Amigos de Helio Fernandes lembram a combatividade do patrono do moderno jornalismo  

Morre o jornalista Hélio Fernandes | Jornal Tribuna Ribeirão

Helio Fernandes escreveu diariamente até o fim de sua vida

Vicente Limongi Netto

O Brasil, a democracia e a liberdade de expressão estão de luto, com a morte de Helio Fernandes. Durante a vida inteira o jornalista combateu opressores e falsos patriotas. Tinha a têmpera dos fortes e a energia divina. Foi mestre de gerações de jornalistas. Dezenas deles começaram na Tribuna da Imprensa. Alguns deles omitem o passado. São ingratos sem caráter.

Como salientou o jornalista, professor, historiador e filósofo João Carlos Feichas Martins, com toda certeza, Helio Fernandes foi “o maior símbolo, o verdadeiro Patrono do moderno jornalismo brasileiro”. 

Guardo textos de Helio Fernandes no coração das inesquecíveis lembranças. Recordo um deles, com um oceano de orgulho e satisfação na alma. Como uma condecoração inesquecível e indestrutível, e estímulo para prosseguir na batalha contra os canalhas e covardes. Encastelados em todos os setores de atividades.  Ruminando estupidez, morbidez,  intolerância, oportunismo, torpeza e hipocrisia.

“Limongi, são mais de 40 anos que lutamos lado a lado, e como dizia o apostolo Paulo, “sempre combatendo o bom combate”. Você é o único jornalista que pode dizer que já escreveu em todos os jornais do país. Pois você se habituou a mandar cartas para todos os órgãos. Do Oiapoque ao Chui, fossem de esquerda, de centro ou de direita, publicavam o que você mandava. Tinham a certeza, que tudo que precisava ser dito você dizia, e continua dizendo, sem nenhum interesse oculto. Repetindo você, continuaremos lutando e derrotando os fariseus. Abraços  e saúde. Helio Fernandes”.

Helio partiu encantado e feliz, ao encontro de dona Rosinha, a mulher amada, os filhos adorados, Rodolfo e Helinho e o irmão, Millor Fernandes.

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UM JORNALISTA ACIMA DE TUDO
José Carlos Werneck

Quero hoje aqui lembrar meu grande amigo Helio Fernandes, com quem convivi desde sempre, porque sou primo de Carlos Lacerda. Mas meu relacionamento com ele sempre foi pela paixão que nos uniu – o jornalismo. No final da vida, tendo perdido os dois filhos que abraçaram nossa profissão, Helinho e Rodolfo, e depois sua mulher, Rosinha Fernandes, e o irmão Millôr, Helio praticamente não saia de casa, mas continuamos a nos falar por telefone, porque eu moro em Brasília.

Era impressionante sua disposição, sua voz parecia de um homem de 40 anos. Acompanhava atentamente a evolução da política, assistindo as TVs a cabo especializadas, como GloboNews e CNN.

COMBATIVIDADE – Helio Fernandes sempre foi implacável em seus textos e essa combatividade fazia parte do seu gênio, integrava seu DNA, porque era apaixonado pelo que fazia e adorava polêmicas, neste ponto era muito parecido com Lacerda, seu amigo e outro gênio do jornalismo brasileiro. 

Ele perdia o amigo, mas não abria mão da verdade, embora não guardasse ódios pessoais. Suas divergências eram sempre no campo das ideias.

Era impressionante sua garra. No governo Figueiredo, quando o atentado a bomba destruiu a Tribuna da Imprensa, no dia seguinte o jornal estava nas bancas.  

MOTIVOS DE ORGULHO – Sei que nesta hora quaisquer palavras soam vazias, mas uma coisa é certa: Helio Fernandes só deu motivos de orgulho aos que com ele conviveram.

A este brilhante jornalista, quero aqui deixar minhas sinceras homenagens e grande admiração por sua bonita história de vida, desejando que seu espírito descanse em Paz, em Bom Lugar, dando uma revisada nos textos dos que ainda aqui permanecem.

A perda de um amigo sempre traz um vazio imenso, mas a certeza de que ele viveu plenamente e fazendo o que amava é motivo para preencher muito esta lacuna. Helio Fernandes não passou pela Vida. Viveu a Vida. E isso é fundamental!

Grande abraço, Helio, e continue brilhando como sempre! 

9 thoughts on “Amigos de Helio Fernandes lembram a combatividade do patrono do moderno jornalismo  

    • PREDESTINAÇÃO….
      Não há como fugir desta premissa.. É essa cai como uma luva na vida e obras profissionais dessa lenda do nosso jornalismo .
      …segue agora o julgamento eterno.

      YAH ALLELUYA sempre…

  1. Belas e ternas mensagens de Limongi e Werneck ao amigo comum que se foi, Hélio Fernandes, que Deus o tenha.

    Afora o legado poderoso deixado pelo notável jornalista em termos profissionais, vale ressaltar as amizades que construiu ao longo do centenário da sua existência.

    Tenho prá mim que, mesmo a saudade de tão extraordinária pessoa seja sentida pelos seus familiares e amigos mais próximos e de forma quase que insuportável, devemos celebrar o homem, o jornalista, o pai, esposo, irmão, amigo, que deixou exemplos de caráter, personalidade, ética e moralidade.

    Hélio não será apenas lembrado como um ícone do jornalismo, mas um cidadão que jamais se deixou sucumbir pelas tentações que a sua têmpera no modo como escrevia pudesse lhe proporcionar.

    Esta honestidade de propósito, de ser correto consigo mesmo, de seguir e buscar permanentemente a verdade será, até o fim dos tempos, a recordação que nos deixará e que deveremos reverenciá-la, justamente a partir da primeira letra de artigos e comentários postados.

    Meus sentimentos à família de Hélio, e minha admiração e aplauso aos textos de dois dos tantos amigos que Fernandes colecionava, Werneck e Limongi.

    Abraços a ambos.
    Saúde e paz.

  2. Mesmo atrasado, não poderia deixar de dizer o quanto eu admirava e seguia o grande Hélio Fernandes. A antiga e brava Tribuna da Imprensa da época de Carlos Lacerda e depois comandada por Hélio, nunca deixei de seguir. É uma pena que se vão pessoas do quilate de Hélio Fernandes, representante verdadeiro do jornalismo brasileiro. Descanse em paz Hélio Fernandes, hoje você está junto ao Pai.

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