Apertem os cintos! Acossado pelas pesquisas e pelo impeachment, o presidente sumiu

Gilmar Fraga: grande timoneiro | GZH

Charge do Gilmar Fraga (GaúchaZH)

Eliane Cantanhêde
Estadão

O Brasil virou um pária internacional e o presidente Jair Bolsonaro vira um pária no seu próprio governo, onde generais, ministros, assessores e palpiteiros deixam o presidente para lá, enquanto preparam campanhas a favor da vacinação e escrevem mensagens para Joe Biden desconsiderando exatamente tudo o que pensa, diz, faz e representa Bolsonaro. É hora de interditar o presidente e agir para o governo não ruir.

A palavra impeachment circula lado a lado com o vírus, a popularidade despenca e protestos e panelaços pipocam pelo País, diante do fim das trevas nos Estados Unidos, da pandemia inclemente, a asfixia de Manaus, a variação ainda mais ameaçadora da Covid 19, o fim do auxílio emergencial, empresas quebrando, milhões de desempregados. O Planalto acordou.

NÃO VAI TOMAR! – Bolsonaro fala em “morte, invalidez e anomalia” ao se referir à “tal vacina chinesa do Doria”, diz “não vou tomar, ponto final” e faz campanha aberta contra a vacinação obrigatória. Se não tomar e morrer? Vale seu mantra: “E daí? O que eu posso fazer? Não sou coveiro”. Mas a campanha do seu governo passa a ser diametralmente oposta, enquanto ministros, parlamentares e empresários vivem um corre-corre para curar as feridas com a China e garantir insumos e doses.

Foi até um tanto patético o ministro do marketing, Fábio Faria, arrastar Pazuello, o chanceler Ernesto Araújo e o Zé Gotinha para receber, não uma, mas duas vezes, em São Paulo e no Rio, as mesmas duas milhões de doses da Oxford/Astrazeneca vindas da Índia. A vacinação já tinha começado no Brasil havia cinco dias, a quantidade de doses era um quinto das já disponíveis e só suficiente para uma parcela ínfima das prioridades. Logo, foi muito ministro para pouca vacina. E com discursos não sobre vacinas e sim sobre Bolsonaro.

AGORA, MASCARADOS – O presidente combate isolamento e máscaras, mas seus ministros passaram a aparecer em público, mesmo ao ar livre e fora de aglomerações, devidamente mascarados. Ele é garoto propaganda da cloroquina, que custou caro às Forças Armadas, derrubou ministro e virou protocolo do Ministério da Saúde, mas o general Eduardo Pazuello tira o corpo fora e o documentos do ar, negando protocolos de “tratamento precoce”.

E Biden? O alvoroço começou cedo no dia da posse, para Bolsonaro se comportar feito gente grande, depois de encampar a lenga-lenga de fraude na eleição americana, demorar 38 dias e ser o último líder do G-20 a admitir a derrota de Donald Trump. O texto, de 15 parágrafos, valoriza as relações entre os dois países, as liberdades, a democracia, o meio ambiente e o Acordo de Paris. Logo, Bolsonaro deve ter assinado sem ler. O presidente é um, o presidente da mensagem para Biden é outro.

SE DIZ MILITAR – Vira e mexe, o tenente insubordinado, tornado capitão por força das regras, se autoproclama militar e põe as Forças Armadas numa enrascada, ao enveredá-las, via palavras e atos, por numa teia perigosa: a de insinuações e ameaças à democracia e às instituições, usando os nomes e símbolos das três Forças e até o ministro da Defesa. É hora de “meia volta, volver”. Ele cala, o governo e as Forças propagandeiam a democracia. Fica com a PGR acenar com estado de defesa.

“Quem manda sou eu, não abro mão da minha autoridade”, continuará gritando Bolsonaro, enquanto carrega criancinha em palanques, devora canapé em evento militar e deixa os garotos brincarem de líderes de algo como direita revolucionária armada.

Há um vácuo na Presidência, mas ele vai controlar o Congresso, trancar o impeachment e deixar o governo manipular a opinião pública. A internet, o Centrão, as bancadas do boi, da bala e da bíblia e parte da esquerda fazem o resto. O Brasil é um pária internacional, com um presidente que mais ajuda sendo pária no seu próprio governo.

16 thoughts on “Apertem os cintos! Acossado pelas pesquisas e pelo impeachment, o presidente sumiu

  1. Se você tem dúvidas quanto à cartilha, na qual, Jair Bolsonaro se espelha para desgovernar o Brasil, leia o romance, O Alienista, de Machado Assis.
    O sumiço destacado pelo presente artigo, nada mais é que a autointernação de Simão Bacamarte; o médico psicopata, protagonista do enredo, o qual o nosso presidente personificou em carne, osso e insanidade!

  2. Qualquer escaramuça com a França, atualmente a nação que mais nos detesta no mundo, definitivamente não travaríamos uma guerra convencional. Muito cara para os franceses, que teriam de deslocar porta-aviões, tropas, uma intendência poderosa para enfrentar as FFAA brasileiras.

    Macron, “doidon”, de modo a se livrar do Brasil e concretizar o seu sonho de transformar a Amazônia em consórcio internacional, usaria a técnica nazista conosco, quando os alemães contornaram a Linha Maginot pela Bélgica, as Ardenas, e empurraram meio milhão de soldados na famosa Retirada de Dunquerque, na Segunda Guerra Mundial.

    Com a derrota para os nazistas, o governo francês foi deslocado para o sul da França, Vichi, deixando Paris e o resto da nação para os alemães.

    Pois bem.
    Lançar bombas atômicas nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a França despertaria o ódio mundial contra ela.
    Logo, a solução será deixar a Amazônia incólume, e neutralizar o Brasil onde somos mais fortes econômica e defensivamente:
    Sul e Sudeste.

    Duas bombinhas, e nos rendemos por motivos óbvios, enquanto alguns países irão dividir a Amazônia entre eles.

    Depois da declaração do “doidon” que a nossa agricultura, principalmente a soja, seria a causa do desmatamento da floresta, vejo como altamente interessante para o continente europeu aproveitar a pandemia e transferir para um conflito internacional a possível solução para seus problemas, mormente grãos, carne, minérios e petróleo.

    Se, racionalmente, os europeus não teriam motivo para essa guerra conosco, Bolsonaro tem sido o provocador, o atiçador, o agente que poderá nos levar para o fim, conforme atualmente somos rotulados, de pária internacional!

    E sem chiliques e piripaques de seus sectários e robôs, pois se até seringas não temos suficientes para vacinar o povo, muito menos vacinas, a justificativa de invasão contra o Brasil estaria no genocídio causado pelo nosso presidente!

    Se, na Segunda Guerra, os países não se uniram para impedir que Hitler concretizasse a sua sórdida campanha contra os judeus, matando-os de fome e doenças nos guetos onde eram mantidos antes da guerra, depois nos campos de concentração nazistas, desta vez o mundo está atento quanto à possibilidade de, um território riquíssimo como o nosso, ser atacado com a justificativa de salvar o povo brasileiro!

    Países pobres como Yêmen, República do Mali, Serra Leoa, Sudão, Eritréia, Síria, Palestina, Haiti … ninguém levanta um dedo para auxiliar seres humanos sendo dizimados impiedosamente mas, em se tratando de um Brasil e seus mais de 8,5 milhões km2 de superfície, o país mais rico em água, fauna, flora e terras cultiváveis, convenhamos, somos um prato cheio para as nações mesmo ricas, porém não possuem a fartura que temos, até mesmo as vantagens climáticas que nos caracterizam!

    Acho bom Bolsonaro conversar com generais estrategistas, conhecedores de política internacional e geopolítica, para que seja orientado devidamente e mudar o seu comportamento atual.

    A França pode obter muitas vantagens da China, Rússia e Estados Unidos, que seriam os países que loteariam o Brasil.

    A população que sobrevivesse seria confinada no Sul e Sudeste, enquanto o resto do nosso país pertenceria às três maiores potências do globo terrestre.
    Com o tempo, a América Latina irá pertencer a essas nações, simplesmente incomparáveis em termos bélicos.

    • Um prazer imensurável despertar com um lampejo vital, emanado do teu SER indelével.
      Hás de triunfar SOBRE, pois a verve pela tua sobrevivência tornou-se uma sinergia, disparada por cada um de nós. A ti cabe apenas oferecer o condicionamento necessário, a fim de que os nossos eflúvios operem!

  3. Não se preocupem.

    O próximo escândalo que aparecer envolvendo o Bozo, ou alguém da família do mesmo, o presida reaparece para falar algo “chocante”, e a nossa mídia ajudará o mesmo Bozo repercutindo a fala dele.

  4. Bendl.

    Entrar na Amazonia é fácil. Dois problemas quase insoluveis: a) – Conquistar b) Sair

    Não sei se você leu o livro de Claudio de Araújo Lima: PLACIDO DE CASTRO – um caudilho contra o imperialismo. Um gaúcho e 2000 nordestinos nos enchem de orgulho nas paginas deste livro.

    • Caro Elmir Bello,

      No meu comentário acima, coloquei a Amazônia como intocável, logo, qualquer invasão estrangeira não seria através daquela área, que deve ser mantida incólume de problemas, ainda mais na situação como campo de batalha.

      Plácido de Castro é um dos tantos brasileiros esquecidos pela História.

      O PT, que tentou uma transformação escolar, misturando política com educação, fez questão de esconder a nossa trajetória histórica desde o nosso descobrimento, menos os eleitores que os interessavam.

      A consequência foi o enaltecimento do negro, tanto nas vagas às Universidades, quanto à badalação sobre Zumbi dos Palmares, uma figura altamente controversa sobre a posição de líder.
      Mas, os votos desses nossos irmãos estariam assegurados.

      Como tivemos, ao longo desses pouco mais de 500 anos do nosso descobrimento, várias revoluções de cunho separatista, determinações surgiram do Ministério da Educação para que esses feitos NÃO FOSSEM DIVULGADOS, ainda mais no período militar.

      Duvido que algum colega possa afirmar que, no seu tempo de estudante, e me refiro aos de sessenta, setenta, oitenta anos de idade, tenham aprendido sobre as nossas revoluções e guerras civis.

      Desterro, Farrapos, Confederação do Equador, Canudos, Federalista … a não ser nossas vitórias cantadas em prosa e verso sobre os invasores que tivemos:
      holandeses, franceses, espanhóis …

      Muitos nomes de brasileiros importantes que tivemos, e de líderes incontestáveis, simplesmente desapareceram dos nossos livros, pois foram colocados propositadamente no ostracismo, no esquecimento, de modo que não ensejassem movimentos como aqueles, que poderiam tirar o Brasil da sua “estabilidade” social, política e religiosa.

      Nomes como Irineu Evangelista de Souza, Plácido de Castro, João Cândido (Almirante Negro, Revolta da Chibata), Landell de Moura, Alberto Pasqualini, Borges de Medeiros, Bento Gonçalves, João Goulart, Brizola, Vargas, Barão de Itararé, Rubem Berta (fundador da Varig), Osvaldo Aranha, Assis Brasil, Francisco Bastos (fundador da Refinaria Ipiranga), Honório Lemes, João Batista Luzardo, Sepé Tiaraju, Manuel Luís Osório (Marquês do Herval, que liderou nossas tropas na Guerra da Cisplatina, Guerra do Prata, Guerra do Paraguai), Hipólito Ribeiro, Luís Carlos Prestes, Salgado Filho, Fernando Ferrari … eu escreveria várias páginas de nomes importantes da nossa História e praticamente desconhecidos do povo, explica-se pelo fato de não acirrar no povo qualquer espírito de contestação política e social!

      Quem foi o último “rebelde” que se indispôs contra o poder central brasileiro, e quase nos colocou em outra revolução nacional?
      Leonel Brizola, no episódio conhecido como Legalidade, em 61!

      Qual seria a identidade desses nomes que mencionei acima?
      Gaúchos, que foram excepcionalmente bem classificados por historiadores, no estudo denominado:

      “Um eugênico, enfim”: o gaúcho como tipo antropológico na literatura e no discurso social brasileiro.
      Luciana Murari
      Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, Brasil.

      “Este artigo analisa a definição da identidade social do gaúcho através de suas manifestações na literatura e no pensamento político brasileiro, a partir de textos de José de Alencar, Apolinário Porto Alegre, Euclides da Cunha, Alcides Maya, Roque Callage e, sobretudo, Oliveira Viana. Este último foi um dos mais importantes teóricos do autoritarismo brasileiro nas décadas de 1920 a 1940 e um dos maiores entusiastas do uso do argumento etnológico aplicado à sociologia brasileira. A caracterização do tipo regional do extremo sul do país, em contraste com os demais tipos humanos brasileiros e com o hispânico, foi utilizada, entre a segunda metade do século XIX e a primeira do XX, para uma afirmação político-sociológica de sua superioridade e seu pretenso papel de vanguarda dos destinos nacionais. Esta ideia tem seu auge na produção sociológica de Oliveira Viana.”

      Justifica-se, assim, o pensamento gaúcho com relação à defesa do país, manutenção de suas convicções políticas, espírito desbravador e guerreiro, empreendedorismo, caráter e personalidade de um povo afastado do poder central, porém sendo importante no pensamento, comportamento e decisões nacionais.

      Nomes, meu amigo, que não podem ser mantidos em nossas lembranças porque podem influenciar o povo quanto á sua importância no contexto brasileiro, que poderiam movimentar a população em busca do seu lugar na União!

      Abraço.
      Saúde e paz.

  5. Bendl.

    Entrar na Amazonia é fácil. Dois problemas quase insoluveis: a) – Conquistar b) Sair

    Não sei se você leu o livro de Claudio de Araújo Lima: PLACIDO DE CASTRO – um caudilho contra o imperialismo. Um gaúcho e 2000 nordestinos nos enchem de orgulho nas paginas deste livro.

  6. Escreva um uma palavra minúscula, em um balãozinho vazio. Depois, encha-o, infle-o…….. Verá que à medida que ele vai ficando volumoso, possíveis deformidades da palavra escrita ganham maior visibilidade.
    Assim são textos muito curtos e garranchos médicos: na maioria das vezes, tentam esconder falta de conhecimento de causa, desenvoltura, incorreções ou insegurança que levam a elas, incoerências, pobreza gramatical etc.
    O termo REDUCIONISMO foi introduzido pelo literato francês, Maurice Druon, bisneto do intelectual maranhense, Odorico Mendes.

  7. Haremhab,

    Vá lá que defendas Bolsonaro, mas não deverias perder o respeito às mulheres, pelo menos!

    Duvido que, se não estivesses escudado atrás do anonimato, que terias coragem de publicar esse comentário tão absurdo, mal educado, deselegante e calunioso contra essa senhora e jornalista.

    Te orienta, guri.

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