Ao desmentir Bolsonaro, a direção da Petrobras prejudica sua campanha à reeleição

Estatal, presidida por Luna e Silva, desmentiu Bolsonaro

Pedro do Coutto

Numa entrevista ao Portal 360, publicada no sábado pela Folha de SP, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que a Petrobras estava preparando reduções nos preços dos combustíveis, versão imediatamente contestada pela própria Petrobras já na manhã de sábado pelo portal G1.

Nesta terça-feira, a empresa divulgou um comunicado oficial dizendo que a Petrobras segue as políticas comerciais e não tem fundamento versões de que reduziria os preços dos combustíveis. Assim, a estatal, presidida pelo general Luna e Silva, na realidade desmentiu diretamente o presidente da República, causando sem dúvida um abalo em relação à sua campanha para reeleição nas urnas de 2022.

ABERTURA DE PROCESSO – No episódio, Bolsonaro perdeu votos e autoridade política. Bruna Rosa, Stephanie Tondo e Vitor da Costa, O Globo, e Nicola Pamplona, Folha de S. Paulo, em edições de ontem, publicaram reportagens detalhadas sobre o episódio, inclusive focalizando o fato de a CVM ter aberto processo para investigar se Bolsonaro baseou-se ou não numa informação privilegiada.

O desmentido pela Petrobras afasta tal hipótese, já que a estatal mantém a sua política de preços, pela segunda vez negando e rebatendo afirmações do Palácio do Planalto. A Petrobras está empenhada, como os fatos comprovam, numa política voltada para os acionistas, com base nas movimentações de seus papéis na Bovespa.

DESPREOCUPAÇÃO – A administração do general Silva e Luna a mim parece não se revestir de preocupações sociais e problemas decorrentes do reflexo do aumento dos preços do diesel e da gasolina, e também do gás de cozinha, nos cálculos do IBGE relativos à inflação e ao custo de vida.

O comando da Petrobras, de outro lado, não demonstra estar interessado na reeleição de Jair Bolsonaro. Pelo contrário, vem seguindo um rumo que pode ser economicamente positivo, mas que eleitoralmente, de fato, retira votos do chefe do Executivo. A Petrobras segue o rumo tradicional de política financeira, visando o lucro, e deixando para segundo plano as consequências políticas e eleitorais.

DORIA E MORO – O governador João Doria em entrevista a Pedro Venceslau, o Estado de S. paulo, edição de segunda-feira, causou surpresa ao dizer que ele e o ex-juiz Sergio Moro estarão no mesmo campo nas eleições de 2022. Portanto, ou João Doria se dispõe a apoiá-lo num eventual segundo turno, ou conta com o apoio de Moro para o desfecho final, acentuando com isso esperar que o segundo turno esteja com ele ou com Moro, e não com Jair Bolsonaro.

É lógico. Caso contrário, o governador de São Paulo não colocaria a questão da forma apresentada. E como Lula da Silva lidera a corrida eleitoral, de acordo com o DataFolha, João Doria só pode estar considerando Bolsonaro fora de um segundo turno na escolha para o novo presidente do país. É uma aposta arriscada. Mas, de qualquer forma, para um candidato de oposição ao governo, o único caminho é tirar votos de Bolsonaro, uma vez que a distância de Lula é muito grande e se baseia também na avaliação negativa do atual governo.

O governo, aliás, tem obstáculos pela frente, com reflexos nas urnas do próximo ano: usar o FGTS para dar crédito a negativados. Eis aí o primeiro obstáculo criado pelo governo para si próprio, conforme revela Geralda Doca, O Globo de ontem. Com o apoio do ministro do Trabalho, Onyx Lorenzoni, e do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, a ideia é movimentar R$ 13 bilhões do FGTS para reabrir crédito (absolutamente incrível) a negativados, entre eles microempresários,  fornecendo-lhes recursos, independentemente de suas dívidas não quitadas.

ALUCINAÇÃO – A ideia parece uma alucinação. E é, no meu modo de ver. Se microempresários ficaram endividados, como lhes fornecer um novo crédito sem analisar sequer os seus projetos Geralda Doca destaca que são 20  milhões de pequenos empreendedores. Acho muito. São empreendedores demais. E se chega a tal conclusão levando-se em conta que existem dívidas de R$ 500, e agora o presidente da CEF estuda liberar empréstimos que vão ser – acreditem os leitores – de R$ 500 a R$ 15 mil.

Há necessidade de Medida Provisória ou de Projeto de Lei, pois os recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, que somam R$ 570 bilhões,  só podem ser destinados ao setor da construção civil, a projetos de saneamento e a obras de infraestrutura urbana.

USO DO FGTS –  O ponto principal está no uso do FGTS, afinal o projeto prevê uma iniciativa eleitoral para o governo com base em recursos alheios. A matéria de Geralda Doca aborda também uma intenção do Ministério do Trabalho e Previdência Social de aumentar o empréstimo consignado para aposentados e pensionistas do INSS. Só que embute uma elevação dos juros mensal de 2,2% para 2,7%.

Mas, 2,7% ao mês significa, considerando o cálculo dos montantes, uma taxa superior a 30% ao ano, três vezes o valor da inflação estimada pelo IBGE. Os aposentados e pensionistas não aguentam pagar os juros dessa ordem.

PRIVATIZAÇÃO – O segundo obstáculo político eleitoral que o governo Bolsonaro enfrenta, não bastassem os demais acumulados ao longo da sua caminhada, refere-se à Eletrobras. Manoel Ventura, O Globo de ontem, focaliza reunião marcada para hoje pelo Tribunal de Contas da União para realizar o primeiro exame da ideia de privatização da estatal com base em projeto do ministro Paulo Guedes.

Pelo projeto, aliás, na minha opinião, a privatização no caso se refere apenas ao comando da holding, uma vez que ela já é privatizada na medida em que possui ações na Bovespa. Quem desejar se associar ao capital da Eletrobras basta adquirir ações do mercado. Mas o projeto do governo é muito mais de privatizar o comando da empresa, entregando-o a um grupo privado, do que privatizar o seu capital.

TRANSFERÊNCIA DE COMANDO – O que o governo deseja é passar o controle da administração, fazendo com que a participação do Tesouro na estatal recue dos atuais 51%, passando para cerca de 45% e entregando a maioria a quem assumir as ações a serem emitidas. O governo lançaria as ações até o dia 13 de maio de 2022 e a partir daí ocorreria a transferência do comando. O Estado ficaria minoritário na empresa.

O lançamento de ações novas no mercado da Bovespa faria com que o preço descesse, é claro, em função do volume dos papéis colocados. Os que os adquirirem, evidentemente, ficarão com as ações, sejam elas ordinárias ou preferenciais. As ações dias após o lançamento, de acordo com os passos programados pela equipe econômica, subiriam.

SALDO FINANCEIRO – Com isso, os que a compraram no lançamento de 13 de maio teriam se capitalizado com a operação e assumiriam o controle da holding, ainda recebendo um saldo financeiro por tal operação. O governo não receberia nada efetivamente. Ou mesmo a Eletrobras. Haveria apenas uma troca de comando e uma nova política de pessoal colocada em prática, como já ficou claro com a iniciativa da Eletrobras em promover os desligamentos voluntários.

Quando foram pagas indenizações, incluindo antigos servidores, que além de indenizados se aposentaram em seguida. O custo da medida foi alto para a Eletrobras, mas diminuiu o passivo trabalhista para quem assumir o seu controle como quer o Ministério da Economia. Isso no plano econômico. No plano político, Bolsonaro perderá grandes parcelas de votos nas eleições de outubro de 2022, pois está evidente que os atuais empregados atingidos pela privatização votarão contra o governo.

7 thoughts on “Ao desmentir Bolsonaro, a direção da Petrobras prejudica sua campanha à reeleição

  1. Tudo com Bolsonaro parece comédia pastelão.
    Ele fala como se fosse o todo poderoso mas sempre amarela. Entre os muitos defeitos ele não sabe comandar. Não tem noção do que é ser autoridade. Ele é um Brancaleone.

  2. Numa Democracia de Verdade, nenhum patrimônio público pode ser vendido sem autorização expressa e direta do povo, muitos menos por representantes suspeitos. #LEÃO, FECHADO COM A DEMOCRACIA DE VERDADE, DIRETA, COM MERITOCRACIA, porque todas as ditaduras são sórdidas, nojentas e abomináveis, principalmente as disfarçadas de democracia, inclusive a enganosa e aberrante democracia da ditadura partidária, monopolista, dona do monopólio eleitoral. DEMOCRACIA DIRETA JÁ (a custo zero para o contribuinte, aberta à participação de todas e todas, independente de partidos), versus Democracia Indireta, partidária (a custo crescente, insaciável e impagável pelo contribuinte ). Negar que não é apenas pelo voto que se chega à Democracia é priorizar o itinerário em detrimento do ponto final. Eis o Debate que temos que travar, doravante, ao invés de continuarmos morrendo igual carneiro, calado e chorando. Aliás, é por vocês que eu choro, Brasil e povo brasileiro, porque é por vocês que os sinos dobram, dominados dos pés à cabeça e à mercê de psicopatas insaciáveis, loucos por dinheiro, poder, vantagens e privilégios, sem limite$, à moda todos os bônus para ele$ e o resto que se dane com os ônus. ESSA CONVERSA DE QUE “DEMOCRACIA TEM QUE CUSTAR CARO”, é colocar azeitona na empada dos inimigos do erário, de homens-ratos, é jogar o sapo n’água, é não ter dó do lombo do contribuinte, do próprio lombo, é justificar o injustificável. Portanto, me parece conversa boba, mole e fiada de mente bitolada, equivocada, ou mal intencionada, que não sabe nem sequer separar o joio do trigo, é conversa mole pra bois bandidos continuarem dormindo na sombra, mamando deitados. Na Constituição da República estão previstas duas modalidades de Democracia, a indireta, partidária, representativa, que se encontra regulamentada e arvorada em dona do monopólio eleitoral, via voto, que é a que de fato custa muito caro, aliás, cada vez mais caro e cada vez mais insustentável para o conjunto da população. E, alternativamente, consta tb da Constituição a Democracia Direta, pendente de regulamentação, a custo zero para o conjunto da população, aberta à participação de todos e todas, independente de partidos, enquanto alternativa constitucional face à democracia indireta, partidária, representativa, que, infelizmente, na prática, com o passar do tempo, revelou-se uma farsa, tal seja uma plutocracia putrefata com jeitão de cleptocracia e ares fétidos de bandidocracia, fantasiada de democracia apenas para ludibriar a tola freguesia. E é sobre isso que precisamos conversar, seriamente, discutir a relação, com urgência urgentíssima, face às eleições previstas para 2022, antes que seja tarde demais. https://www.facebook.com/watch/?v=691644425556610

  3. Senhor P. Coutto bom dia.
    Nos governos petistas, a Petrobrás fez inúmeros navios, plataformas e transformações de navios em plataformas offshore. O RJ, RS, PE, Alagoas, SP, PN entre outros tiveram obras de relevância para o setor metal metalúrgico, elétrico entre outros, gerando milhares de empregos em vários estados brasileiros.
    O capital que viabilizou estas obras; vindos da Petrobrás, geraram um passivo, sinal de menos, para a empresa, diminuindo seu lucro. Mas, no futuro que é agora, as unidades extraindo, refinando, distribuindo(gás), geram um lucro significativo e então vem os vendilhões da pátria e dizem que no período de 2002 até 2016 a PB só deu prejuízo, e que agora, só dá lucro e só não falam que não se tem mais obras e consequente não empregos para os brasileiros, pois as obras estão todas no sudeste asiático e financiada por eles, asiáticos e depois virão ser pagas não pela Petrobrás e sim com o que tirarem de óleo que é da nação brasileira.
    Conclusão: em um primeiro momento, agora, ficamos sem o emprego e o desenvolvimento tecnológico do Brasil e no futuro sem o petróleo que será tirado para pagar estas obras que geram emprego para não brasileiros.
    PS: Não fazem as obras aqui, para sobrar mais $$$ lucro para os acionistas, que não são os donos do óleo a ser prospectado e extraído.
    Por favor, se estou errado, por gentileza se manifestem.

  4. Tanto o ex presidente da Petrobrás, Roberto Castelo Branco quanto o atual Silva e Luna, não têm nenhuma preocupação social. Administram a estatal para privatizar a empresa entregando- a aos Fundos Árabes, como fizeram com a Refinaria Randulfo Alves da Bahia, que foi vendida para o Fundo Mubadala de Dubai, por 1, 65 bilhões. O custo de uma Refinaria do zero, custa mais de 10 bilhões e só começa a dar lucro, cinco anos depois. Não é um negócio da China para quem compra esses maravilhosos ativos públicos?
    Pois bem, pasmem, a administração da Estatal, quer investir 7,5 bilhões, para concluir a Refinaria Abreu e Lima localizada em Recife iniciada no governo Dilma. Podem apostar, que vão torrar esse dinheiro da estatal e quando a Refinaria estiver completa vai privatizar pela metade do preço.
    Nossos governantes nos condenaram a ouvir aquelas piadas preconceituosas contra os portugueses, só que agora em sentido contrário. Estamos sendo ridicularizados em Portugal e em toda a Europa, como um povo bobo, otario, besta, do que não é nada disso, são nossas elites entreguistas, que cometem esses desatinos com o patrimônio público, de caso pensado. São pessoas inteligentes, que fazem isso.
    O Paulo Guedes, botou na cabeça, que tem que vender todo o patrimônio do Brasil, para quem quiser comprar e ainda dão desconto e pagamento a prazo indeterminado, podendo lá na frente, negociar sob a alegação de desequilíbrio no contrato de compra e venda ou da privatização, comandada pelo BNDES.
    Durma com um barulho desses. E o Ministério Público e o TCU não vai fazer nada ou só fazer aquelas matolinhas para inglês ver?

  5. Está na cara o jogo de cena do governador João Diria. DORIA sabe que não tem nenhuma chance de vencer contra Lula ou Bolsonaro.
    O PSDB é um Partido em pedaços, com dissidencias em Minas(Aécio Neves) em São Paulo ( Akkimin, FHC e Serra), no Ceará (Tasso) e no Sul ( Eduardo Leite). Esses caciques do tucanato não suportam o traidor João Dória. O que ele fez com Geraldo Alkimim foi simplesmente imperdoável.
    As prévias do PSDB vencidas por Dória agravaram a divisão no Partido. O governador de São Paulo não tem nenhuma chance de ser presidente e ele sabe disso muito bem. Será que essa águia tem algo de bobo.
    O que ele deseja então? Quer ser um novo Mourão , se possível descolar uma vice na chapa de Sérgio Moro. Cabeça de chapa nem pensar, porque não tem votos.
    Lula e Bolsonaro jamais comporiam com ele uma chapa, só se for para perder.
    Se Moro convidar Dória dará um testemunho de incompetência como já fez só largar a magistratura e aceitar o convite para o Ministério da Justiça do governo Bolsonaro.
    Errar uma vez é perdoável, mas duas vezes, em política é burrice.
    Sinto também, que até Abril, a data deadline da descompatibilizacao dos cargos Executivos, se Moro não chamar o Dória para ser seu vice na disputa presidencial, o governador vai desistir para buscar a reeleição de governador.
    Entretanto, periga perder, porque estão nos seus calcanhares, Fernando Haddad, João França e Guilherme Boulos mordendo o cangote do Dória, que não terá mais Bolsonaro para levantar sua pipa, que ficará no chão sem nunca mais levantar voo.
    Só restará ao Dória, voltar para a presidência da LIDE.

    • A privatização da Eletrobrás será um tiro no pé do país. A venda pura e simples das ações em nada agrega para os cofres públicos, significando apenas a perda do controle administrativo da empresa, que deixa de ser do Estado e passa para o privado.
      A venda significa uma doação do patrimônio público e a perda do controle do importantíssimo setor elétrico para a gula de empresários preocupados apenas com o lucro. Os preços da Energia, com a privatização serão impossíveis de serem cobertos pelos consumidores. A cadeia produtiva vai explodir com o aumento das tarifas, o que está ocorrendo hoje com a Petrobrás para desespero de Bolsonaro, que não consegue reduzir o preço dos combustíveis, muito menos impedir que aumentem.
      Por qual razão: Porque quem manda na Petrobrás hoje são os investidores americanos da Bolsa de Nova Yorque e de Londres, que ameaçam com processos de bilhões se houver intervenção do Governo para controlar a política de precos dos combustíveis atrelados a subida do dólar e ao preço do barril de petróleo.
      Na prática, quem manda na Petrobrás hoje, são os donos das ações.
      O que espanta, é
      que querem seguir esse mesmo exemplo de lesa pátria, agora no setor elétrico.
      Se o país perder o controle de preços da energia, como já perdeu dos minérios com a venda da Vale do Rio Doce e perdeu dos combustíveis, o governo só vai administrar perfumaria e gastos, porque arrecadação que é bom vai para pagar dividendos dos acionistas.
      Não vão nem conseguir aumentar impostos sobre a remessa de lucros, senão, serão derrubados, como fizeram com João Goulart, que cometeu esse erro fatal.

      • Exercer o direito de opinião no Brasil é um perigo constante.
        As Elites e parte da classe média impedem debate das ideias e têm medo que as informações cheguem ao povo.
        Querem condenar os trabalhadores a escuridão das cavernas platônicas.
        Ao ler a entrevista do comediante Mel Brooks, do alto de seus 95 anos, disse ele: ” Nunca tomo partido porque todos estão certos”.
        Ele também afirmou, que as pessoas ficam magoadas porque estão destruindo algo que é muito importante para elas, estão certas. Estão todas certas. Recue. Fique longe.
        É a lição dele. Entretanto, ao pensar desse modo em termos políticos, estaremos indo no sentido contrário ao debate amplo das ideias, para melhorar as condições do povo brasileiro.

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