A crise da economia mundial por causa do que se chamou de quebra de Wall Street. De 1923 a 1929, 6 anos de altas sem nenhum intervalo. As ações foram subindo sem parar, e ainda havia a “alavancagem”. 80 anos depois a imprudência se repetiu, não se sabe quando acaba e o que é recuperação. Enquanto isso, o capitalismo garante a liberdade de imprensa, a liberdade de imprensa garante o capitalismo. Por mais 50 anos?

A euforia era geral. Nenhum alerta, vá lá, sobressalto, o céu financeiro, iluminado de manhã à noite. Fiscalização, nenhuma. Corretores e jogadores, faziam o que queriam, e levavam investidores com dinheiro, a segui-los intrepidamente, a alta aparentemente eterna, arrastando o otimismo.

Os investidores corriam risco sem saber. Jogadores e corretores, unidos e irmanados pelo que se chamava (e voltou a se chamar 80 anos depois) de “alavancagem”. Lógico, não com a intensidade daqueles dias miraculosos, maravilhosos, para todos eles em nenhuma hipótese, perigosos.

Mas o que era essa “alavancagem” que acabou destruindo a todos? O seguinte: quem tinha 1 milhão de dólares jogava 5 milhões. Dava esse milhão como garantia à corretora, com um documento escrito: “Se cair 20 por cento, pode vender”. Uma queda de 20 por cento de 5 milhões, dava exatamente 1 milhão, era a segurança da corretora. “mas não vai cair mesmo”, todos se consideravam seguros, se divertiam e se satisfaziam juntos e em tranquilidade.

Sobre aqueles tempos estranhos, o empresário Bernard Baruch, antes de chegar à empresa (que tinha ótima carteira de ações) gostava de engraxar os sapatos naquelas cadeiras altas da Quinta Avenida. Um dia o engraxate lhe deu um papel com uma lista de ações, dizendo: “Doutor, não pode deixar de comprar estas ações, vão subir muito”.

Chegou ao escritório, chamou o responsável pelas ações, deu a ordem, “venda imediatamente todas as ações”. Ele ainda quis argumentar, “estão em alta excelente”. E Baruch peremptório, “é isso, na alta é que se vende”. 8 meses depois tudo explodia, não perdeu um dólar.

Empresários que passavam longe de Wall Street, também não perderam nada. Como os construtores do Empire State Building, que em 1931 inauguravam o prédio mais alto do mundo. Que levou mais de 3 anos sendo construído, muito antes da crise da jogatina, da ambição financeira e da falta de fiscalização.

A recuperação foi lenta e demorada. Roosevelt assumia 4 anos depois, em 5 de março de 1933, com o país esfacelado. Criou o New Deal, estatizou tudo, (como fingiram fazer agora) dificuldades terríveis. O número de desempregados, 15 milhões, o mesmo de agora, mas numa população muito menor.

Hoje todos dão palpites, falam em “recuperação da economia por causa da recuperação das bolsas”. Nada a ver. Garantem que tudo acabará em 2010, (os mais precavidos citam 2011) mas é tudo mistificação.

A Bovespa subiu de 6 mil para 74 mil em mais ou menos 7 anos. E ninguém esperava ou admitia a queda. Mas veio desses 74 mil para 30 mil, com os investidores verdadeiros atirados na lama do descrédito, desassossego, desespero.

A longa viagem de volta

TRILHÕES de dólares e euros, foram jogados nessa voragem. E não serão devolvidos, apesar das maquiagens que fazem nesses “empréstimos”. Não só para os mercados acionários mas também para os imobiliários. Diminuíram um pouco as “bonificações dos Executivos”, nada melhor para o otimismo vazio.

Desemprego destrutivo

A UE (União Européia) confessa 18 milhões de desempregados, e não surge nem o trabalho para os que chegam à idade do primeiro emprego. Os americanos, mais hipócritas, citam apenas “as percentagens do desemprego”, para quem sabe “decodificar”, são 15 milhões. Sem capacidade para fornecer o primeiro emprego.

Otimismo falso e farsante

O famoso economista Nouriel Roubini, disse com segurança e total advertência: “O mundo pode estar plantando as sementes da próxima crise”. E conclui: “Existe disparidade completa entre o OTIMISMO dos mercados, e a DEBILIDADE da economia real”.

Analisando o presente,
respondendo pelo futuro

Está rigorosamente correto. E posso aplaudi-lo sem restrições, pois há mais de 6 meses digo isso diariamente.

Não há momento em que deixe de chamar a atenção para a irrealidade do que ocorre nas Bolsas, (do mundo) e a tentativa de credibilidade que espalham através dos jornalistas amestrados.

As Bolsas podem subir,
sem recuperação da economia

Faço a comparação diária, e mostro sem nenhuma complicação ou mistificação, que a economia é uma coisa, e a jogatina das Bolsas, outra completamente diferente. Dou números e conclusões que não podem ser desmentidas. E agora, confirmadas pelo economista dos EUA.

***

PS – Por enquanto não há esperança ou expectativa de consolidação da economia em curto, médio ou longo prazo. Os que falam com conhecimento de causa, como o economista Nouriel Roubini, (ou este repórter) correm o risco de serem ridicularizados.

PS 2 – No momento, a garantia vem de um entrelaçamento: o capitalismo garante a liberdade de imprensa, a liberdade de imprensa garante o capitalismo.

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