Wagner Rossi é apenas mais um que se foi, entre outros que em breve também irão.

Carlos Chagas

Não surpreendeu ninguém, aqui em Brasília,  a carta de demissão do já agora ex-ministro da  Agricultura,Wagner Rossi. O desfecho estava  sendo esperado há mais de uma semana e poderia demorar mais outra, mas era inexorável.  Todo mundo é inocente até que se lhe prove a culpa, mas tantas e tão indefensáveis evidências de corrupção vinham se acumulando no ministério administrado por Wagner Rossi que outra solução não havia, dentro da  determinação da presidente Dilma Rousseff de promover ampla faxina em seu próprio governo.

As declarações da presidente, dias atrás, manifestando  confiança em Rossi, fizeram apenas parte do jogo de faz-de-conta praticado no Brasil há décadas.  Certamente hoje tomaremos conhecimento da carta de Dilma agradecendo os inestimáveis serviços prestados pelo ex-ministro, ainda que dúvidas inexistam: ela livrou-se de mais uma das pesadas cargas deixadas sobre  seus ombros pelos partidos de sua base parlamentar. 

A pergunta que se faz é sobre como o vice-presidente Michel Temer  suportará mais essa paulada no esquema criado pelo PMDB para se manter mamando nas tetas da administração federal. Mesmo que a presidente Dilma venha a pedir ao vice-presidente a indicação de um novo ministro saído de seus quadros, as regras agora serão outras.  Quem vier a assumir o ministério da  Agricultura precisará ser um político limpo ou  um técnico competente. Não há como  deixar de concluir que o país começou a mudar, e que novas mudanças acontecerão.    

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A GANGORRA DAS PESQUISAS

Conforme a CNT-Sensus, a presidente Dilma subiu na gangorra do julgamento popular a partir das ações contra a corrupção nos ministérios dos Transportes e do Turismo. Chegou a 72,5% de apoio. A pesquisa anterior, do CNI-Ibope, havia colocado a chefe do governo com os percentuais de 46,5% porque foi feita antes do início do afastamento de funcionários corruptos naqueles dois ministérios e da demissão do titular dos Transportes.

Fica clara a adesão da opinião pública a iniciativas moralizantes. Ponto para a faxina.

Seria oportuno, porém, se uma nova pesquisa pudesse ser feita esta semana, depois de a presidente ter vetado, na proposta orçamentária, reajustes salariais dignos para os aposentados que recebem acima do salário mínimo. A gangorra fatalmente desceria. Afinal, Dilma optou por seguir a linha de Fernando Henrique e, depois, do Lula, de nivelar os aposentados por baixo. Em pouco tempo estarão todos recebendo apenas o salário mínimo. Todos, aliás, não, porque os integrantes das chamadas carreiras de estado continuarão se aposentando com vencimentos iguais aos que trabalham, com direito aos mesmos reajustes. São privilegiados os membros do Judiciário, do Ministério Público, os diplomatas, os militares e outros.

Qual a conclusão a tirar? Da volubilidade das pesquisas ou das variações permanentes do sentimento nacional? Parece exagero supor que os governos devam comportar-se conforme os números das pesquisas, mas é bom não perdê-los de vista.

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O MINISTRO ATROPELOU

Indagava-se no palácio do Planalto a razão da entrevista concedida esta semana pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, levantando a dúvida a respeito de quem será candidato em 2014, se Dilma ou Lula. Haveria motivo para um ministro abrir assim tão cedo a delicada questão? O antecessor e a sucessora têm evoluído com extrema educação a respeito da definição futura: o ex-presidente repete ser a vez da atual presidente disputar um segundo mandato e a atual presidente jamais se pronunciou sobre o assunto.

Vem agora um ministro nitidamente oriundo do passado lulista e levanta a dúvida. Por quê? Gostaria de fixar desde já a alternativa do retorno do Lula? Estaria provocando Dilma para sentir de onde sopra o vento?

Nos últimos dias entrevistas ministeriais tem gerado confusão, como a concedida pelo ex-ministro Nelson Jobim à revista “Piauí”. Mais uma, agora, revela-se totalmente desnecessária.

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AUMENTA O GRUPO

Os nove já são onze. Os senadores Luiz Henrique e Roberto Requião, ambos do PMDB, solicitaram inscrição da Frente Contra a Corrupção, criada pelo senador Pedro Simon. Ambos declararam-se favoráveis ao apoio à presidente Dilma na luta contra a corrupção e na ampliação das investigações sobre supostas irregularidades no ministério.

Não deixa de ser estranho que nesse grupo agora dos onze atue apenas um senador do PT, Eduardo Suplicy. Era para a bancada inteira estar formando junto.

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MUDANÇAS FUNDAMENTAIS

Ao defender a faxina promovida pela presidente Dilma em seu próprio governo o senador Pedro Simon não evitou crítica contundente à formação do ministério. Disse tratar-se de um grupo infeliz, formado não em função da capacidade de cada ministro escolhido mas por conta de interesses partidários menores. Que os partidos indiquem seus representantes, é normal nos regimes democráticos para a formação de governos eficazes. Mas deveriam indicar os melhores, aqueles melhor preparados para o exercicio de suas funções. Caberia à presidente, uma vez eleita, ter aceitado os melhores e rejeitado quantos carecessem de condições. Nem os partidos nem ela preocuparam-se com a biografia dos indicados. O resultado aí está. Valeria a lição para o futuro.

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