A perereca paralisa o Rio de Janeiro

Carlos Chagas

Deve ser preso, no mais como doido, mas como criminoso, todo aquele que se insurgir contra medidas destinadas a defender o meio ambiente. Sustentar a queima indiscriminada da Amaznia, por exemplo. Ou a transformao de florestas em pastos para produzir capim para as vacas comerem. A poluio dos rios com mercrio e com esgotos sem tratamento. O uso abusivo do carvo e at a ampliao das frotas automotivas movidas a derivados do petrleo. Se quiserem, mesmo a distribuio de saquinhos de plstico nos supermercados, para transportar compras.

Tudo, no entanto, tem limite. A ecologia no pode atropelar o bom senso. Muito menos o desenvolvimento e a conquista de melhores condies de vida para o ser humano.

No fim de semana que passou fomos surpreendidos com a notcia da interrupo das obras de construo do Arco Rodovirio do Rio, em 77 quilmetros de pistas de circulao de veculos at o porto de Itagua, soluo capaz de duplicar sua capacidade de exportao. Obras includas no PAC, j em andamento, no valor de um bilho de reais.

O motivo? O perigo de perturbao da reproduo de uma espcie rara de perereca de dois centmetros, nica no mundo, que se reproduz no trecho da floresta por onde passaria a nova rodovia. A physalaemus soaresi levou o ministrio do Meio Ambiente, atravs do Instituto Chico Mendes, a revogar a licena ambiental para a obra prevista para concluso em fevereiro. J no vai mais, paralisados que esto tratores, escavadeiras e caminhes empenhados em implantar o Arco Rodovirio fluminense.

Convenhamos, parece piada. Ser que as pererecas estabelecidas no meio do caminho no encontrariam condies para adaptar-se a viver alguns metros direita ou esquerda das pistas, onde o pntano, a vegetao e a floresta estaro conservados?

Os exageros ecolgicos parece no terem limite, movidos pela ingenuidade de uns e a malandragem de outros. Porque tem gente interessada em impedir o crescimento do porto de Itagua. Os mesmos que pretendem manter a Amaznia como um imenso jardim botnico posto margem da civilizao. Aqueles que ainda no governo Fernando Henrique interromperam as obras de implantao da hidrovia Cceres-Bacia do Prata, essencial ao escoamento da soja e demais produtos do Centro-Oeste a custos muito menores do que exporta-los por rodovia at Santos e Paranagu. A razo? O mal-estar que causaria ao peixinho dourado de um igarap perdido entre as barrancas do rio Paran. O que dizer da proibio do asfaltamento da estrada Manaus-Porto Velho? Dos empecilhos s hidreltricas de Mato Grosso e Amazonas? E tantas barbaridades ambientais a mais, que nada tem a ver com o aquecimento global.

Com todo o respeito, a perereca tem gerado incontveis conflitos na histria da Humanidade, desde a guerra de Tria. Mas que viesse a prejudicar o desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro, s mesmo com a colaborao do governador Srgio Cabral.

O fantasma do velho

Revelou o senador Pedro Simon, dias atrs, que alta madrugada, em certas praias isoladas do litoral de So Paulo, os pescadores costumam ver passar um vulto alto, careca e descalo, acenando para eles. No duvidam ser o dr. Ulysses, at hoje perdido no mar.

O senador pelo Rio Grande do Sul prev mudanas na viso dos pescadores. Logo o vulto, em vez de acenar amigavelmente, mostrar um chicote numa das mos, anunciando utiliz-lo em breve. Onde? Na direo nacional do PMDB, expulsando de l os vendilhes do partido.

Simon no se conforma com o fato de o PMDB no lanar candidato prprio presidncia da Repblica e, mais ainda, de estar em andamento a operao para fazer de Michel Temer candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff. Para ele, no demora muito para o presidente licenciado do partido defrontar-se com o dr. Ulysses, prestes a trocar por um momento o litoral paulista pela capital federal…

Furou o saco de maldades

Poltica a arte de esconder o pensamento, j escreveu algum. Mesmo assim, parece difcil aceitar como falsa e enganosa a afirmao da imensa maioria das bancadas governistas na Cmara e no Senado, de que novos impostos no sero aprovados no Congresso. A gente sempre desconfia de que nomeaes, benesses, liberao de verbas e sucedneos podem mudar frreas opinies, mas s vsperas das eleies gerais do ano que vem, parece impossvel acreditar na aprovao do novo imposto sobre o cheque e na taxao das cadernetas de poupana pelo imposto de renda. Seria um desatino, em especial quando o governo no se cansa de apregoar havermos sado da crise, estando o Brasil em excepcional patamar de desenvolvimento social e econmico.

A criao desses novos impostos, anunciados pela equipe econmica, contraria de alto a baixo a propaganda oficial. Arrisca o sucesso das prximas etapas do governo Lula, a comear pela tentativa de eleio de Dilma Rousseff. No haver um candidato sequer, entre os demais, que no venha a servir esse prato indigesto em sua campanha.

Pelo jeito, o saco de maldades de Mantega, Meirelles e companhia est furado. Mas garantir, ningum garante…

Quase imbatvel

Gerou preocupao no PT e no PMDB o rescaldo da reunio do fim de semana entre Jos Serra e Acio Neves, em Natal, Rio Grande do Norte. Porque os dois candidatos tucanos, mesmo negando de ps juntos, esto mais prximos do que nunca da formao de uma chapa nica no PSDB para disputar a sucesso do ano que vem. O DEM j deu sinal de que no se opor, mesmo abrindo mo da tradicional compensao de indicar o candidato a vice.

Minas tem hoje 22 milhes de eleitores. De barato, 20 milhes esto com Acio e no abrem,mesmo se o governador vier a ser o companheiro de chapa de Serra. De So Paulo, o governador no sair com menos de 15 milhes de votos. Basta projetar esse volume para se ter a noo de que a dobradinha, salvo engano, deixa bem para trs a concorrncia.

cedo para concluses, mas de cada lder de partido que recebe a hiptese ouve-se a mesma resposta: uma chapa quase imbatvel…

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.