Adélia Prado morou numa casa onde estava constantemente amanhecendo

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Adélia Prado, linda e genial, em plena terceira idade

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A mineira Adélia Prado mostra neste curto poema que podemos sentir, a qualquer hora, um novo amanhecer que servirá para perpetuar os acontecimentos felizes daquele dia ou, caso contrário, para esquecermos o dia anterior.

IMPRESSIONISTA
Adélia Prado

Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.

3 thoughts on “Adélia Prado morou numa casa onde estava constantemente amanhecendo

  1. Todo ou todo o

    ‘Laudelino Freire é muito preciso em sua observação a respeito: “O todo quando se lhe pospõe o artigo (todo o) significa a inteireza de uma coisa, reservando-se a todo, sem o artigo, a significação de cada, qualquer, ou o total de muitas. No primeiro caso indica-se o todo físico, o todo lógico, por inteiro; no segundo, a coleção ou totalidade”.’

    https://mundovelhomundonovo.blogspot.com/2019/01/todo-ou-todo-o.html

  2. É Adélia Prado, a poeta de Divinópolisi, Mg, amanhecia sempre numa casa vestida de luz, a mulher desdobrável., em licença poética

    Quando nasci um anjo esbelto,
    desses que tocam trombeta, anunciou:
    vai carregar bandeira.
    Cargo muito pesado pra mulher,
    esta espécie ainda envergonhada.
    Aceito os subterfúgios que me cabem,
    sem precisar mentir.
    Não sou tão feia que não possa casar,
    acho o Rio de Janeiro uma beleza e
    ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
    Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
    Inauguro linhagens, fundo reinos
    — dor não é amargura.
    Minha tristeza não tem pedigree,
    já a minha vontade de alegria,
    sua raiz vai ao meu mil avô.
    Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
    Mulher é desdobrável. Eu sou”.
    NÓS SOMOS.

  3. Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo; esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo de Deus em Divinópolis.
    Carlos Drummond de Andrade

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