A difícil situação em que o juiz Moro se encontra, despercebida para muitos

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Sérgio Moro deu entrevista como juiz e não como ministro

Jorge Béja

Dá prazer ver e ouvir Sérgio Moro. Sua pessoa é serena, não se exalta, o tom de voz é suave, fala fácil e muito bem articulada, ampla cultura, jurídica e geral, ampla visão social, grande sentido de justiça…Moro é um fidalgo. De fina educação. Sem dúvida, pode-se garantir que foi a melhor escolha que o presidente eleito fez para integrar seu governo. E Bolsonaro precisa ouvir Moro sempre e sempre. Mas até agora Bolsonaro é o presidente eleito e Moro o futuro ministro da Justiça e Segurança Pública. E até a posse de ambos, o que se dará no dia 1º de Janeiro de 2019, Bolsonaro é o presidente eleito e Moro continua magistrado federal.

Ainda que esteja no gozo de férias, Moro continua Juiz de Direito e, como tal, ainda que tenha ele se afastado da jurisdição na 13a. Vara Federal de Curitiba, Moro está sujeito às proibições impostas pela Constituição Federal, pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional e pelo Provimento 71 de 2018, do Conselho Nacional de Justiça, até que peça exoneração do cargo de juiz.

EXONERAÇÃO – Na entrevista coletiva da tarde desta terça-feira em Curitiba, em resposta à pergunta de um jornalista, Moro disse que só vai pedir exoneração da magistratura no futuro. E justificou: “Se até a posse como ministro, eventualmente, venha acontecer alguma coisa comigo, já exonerado, como ficará minha família?”. A preocupação de Moro se justifica. Sim, porque se pedir exoneração já, e até ser empossado ministro da Justiça e Segurança Pública ocorrer sua morte, a família ficaria sem a pensão de juiz. Também na eventualidade de ocorrer algo com ele próprio que o torne incapaz, nada receberia de ajuda previdenciária, eis que já exonerado do cargo de juiz. Portanto, a preocupação de Moro é justa. Mas cá pra nós, Moro não disse, mas deixa subentendido que se pedisse exoneração já, e posteriormente, por razões que só a Deus pertencem, Bolsonaro não venha assumir a presidência, Moro também estaria desempregado.

ATIVIDADE POLÍTICA – Esse quadro serve para mostrar que Moro, sendo ainda juiz, não deveria ter aceito o cargo que Bolsonaro lhe ofereceu, porque tanto representa a vedação do cargo de juiz com a atividade político-partidária. Sim, ministro de Estado é cargo-atividade política, vedada aos juízes. E Moro deu entrevista nesta terça-feira ainda na condição de juiz federal e como futuro ministro do novo governo. A incompatibilidade é manifesta e também é vedada pela Lei da Magistratura e pelo Provimento 71 de 2018 do Conselho Nacional de Justiça.

Certamente o doutor Sérgio Moro está numa situação desconfortável. O povo brasileiro o quer ministro da Justiça e da Segurança Pública. O povo quer ele à frente do combate à corrupção e não apenas decidindo os processos judiciais que eventualmente sejam a ele distribuídos pela Justiça Federal. Mas o doutor Moro ainda é juiz federal. Quando fala, dá entrevista e se reúne com o presidente eleito e seu grupo de transição, é o juiz federal que está presente e não o ex-juiz Moro, sem a toga. Toga que o acompanhará até pedir exoneração.

Férias e licença não tiram a toga de magistrado. A bem da verdade, nem a aposentadoria, porque uma das prerrogativas da magistratura é a vitaliciedade. Um juiz quando se aposenta é para continuar a ser tratado como juiz. Mas juiz aposentado.

CONSTRANGIMENTO – Que situação difícil para o doutor Moro! Se pede exoneração da magistratura e depois não assume o ministério para o qual Bolsonaro o convocou, fica desempregado. Se morre, a família fica sem pensão. Se fica inválido, não recebe pensão previdenciária. Se não pede exoneração já, mas apenas férias, não pode estar dando entrevista nem agindo como futuro agente político, tal como vem fazendo, culminando com a entrevista coletiva da tarde desta terça feira em Curitiba!

É doutor Moro, mas vale um passarinho da mão do que dois voando, como diz o velho ditado. O senhor está sendo cuidadoso consigo próprio e os seus, merecidamente, é claro. Mas o quadro atual exigia exoneração já. Até lá, o senhor é juiz, sempre juiz, sobre quem recaem as vedações constitucionais.

30 thoughts on “A difícil situação em que o juiz Moro se encontra, despercebida para muitos

  1. Dr. Beja

    Dr. Moro não poderia pedir licença por seis meses, sem vencimentos, para tratar de assuntos particulares?

    Parece-me que o Estatuto dos Servidores Publicos Civis permite.

  2. Na minha medíocre opinião, a análise é super-válida e não fica criando fatos; diferente dos jornalistas que estavam na coletiva, que conseguiram comparar Bolsonaro com Silvio Berlusconi e ainda chamar este último de extrema-direita. Ahh vá…

  3. Nada há, seja legal ou moral, que impeça ou tenha impedido a decisão do juiz Sérgio Moro em aceitar o honroso convite.

    O resto é confete e lantejoulas.

    • Como lantejoulas é o próprio CNJ. Agora que o desembargador Martins decidiu chamar à chincha o juiz Sérgio Moro, é bom lembrar que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é uma instituição pública que visa a aperfeiçoar o trabalho do sistema judiciário brasileiro, A rigor, ela não aperfeiçoa nada. Sem grandes coisas para fazer, seu papel tem sido o de azucrinar a vida de juízes.

      Essa de função de transparência administrativa e processual, é apenas um linguajar jurídico para fazer com que o medo ronde as decisões dos juízes. O exemplo da hora é o caso de Moro.

      Quem criou essa estrovenga chamada CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, um órgão sobreposto a outros? Foi Lula, em Dezembro de 2004. Seus figurões são apaniguados de políticos. Um deles é Renan, de Alagoas, terra do desembargador Martins e que já esteve até no casamento da filha no Caribe.

      Vão levantar muita poeira e ao final nada vai acontecer. Nada. Zero.

      Quarta-feira de cinzas, o carnaval acaba e tudo volta ao normal. Mas até lá vai bailar na mídia.

  4. Mas não é ele que já disse mais de mil vezes referindo-se ao seu réu, Lula, que ninguém está acima da lei ? Cadê a mídia espetaculosa ?

      • -Pedir para um CIDADÃO HONESTO cumprir a lei, como o Estatuto do Desarmamento, é moleza!
        -Agora, por que os esquerdistas não pedem a mesma coisa para o PAI GILMAR?

        “O grupo J&F, que controla a JBS, gastou nos últimos dois anos R$ 2,1 milhões em patrocínio de eventos do IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), que tem como fundador e sócio o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Ao ser questionado pela Folha sobre o assunto, o instituto disse que devolveu R$ 650 mil deste total no dia 29 de maio, após a revelação do acordo de delação premiada de executivos da empresa. O IDP diz que, em razão de uma cláusula contratual relacionada à conduta ética e moral por parte do patrocinador, rescindiu um contrato assinado em 11 de junho de 2015 com o grupo.”

        http://www.tribunadainternet.com.br/jbs-patrocina-a-faculdade-de-gilmar-mendes-que-precisa-sofrer-impeachment/

  5. Muito barulho por nada.
    Moro ainda é juiz, então não é ministro.
    Nem está ministro.
    Portanto, não pode ser condenado por participar de reuniões com equipe de transição.
    O que existe é uma expectativa de vir a ser ministro.
    Sendo empossado ou não, temos que reconhecer a coragem e a dedicação de um grande brasileiro.

  6. Deveria afastar-se, licenciar-se, imediatamente!
    Durante o período que ficou afastado, em julho, supostamente de férias, chegou a avocar para si procedimento para decidir eletronicamente, tumultuando o processo quando havia seu substituto dando expediente no Juízo.
    Ele não está mais em condições de ser juiz.

    • Se de férias ele já se intrometeu ilegalmente nos autos, imagine se continuar juiz lá, onde parece ser o dono do pedaço , corre o risco de dar outra sentença contra o Lula, mesmo de férias, só para agradar ao patrão Bolsonaro. O que é isso agora, virou casa de mãe Joana ?

      • Luiz Felipe, eu discordo. Quando o Juiz militante Favreto solicitou a manifestação nos autos de Moro ele não era mais juiz, mas parte citada em um processo, e poderia se manifestar em qualquer momento.
        Aliás, o patrão de Favreto vai apodrecer na cadeia pelos crimes de corrupção. É bom já ir se acostumando.

        • Era soltar e prender depois.
          Menos desgaste. Afinal, não foi assim que ocorreu no Rio, com Picciani?
          Aí querem ficar taxando os advogados de queimarem o país internacionalmente.
          O Brasil mesmo se queima.

  7. Ele, Moro, é corajoso. Será para um bem maior a sua demissão e posse no ministério da justiça como ministro. Uma nobre decisão que alguns , tão entorpecidos pelo poder e por aquilo que só o dinheiro compra, não conseguem enxergar.
    E, também, é um sujeito religioso. Sabe que Deus está no comando. Daí vem sua lucidez e sabedoria.
    Homem honrado e que está acima do ministério da justiça.

  8. Eu já troquei diversas vezes de emprego na minha vida. Pela minha experiência, o Dr. Moro errou na decisão.
    Ele tinha um emprego estável pelo resto da vida. No novo emprego ele poderá ser demitido no dia 03 de janeiro. E se Bolsonaro deixar de ser Presidente (por doença, acidente, crise institucional) ?

  9. Lendo esse artigo, imaginei que realmente pudesse ter havido alguma violação à Lei Orgânica da Magistratura ou ao Provimento nº 71 do CNJ, como sugere o autor.

    Por isso, fui verificar.

    Constata-se, facilmente, que não há qualquer violação do juiz Sérgio Moro à Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN) – Lei Complementar nº 35/79, nem ao Provimento nº 71/2018 do CNJ, nem à Constituição Federal.

    Portanto, não é um simples jogo de palavras que vai forçar a se fazer parecer que o exercício de um “cargo técnico” no ministério da Justiça, só a partir de 1/1/2019, e não agora, seria, neste momento, um entendimento de que o juiz esteja exercendo atividade político-partidária.

    O juiz Sérgio Moro não viola o art. 35, nem se enquadra no disposto nos arts. 26, I, c, e 36 da LOMAN.

    Também não viola o art. 95, parágrafo único, da Constituição Federal.

    Do mesmo modo, o Provimento nº 71/2018, do CNJ, também não é violado pelo juiz.

    Aliás, esse provimento trata do uso do e-mail institucional pelos membros e servidores do Poder Judiciário e sobre a manifestação nas redes sociais. Ou seja, nada a ver com a entrevista concedida pelo Juiz Sérgio Moro neste dia 5/11/2018.

    Os dispositivos, para quem também quiser conferir e checar estão abaixo.

    LOMAN (Lei Complementar nº 35/79)
    Art. 26 – O magistrado vitalício somente perderá o cargo :
    I – em ação penal por crime comum ou de responsabilidade;
    II – em procedimento administrativo para a perda do cargo nas hipóteses seguintes:
    a) exercício, ainda que em disponibilidade, de qualquer outra função, salvo um cargo de magistério superior, público ou particular;
    b) recebimento, a qualquer título e sob qualquer pretexto, de percentagens ou custas nos processos sujeitos a seu despacho e julgamento;
    c) exercício de atividade politico-partidária.
    § 1º – O exercício de cargo de magistério superior, público ou particular, somente será permitido se houver correlação de matérias e compatibilidade de horários, vedado, em qualquer hipótese, o desempenho de função de direção administrativa ou técnica de estabelecimento de ensino.
    § 2º – Não se considera exercício do cargo o desempenho de função docente em curso oficial de preparação para judicatura ou aperfeiçoamento de magistrados.

    Art. 35 – São deveres do magistrado:
    I – Cumprir e fazer cumprir, com independência, serenidade e exatidão, as disposições legais e os atos de ofício;
    II – não exceder injustificadamente os prazos para sentenciar ou despachar;
    III – determinar as providências necessárias para que os atos processuais se realizem nos prazos legais;
    IV – tratar com urbanidade as partes, os membros do Ministério Público, os advogados, as testemunhas, os funcionários e auxiliares da Justiça, e atender aos que o procurarem, a qualquer momento, quanto se trate de providência que reclame e possibilite solução de urgência.
    V – residir na sede da Comarca salvo autorização do órgão disciplinar a que estiver subordinado;
    VI – comparecer pontualmente à hora de iniciar-se o expediente ou a sessão, e não se ausentar injustificadamente antes de seu término;
    VIl – exercer assídua fiscalização sobre os subordinados, especialmente no que se refere à cobrança de custas e emolumentos, embora não haja reclamação das partes;
    VIII – manter conduta irrepreensível na vida pública e particular.

    Art. 36 – É vedado ao magistrado:
    I – exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de economia mista, exceto como acionista ou quotista;
    II – exercer cargo de direção ou técnico de sociedade civil, associação ou fundação, de qualquer natureza ou finalidade, salvo de associação de classe, e sem remuneração;
    III – manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério.

    Constituição Federal
    Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias:
    I – vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois anos de exercício, dependendo a perda do cargo, nesse período, de deliberação do tribunal a que o juiz estiver vinculado, e, nos demais casos, de sentença judicial transitada em julgado;
    II – inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, na forma do art. 93, VIII;
    III – irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
    Parágrafo único. Aos juízes é vedado:
    I – exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou função, salvo uma de magistério;
    II – receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou participação em processo;
    III – dedicar-se à atividade político-partidária.
    IV – receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
    V – exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

    Provimento nº 71 /2018 do CNJ
    Dispõe sobre o uso do e-mail institucional pelos membros e servidores do Poder Judiciário e sobre a manifestação nas redes sociais.

    O Corregedor Nacional de Justiça, ……..
    ……………………………………….
    Resolve:

    Art. 1º Dispor sobre o uso do e-mail institucional pelos membros e servidores do Poder Judiciário e sobre a manifestação nas redes sociais.

    Art. 2º A liberdade de expressão, como direito fundamental, não pode ser utilizada pela magistratura para afastar a proibição constitucional do exercício de atividade político-partidária (CF/88, art. 95, parágrafo único, III).
    §1º A vedação de atividade político-partidária aos membros da magistratura não se restringe à prática de atos de filiação partidária, abrangendo a participação em situações que evidenciem apoio público a candidato ou a partido político.
    §2º A vedação de atividade político-partidária aos magistrados não os impede de exercer o direito de expressar convicções pessoais sobre a matéria prevista no caput deste artigo, desde que não seja objeto de manifestação pública que caracterize, ainda que de modo informal, atividade com viés político-partidário.
    §3º Não caracteriza atividade político-partidária a crítica pública dirigida por magistrado, entre outros, a ideias, ideologias, projetos legislativos, programas de governo, medidas econômicas. São vedados, contudo, ataques pessoais a candidato, liderança política ou partido político com a finalidade de descredenciá-los perante a opinião pública, em razão de ideias ou ideologias de que discorde o magistrado, o que configura violação do dever de manter conduta ilibada e decoro.

    Art. 3º É dever do magistrado ter decoro e manter ilibada conduta pública e particular que assegure a confiança do cidadão, de modo que a manifestação de posicionamento, inclusive em redes sociais, não deve comprometer a imagem do Poder Judiciário nem violar direitos ou garantias fundamentais do cidadão (da CF/88, art. 37, caput, e Lei Complementar n. 35, de 14 de março de 1979, art. 35, VIII).

    Art. 4º O magistrado deve agir com reserva, cautela e discrição ao publicar seus pontos de vista nos perfis pessoais nas redes sociais, evitando a violação de deveres funcionais e a exposição negativa do Poder Judiciário.

    Art. 5º O magistrado deve evitar, nos perfis pessoais nas redes sociais, pronunciamentos oficiais sobre casos em que atuou, sem prejuízo do compartilhamento ou da divulgação, por meio dos referidos perfis, de publicações constantes de sites institucionais ou referentes a notícias já divulgadas oficialmente pelo Poder Judiciário.

    Art. 6º O magistrado deve evitar, em redes sociais, publicações que possam ser interpretadas como discriminatórias de raça, gênero, condição física, orientação sexual, religiosa e de outros valores ou direitos protegidos ou que comprometam os ideais defendidos pela CF/88.

    Art. 7º O magistrado deve utilizar o e-mail funcional exclusivamente para a execução de atividades institucionais, preservando o decoro pessoal e tratando, com urbanidade, não só os destinatários das mensagens, mas também os terceiros a que elas façam referência.

    Art. 8º As corregedorias dos tribunais devem dar ampla divulgação ao presente provimento e fiscalizar seu efetivo cumprimento mediante atividades de orientação e fiscalização, sem prejuízo da observância de outras diretrizes propostas pelos respectivos órgãos disciplinares.

    Art. 9º Cabe às escolas judiciais inserir nos cursos de ingresso na carreira da magistratura e nos cursos de aperfeiçoamento funcional, assim como nas publicações institucionais, a abordagem dos temas tratados neste provimento.

    Art. 10 As recomendações definidas neste provimento aplicam-se, no que couber, aos servidores e aos estagiários do Poder Judiciário.

    Art. 11. Este provimento entra em vigor na data de sua publicação.

    • As locuções nucleares proibitivas que recaem sobre os magistrados e previstas na Constituição Federal são:
      (Artigo 95, § Único, nºs I e III):

      a) exercer outro cargo ou função;
      b) dedicar-se à atividade político-partidária.

      Sérgio Moro, ainda juiz federal no gozo de férias, está no exercício de outra função (diversa da magistratura) e dedica-se à atividade da política-partidária, por já ter sido convidado e aceito ser ministro da Justiça e Segurança Pública do próximo governo federal, eleito em Outubro de 2018. De férias, sem exonerar-se da magistratura, o juiz Sérgio Moro, que integra o Poder Judiciário Federal, já se apresenta como futuro ministro do Poder Executivo Federal. E nesta condição se manifesta publicamente e concede entrevista coletiva. Tanto só seria possível despindo-se antes da toga. Enquanto a enverga, não. Não se pode servir a dois senhores. Na atualidade e enquanto não chegam o dia da exoneração da magistratura e o da posse como ministro de Bolsonaro, o juiz federal Moro vai exercendo outra função e dedicando-se à outra atividade, ambas diversas da magistratura e voltadas para o cargo que o presidente eleito o convidou.A incompatibilidade é visível até para os leigos.

      É outra função que Moro passou a desempenhar?. Sim, porque exercício da magistratura é que não é. É dedicação à atividade político-partidária?. Sim, é atividade política (atos e entabulações anteriores à assunção do cargo de ministro do Poder Executivo Federal são atos da política e de política). E também atos da política-partidária, porque quem convocou Moro para ser ministro foi o presidente eleito. E só os filiados a partidos políticos é que podem ser candidatos a presidente, senador, deputado federal, governador, deputado estadual, prefeito e vereador. No Brasil ainda não existe candidatura avulsa, independente de filiação partidária. Portanto, no topo, no vértice da pirâmide está o presidente da República, do PSL. E tudo que de lá deriva e se projeta pelos catetos e deságuam na hipotenusa, tudo integra a política-partidária, sejam cargos, sejam pessoas, qualquer pessoa, exceto um magistrado ainda vergando a toga.

      Agora, o Provimento nº 71 de 2018 do Conselho Nacional de Justiça, ao qual todos os magistrados nacionais estão subordinados:

      “Artigo 2º ) A liberdade de expressão, como direito fundamental, não pode ser utilizada pela magistratura para afastar a proibição constitucional do exercício da atividade político-partidária.

      Parágrafo Primeiro – A vedação da atividade político-partidária aos membros da magistratura não se restringe à prática de atos de filiação partidária, abrangendo a participação em situações que evidenciem apoio público a candidato ou a partido político.

      Parágrafo Segundo – A vedação de atividade político-partidária aos magistrados não os impede o direito de expressar convicções pessoais sobre a matéria prevista no caput deste artigo, desde que não caracterize, ainda que de modo informal, atividade com viés político-partidário”.

      Portanto, a liberdade de expressão para o magistrado que ainda enverga a toga é restritiva. E mais: se é proibido externar, direta ou indiretamente, apoio a quem é meramente candidato, mais restritiva se torna quando o candidato se elege presidente da República e convoca o juiz para ser seu ministro de Estado e este aceita, sem despojar-se da toga. Aceita e já começa agir nos preparativos para o cargo que ocupará. Não, isso não é legal. Nem moral. Nem ético. Que o magistrado se exonere primeiro. Que a toga o descubra antes de tudo. Não se pode servir a dois senhores, aqui representados pelo Poder Judiciário e pelo Poder Executivo.

      • Se achas que realmente está certo, Sr. Jorge Béja, apresente logo seus argumentos (que, pelo visto, estão prontos) em denúncia fundamentada ao CNJ.

        • Se soubesse que a resposta ao comentário fosse despertar tanta irritação ao leitor, juro que não a teria postado. É o que se extrai da provocação. Estamos debatendo um tema num blog da internet. O artigo e a explicação são pontos-de-vista legais. Não significa que o autor do artigo seja contrário à ida do juiz para o ministério da Justiça e Segurança Publica. Pelo contrário, o autor do artigo é ardoroso defensor deste juiz, símbolo da moralidade, da legalidade, da independência e da força do Direito e da Magistratura. Daí porque não pode errar. É mera contribuição ao próprio juiz, dada por um advogado que poderia ser seu pai e com 45 anos de exercício contínuo da advocacia.

          • O problema é que o sr. se apega a filigranas. Enxerga a árvore e erra a floresta:

            a) exercer outro cargo ou função;
            b) dedicar-se à atividade político-partidária.

            Moro não está exercendo cargo ou função;

            Não está dedicando a atividade político-partidária.

            Se ele já tivesse sido empossado como ministro, ai sim. Mas não se trata disso.

            Sim, claro, ele, Sérgio Moro, ainda juiz federal mas não está no exercício de outra função e nem se dedica à atividade da política-partidária. Onde no diário oficial da União há um ato nesse sentido dele.

            O fato de ter sido convidado e aceito ser ministro da Justiça e Segurança Pública do próximo governo federal, eleito em Outubro de 2018 não se enquadra nos itens a) e b).

            Trata-se de um preciosismo de sua parte, Dr. Béja.

    • Contenha-se, Zorro, você está parecendo o Tonto. “O juiz não pode exercer outra função”, e você mesmo é que envia a Lei (LOMAN, art. 26, II). E fica incomodando o Dr. Béja, anexando leis de toda sorte, para tentar desmenti-lo… Parece que você está a fim de fazer hora com os leitores do Blog.

      CN

      • Tonto ? Que desrespeito !

        Qual função Sérgio Moro está exercendo ? “Aceitador” de convite para ocupar ministério a partir de 1/1/2019?

        O comentarista Eduardo, às 4:41 pm, resumiu muito bem a questão.

  10. Se Moro desistir de ser ministro no final de dezembro, continue como juiz e se declare impedido para continuar os julgamentos no Petrolão (ele nem precisa dizer o motivo) qual crime terá sido cometido?
    Pela argumentação do Dr. Béja, que é bem elaborada mas que eu discordo, apenas a aceitação de que aceitará no futuro um cargo público seria incompatível com alguns cargos públicos. Isso é absurdo.

    • E eu acho, sr Dionísio, que nosso juizão está de olho no que rola lá em Brasília e nas cercanias dos Bolsonaros. Ontem já deu para assustar: o filho do presidente eleito falando em apoiar o MDB e Renan para a presidência do Senado e o próprio pai chamando Maia de querido, o que sugere apoio para que ele volte à presidência da Câmara. Foi perturbador, como costuma escrever o juiz Moro, em suas sentenças. Parece que nada mudará por lá. Talvez Moro pule fora a tempo.

  11. Dr. Moro como Juiz é sempre e foi um bom advogado.
    O que ele diz não se escreve ou não se deve levar a sério. A arte de fazer política não é falar uma coisa e fazer outra. Disse que a Constituição é a base para sua governança ministerial. O que faz? Segue como Juiz, apesar da vedação…

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