A História da Pátria, na visão criativa do poeta pernambucano Ascenso Ferreira

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Ascenso Ferreira, um importante intelectual multimídia

Paulo Peres
Poemas & Canções

O servidor público, jornalista, compositor, radialista e poeta pernambucano Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (1895-1965), no poema “A História da Pátria”, ratifica seu amor pelas raízes da brasilidade no Nordeste.

HISTÓRIA DA PÁTRIA
Ascenso Ferreira

Plantando mandioca, plantando feijão,
colhendo café, borracha, cacau,
comendo pamonha, canjica, mingau,
rezando de tarde nossa Ave-Maria,
Negramente…
Caboclamente…
Portuguesamente…
A gente vivia.

De festas no ano só quatro é que havia:
Entrudo e Natal, Quaresma e Sanjoão!
Mas tudo emendava num só carrilhão!
E a gente vadiava, dançava, comia…
Negramente…
Caboclamente…
Portuguesamente…
Todo santo dia!

O Rei, entretanto, não era da terra!
E gente pra Europa mandou-se estudar…
Gentinha idiota que trouxe a mania
de nos transformar
da noite pro dia…
A gente que tão
Negramente…
Caboclamente…
Portuguesamente…

(E foi um dia a nossa civilização tão fácil de criar!)
Passou-se a pensar,
passou-se a cantar,
passou-se a dançar,
passou-se a comer,
passou-se a vestir,
passou-se a viver,
passou-se a sentir,
tal como Paris
pensava,
cantava,
comia,
Sentia…

A gente que tão
Negramente…
Caboclamente…
Portuguesamente…
Vivia

6 thoughts on “A História da Pátria, na visão criativa do poeta pernambucano Ascenso Ferreira

  1. Aguardando o povo exigir do bozocraudio o fuzilamento do cargo de ministro Lata de Sardinha Traub da educação….

    Esse não terá onde se esconder…
    Se te pegamos na rua, seu vagabundo…
    Vai tomar um sAI de 4.

  2. Ascenso Ferreira, com seu chapelão pelas ruas do Recife. Chegava nas manhãs de domingo ensolarado do Recife, bem em frente a minha casa entre o Passo da Pátria e Rua Padre Floriano, se encostava nas paredes coloridas das ruas do Bairro de São José e ficava nos olhando jogar futebol nas ruas ainda de Paralelepipedos altos. Cumprimentava meu Pai e ia tomar um copo d’agua sentado na sala de minha casa, dando bom dia as pessoas que iam e viam o Poeta passeando nas manhãs domingueiras do Recife. Minhas retinas de menino jamais esqueceram o chapelão levando os ventos que vinha do mar encostas na cadeira de palha da minha casa. Tempos bons do Recife, saudades muita da minha casa cheia de Poetas, Escritores, Músicos, Artistas que vinham se banhar de História no mais recifense de todos os Bairros, o Bairro de São José. VIVA ASCENSO FERREIRA !
    VIVA A HISTÓRIA E CULTURA PERNAMBUCANAS !

    MINHA ESCOLA
    A escola que eu frequentava era cheia de grades como as prisões.
    E o meu Mestre, carrancudo como um dicionário;
    Complicado como as Matemáticas;
    Inacessível como Os Lusíadas de Camões!

    À sua porta eu estava sempre hesitante…
    De um lado a vida… — A minha adorável vida de criança:
    Pinhões… Papagaios… Carreiras ao sol…
    Vôos de trapézio à sombra da mangueira!
    Saltos da ingazeira pra dentro do rio…
    Jogos de castanhas…
    — O meu engenho de barro de fazer mel!

    Do outro lado, aquela tortura:
    “As armas e os barões assinalados!”
    — Quantas orações?
    — Qual é o maior rio da China?
    — A 2 + 2 A B = quanto?
    — Que é curvilíneo, convexo?
    — Menino, venha dar sua lição de retórica!
    — “Eu começo, atenienses, invocando
    a proteção dos deuses do Olimpo
    para os destinos da Grécia!”
    — Muito bem! Isto é do grande Demóstenes!
    — Agora, a de francês:
    — “Quand le christianisme avait apparu sur la terre…”
    — Basta
    — Hoje temos sabatina…
    — O argumento é a bolo!
    — Qual é a distância da Terra ao Sol?
    — ?!!
    — Não sabe? Passe a mão à palmatória!
    — Bem, amanhã quero isso de cor…

    Felizmente, à boca da noite,
    eu tinha uma velha que me contava histórias…
    Lindas histórias do reino da Mãe-d’Água…
    E me ensinava a tomar a bênção à lua nova.

    Publicado no livro Catimbó (1927).

    In: FERREIRA, Ascenso. Poemas: Catimbó, Cana Caiana, Xenhenhém. Il. por 20 artistas plásticos pernambucanos. Recife: Nordestal, 198

  3. Um espaço tão bom para pessoas que ainda tem sensibilidade e cultura,coisa que foi destruída pelos anos criminosos do lulodilmopetralhismo e bandidos unidos, que destruíram por inteiro a Vida do Brasil, e lá vem eles com a ignorância criminosa que lhes é peculiar comentar coisas que nada tem haver. Recado duro e definitovo, o seu amado ladrão não vai assumir de novo essa Nação, tentem para sentir a reação de um povo e as Forças Armadas, não vai sobrar um petralha prá contar a estória !!!

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