Sérgio Moro compara seu salário com o de Lula, que “nem deve saber o preço da gasolina…”

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Ana Mendonça
Estado de Minas

O pré-candidato à Presidência Sérgio Moro (Podemos) afirmou, nesta quinta-feira (2/12), que ganha menos que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi feita para a rádio Jovem Pan. Moro foi questionado sobre o salário bruto de R$ 22 mil que receberá como vice-presidente do Podemos no Paraná. Líquido, o ex-juiz deve receber R$ 15 mil.

“Escolhemos um vencimento junto ao Podemos, por uma posição de dirigente partidário, e é um valor menor do que ganha o candidato do PT, Lula”, disse Moro. “Nem tem despesa de carro e deslocamento. Acho que não deve saber o preço da gasolina porque anda lá com o pessoal da segurança”, brincou Moro ao falar sobre o ex-presidente.

Lula é possível adversário de Moro nas eleições de 2022 e recebe R$ 27 mil do Partido dos Trabalhadores (PT) e mais um salário de R$ 12 mil por ser ex-presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria tem equívocos. Quem ganha R$ 22 mil, não recebe apenas R$15 mil líquidos. E os ex-presidentes da República não recebem mais pensão. No entanto, têm direito a oito servidores comissionados (motoristas, seguranças, apoio pessoal e assessoramento). A União paga os salários, passagens e diárias em casos de viagens para acompanhar o ex-mandatário. Além disso, cada ex-presidente tem à disposição dois carros e o pagamento das despesas de combustível. Lula recebe quase R$ 12 mil como anistiado político, no total, R$ 39 mil. Além disso, ficou rico na política. Com a morte de sua mulher Marisa Letícia, em 2017, soube-se que o casal tinha declarado mais de R$ 12 milhões em bens e aplicações financeiras. Bem, isso foi o “declarado”. Nada mal para um casal que só trabalhou no início da vida em comum e depois sempre viveu às custas de sindicalismo e política. E assim caminha a Humanidade. (C.N.)

Bolsonaro reconhece que Moro pode lhe tirar votos e define o ex-juiz como alvo preferencial  

Bolsonaro ataca Moro e chama ex-ministro de 'mentiroso, palhaço e sem caráter'

Bolsonaro diz que Moro é “mentiroso” e “não tem caráter’

Jussara Soares
O Globo

O lançamento de candidaturas de centro levou Jair Bolsonaro e seus aliados a elegerem como alvo preferencial o ex-juiz Sergio Moro (Podemos). Em conversas reservadas, o presidente tem reconhecido que o seu ex-ministro da Justiça e Segurança Pública pode lhe tirar votos preciosos durante as eleições em 2022.

A estratégia ofensiva de Bolsonaro foi escancarada nessa quinta-feira durante a transmissão de sua live em que chamou o seu ex-ministro da Justiça de “mentiroso deslavado”. Moro lançou um livro em que afirmou que Bolsonaro teria comemorado a decisão que soltou o ex-presidente Lula porque isso o beneficiaria politicamente.

OFENSAS SEGUIDAS — “Falta de caráter é o mínimo que posso falar desse cara. Tem o direito de se candidatar e o povo vai saber se merece ou não o voto. Agora, fazer campanha na base da mentira? Aprendeu rápido a velha política, hein, Moro?” — disse o presidente.

Bolsonaro, segundo o relato de pessoas próximas, diz que prefere acreditar que a repercussão em volta da pré-candidatura do ex-juiz da Operação Lava-Jato é o efeito natural da novidade de sua entrada na política e ainda aposta no arrefecimento da pré-campanha de Moro, que deve ser alvo de ataques constantes do presidente.

POR SEIS MINUTOS – Ao longo da sua live, Bolsonaro falou de Moro por seis minutos ininterruptos, mostrando que seu confronto direto agora é com o seu ex-ministro, e não com o ex-presidente Lula, do PT, que lidera as pesquisas de intenção de votos. Segundo interlocutores de Bolsonaro, o embate entre o presidente e Lula pode ser adiado para um eventual segundo turno.

Conforme mostrou a colunista Bela Megale, Moro começará o ano eleitoral visitando o interior de São Paulo, onde Bolsonaro desponta como nome forte para 2022. O ex-juiz fará uma incursão no Vale do Ribeira, sul do estado, onde o presidente foi criado.

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NOTA DA REDAÇÃO
O Vale do Ribeira é uma das regiões mais pobres de São Paulo. O candidato Sérgio Moro certamente irá lá para conferir o que Bolsonaro fez em benefício da terra natal dele. Mas na verdade o presidente nada fez. (C.N.)

Aécio critica Moro, diz que ‘Lula é bacana para tomar cachaça’ e a bola está com Doria

Senado decide sobre afastamento de Aécio Neves

Charge do Duke (O Tempo)

Lauriberto Pompeu e Felipe Frazão
Estadão

Principal opositor do governador de São Paulo, João Doria, no PSDB, o deputado Aécio Neves (MG) avalia que seu partido deve buscar a sobrevivência política e focar na eleição de uma boa bancada no Congresso Nacional 2022, em vez de apostar em uma candidatura presidencial que não decole.

“Mesmo que o PSDB não vença essas eleições, nós temos de sobreviver enquanto um partido sólido no Congresso”, disse Aécio ao Estadão, após a vitória do rival nas prévias para ser candidato ao Palácio do Planalto.

ESTUDAR ALIANÇAS – O ex-presidenciável tucano, derrotado nas eleições de 2014, foi um dos principais articuladores da campanha do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, na disputa interna.

“Está com ele (Doria) a bola, cabe agora demonstrar que nós estávamos errados e construir em torno de si uma grande aliança”, afirmou Aécio, para quem o partido deve também estudar alianças com outros nomes, como Rodrigo Pacheco (PSD), Ciro Gomes (PDT) e Sergio Moro (Podemos).

“Se nós chegarmos extremamente isolados, obviamente que o PSDB vai discutir a conveniência ou não de ter essa candidatura”, disse o deputado.

RESTRIÇÕES A MORO – Sobre Moro, no entanto, o tucano, alvo de denúncia de corrupção no escândalo da JBS, fez uma ressalva de que ele precisa esclarecer sua atuação na Lava Jato e divulgar as gravações feitas por procuradores.

“O juiz tem de estar, isso é o que preconiza o Estado Democrático de Direito, equidistante da acusação e da defesa.”

Já em relação a Lula, Aécio criticou os acenos que o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, de saída do PSDB, tem feito à candidatura do petista em 2022.

AINDA É CEDO – Sobre seu papel na campanha presidencial do PSDB, Aécio Neves dia que não se sabe ainda como vai ficar o quadro, tem muita água para rolar debaixo dessa ponte ainda. Se Doria vai ou não se viabilizar, o tempo é que vai dizer.

“Eu acho que esse quadro ainda está muito incerto. Alardearam durante as prévias: ‘o Aécio quer bolsonarizar o PSDB’. Nada disso, eu não apoiei o Bolsonaro na campanha presidencial quando ele era o “mito”, ao contrário de muitos tucanos. Talvez tenhamos perdido o governo em Minas Gerais por conta disso, com o senador Antonio Anastasia no segundo turno, porque optamos por não apoiar nem o PT e nem o Bolsonaro. Não é agora que eu vou fazê-lo’.

O senhor vai sair do partido?
De forma alguma, estou construindo o PSDB há mais de 30 anos. Essa é uma etapa da vida do PSDB, já passei por várias outras. Nós somos ainda o maior partido de Minas Gerais, o PSDB não foi construído ontem e nem anteontem e é no PSDB que nós vamos continuar fazendo política.

Desde 2018, o PSDB vem perdendo tamanho e protagonismo eleitoral. Vê chances de isso mudar em 2022?
Se prevalecer essa polarização, ela vai chegar a um exaurimento, fadiga, cansaço. O PSDB pode surgir com um projeto para o País, liberal na economia, inclusivo nas questões sociais, moderno nas relações internacionais, responsável na questão ambiental, com experiência de gestão, quadros qualificados. Não podemos sucumbir, ser levados ao apequenamento, à irrelevância. Eu espero que o PSDB possa, a partir dessas eleições, retomar um papel mais central no Congresso Nacional, e isso passa por uma candidatura razoavelmente competitiva. Como eu disse, a bola está com o governador de São Paulo.

Se Doria tiver um resultado ruim nas pesquisas durante a eleição, como foi com Alckmin em 2018, o senhor vai apoiar um candidato de outro partido?
Não dá para falar em suposição. Se o PSDB quiser ter um candidato, esse candidato tem de se mostrar viável e vamos ter tempo para isso ainda. O governador João Doria venceu as prévias para ser o pré-candidato do PSDB, não venceu para ser dono do PSDB, o PSDB é maior do que nós todos. Passou por outros momentos difíceis, tivemos uma eleição de 2018 difícil e continuamos aqui o PSDB.

O que acha da saída de Geraldo Alckmin do PSDB e sobre ele ter admitido considerar ser vice de Lula?
A trincheira tem de ser dentro do PSDB, lamento inclusive que o governador Geraldo Alckmin não tenha escolhido o campo do PSDB para fazer o seu projeto. Acho contraditória uma aliança com o PT, nós combatemos o PT a vida inteira, tanto ele quanto eu e muitos outros. Não porque não gostamos do Lula, o Lula é uma grande figura, um cara bacana para sentar e tomar uma cachaça. Eu tive uma ótima relação com ele durante oito anos, mas o PT faz muito mal ao Brasil. Nós temos de trabalhar para uma coisa diferente dos dois polos que estão aí hoje.

Moro pode ser o candidato da terceira via?
Qualquer cidadão pode disputar a Presidência da República. Eu não conheço bem o Sérgio Moro, acho até que há uma curiosidade no Brasil para saber o que ele pensa sobre economia, sobre relações internacionais do Brasil, questão ambiental, agronegócio, questões sociais. Eu acho que ele poderia prestar uma contribuição à transparência, que ele prega com muita força na sua campanha. Eu acho que ele é um candidato que o PSDB tem de estar dialogando também, até para que nós possamos conhecer um pouco melhor. Podia fazer um gesto, que seria acho que muito bem visto, pedir para que se torne pública todas aquelas gravações que foram feitas com os delegados, com os procuradores da República, muitas delas estão ainda em segredo, não foram divulgadas. São aquelas que o presidente Lula conseguiu com o ministro Lewandowski autorização para acessar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É uma entrevista tipo Piada do Ano. O deputado Aécio Neves, gravado legalmente pedindo propina num linguajar de baixo nível, repleto de palavrões, extorquindo claramente um empresário, agora se vê no direito de cobrar transparência ao juiz Moro, que foi gravado ilegalmente durante meses, sem que houvesse qualquer irregularidade sua. Se existisse uma mínima ilegalidade no proceder de Moro, ele seria crucificado em praça pública por Gilmar Mendes e a corja de políticos corruptos que Aécio integra. Certamente o neto de Tancredo Neves pensa (?) que os brasileiros não tem memória. “Oh, coitado!”, diria a atriz Gorete Milagres. Nós ainda não esquecemos, não. (C.N.)

Se não preservar a Amazônia, Brasil sofrerá boicotes e embargos, prevê agência Moody’s

A imagem do Brasil inclui hoje desmatamento e queimadas

Rosana Hessel
Correio Braziliense

O desmatamento no Brasil é um problema sério para o meio ambiente e também para as empresas brasileiras. O aumento da devastação das florestas deve afetar negativamente a reputação, inclusive, reduzindo a oferta de crédito e a receita dessas corporações, de acordo com relatório da Moody’s divulgado nesta quinta-feira (2/11).

“O desmatamento e os riscos relacionados ao clima podem, rapidamente, se tornarem significativos para a qualidade de crédito, se o escrutínio regulatório e da sociedade se intensificar”, disse Barbara Mattos, vice-presidente sênior da Moody’s, em nota da instituição financeira internacional.

BOICOTES E EMBARGOS – Embora nem sempre sejam imediatamente relevantes para a qualidade do crédito corporativo, “esses perigos incluem riscos reputacionais e redução de receita devido a boicotes e embargos”, de acordo com o documento.

“Diante do descomprometimento de governos e investidores com mais ações para acabar com o desmatamento, o escrutínio sobre os danos ambientais causados pelo ser humano provavelmente aumentará e pode resultar em riscos reputacionais”, adicionou.

A entidade reforçou que o desmatamento pode ter implicações significativas para as mudanças climáticas, e, por conta disso, destacou que líderes de mais de 100 países, incluindo o Brasil, se comprometeram a acabar com o desmatamento até 2030, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática de novembro de 2021 (COP26) em Glasgow, na Escócia.

PROIBIÇÃO DE EXPORTAÇÕES – A Moody’s lembrou que os governos de 28 países também se comprometeram a remover o desmatamento do comércio global de alimentos e outros produtos agrícolas, como óleo de palma, soja e cacau, e mais de 30 instituições financeiras comprometidas com a eliminação desmatamento impulsionado por commodities de seus investimentos e carteiras de empréstimos até 2025.

“Este anúncio, provavelmente, intensificará o escrutínio regulatório e político sobre o desmatamento, e pode resultar em proibições de exportações e riscos de reputação”, alertou.

De acordo com a agência Moody’s, “estudos mostram que o desmatamento na Amazônia já levou a uma queda significativa nas chuvas”.

SITUAÇÃO DA AMAZÔNIA – “O desmatamento no Brasil tem implicações significativas para o balanço global de CO2 na atmosfera. Enquanto a Amazônia tem sido uma importante sumidouro de carbono nas últimas décadas, estudos mostram que o aumento das temperaturas, secas e desmatamento cortam seu orçamento de carbono em cerca de um terço na última década. À medida que o desmatamento no Brasil continua, o mesmo acontece com as emissões da conversão de florestas em terras agrícolas”, destacou o relatório.

O documento acrescentou que, as secas e o estresse térmico aumentaram a extensão e a duração dos incêndios florestais, que também aumentaram aumento das emissões de carbono. 

“Mesmo com um dos setores de energia menos intensivos em carbono do mundo, com energia hidrelétrica compreendendo 80% de sua geração de energia, o contínuo desmatamento do Brasil impedirá o país de atingir sua meta no Acordo de Paris de um Redução de 37% nas emissões em relação aos níveis de 2005 até 2025”, complementou.

No relatório, a Moody’s destacou que a economia brasileira é umas dos maiores exportadoras de produtos agrícolas do mundo e muito dependente de commodities.

CASO DO BRASIL – “As florestas naturais e as plantadas cobrem 59% do território nacional. No ano passado, os setores agrícola e de proteína, cujo crescimento tem sido a causa principal do desmatamento do bioma da Amazônia e do Cerrado, nos últimos 20 anos, representaram 26,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e metade das exportações do país, informou a agência.

No mês passado, dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) revelaram que o desmatamento nos nove estados da Amazônia Legal aumentou 22% entre agosto de 2020 e julho de 2021, somando 13,2 mil km2, a maior devastação para o período desde 2006.

Esse número foi omitido pelas autoridades brasileiras na COP26, o que foi péssimo para a imagem do país no exterior, porque, além das pedaladas nas dívidas judiciais prevista com a PEC dos Precatórios, o governo está pedalando até os números de desmatamento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É uma viagem sem volta. Ou o Brasil preserva a Amazônia e passa a faturar bilhões de dólares em apoio financeiro ou créditos de carbono, ou se torna verdadeiramente um “pária diplomático”, mas o presidente Bolsonaro, infelizmente, não consegue entender a gravidade dessa situação. (C.N.)

Sérgio Moro também é um candidato com pés de barro, que tem muito a explicar

O ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro durante filiação do general da reserva Carlos Alberto Santos Cruz ao Podemos, em Brasília

Sérgio Moro não é mais aquele herói impecável que parecia ser

Malu Gaspar
O Globo

A intensa movimentação no cenário político nas últimas semanas sugere que a entrada de Sergio Moro (Podemos) na corrida presidencial tem potencial para alterar a correlação de forças na eleição. Mas o crescente interesse pela candidatura também o colocou bem cedo diante da pergunta que o acompanhará enquanto tiver alguma chance no pleito: de que forma Moro lidará com o Congresso, caso seja eleito?

Que tipo de negociação o ex-juiz da Lava-Jato pretende fazer com as lideranças de partidos que foram alvo da operação conduzida por ele?

CONVENCER ELEITORES – Como pretende convencer os eleitores de que, se eleito, terá mais sucesso do que quando era ministro da Justiça na aprovação de seus projetos? Qual a garantia de que a relação conflituosa entre o ex-juiz e a classe política não paralisará um eventual governo seu (e o país) por mais quatro anos?

Sempre que confrontado com essas questões, Moro recorre a declarações de livro-texto. Numa reunião com investidores da corretora XP, em São Paulo, afirmou que é um “homem do diálogo” e que considera possível negociar em torno de projetos. De acordo com ele, o absoluto fracasso de Jair Bolsonaro em ter uma relação livre do fisiologismo e do toma lá dá cá com o Parlamento é fruto da falta de liderança do presidente.

Também disse que, embora não vá abandonar o combate à corrupção, tem consciência de que o papel de um presidente da República é garantir a governabilidade.

PESSOAS BOAS – Numa entrevista à Bloomberg, falou que “há pessoas boas no Centrão” e que “dentro de cada partido tem bons indivíduos que podem somar com projeto e diálogo republicano”.

Não há dúvidas de que um governo republicano e democrático pressupõe uma relação de respeito entre Legislativo, Executivo e Judiciário, nem de que não há nada de intrinsecamente errado em fazer coalizões políticas — desde que sejam limpas — para governar.

Mas não deixa de ser irônico que um personagem que se fez popular combatendo o “sistema” agora tenha como uma de suas missões provar que poderá conviver harmonicamente com esse mesmo sistema em nome da governabilidade.

OUTRO MOMENTO – É verdade que o discurso antissistema perdeu o apelo e a credibilidade desde 2018. O momento histórico é outro. Bolsonaro, que se elegeu prometendo governar diretamente com o povo e dar uma banana ao “sistema”, foi fagocitado por ele e por seu orçamento secreto. Lula, por sua vez, conduziu seus governos do mensalão ao petrolão, e não consta que teria problemas em se relacionar com esse mesmo Congresso.

O próprio Moro se viu acuado pelo caso Vaza-Jato, aderiu ao governo Bolsonaro e perdeu a aura de herói impoluto.

Nessa troca de pele de juiz para político, Moro diz que venderá um “sonho” ao país e se propõe a ser diferente dos principais competidores. Como ele pretende fazer isso, não se sabe. O que ele diz no livro que acaba de lançar, “Sergio Moro contra o sistema da corrupção”, não ajuda a dissipar as dúvidas.

COMPROMISSO FAKE – Ao relatar sua experiência no governo, Moro diz que mais de uma vez acreditou que Bolsonaro cumpriria a promessa de punir Flávio e Fabrício Queiroz, se fosse preciso. Enumera situações em que o presidente deu provas de que o compromisso com o combate à corrupção era tão fake quanto algumas das notícias que espalhou na campanha eleitoral.

“Se não vai ajudar, não atrapalhe”, teria dito Bolsonaro quando Moro lhe pediu para ajudar a derrubar a liminar de Dias Toffoli que suspendeu todas as investigações do Coaf, incluindo as que flagraram a rachadinha de Flávio e Queiroz.

É o ex-juiz da Lava-Jato quem escreve: “Por uma questão pessoal, o presidente pedia a mim que ignorasse aquela séria ameaça ao sistema nacional de prevenção à lavagem de dinheiro”.

AGUENTOU HUMILHAÇÕES – Ainda assim, Moro ficou no governo, aguentando mais humilhações. Engoliu o abandono de Bolsonaro ao pacote anticrime, aceitou trocar um superintendente da Polícia Federal e só saiu quando o próprio presidente tornou sua permanência inviável.

Difícil acreditar que alguém que diz ter o couro grosso e está habituado a situações difíceis, como Moro, tenha realmente sido tão ingênuo com Bolsonaro como ele diz que foi. É ele mesmo quem admite que, enquanto pôde, ficou em silêncio. Hoje, diz que errou ao aceitar o convite de Bolsonaro. Não se pode saber o que mais o ex-ministro viu no governo que não contou, nem qual sua solução para lidar com o “sistema” sem confrontá-lo, como fez na Lava-Jato, ou se calar, como fez com Bolsonaro.

Mas é certo que, enquanto persistir a contradição entre o que Moro diz que fará e o que de fato fez no governo, ele continuará sendo um candidato a presidente com pés de barro.

Planalto manda exonerar mais uma servidora envolvida na extradição de Allan dos Santos

Moraes determina prisão e extradição do blogueiro Allan dos Santos -  Politica - Estado de Minas

Allan dos Santos, quando ainda achava (?) que era poderoso…

Natália Bosco
O Globo

A chefe da Assessoria Especial Internacional do Ministério da Justiça, Georgia Renata Sanchez Diogo, foi exonerada do posto. A informação foi divulgada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira. Georgia teve participação no processo de extradição do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos.

No início de novembro, a delegada da Polícia Federal Silvia Amélia Fonseca de Oliveira, então responsável pela Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), também perdeu o posto. Depois,  foi afastada a delegada Dominique de Castro Oliveira, que atuava na Interpol.

SUBSTITUIÇÃO – Georgia Diogo será substituída por Lauro de Castro Beltrão Filho, que atuava como conselheiro da Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. O Globo revelou no final de novembro que Georgia seria mais uma a perder função na pasta. Na ocasião, ela disse que, embora fosse deixar a chefia do departamento, seguiria trabalhando noutro posto da assessoria internacional.

Naquela ocasião, Georgia disse à reportagem que achava que sua saída do cargo não guardava relação com o caso Allan dos Santos. Ela não é a primeira envolvida no caso a ser exonerada.

No início de novembro, a delegada da Polícia Federal Silvia Amélia Fonseca de Oliveira, então responsável pela Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), também foi retirada do cargo, assim como a delegada Dominique de Castro Oliveira, recordista de produtividade da Interpol.

ALLAN DOS SANTOS – O blogueiro, dono do canal Terça Livre e apoiador de Bolsonaro, é alvo de dois inquéritos que investigam suposto esquema de divulgação de informações falsas. Ambas as ações tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

Um dos inquéritos apura ameaças a ministros do tribunal e disseminação de conteúdo falso na internet, as chamadas fake news. O outro investiga o financiamento de atos antidemocráticos.

Em outubro, o ministro do Supremo, Alexandre de Moraes, determinou a prisão preventiva do blogueiro além de ordenar, ao Ministério da Justiça, início imediato do processo de extradição.

DE FORMA TÉCNICA – Em uma entrevista ao lado do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça, Anderson Torres, disse que o processo de Allan dos Santos seria tratada de “uma forma técnica”.

O bolsonarista teria deixado o Brasil e entrado nos Estados Unidos em julho. A Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), porém, não atendeu aos pedidos de autoridades brasileiras para incluir bolsonaristas investigados pelo STF na lista internacional de procurados.

Segundo o jornal “Folha de S. Paulo”, a Interpol rejeitou o leito de adicionar o caminhoneiro Zé Trovão e ainda não respondeu se vai incluir Allan dos Santos na difusão vermelha, categoria usada pela instituição internacional para notificar as demais polícias sobre foragidos procurados. É comum que a inclusão na lista ocorra de maneira rápida, o que não aconteceu dessa vez.

COOPERAÇÃO MUNDIAL – A Interpol reúne representantes de cerca de 200 países e é uma organização internacional que facilita a cooperação policial mundial e o controle do crime.

A lista de difusão vermelha funciona como um alerta para que os aproximadamente 190 países-membros da instituição saibam que há mandados de prisão pendentes contra criminosos procurados em seus países de origem, permitindo que sejam presos e extraditados.

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NOTA DE REDAÇÃO DO BLOG
Antes de autorizar a extradição, a Interpol apura o caso, para verificar se há perseguição política, como alega o blogueiro Allan dos Santos, que se diz vítima, reproduzindo o que aconteceu com Lula ao ser processado, e com os filhos de Bolsonaro, ao serem investigados. Todos são “inocentes” e merecem canonização… (C.N.)

Moro vai passar Bolsonaro nas pesquisas até fevereiro, avaliam presidentes de partidos

À XP, Moro cita governo FHC como exemplo de relação com o Congresso |  Poder360

Sérgio Moro conduz sua campanha sem ataques nem ofensas

Deu no Painel da Folha

Os presidentes de alguns dos principais partidos do país atualizaram os diagnósticos eleitorais nas últimas semanas e avaliam que Sergio Moro (Podemos) tem grandes chances de ultrapassar Jair Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto dos próximos meses.

Os contrastes entre os movimentos dos dois têm chamado a atenção das lideranças: o ex-juiz cresce ao participar de eventos públicos e firmar-se como candidato, enquanto o presidente derrete em meio à crise econômica e social.

A CURTO PRAZO – Para essas lideranças, a troca de posições já tem prazo para acontecer: Moro estará à frente de Bolsonaro antes de fevereiro de 2022.

Eles dizem, em caráter reservado, que têm ouvido ponderações de parlamentares bolsonaristas em relação ao que fazer caso o cenário se confirme, ou seja, se pulam do barco ou seguem com o presidente até o fim.

Bolsonaro tem dado sinais claros de que se vê afetado pelo crescimento de Moro. No ato de filiação ao PL, Flávio Bolsonaro (RJ) se referiu a ele como “traidor”. Nesta quinta-feira (dia 2), o presidente chamou Moro de “palhaço” e “sem caráter”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Planalto tem seu próprio Instituto de Pesquisa, que funciona acoplado ao Gabinete do Ódio, no terceiro andar do Planalto, sob comando de Carluxo Bolsonaro e do assessor presidencial Tércio Arnaud. As indicações mais recentes assustaram Bolsonaro, que bateu pesado na live desta quinta-feira, soltando desesperadas fake news contra a honra do ex-juiz e ex-ministro da Justiça. E como Moro não responde, esses ataques de Bolsonaro acabam caindo no vazio. A estratégia de Bolsonaro está errada, devia se preocupar em divulgar os feitos administrativos de seu governo, que até existem, mas ele não sabe como faturar. (C.N.)

Há bandeiras abandonadas por Bolsonaro que Moro agora pode recuperar e valorizá-las

Recursos dos Precatórios do FUNDEF começam cair nas prefeituras da região |  60 Graus

Charge do Nani (nanihumor.com)

Merval Pereira
O Globo

Não há mais a menor dúvida de que o surgimento de Sergio Moro como pré-candidato à Presidência da República pelo Podemos provocou, no mínimo, um toque de alerta nos até agora favoritos, o ex-presidente Lula e o presidente Bolsonaro. Os dois se preparam para lutar entre si, cada um achando que o outro é o adversário mais fácil de ser derrotado.

Basta ver que tanto petistas quanto bolsonaristas escolheram Moro como alvo principal da campanha que finge não ter começado ainda, mas está a pleno vapor, comendo etapas num processo acelerado. O PT começou um movimento para garantir a eleição de Lula no primeiro turno, igualando Moro a Bolsonaro, e aí mora o perigo.

HERÓI BRASILEIRO – Moro virou herói de milhões de brasileiros ao lutar contra a corrupção institucionalizada, enfrentando os poderosos da época, leia-se Lula e o PT. Para esses, Moro como juiz construiu sua reputação e realizou sua grande obra, a Operação Lava-Jato.

Com a publicação de seu livro e as várias entrevistas que tem dado, Moro já se mostrou disposto a encarar o grande desafio de enfrentar a campanha de desmoralização que foi armada contra ele, “com Supremo, com tudo”, como pregava o ex-líder de todos os governos Romero Jucá.

Como mostram também as pesquisas de opinião, há um grande contingente de eleitores que não compraram a narrativa de que houve injustiça contra o ex-presidente Lula e de que o então juiz Moro foi parcial nos julgamentos. A campanha se encarregará de relembrar os acontecimentos. Caberá a ele confirmar a fidelidade desses que empolgou como juiz e agora busca cativar como candidato.

NICHO DE VOTOS – Há uma grande variedade, entretanto, nesse nicho em que Moro terá de buscar votos. Há os que estão desenganados pela atuação de Bolsonaro, que recuou em todos os compromissos assumidos de combate à corrupção; há os que votaram contra o PT, e não a favor de Bolsonaro, e hoje estão abertos a uma alternativa que veste bem em Moro.

Há também as viúvas do PSDB original, sem alternativa a esta altura, que levam em consideração até mesmo votar em Lula contra Bolsonaro; e há os que gostariam de ver em Moro um Bolsonaro 2.0, a versão original do justiceiro que elegeram em 2018 e depois se entregou ao Centrão.

Há ainda eleitores que sempre votaram no PSDB porque não havia alternativa eleitoralmente viável mais à direita, liberal-conservadora, e preferem votar em Bolsonaro a apoiar um candidato simpático a ideias que consideram de esquerda, como as políticas identitárias. Mas nunca confiaram realmente nos tucanos como adversários do petismo e, como o ministro Paulo Guedes diz, os consideram sociais-democratas da mesma linhagem dos petistas.

MESMA CORAGEM? – “Será que, como político, veremos a mesma coragem e coerência do juiz?”, perguntam-se alguns. Muitos não veem em Moro a capacidade política de enfrentar em vantagem Lula e o PT, ficam em dúvida ao constatar o que classificam de “timidez” diante daqueles que, no Supremo e na Procuradoria-Geral da República, trabalharam para desfazer sua obra e conspurcar sua biografia.

Para esse grupo, se o candidato Moro espera efetivamente conquistar um espaço político na centro-direita capaz de lhe alçar ao segundo turno, terá de demonstrar, com ênfase, sua indignação contra os que envergonharam a Justiça brasileira.

BANDEIRAS À DISPOSIÇÃO – As manifestações do 7 de Setembro, que acobertaram uma clara tentativa de golpe autoritário contra o Supremo, que se contrapunha à distribuição em massa de fake news e aos avanços de grupos autoritários sobre a democracia instigados por Bolsonaro, tinham como bandeiras principais, na definição desse nicho direitista, a defesa da liberdade de expressão e críticas a ações que consideravam eticamente vexaminosas e autoritárias do Supremo.

Se o candidato Moro se dispuser a vestir a fantasia de Bolsonaro 2.0, poderá tirar eleitores do presidente, mas pode também se confundir com os extremistas.

Para avançar no campo da centro-direita, terá de se contrapor ao Bolsonaro de 2022 e reafirmar compromissos que foram abandonados por ele em 2018. Terá de trilhar esse caminho delicado com o cuidado de um equilibrista. Coisa de quem tira a meia sem tirar o sapato, como se diz de políticos hábeis.

A Bíblia e a Constituição: O difícil é descobrir e interpretar a essência dos textos

Mendonça equilibrou-se entre os cristais durante sabatina

Pedro do Coutto

Ao ter o seu nome aprovado ontem pelo Senado para o Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça destacou a sua posição de evangélico, mas frisou que em sua visão, aliás, visão universal, o Estado é laico e por isso a sua atuação vai se reger por esse princípio fundamental.

Mas André Mendonça destacou a frase “na vida, a Bíblia, no Supremo, a Constituição”. São pontos básicos de um tipo de comportamento humano contra o qual não se pode dizer nada, mas o difícil não é seguir a Bíblia ou seguir o que está escrito na Constituição.

NECESSIDADE DO DEBATE – O essencial e eterno é a capacidade de interpretar os pontos do que está escrito e decidir, considerando o ângulo da diversidade das situações humanas. Pois se fosse apenas para seguir o que está redigido na Constituição Federal não haveria necessidade de um debate profundo sobre as questões contidas de forma menos aparente na Carta Magna.

Não só no Brasil, mas nos Estados Unidos também e nos demais países democráticos. André Mendonça recebeu votos da oposição, inclusive o PT abriu a questão. O comando petista provavelmente considerou melhor não criar problemas para a nomeação de Jair Bolsonaro do que partir para um lance de atrito que tanto poderia não mudar o resultado, quanto redundar numa outra indicação menos flexível do que a de André Mendonça. A respeito deste tema, lembro uma frase curiosa de Benedito Valadares, do PSB, mineiro,porém não muito próximo de Tancredo Neves.

Tancredo, em 1960, perdeu o governo de Minas para Magalhães Pinto: Benedito Valadares deixou escapar “é melhor um adversário cordial do que um correligionário hostil”. O PT de Lula da Silva deve ter, se não conhece a frase, agir no que identificou ser uma essência importante para o seu comportamento. Se está certo ou errado é outra coisa, mas o que aconteceu foi isso.

INTERPRETAÇÃO DINÂMICA – Mas falei em interpretação e identifiquei a essência dos textos e das situações humanas. A Constituição Federal diz expressamente que os salários são irredutíveis. Porém, uma forma de reduzi-los é reajustá-los em índices inferiores ao da inflação. Portanto, a interpretação constitucional tem que ser dinâmica, pois caso contrário estará confundindo valores nominais com valores reais. Este é um exemplo. Como num rio transcorre uma sequência interminável de outros.

O ministro André Mendonça é muito mais político do que se pensava. Na sabatina ele sinalizou pontos sensíveis que marcam o comportamento das diversas correntes partidárias. Escapou de uma definição mais incisiva sobre do período que sucedeu o Ato Institucional número 5.

CPI DA PANDEMIA – Ao mesmo tempo, manifestou-se favorável ao resultado da CPI presidida pelo senador Omar Aziz. Fez ressalvas à criminalização da política, assumindo posição à favor da independência dos poderes. Essa colocação agradou aos parlamentares que são acusados pelo STF.

Enfim, equilibrou-se entre os cristais. Saiu-se bem, levou a sua família para a sabatina, o que não é usual, visando com isso sensibilizar parlamentares que estivessem pendentes a se manifestar contra o seu nome.

Jair Bolsonaro é o maior responsável pelo Brasil mergulhar novamente na recessão

Jair Bolsonaro Sobrevoa Avenida Paulista em São Paulo

No 7 de Setembro, expectativa do golpe derrubou a economia

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro é o maior responsável pelo fato de o Brasil mergulhar novamente na recessão. A queda de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre do ano, depois de retração de 0,4% nos três meses imediatamente anteriores, foi sacramentada pelos movimentos golpistas do presidente no Sete de Setembro.

Desde que começou a propagar a possibilidade de um golpe, convocando aliados para tomar as ruas e incentivando ataques ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro alimentou uma onda de incerteza que fez o dólar disparar, as empresas botarem o pé no freio dos investimentos e os consumidores frearem as compras.

RESULTADOS DANOSOS – Está tudo amarrado. Ao criar um clima de instabilidade institucional, o presidente levou o dólar para próximo de R$ 5,50. Nesse patamar, os custos das empresas dispararam e o jeito foi repassar parte desses aumentos para os consumidores. O resultado foi uma inflação surpreendente, que corroeu ainda mais a renda dos brasileiros, já afetados pelo desemprego elevado.

CRESCIMENTO ZERO – O presidente criou esse ambiente hostil e  não há como se falar em crescimento econômico. Os agentes que poderiam estimular a atividade olham para o horizonte e não veem segurança e confiança. Nem para investir, nem para consumir.

O pior é que não há perspectivas de melhoras tão cedo. Por causa da inflação alta, de mais de 10%, o Banco Central foi obrigado a pesar a mão sobre os juros.

De 2%, no início do ano, a taxa básica de juros deve encerrar 2021 acima de 9%. Em nenhum lugar do mundo se viu um aperto monetário tão forte em tão curto espaço de tempo. Como se sabe, o impacto da política monetária na economia varia de seis a nove meses. Portanto, o efeito do aperto na atividade ainda nem começou. .

E A PANDEMIA? – É importante ressaltar, ainda, que a pandemia está longe de acabar, dado o surgimento da variante ômicron. Isso, por si só, deixa o ambiente econômico mais turvo, apesar do avanço da vacinação no país. A economia global vai desacelerar. E isso afetará o Brasil, que já está em recessão técnica.

Seria de bom tom Jair Bolsonaro dar uma contribuição ao seu ministro da Economia, Paulo Guedes, que insiste no discurso de recuperação em V da atividade econômica.

Se continuar jogando contra, insuflando um ambiente de incertezas, o presidente vai confirmar o que muitos economistas já veem como probabilidade alta: uma queda do PIB em 2022, ano de eleições.

Quando o amor fala mais alto, o resto é silêncio, dizia J. G. de Araújo Jorge

TRIBUNA DA INTERNET | O poeta J. G. de Araújo Jorge trazia o coração nu, em  plena ruaPaulo Peres

Poemas & Canções

O advogado, político e poeta acreano José Guilherme de Araujo Jorge (1914-1987) ou, simplesmente, J. G. de Araújo Jorge, foi conhecido como o Poeta do Povo e da Mocidade, pela sua mensagem social e política e por sua obra romântica, como no poema “O Resto é Silêncio”, no qual  J.G. de Araújo Jorge mostra que, quando dois amantes estão um no outro, como se estivessem sozinhos, o resto é silêncio.

O RESTO É SILÊNCIO
J.G. de Araújo Jorge

 

E então ficamos os dois em silêncio, tão quietos
como dois pássaros na sombra, recolhidos
ao mesmo ninho,
como dois caminhos na noite, dois caminhos
que se juntam
num mesmo caminho…

Já não ouso… já não coras…
E o silêncio é tão nosso, e a quietude tamanha
que qualquer palavra bateria estranha
como um viajante, altas horas…

Nada há mais a dizer, depois que as próprias mãos
silenciaram seus carinhos…
Estamos um no outro
como se estivéssemos sozinhos.

Bolsonaro quer reviver a fórmula vitoriosa de 2018, mas a realidade hoje é bem diversa

Bolsonaro se filia ao PL em evento em Brasília - Notícias - R7 Brasília

Jair Bolsonaro esqueceu do “dize-me com quem andas”…

Bruno Boghossian
Folha

Jair Bolsonaro alugou um carro de som turbinado para sua campanha à reeleição. No discurso de filiação ao PL, o presidente mostrou que pretende usar a verba do partido, o espaço na TV e os palanques nos estados para repetir a fórmula infame que explorou na disputa de 2018.

Em 2018, aquele deputado do baixo clero não escondia sua agenda. Candidato por uma sigla nanica, Bolsonaro citava planos para reduzir a proteção ambiental, prometia uma abordagem ultraconservadora na educação e agitava o fantasma do socialismo para amedrontar eleitores. Agora, ele quer uma máquina partidária maior para repetir a dose.

PROTEÇÃO DEMAIS – Ao lado do anfitrião Valdemar Costa Neto, o presidente pediu apoio da plateia do centrão para que o Congresso revogue decretos ambientais e facilite a abertura de resorts em áreas preservadas de Angra dos Reis (RJ). Reclamou das leis brasileiras e disse que elas protegem “de forma excessiva” a região amazônica.

O presidente também levou ao palanque montado pelo PL suas flâmulas de ultradireita. Citou o lema integralista “Deus, pátria e família”, falou em indicar ministros para o STF com “o perfil mais para o lado de cá” e mencionou uma aliança antiesquerdista com seus novos parceiros. “Nós tiramos o Brasil da esquerda. Nós todos tiramos”, disse.

CENTRÃO REINA – O centrão nunca deu bola para essa conversa, tanto que o bloco apoiou com gosto Lula e Dilma Rousseff. No próprio evento de filiação de Bolsonaro, o presidente do PL ignorou a agenda bolsonarista típica. Valdemar afirmou que a sigla apoiava bandeiras como o Auxílio Brasil, o marco do saneamento, o 5G e investimentos em infraestrutura.

Os movimentos desses veteranos da política se pautam por outros valores. Em setembro, Bolsonaro criou encrenca com o presidente do Banco do Nordeste, apadrinhado pelo PL. O motivo era um contrato da instituição com uma entidade ligada a petistas.

Valdemar apoiou a troca do dirigente – não porque estivesse contaminado pelo antipetismo, mas porque tinha interesses no negócio.

“Ciro foi o único que nos chamou para conversar”, diz Heloísa Helena, porta-voz da Rede

A preocupação de Heloisa Helena é sobrevivência da Rede

Thays Martins
Correio Braziliense

Ainda sem apresentar um nome para concorrer à Presidência da República, a Rede Sustentabilidade pretende reorganizar o seu programa e então tomar uma decisão sobre sua posição nas eleições do ano que vem. Por enquanto, o partido está focado em conseguir candidatura fortes o suficiente para ultrapassar a cláusula de barreira, dispositivo que impede a atuação parlamentar de um partido que não consegue alcançar um determinado percentual de votos.

Foi o que destacou a ex-senadora e porta-voz nacional da Rede, Heloísa Helena, em entrevista a jornalista Ana Maria Campos no Correio Braziliense nesta quinta-feira (2/12).

CANDIDATURAS – “Eu entendo que todas as pessoas da Rede que puderem ser candidatas têm que apresentar o nome para candidaturas de deputados federais”, destacou, citando o próprio nome e o da ex-senadora Marina Silva, porque é preciso eleger um número mínimo de parlamentares para o partido continuar existindo.

Em relação a Presidência, Heloísa Helena destaca que a candidatura que mais dialoga com o partido, por enquanto, é a do ex-ministro Ciro Gomes (PDT).

“Ele tem conversado conosco, mas não tem nada decidido. Foi a única candidatura que nos chamou para conversar e a única que apresentou propostas concretas e objetivas sobre questões econômicas”, destacou.

SOLDADO SEM HONRA – “Estamos debatendo diante desses escombros de lutos, lágrimas, sofrimento e desemprego no Brasil. Como vai ficar a situação, a gente vive hoje uma situação dramática. Temos hoje na Presidência da República alguém que se comporta como um soldado covarde e sem honra que deixa feridos para trás. Então, a gente está atualizando nosso programa para, com base nele, fazer escolhas”, disse a ex-senadora.

Questionada sobre um eventual apoio à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Heloísa Helena se esquiva. “Para a gente, falar de nomes é difícil. Para nós, o essencial é atualizarmos o programa e identificarmos se vamos precisar ter candidatura própria”, afirmou.

A ex-senadora também criticou a ideia de que seria preciso um nome de terceira via para derrotar o presidente Jair Bolsonaro e Lula.

ALGO MEIO FLUÍDO – “Ideologicamente, como eu me reivindico de esquerda, eu tenho pavor desse nome terceira via, porque é como se fosse algo meio fluído. É muita presunção nossa achar que o mundo se divide em torno de dois espaços. É resumir muito a vida, especialmente em um país como o Brasil, com imensas diferenças”, afirmou. “A gente entende que tem espaço para os debates nacionais”, completou.

No âmbito estadual, Heloísa Helena disse que a ideia da sigla é lançar somente duas candidaturas. A do senador Randolfe Rodrigues, no Amapá, e a do ex-prefeito da Serra, Audifax Barcelos, no Espírito Santo. No entanto, Heloísa não descartou uma eventual candidatura do deputado distrital Leandro Grass ao governo do Distrito Federal, apesar de deixar claro que o desejo do partido é que ele saia como candidato a uma vaga na Câmara.

“Esse é um debate que vai ser feito na Rede DF e nacional. Estamos fazendo um esforço grande para que o DF entregue um deputado ou deputada para a Rede superar a cláusula de barreira”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Tenho respeito pela Rede, um partido pequeno, porém respeitável. Espero que consiga superar a cláusula de barreira, nas próximas eleições. Caso contrário, terá de se fundir a outro partido, de preferência Cidadania, PSB ou PDT, o que não deixa de ser interessante. (C.N.)

Ciro diz que Lula orienta PT a aprovar pautas que mantenham viva a candidatura Bolsonaro

Ciro Gomes diz que, se Moro tentar prendê-lo, receberá 'turma' do juiz 'na bala' - Jornal O Globo

Esta análise de Ciro Gomes sobre Lula está corretíssima

Deu no Painel da Folha

Ciro Gomes (CE), presidenciável do PDT, diz que Lula tem orientado os parlamentares do PT a apoiar pautas do governo federal no Congresso para manter a candidatura de Jair Bolsonaro viva, já que ele seria adversário propício a ser enfrentado em um eventual segundo turno em 2022.

O comentário do pedetista se dá após a bancada do PT no Senado ter votado a favor da aprovação da PEC dos Precatórios nesta quinta-feira (2), que possibilitará recursos financeiros ao Auxílio Brasil de R$ 400,00.

DISSE CIRO – “Lula determinou que o PT desse força para a candidatura moribunda do Bolsonaro se manter acesa”, afirmou Ciro Gomes ao Painel da Folha.

“Sabotou o impeachment, deu voto decisivo para o absurdo orçamento secreto e agora deu mais de R$ 20 bilhões para o mesmo orçamento secreto através da aprovação da PEC do Calote. Isso sem falar na campanha que fizeram para aprovar o nome do indicado de Bolsonaro para o Supremo Tribunal Federal”, completou.

Ciro afirma que, a pretexto de escolher um concorrente supostamente frágil, o Partido dos Trabalhadores quer destruir a nação. “Eis o PT de Lula: O mesmo ‘quanto pior, melhor” dos velhos tempos’, conclui.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Uma disputa muito exótica, porque Ciro Gomes tem razão. Na verdade, Lula e Bolsonaro fazem o possível e o impossível para evitar uma terceira candidatura. Ambos já sabem que só podem vencer nessas condições. Acreditam que qualquer outro candidato que passar para o segundo turno acabará ganhando, porque herdará os votos de Lula ou de Bolsonaro. É justamente por isso que Lula ainda não se diz candidato e vai enrolando, enrolando, até ver qual é realmente a perspectiva das eleições de 2002. O petista não quer encerrar sua carreira com uma derrota. (C.N.)

Não é só um problema moral, o debate sobre combate à corrupção qualifica as eleições

Ao contrário do que se esperava, em 2019 o Planalto não apoiou combate à  corrupção - Flávio Chaves

Charge do Ivan Cabral (Arquivo Google)

Carlos Pereira
Estado

Alguns têm argumentado que a entrada de Sérgio Moro na corrida presidencial traria novamente o tema do combate à corrupção para o centro do debate público, o que supostamente seria contraproducente, diante de problemas mais urgentes a serem enfrentados pelo Brasil, como desenvolvimento econômico, inflação e inclusão social.

É como se o combate à corrupção fosse eminentemente um problema moral e não houvesse correlação entre os resultados de políticas econômicas e sociais e comportamentos predatórios de governantes.

CONTROLES RIGOROSOS – Entretanto, como mostro no quarto capítulo do livro “Making Brazil Work: Checking the President in a Multiparty System”, os governos que vivem em ambientes politicamente competitivos, sob fortes restrições de organizações de controle robustas e independentes, apresentam melhor desempenho econômico e social do que governos não controlados.

Essa pesquisa analisou o impacto da robustez institucional das organizações de controle (tais como governança das agências reguladoras, atuação dos tribunais de contas, eficiência e independência do Judiciário e do Ministério Público, controle dos meios de comunicação pelos políticos etc.).

Foi estudada também a competição política em um conjunto de dimensões que mensuram o desempenho das políticas públicas nos Estados, como por exemplo, déficit primário, gasto com servidores públicos, eficiência do gasto público e até a variação da riqueza dos políticos.

CONCLUSÃO ÓBVIA – Os resultados indicam que competição política só é virtuosa quando as organizações de controle são robustas e independentes.

Fica claro que a qualidade institucional das organizações de combate à corrupção restringeria efetivamente a propensão histórica de governantes brasileiros, que tendem a incorrer em déficit primário e aumentar os gastos com servidores, especialmente por meio de novas contratações em anos eleitorais.

Os resultados também mostram que, diante de organizações de controle fortes e independentes, a eficiência do gasto público melhora substancialmente, além de haver um menor crescimento da riqueza dos políticos.

IMPACTO VIRTUOSO – Ou seja, freios e contrapesos robustos geram um impacto virtuoso no comportamento de governantes. Tanto a oferta de bens públicos aumenta, como também há uma diminuição de bens privados e de corrupção.

Portanto, o debate sobre combate à corrupção decorrente do fortalecimento das organizações de controle é ancilar aos demais temas considerados prioritários e deveria ser privilegiado por qualquer candidato que pretenda disputar a Presidência em 2022.

Delegada que pediu extradição de Allan dos Santos foi afastada da Interpol pela direção da PF

Aos colegas, delegada responsável por extradição de Allan dos Santos disse estar 'incrédula' com ordem da PF para abandonar posto na Interpol

Delegada quer saber por que está sendo afastada da Interpol

Rayssa Motta e Fausto Macedo

A ordem para retornar ao trabalho na superintendência da Polícia Federal em Brasília pegou a delegada Dominique de Castro Oliveira de surpresa. Em mensagem enviada aos colegas nesta quarta-feira, 1º, ela disse que o sentimento é de incredulidade. “Há a forte sensação de revolta e de estar sendo injustiçada”, escreveu.

Há 16 meses, Dominique atuava na Interpol. Ela foi a responsável pela ordem de prisão do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, que foi colocado na lista de difusão vermelha da organização – sistema de alerta para captura de foragidos internacionais.

CUMPRIU O DEVER – Na prática, a delegada apenas recebeu o mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal, reviu a documentação relacionada, produziu a minuta e encaminhou o pedido para publicação.

“Supostamente eu fiz algum comentário que contrariou. Qual foi, quando, para quem, em que contexto e ambiente, não sei. A chefia também disse que não sabe, cumpriu uma ordem que recebeu”, diz outro trecho da mensagem encaminhada a outros  delegados.

Dominique é reconhecida pelos colegas pela produtividade. Na Interpol, ajudou a capturar foragidos internacionais da máfia ‘Ndrangheta. O trabalho na organização de polícia internacional não tinha prazo determinado para acabar.

SEM JUSTIFICATIVA – Em nota, a Polícia Federal negou que o remanejamento da delegada tenha relação com o processo de extradição de Allan dos Santos, mas não explicou o motivo da troca. O Estadão apurou que a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) analisa se há medidas cabíveis no caso.

No mês passado, o comando da corporação também exonerou a chefe da Diretoria de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça (DRCI), a delegada Silvia Amelia, que assinou o pedido de extradição.

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SENSAÇÃO DE REVOLTA PELA INJUSTIÇA

Acabo de ser comunicada de que a direção determinou minha saída da INTERPOL e apresentação na SR/DF. Supostamente eu fiz algum comentário que contrariou. Qual foi, quando, para quem, em que contexto e ambiente, não sei. A chefia também disse que não sabe, cumpriu uma ordem que recebeu.

Naturalmente, o sentimento que me invade neste momento não é o melhor. Além da incredulidade, há a forte sensação de revolta e de estar sendo injustiçada, inclusive por não ter nenhuma função de confiança na INTERPOL, nem mesmo a substituição da chefia. Porém, ao comentar minha “expulsão” da INTERPOL com um colega muito admirado, ele me devolveu a seguinte pergunta: “O que você fez de certo?”

ALTA PRODUTIVIDADE – Nos 16 meses em que trabalhei na INTERPOL fui a delegada que mais produziu, sendo que em alguns meses produzi mais que todos os demais delegados, juntos.

No recorde de prisões de foragidos internacionais que batemos esse ano, 9 de cada 10 representações foram elaboradas por mim. Pela minha atuação no Projeto I-CAN (International Cooperation Against ‘Ndrangheta) recebi elogios do Ministério da Justiça italiano e da Secretaria-Geral da INTERPOL, em Lyon.

Mesmo com a trágica morte de meu companheiro Victor Spinelli, em maio passado, não peguei um único dia de licença médica e apenas 15 dias após sua morte trabalhei duro, entre lágrimas, para prender o número 01 dos foragidos internacionais da ‘Ndranghet’ no mundo.

FIZ O QUE É CERTO – Isso sem falar das relações pessoais e institucionais sólidas que criei: com os adidos estrangeiros, com o STF e PGR, com as representações regionais e com os analistas do “salão”. Nunca uma pergunta ficou sem resposta ou uma demanda deixou de ser atendida por mim.

Eu tenho uma história de mais de 18 anos de atuação na Polícia Federal como Delegada de Polícia Federal, a grande maior parte na atividade-fim, como investigadora, chefe de equipe, coordenadora de operações e, principalmente, líder. Coisas que só podem ser valorizadas e respeitadas por quem sabe discernir e já fez o que é certo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Quem afasta e remaneja delegado na Interpol é o diretor-geral da PF, Paulo Maiurino, aquele que foi nomeado por Bolsonaro após a demissão do ministro Sérgio Moro, aquele que não admitia interferências na corporação. Na Polícia Federal, segundo a jornalista Naíra Trindade, esse Maiurino é conhecido como o “Delegado Maçaneta”, porque não fez carreira investigando crimes e arriscando a vida, mas como “assessor” de diretores, abrindo portas para eles passarem. O apelido diz tudo neste caso. (C.N.)

Senado aprova PEC dos Precatórios, que viabiliza Auxílio Brasil, e o texto volta à Câmara

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: Judas vende

Charge do Ivan Cabral (Arquivo Google)

Marcela Mattos
G1 — Brasília

O Senado aprovou nesta quinta-feira (2) a proposta de emenda à Constituição conhecida como PEC dos Precatórios, principal aposta do governo para bancar o programa social Auxílio Brasil. A expectativa do governo é que o projeto deve abrir espaço superior a R$ 106 bilhões no orçamento. É uma parte desses recursos que será usada para bancar o Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família.

O texto já havia sido aprovado pela Câmara. Entretanto, como sofreu alterações na tramitação pelo Senado, a PEC voltará a ser analisada pelos deputados.

DÍVIDAS JUDICIAIS – Precatórios são dívidas da União reconhecidas pela Justiça. A PEC limita o pagamento anual dessas dívidas, ou seja, permite ao governo reduzir o valor que terá que desembolsar nos próximos anos para cumprir essas decisões judiciais.

O dinheiro que deixará de ser usado para pagar precatórios, portanto, será usado pelo governo para financiar o pagamento do Auxílio Brasil.

Outra mudança feita pela PEC é no período para o cálculo de inflação a ser considerada para o reajuste do teto de gastos, regra que limita o crescimento das despesas do governo. Com a mudança, será maior o índice de inflação a ser considerado para o reajuste do teto em 2022. Isso também permite ampliar o limite de gasto do governo no ano que vem.

OPÇÃO MENOS RUIM – No mesmo dia da aprovação na CCJ, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a PEC dos Precatórios é a opção “menos ruim” para o Brasil no momento.

Também na terça-feira, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, declarou que a solução encontrada pelo governo para bancar o Auxílio Brasil cobrou um preço “muito grande” em termos de credibilidade.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os parlamentares que aprovaram essa proposta não levaram em conta que os precatórios a serem pagos em 2022 tornaram-se dívida pública em 30 de junho deste ano. Isso significa que têm direito adquirido de receberem em 2022, na ordem cronológica de inscrição do precatório. Seus titulares, é claro, devem recorrer à Justiça, porque, em busca de votos, o governo está fazendo caridade com o dinheiro alheio. É exatamente isso que está acontecendo. E quem vai pagar é o próximo governo, com juros e correção monetária. Vamos aguardar o grande número de ADINs (Ações Diretas de Inconstitucionalidade. (C.N.)

O que está por trás da inflação e da desaceleração do crescimento do país desafia os candidatos

TRIBUNA DA INTERNET | Piada do Ano! Guedes, o otimista, diz que inflação cairá para 7% no acumulado até o fim do ano

Charge do Cazo (Arquivo Google)

Vandré Kramer
Gazeta do Povo

As expectativas em relação à inflação, à taxa de juros e ao crescimento da economia brasileira, tanto em 2021 quanto em 2022, estão se deteriorando há várias semanas. O problema não está só nas previsões: os números mais recentes indicam que a economia está mesmo em desaceleração. Pelo menos cinco choques – alguns com origem externa e outros próprios do Brasil – explicam esse movimento.

As projeções para a inflação neste ano estão em alta há 33 semanas, segundo levantamento do Banco Central. O ponto médio (mediana) das expectativas das instituições financeiras está em 10,12% – o que significaria uma leve melhora em relação ao IPCA acumulado em 12 meses até outubro (10,67%). Para o ano que vem, cuja projeção sobe há 18 semanas, a sinalização mais recente é de uma alta de 4,96% nos preços.

CRISE INDUSTRIAL – Para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2021, cujas projeções caem há seis semanas, a mediana aponta para alta de 4,8%. Para 2022, o mercado espera crescimento de apenas 0,7%, após sete semanas de rebaixamentos.

Os últimos dados do desempenho do PIB não foram os mais animadores: no segundo trimestre, o indicador recuou 0,1%. E o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), construído a partir de dados de diferentes setores, encolheu 0,14% no terceiro trimestre.

A desaceleração, segundo a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia, se deve à retração da indústria – prejudicada principalmente pela falta de matérias-primas e componentes – e do comércio e da estabilização da produção agropecuária, ao passo que os serviços ainda crescem.

PREVISÕES DÍSPARES – O governo federal busca se afastar dos prognósticos mais pessimistas, mas também andou ajustando suas projeções e agora espera um pouco mais de inflação e um pouco menos de crescimento. Ainda assim, o cenário desenhado pela equipe econômica continua mais favorável que o do mercado financeiro.

Os cinco choques que explicam o avanço dos preços e a piora da atividade econômica e da percepção de empresas, consumidores e investidores são os seguintes, segundo o economista Samuel Pessôa, sócio e diretor do Julius Baer Family Office (JBFO):

O aumento nas commodities; as pressões fiscais; o descompasso entre oferta e demanda de bens; a desorganização do setor de serviços; e o baixo nível dos reservatórios e o alto preço da energia.

AUMENTO NAS COMMODITIES – Um fenômeno que surgiu antes da crise da pandemia e que se acentuou com ela foi o aumento no preço das commodities. As raízes estão na recomposição do rebanho suíno na China, que enfrenta casos de peste suína africana desde 2018.  E, essa mudança veio com uma transformação: granjas altamente industrializadas ocuparam o espaço de uma produção mais simples, demandando mais milho e soja.

Dados da Secretaria do Comércio Exterior (Secex) mostram que entre janeiro e outubro, a segunda maior economia mundial comprou US$ 25 bilhões em soja brasileira, 22% mais que no mesmo período do ano passado.

Outra commodity que teve forte expansão foi o minério de ferro. O material é demandado principalmente pelas siderúrgicas chinesas, que produzem aço para a indústria da construção. Nos dez primeiros meses do ano, o país asiático importou US$ 25,6 bilhões em minério de ferro, 77% mais do que no mesmo intervalo de 2020.

FERRO E PETRÓLEO – Mas, nos últimos tempos, a crise no mercado imobiliário e a reorientação da política econômica chinesa fizeram com que o preço do ferro posto na China tivesse uma queda de quase 20% em 12 meses, de acordo com o jornal britânico Financial Times (FT).

Mas um dos maiores impactos e que até agora está sendo sentido é no preço do petróleo. O desarranjo entre oferta e demanda mundial causou uma alta de 111% em dólar nos últimos 12 meses no barril do tipo Brent, segundo o FT.

A alta do petróleo levou a sucessivos reajustes dos preços dos combustíveis no Brasil. A gasolina ficou 43% mais cara em um ano, segundo os dados mais recentes do IBGE, de outubro. O diesel subiu 41%. E o gás de cozinha, 38%.

COTAÇÃO DO REAL – O mecanismo que assegurava a valorização das moedas locais dos países emergentes frente ao dólar durante o ciclo de alta nas commodities, como ocorreu na primeira década do século, não funcionou desta vez.

 Do início do ano até o fim de outubro, o real perdeu quase 7% do seu valor frente à moeda norte-americana. O esperado seria que o real se valorizasse, dada a entrada de dólares no país provocada pelas exportações.

Com isso, a população ficou só com a parte ruim da alta das matérias-primas – a inflação. “O aumento das commodities acabou sendo repassado ao bolso do consumidor”, diz Samuel Pessôa.

PRESSÃO FISCAL – O principal motivo, segundo o economista, foi a forte pressão fiscal que a maioria dos países teve para atender às necessidades geradas pela pandemia. No caso do Brasil, ela chegou a 10% do PIB.

Pessôa diz que a desvalorização do real também foi acentuada por ameaças ao equilíbrio das contas públicas, como a questão dos precatórios, o teto dos gastos e as discussões sobre o Orçamento de 2022. “Sabia-se da necessidade de um extrateto, mas não se imaginava um ataque ao teto de gastos como o que ocorreu.”

O economista, entretanto, acredita que alguma correção de rumo deva ocorrer nas próximas semanas, já que a sociedade não admite mais a inflação como forma para driblar o conflito distributivo existente no Brasil. “A PEC dos precatórios ‘feriu’ o pagamento das dívidas de pequeno valor e mexeu nos parâmetros do teto de gastos, de forma casuística.”

Este cenáriodeve fazer com que em 2023 haja uma discussão mais aprofundada sobre o ajuste fiscal. “É um problema que está sendo empurrado de um ano para outro”, ressalta Pessôa.

 OFERTA E DEMANDA – Um dos primeiros reflexos da pandemia foi o distanciamento social. “Foi quase um ano e meio ficando primordialmente em casa”, diz Pessôa. Isso gerou mudança de hábitos entre as famílias: o consumo de bens aumentou em detrimento do de serviços, que foram afetados pela drástica redução na mobilidade.

 Segundo a Ebit/Nielsen, o comércio eletrônico atingiu no primeiro semestre de 2021 o maior patamar histórico de vendas: R$ 53,4 bilhões, um crescimento de 31% em relação a igual período de 2020. O número de pedidos aumentou 7% e o valor médio das compras teve um incremento de 22%.

Enquanto isso, o distanciamento social e as medidas restritivas tiveram um impacto negativo no setor de serviços, que chegou a encolher 19% em maio do ano passado, comparativamente a igual época de 2019, segundo o IBGE.

PERFIL DE CONSUMO – Pessôa lembra que essa mudança no perfil de consumo foI acompanhada por um forte crescimento na procura por bens, o que ampliou a produção nas fábricas. A expansão acumulada na produção industrial teve um incremento de 6,4% nos 12 meses encerrados em setembro, comparativamente a igual período anterior.

“Houve uma retomada em V e a indústria veio bombando. Isto exigiu mais chips, energia, infraestrutura portuária….”, aponta ele. O problema é que a quebra de cadeias globais, provocada também pela pandemia, impediu as manufaturas do mundo todo de dar conta dessa retomada em V.

O resultado é a escassez global de matérias-primas e componentes, como os semicondutores, que obrigam fábricas que dependem deles – como as montadoras de veículos – a interromper a produção, com consequências sobre a atividade econômica como um todo.

SERVIÇOS DESORGANIZADOS – Outro impacto causado pelo isolamento social foi a desorganização no setor de serviços. Os prestados às famílias ainda não se recuperaram e acumulam uma retração de 5,6% nos 12 meses encerrados em agosto, segundo o IBGE.

 “É um fenômeno comum a todos os países. As restrições à mobilidade desorganizaram os serviços. E a normalização da demanda está ocorrendo em cima de uma oferta desorganizada”, diz Pessôa.

Um dos reflexos é o aumento nos preços dos serviços. As passagens aéreas, impulsionadas pela alta nos combustíveis, tiveram uma alta de 50% nos 12 meses encerrados em outubro; o transporte por aplicativo subiu 37% e os consertos e manutenção, 11%. Para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), no momento, uma das principais dores de cabeça do setor é com a alta de preços de alimentos e bebidas, que atinge 12% em 12 meses.

ENDIVIDAMENTO SETORIAL – Outra preocupação é com o endividamento setorial. “Além da inflação, continuamos preocupados com o alto nível de endividamento das empresas. A alta da Selic trouxe problemas para quem pegou empréstimo na crise, principalmente os que aderiram ao Pronampe em 2020. Quem pegou o crédito a 3,25% de juros ao ano agora está pagando 9%, por causa da indexação à Selic”, diz o presidente-executivo da entidade, Paulo Solmucci.

A energia é um dos fatores que contribuem para ampliar a inflação mundial. O preço do petróleo mais que dobrou nos últimos meses. Mas, no Brasil, há um componente particular: o pior cenário hídrico em 91 anos causou um aumento de mais de 30% na energia elétrica nos últimos 12 meses, segundo o IBGE.

E a falta de chuva obrigou a um forte aumento na geração termelétrica, muito mais cara, pressionando ainda mais a inflação. Esse cenário foi um dos determinantes para que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) promovesse sucessivos aumentos na taxa básica de juros, a Selic, o que deve ter reflexos negativos sobre investimento e consumo.

SEM RACIONAMENTO – O nível dos reservatórios melhorou recentemente, o que, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), afastou o risco de racionamento e apagões. Porém, a situação está longe de ser confortável: na quinta-feira (18), os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste – responsáveis por 70% da capacidade de armazenamento do setor elétrico – ocupavam somente 18,81% do volume máximo.

E o custo elevado da energia elétrica deve persistir. A perspectiva, por ora, é de forte aumento de preços no ano que vem, uma vez que as cobranças de valores adicionais do consumidor, dentro do sistema de bandeiras tarifárias, não estão sendo suficientes para compensar o aumento de custos do setor. Um memorando da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indica a possibilidade de aumento de 21% na conta de luz em 2022.

(Artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

PIB do Brasil recua 0,1% no terceiro trimestre e reforça quadro de estagnação

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Charge do Thales Gaspari (tirasnao.com)

Leonardo Vieceli e Eduardo Cucolo
Folha

A economia brasileira recuou 0,1% no terceiro trimestre de 2021, frente aos três meses imediatamente anteriores, apontam dados do PIB (Produto Interno Bruto). O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (2º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O número veio um pouco abaixo das expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam variação nula (0%). Esta é a segunda baixa consecutiva do indicador, o que renova os sinais de estagnação da atividade econômica. No segundo trimestre, a queda do PIB foi revisada de 0,1% para 0,4%.

ESTABILIDADE? – Na avaliação do IBGE, variações próximas a 0% sinalizam que a economia atravessa período de estabilidade. “A gente considera [o quadro] estável”, disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

O desempenho fraco ocorre em um contexto de escalada da inflação, juros mais altos e fragilidades no mercado de trabalho, que dificultam a recuperação da atividade econômica.

Conforme o IBGE, o PIB está em patamar similar ao registrado entre o fim de 2019 e o início de 2020, período pré-pandemia. Por outro lado, encontra-se 3,4% abaixo do ponto mais alto da série histórica, alcançado no primeiro trimestre de 2014.

ALTA E BAIXA – Mesmo com a alta de 1,1% no setor de serviços, que responde por cerca de 70% do PIB nacional, o resultado do terceiro trimestre foi puxado para baixo pela queda de 8% na agropecuária e pelo recuo de 9,8% nas exportações de bens e serviços, afirma o IBGE.

A forte retração da agropecuária reflete o fim da safra de soja, que também impactou as exportações. A colheita é mais concentrada nos dois primeiros trimestres do ano. Também houve efeito do clima adverso, que prejudicou o plantio e a produtividade em vários segmentos do agronegócio brasileiro em 2021.

A indústria, por sua vez, ficou estagnada (0%). Segundo o IBGE, as fábricas sentem o encarecimento de insumos na pandemia e os efeitos da crise energética, que eleva os custos de produção.

NO ACUMULADO – Em relação ao terceiro trimestre de 2020, o PIB cresceu 4%. Em 12 meses, a alta foi de 3,9%. Já no acumulado deste ano, até setembro, o indicador avançou 5,7%.

Projeções sinalizam que o PIB brasileiro deve fechar o ano de 2021 com crescimento, associado em grande parte à base de comparação deprimida —em 2020, a pandemia causou forte queda do indicador.

Analistas avaliam que, diante dos recentes sinais de fraqueza da economia, o cenário ficou mais complicado para 2022, ano de eleições.

AVANÇO DE 4,78% – Segundo o boletim Focus, divulgado pelo BC (Banco Central), o mercado financeiro projeta avanço de 4,78% no PIB de 2021. A estimativa vem sendo revisada para baixo nas últimas semanas. Em 2022, a alta deve ser reduzida para 0,58%, conforme a publicação. Já há instituições financeiras que preveem retração na atividade no próximo ano.

A piora das expectativas econômicas vem no embalo da pressão inflacionária, que reduz o poder de compra dos consumidores, e do aumento das incertezas na área fiscal.

As dúvidas de analistas sobre o rumo das contas públicas cresceram após o governo federal colocar em xeque o teto de gastos para pagar o Auxílio Brasil, o substituto do Bolsa Família.

CÁLCULO DO PIB –

Produtos, serviços, aluguéis, serviços públicos, impostos e até contrabando. Esses são alguns dos componentes do PIB (Produto Interno Bruto), calculado pelo IBGE, de acordo com padrões internacionais. O objetivo é medir a produção de bens e serviços no país em determinado período.

O indicador mostra quem produz, quem consome e a renda gerada a partir dessa produção. O crescimento do PIB (descontada a inflação) é usualmente chamado de crescimento econômico.

O levantamento é apresentado pela ótica da oferta (o que é produzido) e da demanda (como esses produtos e serviços são consumidos). O PIB trimestral é divulgado cerca de 60 dias após o fim do período em questão.