Ao atribuir o fracasso ao “barulho econômico”, Guedes está se referindo a quem?

Charge 11/09/2021

Charge do Marco Jacobsen (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

Quando os resultados econômicos começam a ficar ruins, fruto de políticas econômicas equivocadas e cenário internacional desfavoráveis, os responsáveis pela área econômica começam a surtar e botar a culpa nos outros para disfarçar a incompetência da gestão.

É o que faz agora o ministro Sr. Paulo Guedes, que botou a culpa do fracasso econômico do governo Bolsonaro no “barulho político”. Em tese, portanto, acusou o próprio chefe, porque ninguém provoca mais ruídos do que o próprio presidente Jair Bolsonaro.

MEDIDAS POPULARES – O barulhento chefe do governo não tem como responder e engole em seco a indireta de seu ministro do Posto. Mas aproveita a oportunidade e exige dele medidas populares eleitorais. Pede alguma oportunidade para baixar o preço do gás, da conta de luz, da gasolina, do diesel e dos gêneros alimentícios nos supermercados e nas feiras livres. Mas acontece tudo ao contrário.

Além dos preços dispararem, o brasileiro tem de pagar uma conta luz acima da inflação. Nenhum preço cai e a única medida popular de cunho eleitoral é mudar o nome do Bolsa Família, aumentar o valor e elevar o número de beneficiários.

Uma tarefa difícil e estressante para esse ministro, que se considera um gênio da Escola de Chicago, mas teve de recorrer a aumento de impostos, fazendo Bolsonaro quebrar a promessa de campanha.

DESONERAÇÃO DA FOLHA – Os governos se sucedem e se copiam nos erros, sempre maiores do que nos acertos. Essa é a saga da atualidade brasileira, uma incomensurável tragédia, intermediada por pequenas comédias.

Defendida arduamente por Guedes, a desoneração da folha significa expressiva isenção de impostos para empresários, que deixam de pagar 20% sobre a total gasto com salários, a propósito de criarem empregos, porém jamais abrem novas vagas. A presidente Dilma Rousseff tentou isso sem sucesso. A medida só serve para descapitalizar o INSS. Depois ficam culpando os aposentados. É o mais do mesmo. Não se emendam.

DIREITA E ESQUERDA – Ao governo Bolsonaro, que leva a ideologia a extremos, falta criatividade e sobra maldade. Esse negócio de esquerda e direita não leva a lugar nenhum, apenas divide o povo.

Governo bom é aquele que facilita a vida dos trabalhadores e gera emprego e renda. Qualquer que seja, independentemente de tendência política ou ideológica.

Mas não é o que estamos vendo. O governo que se orgulha de ser da extrema direita faz os brasileiros sofrerem. Só uma pequena elite nada de braçada. A injustiça social, ao invés de diminuir, só tem aumentado. Os mais pobres não conseguem pagar suas contas, de tanto aumento, principalmente dos gêneros alimentícios. A gente torce para o governo acertar, mas a incompetência fala mais alto.

12 thoughts on “Ao atribuir o fracasso ao “barulho econômico”, Guedes está se referindo a quem?

    • Pois é João, mas, quem vive as tragédias diárias somos nós, que perdemos nossos empregos, tem a inflação, o desmonte da Saúde e da Educação, vamos sendo vitimados pelo vírus enquanto eles estão ricos, com a vida ganha. Em 2023, Bolsonaro vai receber uma boa grana de aposentadoria de presidente acumulada com a de deputado e do soldo de capitão e Guedes voltara para seu Banco de Investimento. Os dois rindo de todo mundo e contando piadas a vontade, morrendo de rir dos seguidores.

    • Isso mesmo Vicente, além da falta de espelho, falta sinceridade. É tanta mentira que reproduz naquela cara de peroba, que nos deixa envergonhados de ser brasileiro.

    • Ele ganha dinheiro como sócio em um Fundo de Pensão que atua com as Estatais.
      De tão ruim, que ele é, nenhum governo quis ele atuando no setor público, a não ser Bolsonaro um direitista extremado como ele. O fato de ter trabalhado com Pinochet, tirou dele a oportunidade de ser convidado.
      Ele atua no seguimento ideológico do mito entre aspas.
      Por isso foi chamado em 2018, como o único a cumprir as ordens do verdugo.
      Essa vontade de acabar com o INSS e criar os Fundos de Capitalização e típico de medida para favorecer a criatura ( causa própria).

  1. Insisto no que já venho dizendo, o desgoverno do mito é a continuação dos desgovernos pestistas, ele não é melhor nem pior do que o Luladrão e a Dilmanta, é igual. Talvez seja até pior, porque quem repete erro conhecido é mais ruim ainda.

    • Na era do PT tínhamos Copa do Mundo, Olimpíadas, Duplicação de Rodovias , até o Papa nos visitava. Domésticas viajam de avião, a indústria automotiva bombava. Saudades.

    • Mário Sérgio Conti, em seu artigo na Folha de Sábado, a qual recomendo, compara Bolsonaro ao Rei Ricardo III, da peça de Sakespeare. O Brasileiro é um troglodita, sempre de mal com a vida. Há algo nele, muito estranho.
      Adora uma piadinha de terceira, inclusive com Chefes de Estado, que ficam boquiabertos com a falta de educação e a forma chula no tratamento. As piadas são misoginas e sempre envolvem sexo.
      Conversa de botequim, com todo o respeito aos frequentadores dos bares da vida.
      Que fazer?

  2. Esse artigo curado acima, do Mario Sérgio Conti, jornalista da Folha está sensacional. Ele comenta sobre algumas peças de Sakespeare, principalmente Ricardo III. O epílogo, uma fala da Rainha Margareth é uma catarse contra o Rei monstro.
    Lendo esse artigo, percebi, que o mundo continua igual. Incrível como é verossímil, comparado ao nosso tempo e ao nosso Rei Bolsonaro I. Já estou com medo, paura até, do Bolsonaro II.

  3. Ao ler hoje, matéria no Globo, pág. 14, sobre o título: “Eleitores Arrependidos” de Bolsonaro, cimentou uma série de elocubrações, que tinha escrito a propósito do desnudamento do mito. O rei está nú, no meio da praça.
    O episódio da demissão do ex- juiz Sérgio Moro, foi a senha para demonstrar que os eleitores foram enganados.
    Depois veio o desastre na negação da Pandemia. O bárbaro foi contra as vacinas, o distanciamento social e o uso de máscaras. Sua aposta sempre foi a imunidade de rebanho. Ele dizia, que essas medidas prejudicariam a Economia e consequentemente sua reeleição.
    Um economista carioca, com mais de 60 anos, ouvido na pesquisa do Data Folha, disse, que não conhecia Bolsonaro e que votou nele simplesmente para o PT não vencer as eleições e pela agenda liberal voltada para as privatizações e reformas do Estado ( Administrativa e Tributária).
    Peço Vênia para transcrever o que disse esse representante da classe média:
    ” …vejo hoje que é uma pessoa muito desequilibrada, completamente despreparada….”
    …” campanha de privatizações, inflação em alta, assim como déficit primário, o tal choque liberal de Paulo Guedes nunca chegou”. ” Eles não cumpriram praticamente nada, considero um verdadeiro desastre e não voto novamente”.
    Agora comparem esse depoimento elitista de Bolsonarista arrependido, com um pedreiro desempregado, também arrependido, dos pampas gauchos?
    …” depositei meu voto em Bolsonaro com a esperança de avanços na economia real, que envolve itens e serviços básicos do dia-a-dia, e nos direitos sociais”.
    ” Agora vejo claramente que ele governa para os ricos, e ainda fala com orgulho que prefere ver o povo com fuzil na mão, em vez de feijão no prato”.
    Bem, dois depoimentos, que demonstram o grau de inconsciência política, de falta de informação e de desconhecimento dos candidatos e dos Partidos Politicos, enfim, da História do Brasil e sua evolução.
    Sinceramente, não sei o que posso fazer para contribuir, para reduzir essa alienação brutal do nosso povo.
    Bom dia a todos, neste domingo.

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