Advogado diz que Joaquim Barbosa é um homem mau e pede o impeachment dele

Ricardo Galhardo
(iG São Paulo)

“Joaquim Barbosa é um homem mau, com pouco sentimento humano.” A descrição nada elogiosa é de Celso Antônio Bandeira de Mello, um dos mais conceituados advogados brasileiros e professor da PUC há quase 40 anos.

Ele se refere em especial à forma como Barbosa conduziu a prisão de José Genoino. “Acho que é mais um problema de maldade. Ele é uma pessoa má. Falo isso sem nenhum preconceito com a pessoa dele pois já o convidei para jantar na minha casa. Mas o que ele faz é simplesmente maldade”, afirma o advogado.Bandeira de Mello subscreveu na terça-feira, ao lado de juristas, intelectuais e líderes petistas, um manifesto condenando a postura de Barbosa. A ação supostamente arbitrária do ministro na prisão dos condenados no processo do mensalão seria passível de um processo de impeachment.

“A medida concreta neste caso seria um pedido de impeachment do presidente do Supremo”, disse Bandeira de Mello, com a ressalva de que não é especialista em direito penal mas expressa “a opinião de quem entende da matéria”.

De acordo com o advogado, o foro adequado para o pedido de impeachment seria o Senado Federal. Segundo o inciso 2º do artigo 52 da Constituição Federal, é de competência exclusiva do Senado julgar os ministros do Supremo. A iniciativa, segundo Bandeira de Mello, pode ser de “qualquer cidadão suficientemente bem informado e, principalmente, dos partidos políticos”.

Na segunda-feira, o diretório nacional do PT chegou a cogitar medidas concretas contra Barbosa. A iniciativa, no entanto, foi abortada por líderes moderados do partido.

Segundo Bandeira de Mello, o fato de Barbosa ter mandado para o regime fechado pessoas que haviam sido condenadas ao semiaberto e a expedição de mandados de prisão em pleno feriado da Proclamação da República sem as respectivas cartas de sentença (emitidas 48 horas depois) contrariam a legislação e poderiam motivar o afastamento de Barbosa.

A CULPA É DO BARBOSA

Para o advogado, a culpa pelas supostas violações e arbitrariedades é exclusivamente do presidente do Supremo. “É o Barbosa. Os demais ministros, ou parte deles, já praticaram as ilegalidades que podiam praticar no curso do processo”, disse Bandeira de Mello.

O manifesto divulgado na terça-feira diz que “o STF precisa reagir para não se tornar refém de seu presidente”. O texto é subscrito por dezenas de militantes petistas e partidos aliados, como os presidentes do PT, Rui Falcão, e PCdoB, Renato Rabelo, além de personalidades de diversas áreas como o jurista Dalmo Dallari, a filósofa Marilena Chauí, a cientista política Maria Victoria Benevides, os cineastas Luci e Luiz Carlos Barreto e o escritor Fernando Morais.

Bandeira de Mello crê que o plenário do Supremo deveria fazer uma censura pública a Barbosa. “Poderia ser de forma verbal, em plenário, por meio de um manifesto e até mesmo pessoalmente. Ou o Supremo censura a conduta de seu presidente ou ele vai cada vez mais avançar o sinal”, diz o advogado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGBandeira de Mello foi sempre contra o julgamento do mensalão e nem aceitava este nome, sob argumento de que “o pagamento não era mensal”. (C.N.)

39 thoughts on “Advogado diz que Joaquim Barbosa é um homem mau e pede o impeachment dele

  1. Isso é um cretino.

    Vá estudar Sr. Bandeira de Mello, se não vai terminar a vida dando aula na PUC.

    O cretino está é querendo aparecer na mídia.

    Maus são esses vagabundo mensaleiros adoradores do assassino Fidel, que querem, a todo custo instalar comunismo no Brasil.

    Esses ordinários não desistirão nunca até que alguém “lasque” a borracha neles, como ocorreu no regime militar.

    • sabe qual é a realidade de tudo isto,se foce um pobre coitado não estariam fazendo este fuzue todo,que se lascace o pobre,mas não esse Genuino filho de uma p. não é nada é um simples mortal e além é bandido,ladrão,assassino mandou executar o prefeito de Sto. André por causa de divisão de propina seus mensaleiros todos bandidos,e outra coisa quem se propõe a defender bandido se iguala é também bandido e canalha,parem de ficarem bajulando estes canalhas e parem de difamar uma pessoa honesta que esta cumprindo o seu dever com a nação Brasileira o Sr. Joaquim Brabosa do STF,QUE TEM O APOIO TOTAL DA POPULAÇÃO BRASILEIRA.

  2. Barbosa além de mau é vaidoso. E a vaidade mata. Joaquim foi severo demais para mostrar que é independente , que sua indicação para o STF foi consequência da sua extrema competência jurídica. Joaquim é uma decepção, não é um juiz de verdade porque cometeu uma extrema injustiça.

  3. Com todo respeito, creio que essa bandeira melou. Obviamente, os signatários da manifestação referida no texto sofrem do mesmo mal: parcialidade apurada. Sim, apurada. Mas, de qualquer forma, aí vai uma receita extraordinária: impeachment do JB. De fato, trata-se de um ministro difícil de engolir, demasiado grosso para descer garganta abaixo de não poucos. Ora, o impeachment é o caminho ideal para transformar em mártir aquele que para uns é “justiceiro” e herói para não poucos. Assim, se vier (o impeachment), certamente o JB desfraldará magnífica BANDEIRA, caso se candidate à presidência da república, conforme propalado pela imprensa. Imaginem só o slogan: JB, O JUSTICEIRO MÁRTIR. Que venha, pois, o impeachment.

  4. PUXA-SACOS de LADRÕES

    Intimidar o Judiciário é delinquência; a doença do petista é real; a construção do mártir é uma farsa

    No Brasil, não há presos políticos, mas políticos presos. A diferença entre uma coisa e outra é a que existe entre a ditadura cubana, que o governo petista financia, e a democracia, que o petismo difama. Se, no entanto, houvesse, a carcereira seria Dilma Rousseff. Ela pode fazer o STF sair com a toga entre as pernas. Basta evocar o inciso 12 do artigo 84 da Constituição: “Compete privativamente ao presidente da República (…) conceder indulto e comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei”. Também vale para “presidentas”.

    Paulo Vannuchi, um devoto da democracia à moda Carlos Marighella, comparou a condenação de José Dirceu à extradição de Olga Benário. É? Foi o STF que autorizou o envio para a Alemanha nazista de uma judia comunista. O fascistoide Getúlio Vargas, hoje herói das esquerdas, poderia ter impedido o ato obsceno. Deu de ombros. Que Dilma não cometa o mesmo erro e liberte a súcia de heróis. Ironia não tem nota de rodapé –ou vira alfafa.

    Está em curso um processo inédito de satanização do Judiciário. A sanha difamatória, na semana em que se comemora o Dia da Consciência Negra, não poupa nem a cor da pele de Joaquim Barbosa. Racistas virtuosos acham que ele se comporta como um “negro de alma branca”. Lula lhe teria feito um favor, e ele não beija a mão de nhonhô…

    Protestar contra os três dias de regime fechado para José Genoino é do jogo. Intimidar o Judiciário é delinquência política. A doença do petista é real; a construção do mártir é uma farsa. No dia da prisão, ele recusou exame médico preventivo no IML. Era parte da pantomima do falso herói trágico. Barbosa não cometeu uma só ilegalidade. A gritaria é fruto da máquina de propaganda do PT, que se aproveita da ignorância específica de jornalistas. Não são obrigados a saber tudo; o problema, em certos casos, é a imodéstia…

    Um dos bons fundamentos do cristianismo é amar o pecador, não o pecado. Fiel à tradição das esquerdas, o PT ama é o pecado mesmo. O pecador é só o executor da tarefa em nome da causa. Leiam a peça “As Mãos Sujas”, de Sartre, escrita antes de o autor se tornar um comunista babão. É esquemática, mas vai ao cerne do surrealismo socialista.

    Alguns de nossos cronistas precisam ler. Outros precisam ler Padre Vieira. No “Sermão do Bom Ladrão”, ele cita a descompostura que Alexandre Magno passou num pirata. O homem responde ao Lula da Macedônia: “Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?” Vieira emenda: “Assim é. (…) o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres.”

    Na quarta, reportagem de Flávia Foreque, no site da Folha, foi ao ponto. Um grupo de deputados do PT visitou os varões de Plutarco na Papuda. Parentes de presos sem pedigree ideológico começaram a xingar os petistas: “Puxa-saco de ladrões!”. A deputada Marina Sant’Anna (PT-GO) quis dialogar. Sem sucesso. A mulher de um dos piratas resumiu: “Qual é a diferença [entre presos do mensalão e os demais]? Só porque tem nível superior, porque roubou do povo?” Vieira via diferença, sim. Os bacanas são mais covardes.

    Indulto já, presidente! Até porque, entrando no 12º ano de governo e com mensaleiros em cana, o PT descobriu a precariedade das prisões. Este ano vai terminar com uma queda de 34,2% no valor destinado ao Plano Nacional de Apoio ao Sistema Prisional: R$ 238 milhões, contra R$ 361,9 milhões em 2012. Nas cadeias, só havia piratas “pobres de tão pretos e pretos de tão pobres”. Agora há os Alexandres vermelhos, mas não de vergonha.

    Autor: Reinaldo de Azevedo (Folha)

  5. Herói e mito.
    Um herói produzido é um mito, não um herói que se faz pelo valor que demonstrou possuir. A infelicidade da sociedade não está nos heróis que pontilham a história dela. Mas nos mitos que produz pela indigência a que é relegada ante o horror de um futuro que desconhece e por isto, temido.
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    A ciência (intelectualização e racionalização) veio libertar a humanidade do desconhecido mitológico em que vivia e empurrá-la no sentido do progresso infinito colocando a dúvida no sentido da morte ou no da vida sem sentido. A ciência por ser privilégio de poucos faz com que persistam os mitos com uma nova face, mundana, política.
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    No futebol é comum ouvir que este ou aquele jogador “assumiu ou tem que assumir a responsabilidade. Isto por condicionantes econômicas ou técnicas fundadas e não mitológicas imputa-se a ele o risco de tomar decisões, de agir. Surge daí um herói, não um mito.
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    Joaquim é um herói, necessário, alguém que assumiu a responsabilidade do cargo. Genoíno nem mito é. Apesar do esforço, pessoal, da imprensa, de “juristas” e de comparsas.

  6. Cinismo e hipocrisia; sinônimo, progressistas.
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    Dilma, Serra, Aécio, Marina, Campos e agora o “fofo”. Breve surgirão Temer, Renan, Sarney e por que não FHC, Lula e Collor? Timaço!
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    O problema não é de nome tampouco a indiscutível escassez de homem. Distintamente, é o Estado Torto que temos.
    Apontar para a cara do eleitor de dedo em riste também é diagnóstico equivocado. A leitura sociológica de que: “A sociedade tem por substrato o conjunto dos indivíduos associados – Émile Durkheim” precisa ser devidamente considerada. A representação política somente seria fiel se os instrumentos o fossem.
    Democracia? Qual? Democracia no sentido de soberania popular requer que as instituições sejam democráticas em seu espírito e não em sua mera exterioridade formal. O sistema político eleitoral legal é uma farsa. O eleitor não vota, ratifica escolhas anteriores pela inexistência de partidos políticos em termos ideológicos e sequer em termos de participação popular.

    Não fosse só, num ambiente econômico caracterizado pela desigualdade e fomentado por um assistencialismo governamental alarmante, imoral e sórdido foge à seriedade pretender que o eleitor faça uma escolha moral.
    Um Legislativo cooptado, um Judiciário desmoralizado e a força organizada encostada na parede completam a conjuntura.
    Há em curso uma revolução ideológica instrumentalizada pelo cinismo e hipocrisia por parte dos que usam o boton de esquerda; uma revolução moral que rompe com a tradição, com o passado; com “os que procedem guiados pela inextinguível luz que vem do passado”. Pretendem os revolucionários, usando meios do próprio meio de “direita” que combatem (Direito e capital) deixarem-se guiar pelo sol do futuro como se este pudesse ser edificado com filosofias pragmáticas desconsiderando, a tradição, a ordem, a lei, a moral, o ontem e a ciência.

  7. Um Genoíno homem de esquerda

    Ele continua a ser um personagem típico do circo esquerdista, onde não há lugar senão para dois personagens, os equivalentes ideológicos de Pierrot e Arlequim: a ilusão e o cinismo.

    3 de maio de 1996, mais de 17 anos atrás.
    Publicado no livro ‘O Imbecil Coletivo – Atualidades Inculturais Brasileiras’.

    O DEPUTADO JOSÉ GENOÍNO tem hoje a fama de ser homem respeitado igualmente pela esquerda e pela direita. Contribuem muito para isso a inteligência, a polidez, a simpatia e o ar despretensioso com que S. Excia. encanta a todos os que o ouvem falar. Muito o ajudam, também, a elegância e a retidão com que ele tem cumprido os deveres da ética parlamentar, seja diante de seus companheiros de partido, seja dos adversários. Tudo isso faz dele um homem digno da distinção que hoje o cerca. Mas o motivo principal de seu prestígio é que ele encarna, segundo a opinião geral, a personificação mesma de uma “nova esquerda”, esclarecida e democrática, despida de toda pretensão totalitária e avessa ao emprego da violência como meio de acesso ao poder.

    O próprio Genoíno dá verossimilhança a essa interpretação, na medida em que, sem renegar de todo sua atuação de guerrilheiro, ele a vincula a um determinado momento do passado, como coisa adequada àquele tempo e inadequada ao nosso. O Genoíno de hoje, ao contrário do de ontem, crê mais no voto, no diálogo e no império da lei do que na retórica brutal das metralhadoras.
    Ele subscreve, em nome da esquerda, a máxima predileta da direita: Os tempos mudaram. E como direita e esquerda têm por dogma comum de seus respectivos evangelhos a crença piedosa no mito do progresso, o deputado torna-se assim um sacerdote da deusa ante a qual se prosternam os fiéis de ambas as igrejas: a Modernidade.

    Porém, mais importante que isso é o lado moral da transformação. A edição revista e melhorada do deputado Genoíno faz dele, no consenso da opinião consagrada pelos jornais e por todas as pessoas de bem, um esquerdista diferente: alguém, em suma, que, mesmo nos momentos decisivos das radicalizações e dos confrontos mais duros, será sempre mais obediente à moral do que à ideologia, mais fiel ao compromisso democrático do que a uma estratégia para a tomada do poder, mais atento à palavra dada em público do que a lealdades secretas de conspirador e revolucionário.

    Se essas qualidades já não delineassem, por si, o perfil de alguém fundamentalmente inapto para a carreira política, deixando sem explicação o sucesso parlamentar de homem tão destituído daquele mínimo de maquiavelismo e hipocrisia, que o senso comum considera indispensável a semelhante ofício, elas ainda assim imporiam, ao observador atento e conhecedor da história da esquerda, algumas constatações bastante inquietantes.

    Em primeiro lugar, a rejeição que o deputado faz da violência armada não é de ordem moral: é estratégica. Num determinado quadro político-social, o uso das armas é sensato; num outro, torna-se insensato. Não se trata portanto de rejeitar o terrorismo, as bombas e o morticínio, a contestação violenta da ordem estabelecida, mas apenas de usá-los segundo um diagnóstico das condições objetivas e subjetivas que, em determinada fase do processo histórico, os aconselham ou desaconselham segundo as conveniências da estratégia revolucionária. Somente pessoas totalmente ignorantes da história das esquerdas — ou seja, a totalidade da nossa opinião pública, incluindo os jovens universitários — podem imaginar que a atitude presente do deputado Genoíno seja, nisso, algo de novo e diferente. Ela é a repetição literal e fidedigna de uma posição já adotada, em várias circunstâncias, por Marx e Lênin, Stálin e Mao, Guevara e Fidel Castro. São somente os anarquistas e os fascistas que, seguindo Bakunin e Georges Sorel respectivamente, têm o emprego da violência como um princípio incondicional e uma regra de ação permanente. Para os comunistas, a violência é e sempre foi instrumental e dependente das conveniências ou inconveniências estratégicas assinaladas pela análise realista do quadro histórico. E é precisamente isto o que ela é para o deputado Genoíno, o qual, se for sincero, há de reconhecer que expressei com exatidão o seu mais profundo pensamento a respeito desse ponto.

    Em segundo lugar, é um fato histórico dos mais notórios que a esquerda mundial, nos momentos em que as conveniências a levaram a adotar predominantemente a via pacífica e democrática, tirou sempre disto um indevido proveito moral, dando ares de virtude ética ao que era apenas um meneio estratégico provisório, prestes a ceder lugar, na primeira oportunidade em que isto se fizesse necessário, ao emprego maciço dos meios sangrentos. Nunca faltaram platéias devotas que, nas fases de pacifismo estratégico, acreditassem — por ignorância ou por puro wishful thinking — estar presenciando o nascimento de uma nova esquerda, humanizada e redimida. Este espetáculo— com sua contrapartida cíclica de desilusões e autocríticas choronas — repetiu-se dezenas de vezes no curso da história do movimento esquerdista.

    O deputado Genoíno, portanto, não é nada novo também sob este aspecto: ao tirar proveito do equívoco que toma por pureza moral o que é esperteza estratégica, ele continua rigorosamente dentro do padrão tradicional de conduta das esquerdas. Se ele faz isso conscientemente ou apenas se deixa deleitar num estado de embriaguez moral em que o aplauso dos enganados acaba por enganar o próprio enganador, é coisa que ignoro: não conheço as profundezas de sua psique para saber se nele predomina o maquiavelismo consciente ou a falsa consciência; o que sei é que, em qualquer dos dois casos, ele continua a ser um personagem típico do circo esquerdista, onde não há lugar senão para dois personagens, os equivalentes ideológicos de Pierrot e Arlequim: a ilusão e o cinismo.

    Em terceiro lugar, nunca existiu para as esquerdas a hipótese de fazer uma opção categórica entre via armada e via pacífica, pela simples razão de que toda e qualquer estratégia revolucionária exige o emprego, ora sucessivo, ora simultâneo, dos dois instrumentos. Entre as armas da retórica e a retórica das armas, a esquerda sempre optou pelas duas. Nenhuma revolução esquerdista, em qualquer parte do mundo, se fez jamais por uma dessas vias exclusivamente, ou mesmo predominantemente. A única distinção que cabe é a seguinte: como é impossível, fisicamente, um mesmo indivíduo participar ao mesmo tempo das duas, tomando assento no parlamento às segundas, quartas e sextas e fazendo guerrilha nas selvas às terças, quintas e sábados, é inevitável que uma distribuição de funções atribua a alguns membros do movimento esquerdista o papel mais brando e civilizado, a outros o mais violento e selvagem. Assim, Trótski, na clandestinidade, preparava a insurreição armada, enquanto na cidade a intelligentzia e os deputados esquerdistas na Duma (parlamento russo) pregavam, em linguagem perfeitamente compatível com a ordem e as leis, a defesa dos direitos humanos de trabalhadores e camponeses. Somente Lênin, de longe, era a cabeça por trás dos dois braços, que atuavam com total independência mútua e não raro se hostilizavam.

    Do mesmo modo, no tempo em que o jovem Genoíno treinava guerrilha no Araguaia, os deputados e senadores da esquerda, no Congresso, auxiliados pela intelectualidade urbana e pela imprensa de oposição, procuravam obstar por meios legais e pacíficos a ação do governo militar.

    A esquerda, naquele tempo, não optou pela via armada: acrescentou-a, apenas, ao combate parlamentar e legal, atuando em dois planos, como quem mantém o adversário distraído por um abundante fluxo de argumentos enquanto junta forças para chutá-lo no baixo ventre.

    É absolutamente necessário, ao sucesso de qualquer estratégia revolucionária, que as duas mãos da revolução atuem independentemente e sem que se possa identificar por trás delas o menor sinal de um comando unificado. A convergência dos resultados de uma e de outra — o abalo e destruição do adversário — deve parecer, até o último momento, pura obra do acaso. Não é incomum que o comando estratégico chegue a tornar-se invisível, abstendo-se de interferir e deixando que as duas alas atuem de maneira realmente incoordenada, para só forçar a unificação do movimento no instante do desenlace. Foi precisamente o que fez Lênin em seu exílio europeu. O comando de uma revolução é um ser evanescente e ambíguo, que, durante todo o tempo em que as águas correm na direção desejada, se mantém na posição de um discreto observador a quem ninguém, à primeira vista, atribuiria qualquer poder significativo.

    Ora, não havendo opção entre legalidade e ilegalidade, ação parlamentar e ação de guerra, combate de palavras e combate militar, mas sim sempre convergência e articulação mesmo por trás da duplicidade aparentemente incoerente das duas correntes de atuação, o deputado Genoíno sabe que, ao assumir sua aparente opção pela via pacífica, está simplesmente desempenhando um dos papéis do enredo revolucionário, seguro de que alguém estará se incumbindo do papel complementar e fazendo a parte suja do serviço, sem comprometer em nada a imagem de bonzinho que as circunstâncias e conveniências da estratégia esquerdista atribuíram no momento à pessoa do deputado.

    José Genoíno sabe que, excluída do campo de sua atuação pessoal, a parte violenta da ação revolucionária não foi de maneira alguma excluída da estratégia global do esquerdismo. Apenas, o papel que cabe hoje a José Genoíno é aquele que, nos seus tempos de guerrilheiro, incumbia a Francisco Pinto no Congresso, a Mário Martins no Senado, a Ênio Silveira e não sei mais quantos na luta cultural, ao passo que o papel que então foi de José Genoíno é desempenhado hoje por José Rainha e suas legiões de posseiros armados.

    E, se sabe tudo isso, Genoíno sabe também que sua pretensa opção pela via pacífica é pura pantomima para disfarçar o que não passa de redistribuição de funções segundo as idades e os talentos de cada combatente, no quadro de uma estratégia esquerdista que, hoje como ontem, no Brasil como na Rússia, discursa em cima e bate em baixo, com suas duas mãos de sempre. Se não fosse puro fingimento de militante fiel, se fosse genuína e não apenas genoínica, a recusa da violência imporia ao deputado o dever de não apenas condenar em termos veementes as operações de guerra empreendidas por José Rainha, mas, com toda a coerência lógica, a obrigação de exigir que fossem punidas com os rigores da lei, malgrado o discurso ético-social que lhes serve de pretexto. Se, em vez disso, o próprio Genoíno as aprova tacitamente e as justifica em nome de não sei quantas racionalizações moralizantes, gastando em benefício delas o seu próprio prestígio de pacifista inofensivo, é porque está lá precisamente para esse fim, para dar à violência a cobertura retórica e a legitimação política sem a qual ela perderia toda aura de respeitabilidade e seria condenada como banditismo puro e simples. Já tendo passado da idade de dar tiros, que é coisa feia, o deputado foi transferido, na periódica rotatividade dos quadros esquerdistas, para a seção de embelezamento.

    Tudo isso é de uma obviedade patente, e o fato de que mesmo pessoas letradas se recusem a enxergá-lo, ou, enxergando-o, teimem em escondê-lo aos olhos dos demais, só se explica pela mesma mistura e alternância de ingenuidade e cinismo, que mencionei acima, e que constitui a típica receita mental da platéia esquerdista, tal como o Arlequim da falsa consciência e o Pierrot da consciência pérfida são os únicos personagens no palco da sua fantasia. Desafio publicamente o deputado Genoíno a provar com fatos e razões — e não mediante artifícios de retórica depreciativa ou apelos sentimentais — que meu diagnóstico é falso ou deficiente em algum ponto. Caso ele o prove, estarei disposto a abjurar minha opinião imediatamente.

    http://www.olavodecarvalho.org
    http://www.seminariodefilosofia.org

  8. A reclamação do advogado Bandeira enoja, causa mal estar porque não dimensiona os males ocasionados pelo mensalão onde este covarde do Genuíno foi um dos mais efetivos criminosos no esquema de o PT tomar conta do poder indefinidamente.
    Maldade foi o que esta gente fez para o povo e País ou, por acaso, somos tão insignificantes assim para esses defensores de delinquentes, que mais se compadecem desses canalhas que os males que produziram ao Estado brasileiro?
    Ora, bolas, que o Bandeira desfralde outra mais justa e decente para quem de fato mereça a sua atenção, mas não caia no ridículo hipotecando solidariedade a bandidos e traidores da Pátria!

  9. Deve ter recebido comissão do pt para fazer essa defesa. O JOAQUIM BARBOSA esta certo. Lugar de bandido é na cadeia. O genuino devia ter pensado antes de fazer merda.

  10. minhadeixei um modesto coment sobre o caso em tela qur foi censurado por aquele ridiculo “parece” parece nada eu ainda não tinha manifestado opinião sobre isso. exijo publicação minha opinião é a seguinte quem está atrsando a solução do caso genoino é a area sa saude JB ja fez a sua parte simplesmente,

  11. Quanto esse advogado, apresentado como possuidor de garboso currículo está recebendo para defender em público (mídia) o núcleo político dos mensaleiros? Isso porque (é!?) “professor” numa Universidade Católica! Imagino se o fosse numa “laica” portadora da “ética situacional”… Discursa a partir da surrada lógica discursiva do maquiavelismo vulgar, segundo a qual os fins justificam os meios. No caso, reiteradas vezes, tentar convencer aos incautos que não houve os crimes condenados na tal AP470.

  12. Se todos fossem iguais Joaquim Barbosa QUE MARAVILHA VIVER entre pessoas honesta e não burras feito você que nem parece ser professor da PUC há 40 anos Que coisa incrível achar uma pessoa neste imenso Brasil que não seja fã do Joaquim MARAVILHOSO Barbosa Você deveria trabalhar num circo pois tem cara de palhaço Olhe-se no espelho
    Sou doente do coração e aposentada no devido tempo de licença com junta médica. José Genoino,na hora de roubar e de dar banana para os brasileiros teve mta força nos braços não é mesmo?? Um recado ao JOSÉ BARATA não misture Aécio com estes vagabundos

  13. País incrível, esse Brasil. As pessoas têm coragem de agir ou dar depoimentos sem imaginar que haverá reação. Será que imaginam que a totalidade dos brasileiros é formada por imbecis, que apenas assistem a esse BBB político? Onde fica o passado, às vezes glorioso, dessas pessoas? E não falo do Genoíno, que traiu as expectativas, mas que pode se dizer que foi traído pelo PT. Isso é outra estória.

    Falo desse Bandeira de Mello.

    Para esse “jurista” se encorajar a jogar seu currículo na privada, deve ter recebido muito em troca. As duas únicas formas que ele tem de perder as aspas são: ou a retratação, aceitável em razão do seu passado, ou se provar que empresta dinheiro a juros.
    Levo mais fé na segunda hipótese, em função dos recentes fatos que vieram a se agregar ao currículo do ex-respeitável mestre.

  14. Bandeira de Melo, Ives Grada e outros nada mais são que pilantras. O ministro Joaquim Barbosa fez o que lhe permite a lei. No âmago do “balanço de bunda” desses juristas está o preconceito; quiçá racismo. Tentam de todas maneiras desmerecer o ministro Joaquim Barbosa, que com todos os méritos ocupa a presidência do STF e foi o relator do maior crime praticado na história política do Brasil. Pois foi um crime gestado dentro do Palacio do Planalto, com o respaldo, com sim, com o poder, com o vamos em frente, com o está liberado de José Dirceu (o falso guerrilheiro, já desmoralizado aqui no Blog da Tribuna por um de seus 26 companheiros, trocados pelo embaixador americano; que foram mandados para Cuba).

    Genoino, outro pilantra infiltrado na guerrilha do Araguaia. Roubaram e agora estão reclamando. O que deve ser perguntado é por que Genoino recém-operado logo se apresentou para ser preso, sem que seus advogados comunicassem seu estado de saúde ao ministro pedindo prisão domiciliar? O resto companheiros, me desculpem: É Frescura!

    • Fica aqui,para ouvir a resposta de seu comentário.Mas,como todo petralha,só ouve o que lhe convém
      e nunca é a verdade.Safados,ladrões,corruptos…Esse partido que se elegeu falando em moralidade,
      agora mostra a sua verdadeira cara.E você dá sua opinião,mas se recusa a ouvir as outras.
      Que coisa,hein?

  15. Sr Wagner, esse “advogado” não precisa estudar porcaria nenhuma.

    O que ele diz se torna mais grave por que ele entende de lei, somente está prestando um desserviço a democracia.

    Resumindo, está …….., deixa pra lá, não quero cair na baixaria…..

  16. Claro que segundo o OABista Celso Antônio Bandeira de Mello, o juiz “Joaquim Barbosa é um homem mau, com pouco sentimento humano.”
    Devemos enão ituir, que para o OABista Celso Antônio Bandeira de Mello pessoas boas foram ou são Lenin, Stalin, Mao Zedong, Pol Pot, Idi Amin, Fidel Castro , etc.

  17. Maldade?
    Maldade é o que fazem com a Educação e a Saúde Pública no Brasil esses esquerdopatas, cabotinos.
    Só em Pindorama vemos um ministro da justiça corajoso sofrer achincalhe e um condenado pelo STF – sobejamente julgado, com direito a advogados caríssimos, já há anos sendo analisado! – ser incensado e elevado a categoria de mártir da justiça.
    Que país é esse?
    Enojante a defesa desse professor da PUC.
    Esse advogado ofende a nossa inteligência.

  18. Por alguns comentarios, dá para entender-se o por quê de certos posicionamentos de alguns comentaristas. Imaginem, ter como gurus ou guias, pessoas como R, Azeveja e Olavo de Carvalho. O segundo, pelo menos tem um merito, sendo servil e contra a naçao brasileira e seu povo, foi embora morar no lugar a quem sempre defendeu: os tais STATES.

    • E você é mais um petralha que sofreu lavagem cerebral e/ou deve receber,cota,bolsa família e outros
      “benefícios”do governo.não é?
      Só aqui mesmo,a pessoa se nega a ver,o erro de seu partido,só porque É SEU PARTIDO.
      Eles podem até assassinar e vocês continuarão,falando aos 4 quantos do mundo,que eles são
      inocentes e que os honestos,são os verdadeiros culpados.E essa de por a culpa nos “States”,é coisa
      de comunista dos anos 50.Olha,se você não sabe,eu digo:A URSS acabou faz tempo.Atualize-se!

  19. A mensagem subliminar que a gente sente nas colocações vazias desse causídico de nome imponente, nada mais é do que o mais puro e cristalino racismo. O que mais o incomoda é ver um negro mandando brancos para a cadeia apesar de todo o poder que eles arrogantemente ostentam. Certamente, se o JOAQUIM BARBOSA fosse ariano, com toda a certeza estaria sendo reverenciado por esses canalhas de forma subserviente e fidelidade quase canina. É chegada a hora de os bons deixarem de ser silenciosos.

  20. E VOCÊ DEVE ESTAR EM ALGUMA DIMENSÃO PARALELA,PARA NÃO ACHAR QUE ESSES CALHORDAS,
    SÃO CULPADOS DE TUDO O QUE FORAM ACUSADOS.E LEMBRE-SE,DE QUE NÃO FOI SOMENTE O
    MINISTRO JOAQUIM BARBOSA,QUE OS CONDENOU,APESAR DOS 3 PATETAS PLANTADOS LÁ,PARA
    GARANTIR A SOLTURA DESSES SAFADOS.OUTROS MINISTROS TAMBÉM VOTARAM A FAVOR DA
    PRISÃO E NO ENTANTO,VOCÊ NÃO VÊ ISSO… ESTRANHO,MUITO ESTRANHO…
    PARA OS petralhas,SEMPRE FOI ASSIM:UM PESO E DUAS MEDIDAS.

  21. E digo mais, esse sujeito metido a jurista que na verdade não passa de um puxa-saco do ativismo da esquerda corrupta, se tivesse que se submeter ao exame de ordem da OAB com toda a certeza seria reprovado.

  22. Ana Carla!

    Bolsa e cota existiriam INDEPENDENTE do PT. Eu DETESTO o PT, mas as cotas são mais que justas: um paliativo NECESSÁRIO. Não fale como se a cota fosse algo unicamente deste partido mentiroso só por que foi ele quem viabilizou. Não fez mais que a obrigação. Pensamento reacionário está sendo o seu. Se coloque no lugar de um negro pobre e vc saberá o porquê das cotas.

  23. Sou à favor do revesamento do partido, já que não temos voto distrital, facultativo e dois partidos: que ano que vem, venha o PSDB , que com certeza deverá manter os programas de estado, dos quais a Ana Carla é contra. De todos, o único que TEM QUE ser revisado é o Bolsa Escola, ops! Bolsa Família.

  24. É RIDÍCULO ESSE SR.BANDEIRA DE MELO FALAR ALGUMA COISA CONTRA O DR.JOAQUIM BARBOSA. ESSE ADVOGADO ESTÁ A SERVIÇO DE QUEM? EU ACABEI DE DIZER, EM OUTRO COMENTÁRIO, QUE LULA E DILMA ESTÃO CALADOS, POR ISSO LHES CONVÊM, POIS EM 2014 É ANO ELEITORAL E ELES NÃO QUEREM ARRISCAR NADA, PORQUE ELES SABEM QUE O POVO ESTÁ AO LADO DO SUPREMO E DO SEU PRESIDENTE, DOUTOR JOAQUIM BARBOSA. NÃO TENHAMOS DÚVIDAS DE QUE BANDEIRA DE MELO NADA MAIS É QUE UM BIOMBO DOS INTERESSES DO PT. POR OUTRO LADO, QUER APARECER. POR QUE ESTE SENHOR NÃO SE MANISFESTOU INDIGNADO COM TODA ESSA CORRUPÇÃO NO MEIO POLÍTICO-PARTIDÁRIO BRASILEIRO? POR QUE? AGORA É QUE ELE ACORDOU? AH, ELE É UM BIOMBO DOS INTERESSES DO PT.

  25. O brasileiro ainda não percebeu que julgar e condenar, mesmo que culpados, atravéz de tribunal de exceção, nada traz de positivo à democracia… Esse Joaquim é apenas uma mula jurídica plantada no STF , pelos piores inimigos do Brasil.

  26. O povo brasileiro segue comendo na mão da mídia comprada e inverte totalmente os princípios democráticos que deveriam nortear qualquer julgamento. Se os caras eram culpados, e tudo indica que realmente eram, que se fizesse um julgamento imaprcial, sem exceções jurídicas e aí sim teriamos valores a comemorar. mas, esse Joaquim pau mandado da Globo, esse não deveria ocupar nem cargos na primeira instância, quanto mais no STF.. Já vai tarde essa mula jurídica estúpida…

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