Assessores indicados por Eduardo Cunha são ‘imexíveis’ e ficam no governo Bolsonaro

Resultado de imagem para eduardo cunha charges

Charge do Mário Tarcitano (Humor Político)

Vinicius Sassine e Eduardo Bresciani
O Globo

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni , manteve nos cargos de subchefes adjuntos para Assuntos Jurídicos de sua pasta dois advogados indicados às funções pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ), deputado cassado e hoje preso preventivamente pela Lava-Jato em Curitiba. Os subchefes Felipe Cascaes Bresciani e Erick Biill Vidigal vêm tendo atuação destacada nos primeiros dez dias da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro . A reportagem do GLOBO enviou no fim da tarde de quarta questionamentos à assessoria de imprensa da Casa Civil para saber o posicionamento do ministro e dos dois subchefes que continuam na função. Não houve resposta.

Cascaes foi o responsável final por um parecer do governo a respeito do indulto a presos, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo próprio presidente Bolsonaro na última terça-feira. Desde a mudança do governo, ele já participou de reuniões com ministros, com Bolsonaro e para discutir assuntos como o Estatuto do Desarmamento. Vidigal também já despachou com o presidente.

DESPETIZAÇÃO – No segundo dia de governo, Onyx anunciou a exoneração de 320 servidores em cargos de confiança e em funções com gratificações na Casa Civil, num gesto que ele chamou de “despetização” da máquina pública. O PT foi governo entre janeiro de 2003 e maio de 2016, quando a presidente Dilma Rousseff sofreu um impeachment no Congresso. O partido que assumiu o poder – e no poder permaneceu nos últimos dois anos e sete meses – foi o MDB do ex-presidente Michel Temer e do ex-deputado Eduardo Cunha.

A “despetização” executada por Onyx poupou os subchefes adjuntos para Assuntos Jurídicos, que são da cota do MDB. Ao anunciar a medida, Onyx disse que pouparia da exoneração em massa os funcionários da Subchefia de Assuntos Jurídicos porque já trabalha com essa equipe desde novembro, na transição, e já teria havido “um certo ajuste” nessa estrutura.

Cascaes foi nomeado ao cargo em 17 de maio de 2016, cinco dias depois do afastamento provisório de Dilma e da ascensão de Temer à Presidência. Vidigal ganhou o cargo no dia seguinte.

NA MESMA SALA – Uma reportagem publicada pelo Globo em 20 de maio daquele ano revelou que os dois eram indicações de Cunha e iriam trabalhar na mesma sala. Naquele momento, o deputado já havia sido afastado da presidência da Câmara – ele viria a ser cassado quatro meses depois.

O parlamentar se esforçava para tentar explicar os recebimentos de propina na Suíça e emplacar a versão de que a movimentação de dinheiro se deu em trusts e offshores que não estariam em seu nome. Cunha chegou a argumentar que os US$ 5 milhões movimentados – desviados da Petrobras, segundo a Lava-Jato – eram provenientes da venda de carne enlatada para a África.

Cascaes já havia advogado para Cunha em processos na Justiça com pedidos de indenizações a políticos e jornalistas. Vidigal, por sua vez, escreveu um artigo favorável ao deputado um mês antes de ganhar o cargo de subchefe adjunto para Assuntos Jurídicos. O artigo tem como título “Usufruir de paraísos fiscais não é crime” e foi publicado no portal “Metrópoles” em 17 de abril de 2016.

DEFENDENDO CUNHA – A respeito de Cunha, Vidigal afirmou no artigo: “O fato é que, para o tribunal da opinião pública e das redes sociais, o simples fato de alguém ser beneficiário de uma trust, por exemplo, já é razão suficiente para impor a esse alguém o rótulo de criminoso. (…) É o caso, por exemplo, do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que responde a processo de cassação de seu mandato sob a acusação de que teria mentido sobre a titularidade de contas bancárias no exterior, quando seu nome aparece, na verdade, como beneficiário de ativos geridos por trusts no exterior.”

O então juiz federal Sergio Moro, responsável por mandar prender Cunha em outubro de 2016, discordou da posição de Vidigal, hoje seu colega de governo – Moro é o ministro da Justiça de Bolsonaro. O juiz considerou “questionável” a versão de que os valores movimentados em contas no exterior pertenceriam a trusts e offshores em nome de terceiros. “Aparentam ser apenas empresas de papel”, escreveu o então juiz da Lava-Jato num despacho em junho de 2016.

ASSESSOR DE ROCHA – Vidigal foi assessor do gabinete do conselheiro Gustavo Rocha no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Rocha também advogou para Cunha e também foi indicado à Casa Civil – ele foi o subchefe para Assuntos Jurídicos – pelo deputado.

Dos atos dos subchefes para Assuntos Jurídicos que se tem conhecimento até agora no governo Bolsonaro, o mais importante foi assinado por Cascaes. Ele foi decisivo na manifestação do governo contra a concessão de indulto a um preso que decidiu acionar o STF para tentar garantir o benefício. Foi a primeira vez que o governo Bolsonaro se manifestou em relação ao indulto, o ato de concessão de perdão a penas conforme critérios previamente estabelecidos.

A defesa do detento que tentou um habeas corpus no STF apontou uma “coação ilegal” por parte do presidente Michel Temer. Depois de um vaivém de posições a respeito do indulto de Natal em 2018, Temer decidiu não assinar o decreto com o benefício, interrompendo uma prática existente desde a redemocratização.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Em tradução simultânea do neogoverno militar, está tudo como dantes no quartel de Abrantes e os indicados por Eduardo Cunha são como o ex-ministro Rogério Magri – imexíveis e indemissíveis. (C.N.)

18 thoughts on “Assessores indicados por Eduardo Cunha são ‘imexíveis’ e ficam no governo Bolsonaro

  1. Todo mundo ligado aos Bolsonaros dando um olé no MPF

    Flávio Bolsonaro avisou pelo Facebook que não vai depor no Ministério Público do Rio de Janeiro nesta quinta-feira, 10, sobre a movimentação suspeita de Queiroz.

    Bem vindo ao admirável mundo novo do governo civil militar

  2. Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) avisou hoje em seu Facebook que não vai depor no Ministério Público do Rio de Janeiro nesta quinta-feira, 10, sobre a movimentação suspeita de R$ 1,28 milhão de seu ex-assessor Fabricio Queiroz

  3. Meu Deus! Descobriram esses dois lá no fundo do baú! Ainda bem que a imprensa está vigilante, senão as pessoas só estariam falando amenidades como o roubo de mais de 60 bilhões de reais praticado pelo PT conforme a denúncia de Antonio Palocci.

  4. Bolsonaro manteve o establishment no poder.
    Ou seja os corruptos vão continuar roubando a vontade.
    A situação do Brasil é a pior possivel. , e daqui pra frente ,vai piorar muito mais.

  5. EIS A RAZÃO PELA QUAL BOLSONARO SE ENTREGA CORPO E ALMA AOS DETENTORES DAS ARMAS BÉLICAS, OS MILITARES >>>>>>

    Terceiro colocado nas eleições presidenciais de 2018, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT-CE) criticou o governo do presidente Jair Bolsonaro, ao qual atribuiu um “potencial de confusão enorme”, em referência ao desmentido de que iria aumentar o IOF. “Do jeito que vai, o capital político de Bolsonaro não dura seis meses”, alertou Ciro em entrevista à rádio Assunção, de Fortaleza.
    Ciro Gomes também criticou amplamente o governo. Disse que o presidente é “refém do Paulo Guedes”, ministro da Economia, a quem atribuiu “uma visão equivocada da questão estratégica da economia brasileira”, e que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, foi um “juiz exibicionista”. Ciro ainda criticou a condução de Onyx Lorenzoni na Casa Civil e duvidou da continuidade do ministro no governo: “O Onyx não vai permanecer”
    O PT também foi alvo das críticas de Ciro, que diz que fará oposição a Bolsonaro, mas “respeitando a democracia”. Ciro afirmou que apoia a candidatura de Tasso Jereissati (PSDB-CE) à presidência do Senado, em oposição a Renan Calheiros (MDB-AL), e criticou um possível apoio do PT ao senador alagoano. Para Ciro, o PT “vai reeleger Renan” a despeito das críticas do partido a ele. Estadão

    Leia mais: http://jornalpequeno.blog.br/johncutrim/ciro-gomes-do-jeito-que-vai-capital-politico-de-bolsonaro-nao-dura-seis-meses/#ixzz5cES2IC5n

  6. O GOVERNO BOLSONARO JÁ GANHOU O APELIDO DE “COURO DE JOELHO”, ou “GOVERNO MALÁRIA” PELO TREMENDO VAIVÉM >>>>>>>

    Após ter demissão anunciada por ministro, chefe da Apex cumpre ‘expediente normal’, diz assessoria
    Alex Carreiro assumiu cargo em 2 de janeiro, e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) disse no Twitter que ele havia pedido demissão. G1 procurou Itamaraty e aguarda resposta.

    Alex Carreiro, presidente da
    Alex Carreiro, presidente da Apex.
    Um dia após ter a demissão anunciada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (Apex), Alex Carreiro, cumpriu “expediente normal” nesta quinta-feira (10), informou a assessoria do órgão.
    Segundo a Apex, Carreiro realizou “despachos internos” e recebeu “autoridades de Estado”.
    “A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (Apex-Brasil) esclarece que o presidente Alex Carreiro, nomeado para o cargo pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, cumpriu expediente normal na agência nesta quinta-feira (10/01), tendo efetuado despachos internos e recebido para audiências autoridades de Estado”, informou a ApexApós ter demissão anunciada por ministro, chefe da Apex cumpre ‘expediente normal’, diz assessoria
    Alex Carreiro assumiu cargo em 2 de janeiro, e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) disse no Twitter que ele havia pedido demissão. G1 procurou Itamaraty e aguarda resposta.
    Por Guilherme Mazui, G1 — Brasília

    10/01/2019 17h32 Atualizado em 36 minutos

    Alex Carreiro, presidente da Apex — Foto: Reprodução/Site da Apex Alex Carreiro, presidente da Apex — Foto: Reprodução/Site da Apex
    Alex Carreiro, presidente da Apex — Foto: Reprodução/Site da Apex
    Um dia após ter a demissão anunciada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (Apex), Alex Carreiro, cumpriu “expediente normal” nesta quinta-feira (10), informou a assessoria do órgão.
    Segundo a Apex, Carreiro realizou “despachos internos” e recebeu “autoridades de Estado”.
    “A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (Apex-Brasil) esclarece que o presidente Alex Carreiro, nomeado para o cargo pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, cumpriu expediente normal na agência nesta quinta-feira (10/01), tendo efetuado despachos internos e recebido para audiências autoridades de Estado”, informou a Apex.

    Do G1 em 10/01/2019

  7. Significado de cunha: peça de metal ou madeira dura cortada em ângulo agudo, uns para fender pedra ou madeira, bem como para calçar, nivelar ou ajustar objetos; o Cunha foi a cunha política que os calçou para ficarem nos cargos.

    • Para nós, que nascemos bichos do mato, CUNHA, a exemplo do Eduardo, tinha a função de servir ao ofensor e de dar o tiro de misericórdia na vítima. Entenda: para que o machado não saque, o cabo dele deve ser expandido ou “arrolhado” por uma cunha. Depois de ser lançada ao chão a tora derrubada pelo machado, ela vai ser rachada também por uma cunha.
      Como se pode ver, cunha mata e tira o couro ao mesmo tempo!

  8. O corrupto Eduardo Cunha merece essa deferência. Se não fosse ele , o país estaria muito mais quebrado. Graças a Cunha demos um pé na bunda de Dilma dois anos antes do término de seu governo. Já pensaram na catástrofe de mais dois anos de governo Dilma ?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *