As privatizações escandalosas de metrôs, trens, barcas e rodovias. O domínio monopolista dos ônibus. A tragédia de um país sem transporte

Falam muito que os serviços públicos não prestam, não funcionam, massacram a população. FHC criou a Comissão de Desestatização, que não melhorou nada, mas enriqueceu muita gente.

(E a CPI que investigaria esses enriquecimentos ilícitos?)

Agora se constata que os transportes privatizados, são os piores do mundo. As barcas, lentas, verdadeiras saunas, cada vez mais caras. Sempre atrasadas e sem explicação.

Metrô sem ar condicionado, sempre superlotado, sem que se saiba quando chegarão. Os trens com o mesmo abandono, desinteresse, desprezo pela coletividade. A mesma participação (?) da Supervia, que recebe antes pelo serviço, que aliás não presta. Não presta? Puxa, jamais duas palavras se completaram tão bem, e rimam na desarticulação e exploração do povo.

Quando Sacco e Vanzetti foram presos no mais rumoroso crime por volta de 1920, estavam no metrô de Boston, inaugurado em 1897. E os soviéticos, quando chegaram ao Poder, homenagearam os Romanoffes, andando no luxuoso metrô de São Petersburgo, inaugurado na mesma época do de Boston. (não quero nem fazer um jogo de palavras com o que acontece aqui).

O cidadão-contribuinte-eleitor tem problemas de toda espécie, negligenciados, esquecidos, não cuidados por governos, sejam federais, estaduais ou municipais. Mas se todos eles são importantes, necessários e imprescindíveis, nenhum é tão obrigatório, indispensável, e exigido quanto o transporte.

Milhões de pessoas precisam de condução para irem de casa para o trabalho, e do trabalho para casa, sofrem com o abandono e com o desprezo pela suas necessidades. (Já foi vastamente discutido aqui, com informações preciosas trazidas por seguidores, que as favelas (do Rio e SP) começaram e cresceram de forma espantosa, por causa da falta de transporte. E o problema se agrava cada vez mais).

São Paulo, a maior cidade do país, capital de um estado importantíssimo, tem mais ou menos 20 por cento do que deveria ter em matéria de metrô, o meio de transporte que mais cresce no mundo. Só que entra governador e sai governador, não há a menor providência para a construção de novas linhas.

Brasília, cidade planejada, e que Lúcio Costa criou para “não ter cruzamento nem sinal de trânsito”, hoje é um engarrafamento completo, com um sinal em cada esquina. E não apenas no Plano Piloto, a base de tudo.

Tendo quase 30 cidades-satélites altamente desenvolvidas, apenas 4 ou 5 delas têm metrôs, as outras completamente abandonadas. E diga-se: esses metrôs da capital podem ser construídos sem desapropriações, de superfície, apenas uma parte mergulhando.

O Rio capital, com mais de 6 milhões de habitantes fixos, sem falar os quase 2 milhões que se deslocam diariamente da Baixada, de Niterói, São Gonçalo, tem talvez, (proporcionalmente), o pior serviço de transporte coletivo do Brasil. E não há expectativa de melhora.

A não ser para a construção do Trem-Bala Rio-São Paulo. O diretor do Serviço Nacional de Transportes, indo depor numa Comissão Especial do Senado, (presidida pelo senador Fernando Collor) afirmou de maneira estarrecedora: “O Trem Bala Rio-São Paulo vai custar 76 BILHÕES DE REAIS”, enquanto transportes muito mais indispensáveis, não saem do papel.

E concluiu, com dados,números e detalhes: “A Ferrovia Norte/Sul, que trará desenvolvimento para o país inteiro, está prevista para custar 24 BILHÕES DE REAIS, mas espera sua construção pelo menos há 10 anos”. Inacreditável mas rigorosamente verdadeiro.

O Rio sofre ainda com a calamidade dos ônibus, controlados pela Fetranspor, um dos órgãos mais poderosos não só daqui mas de todo o país. Muita gente me pergunta por que esses ônibus quase sempre estão vazios, ou então com pouquíssimos passageiros.

Podem se estarrecer: há dezenas de anos, os ônibus, além de cobrarem dos passageiros, recebem da Prefeitura, POR QUILÔMETRO PERCORRIDO. Esse acordo foi feito há muito tempo, e dura até hoje. Motivo: a partir de determinada hora, geralmente 9 da noite, as empresas de ônibus recolhiam seus veículos, então quem precisava deles a partir daí, ficava sem transporte.

Como a Prefeitura sabia que tinha a obrigação de servir à população, fez essa combinação, e os ônibus voltaram a circular em determinados bairros. Mas como o negócio era muito bom, ou melhor, agradavelmente bom, foi estendido para outros lugares que não tinham tanta carência de ônibus.

Portanto, quando nós todos olharmos para os ônibus trafegando vazios ou com pouquíssimas pessoas, se lembrem: por trás de tudo está a Fetranspor.

* * *

PS – Os homens que exploram as barcas, trens, Supervia e o resto do pouco transporte, são os mesmos há anos. Os governadores e prefeitos, do passado, de hoje e do futuro, todos são cúmplices dessa tragédia que a Constituição chama de DIREITO DE IR E VIR.

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