezes batalhas ganhas com milhes de mortos.

Tudo que est acontecendo na vida pblica brasileira consequncia (v l, inconsequncia), no importa que j tenham se passado 120 anos. Anteontem, eu escrevia, muitos que leram, elogiaram a frase que usei: A histria escrita diariamente, lida muito tempo depois.

Acredito que a maioria esmagadora do Senado no sabe que est fazendo histria. E como no tem intimidade com a cultura e a leitura, no vo lembrar ou desvendar nem mesmo dos episdios do quais participaram.

Agora parece que no querem mais participar. Pelo menos no aparecem, ficam nos seus bunkers, isolados ou em grupos, com a denominao que eles mesmos codificaram. compreensvel. Chegaram a um ponto sem volta, principalmente porque pretendem essa volta, como sempre, com um acordo geral de conciliao.

Deviam ficar ENVERGONHADOS E CONSTRANGIDOS, no pela baixaria praticada no plenrio, e sim pela pacificao que pretendem obter nos subterrneos. Alguns desses subterrneos so os seus inmeros e luxuosos gabinetes, uma das causas da desmoralizao geral.

Junto com atos secretos, nomeao de 125 funcionrios para cada senador, 187 DIRETORIAS, e todo o resto, QUE S NO ATINGE OS SENADORES, porque NO SABIAM de nada.

Ontem, trs senadores falaram sobre o assunto. Cada um usou uma palavra, mas no explicaram. As que usaram: COERNCIA, CONVIVNCIA, CONSEQUNCIA. Como os trs conhecem o que usaram, devem voltar tribuna hoje, para indispensvel esclarecimento.

* * *

PS De preferncia quando Sarney no estiver presidindo. Chegar o dia em que o Senado se livrar ou se libertar dele?

PS2 Politica e eleitoralmente todos se dizem REPUBLICANOS, orgulhosos, empolgados e exuberantes. Mas trabalham incessante e exaustivamente para que a nica coisa nova no Brasil continue sendo Pedro Alvares Cabral.

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