A Academia se exalta, mas não exalta candidatos

Desde que escrevi sobre o preenchimento da vaga de José Mindlin, aconteceu o que eu revelei: ainda surgirão muitos candidatos. E apareceram. Só ontem e hoje, os acadêmicos receberam vários telegramas. Vejamos alguns, com os respectivos comentários, pois a Academia (e lógico, os acadêmicos) é impiedosa.

Ministro Eros Grau (que é chamado de “Zeros” Grau) apresenta como título, o fato de ter sido assessor do próprio José Mindlin, quando este foi secretário de Cultura em São Paulo. É pouco.

Marco Luchesi, mandou o telegrama mais desastrado, numa linha só: “DESEJO manifestar o meu DESEJO de me candidatar”. Como coloca entre as credenciais, o fato de falar 15 idiomas, veio o comentário geral e natural: “Entre os 15 idiomas, não está o português”. Nenhuma chance.

Geraldo Holanda Cavalcanti, embaixador, mandou telegrama diplomático. Conta com apoio dos três embaixadores da “casa”, mais dois pernambucanos e 1 ou 2 outros. Por enquanto, fica nos 6 ou 7, tem que crescer mais.

Muniz Sodré mandou telegrama simples, é respeitado, o que falta é voto. Foi discreto na comunicação, Ainda não está completo o quadro, pois na verdade as inscrições começam amanhã, dia 4 de março, e se encerram 30 dias depois, 4 de abril. Como a eleição é marcada para 90 dias depois do fim das inscrições, se realizará no dia 4 de julho.

Terminando com nomes, duas grandes surpresas. 1 – A queda do Ziraldo, que no dia seguinte da morte de Mindlin, aparecia em vários programas de televisão, praticamente vitorioso, e agora caiu, para ele assustadoramente. Lembram que Ziraldo foi vetado quando não consolidou a candidatura. E quando se candidatou de verdade, perdeu para o próprio Mindlin, teve 11 votos. No momento, não tem nem isso. Enfrenta terrível campanha contra, dentro da própria Academia.

2 – Outro fato inusitado: o mau humor diário e intransferível do acadêmico Marcos Villaça, que se considerava “fazedor de amigos”, e percorre o caminho exatamente contrário.

Explicação para o mau humor do presidente da Academia: muitos garantem que “sabem onde começa, mas ninguém sabe como terminará”. 1 – Dizem (será apenas maldosamente?) que o Ziraldo perdeu votos por causa do “apoio” do Villaça.

2 – Este foi criticado pelo gesto popularesco de “incentivar” (o que eu chamei de DEVANEIO) a candidatura Martinho da Vila. O próprio acreditou, a Academia desacreditou no presidente.

3 – Teve que ir a São Paulo anteontem voltando no mesmo dia, por exigência da bancada paulista, que sempre tem candidatos. A representante do grupo é Lygia Fagundes Telles, que não pode ser ignorada. Precisou considerar o nome de Ives Gandra Martins, jurista e professor. Por quem não tem o menor apreço.

4 – Sarney, pela primeira vez tem dado a impressão que votará diferente do presidente da Academia. Mais motivo para o mau humor, de quem se considerava candidato ao Prêmio Nobel da Paz.

***

PS – A possível candidatura FHC depende do que eu revelei 24 horas depois de aberta a vaga: ele não tem restrições à Academia e sim ao processo de escolha. Normalmente não pediria votos. E acha que um ex-presidente, esse então não pode visitar ninguém, parece que está apelando ou implorando.

PS2 – Nada surpreendente neste país “oitava maravilha do mundo”. Acadêmicos não falam, mas esperam um movimento que pode até se chamar “queremos Lula”. (Como o de Vargas em 1945, já da Academia, querendo permanecer, com o slogan “queremos Getulio”).

PS3 – Se Lula disser uma palavra, qualquer que seja, vai morar em São Bernardo, indo ao supermercado, sem seguranças, mas de fardão. E vindo ao Rio toda semana para o chá, ou mensalmente para o almoço.

PS4 – Serão dois presidentes: Lula no fardão, Villaça na fantasia.

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