Ainda dá tempo de parar o projeto de “poder militarizado” que Bolsonaro pretende

40% dos brasileiros acham que país corre risco de nova ditadura militar |  VEJA

Bolsonaro insiste em tentar impor uma ditadura militarizada

Merval Pereira
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro tem um projeto de poder muito perigoso. Ele, que cultiva desde o início de sua carreira os grupos militares, e sempre foi representante corporativo deles, como tenho debatido aqui nos últimos dias, tem marcado presença em várias formaturas, não apenas das três Armas – Exército, Marinha e da Aeronáutica -, mas também das polícias Militar, Federal, e Rodoviária Federal.

Dois projetos de lei que estão na Câmara, de autoria de deputados bolsonaristas, revelados pelo jornal Estado de S. Paulo, restringem o poder dos governadores sobre braços armados do estado, com mudanças na estrutura das polícias Civil e Militar

PLANO AUTORITÁRIO – Essas propostas certamente saíram dessa tentativa de Bolsonaro de cooptar as Forças Armadas e as forças policiais auxiliares, que fazem parte do sistema de defesa nacional, mas não têm nenhum tipo de autonomia funcional, que sempre quiseram. Ainda dá tempo de pará-lo.

Transformar a PM numa polícia independente, que não seja uma força auxiliar, acaba criando uma quarta força armada, o que é temerário.

Já há uma preocupação muito grande com essa bolsonarização dos quartéis e da Polícia Militar, com mais de quatro mil militares em diversos escalões no governo, da ativa e da reserva, inclusive no ministério, numa tentativa de influenciar ideologicamente as forças auxiliares e as baixas patentes das Forças Armadas.

EXEMPLO DE MINAS – O primeiro levante de uma PM na Nova República aconteceu em 1997 em Minas, e o ex-deputado Marcus Pestana, que era secretário do governo, lembra que o Estado Maior perdeu totalmente o controle da tropa. “Como se falava na época, os coronéis começaram a obedecer ao cabo (Cabo Júlio foi o líder simbólico na época)”. Conquistaram espaços parlamentares corporativos, e nunca mais os princípios da hierarquia e disciplina foram os mesmos.

Os projetos dos aliados de Bolsonaro criam ainda uma nova estrutura na organização das Polícias Militares, com cargos de oficiais superiores. Teríamos, pois não creio que os projetos sejam aprovados, generais de quatro, três e duas estrelas nas Polícias Militares.

GOVERNADORES REAGEM – Vários governadores estaduais, que perderiam na prática o comando das polícias militares e civis, estão se movimentando, e o de São Paulo, João Doria reagiu: “Não há nenhuma razão que justifique, exceto a militarização desejada pelo presidente Jair Bolsonaro para intimidar governadores através de força policial militar”.

Os projetos preveem mudanças na estrutura das polícias, estabelecendo mandatos de dois anos para os comandantes-gerais da PM, dos Bombeiros e delegados-gerais de Polícia Civil, escolhidos por uma lista tríplice.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, confirmou que seu ministério está acompanhando a tramitação dos projetos, e tem se reunido com representantes das categorias envolvidas e deputados federais.

PROJETO DE PODER – As propostas de bolsonaristas são a concretização de um projeto de poder militar que sustente os avanços de Bolsonaro sobre as limitações que as instituições democráticas lhe impõem. O presidente da República usa seus poderes para, de um lado, dar protagonismo aos militares em seu governo, ao mesmo tempo que cuida de seus proventos e dos projetos que mais lhes são caros, como o submarino nuclear.

Os projetos de defesa nacional são importantes, mas não poderiam ser prioridades neste momento de pandemia e crise social aguda. Ao mesmo tempo que se queixa de que o país “está quebrado” e que não pode fazer nada, Bolsonaro permite o contigenciamento de verbas sociais e para o combate da COVID-19, e proíbe o bloqueio das verbas militares.

CENSURA DESCABIDA –  A anunciada decisão do ministério da Justiça de processar Ruy Castro, e por tabela Ricardo Noblat, que transcreveu parte da crônica do primeiro, por um suposto incentivo ao suicídio dos presidentes Trump e Bolsonaro, seria cômica se não fosse trágica.

  Muito antes deles, Jair Bolsonaro, em campanha, convocou seus apoiadores no Acre a “fuzilar esses petralhas”, segurando um tripé simulando uma metralhadora. Ainda como deputado, Bolsonaro sugeriu que os militares na ditadura deveriam ter assassinado 30 mil brasileiros, a começar pelo ex-presidente Fernando Henrique.

 Mas, na época, havia governos democráticos no país.

8 thoughts on “Ainda dá tempo de parar o projeto de “poder militarizado” que Bolsonaro pretende

  1. VERDADE SEJA DITA, JUSTIÇA SEJA FEITA. Haddad e Bolsonaro, apontem os vossos dedos sujos para vocês me$mo$, para os vossos próprios defeitos, e não para nós que, há muito tempo, estamos engolindo sapos e comendo o pão que os diabo$ amassaram com os pés. BOLSONARO E HADDAD, na verdade, dois grandes nadas em termos de projeto novo e alternativo de política e de nação, ou, se preferirem, o nada e o coisa nenhuma, dois equivocados, para não dizer outra coisa, impostos desde 2018 como pré-candidatos à presidência em 2022, pelo sistema apodrecido, um pela tal centro-direita e o outro pela tal centro-esquerda, que, com essa tática, buscam sugar geral cada um para si o “mercado” eleitoral, continuam se achando e tentando se impor como se fossem os suprassumo da política nacional e que, por isso, todos e todas deveríamos reverenciá-los em tudo e o tempo todo, inclusive nos seus equívocos que não são poucos, como se todos e todas tivéssemos a obrigação de ter “Políticos de Estimação”, ser gado dos me$mo$ e seguir, cegamente, o efeito boiada, rumo à fazenda “JB” ou fazenda “FH”, dos me$mo$, como se todos fôssemos obrigados a nos engajarmos, cegamente, nas eternas duas vias impostas a todos e todas, há 131 anos, pelos me$mo$, tais sejam o militarismo e o partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculos, velhaco$, que vivem o tempo todo, no bem bom, em permanente estado de guerra tribal, primitiva e insana, por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, na qual a população entra como bucha de canhão, vendendo a todos ratos, gatunos e afin$ por lebres, à moda todos os bônus para ele$ e o resto que se dane com os ônus, como se o circo maluco dos me$mo$ fosse a democracia de verdade, contra o continuísmo dos quais, nós, os indignados, adeptos da Terceira Via de Verdade, da Democracia Direta com Meritocracia, proposta há cerca de 20 anos pela RPL-PNBC-DD-ME, o projeto novo e alternativo de política e de nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, nos levantamos em Junho de 2013, e fomos às ruas do Brasil, aos gritos de “sem partidos, sem violência, sem golpes, sem corrupção, você$ não nos representam”, porque, em sã consciência, há muito tempo, não aguentamos mais o continuísmo da mesmice dos me$mo$, que nada tem de novo de verdade, promissor e alvissareiro, a nos oferecer senão apenas mais dos me$mo$, mais blá-blá-blá, gogó, trololó e nada de borogodó, ou seja, apenas mais e mais fake news, sofismas, bravatas, mentiras e enganações que terminam sempre em mais e mais perda de tempo, tempo perdido, frustrações e decepções, aos quais, portanto, há cerca de 20 anos, o Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, com Democracia Direta e Meritocracia, está tentando dar um BASTA, que só não conseguiu até agora porque a ditadura partidária, dona do monopólio eleitoral, que se nivela pela tirania e baixeza monopolista, e quase nunca pelo desprendimento, até agora não se dignou aprovar a candidatura avulsa e continua sonegando pelo menos uma legenda, ou um dos seus muitos partidos para servir de hospedeiro da vontade de cerca de 70% da população que não aguenta mais o continuísmo da mesmice do velho que já morreu e que, à moda Herodes, não dá espaço para o novo de verdade aparecer, se apresentar eleitoralmente ao conjunto da população, mostrar-lhe o Megaprojeto, e, se aprovado pela população, estabelecer-se para fazer acontecer a coisa certa que tem que ser. https://www.brasil247.com/brasil/haddad-manda-recado-a-elite-do-atraso-dificil-perdoar-quem-nos-colocou-neste-pesadelo?fbclid=IwAR3ZlmgtL0FcpsV5SFfApHxiSOEWIJMG554eM4TBb5-3kixVBLMvA2hxWXY

  2. 1) Nas redes sociais, equivocadamente, muitos dizem que o atual Presidente ficou 28 anos como parlamentar e não fez nada.

    2) Não fez nada para os civis, mas sendo representante do Poder Militar ficou esse tempo todo articulando o que agora está tentando por em prática.

    3) Simples assim.

    • 1) Exemplos de polícia militarizada no mundo são raros. Especialmente em democracias. Mas temos uma.
      2) Portugal tem Polícia militarizada
      3) Ela cuida somente das áreas não urbanizada, de interior.
      4) São poucas as patentes – não guarda equiparação com as Forças Armadas do país.
      5) No Brasil, as PM’s preservam símbolos do tempo quando criadas. A do Rio, por exemplo, presentes no Brasão a cana e o café sob a Coroa. Tudo simbolizando que ela foi criada para proteger o patrimônio – elites e a nobreza da época. Fora isso tem ainda as dezenas de artes que cultuam a violência: faca na caveira, cães ferozes etc. Toda essa cultura do poder e exercício da violência precisa acabar(!!)
      6) Não acabou. Tem que acabar. Eu quero o FIM da Polícia Militar…

  3. ?Que ditadura militarizada pode ser esta, se o alto escalão já o descartou de apoio que se ele tiver só será da raia miúda como ele.
    E uma intervenção militar que rodasse o incluiria também entre os canalhas a remover.

  4. Por muito menos Trump esta sendo impichado, mas aqui bale tudo desde que não toquem em bandidos eleitos pelo povo, seus compinchas escolhidos sem nenhum mérito e aqueles nomeados para os altos cargos públicos como i STF.
    Todos os problemaa do Brasil se resumem à incompetência governamental, ao parasitismo estatal e ociosidade militar.
    Mas como acabar com isso se os beneficiários de toda a injustiça aplicada ao sofrido povo brasileiro detém todos os poderes, midiático, militat e econômico.
    Eis a questão para o setor produtivo refletir.

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