Arruda: desfiliação em vez de expulsão. Nenhum impeachment por falta de número. Ignorado pelo Tribunal Superior Eleitoral, continuará no cargo, mesmo fora do DEM?

De cronômetro na mão, o governador de Brasília pautou suas decisões. Tinha três pontos de partida e ao mesmo tempo, três obstáculos importantes. 1- O que o TSE resolveria. 2- A velocidade do DEM. 3- O impeachment. Invertendo as posições para a análise do seu comportamento.

Sabia que não sofreria nem sofrerá impeachment. Para tirá-lo do governo, precisam de 16 votos contra ele. A Câmara Distrital tem 24 deputados, que, segundo alguns, sem critério e sem constrangimento, podem votar, mesmo em causa própria. Sobrariam então 15 parlamentares, o impeachment, impossível.

Mesmo que os 9 mais do que acusados, comprometidos, não tivessem direito a voto, estaríamos novamente com 15 votos, sem impeachment.

Assim, mesmo expulso ou desfiliado, Arruda continuaria no cargo. Sabendo que a sucessão 2010 (em todos os níveis) pode não ser normal ou constitucional, o governador esperaria, mas no cargo.

Convencido de que pelo impeachment não o afastarão do cargo, se fixou na decisão do TSE. Acreditava que o mais alto tribunal eleitoral determinaria ao DEM, que não tomasse nenhuma posição contra o governador, a não ser depois da decisão da Justiça ou da Câmara Distrital. Fulminado pela Ministra Carmem Lúcia, ficou pendurado e imprensado no DEM, dependendo de iniciativa do partido ou dele, pessoalmente.

Muito amigo do presidente do DEM, (até quando irá o mandato do “meu garoto” Maia?) ia sendo informado por ele. Na quinta-feira, às 3 da tarde, o filho de Cesar Maia informou ao governador: “O partido não quer esperar mais e já tem número para expulsá-lo, pode ser a qualquer momento”.

Diante disso, com a declaração já preparada, Arruda se desfiliou, ou em linguagem que não precisa ser interpretada: abandonou o partido que ia abandoná-lo. Só que o DEM tem montanhas de razões para expulsá-lo, enquanto Arruda não tem nenhuma para justificar a saída.

Já candidato à reeeleição pelo DEM, por que Arruda se desfiliou, ficou sem legenda, sabendo que teria que estar ou entrar num partido até 30 de setembro, que já passou? Arruda sabe disso, de calendário ele entende e muito bem.

Em 2001, ia ser cassado, renunciou para continuar elegível, tinha confiança nos seus cálculos e conclusões. Em 2002 foi eleito deputado federal, em 2006 governador. Já se preparava para continuar, apesar de ter dito uma semana antes da posse, almoçando no Rio: “Em 2010 deixo o cargo, sou contra a reeeleição”.

Lançou o próprio nome, embora tivesse acordo firmado com o empresário mais rico de Brasília, Paulo Otávio: “Você será meu vice agora, e meu sucessor em 2010”. Quer dizer, rompeu unilateralmente o combinado.

Nisso tudo, na prática da corrupção aberta e ostensiva, na desfiliação para não ser expulso, apenas uma surpresa e das maiores: “Ficarei no cargo até o fim do mandato, e NÃO ME CANDITAREI MAIS COM ESSAS REGRAS ELEITORAIS”. Ha! Ha! Ha!

Que regras Arruda espera? Mais favorecidas para ele, impossível. Em 2001, ficou apenas 1 ano fora do jogo, beneficiado pelo que existia. Agora, o fato (ou as regras) vai a favor dele, novamente.

A mais urgente e competente das reformas é a POLÍTICA-ELEITORAL-PARTIDÁRIA. Só que não haverá nunca, ela terá que ser feita pela cúpula dos partidos, e nessa cúpula não conheço nenhum suicida.

Com “essas regras”, os Arruda pularão de partido, de cargos, de desfiliação em desfiliação para não serem cassados. Já revelei (e não vou repetir) 10 itens que precisam de modificação, ou a representatividade, (Deus me perdoe a afirmação) será ainda mais degradada do que já está, se isso é possível.

Todos os partidos foram pródigos em mensalão, o que discutem é a prioridade de cada um. Pelas datas, a impressão é de que o do PSDB veio primeiro, mas o do PT foi muito mais amplo e devastador. O do DEM, aparentemente atinge só Arruda, o do PMDB é tão abrangente, que chega aos 27 estados e um Distrito Federal.

* * *

PS- O PMDB é o partido “laite” ou o do apagão da Ética. Sem esquecer que o único DISCURSO PELA ÉTICA, foi pronunciado por Pedro Simon, historicamente do MDB e do PMDB.

PS2- Algumas vozes de Brasília, sussurram: “Pode haver uma Constituinte que cuide da reforma partidária”. Essas vozes não estão distantes do Planalto-Alvorada. E Lula, toda noite antes de dormir, pede a Deus, “por favor me mande essa Constituinte”.

PS3- Com mais fervor do que Lula no pedido divino, só o Bradesco: CONSEGUIU empréstimo de 342 milhões no BNDES para comprar uma parte da Vale. Paga juros de 4 por cento ao ano. EMPRESTA a 234 por ano. Isso também será incluído como CRIME HEDIONDO?

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