Taxação de grandes fortunas, grande escândalo da ditadura

Enquanto carregava isopor na cabeça, em férias numa praia militar na Bahia, “Lula teve tempo enorme para pensar”. Ha! Ha! Ha!

E surgiu com um aparatoso e complicado Programa Nacional de Direitos Humanos, que deverá ser conhecido pela sigla PNDH.

Hoje só quero lembrar e mostrar um dos maiores escândalos da ditadura de 1964/1985. Um decreto da cúpula militar elitista, isentando “por 60 dias”, a transferência para os herdeiros, do que pertenceria a eles no futuro, e que se chama, juridicamente, de “adiatamento da legítima”.  (Apesar dessas fortunas serem quase todas ilegítimas e fraudulentas, além de favorecidas).

Só que a transferência, feita “durante esses 60 dias”, ficava LIVRE DE QUALQUER TAXAÇÃO. Lógico, como o decreto foi “feito sob encomenda”, a União deixou de recolher BILHÕES e BILHÕES. Consequência: QUEM TINHA OU TEM NOME E SOBRENOME, ENTROU NESSE FESTIVAL (Wagner?) DE SONEGAÇÃO.

Lula está apenas fingindo, não quer nem vai conseguir TAXAR FORTUNA ALGUMA.

Nuzman e Cabral

Marco Tullo Sposito
“Helio Fernandes nos informa na sua TI que o Nuzman nunca trabalhou. O governador do estado diz que é “jornalista”. Alguém sabe onde trabalhou antes de ingressar no negócio das eleições? O negócio das “Olimpíadas” será bancado pela população”.

Comentário de Helio Fernandes
Podem dizer o que bem entenderem. O Nuzman, há 16 anos é presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), deu entrevista reclamando, “não ganho salário”. Antes foi jogador de vôlei (excelente) numa época em que esse esporte era quase amador. Viveu e vive como? Tem amestrados no mundo todo.

E o governador, diz que é jornalista, trabalhou em que jornal ou revista? E onde arranjaria tempo? Viveu sempre perdendo eleição, (duas seguidas para prefeito, Collor ensinou, “na minha campanha sobraram 52 milhões de reais”), acabou se elegendo deputado estadual.

Dominou a Alerj em parceria com Picciani, logo, logo acusado  e indiciado por “EXPLORAÇÃO DE TRABALHO ESCRAVO”. Cabral se livrou dessa, mas não escapou do “dossiê Marcelo Alencar e filhos”, e da revelação do enriquecimento ilícito.

Ninguém (ou poucos) sabia da maravilhosa propriedade de Mangaratiba, uma das “alavancas” desse dossiê.

PS – Rompeu violentamente com Picciani, este teve imediatamente um derrame, ficou com as marcas no rosto. Voltaram a ficar amigos, Cabral diz publicamente: “Uma das vagas para senador é do Picciani”. Ha! Ha! Ha!

A riqueza de Qatar

Muita gente me pergunta (e não apenas por correio eletrônico) a razão dos maiores tenistas irem jogar um torneio no emirado árabe. Elementar: essa competição paga adiantado e em termos convidativos, para eles irem.

Ganham os prêmios oficiais, e os 2 primeiros do ranking, recebem no mínimo 150 mil dólares. (Por fora, parece até a luta pela preferência na compra e venda dos caças). Nadal e Federer, jogam hoje as semifinais, quase certo fazerem a final amanhã.

Briatore, se julga injustiçado, está desesperado

Depois de condenado e expulso pela justiça esportiva, foi inocentado pela justiça comum. Diz, “vou me vingar de todos, principalmente os Piquet”. Não é nada disso.

Ameaça, intimidação, chantagem. Não tem problema de dinheiro, é riquíssimo, mas perdeu o prestígio. Tem na Sardenha, um luxuoso hotel, intitulado, “Billionaire”. Funciona apenas 4 meses por ano, como o “melhor do melhor”. O verão acabou e não foi ninguém.

Já conseguiu do “saltimbanco e malabarista do relacionamento”, Bernie Eclestone, a seguinte declaração:  “Pode voltar à Fórmula 1 quando quiser, ninguém mais é condenado à morte”. Para Briatore, não chega.

Custo inicial do trem-bala: 76 bilhões de reais

Está iniciado, OFICIALMENTE, o processo de licitação. Por enquanto dizem, “seleção de informações para a licitação”. Dia 11, (segunda-feira) no Rio, 13, São Paulo, 15, Campinas, 19, Brasília. O preço para começo de conversa, é o que está no título, repetindo: 76 BILHÕES.

Para reflexão geral: os caças, que custarão  “apenas” 10 bilhões, provocam tanta polêmica e confusão, imaginem esse “TREM” de 76 BILHÕES?

Caça Sukhoi 35, da Rússia

Não deixem de ler a matéria de Antonio Santos Aquino, a respeito da compra desses mesmos caças. Resumindo o que ele diz, hoje com total conhecimento.

1 – Todos esses caças estão obsoletos.
2 – O melhor de todos é o russo, excluído.
3 – Aparelhado com mísseis de última geração.
4 – Tecnologia de ponta.
5 – Caça de enorme importância na defesa.
6 – Também atacante poderoso.
7 – Índia, China e Rússia, três potências, utilizam esse caça.
8 – Por que esses países nem ligam para os outros caças?

PS – O Sukhoi 35 foi excluído, provavelmente os intermediários não falam russo.

José Dirceu, filho de família udenista tradicional, não nega o fato, tinha 21 anos. Considera a Frente Ampla influente

Antonio Santos Aquino
“Não é polêmica, só informação. Na Universidade Mackenzie, aplaudiu o golpe de 64. Depois, como muitos outros, voltou-se contra os militares. Dirceu não nega, inclusive fala na influência do Movimento da Frente Ampla”.

Comentário de Helio Fernandes
Nenhuma polêmica, mesmo porque, Aquino, você tem tanta informação, que o importante é fazer você revelá-las para todos. Impressionantes as coisas que você vai mostrando, oportunidade para conhecê-las ou comentá-las.

O que você contou sobre Dirceu e outros jovens do Rio, de São Paulo e de vários estados, que pertenciam à UDN, altamente elucidativo. E que prova como a UDN foi estigmatizada, amaldiçoada e injustiçada. Mas foi a UDN que combateu duramente a ditadura do Estado Novo.

O “Manifesto dos Mineiros”, de 1943, de grande impacto e repercussão, foi todo preparado pela UDN. (Que ainda não existia, os partidos eram proibidos, se chamava Associação Democrática Nacional). E todos foram punidos pelo ditador. Os que ocupavam cargos públicos, demitidos.

E não foram salvos nem os que trabalhavam em empresas privadas e particulares. Um só exemplo: Magalhães Pinto era gerente do Banco da Lavoura, então o maior do Brasil. O ditador mandou que “fosse demitido”, os proprietários foram ao ditador, apelaram: “Presidente (assim mesmo), é nosso maior gerente”.

Vargas ficou irredutível, Magalhães, demitido. Com o irmão Waldomiro e amigos, fundou o Banco Nacional de Minas, que cresceu tanto que passou a se chamar apenas Banco Nacional. Magalhães LIQUIDOU o TRUST (como se chamava então) da Hanna de minérios, guerra que Artur Bernardes começou como governador também de Minas.

A censura à Imprensa foi derrubada em 1944/45 por causa de uma entrevista de José Américo, concedida a Carlos Lacerda e publicada pelo bravo Correio da manhã.

Ia sair no Diário Carioca, se soube logo, o ditador pressionou o jornal, que não teve condições de resistir. Paulo Bittencourt, do Correio da Manhã, se apresentou, publicou, correndo todos os riscos. Era o fim dessa ditadura, tão autoritária, arbitrária e atrabiliária quanto a outra de 1964/1985).

Só para mostrar importância e o prestígio da UDN. Derrubada a ditadura em 29 de outubro de 1945, eleição já marcada para 2 de dezembro, apenas 33 dias depois, o PSB, (Partido Socialista Brasileiro) não pôde se organizar como partido. O que fizeram?

Hermes Lima, João Mangabeira, Domingos Velasco e muitos outros, entraram na UDN, formaram o que se chamou de “Esquerda Democrática”, disputaram a eleição para deputado federal. Hermes Lima foi o mais votado de todos.

* * *

PS – Continue escrevendo e esclarecendo, Aquino. Dirceu estava e continua certíssimo a respeito da influência da Frente Ampla. Poderia ter acabado logo com a ditadura, ou reduzido sua permanência.

PS2 – Depois contarei essa luta, que começou na minha casa em 1965/66. (A mesma casa onde moro desde 1962, comprada de Horacinho de Carvalho e de Dona Lili de Carvalho, que passou a ser Marinho quando ficou viúva, continua viva e muito bonita). A partir da segunda reunião, mudou de local.

PS3 – Passamos então a nos reunir na casa que considero a mais bonita do Rio, a de Alberto Lee, no Cosme Velho. Tinha (e tem) estacionamento para 20 carros, um rio que atravessava a casa. Ele era muito amigo do Enio Silveira, (dono da Editora Civilização Brasileira) bravo lutador, que participou de todas as 9 reuniões. Até que foi lançado o Manifesto, que seria assinado por Carlos Lacerda, Jango e Juscelino. Fica para depois.

Mínimo no RJ é maior que o piso nacional

Pedro do Coutto

A legislação em vigor permite que os Estados fixem os pisos salariais em suas áreas, podendo ultrapassar o salário base federal. Muitos ainda desconhecem essa faculdade e a obrigação que gera. No Rio de Janeiro, por exemplo, o mínimo para empregadas e empregados domésticos, em vigor a partir deste mês, é de 581,88 reais, como se constata superior ao mínimo nacional, que é de 510 reais. Além do piso para os serviços domésticos, existem vários outros divididos por categorias. Estão todos eles publicados no Diário Oficial do Estado de 29 de dezembro, através de lei sancionada pelo governador Sérgio Cabral. A legislação em vigor foi implantada pela administração Fernando Henrique Cardoso e, no fundo, permite, de forma indireta, um aumento da receita previdenciária, pois exclui dos pisos estaduais os aposentados e pensionistas do INSS. Assim, a elevação do mínimo na esfera estadual acarreta maior contribuição de empregadores e dos próprios empregados para a Previdência, sem que isso signifique majoração equivalente nos encargos. Os aposentados e pensionistas do INSS que estão na faixa do mínimo continuarão a receber 510 reais por mês. Já os empregados domésticos, serventes, trabalhadores de serviços de conservação e manutenção de empresas comerciais e industriais, de áreas verdes e logradouros públicos, além de contínuos e mensageiros, entre outras divisões de classe, vão receber 581 e oitenta e oito reais. Como os empregadores recolhem mensalmente 22 por cento à Previdência sobre todas as folhas salariais, sua contribuição torna-se maior, sem que em relação aos segurados a despesa do INSS cresça. A lei estadual classifica todo o elenco de mão de obra por nove categorias. O menor piso, entretanto, continua sendo maior que o nacional. É o de 553,31 reais, aplicado aos trabalhadores agropecuários e florestais.

Todos os trabalhadores, empregadores, executivos de empresas devem ter esta lei em mãos, no sentido de seu pleno cumprimento sem questionamentos ou dúvidas. Para os professores do ensino fundamental, por exemplo, o mínimo no Rio de Janeiro é de 1 mil e 81 reais. O que para muitos professores e professoras significará um acréscimo, já que são muito baixos os padrões salariais da categoria profissional, apesar de sua extrema importância para a educação, base do desenvolvimento e, portanto igualmente do processo de equilíbrio social. Para administradores, arquivistas de nível superior, advogados e contadores aplica-se a base mensal de 1 mil e 484 reais. Que se estende, assinala a lei, aos operadores de telefone e de telemarketing, atendentes de call center. São exemplos que, através de patamares, abrangem enorme número de pessoas.

Sobretudo porque, em termos nacionais, são cerca de 27 por cento dos trabalhadores que recebem o piso mínimo. No Rio de Janeiro, levando-se em conta a capital, essa percentagem se reduz. Mas não muito. Pode-se estimar que, pelo menos 20 por cento dos empregados em todo o Estado pertencem à menor categoria de remuneração. Para eles é vital a diferença entre 581 e 510 reais. Diferença que funciona e proporciona, pelo menos, uma pequena parcela de descompressão. Por tudo isso, é importante a leitura atenta da lei estadual, que tomou o número 5627/2009. Ela vai influir na vida de bem mais de um milhão de pessoas, levando-se em conta a faixa de empregadas domésticas. Trabalho inclusive que deve ser valorizado, pois exige absoluta confiança, sobretudo nos tempos de hoje. Os empregados e empregadas são centenas de milhares de pessoas que não só conhecem como participam da vida das famílias. Além disso, na maioria dos casos cumprem jornadas longas de trabalho. O governo Sérgio Cabral deve divulgar melhor a lei que editou.

Só meio por cento evitam o ridículo

Carlos Chagas

Indagado sobre as chances de aprovação  do  projeto que limita as passagens aéreas gratuitas para senadores, Pedro Simon respondeu com um percentual: meio por cento. Quis dizer que apenas ele votará a favor da concessão de no máximo um bilhete aéreo por mês para cada  senador viajar a seu estado. E,  mesmo assim, conforme  a  proposta, desde que  cumprida integralmente a pauta de votações daquele mês, com reuniões que iriam de segunda-feira a domingo.

Desnecessário se torna referir que o projeto é de autoria do próprio Simon. Na Comissão de Constituição e Justiça o texto foi alterado, mas ficará para o plenário  sua apreciação integral.

Por essas e outras o senador gaúcho sustenta que jamais se candidatará, pois nunca será escolhido,  para a  presidência da casa.  Com graça, acrescenta que nem o voto de sua  mulher  receberia, caso ela fosse senadora. Mesmo assim, não recua de suas sugestões moralizadoras, lembrando estar o Senado caminhando a passos céleres para transformar-se na Casa do Ridículo.

Os senadores terão seus  motivos para todas as semanas visitarem suas bases,  ainda mais num ano eleitoral como este, quando serão renovados  dois terços do Senado. O problema está no acúmulo de benesses, vantagens e flexibilidades acumuladas ao longo de décadas, em torno dos trabalhos parlamentares.  Seria injusto colocar a totalidade da  culpa na atual mesa diretora, comandada por José Sarney, mas fica evidente a necessidade de ampla reforma na sistemática do Senado. E da Câmara, também. Só o eleitor conseguirá algum resultado, votando em candidatos capazes de defender teses como as de Pedro Simon, que por sinal tem mandato até 2014. Ao  menos  meio por cento está garantido.

Sirenes de angústia

Certas coisas, só no Brasil. Uma das iniciativas que o prefeito de Angra dos Reis adotará para evitar catástrofes como as ocorridas recentemente  será instalar sirenes pela  cidade. Toda vez que elas soarem, a população ficará sabendo da iminência de tempestades, devendo preparar-se para o pior.

É verdade que medida igual ajudou a salvar milhares de vidas, em Londres, durante a Segunda Guerra Mundial. Sempre que esquadrilhas de bombardeiros  alemães cruzavam o Canal da Mancha, as sirenes tocavam na capital inglesa. A população tinha tempo para refugiar-se em abrigos e nas estações do metrô, enquanto as bombas destruíam suas casas, prática que também valeu quando começaram a ser lançadas as V-1 e V-2. O problema é que a Inglaterra estava em guerra.

Será essa a  solução para o litoral do país,  assim como  para o  interior,  quando as nuvens se adensarem e a chuva recomeçar?  Ou seria melhor que todos os prefeitos, governadores, ministros e o  presidente da República tratassem de reformar leis e posturas proibindo o caos urbano e, ao mesmo tempo, dando início a obras de saneamento, escoamento pluvial, dragagem de rios, contenção de encostas e outras daquelas que não dão votos, não aparecem mas tornaram-se muito mais necessárias do que as sirenes? Porque além de os cidadãos londrinos se esconderem nos abrigos, quando os bombardeios passavam todos  dedicavam-se a produzir mais canhões, aviões e tanques para derrotara os nazistas, como derrotaram…

Discussão de brincadeirinha

Por falar em indústria bélica, seria bom o governo  brasileiro parar com essa ridícula discussão a respeito da compra de 36 aviões de caça no mercado internacional. Basta perceber que essa esquadrilha a ser adquirida representa menos da metade das aeronaves de combate que um simples porta-aviões americano, russo, chinês ou inglês leva em seu bojo para qualquer mar do planeta. Sendo que os Estados Unidos possuem mais de trinta porta-aviões, sem falar nos milhares de caças estacionados em bases terrestres.

Houve tempo em que produzíamos, senão aviões de última geração, ao menos outros de importância real para nossas necessidades, além de  tanques, carros de combate, canhões e armas de menor porte. Não apenas os cartéis internacionais quebraram nossas estruturas. A desídia de governos neoliberais fez mais, abandonando,  sufocando e condicionando a soberania nacional a interesses externos. Aí está o  resultado:  o país assiste a inglória disputa de saber de quem importaremos míseros 36 caças…

Correntes, pianos e vultos

Nessas duas semanas que o presidente Lula e sua família passam de férias,  fora de Brasília,  registra-se o rumor de estar o palácio da Alvorada ocupado por singular equipe de seguranças, onde se incluiriam religiosos e místicos de variada procedência. O grupo investigaria velhas histórias agora recrudescidas,  de que alta madrugada ouvem-se correntes sendo arrastadas no teto, além de o piano do primeiro andar tocar sozinho e vultos estranhos   transitarem pelos salões de luxo.

Faz tempo que a residência oficial dos presidentes da República é tida como mal-assombrada. Isso explicaria as poucas noites que Juscelino Kubitschek dormiu lá, depois da inauguração  da nova capital, bem como o tresloucado gesto de Jânio Quadros de renunciar  por ação de forças ocultas. João Goulart preferia ficar na Granja do Torto, mas de Castello Branco, fala-se que jamais deixava seus aposentos particulares enquanto o sol não  nascia.  Costa e Silva queria descer de pijama para ver quem estava na biblioteca,  mas dona Yolanda não deixava. Garrastazu Médici preocupava-se com o piano entoando a Marcha Fúnebre e Ernesto Geisel, tonitruante, chegava a desafiar os fantasmas que nunca via. De Figueiredo em diante cessaram os boatos, mas José Sarney mandava benzer o Alvorada inteiro, todos os meses. Fernando Collor, por cautela, preferiu ficar na Casa da Dinda, Itamar amanhecia com o topete ainda mais arrepiado e Fernando Henrique tentou convencer a todos ser  ele que assustava as almas penadas, dado o tamanho de seu ego.

Pois é. Por via das dúvidas, quando o presidente Lula chegar,  vai querer saber do resultado da incursão de seus caça-fantasma, quando menos para preservar Dilma Rousseff de sustos desnecessários…

10 bilhões pelos caças: vazamento ou enriquecimento?

Os jornalões estão inundados (?) de notas sobre os aviões. É muito dinheiro, especialistas-especulam-esperam, ficam entre a “Ferrari e o Volvo”, como explica o ministro da França.

Por que não falou num carro francês, recorreu ao da Itália? E por que ninguém dá uma palavra sobre os caças da Boeing, EUA?

Sarkozy veio aqui (embora rapidamente), Obama disse que “Lula é o cara”. O presidente da França não concorre (em exibição) com Lula, na disputa de espaço, “Obama é o cara”.

E existe a indefectível, que palavra, “comissão por fora”. Como se trata de caças, essa comissão deve “vir pelo alto”.

Desperdício de dinheiro, delírio de “informação”

Todos os jornalões badalaram, eufóricos e participantes: “Em 2009, o Brasil recebeu mais de 28 BILHÕES DE DÓLARES, recorde absoluto”.

“Menas” verdade. Entraram no Brasil realmente, mais de 28 bilhões. Só que não vieram para INVESTIMENTO e sim para jogatina nas Bolsas. Ganharam fortunas, não criaram um emprego, não arriscaram, as perdas seriam  impossíveis, no nível a que chegou a Bovespa.

Quando começou a CRISE FINANCEIRA, que se transformaria em CRISE ECONÔMICA, o índice Bovespa estava em 73 mil e 500 pontos. Venderam, é claro, ficaram esperando.

Veio caindo, caindo, chegou perto de 32 mil pontos, compraram com esse dinheiro fácil, sem imposto, na ida e na volta. Agora esse índice chegou a 70 mil pontos, que maravilha viver.

Principalmente os Fundos, “administrados” por bancos, tiveram lucros extraordinários. Remetem uma parte do dinheiro para o exterior, o lucro deixam aqui, rendendo 8,75% contra 0,50% nos EUA. Onde está o INVESTIMENTO tão retumbado?

PS – Paul Getty foi o homem que mais ganhou fortunas nas Bolsas. Interrogado, como é que fazia para ganhar sempre, respondeu: “Muito simples. Sempre COMPRO na baixa e VENDO na alta”. Os profissionais de hoje continuam fazendo o mesmo que fazia o segundo homem mais rico do mundo.

PS2 – Quem era o mais rico de todos? John D. Rockefeller, odiado mas catastroficamente rico. Seu poder começou a diminuir a partir de 1903, quando o presidente Theodore Roosevelt (o tio e não o próprio) começou a combater os monopólios, liderados por John D. e J. P. Morgan.

A polêmica aquisição dos caças

Delmiro Gouveia
“O que Lula está ganhando nessa história? Como Lula, um desastrado torneiro-mecânico, pode se contrapor à brilhante indústria aeronáutica brasileira, bem como à FAB, contrariando um relatório de mais de 30 mil páginas? Relatório que indica a compra dos caças suecos, no lugar dos caríssimos aviões franceses?

Esse é um negócio de 10 bilhões de dólares, quanto Lula está levando? E mais: que direito tem o Lula de tomar uma decisão contra a inteligência aeronáutica do Brasil, ao apagar das luzes ou das trevas dos seus dois mandatos?”

Comentário de Helio Fernandes
Só de ler esse nome, Delmiro Gouveia, fico emocionado, vou lembrando suas lutas de mais de um século na defesa da indústria nacional de tecidos, que vinha em grande ascensão.

Lutou a vida inteira, impávido, altivo e altaneiro. Foi assassinado, suas máquinas trituradas e destruídas, a indústria eliminada. A mesma coisa que fizeram com a borracha, responsável pelo grande progresso e desenvolvimento da Amazônia. Fabricaram a “borracha sintética”, o progresso e o desenvolvimento da Amazônia ficaram apenas nos livros de História. De 1834 até hoje, nada mais do que isso.

Mesmo que você não seja parente do grande herói da indústria brasileira, só o fato de me trazer à memória seu nome (praticamente esquecido pelos que dominaram o Brasil depois do seu sacrifício) já foi enorme satisfação.

Quanto à compra dos caças, fica mais do que evidente que você conhece a fundo o ASSUNTO e, principalmente, os BASTIDORES do assunto. Há muito tempo, já escrevi: “É impossível no Brasil fazer qualquer compra ou venda, acima de qualquer importância, sem que surja a COMISSÃO POR FORA.

PS – De 10 bilhões, então, nem se fala. Mas no momento precisamos nos concentrar na melhor COMPRA técnica e operacional, que é a dos CAÇAS SUECOS.

 PS2 – Na hora examinaremos e combateremos para que a Suécia receba preço justo e correto, como você defende, Delmiro Gouveia.  

 Transferência de tecnologia

Welinton Naveira e Silva
“Prezado Helio, que muita gente continue falando em transferência de tecnologia, vá lá. Mas que o senhor também acredite nisso, não creio.”

Comentário de Helio Fernandes
Você tem todo o direito de duvidar da transferência de tecnologia, e concordo inteiramente. Até hoje exportamos uma parte enorme de manufaturados, não acrescentamos valor ao produto. Por isso dependemos tanto das importações, superfaturadas e sem fiscalização, com uma parte ficando lá fora.

Mas veja, Welinton, como posso DEFENDER a compra desses caças, sem transferência de tecnologia? Mesmo que coloquem no possível contrato, NADA VIRÁ, ficaremos comprando a vida toda.

Ninguém foi punido pelos escândalos do Senado. Jarbas denunciou em vão, surgiram novos mensalões. Que na verdade começaram com a reeeleição de FHC em 1998. A sucessão não anda nem desanda, o PMDB, isolado. Por que não fazem a chapa Daniel Dantas-Gilmar? Dona Dilma prega o ESTADO FORTE, quase o ESTADO NOVO

Como o mundo está “globalizado”, “multinacionalizado”, cada vez mais PRIVATIZADO com o dinheiro do cidadão-contribuinte-eleitor, os assuntos não se localizam apenas num país, escorregam ou extravasam para todos os lados.

Como está tudo parado, Legislativo, Executivo e Judiciário, e nos próximos 50 dias não andarão mesmo, lembremos de ontem e hoje, para refletir e projetar o amanhã. Que ainda se refugia em local incerto e não sabido.

Parece palavreado de policial? E o que é que não parece policial, a não ser de forma evidente, “O CIDADÃO ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA”. O cidadão? Desculpem, OS CIDADÃOS.

Nada é local, estadual ou mesmo nacional. Os fatos, sejam políticos, eleitorais, financeiros ou econômicos, explodem derrubando todas as barreiras, e se transformando em universais, dos EUA à China, contaminando tudo e todos.

No momentos, três assuntos têm prioridade absoluta, embora em vez de três, pudessem ser 10 ou 20. Mas fiquemos nesses três, que além da repercussão, terão consequências.

Quais são esses suprapartidários, superprioritários, superescandalosos? 1 – A entrevista de Jarbas e a omissão culpada e culposa do PMDB, que veio em linha reta do autêntico MDB.

2 – A crise financeira que obrigatoriamente teria que se transformar em econômica. (Já se transformou, carregando muitas das esperanças depositadas no presidente Obama).

3 – E o desperdício do dinheiro do cidadão, aos TRILHÕES. Ninguém é contra a utilização de recursos para que a normalidade volte, principalmente em termos e emprego, pois os trabalhadores sempre pagam a conta.

Antes de examinar separadamente cada um dos três assuntos, continuemos perguntando aqui, o que venho perguntando com insistência. A – De onde vem tanto TRILHÃO? B – Para onde vai tanto TRILHÃO?

O que Jarbas Vasconcelos não pôde calar

Ninguém esperava, embora o ex-governador de Pernambuco, dentro do PMDB (o seu partido de sempre) fosse tido como bomba que podia explodir a qualquer momento. Explodiu e com mais força do que todos esperavam.

Jarbas foi didático, sintético, ético, avassalador. Detonou o PMDB, mas não todo, colocando aquele QUASE, que salvou muita gente que tinha mesmo que ser salva, não podia ser atingida. Mas não se restringiu nem reduziu as acusações contra o PMDB, este uma fonte inesgotável de patifarias, de fraudes, de falsificação, de objetivos.

O ex-governador de Pernambuco não deu nomes, teria que utilizar papel em resmas e quantidades colossais. Só que o partido velho e alquebrado, que ainda é o maior do país, não quis e, lógico, não pôde se defender.

E olha que o acusador, não relacionou o grande escândalo do PMDB, já citado aqui muitas vezes. Controlando a Câmara e o Senado, com o maior número de prefeitos e governadores, jamais quis o Poder diretamente, ou seja, não disputou nem vai disputar a Presidência.

Motivo? É que, se eleger o presidente, o PMDB terá que dar aos outros os cargos que hoje domina despudoradamente. É o maior partido para quê? Para nada. Ou melhor: para dominar o país, sem projeto, sem compromisso, sem programa, sem campanha, sem vitória e sem posse.

O PMDB (a cúpula) disse apenas: “Foi desabafo do senador”. Não foi desabafo e sim demolição. Raros poderiam defender esse PMDB, mas não querem, pois sabem que Jarbas não exagerou um milímetro que fosse.

O PMDB não tem cacife nem cacique com potência de fogo para expulsar Jarbas Vasconcellos. E em matéria de “defesa” delegaram Poderes a Serginho Cabralzinho filhinho, que retumbou: “O senador generalizou. EU NÃO SOU CORRUPTO. Ha! Ha! Ha!

Esqueceu do “dossiê Marcelo Alencar”, que mostrou publicamente como ele construiu seu patrimônio? Sérgio não respondeu na hora, tenta usar a visibilidade agora. Não trabalhou jamais, seu “patrão” foi sempre a máquina pública.

Os trilhões do cidadão

2 – A crise financeira começou no setor hipotecário-imobiliário dos EUA, e se espalhou pelo mundo. Logo compararam a falência de 2008 com o que chamaram de “crack” das bolsas de 1929. Na verdade existiam e existem realmente algumas semelhanças. Mas o principal: nenhuma fiscalização, em 80 anos de jogatina desenfreada.

Só que 1929, os que provocaram a crise, não foram ajudados por ninguém. Pagaram com a própria vida, se matando depois de terem matado a economia. E as primeiras providências só foram tomadas 4 anos depois, com a eleição de Rooselvelt. O presidente catastrófico era Herbert Hoover, (uma espécie de Bush filho), quase 80 anos antes.

EUA: a ESTATIZAÇÃO DE 1933,
a ESTATIZAÇÃO de 2008/2009/2010

3 – Roosevelt assumiu com a maior devastação da história dos EUA. Os Fundadores da República jamais pensaram nisso. Mas Roosevelt honrou e dignificou os 8 sábios da Filadélfia. ESTATIZOU tudo, mas não como tentam hoje.

O grande presidente tomou posse com 16 milhões de desempregados, já tinha pronto o New Deal. E formou seu gabinete com jovens no máximo de 25 anos, logo identificados como “brain trust”, desculpem, o monopólio da inteligência.

Reergueu o país, tudo passou ao controle do Estado, água, metrôs, energia, ferrovias, educação, saúde, sem que qualquer aventureiro se apossasse de um dólar que fosse. E implantou uma fiscalização, que funcionou, até que foi totalmente abandonada, a partir dos anos 80.

* * *

PS – Agora, na contramão de tudo o que foi feito por Roosevelt, estão ESTATIZANDO com o  dinheiro do cidadão, mas os maiores acionistas continuam sendo os aventureiros que provocaram a crise. I-N-A-C-R-E-D-I-T-Á-V-E-L.

PS2 – Terminando 2009, começando 2010, a suposta candidata de Lula, a Chefe da Casa Civil afirmou: “O desenvolvimento só poderá ser alcançado com o ESTADO FORTE”. Parece muito com o ESTADO NOVO, e o ESTADO AUTORITÁRIO de Chávez. Agravado e ameaçado pelo  temperamento da CANDIDATA.

A crise bate à porta

Carlos Chagas

Crise não é, por enquanto. Mas perspectiva de crise, sem dúvida. Ironicamente  o que não interessa às forças armadas, ainda que,  com  certeza, possa favorecer ao governo. Primeiro, os militares protestaram contra o decreto dos Direitos Humanos, aquele que o presidente Lula assinou sem ler e recuou,  prometendo  modificá-lo. Depois, por iniciativa  do ministro da Aeronáutica, deixaram o primeiro-companheiro de saia curta com a  divulgação da  preferência técnica pela compra dos caças produzidos na Suécia,  deixando a opção presidencial dos caças franceses para o fim da fila.

Pode ser coincidência, mas é bom prestar atenção, importando menos saber quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha. Os militares tem razão quando sustentam haver  sido o governo a provocá-los  com o decreto que revoga a Lei da Anistia,  assim como  com a decisão  que os atropelou,  meramente política,  em favor dos  aviões franceses.  Na realidade,  são eles que vão  pilotá-los.

No reverso da medalha o governo também tem razão, porque o decreto dos Direitos Humanos objetiva apurar, investigar e divulgar quais os responsáveis por práticas de tortura, mesmo anistiados. Não faltam argumentos, também, para justificar a decisão presidencial pela França como matriz de material bélico. A Constituição é clara ao delegar-lhe a atribuição de decidir.

O que se torna perigoso,  no caso, é o momento do confronto entre os militares e o poder civil. Parece  claro que dentro dessa discutível prática de opinar a respeito de iniciativas governamentais, as forças armadas estão devendo. Nenhum dos comandantes pronunciou-se,  pelo menos de público, sobre a entrega de áreas  fronteiriças  do território nacional    a essa estranha  parceria entre índios e ONGs interessadas na internacionalização da Amazônia.     Alguém soube de protestos castrenses contra o assalto à soberania nacional expresso nas privatizações de setores estratégicos, das telecomunicações ao subsolo?

Por que só agora a voz estridente dos quartéis se faz ouvir?   Há quem suponha  coincidência entre aquilo  que os generais chamam de revanchismo e a possibilidade de o país vir a ser governado por uma ex-terrorista. O presidente Lula teria sido o limite,  pois  jamais  ligou-se  à luta armada. Mas  Dilma Rousseff disporia de  condições para  receber as continências do Exército, Marinha e Aeronáutica,  sem que seus comandantes aumentassem o nível de um perigoso   inconformismo?

De que forma o governo seria favorecido com essa elevação de temperatura? Elementar.  Dilma Rousseff não decolou, continua mal nas pesquisas. Perderá a eleição, se as coisas não mudarem. Como entregar o poder aos tucanos seus atuais detentores jamais entregarão, e dada a altíssima popularidade do presidente Lula, no bojo de uma crise fatalmente recrudescerá a proposta de sua continuação no governo.  E a crise, se não chegou ainda, dá a impressão de estar batendo à porta…

Obras de fachada

Tem raízes profundas e antigas o dilúvio que assola todo o território nacional e vem causando uma tragédia atrás da outra, nas grandes cidades e no interior.  Por que, de repente, avenidas transformam-se em rios,  morros desabam sobre casas, pontes se desfazem e gente morre aos montes?

Não adianta   argumentar que a culpa é de São Pedro, que jamais choveu como agora. O problema está na desídia e na incompetência de governos atuais e anteriores, municipais, estaduais e federal.  Deve-se ao  olímpico crescimento demográfico, à ampliação urbana  desordenada e ao descaso do poder público  para obras de saneamento e infra-estrutura,  daquelas que não aparecem ou ficam longe dos holofotes.  De repente, percebe-se a ausência do estado e dos políticos cuja missão seria prever e prover a nação de mecanismos capazes de enfrentar a natureza. Galerias pluviais insuficientes, rios sem dragagem, estradas e viadutos construídos para enriquecer empreiteiras, licenças para a construção de  frágeis  residências no alto e nas encostas dos morros – tudo contribui para o caos.  Fica, porém, o diagnóstico que os governos deixam de reconhecer: dedicaram-se apenas  a obras de fachada.

Partidos (se quiserem) podem selecionar candidatos

Pedro do Coutto

Reportagem de Moacir Assunção, publicada no Estrado de São Paulo de 5 de Janeiro, focaliza os esforços, aliás oportunos, do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e de ONGS, como a Voto Consciente e a Nossa São Paulo, para montar uma linha de resistência à influência econômica negativa nas eleições deste ano. Estas entidades empenham-se para que o Congresso aprove lei que vede a presença nas urnas de candidatos que, a seu ver, não possuem ficha limpa. Inclusive o projeto tem este nome. É difícil que seja aprovado e apresenta também o risco de fixar um pré julgamento de pessoas. O TSE já decidiu que impedimento legal só para aqueles condenados pela Justiça em decisões transitadas em julgado. Mais prático seria que as entidades que tentam evitar a vitória daqueles que, a seu ver, não possuem ficha limpa, se voltassem mais para as direções partidárias do que para criar uma legislação específica. São dois os aspectos da questão.

O primeiro a inelegibilidade por sentença transitada em julgado ou pelo não cumprimento dos dispositivos contidos no art. 14 da Constituição e da lei complementar específica. Por exemplo, os candidatos que ocuparam funções executivas e tiveram suas contas rejeitadas. Além disso, aqueles que tiveram seus mandatos cassados e foram declarados inelegíveis por oito anos, casos dos ex deputados José Dirceu e Roberto Jefferson. Ficha limpa acredito, não pode ser exigida por lei, uma vez que se torna matéria passível de interpretação e decisão judicial definitiva. O caminho dos movimentos que se propõem a combater a corrupção eleitoral deve logicamente dirigir-se aos comandos partidários, pois, estes sim, possuem o poder de seleção que a lei não contém. Existem diversos precedentes revelando episódios de rejeição a candidatos. Por isso, as ONGS que se reúnem em São Paulo, devem, em primeiro lugar, levar em conta a relação dos candidatos submetidos às respectivas convenções, analisar os casos que podem motivar indignação e então pressionarem aas legendas. Como fazer isso? Somente através dos meios de comunicação, formulando as restrições caso por caso, reunindo as informações existentes que acentuem que esse e aquele não devem merecer a confiança popular. Neste plano, as direções partidárias têm mais força que a lei. Basta que aceitemos obstáculos colocados e não incluam tais pessoas nas relações dos postulantes ao voto popular. Aí funciona o caráter subjetivo das tomadas de posição. Da mesma forma que os eleitores não são obrigados a aceitar a companhia ou a confraternização com pessoas desagradáveis ou de atuação desabonadora, as legendas podem negar a inscrição daqueles cujos precedentes não aconselham que devam ser eleitos. Porém os movimentos articulados em São Paulo, para isso, têm que apresentar situações concretas. Afinal não se pode condenar alguém por ouvir dizer, em função de boatos ou intrigas.

Não estou querendo dizer que o projeto purificador vá alcançar êxito. É difícil. Mas assinalaria uma coerência entro o trabalho de pesquisa das entidades envolvidas e a colocação do resultado nas mãos dos dirigentes partidários e assim às respectivas convenções. O efeito social (e provavelmente eleitoral) poderia ser alcançado pela exposição pública das razões dos vetos caso a caso. Aprovar o projeto ficha limpa no Parlamento é improvável e esbarra na vontade da maioria dos senadores e deputados.

E também no fato de que todo projeto pode ser sancionado ou vetado pelo presidente da República. Uma lei não pode prejulgar. Mas a opinião pública pode influir junto às direções dos partidos. Se as ONGS conseguirem  chegar até esse ponto seu objetivo foi alcançado. Terão cumprido a etapa a que SAE propõem.

Aécio, o “dono” de todas as opções ou alternativas

O governador de Minas não sai do noticiário, por vontade própria e não do partido. Disse que era presidenciável, mudou para candidato a vice, afirmou: “Não serei candidato ao senado”. Que foi o que disse a Itamar, que só disputará o senado se Aécio não disputar.

Ontem, às 15:35, Aécio voltou atrás de tudo: “Serei candidato ao senado, a vice de jeito algum”. Eu, eu, eu não liga para o PSDB. O que não impede que mude de “opinião”, a qualquer momento.

Senado em Minas

José Alencar pode ser ou deve ser. Itamar, que deveria ter sido em 2006, perdeu por 1 voto na convenção, derrotado pelo CORRUPTO Newton Cardoso. A ex-mulher afirmou: “Ele tem 3 BILHÕES DE REAIS”. Sem ter vergonha ou constrangimento, confessou: “TENHO MESMO”. Tudo isso é público, notório, e mais grave: C-O-N-F-E-S-S-A-D-O.

Doutor Fernandinho Beira-Mar

Está fazendo o que se chamava de vestibular, para se formar em Direito. Deverá ser dos primeiros da turma, pelo menos o que não lhe falta é tempo para estudar. Formado, poderá reivindicar prisão especial? E advogará, em benefício próprio ou para clientes? Quem decidirá? E exigirá ser chamado de doutor?

A propósito, Daniel Dantas

Esse é “formado” desde que nasceu. Antes do Natal teve liberdade “GARANTIDA ATÉ SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO, EM DOIS PROCESSOS”. Rigorosamente ilegal. Liberdade preventiva, vá lá, mas para sempre?

No fim do ano, mais presentes: foi ANULADO e ARQUIVADO outro processo contra ele, que vinha desde 2005. Quem foi que disse: “Tenho medo da polícia e da primeira instância, já em cima eu resolvo”. Adivinhem?

Ações do Itaú e do Bradesco, em alta nas Bolsas americanas

Impressionante mas rigorosamente verdadeiro: as ações desses bancos brasileiros (?), estão valendo mais em Wall Street do que os bancos de lá. Comparação: o Bank of America está valendo 40 dólares, o Itaú e o Bradesco muito mais. Informações facilmente comprováveis.

Exemplo que o Brasil
deveria seguir logo

Aconteceu no Paraguai. 1 – O Congresso afastou 2 juízes do segundo mais importante tribunal do país. 2 – Três outros juízes anularam a decisão, e reintegraram os dois. 3 – A Corte Suprema se reuniu e manteve o afastamento deles. 4 – Mais importante ainda: além de não reintegrar os dois juízes, a Corte Suprema afastou os três juízes que “tomaram a decisão conflitante”.

5 – Explicação da Corte Suprema: “As duas decisões não têm validade jurídica, são INCONSTITUCIONAIS. Que maravilha viver, juridicamente, sem nenhum tribunal ONIPOTENTE.

O ostracismo de Tiger Woods,
para o golfe, pior que a crise

Oficialmente começa esta semana a temporada do esporte. Sem defender ou criticar, a verdade é que a ausência dele trará prejuízos fabulosos. Nos EUA 30 milhões de pessoas jogam golfe, 10 por cento da população. O desinteresse sem o grande jogador é total.

Não é apenas, como dizem, dos patrocinadores, dos jogadores, das televisões. Vai muito mais longe. A indústria e o comércio estão praticamente em pânico. Os que fabricam e os que vendem, já fazem cálculos assustadores. Do taco até os sapatos, passando por uma infinidade de objetos, quem irá comprar? E se deixarem de assistir, como surgirão gerações de apaixonados pelo golfe?

Serra – Jarbas Vasconcellos

Em 2002, candidato a presidente, o paulista convidou o pernambucano para seu vice. Convite aceito. Só que não tendo confiança no seu vice, Jarbas queria que ele renunciasse, o que não aconteceu. Sorte de Jarbas, ficou no governo, se reeelegeu.

Se tivesse sido vice de Serra, teria perdido e ficado sem mandato. Hoje, resolvida a questão Aécio, Serra vai convidar Jarbas novamente para vice. Hoje senador até 2014, Jarbas aceitará correndo, bom para Serra. Este vai perder, acaba a carreira. Jarbas volta ao senado, pertence ao PMDB, de gente “que você pode convidar para jantar na sua casa”.

Nota oficial dos três presidentes de Clubes militares

Explicação: recebi em primeira mão, ia publicar, lógico mesmo contrariando minhas convicções. Mas os elogios a Nelson Jobim eram tão exagerados, incoerentes, até acintosos e vergonhosos, que mudei de idéia.

É impossível ELOGIAR publicamente um cidadão, que FRAUDOU a Constituição (de 1988) antes de ser publicada e anos depois confessou. Expulso do Supremo, (para onde jamais deveria ter ido) teve que antecipar em 10 anos a saída do Supremo. E misturava a presidência desse órgão, com a advocacia.

Elogio merece por exemplo, a jornalista da Folha, Eliane Cantanhêde, que deu furo espetacular, publicando na íntegra, o parecer técnico da FAB, sobre a compra dos caças. Parabéns, principalmente porque nesta época de comunicação instantânea não há FURO.

Divergência no espaço aéreo, aumenta crise territorial

Essa história que estão contando, “a última palavra sobre a compra dos caças será dada pelo presidente Lula”, pura balela ou desinformação. Lógico, quem autoriza ou desautoriza é o presidente da República, seja quem for. Mas não pode contrariar exames técnicos feitos por especialistas, que examinam a questão no interesse da Aeronáutica, nada mais do que isso.

Como os concorrentes são três, da Suécia, França e EUA, é visível o constrangimento e a dificuldade de Lula. Principalmente porque ele foi imprudente, inconsequente e acreditou que baseado nas pesquisas pode fazer o que quiser, lógico que não pode. Quando anunciou, apressada e voluvelmente, que “já estava fechado o contrato para comprar o Rafale, da Dassault”, (que só assim se salvaria da falência) Lula agravou o problema.

Sarkozy, que tinha a questão como resolvida, agora cobra de Lula. O presidente também não pode comprar o Boeing, que além de não ser o melhor, é dos EUA, o que levantará suspeitas de pressão americana.

Conclusão: o Brasil não vai comprar nenhum, (pelo menos este ano) o que irritará muita gente. Principalmente os que conhecem os três tipos de caça. Para este repórter o importante é decidir pelo melhor, de preço mais barato, e que TRANSFIRA TECNOLOGIA.

Pastor Malafaia, compra avião de 12 milhões de dólares

Nem vou dizer que saiu na coluna do Góis, é a terceira vez que cito o colunista esta semana, acaba advertido, já que citado por mim não é nada divertido.

Só que considero humilhação o pastor poder comprar avião de 12 milhões, mesmo de dólares. A “fúria” e a forma “avassaladora” com que “pede” dinheiro aos “companheiros da fé”, mereceriam um jato muito mais abrangente e dominador dos ares.

Palavras preferenciais (repetidas de forma autoritária) do pastor: “Vocês precisam nos ajudar com suas contribuições, pois só assim podemos ajudá-los. Este programa é nosso, vocês contribuem para que eu possa levá-los no caminho de Deus”. Agora, com o avião, esse caminho será percorrido em muito menos tempo.

Serra, Kassab e até Alckmin,
não se salvariam da enxurrada

O governador diz que não tem nada com isso, o prefeito se esquiva, jogam a “culpa no temporal e no excesso de chuva”. Não é nada disso. É verdade que vem de longe, mas os sucessores não fizeram nem fazem nada.

Construíram o que chamaram de MARGINAL, (quase fazendo mea culpa), e não viram que à beira da água, qualquer temporal invadiria a cidade. A arquitetura e o urbanismo ganham cada vez maior importância no mundo, Serra, Kassab (e Cabral) não viram, não souberam, não perceberam.

Alckmin considera que “sua candidatura” derrapou e se enlameou com tanta destruição. Quanto tempo ele esteve no governo?

Deu no Estadão:”Cabral assinou decreto permitindo construção de novos imóveis em Angra e Ilha Grande”. Isso em Junho de 2009. E agora?

“Moradores e ambientalistas da Ilha Grande recolhem, há quatro meses, assinaturas contra um decreto de Cabral que abriu uma brecha para novos imóveis na região. O Decreto nº 41.921/09, publicado em junho de 2009, autoriza a construção em locais não edificáveis da Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios, que inclui uma faixa de mais 80 quilômetros do litoral de Angra, a face da Ilha Grande voltada para o continente e as mais de 90 ilhas da baía. A Pousada Sankay e outras sete casas soterradas, na tragédia que matou 29 pessoas, ficam na região.

“O governador demonstra desapreço pela área ambiental. Estimula a especulação imobiliária e dará cabo das poucas e bem preservadas áreas que compõem a Baía da Ilha Grande”, diz um manifesto que busca assinaturas na internet. Segundo o presidente do Comitê de Defesa da Ilha Grande, Alexandre Oliveira e Silva, o documento já tem 6 mil assinaturas.

“O decreto entrega à especulação imobiliária o filé mignon da Ilha Grande. Qualquer um sabe que não é difícil, ainda mais quando se tem boas relações com quem licencia, apresentar laudo de que o terreno já foi degradado”, afirma Silva. “Acho que ele (Cabral) está mordendo a língua, sendo demagogo. A pousada atingida fica nessa área, que é toda parecida geologicamente. Há risco.”

Comentário de Helio Fernandes
É completamente irresponsável. Como está dito na matéria, antes da catástrofe, moradores recolhiam assinaturas para anular o decreto de fantástica “especulação imobiliária” (Redundância). O governador anulará esse 41.921? No momento em que tudo era destruído, Cabral estava na bela-fazenda-ilha-praia-imóvel de Mangaratiba, comprada com o esforço de uma vida. Praticamente a 50 quilômetros de Angra, não fez nada. Como o helicóptero estava no terreno e o vice Pezão, com ele, à disposição, mandou-o para lá. E foi descansar, que o corpo também não é de ferro. (Ascenço Ferreira)

Barcelona – Madri

Luiz Carlos Gomes da Silva
“Helio, li na coluna do Gois, que a luta entre as duas cidades está cada vez mais grave. É possível que isso seja mesmo verdadeiro? Gostaria de uma explicação”.

Comentário de Helio Fernandes
Essa luta tem quase 100 anos, e para começo de conversa não são duas cidades. Madrid é cidade, capital da Espanha. Barcelona é mais do que uma cidade, é um país, por isso a Catalunha tenta, de forma rebelde mais consciente, se emancipar.

A hostilidade Barcelona-Madrid, se aprofundou em 1936, com a Proclamação da República. Eleito e empossado o presidente, os generais se dividiram. Os Republicanos, liderados pelo general Molla, tentavam manter o presidente. Os golpistas, comandados pelo general Franco, queriam garantir a Monarquia.  Apesar da República ter sido votada e o presidente eleito pelo povo.

De 1936 a 1939 travou-se a maior (proporcional, lógico) guerra civil de todos os tempos. Milhões morreram, foi assassinado (fuzilado por ordem de Franco, já ditador) o grande poeta, Federico Garcia Lorca. Além dos assassinos, só duas grandes figuras, universais, assistiram o fuzilamento: Neruda e Hemingway. Como esses assassinatos ocorriam de madrugada, quando o sol nascia, Neruda escreveu na hora: “Mataram a Federico, quando la luz assomava”.

O General Franco manteve a ditadura por quase 50 anos. Barcelona intransigente, Madrid subserviente. A hostilidade se transferiu até para o futebol. Franco “torcia” pelo Real Madrid, quando enfrentava o Barcelona na capital, ia aos jogos, ficava desesperado com as derrotas mais do que continuadas. Quando os jogos eram em Barcelona, Franco, apesar do aparato policial, não tinha coragem de ir.

‘Dilma, Dirceu, Minc foram
lacerdistas, depois dele
alijado pelos militares”
Antonio Santos Aquino

É provável, Aquino, bem provável, mas quase impossível por causa do tempo, da idade e da morte. O tribuno morreu em 1977, com 63 anos. Portanto, há 32 anos, quando os três citados por você, tinham curiosamente, 32 anos. (De idade). Temos que somar mais 11 anos, pois a partir de 1966, Lacerda já estava no ostracismo, o que você chama de “alijado pelos militares”.

Dessa forma, Dirceu, Minc, Dilma, teriam 21 anos, QUANDO LACERDA MORREU. Como rotularem os três de lacerdistas? Não houve tempo para nada. Outra coisa, Aquino: não havia espaço para “lacerdismo” junto de Lacerda, e longe dele, podia ser tudo menos lacerdismo. O único Lacerda histórico e intransigente foi o próprio Lacerda.

Com as devidas restrições, comparação com Marx. O único marxista que existiu foi Karl Marx. Nem Engels foi marxista, era admirador e financiador, mais nada.

Quanto à frase, “alijado pelos militares”, é excelente, Aquino, mas tão longe da verdade quanto Nelson Jobim da realidade. Os militares JAMAIS COGITARAM DE LACERDA PRESIDENTE. E tiveram um “rasgo de criatividade” quando convidaram Lacerda para embaixador na ONU. Era tão óbvio que pretendiam alijá-lo, (desculpe usar a tua palavra) que Lacerda percebeu na hora, e recusou.

E vou fazer uma revelação, que poucos perceberam ou acreditarão: Lacerda era extraordinário orador, grande parlamentar, mas péssimo analista.

Deu no Globo:
“Governo identifica 70 áreas
de risco em Angra e Paraty”

Comentário de Helio Fernandes
O jornalão fala, fala, escreve, publica no site, no blog, no celular, mas não diz nada. Ou quando tenta explicar, se confunde. Cita várias vezes “o governo”, mas ninguém sabe se é o do Rio capital, de Angra ou de Paraty. Quanto ao governador do Estado do Rio, (que engloba tudo) é deixado sempre de fora de qualquer coisa.

A adoração e a idolatria do “jornalão pelo cabralão”, é instantânea e eterna. Quer dizer: depois que se acertaram, se coordenaram e assinaram o pacto de união, não há cartório capaz de desuni-los. Ou fazê-los “desassinar, o que está no papel, “o papel de um jornal”.