As cinco melhores leituras de 2020, em diversos gêneros literários, na visão de Júlia de Aquino


Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

Em minha última publicação, fizemos juntos uma retrospectiva literária sobre 2020. Então, ainda na linha “feliz ano velho”, mostro hoje meus cinco livros favoritos do ano passado. Alguns deles já foram comentados por aqui, e podem ser revistos tanto pelos links ao longo do texto ou na caixa de busca do blog (basta procurar pelo título do livro).

Já deixo o convite para me contarem, nos comentários, a lista das melhores leituras que vocês fizeram no ano passado! Vejam as minhas, começando pelo 5º favorito:

5º lugar – NA PRAIA (Ian McEwan)

Um livro curto (128 páginas apenas), nas com narrativa impecável e envolvente, ideal para quem gosta de entrar na mente dos personagens e mergulhar nos seus pensamentos mais profundos.

Em breve farei resenha sobre ele, mas já adianto que é um livro com enorme potencial. Foi um dos últimos que li no ano e conseguiu entrar na lista dos cinco melhores. Surpreendente e emocionante, o autor consegue nos levar em diversas direções diferentes.

  • Sinopse: Inglaterra, 1962. Essa é a história de Edward e Florence, dois jovens que se instalam num quarto de hotel na praia inglesa de Chesil para celebrar sua noite de núpcias. Estamos no início da década de 1960, às vésperas da revolução sexual e de costumes que abalará aquela época. Os dois noivos figuram entre as últimas vítimas da moral repressiva herdada da era vitoriana.

Na complexa mistura de desejo e puder, ímpeto e falta de jeito que marca o grande momento dos recém-casados, refletem-se tanto a história pessoal de cada um como os impasses da época em que vivem.

4º lugar – O SEGREDO DO MEU MARIDO (Liane Moriarty)

Poderia falar tranquilamente que esse livro ficou empatado em primeiro lugar, junto com os primeiros três da lista. É o tipo de livro que a gente não lê, devora. São poucos personagens, todos muito em construídos, e que de alguma maneira se relacionam entre si. Com isso, e uma “carta misteriosa” (o principal elemento da narrativa), a autora constrói uma trama que nos instiga a ler até a última página.

Livro excelente para sair da ressaca literária, ideal para presentear pessoas de todos os estilos e excelente para ser lido a qualquer momento. Instigante, bem narrado e surpreendente em diversos aspectos: esse foi meu quarto lugar com “gostinho” de primeiro.

  • Sinopse: Imagine que seu marido tenha lhe escrito uma carta para ser aberta apenas depois que ele morresse. Imagine também que essa carta revela o pior e o mais profundo segredo dele – algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você esbarra nessa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo…

Cecilia Fitzpatrick tem tudo. É bem-sucedida no trabalho, um pilar de sua pequena comunidade, uma esposa e mãe devotada. Sua vida é tão organizada e imaculada quanto sua casa. Mas uma carta vai mudar tudo, e não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia – ou uma à outra -, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela.

Emocionante, O segredo do meu marido é um livro que nos convida a refletir até onde conhecemos nossos companheiros – e, em última instância, a nós mesmos.

3º lugar – O PEQUENO PRÍNCIPE (Antoine de Saint-Exupéry)

Em 2020, dediquei dois posts aqui no blog para falar dessa preciosidade em forma de livro. Clássico da Literatura Mundial, o livro me fez compreender o motivo de sua fama e o porquê de ser lido por jovens e adultos em todo o planeta.

Sem dúvida é aquela leitura que nos transforma, depois da qual não saímos os mesmos de quando começamos. Clique aqui para ler a publicação que fiz sobre ele em outubro. Ou, se preferir ver alguns trechos marcantes, confira o post sobre eles. 

  • Sinopse: Um piloto cai com seu avião no deserto e encontra uma criança loura, frágil e delicada, que diz ter vindo de um pequeno planeta distante dali.

A partir da convivência durante alguns dias, os dois repensam os seus valores, discutem diversos assuntos e encontram o sentido da vida.

2º lugar – IT: A COISA (Stephen King)

Assim como “O pequeno príncipe”, também falei bastante sobre a essa obra-prima de terror por aqui, pois foi um livro que me surpreendeu em diversos aspectos. A narrativa detalhista de King não só é necessária como faz toda a diferença para o leitor mergulhar na história e nos acontecimentos vividos por cada um dos personagens.

Veja minhas duas publicações sobre o livro:

  • Resenha do livro (14/08/2020)
  • Trechos marcantes do livro (21/08/2020)
  •  Sinopse: Durante as férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly aprenderam o real  sentido da amizade, do amor, da confiança e… do medo. O mais profundo e tenebroso medo. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry.

Quase trinta anos depois, os amigos voltam a se encontrar. Uma nova onda de terror tomou a pequena cidade. Mike Hanlon, o único que permanece em Derry, dá o sinal. Precisam unir forças novamente. A Coisa volta a atacar e eles devem cumprir a promessa selada com sangue que fizeram quando crianças. Só eles têm a chave do enigma. Só eles sabem o que se esconde nas entranhas de Derry. O tempo é curto, mas somente eles podem vencer a Coisa.

1º lugar – MINHA HISTÓRIA (Michelle Obama)

A autobiografia da ex primeira-dama não poderia deixar de entrar na lista. Foi incrível conhecer mais sobre sua infância, juventude e detalhes sobre sua Faculdade de Direito. Dividido em três partes, da metade para o final sua narrativa fica ainda mais “familiar”, pois envolve Barack Obama e a Casa Branca.

Uma história inspiradora, repleta de curiosidades sobre os bastidores de uma campanha política e sobre o local de morada dos presidentes norte-americanos. Realmente uma leitura que recomendo, principalmente aos que gostam de biografias ou do universo da política.

Veja mais detalhes na minha publicação sobre o livro, feita aqui no blog em março do ano passado. 

  • Sinopse: Em suas memórias, um trabalho de profunda reflexão e com uma narrativa envolvente, Michelle Obama convida os leitores a conhecer seu mundo, recontando as experiências que a moldaram — da infância na região de South Side, em Chicago, e os seus anos como executiva tentando equilibrar as demandas da maternidade e do trabalho, ao período em que passou no endereço mais famoso do mundo.

Com honestidade e uma inteligência aguçada, ela descreve seus triunfos e suas decepções, tanto públicas quanto privadas, e conta toda a sua história, conforme a viveu — em suas próprias palavras e em seus próprios termos. Reconfortante, sábio e revelador, Minha história traz um relato íntimo e singular, de uma mulher com alma e consistência que desafiou constantemente as expectativas — e cuja história nos inspira a fazer o mesmo.

28 thoughts on “As cinco melhores leituras de 2020, em diversos gêneros literários, na visão de Júlia de Aquino

  1. Ano passado li “O Continente”, primeira parte da Trilogia “O Tempo e o Vento”, de Erico Veríssimo. Gostei muito! Em breve pretendo começar a segunda parte. 🙂

  2. Prezada Júlia,

    Inicialmente, parabenizamos a colunista e o editor Carlos Newton por esse espaço aberto à leitura.

    Sem dúvida, uma atividade enriquecedora do ponto de vista individual e, igualmente, imprescindível para o desenvolvimento coletivo. Afinal, já se disse que um país é construído (também) com livros.

    Sugestão: O físico (Noah Gordon), narra a saga de um jovem “médico prático” inglês que, na Idade Média, segue para a Pérsia com o objetivo de aprender a medicina mais avançada da época.

    Obrigado!
    Christian.

  3. O gosto da leitura é tão individual, que certos estilos de literatura podem ser excepcionais para alguns e detestáveis para outros.

    Logo, sempre são válidas as sugestões de especialistas, críticos, de quem já tenha lido a obra, pois serve de informação ao interessado naquele livro.

    A minha preferência não é por romances.

    Prefiro obras que abordam a História e Filosofia.

    Uma das escritoras mais famosas nas obras relativas à história das religiões, Karen Armstrong, é uma ex-freira, professora, e hoje escreve para o The Guardian.

    Alguns de seus livros tenho comigo:
    Uma História de Deus – notável;
    Maomé – para quem quiser saber sobre o islamismo;
    e Campos de Sangue, que estou lendo, referindo-se às religiões a e História da Violência, que todas trouxeram consigo.

    A especialidade dessa inglesa é sobre o Cristianismo, Islamismo e Judaísmo, as monoteístas maiores do Ocidente.

    Recomendo.

    Mais uma vez registro meu apoio total para esta página sobre cultura, muito bem dirigida pela jovem Aquino – senhorita ou senhora?

    Saudações.

    • Querido Bendl, ontem, através no nosso prazeroso diálogo, você citou, em um comparativo disserto, o genial Jorge Amado. Hoje, nem sei por que, outro baiano ilustre veio à mente: Castro Alves. Da prosa para a poesia (não sei se o amigo “curte” algumas epopeias): já leu alguma coisa sobre “O Navio Negreiro”? Já que o papo, através do link, é cultural, vamos “colaborar, não é mesmo? Um grande abraço!

  4. Os melhores livros que li até hoje foram: O Nome da Rosa, Cem Anos de Solidão, a Trilogia do Tempo e o Vento, Shibumi. Também li quase todos os livros de Arthur Clarke e Isaac Asimov. São tantos livros, que nem lembro de muitos que gostei.

  5. Souzza, meu caro,

    Castro Alves com suas poesias abordando a escravidão, o sofrimento das pessoas, o padecimento de inocentes e tratados como se fossem animais de carga, mais Gonçalves Dias com seus poemas sobre nossos indígenas são, a meu ver, dois dos melhores poetas do mundo!!

    “Senhor Deus dos desgraçados!
    Dizei-me vós, Senhor Deus!
    Se é loucura… se é verdade
    Tanto horror perante os céus?!
    Ó mar, por que não apagas
    Co’a esponja de tuas vagas
    De teu manto este borrão?…
    Astros! noites! tempestades!
    Rolai das imensidades!
    Varrei os mares, tufão! ”

    Mal comparando, Castro Alves ao questionar Deus sobre a tragédia dos escravos, lembra Jó, que fez o mesmo com o Criador depois de tantas tragédias pessoais e familiares.

    “Meu canto de morte,
    Guerreiros, ouvi:
    Sou filho das selvas,
    Nas selvas cresci;
    Guerreiros, descendo
    Da tribo Tupi.”

    Gonçalves Dias, I-Juca Pirama (aquele que deve morrer), faz um poema que obedece o som do tambor:
    tum, tum, tum …
    Uma obra-prima nesta área indígena.

    Outro longo poema, maravilhoso, denso, forte, trata-se de Os Timbiras.

    “Quero ver que valor mostras nas armas,
    (Diz ao Timbira, que a resposta agrada)
    Tu que arrogante, em frases descorteses,
    Guerra declaras, quando paz of’reces.
    Quebraste o arco teu quando chegaste,
    O meu te of’reço! O quebrador dos arcos
    Nos dons por certo liberal se mostra,
    Quando o seu arco of’rece: julga e pasma!”

    Concluo com Gonçalves Dias, um dos gênios da literatura brasileira:

    “Amor é vida; é ter constantemente
    Alma, sentidos, coração – abertos
    Ao grande, ao belo, é ser capaz d’extremos,
    D’altas virtudes, té capaz de crimes!
    Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
    Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
    Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
    Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
    E, temendo roçar os seus vestidos,
    Arder por afogá-la em mil abraços:
    Isso é amor, e desse amor se morre!”

    Abraços, Souzza.
    Podemos continuar essa conversa agradabilíssima quando quiseres.
    Saúde e paz, parceiro.

    • É verdade, meu amigo…Em relação à obra intitulada ” O Navio Negreiro”, tenho uma preferência absurda pela parte IV:

      “Era um sonho dantesco…O tombadilho (,,,)

      É a pura descrição do que se via no interior de um navio negreiro. Note a capacidade de Castro Alves em nos fazer “ver” a cena, como se estivéssemos em uma montagem teatral: o tombadilho do navio transformado em um palco infernal.

      Ao meu ver, outro dado interessante é o emprego que o poeta faz da linguagem, trabalhando ora os adjetivos para descrever com mais expressividade o cenário e o elemento humano, ora os verbos para reforçar o dinamismo do “balé”. A grandiloquência vem com toda com toda força, onde o exagero cumpre, sem dúvida, a função de emocionar( passa a focalizar o drama que é o fulcro do poema).

      Logo no início, o eu lírico compara o navio negreiro a um “sonho dantesco”. Com essa expressão, faz referência às terríveis cenas descritas pelo escritor italiano Dante Alighieri, em “O inferno”, parte da obra A divina comédia. Horroriza-se com a situação infame e vil dos negros no tombadilho( as correntes, o chicote, a multidão, o sofrimento, a “dança”macabra). O ritmo nos é dado por algumas palavras especiais de acentuada sonoridade(“tinir”, “estalar”, por exemplo).

      Repare na imagem das “Negras mulheres”: não há mais leite para alimentar as “magras crianças”(somente sangue) e, por citar as “tetas”, faz-se analogia a um mero animal. Ao descrever as moças nuas (condição de ausência de proteção) espantadas, arrastadas em meio à multidão de negros esquálidos (magros), o eu lírico apela para que o leitor sinta piedade pelo sofrimento do ser humano (piedade cristã). As reticências conduzem à reflexão, à intensidade da dramaticidade diante da situação condenável, horrenda.

      Do ponto de vista cromático, duas cores são postas em contraste na primeira e segunda estrofes. Estas cores são o vermelho e o preto, que compõem o dramático painel em que o sangue dos escravos contrasta com o negro de sua pele.

      Há reincidente uso de imagens que sugerem desespero, sofrimento e dor. A exposição do velho arquejando(desumanização), acompanhado do chicote ( a serpente que “faz doudas espirais”), assemelha-se a de um animal, que acompanha a “orquestra”( os marinheiros aparecem representados pela orquestra que comanda a dança) sem reclamar… E essa “tragédia” se completa quando essa “multidão faminta”, que sofre sem cessar, geme de dor, chora e delira… Enfraquecidos, eles enlouquecem.

      A cena é de uma crueldade atroz, já que, para se divertir, os marinheiros surram os negros. Repare no efeito expressivo da antítese que contrapõe o céu puro sobre o mar e a figura do capitão (regente da orquestra) cercado de fumaça. Ela estabelece o contraste entre a natureza como obra divina e a escravidão como obra demoníaca.

      Depois de apresentar o navio como uma visão dantesca, uma figura diabólica (que também aparece no final da obra “A divina comédia”) é utilizada para o desfecho da última estrofe, finalizando a quarta parte do poema. O eu lírico ressalta o prazer (novamente exposto pelo verbo “rir”) daqueles que torturam (uma orquestra irônica, estridente)em oposição ao sofrimento dos escravos (um trágico balé dançado) para deleite de Satanás.
      Bem, eu entendi desta forma e até publiquei em alguns sites e blogs. É isso aí! Cultura Viva em primeito lugar. Um abração, Bendl! Saúde e paz sempre!

  6. Particularmente, além dos escritores gaúchos e alguns medalhões nacionais, aprecio em demasia a literatura russa.

    Sempre abordando fatos históricos e/ou pessoais, os autores antes soviéticos são mestres no relato das sagas do enorme país – Mãe Rússia – ou dramas pessoais e psicológicos:
    Crime e Castigo, Dostoiévski.

    Tolstoi, Gogol, Pasternak. Soljenitsin, Górki, Turguêniev … possuem um dom especial de narrativa.

    No sensacional Agosto 1914, Soljenitsin, demonstrando a sua facilidade em descrever cenas ou situações, leva duas páginas do livro de centenas delas para descrever a sopa que os russos tomavam no inverno.

    Magistral livro sobre a 1ª Guerra, a saída da Rússia e a Revolução de 1917.

    Uma das inesquecíveis frases de Tolstói:

    “Uma pessoa só pode ser realmente feliz se enxergar a sua própria vida como um serviço, e tiver um objetivo definitivo para além de si mesma e de sua felicidade pessoal”.

  7. Souzza,

    Asim como a música, a literatura é também universal.

    Deixar de ler os grandes mestres da literatura mundial porque devemos valorizar nossos autores, seria o mesmo que eu perguntar as razões pelas quais andamos em carros que não são nossos, apenas montados no Brasil, e deixamos de lado o animal mais importante no desenvolvimento da humanidade:
    Sua Excelência, O CAVALO!

    Preferimos os vários cavalos comprimidos dentro de um motor, que cavalgar ou andar de charrete pelas ruas e estradas nacionais.
    Matamos, machucamos, levamos multas, até prisões. Colaboramos para a poluição do meio ambiente, com as doenças respiratórias, câncer, pobreza, miséria, endividamento pessoal para se andar de carro novo;
    Compramos relógios suíços ou americanos ou chineses;
    Nossas TVs são sul-coreanas, holandesas, americanas, pois não fabricamos sequer uma televisão nacional!

    Logo, meu caro Souzza, e falo genericamente, abordar o nacionalismo diante dessa nossa conjuntura de mendigos intelectuais e dependentes de ciência e tecnologia de terceiros, meio que perde a sua importância.
    De que nos adianta a leitura dos nossos brilhantes escritores do passado se, naquela época, 200, 300 anos atrás, o Brasil era mais legítimo e dele mesmo que atualmente??!!

    Tornamo-nos pontas soltas, meu caro, no contexto mundial.
    Perdemos identidade;
    originalidade;
    ardor;
    patriotismo;
    tradição;
    folclore;
    amor pelo país e povo.

    O Brasil hoje é composto por 217 milhões de ilhas, onde cada uma delas quer ser um continente, ter suas próprias leis, modos e costumes.

    Dividimo-nos como nunca antes fomos retaliados.
    Impossível juntar os fragmentos espalhados nesse imenso território.

    Outro abraço.

    • Não é “deixar de ler os grandes mestres da literatura mundial porque devemos valorizar nossos autores”. Eu tenho as minhas preferências. Em relação ao Mestre Machado de Assis, fica, por exemplo, a tradução do clássico “O Corvo”, de Edgar Allan Poe. Ah!, Fernando Pessoa…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *