A festa no céu

Carlos Chagas                                    

Anunciou-se para aquela noite nova festa no céu. Alvoroçou-se o sapo, que jamais havia comparecido a uma daquelas tão faladas comemorações. Escondeu-se  na viola do urubu e esperou, recompensado  ao  perceber que  estavam voando.  A festa foi uma beleza.  Comida e bebida para todos, música e alegria.

O dia ia amanhecendo quando os bichos começaram a voltar, mas sem poder achar a viola do urubu, que já tinha ido embora, o sapo acabou descoberto e chutado aqui para baixo. Despencou.                                                       

A imagem se apresenta a propósito da festa a que o PSD pretende comparecer, ano que vem. Julga-se, o novo partido, igual aos demais, apesar de recém-criado. Já se movimenta para pegar carona na viola do urubu, quer dizer, na experiência do PT.

O prefeito Kassab transita entre os dirigentes partidários mais ou menos como o sapo na festa do céu. Todos imaginam que, estando lá, não chegou de carona ou  sem  saber voar. O diabo será  quando a festa acabar, com a apuração dos votos dados aos candidatos a prefeito das capitais e principais cidades. Nessa hora, ficará claro que o sapo não tem asas, ou melhor, o PSD carece de eleitores. Assim, restará despencar lá das nuvens, para a dura realidade aqui de baixo.

***
É BOM OLHAR PARA TRÁS

Em 1983 o processo de abertura política ia de vento em popa, conduzido pelo presidente João Figueiredo.  A economia, porém, ia de mal a pior. Delfim Neto, antes saudado com todo entusiasmo pelo empresariado, não conseguia fazer o milagre do combate à inflação com crescimento. Assim, já se previa 200% de  inflação quando chegasse o fim do ano.

O Brasil estava inadimplente, certa noite o presidente Figueiredo precisou apelar para o embaixador dos Estados Unidos, Anthony Mottley, amigo de Ronald Reagan. Dentro de dois dias seriamos declarados maus pagadores e não tinhamos recursos para saldar a parcela vencida da dívida externa.

O embaixador sugeriu que telefonassem imediatamente para o presidente americano.  Estavam na sala, na Granja do Torto, e quando Motley levantou o fone do gancho, Figueiredo atalhou: “Daqui, não. Está tudo grampeado. Vamos falar ali da Casa da Guarda”. O embaixador falou e no dia seguinte 495 milhões de dólares estavam depositados na conta do Banco do Brasilem Nova York. Sóque não adiantou. Delfim Neto precisou assinar outra carta de intenções com o Fundo Monetário Internacional, que exigia a mesma receita de sempre: redução dos reajustes salariais, demissões, aumento de impostos e supressão de gastos do governo, em especial no setor social. Numa palavra: mais recessão. Carlos Langoni, presidente do Banco Central,  não  concordou e pediu demissão.

Por que se conta essa historinha de terror? Porque a mesma fórmula está sendo imposta pelos mesmos de sempre, ou seja, o FMI, os banqueiros internacionais e os governos das nações ricas, que tendo causado a crise,  pelo descontrole do sistema  financeiro, agora  exigem da Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e outros países que se curvem a seus interesses. Querem ver pagas as dividas externas, receber juros abusivos dos empréstimos que empurraram goela a dentro dos mais pobres.

Agora que a presidente Dilma encontra-se em Bruxelas, dizendo que a crise econômica não pegará o Brasil de surpresa, seria bom que desde já determinasse: com a receita tradicional, nada feito…

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