A rede bancária líquida funciona como a maré, que traz e depois leva…

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Holanda, sempre bem-humorado

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O designer gráfico, editor, professor, advogado, jornalista, contista e poeta pernambucano Gastão de Holanda (1919-1997), no poema “A Rede Bancária Líquida”, faz uma curiosa comparação do famoso Rio Capibaribe com o funcionamento da rede bancária para a sua clientela de suas margens. Assim como as instituições financeiras, o rio dá com “o braço da maré” e depois tira com “o murro da cheia”.


A REDE BANCÁRIA LÍQUIDA
Gastão de Holanda

O rio tem uma rede bancária
para atender aos flagelados,
sua clientela das margens.
Há um capital chamado pró-giro
feito de redemoinhos e febre amarela.
O rio tem um balanço exigível
pedindo a execução dos marginais
e há sempre passivo, lucro não há.
Perdas? Sim, essas são ganhas, fatais.
As mercadorias em consignação desfilam
no leito rancoroso, como um
gerente, de conta-corrente
que o banco do rio credita ao mar
e não ao devedoso cliente.
O rio empresta a prazos e juros altos
pois quem nele pesca uma tainha
tem que lhe endossar uma cesta de camorins.
Se a fome recorrer ao mangue
a pena é mil alqueires de caranguejos
cevados na lama da baixa-mar.
O rio dá com o braço de maré
e tira com o murro da cheia
que com ela traz o mar de meirinho.

One thought on “A rede bancária líquida funciona como a maré, que traz e depois leva…

  1. a) Faleceu mas está vivo nas artes literárias brasileiras. Meu conterrâneo escritor e editor, licença:

    1) Por falar em falecimento, a trágica morte na Bahia. Gratidão ao Mestre Moa do Katende, sua vida foi dedicada à Arte da Capoeira. Lembro que monges budistas tibetanos, estão aprendendo a capoeira brasileira no Nepal. Há um vídeo na internet mostrando isso.

    2) Na etnia e língua Bantu, Katendê é o Senhor das Florestas e das Folhas Sagradas que através de preparados alquímicos serve de remédio.

    3) Em Pernambuco, na zona da mata, há um município chamado Catende, certamente pela proximidade com a Floresta.

    4) O poeta, cantor e compositor Alceu Valença tem a música: “Vou danado pra Catende”, isto é, vou rápido.

    5) Obrigado Mestre Moa do Katende. vítima da intolerância política, saudações florestais. Buda também vivia nas florestas.

    6) FloresTAO.

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