A esquerda é o Titanic de 2018, já bateu no iceberg e afunda no ridículo

Homem, que não aparece na imagem, carrega cartaz com as mensagens "Liberdade para Lula" e "Abaixo o golpe de Estado"; ao fundo à esquerda, aparece uma bandeira vermelha com a expressão "Lula Livre" e a estrela do PT

PT contribui para levar a esquerda ao ridículo

Clóvis Rossi
Folha

Que a esquerda está em crise em boa parte do mundo não chega a ser uma grande novidade. Novidade é que significativa parcela do mais importante partido da esquerda brasileira, o PT, esteja contribuindo para esse cenário geral de crise com uma forte pitada de ridículo.

Se a única ideia que os petistas podem oferecer é essa estupidez de acrescentar “Lula” ao nome, é melhor chamar o Tiririca para substituir a Gleisi Hoffmann na presidência do partido. Palhaçada por palhaçada, fiquemos com quem é mais autêntico.

DIZ O ACADÊMICO – Idiotice à parte, passemos a uma crítica fulminante à esquerda vinda de um acadêmico, Wanderley Guilherme dos Santos, de impecáveis credenciais esquerdistas e um propagandista entusiasmado do governo Lula.

“Esse é um mundo no qual a esquerda do século 20 não tem mais lugar. Por isso toda esquerda no mundo hoje é obsoleta, conservadora e reacionária. Ela se organizou em termos de pensamento e ação no século 19 para concorrer com o liberalismo em termos de imaginário futuro de organização social. O liberalismo oferecia o progresso, a esquerda oferecia a revolução pela ruptura. A queda do muro de Berlim destruiu esse projeto alternativo. A esquerda desde então tem estado na defensiva e não é à toa que sua palavra de ordem seja resistência”, escreveu esse cientista social para o último número de 2017 da trimestral revista Inteligência.

Sou obrigado a concordar com ele, até porque já escrevi inúmeras vezes que a esquerda — não só a brasileira — não conseguiu ainda sair dos escombros do muro de Berlim, mesmo passados quase 30 anos da queda. Foi também o fim do comunismo e é intrigante que mesmo a esquerda que não comungava com o comunismo soviético tenha se ressentido.

EXEMPLO DO CHILE – Se a obsolescência da esquerda tivesse provocado apenas a ascensão de uma direita civilizada, não haveria grandes problemas. Veja-se o Chile: a esquerdista Michelle Bachelet dá lugar ao direitista Sebastián Piñera, que, quatro anos depois, devolve a cadeira a Bachelet para que ela a entregue, após outros quatro anos, a Piñera. E o Chile vai em frente, tropeçando às vezes, mas sem uma crise tremenda como a que devorou o Brasil e ainda se faz sentir.

O problema é que o vácuo deixado pela esquerda foi preenchido pela extrema-direita, como escreve Dani Rodrik, um heterodoxo professor de economia política internacional na Escola de Governo John F. Kennedy, da mitológica Harvard:

“Tivessem os partidos políticos, particularmente os de centro-esquerda, perseguido uma agenda mais ousada, talvez o crescimento de movimentos de direita, nativistas [nacionalistas], pudesse ter sido evitado”.

SEM AGENDA – O raciocínio parece correto, mas o problema é que nem a direita (civilizada) nem a esquerda puseram de pé até agora uma agenda capaz de contrapor-se “às queixas que autocratas populistas exploraram com sucesso — desigualdade e ansiedade econômica, a percepção de declínio do status social e o abismo entre as elites e os cidadãos comuns”, para citar de novo Rodrik.

A esquerda brasileira acha mesmo que pôr “Lula” no nome é uma agenda suficiente?

12 thoughts on “A esquerda é o Titanic de 2018, já bateu no iceberg e afunda no ridículo

  1. A análise é muito boa quando fala da esquerda européia e do Chile. Porém quando chega no Brasil parece que a cegueira idílica toma conta da visão, pois esquece que a nossa suposta esquerda é bolivariana e apoia o fracasso do Chávez-Maduro, da Cuba xodó das academias, do Morales-presidente-eterno e seus anexos. Aí não dá para comparar com democracias sólidas e mais próximas do real significado da proposta.

  2. Comunistas e socialistas se revesaram no poder nas últimas décadas no Brasil, agora estão desesperados porque estão sendo rejeitados pela população.

    É melhor Jair se acostumando, chega de comunismo, socialismo ou progressismo. A esquerda ainda vai conseguir enganar alguns desavisados se apresentando como “centro”, mas pouco a pouco a máscara vai caindo. A internet vem ajudando a desmascará-los.

  3. Quem está afundando não é a esquerda. Sozinha. Quem está afundando é o Brasil e os brasileiros que não têm recursos para saírem da nau.

  4. Esse jornalista é mais um esquerdinha da nossa mídia, que sempre foi dominada por tipos iguais a ele.
    Agora diante do tsunami de mentiras e corrupção em que seus pares na política mostraram sua verdadeira cara sobre ele, ele salta do navio.
    Como dizia Paulo Francis: “Me engana que eu gosto”

  5. A esquerda está em declínio porque ninguém aguenta mais as mentiras, a ignorância, a prepotência, o politicamente correto e, sobretudo, a chatice dos esquerdistas.

  6. Não há como se evitar o nacionalismo, ele está diretamente ligado ao senso patriótico em cada nação. A cada dia a complexidade do mundo atual aumenta a sua velocidade de forma que se padronizar e rotular o discernimento das pessoas em direitistas ou esquerdistas é um tanto errático. O pior são as pessoas procurarem adaptar sua forma de pensar a estas ideias ao invés de livrarem-se dos rótulos prefabricados e trabalharem o cotidiano como ele se apresenta. Em dado momento somos esquerdistas ou liberais e o que nos move são aspirações ou a busca de um equilíbrio. O mundo terá de se livrar de suas fronteiras se busca a redenção.

    • Muito bom o comentário. Não se trata de simplesmente negar a existência de esquerda e direita, mas de avaliar as ideias e propostas pelo seu conteúdo intrínseco e sua pertinência em cada contexto, independente acima da eventual caixinha ideológica em que possam estar contidos.

      Apenas como exemplo: o próprio Bolsonaro, rotulado de extrema direita (e até de fascista pelo Lulopetismo roxo) reconheceu ter votado no Ciro no primeiro turno e no Lula no segundo, pra não ter de votar no FHC. E aqui mesmo nesse blog foi postado um interessante artigo do economista Paulo Guedes, pensador e possível ministro no projeto do Bolsonaro, que cita Karl Marx sem nenhum constrangimento, com o comentário do editor de que o autor conhece Marx melhor que muito comunista.

      Quero dizer que os diferentes pontos de vista e as posições políticas, em face dessa complexidade, bem apontada, terão sempre nuances que extrapolam,muitas vezes, uma divisão estanque e tosca entre direita e esquerda, nuances que devem ser compreendidas e respeitadas, até pela riqueza que acrescentam ao debate público.

      (não sei se me fiz entender, em todo o caso…).

  7. 1) As esquerdas brasileiras, a meu ver, são apenas esquerdas eleitorais.

    2) Só estão preocupadas com reeleições, novos cargos, bons empregos, só isso.

    3) Perderam 13 anos de governos do PT aliando-se a Maluf e afins, governando para os banqueiros…

    4) Descanse em Paz esquerdas brasileiras.

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