Aras faz jogo de cena, tentando “recuperar” o prestígio que jamais teve na Procuradoria

Nani Humor: ARAS E BOLSONARO

Charge do Nani (Nanihumor.com)

Roberto Nascimento

Não vai adiantar nada o procurador-geral Augusto Aras recorrer a organismos externos, como a Corte de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), para impedir que o Superior Tribunal de Justiça investigue procuradores em conversas nada republicanas. Os advogados do Lula já tentaram essa artimanha, sem sucesso. Além do mais, o que o inquérito contra os procuradores afetaria os direitos humanos deles?

Essa vontade do Aras tem dois objetivos. O primeiro é voltar a ter a confiança da classe dos procuradores, perdida com o desmonte da Lava Jato, em trama urdida e executada metodicamente por ele, desde que foi nomeado por Bolsonaro, fora da lista tríplice.

O segundo objetivo é manter a classe de procuradores federais sob o manto do corporativismo, da imunidade de seus membros e dele em particular, contra a possível investigação de sentenças judiciais.

IGUALZINHO À PEC – No fundo e na forma, a iniciativa de Aras é semelhante à disposição do presidente da Câmara, Arthur Lira, ao surpreender o país com a açodada tramitação da PEC da Impunidade.

Esse tipo de atitude mostra o desejo de serem melhores do que o povo, com a armadura dos privilégios, do foro privilegiado e da licença para fazerem o que der na telha.

Assim, o país vai virando uma casta superior, de super-homens inatingíveis, a margem da Constituição. Na prática, já estamos superando o sistema de Castas da Índia.

INVESTIGAR O MP – Não vejo nada de preocupante em o STJ investigar o Ministério Público Federal. Aliás, o Judiciário deveria investigar com o mesmo rigor o presidente da República, os ministros, os governadores e prefeitos, os parlamentares, como o senador do cuecão de dólares.

Isso faz parte da democracia. Quem investiga, tem que ser investigado também, em imunidades. Todos são iguais perante a lei, ou não! Quem passa dos limites e vai além, tem que sentar no banco dos réus, como todo mundo. Se provar a inocência, que seja absolvido; caso contrário, tem que pagar pelo suposto erro.

No caso dos procuradores, é óbvio que, antes de qualquer investigação, as fitas precisam se periciadas, uma providência que parece não interessar ao STJ…  

11 thoughts on “Aras faz jogo de cena, tentando “recuperar” o prestígio que jamais teve na Procuradoria

  1. Parece que o autor não entendeu bem a natureza do que ARAS está questionando. ARAS questiona a forma como estão sendo feitas as investigações, a parte processual. E se a denúncia for feita, jamais deixaria de ter péssimos resultados para o Brasil é o Poder Judiciário Brasileiro. E a comparação feita com Lula é “forçação de barra”, sem rumo! Lula teria praticado corrupção e lavagem de dinheiro, e isso é problema pessoal dele, nada tem a ver com o Tribunal de São José da Costa Rica. O caso relatado por ARAS mexe com a essência do processo judicial. É outra coisa, outro nível. E o STF deve se esforçar ao máximo para que essa denúncia jamais ocorra. Já está de bom tamanho a denúncia feita pelo PTB.

    • Entendi muito bem Lossian. A elite do Brasil, só gosta de investigação quando são executadas contra os simples mortais. Para juízes, procuradores e parlamentares, quando um inquérito contra seus membros chega ao fim, a pena máxima e a aposentadoria proporcional só tempo de serviço. No colo do trabalhador a pena é demissão e prisão. Isso precisa acabar. Voce por acaso, concorda com esses privilégios?
      E o absurdo do Foro Privilegiado?
      Os procuradores de Curitiba foram realmente mais Republicanos contra o PT e lentos quando se tratava do PSDB.
      Agora Bolsonaro destruiu essa turma de lá, que eles ajudaram a eleger. Ironia da história e da vida: Estão profundamente arrependidos.
      Se você acha que foi forçação de barra, fazer a comparação, paciência. Na democracia, as opiniões divergentes são sempre salutares.

      • O PT também quis amordaçar o Ministério Público, sob os auspícios de José Dirceu, mas o PMDB, a maior força partidária foi contra na época.
        Hoje petistas, centristas e bolsonaristas estão de mais dadas contra a Lava Jato. O PT votou em Arthur Lira e em Rodrigo Pacheco. Esses petistas não se emendam, estão sempre na contramão da história. Assim, vão reeleger Bolsonaro em 2022. Acho que é isso que eles querem, para poderem voltar em 2026. Acho que não voltam mais. Perderam o bonde da história.

        • Amigo Roberto Nascimento,

          Seu artigo demonstra que o país está vivendo um franco retrocesso, que atinge as instituições.

          O mais grave é a tentativa de assassinato da Lava Jato, nas mãos de um especialista frio e metódico como Gilmar Mendes, que esteve sempre do lado da Lava Jato enquanto apenas o PT, o PP, o PTB, o PMDB e outros partidos eram atingidos, mas o PSDB continuava incólume. Quando a Lava Jato passou a mirar também os tucanos, Gilmar Mendes imediatamente mudou de lado, como seria de se esperar deu um homem pragmático como ele.

          A nós, cabe não perder a esperança na democracia, para não desestimular ainda mais as novas gerações de brasileiros.

          Abs.

          CN

  2. Roberto Nascimento, meu caro comentarista e ilustre articulista … Bom dia!

    O Ministério Público, em meus delírios de grandeza que me levam à Pesquisa … é também chamado de Parquet, por causa de sua origem francesa … em que o Rei o teria criado para fundamentar as acusações … e assim os réus saberem do que eram acusados e poderem ter alguma defesa … antes da sentença.

    É bem provável que tais procuradores fossem mais defensores dos interesses do Rei, que os nomeava, né???

    Antes do Parquet, era comum o réu comparecer em Juízo só para receber a sentença … … … coisa que aconteceu com Boff … e que deu origem ao Garantismo na Itália … copiado em Pindorama!

    Está na Constituição da França que quem garante a Independência do Poder Judiciário é o Presidente da República kkk KKK kkk

    Nos EUA o Secretário de Justiça acumula a Procuradoria Geral da República e a Advocacia-Geral da União.

    • Análise precisa Leôncio, nosso amigo do Rio Grande do Sul.
      Não vive um bom momento, a classe dos Procuradores.
      Governo e Parlamento, estão unidos contra os superpoderes, que ganharam no governo do PT. Dilma sancionou e apoiou a Lei da Delação Premiada. Essa espada criada por ela, foi a responsável pelo seu impedimento. Teve bum senador, que disse com todas as letras:
      “precisamos estancar essa sangria”.
      Tenho uma visão diferente da tua, Leôncio. Creio, que o fato do Rei de Portugal enviar para a sua colônia (Brasil) um assessor (nobre) para investigar o Contratador das Gerais, cujo monarca suspeitava de surrupiar ouro e pedras preciosas da Coroa portuguesa, a chave para essa questão posta em comento.
      O Rei não acreditava no seu homem de confiança e quando as importações diminuíram ele mandava para cá, um Procurador para investigar. Chegando aqui, investigador e investigado se acertavam e os dois enganavam o Rei.
      É o individualismo, acima de tudo.

  3. Aras faz sempre se apresentar com ares de Autoridade. Com a cara sempre fechada, sua Exelencia, faz questão de se mostrar probo e incorruptível.
    Pergunto: É.
    QUEM aposta?

  4. Amigo Carlos Newton
    Há claramente um complô declarado em direção a impunidade e a imunidade da classe política e das elites no Brasil.
    O Judiciário está devendo, mas, ainda há bons juízes em Berlim. Vivemos um retrocesso, com os novos presidentes da Câmara e do Senado e com a aposentadoria do decano Celso de Melo. Mas, como você, sou otimista e acredito na manutenção da Democracia. Por isso, sigo escrevendo e debatendo. Reconheço que o momento está difícil, no entanto, a maioria silenciosa da sociedade não flerta com o autoritarismo. Por essa razão, não conseguirão implodir o regime democrático. Na Ditadura, as agruras do povo são bem piores, sem contar as torturas e as prisões sem sentido nenhum.

    • A pressão das redes sociais foi tão significativa, que o presidente da Câmara, Arthur Lira, retirou da pauta de votação, a PEC da Impunidade e da licença para qualquer tipo de delito praticado por parlamentares. Não querem ser importunados por nada. A mão pesada da justiça não alcançará esses brasileiros diferenciados.
      Entretanto, não se enganem, essa águia, uma raposa sagaz do Centrão, voltará a carga quando a poeira baixar. Precisamos ficar atentos, firmes e fortes. Ao menor sinal do retorno dessa regalia, vamos gritar a plenos pulmões e anotar o nome dos deputados que assinarem essa PEC para lembrar das figuras carimbadas nas próximas eleições e banir essa raça do Congresso.

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