Ao alertar Ribeiro, o presidente estava com o ministro da Justiça, mas foi só coincidência…

Ministro da Justiça diz que não tratou de operações da PF com Bolsonaro  durante viagem aos EUA | Política | G1

Ministro da Justiça nega ter informado sobre a operação

Paulo Saldaña
Folha

Em meio a suspeitas de interferência do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas investigações que atingem o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, o ministro da Justiça, Anderson Torres, publicou neste domingo (26) mensagem em que nega ter tratado do caso com Bolsonaro. Torres estava nos Estados Unidos com o presidente quando, segundo Ribeiro, Bolsonaro telefonou para ele e avisou ter um “pressentimento” de que haveria uma operação da PF (Polícia Federal) contra o ex-ministro.

Como titular da Justiça, Torres tem sob a aba do seu ministério a Polícia Federal, responsável pela operação Acesso Pago, que prendeu e fez busca e apreensão em endereços de Ribeiro e pastores citados em irregularidades na liberação de verbas do MEC (Ministério da Educação).

DESMENTINDO – “Diante de tanta especulação sobre minha viagem com o Presidente Bolsonaro para os EUA, asseguro CATEGORICAMENTE que, em momento algum, tratamos de operações da PF”, escreveu neste domingo. “Absolutamente nada disso foi pauta de qualquer conversa nossa, na referida viagem.”

Em um telefonema interceptado pela Polícia, Milton Ribeiro diz que falou com Bolsonaro e este lhe adiantou que achava que haveria operação contra o ex-ministro. A defesa de Bolsonaro nega qualquer interferência.

A conversa, entre Ribeiro e a filha, ocorreu no dia 9 de junho. O ex-ministro diz ter falado com o presidente naquele dia, quando Bolsonaro e Torres estavam em viagem.

TUDO SE ENCAIXA – A cronologia dos atos dentro da investigação mostra que, em 9 de junho, o delegado Bruno Calandrini já havia solicitado as buscas e apreensões contra Ribeiro. O pedido foi feito em 4 de abril e autorizado pelo juiz Renato Borelli, da Justiça Federal do Distrito Federal, em 17 de maio.

O suposto vazamento da operação e a suspeita de interferência de Bolsonaro na investigação resultaram em pedido do MPF (Ministério Público Federal) para que o caso fosse enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal). A própria PF também investiga as acusações do delegado Bruno Calandrini, feitas no dia da prisão do ex-ministro, sobre uma suposta interferência indevida no caso.

A Folha apurou que a ida de Torres na comitiva com Bolsonaro foi decidida de última hora e que, a princípio, não havia previsão para o ministro acompanhá-lo na Cúpula das Américas. O atual diretor-geral da PF é Márcio Nunes, amigo de Torres — e era secretário-executivo da Justiça antes de ser nomeado como chefe do órgão.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É claro que todos vão negar, mas é muita coincidência o ministro da Justiça estar viajando com Bolsonaro justamente quando o presidente fez a revelação de que a Polícia Federal lançaria a operação contra o ex-ministro e os pastores. Do episódio, fica uma lição – Bolsonaro não tem compostura para ser presidente da República. (C.N.)

5 thoughts on “Ao alertar Ribeiro, o presidente estava com o ministro da Justiça, mas foi só coincidência…

  1. Quem é o chefe de todo o Poder Executivo?
    Aí incluído: PRF, PF, Força de Segurança, Exército, Marinha, Aeronáutica?
    É dever do Presidente comandar a todos.
    Eu não gosto de Bolsonaro, mas ele é o Presidente.

  2. Somente idiotas não esperavam que a banda narco-socialista da “justiça” mobilizaria os seus cães contra o ex-ministro da educação e os lobistas do MEC.

    O fato do juiz petralha, que ilegalmente ordenou a prisão do ministro, ter imitado o advogado do crime organizado, Xandão do PCC, em seu despacho é um mero detalhe.

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