A prisão de Nem e a imediata morte da “mediadora” do AfroReggae, com o Rio totalmente despoliciado e Sergio Cabral à solta.

Carlos Newton

Desde 2009, em diversos artigos de grande repercussão, Helio Fernandes já denunciou aqui no Blog da Tribuna o acordo que existe entre o governador Sergio Cabral Filho e os traficantes, para “pacificação” das favelas, com intermediação do AfroReggae, uma ONG dirigida por José Junior.

Como se sabe, a vida é cheia de coincidências, e a morte, também. Até agora, ninguém fez relação entre dois importantes assuntos policiais, mas podem estar interligados:

1) o traficante Nem foi preso na madrugada de quinta-feira, na mala de um carro, e está mais do que evidente que ele foi “entregue” à Polícia;

2) poucas horas depois da prisão do Nem, por coincidência, Tânia Cristina Moreira, uma das “mediadoras de conflitos” do AfroReggae, foi sequestrada, espancada e morta por três bandidos que a levaram do Rio para um terreno baldio em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. É muita coincidência, cá entre nós.

Há quem acredite que a política de pacificação das favelas do governo Sergio Cabral é uma das sete maravilhas do mundo. Aqui no Blog, em nome da liberdade de expressão, temos publicado artigos defendendo esta posição. Pessoalmente, porém, concordo com Helio Fernandes e acho que essa política de Cabral é mais uma operação de marketing.

Qualquer pessoa percebe que a cidade do Rio de Janeiro foi abandonada pela Polícia Militar. A grande maioria dos soldados da PM hoje faz serviços internos ou trabalha nas tais UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), onde os policiais enriquecem fazendo vista grossa para a venda de drogas, como reza o acordo entre o governador e os traficantes.

Não há mais policiais militares na cidade. Eles só aparecem fazendo blitz nas ruas principais, para tomar dinheiro de quem não pagou IPVA. Esta é a nossa realidade. O policiamento do Rio de Janeiro e de todas as cidades do Estado hoje está inteiramente a cargo dos guardas municipais, que nem andam armados, e até parece que estamos em Londres, com estatísticas londrinas de criminalidade.

Mas ninguém sabe se a criminalidade aumentou ou não. O que se sabe, com toda certeza, é que as estatísticas de homicídios sofreram forte maquiagem da Secretaria de Segurança, conforme já demonstrou o jornalista Elio Gaspari, na Folha de S. Paulo e em O Globo, sem que sua gravíssima denúncia fosse respondida pelo governo Sergio Cabral.

Se as autoridades maquiam as estatísticas de homicídios, o que se dirá dos outros crimes, menos relevantes? Esta é a realidade do Rio de Janeiro, e não é muito diferente das outras cidades brasileiras. Se Sergio Cabral pode entrar numa delegacia e sair livremente, o que dizer dos outros criminosos?

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