CVM agora investiga corrupção até na queda dos juros pelo Banco Central

Prentice Franco

É inacreditável o ponto a que chegamos. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu investigar o mercado futuro de juros no Brasil.

Compartilhe no Twitter: “A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiga, pela primeira vez na história, se houve movimentação atípica na semana da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, quando a taxa básica de juros baixou 0,5 ponto percentual, em 31 de agosto”.

A CVM apura informação de que quatro bancos no Brasil tenham mudado de posição no mercado futuro de juros naquela semana.

Os bancos estariam apostando na manutenção da Selic, e, em curto espaço de tempo, às vésperas da reunião, mudaram a posição para queda.

Procurada, a CVM respondeu que “não comenta investigações em curso.

Traduzindo: há corrupção em toda a esfera da administração pública.
Só uma revolução para acabar com essa corrupção!!!

O caso Cesare Battisti é como a corrupção nos órgãos públicos brasileiros: parece não ter fim.

Carlos Newton

Agora é o sempre atuante Ministério Público Federal no Distrito Federal que pede, em uma ação civil pública, a anulação da concessão do visto de permanência no Brasil ao terrorista italiano e a sua consequente deportação. O caso será julgado pela 20ª Vara Federal.

Como se sabe, Battisti foi condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando militava no grupo de extrema-esquerda PAC (Proletários Armados pelo Comunismo). Mas ele nega as acusações, por ter sido julgado à revelia e levado a culpa dos militantes presos, e que diz que os ex-companheiros o culparam para escapar de penas maiores (todos já estão soltos).

A Procuradoria do DF (responsável também por um dos inquéritos contra o ex-ministro Palocci) alega que o ato de concessão do visto ao italiano é ilegal e contraria “expressamente” o Estatuto do Estrangeiro, porque, de acordo com a lei, é proibida a concessão de visto a estrangeiro condenado ou processado em outro país por crime doloso, passível de extradição.

Segundo o procurador Hélio Heringer, em entrevista à Agência Brasil, o Supremo Tribunal Federal, ao analisar o processo de extradição de Battisti, concluiu que os delitos cometidos pelo italiano são crimes comuns e não políticos. Portanto, passíveis de extradição, segundo a Constituição brasileira.

Mas o que livrou Battisti foi a decisão do Supremo afirmando que cabia ao chefe do Poder Executivo, em ato político, a palavra final quanto à extradição do estrangeiro reclamado. No caso de Battisti, o ex-presidente Lula decidiu, no último dia de seu governo, pela não-extradição do italiano.

Para Heringer, a decisão política do ex-presidente não muda a natureza dos crimes imputados a Battisti. “Tal competência é exclusiva do Supremo, e foi exercida para declarar os crimes praticados como sujeitos à extradição. Desse modo, sendo os crimes dolosos e sujeitos à extradição segundo a lei brasileira, não há que ser concedido visto de estrangeiro a Cesare Battisti”.

Por fim, o procurador esclarece que não se cogita a hipótese de entregar Battisti à Itália, país de sua nacionalidade, o que, indiretamente, violaria a decisão do ex-presidente da República. Assim, a deportação seria para o país de procedência, o México, onde Battisti viveu antes de mudar para o Brasil, ou para outro país que concorde em recebê-lo.

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MINISTRO DO SUPREMO IRONIZA

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal. defende a legalidade do visto que liberou a permanência do italiano Cesare Battisti no Brasil.

“Ele tem que ter aqui no Brasil uma documentação para permanecer. Qual será a documentação? Se o Ministério Público indicar uma outra tudo bem, mas se não indicar, é o visto”, ironizou.

Em declarações a Agência Brasil, Marco Aurélio disse que não cabe nova discussão jurídica porque a permanência de Battisti no Brasil é um ato de soberania. “Não creio que ele possa ser lançado em uma nova via crucis.”

 

Os escândalos se multiplicam e o TCU questiona contratos do Ministério do Turismo com a Fundação Getúlio Vargas.

Reportagem de Alessandra Mello, no “Correio Braziliense”, mostra que Airton Pereira, ex-secretário nacional de Políticas do Turismo, que já foi o terceiro na hierarquia da cúpula do Ministério do Turismo, continua fechando convênios com o órgão, apesar de estar fora do governo federal desde janeiro de 2010.

O ex-secretário, ligado ao PT fluminense, é atualmente coordenador de Projetos de Turismo da Fundação Getulio Vargas, cargo que passou a ocupar pouco tempo depois de deixar o ministério. Com Airton no comando dos projetos, a FGV, que já tinha convênios firmados com a pasta, fechou outros na casa dos milhões de reais e com dispensa de licitação.

Até agora, o cronograma oficial da Copa do Mundo, segundo levantamento feito pela organização não governamental Contas Abertas, que acompanha a execução financeira do orçamento da União, contabiliza R$ 11,5 milhões de pagamentos administrativos efetuados pelos ministérios do Esporte e do Turismo. Desse montante, 60% foram direcionados à FGV.

A Fundação é uma das entidades que até agora mais recebeu recursos do Ministério do Turismo para a Copa do Mundo de 2014. Dois dos principais convênios com a pasta foram assinados no ano passado e totalizam R$ 6,5 milhões. Os recursos são para a criação de um sistema de monitoramento dos programas de qualificação de profissionais do turismo e para a prestação de serviços de apoio pedagógico para a gestão do Programa Bem Receber Copa do Mundo.

Apesar de alguns prazos já terem expirado, boa parte das ações desses contratos, firmados com dispensa de licitação, ainda não saiu do papel. É o que aponta o Acórdão n° 2.236/2011 do Tribunal de Contas da União (TCU), aprovado no fim de agosto, que questiona a contratação da Fundação sem que tenha sido apresentada pesquisa de preços de mercado com outras instituições para justificar o valor pago a FGV.

Segundo a auditoria, ações que deveriam ser executadas no primeiro contrato, firmado em fevereiro de 2010, foram repetidas no segundo contrato, datado de dezembro de 2010. Pelo menos desde maio daquele ano, Airton Pereira responde pela direção dos projetos turísticos da FGV, mas, segundo representantes do setor, ele já atuava na Fundação desde a assinatura do primeiro convênio com o ministério

O relatório afirma que o ministério gastou R$ 2,8 milhões com a FGV para a elaboração de um sistema que permitiria fiscalizar as ações do programa, chamado Siga, mas ele ainda não havia saído do papel. O TCU também aponta duplicidade de pagamentos nos dois contratos firmados com a FGV para ações voltadas à Copa de 2014 e que foram alvo de auditoria dos técnicos do tribunal.

Airton Pereira , que trabalhava no Ministério do Turismo desde 2003, era subordinado ao então secretário executivo do ministério, Frederico Silva da Costa, número dois na hierarquia da pasta, preso em agosto durante a Operação Voucher, da Polícia Federal, que investiga o desvio de recursos públicos.

Agora é o Ministério da Saúde bancando academias de ginástica e pistas de skate. Isso não vai acabar nunca?

Carlos Newton

A que ponto chegamos? Agora, é aplicação de recursos da saúde com despesas de outras áreas que está na mira do Ministério Público. Diante das graves denúncias revelada por O Globo, o defensor público federal André Ordacgy decidiu instalar um procedimento administrativo para apurar o caso. O Ministério da Saúde tem prazo de 30 dias para tomar posição e, caso não acate as recomendações da Defensoria, será acionado na Justiça Federal.

Reportagem de André de Souza mostra que o 1º Ofício de Direitos Humanos e Tutela Coletiva da Defensoria no Rio já abriu várias ações judiciais contra a União cobrando o obrigatório custeio de políticas de saúde. Segundo o defensor André Ordacgy, a União costuma alegar nessas ações que não há dinheiro suficiente para todas as políticas públicas da área.

“Como pega então esse dinheiro, que vive dizendo que é insuficiente, para aplicar em outras políticas que não são saúde pública? Isso é um contrassenso, isso é contraditório, isso não pode ser admitido. A verba para saúde pública já é pouca, não pode ser desviada” – diz ele.

A denúncia de O Globo revela que recursos destinados ao atendimento médico básico, universal e gratuito à população, em especial às parcelas de menor renda, estão sendo aplicados em outros fins. Assim como estados e municípios, que já foram acusados de maquiar os orçamentos da Saúde, o governo federal também contabiliza no Piso Nacional da Saúde despesas que deveriam ser custeadas por outras áreas e que, em alguns casos, são consideradas ilegais.

O defensor público federal argumenta que academias públicas de ginástica, pistas de skate e quadras devem ser custeadas diretamente pelo Ministério do Esporte, pois jamais se poderia fazer uma interpretação tão extensiva para tirar dinheiro do Ministério da Saúde, alegando que praticar esportes evita doenças, como se estivesse sobrando na Saúde para destinar a outras áreas de atuação do governo.

Entre os gastos apontados pelo O Globo que fogem da área do Ministério da Saúde estão também gastos administrativos em que se embutem despesas com assistência médica e odontológica aos funcionários da área e a seus dependentes (R$ 212,8 milhões), auxílio-alimentação (R$ 230 milhões), auxílio-transporte (R$ 50,9 milhões) e até assistência pré-escolar (R$ 5,9,7 milhões). Por fim, ocorre o desembolso dobrado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com os hospitais universitários.

“A assistência médica e odontológica aos funcionários públicos deve ser provida ou pelo Fundo de Previdência ou por plano privado próprio, e não pelo Ministério da Saúde” – diz Ordacgy, assinalando que gastos de prevenção não podem ser empurrados para o Ministério da Saúde. Segundo ele, ao fazer isso, o governo abre precedentes para que muitas outras ações de prevenção – de outras áreas do governo – sejam incluídas no Piso Nacional da Saúde.

Já o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, disse ao repórter André de Souza que os recursos hoje existentes para a Saúde são suficientes, mas, infelizmente, seu trato se dá de forma irresponsável. “Acabam servindo para instrumentalizar a corrupção entre as instituições públicas. Se houvesse seriedade na aplicação dessas verbas, certamente não faltaria dinheiro para a saúde”, acentuou o dirigente da OAB nacional.

Rio de Janeiro: tragédias anunciadas pela omissão e sem responsáveis

Milton Corrêa da Costa

Numa cena própria de filme de ação ou de atentado terrorista no Iraque, no Afeganistão ou em embaixadas, numa explosão equivalente a 10 quilos de dinamite, o térreo e o subsolo de um prédio comercial no centro no Rio, onde funcionava irregularmente um restaurante (vazamento de gás é a causa provável) foi pelos ares. Resultado da tragédia: corpos arremessados a vários metros, parte do prédio demolida, 3 mortos, 17 feridos (4 em estado grave), corpos queimados, dor, pânico, sofrimento e jogo de empurra para fugir da responsabilidade de quem poderia ter evitado a tragédia anunciada. O restaurante, como um nome sugestivo, de Filé Carioca, virou um amontoado de escombros e destroços.

De uns tempos para cá, como já não bastasse conviver cotidianamente com a morte por tiro de fuzil na próxima esquina (balas perdidas e tiros certeiros), apesar de todo o esforço de autoridades e seus agentes para reduzir a violência – vide o importante projeto da UPPs -, o carioca vive agora o pavor do descaso pela explosão por vazamento de gás, de bueiros, por tragédias em bondes, nos parques de diversões com brinquedos assassinos, etc, etc.

A cada bueiro explodido já há inclusive uma quantia pré-estabelecida pelo valor da vida humana perdida ou mutilada ou pelo dano material causado. O órgão i(responsável), seja a Light, Ceg, companhia telefônica ou quem for, paga R$ 100 mil e pronto. Tá resolvido o problema da omissão da prevenção.
No caso do acidente que matou dois jovens num parque de diversões na Zona Oeste do Rio, há dois meses, (pasmem) o engenheiro i(responsável) apenas assinava – já o fazia há alguns anos- os laudos técnicos sobre o suposto bom estado de conservação dos brinquedos, sem sequer vistoriar o local.

Na tragédia com o bonde que matou 5 e feriu 57 no bairro de Santa Teresa ( impressiona a fotografia do bonde tombado) a perícia constatou 23 itens de mau estado de conservação do tradicional e secular meio de transporte de um dos mais belos cartões postais do Rio.

Na cena de terror desta quinta-feira, 13/10, no centro da cidade, a edificação não foi aprovada para utilização de gás combustível, seja sob a forma de cilindros de GLP ou canalizado de rua sem prévia autorização, mas o restaurante funcionava. Fica então uma pergunta a ser respondida, (espera-se) após a conclusão dos inquéritos técnico e policial. Quem são os responsáveis pela imprudência, pela omissão, pelo descaso, pela negligência e pelo dever de fiscalizar? Que pelos menos cada qual responda civil e criminalmente por seus atos. As vítimas e seus familiares exigem justiça e a responsabilização. Por enquanto, o Rio continua sendo a Cidade do Terror. Aguardemos agora a próxima tragédia evitável.

(Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM do Rio)

 

Usando seu “Partido Frankenstein”, Kassab consegue agitar os bastidores da eleição para prefeito de São Paulo.

Carlos Newton

O novo PSD está reanimando o cenário político. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, fundou um partido do tipo Frankenstein, sem perfil ideológico, sem lenço e sem documento, uma coisa amorfa, mas que consegue marcar presença diante das outras legendas. Dias depois de o PSD ganhar registro, Kassab já saía em campo, dando novo enfoque à sucessão da Prefeitura de São Paulo, o terceiro maior orçamento público do país.

Primeiro, ele ofereceu aliança ao PSDB nas eleições para prefeito de São Paulo, ano que vem, e para governador, em 2014. Kassab sonha alto e pretende que o candidato a prefeito seja do PSD, com o PSDB na vice, o que parece altamente improvável. Kassab aposta na candidatura do atual vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, mas os tucanos não admitem ficar em situação de inferioridade, indicando apenas o vice-prefeito.

Em meio a essa confusão, Henrique Meirelles se filia ao PSD e se oferece para ser candidato a prefeito, o que mudaria tudo. E o deputado Paulo Maluf, do PP, dá entrevista ao repórter Kennedy Alencar, na TV CBN, dizendo que poderá ser candidato a prefeito em 2012, o que mudaria novamente o quadro.
Mas acontece que Malu está blefando. Ele depende de um julgamento do Supremo, porque tem ficha suja. Se o STF confirmar que a Lei da Ficha Limpa vale em 2012, adeus candidatura.

Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, é uma figura paradoxal. Nunca escondeu que sua meta é a presidência da República. O primeiro passo foi se eleger deputado federal pelo PSDB de Goiás, em 2002, com quase 183 mil votos, mas desistiu do mandato quando Lula o convidou para presidir o BC. Depois, sonhou ser candidato à sucessão de Lula em 2010 e até se filiou ao PMDB, mas o partido recusou-lhe a legenda. Tentou, então, ser vice de Dilma Rousseff. Também não deu certo. O PMDB já estava fechado com  Michel Temer. Agora, no desespero, Meirelles embarca no PSD, sonhando ser candidato a presidente em 2014. “Imodéstia e ambição para isso não faltam ao ex-presidente do Banco Central”, comenta Kennedy Alencar.

Meirelles tem se queixado do governo Dilma. A presidente não o quis no BC, apesar do conselho de Lula para mantê-lo no cargo. Nos projetos que envolvem a Copa e as Olimpíadas, ele tem sido pouco ouvido. Sente-se menosprezado por Dilma.

Ex-presidente mundial do BankBoston, dinheiro não é problema para Meirelles, que só visa o poder. Em 2002, como era preciso colocar alguém no Banco Central que defendesse os interesses do sistema financeiro, para “acalmar o mercado”, Meirelles foi indicado a Lula por Aloizio Mercadante, que tinha sido seu assessor econômico no BankBoston e acabara de se eleger senador pelo PT de São Paulo.

Bem, já que o esquema era para preservar os interesses do “mercado”, Meirelles aceitou o “sacrifício”, renunciou ao seu mandato de deputado federal (era obrigatório fazê-lo) e assumiu o Banco Central. Assim se passaram quase oito anos, até que em março de 2010 Meirelles ia sair, para se candidatar ao Senado ou ao governo de Goiás, pelo PMDB, e especulava-se que poderia ser até o vice na chapa de Dilma.

Mas o presidente Lula, da mesma forma como convencera Ciro Gomes a ficar na “regra 3”, com reserva de Dilma Roussef, também convenceu Meirelles a desistir da eleição e permanecer até o fim de 2010 no Banco Central. Isso aconteceu na chamada “undécima hora”. Meirelles foi o último ministro de Lula a se decidir sobre a desincompatibilização.

É redundantemente claro, lógico e evidente que Meirelles só aceitou porque achou que continuaria no cargo no governo Dilma ou poderia até ser promovido para o Ministério da Fazenda. Acontece que o “acordo” foi feito com Lula, mas quem empunhava a caneta para assinar a nomeação de ministros era Dilma Rousseff,

Meirelles ficou na mesma condição de Ciro Gomes. No relento. Mas agora já está com 65 anos e só haverá eleições gerais em 2014, quando estará muito próximo dos 70 anos, o que faz muita diferença em disputas majoritárias.

Agora, Meirelles quer abrir nova vereda, usando como trampolim a prefeitura de São Paulo. Já está com o talão de cheques em punho.

 

Intransigência da ECT, por quase nada, causou um prejuízo enorme

Pedro do Coutto

O Tribunal Superior do Trabalho, reportagem de Renato Machado, Folha de São Paulo de 12 de outubro, determinou à Empresa de Correios e Telégrafos, estatal que emprega 110 mil servidores, a concessão de quase o mesmo aumento pleiteado pelo sindicato da categoria. Reposição inflacionária de 6,8%, mais 80 reais e um tíquete extra de alimentação no valor de 575 reais.

O pessoal dos Correios concordava com os 6,8%, porém pediam aumento de 100 reais e abono de 800 reais. O presidente da ECT, Wagner Pinheiro, do PT, propunha aumento real de 50 reais. E negava o abono de 800. É só confrontar a decisão do TST com a proposta sindical para se verificar ser mínima a diferença. Nada que justificasse, de parte do governo, levar a uma greve de 28 dias. Como assinalou inclusive Joelmir Beting, no Jornal da BAND, poucos dias atrás, nota zero para a ECT em matéria de conduzir a questão trabalhista.

Os prejuízos foram enormes para a população e para a própria economia nacional. Financeiramente para a ECT, de 560 milhões de reais (20 milhões por dia); para a economia nacional a retenção de 184 milhões de correspondências, incluindo encomendas. Para o governo, desgaste político desnecessário.

A ECT irritou 105 mil eleitores por uma diferença irrelevante. Sobretudo no momento em que por lei, foi transformada em empresa pública, portanto obtendo autonomia administrativa. Acarretou uma freada na economia. Mas acrescentou aos bancos, uma vez que as contas pagas com atraso vão sofrer a incidência de juros. Um absurdo, um desconforto, um constrangimento. Perderam quase todos. Sem motivo concreto de peso, na verdade.

 Faltou sensibilidade. O que nós não sabíamos ser tão alto, mas a ECT tinha pleno conhecimento, era o movimento diário de praticamente 6 milhões de correspondências de todos os tipos. Tanto assim que em quase 30 dias o volume acumulado de remessa atingiu 184 milhões de unidades. Em torno, portanto. de 200 milhões por mês ou 2,4 bilhões a cada doze meses. É só fazer a média mensal e considerar que o total de cartas e cartões cresce muito em dezembro.

Um mercado de 2 bilhões e 400 mil correspondências por ano não é nada pequeno. Aproxima-se inclusive, apesar da presença da internet na comunicação, do total registrado anualmente nos Estados Unidos. Lá são 2,7 bilhões de correspondências por ano, mas a população americana é de 300 milhões de habitantes, 35% maior que a brasileira. Em média, em correspondência per capita, estamos à frente dos Estados Unidos.

Em matéria de empregos, a ECT só perde entre nós, para o funcionalismo público e para a Petrobrás. Situa-se em terceiro lugar, empatada com o Banco do Brasil.A reportagem de Renato Machado (homônimo do apresentador do Bom Dia Brasil da Rede Globo), indiretamente, acentua a forte presença da comunicação escrita embora a rede de informática avance a cada dia.

Mas há limitações para tal avanço. Um deles o sogilo das informações remetidas. Colocar certo tipo de informação seja pessoal, comercial ou industrial na rede, pode significar um acesso a ela inconveniente sob todos os aspectos, ou então o rompimento de um sigilo indispensável. Informações sobre técnicas patenteadas, por exemplo. Ou a respeito de cadastros empresariais e pessoais. Cadastros pessoais que alimentam as redes insuportáveis de telemarketing.

Além da intransigência patronal de sempre, a greve na ECT serviu para revelar à opinião pública que as coisas não são nunca tão simples como parecem à primeira vista.

Histórias de Amaral Peixoto

Sebastião Nery

Amaral Peixoto, 74 anos, senador do MDB do Rio, no dia 15 de dezembro de 79, quando o PMDB e o PDS estavam sendo criados, passou três horas  trancado com o ministro da Justiça Petrônio Portela, 54 anos, traçando seu destino político, por causa do controle do PMDB do Rio por Chagas Freitas. Petrônio queria uma resposta de Amaral para levar a Figueiredo :

– Como é, senador, então o senhor vem mesmo para o PDS?

– Vou. Mas há uma condição inarredável. Preciso do aval do Presidente.

– Não há problema. O Presidente o convocará.

Amaral pega o avião, voa para o Rio.

Amaral e a mulher Alzirinha

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AMARAL

No dia seguinte, o deputado José Alves Torres, o Zeca Torres, liderado fiel de Amaral, vai visitá-lo :

– Como é, comandante? Tudo resolvido? Os jornais dizem que o senhor conversou longamente com Petrônio e acertou a ida para o partido do governo.

– Conversamos, sim. Mas ainda não acertei com o governo. Só vamos com o aval pessoal do Presidente.

– Por que a duvida, comandante?

– Ora, meu filho, não basta fazer o acerto com o Petrônio. Ele pode sair do ministério, pode morrer, quem é que vai continuar a cumprir o acordo?

– Mas, comandante, o Petrônio está forte no ministério e é muito jovem.

– Sei disso. Mas tudo pode acontecer. Ele pode cair, morrer.

No dia 6 de janeiro, Petrônio morria de enfarte. Que boca!

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JURACY

Amaral Peixoto contou à revista “Visão” :

“Quando ia ser promulgado o Ato Institucional nº 2 (27 de outubro de 65), Juracy Magalhães, ministro da Justiça de Castelo Branco, me declarou que, pelo seu passado revolucionário, de liberal, não poderia permanecer no governo. Que o presidente Castelo Branco, dada a pressão que havia nos meios militares, seria obrigado de qualquer maneira a baixar um Ato, fazendo aquilo que o Congresso não queria fazer”.

“Eu respondi que seria preferível que Castelo fizesse um Ato Institucional, porque o Congresso se desmoralizaria votando aquelas medidas. E Juracy me disse que aconselharia o presidente Castelo a fazer, embora, pelo seu passado, não pudesse continuar no ministério”.

“Juracy dizia que não ficaria no ministério porque o AI-2 era uma medida ditatorial. Tanto assim que, se tivesse querido, teria sido ministro do doutor Getulio (depois de 37), com quem tinha boas relações – e realmente tinha – e nunca aceitou. Mas acho que depois ele se esqueceu disso, porque assinou o AI-2 e continuou no ministério da Justiça”.

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GETULIO

Eleito presidente da Republica em 1950, Getulio Vargas foi jantar na noite de Natal na casa da filha Alzirinha e do genro Ernani do Amaral Peixoto, também eleito governador do Estado do Rio.

O jovem jornalista José Lino Grunwald, estudante, comentou o abatimento em que estava Cristiano Machado, candidato do PSD, derrotado por ele. Getulio perguntou a Amaral:

– Já me falaram. É verdade mesmo, Amaral?

– É, presidente.E, pior do que abatido, está muito magoado, sofrido.

– Ora, Amaral, mais do que o Cristiano, sofreu o Cristo.

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50 ANOS

Durante 50 anos, de 1937 a 87, Amaral Peixoto liderou o Estado do Rio e, depois da fusão com a Guanabara, em 74, comandou o MDB e, a partir de 80, o PDS do Rio.

Interventor do Estado do Rio de 37 a 45, fundador do PSD em 45, deputado constituinte de 46, governador do Estado do Rio de 51 a 55, embaixador do governo Kubitschek nos Estados Unidos, de 56 a 59, ministro da Viação de JK de 59 a 61, ministro do Tribunal de Contas da União de 61 a 62, ministro da Reforma Administrativa do governo João Goulart em 63, deputado federal de 63 a 71, senador de 71 a 87.

Presidente nacional do PSD de 51 até 65, quando Castelo Branco extinguiu os partidos com o AI-2, a firme e corajosa liderança de Amaral Peixoto, desafiando os vetos militares e do governo udenista de Café Filho, e as dissidencias do PSD do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pernambuco, foi decisiva para a consolidação da candidatura de Juscelino e sua vitória na eleição.

Veio o golpe de 64, fundou o MDB e nele ficou até ser dissolvido.

Amaral nasceu no Rio, antigo Distrito Federal, em 14 de julho de 1905 e morreu em 12 de março de 89. Bom livro sobre ele: “Artes da Política, Diálogo com Amaral Peixoto”-CPDOC-FGV (Nova Fronteira).

Dois fortes candidatos

Carlos Chagas

A celebração pelo Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, serviu para fazer emergir, na nem tão plácida assim comunidade católica,  dois nomes de vulto e prestígio não apenas nacionais, mas internacionais: os cardeais Raimundo Damasceno, de Aparecida, e Odilo Scherer,  de São Paulo. Ambos se pronunciaram contra a corrupção.  Como ambos, antes, haviam sido secretários-gerais da CNBB, são  figuras exponenciais nessa nova fase da Igreja Católica e, malícias à parte, dois fortes candidatos a Papa se, no futuro que ninguém almeja venha logo, o comando do Vaticano se transferir  para a América Latina. Um do Sul, outro do Nordeste. 

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ELE TAMBÉM NÃO SABIA

Divulga o governo do Distrito Federal que o governador Agnelo Queirós não sabia da aquisição, pelo Detran, de dezenas de pistolas elétricas que paralisam por cinco segundos o cérebro das vítimas. Vai proibir que agentes do trânsito local possam utilizar essas maquininhas diabólicas, mas completa trocando o seis pela meia-dúzia: destinará as pistolas às polícias militar e civil de Brasília…

Trata-se de truculência explícita armar funcionários do poder público de instrumentos cujas consequências, se utilizados, ninguém sabe ao certo. Sequelas poderão sobrevir, agora não mais em motoristas embriagados ou em transgressores dos sinais de trânsito, mas em usuários de drogas, assaltantes de botequins e suspeitos de toda ordem. 

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UM FIM DE SEMANA TRANQUILO

A presidente Dilma viajou ontem para Curitiba e Porto Alegre. Aproveitará o fim de semana para celebrar com atraso o primeiro aniversário do  neto, na capital gaúcha. Brasília já estava vazia de parlamentares, por conta do feriado de quarta-feira, e mais ficou com a saída da presidente da República, seguida por diversos ministros, para diversos pontos do território nacional. Como Dilma só retorna domingo ou segunda, a placidez toma conta da capital federal, já que nos tribunais superiores também se registra a ausência de seus integrantes. Melhor assim.

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A HORA DA ANÁLISE 

Interrompida a greve dos funcionários dos Correios e diante da perspectiva de os bancários também suspenderem a paralisação de suas atividades, logo começarão análises reunindo não apenas essas greves, mas as dos professores, dos motoristas, dos policiais e de uma penca de profissionais espalhados pelo país.

Por que esse surto de manifestações acentuadas durante o primeiro ano de mandato da presidente Dilma? As centrais sindicais, mesmo permanecendo em cone de sombra, participaram das negociações que redundaram nas greves. Como não agiam assim no governo Lula, há quem suponha o dedo do PT nas manifestações. O partido não hesita em criar problemas para o governo que nominalmente compõe, mas nem tanto quanto o anterior. Vamos aguardar as teses e os ensaios.

O futuro pela janela

Sebastião Nery

No apartamento discreto da Zona Sul, do Rio, Petrônio Portela, presidente nacional da Arena, estava surpreendentemente intranqüilo naquela noite de 1974. A garrafa de uísque, o balde de gelo, dois copos, um jornal, era só. Toca a campainha, o próprio Petrônio abre a porta. Entra Delfim Neto. Gordo mas agil, sorridente, meia hora de amena conversa. Petronio abriu o jogo :

– Delfim, vamos falar de São Paulo. Na verdade, não há o que discutirmos. Há uma decisão tomada e tenho apenas que comunicá-la. Você não pode ser o novo governador de São Paulo.

– Mas isto é uma violência. Tenho sete anos de serviços prestados à revolução. Não posso aceitar este veto.

– Muito mais serviços à revolução, mais do que você e mais do que eu, prestou o Lacerda. E foi tirado de campo (cassado no AI-5 de 1968).

– Mas Lacerda fez a Frente Ampla. De que me acusam?

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DELFIM

Petrônio serviu um uísque para os dois e continuou:

– Não se trata de acusar, Delfim. O governo Geisel tem uma estrategia para São Paulo e você não está enquadrado nela.

– Não me conformo. Vou disputar na convenção.

– Iria, Delfim. Não vai haver mais convenção. Os diretorios é que indicarão o governador.

– Tenho maioria no diretório.

– Tinha. Não terá mais. Está tudo acertado.

– Então disputo o Senado.

– Também não pode. O governador será o Paulo Egidio e o senador o Carvalho Pinto.

– Quer dizer que estou cassado.

– Não está. Vá para a Camara Federal ou para um posto no Exterior.

– Não quero. Volto à universidade.

– Volte. Mas não cometa o erro do Lacerda. Não jogue o futuro pela janela. Deixe a historia caminhar.

Despediram-se, Delfim saiu. Delfim tinha tomado três doses de uísque. Petrônio, uma só.

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QUERCIA

A conversa foi na sala. No escritório do apartamento, que era dele, o senador Vitorino Freire ouviu tudo e me contou, com meu compromisso de só publicá-la depois da nomeação de Paulo Egidio para o governo de São Paulo. Nomeado por Geisel em 29 de março de 74, aprovado pela Assembléia Legislativa em outubro de 74, foi empossado em 15 de março de 75. Carvalho Pinto, o senador indicado, levou uma surra de Quércia em 15 de novembro de 1974:

– “Em 15 de novembro, Orestes Quércia (MDB) conquistou uma vitoria consagradora, obtendo 4 milhões e 600 mil votos contra 1 milhão e 600 mil de Carvalho Pinto, da Arena” (Dicionário Histórico-Biografico Brasileiro, da Fundação Getulio Vargas).

Em janeiro de 75, lancei “As 16 Derrotas Que Abalaram o Brasil”, abrindo com a conversa de Petrônio e Delfim e furando toda a imprensa. Em 7 de fevereiro, Delfim assumia a embaixada do Brasil em Paris, substituíndo Lira Tavares, um dos “três patetas” de Ulysses Guimarães.

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DILMA

Trinta e cinco anos depois, como Geisel nomeou Paulo Egidio governador e d
depois João Batista Figueiredo presidente, Lula nomeou Dilma Roussef candidata do PT às eleições presidenciais de 2010.

E, no PSDB, Fernando Henrique queria nomear logo José Serra candidato, só para não disputar previas com Aécio Neves, que já não ganhava nas pesquisas, não ganharia nas previas e muito menos na eleição.

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ERMIRIO

Durante décadas, o empresário Antonio Ermírio de Morais, dono do monopólio do cimento no pais, queixou-se (e com razão) dos bancos e sua gigolotagem social acobertada pelo Banco Central. Escreveram peças para ele, encenadas em nome dele, defendendo teses empresariais contra bancos.
Até que ele fundou o seu. Criou o Banco Votorantim. E logo explodiu na praça. Guloso como os outros, fez do seu tamborete mais um trampolim para ganhar com juros sobre juros. E quebrou. O governo, que ele sempre condenou por entrar no sistema financeiro e no mercado, mandou o Banco do Brasil comprar 49% do Votorantim : 2,4 bilhões.

Nem teve o pudor de dar um tempo para disfarçar. Com os 2,4 bilhões do Banco do Brasil, arranjou mais 2.5 bilhões do BNDES e comprou a Aracruz Celulose por 5 bilhões. O profeta do livre mercado, do governo fora, trocou seu banco bichado por uma empresa verde e limpa.

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ITALIA

A imprensa está cheia de bobos escrevendo baboseiras sobre a Itália e o asilado Battisti. Deviam ter lido, na “Folha”, o artigo do jornalista Pedro Del Pichia, correspondente da “Folha” em Roma de 78 a 81.

Discuta-se se a luta armada de que ele participou era justa ou errada. A meu ver, erradissima, porque sem nenhuma chance de vitoria. Como também era inviavel a luta armada no Brasil, depois do golpe de 1964.

Mas, como a daqui, a de lá foi uma luta política e não pessoal.

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OBAMA

pacote do Obama está parecendo o PAC de Lula. É um PAC, que virou Pec, não entrou no Pique e acaba estourando como um Poc.

A violência está relacionada e identificada com o torcedor?

José Reis Barata

Não. Dificulta e mesmo inviabiliza lidar com a violência apresentada com essa estrita relação, ou seja, diretamente ligada a um outro sentimento, uma paixão popular, o futebol.

Não é uma mera questão de nome, de palavras, mas, da perfeita identificação do fato no contexto dos assuntos humanos. Só por aqui pelo Nordeste é que alguém batizada como Fernanda se identifica é chamada e conhecida como Mariquita até pelos seus mais próximos.

Fica patente que a violência não pode ser relacionada com o papel de torcedor, mesmo da torcida organizada do futebol, e a autoridade policial dispõe e tem competência e meios (teoricamente) para formalizar denúncia de quadrilha quando couber. A experiente autoridade policial anota fatos e julgamentos que, mesmo a qualquer leitor desatento, contradizem ligar violência ao futebol.

A violência publicada transporta consigo uma série de considerações e discussões que, se desprezadas, induzem a interpretações equivocadas e, com estas, mais erros ainda, erra-se duplamente: ignora-se a verdadeira natureza da coisa e se ignora, também, a própria ignorância.

Talvez seja, de logo, possível imaginar o quão verdadeiro é que o homem se sente “mais homem” quando faz de outro o instrumento de sua vontade. Nota-se em seguida que a violência é instrumental. Homens sozinhos, sem outros para apoiá-lo, nunca tiveram poder suficiente para usar da violência com sucesso. Daí que a tendência do delinquente é a formação de quadrilha ou bando.

Poder (questão de não menor teor de complexidade) e violência sempre aparecem juntos, sendo que aquele sempre é o fator primário e predominante. Não, portanto, são o mesmo. São opostos, o que leva à verificação que o oposto de violência não é a não-violência. O absoluto de um exclui outro.

Que a violência é a exteriorização da raiva parece não ser questionável, também que pode ser patológica ou irracional, o que vale para qualquer outro sentimento humano. No entanto, quando se atenta contra objetos substitutos, torna-se extremamente perigosa, posto que irracional. Aparece quando surge uma ocasião que reúne pressupostos para que se suponha que determinadas condições poderiam ser mudadas, mas, não o são, isto é, quando nosso senso de justiça é ofendido.

A violência sempre é tentadora nessas condições, em função de sua “imediação e prontidão”.

A raiva e sua consequência, a violência, pertencem às emoções naturais do humano, verificando-se por isto mesmo, a impossibilidade de extirpá-las, pois, implicaria em desumanização ou castração.

Nas ações grupais desaparece de pronto o individualismo, ensejando uma sólida coerência grupal. O cometimento de uma ação irrevogável, destruindo atrás de si a ponte para a sociedade respeitada, é a senha para admissão na comunidade da violência.

A violência, por sua eficácia, é racional quanto aos fins. Serve para dramatizar queixas e jogá-las no colo da atenção pública. Então surgem como efetiva provocação nas mãos de minorias discordantes que de outro modo jamais seriam notadas. Nesse sentido denunciam sistemas onde não há ninguém a que se possa inquirir. Estágio conjuntural burocrático vital que se vem acentuando junto com as revoltas violentas que eclodem não somente no entorno de estádios de futebol, nas ruas, praças e avenidas do mundo.

Do dito, exigindo não muita reflexão, parece aceitável dizer que: afastados os casos de criminosos patológicos, é um sentimento natural; qualquer grupo político favorece o uso da violência; existem circunstâncias estimuladoras que as oportunizam; não guarda relação direta com o futebol, quando partindo de agentes organizados que demonstram uma forte insatisfação por se notarem sem vez, sem voto, ou seja, ignorados em escandaloso descompasso com o reconhecido poder que possuem, mas não desfrutam. Exigem o poder, e jamais será afastado o comum uso da violência extremada no futebol, mero tipo, enquanto não se lhes concederem uma via pacífica de exercício – não mera fantasia – organizado do poder nos clubes.

Palocci em inferno astral. Ministério Público abre mais um inquérito criminal contra o ex-ministro que enriqueceu rápido.

Carlos Newton

Além do inquérito criminal que está sendo aberto pela Procuradoria-Geral da República, Seção Distrito Federal, o ex-ministro Antonio Palocci é alvo desde o último dia 29 de mais uma investigação criminal, que apura a suspeita de seu envolvimento em uma operação de lavagem de dinheiro, no aluguel do apartamento em que ele morava na zona sul de São Paulo.

O novo inquérito é da iniciativa do Ministério Público de São Paulo e foi aberto depois da análise de documentos fornecidos pela Junta Comercial do Estado e cartórios de imóveis. A defesa do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, conduzida pelo advogado Jose Roberto Battochio, negou qualquer irregularidade no aluguel do apartamentoem que Palocci morava na cidade de São Paulo, pois ele já se mudou para o apartamento próprio, que custou mais de R$ 6 milhões.

Como se sabe, o patrimônio do ex-ministro aumentou em 20 vezes entre 1996 e 2010. Só no ano passado, quando conduzia a campanha eleitoral de Dilma Rousseff, o ex-ministro teria recebido R$ 20 milhões com contratos da sua consultoria Projeto. Como Palocci deixou de ser  ministro desde 7 de junho, não tem mais foro privilegiado.

Em recente entrevista à Folha, o ex-ministro afirmou que não revelou sua lista de clientes nem à presidente Dilma Rousseff, atribuiu as acusações a ele a uma “luta política” e disse que ninguém provou qualquer irregularidade na sua atuação com a consultoria Projeto.

Por óbvio,  se Palocci não revelou os clientes nem mesmo à presidente da República, isto significa que, se o fizesse, o ex-ministro estaria se incriminando por tráfico de influência. 

Em Brasília, a investigação  da Procuradoria-Geral da República foi conduzida pelo procurador Paulo José Rocha Júnior, que descobriu indícios de irregularidades nos negócios da empresa de Palocci. Reportagem de Jailton de Carvalho, de O Globo, mostrou que o procurador Rocha Junior chegou a essa conclusão após analisar contratos de consultoria, pareceres e a declaração de renda da Projeto. Em 8 de agosto, Rocha Junior  enviou ofício ao procurador-geral Roberto Gurgel para alertá-lo o sobre as novas informações.

Agora, com as novas provas encontradas, outro procurador da Seção Distrito Federal,  Gustavo Pessanha Velloso está abrindo o inquérito criminal para apurar fraudes em documentos da Projeto, empresa de consultoria do ex-ministro da Casa Civil. “Eu mandei o pedido de investigação para a área criminal porque encontrei indícios de crime. Mas não posso dizer quais são. A investigação está sob sigilo”, justificou Rocha Junior.

A consultoria Projeto foi criada em 2006, depois que Palocci deixou o Ministério da Fazenda do governo Lula, após a Caixa Econômica Federal ter quebrado ilegalmente o sigilo bancário do caseiro Francenildo  dos Santos Costa, que denunciara as ligações do ministro com um grupo de Ribeirão Preto que se reunia para orgias numa mansão em Brasília. 

O grande beneficiado de tudo isso é o advogado José Roberto Batochio, que defende Palocci e cobra muito caro por seus honorários. É mais um processo para responder.  E nem quis se pronunciar sobre o novo caso. Disse que aguardará a decisão do Ministério Público.

O Programa “Brasil sem Miséria” e os catadores de lixo em Brasília

José Carlos Werneck

O  problema vem se arrastando há anos e acontece bem no coração da capital da República, sem que as autoridades responsáveis tomem qualquer providência efetiva.

Na avenida L3 Norte, bem ao lado da Universidade de Brasília e outras instituições de ensino superior, além de igrejas, os moradores de Brasília se deparam, diariamente, com catadores de lixo, que “trabalham” sem as mínimas condições, em meio a cenas degradantes, envolvendo crianças em situação de risco, fora da escola, convivendo com bêbados, cavalos doentes, urubus, insetos e roedores e vivendo na maior promiscuidade, para fazer coleta de garrafas pet, latas, papelão e todo o tipo de material reciclável, que são recolhidos sem o mínino de critério, por  pessoas que fazem do lixo a única fonte de sua sobrevivência.

Fala-se tanto em cidadania e inserção social, mas a situação dessas pessoas em Brasília é realmente degradante.

Em 3 de junho passado,matéria de Álvaro Barbosa, divulgada pela Agência Brasil,mostrava catadores de lixo acampados nas proximidades da Esplanada dos Ministérios.

A reportagem era ilustrada com fotos de Elza Fiúza, mostrando a catadora de materiais recicláveis, Maria das Dores Figueiredo e outros catadores, que sem terem para onde ir, acamparam nas proximidades  da Esplanada dos Ministérios, em uma área próxima da UnB.

O fato aconteceu há muito tempo e a situação perdura até hoje.

Em 2 de junho passado, quando a presidente Dilma Rousseff realizou oficialmente o lançamento do Plano “Brasil Sem Miséria”, é que as autoridades perceberam a vizinhança, que precisa de assistência e, principalmente, de moradia digna.

Durante o lançamento do plano, a presidente Dilma Rousseff disse que o Estado precisa realizar uma “busca ativa”, para que as mais de 16 milhões de pessoas que vivem em situação de pobreza extrema não tenham que procurar os serviços públicos, mas sim, que sejam encontradas pelos governos federal, e também, estaduais e municipais.

“O Estado precisa correr atrás da miséria, para poder combatê-la de forma efetiva”, disse a presidente Dilma Rousseff.

O Plano “Brasil Sem Miséria”, que já está sendo visto por especialistas como um complemento do Programa Bolsa Família, foi lançado oficialmente em uma cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, para cerca de 800 convidados, incluindo governadores, prefeitos, e também, líderes empresarias e de movimentos sociais.

Durante a cerimônia de abertura do evento, a presidente lembrou-se dos catadores de lixo que estão acampados próximos a UNB, e disse que o Governo precisa urgentemente resolver a questão deles.

“A busca ativa muda o compromisso que temos. Não vamos esperar que os pobres corram atrás. O Estado Brasileiro é que deve correr atrás da miséria”, afirmou a presidente.

Ela lembrou ainda que o Brasil Sem Miséria “ecoa o trabalho do presidente Lula”, e comparou a iniciativa a movimentos literários como a abolição da escravatura. Segundo as informações da Assessoria de Imprensa do Palácio do Planalto, os dados que orientam o Programa “Brasil Sem Miséria” indicam que quase 60% dos extremamente pobres no país, ou seja, com renda inferior a R$ 70,00 por mês, residem nas regiões Nordeste (43%), Sul e Sudeste (21%), e Norte e Centro-Oeste (20%).

Para  Dilma Rousseff, esses números ajudarão a “trazer a pobreza à pauta de todos os governos, já que a luta contra a miséria é antes de tudo um dever do Estado, mas é também de todos os brasileiros e brasileiras”.

A presidente da República aproveitou a cerimônia de lançamento do Plano “Brasil Sem Miséria”, para criticar visões do que chamou de ultrapassadas, para justificar a histórica miséria no Brasil.

Em 2010, segundo a presidente, a miscigenação e fatores climáticos foram oferecidos como motivações. “Os nossos pobres já foram acusados de tudo, inclusive de serem responsáveis pela própria pobreza. Isso tem que mudar”, concluiu Dilma Rousseff.

Mas infelizmente, até agora a situação desses trabalhadores e suas famílias encontra-se do mesmo jeito.

A população de Brasília e principalmente essas pessoas, que tanto necessitam de serem inseridas na sociedade, aguardam ansiosas a solução para o problema.

 

Pseudo-torcedores de futebol: assassinos em potencial à solta

Milton Corrêa da Costa

Extremamente absurdo, covarde e lamentável, o episódio que envolveu ontem, na capital paulista, a agressão de pseudo-torcedores (bandidos, na melhor expressão da palavra) na porta da sede do Palmeiras, no Parque Antártica, ao jogador João Vitor. Um grupo de cerca de 15 vândalos ensandecidos chegaram a lhe chutar o rosto, sofrendo lesão na boca a ponto de ser hospitalizado. Quando chegou ao local, a polícia encontrou pedaços de madeira usados na agressão e nenhum dos bandidos. Os covardes se evadiram após a brutal ação criminosa.

Esta é a ameaça real e concreta que profissionais do futebol e torcedores pacíficos correm o risco, dentro e fora dos estádios, todos à mercê de tais assassinos, que se aproveitam do anonimato proporcionado pelo grupo, para extravasar requintes de sadismo e perversidade.

Normalmente integram as chamadas “torcidas organizadas”. Algumas mais se parecem com facções criminosas. São da mesma estirpe e índole dos que vivem a agredir e discriminar homofóbicos no Brasil. Fora dos estádios, mais  parecem grupos de desordeiros selvagens do que seres civilizados.

Nesta terça-feira, 11/10, foi preso, em Belo Horizonte, um torcedor do Atlético Mineiro,, acusado pela morte de um torcedor cruzeirense em novembro do ano passado. Otávio Fernandes, de 19 anos, foi espancado (pasmem com a brutalidade) até a morte e câmeras de segurança gravaram a agressão em uma avenida da capital mineira. Macalé, como é conhecido o acusado, se entregou e foi encaminhado a um presídio. No total, 12 integrantes da torcida organizada do Atlético foram denunciados pelo crime. Cinco estão presos e seis estão com o mandado de prisão em aberto. Um homem que também responde pelo crime já está preso, por envolvimento em outros delitos.

Em Niterói, Região Metropolitana do Rio, na manhã de domingo, 1º de maio, na localidade do Barreto, antes que a partida decisiva pela Taça Rio, entre Flamengo e Vasco tivesse sequer começado, um conflito entre duas facções dos tradicionais clubes resultou em 10 feridos e 101 presos. Uma das vítimas foi internada em estado grave, com tiro no abdomem. Segundo testemunhas, dois torcedores do Flamengo, em uma motocicleta, se aproximaram de torcedores do Vasco, numa praça, já fazendo disparos de arma de fogo. No mesmo dia, em Barra Mansa, município do sul do Estado do Rio, já nas comemorações da torcida rubro-negra pela conquista do título, um torcedor do Flamengo foi vítima de lesão por arma de fogo. O tiro teria partido de um veículo onde se encontravam dois ocupantes, supostamente vascaínos.

Note-se que não estamos falando de confronto armado entre traficantes, nem entre traficantes e a polícia. Tal fato comprova, portanto, que a arruaça, o vandalismo, a selvageria, o extravasamento gratuito de atos de violência, o banditismo e o desrespeito a qualquer preceito da ordem pública são os grandes propósitos de alguns pseudo-torcedores de futebol, não a paixão e o incentivo sadio ao clube do coração.

A finalidade precípua é a desordem, não torcer com fervor na disputa entre os dois clubes em campo. O que é pior: constata-se que há embates corporais até entre facções de torcidas de um mesmo clube, o que demonstra a insensatez e a idiotice de tais jovens. Muitos deles agem sob o efeito de álcool e drogas.

Absurdo com todas as letras. Comportam-se como verdadeiros valentões e machões – muitos são musculosos e “bombados”- até o instante em que são identificados, presos e processados, em nome da lei e da ordem. Ao serem fotografados ou filmados pela imprensa, de cabeça baixa, mais parecem que acabaram de sair de um culto religioso. Ali acaba toda a valentia.

Trata-se de uma minoria que não representa efetivamente clube nenhum, que se aproveita do anonimato que envolve todo o grupo para enfrentar e agredir violentamente até integrantes da forças policiais (normalmente inferiorizados numericamente) e destruir tudo o que encontram pela frente (vide as lamentáveis cenas do Estádio Couto Pereira, no final do Campeonato Brasileiro de 2009 quando o Coritiba foi rebaixado).

Quando morrem ou são lesionados por ocasião dos conflitos, as acusações são de que tais ‘inocentes anjinhos’ foram vítimas da violência policial. Resta saber se os pais têm conhecimento da atitude indisciplinada e irresponsável de seus filhos da porta pra fora. Depois não adianta dizer que foram surpreendidos.

A realidade é que o mundo presencia, de camarote, a violência no futebol brasileiro, não só entre pseudo-torcedores mas também entre alguns atletas dentro de campo, técnicos e dirigentes que invariavelmente dão mau exemplo de conduta esportiva (vide as cenas de agressão no final da partida entre o Botafogo e o Avaí pela Copa do Brasil este ano). Vergonha com todas as letras. Devemos lembrar que o mundo está com um pé atrás ante a realização da Copa de 2014 com plena segurança no Brasil, ainda que, em princípio, trate-se de um evento internacional e certamente com um público mais diversificado e ordeiro. 

No entanto, precisamos estar suficientemente preparados para que não ocorram desagradáveis surpresas fora e dentro dos estádios. A horda (bando) de assassinos desordeiros por enquanto permance à solta. Neste caso, a cadeia e o rigor da lei são os reais mecanismos de defesa da sociedade.

(Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM do Rio)

 

Para diminuir poderes do Conselho Nacional de Justiça, Peluso enfim decide fiscalizar corregedorias dos tribunais. É um blefe.

Carlos Newton

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, jamais poderia imaginar que haveria tamanha reação da opinião publica, no caso da redução dos poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que também é presidido por ele. Ao apoiar uma ação da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), que será julgada no Supremo, e ao criticar a corregedora do Conselho, ministra Eliana Calmon, que denunciou os bandidos de toga”, Peluso entrou n a berlinda e começou a receber críticas de todos os lados.

A reação foi forte demais e o Supremo teve de adiar a votação da ação da AMB. O ministro Luiz Fux agora está redigindo um voto especial, na tentativa de encontrar uma “saída honrosa” para o corporativismo dos magistrados.

Em meio a tudo isso, o Judiciário perde cada vez mais prestígio e se apequena, mostrando à opinião pública que juízes, desembargadores e ministros se comportam como se estivessem acima da lei.

Para limpar a própria imagem,  cada vez mais desgastada, o presidente do Supremo  agora tenta mostrar serviço. De repente, Peluso decidiu monitorar pessoalmente o trabalho das corregedorias dos tribunais nos estados. Na segunda-feira, em reunião com 15 corregedores, ele pediu dados de quantos processos disciplinares contra juízes são abertos e arquivados por mês.

A intenção é publicar os números na internet para mostrar que as corregedorias estaduais trabalham no controle dos abusos cometidos por magistrados. Até segunda-feira, essa tarefa era exclusiva da Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do CNJ comandado pela ministra Eliana Calmon.

Mas este não é o caso. Peluso está armando uma cortina de fumaça.  O importante não é saber SE as corregedorias trabalham, mas investigar COMO elas trabalham. Este é o propósito da corregedora Eliana Calmon, que trafega na contramão do corporativismo dos magistrados.

Seria muito melhor se Peluso aproveitasse a polêmica e promovesse uma reunião especial do próprio Supremo, para informar aos demais ministros que está pegando muito mal o costume de o STF anular praticamente a metade das punições aplicadas a magistrados pelo Conselho Nacional de Justiça.

Afinal, para que serve o Conselho? De que adianta tanto trabalho de sua corregedora Eliana Calmon e de outros integrantes, se no final das contas o Supremo vai anular metade das punições?

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CHOVENDO NO MOLHADO

A proposta feita por Peluso, no sentido de pedir os dados das corregedorias, tem um lado altamente positivo. Dados da Corregedoria Nacional de Justiça mostram que, das 505 reclamações contra juízes que hoje tramitam no CNJ, 72% foram enviadas para a apuração das corregedorias locais, por serem investigação contra magistrados da primeira instância. Outros 14% permanecem nas mãos do CNJ, pois são processos contra desembargadores. Outros 8% foram arquivados e, em 6% dos casos, houve pedidos complementares de informação.

Ou seja, o Conselho Nacional de Justiça já procede exatamente como a Associação de Magistrados do Brasil quer impor. Juízes estaduais e desembargadores são investigados no CNJ apenas em casos excepcionais. Em um estado, por exemplo, dos 12 desembargadores do Tribunal de Justiça, nove respondem a processo no CNJ e quatro (estando um deles entre os nove que respondem a processo) estão afastados de suas atividades. É um caso em que a corregedoria local não poderia atuar.

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CORREGEDORES APOIAM ELIANA CALMON

Na segunda-feira, os corregedores estaduais se reuniram, separadamente, com a ministra Eliana Calmon, para prestar solidariedade. O presidente do Colégio Nacional dos Corregedores de Justiça, o desembargador pernambucano Bartolomeu Bueno, disse, ao fim dos encontros, que não existe crise. Ele prestou apoio a Eliana Calmon, que há duas semanas afirmou, em entrevista, que havia “bandidos escondidos atrás da toga”. A declaração foi dada como protesto contra o risco de o CNJ ter sua atividade limitada.

“Os corregedores entenderam a declaração. Existem bandidos de toga. Tanto que, em Pernambuco, 14 juízes foram punidos e três ficaram presos por mais de um ano” – disse Bueno.

Bueno, no entanto, declarou ser a favor da proposta de Peluso – ou seja, que o CNJ só atue depois das corregedorias, se elas falharem na tarefa de investigar.

“Na prática, isso é o que acontece hoje. Apesar de, pontualmente, discordarmos em relação ao trabalho do CNJ, nós trabalhamos em conjunto com a Corregedoria Nacional. A ministra Eliana Calmon tem nossa solidariedade e respeito. Sabemos que ela não quis ofender a magistratura. Não entendemos que há crise entre o presidente Peluso e a ministra” – afirmou.

 

A segunda etapa do movimento contra a corrupção

Carlos Chagas

Sucesso,  mesmo, obtiveram as marchas contra a corrupção, realizadas ontem em 28 cidades do país. Em algumas, mais, em   outras, menos,  a população compareceu para protestar diante das lambanças praticadas à sombra dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Propostas concretas foram apresentadas, como o fim do voto secreto no Congresso, a manutenção das prerrogativas do Conselho Nacional de Justiça e a  aplicação da lei ficha-limpa em todas as eleições, a partir do próximo ano. Para não falar na necessidade de só cidadãos de reconhecida probidade e capacidade serem  nomeados para  ministérios e empresas públicas.

Vai tomando corpo o que nasceu apenas como grito de indignação e revolta da sociedade civil diante dos descalabros do mundo  oficial. Algo como aconteceu na campanha das “diretas já”, em 1984. Mesmo com o Congresso rejeitando naquele ano a emenda Dante de Oliveira, o caudal não foi contido e até hoje votamos para presidente da  República. Mesmo que demore, parece óbvio estarem sendo obstruídos os desvios e  desvãos do mau uso da coisa pública. 

Importa que não pare nas estruturas  oficiais essa manifestação ampla. Porque, no reverso da medalha, a corrupção é geral e irrestrita no arcabouço  privado. Para que existam corruptos tornam-se necessários corruptores.  Por que não atingi-los numa segunda etapa desse movimento nacional?

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ABSURDO  INOMINÁVEL

Deviam ser presos e condenados a trabalhos forçados  pelo  resto da vida os responsáveis pela aquisição e autorização do uso de pistolas de choque elétrico pelos funcionários do  Detram do Distrito Federal. Não sendo policiais, o que torna a situação ainda pior, esses agentes logo começarão a disparar raios  diabólicos sobre motoristas suspeitos de cometer infrações de trânsito em Brasília.

As pistolas paralisam por cinco segundos  o cérebro dos indigitados  cidadãos,  ignorando-se as seqüelas daí decorrentes, a curto, médio e longo prazo. Tudo porque um veículo avançou o semáforo ou seu condutor foi flagrado dirigindo embriagado.

Como se já não bastassem as  abomináveis  maquininhas de gás de pimenta distribuídas a policiais encarregados de manter a ordem pública, a moda agora será imobilizar quem o Detran  imaginar  responsável por tumultuar o fluxo de automóveis pelas avenidas da capital  federal.

Logo virão sucedâneos,ainda que ninguém pense em criar  as “pistolas da honestidade”, que quando disparadas farão  os corruptos confessarem suas lambanças.

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OS MILHÕES DE DEMITIDOS 

Terá sido sem querer, não por maldade ou sabotagem, que o Ministério do Trabalho acaba de colocar em frangalhos todo o aparato publicitário que vem desde o primeiro  ano de governo do Lula, tentando demonstrar que quase não há desemprego no Brasil.  Pelos números oficiais, entre 2007 e 2010, nada menos do que 72 milhões de trabalhadores perderam  o emprego.  Só no corrente ano de 2011,  já foram demitidos 12 milhões.

Claro que o governo responde com respeitáveis estatísticas de criação de novos  postos de trabalho, mas agora a gente não precisa mais verificar nos movimentados  cruzamentos de avenidas que o desemprego desmente a propaganda. Além da legião de infelizes vendendo óculos,  panos de chão e bolas de plástico, sem contar os  que simplesmente pedem esmola,  agora somos  informados pelo ministério do Trabalho do horror que o desemprego atinge parte dos assalariados. Porque 12 milhões de cidadãos postos  na rua da amargura não é brincadeira, mesmo se parte deles encontrar novo  trabalho.  

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PIRATARIA 

Caíram as máscaras, mais cedo do que se previa. Com o coronel Kadafi ainda solto e  comandando a resistência, o governo  provisório da Líbia acaba de destinar para a França  35% do petróleo lá produzido. Imagina-se que outro tanto irá para a Inglaterra. Os novos donos do poder naquele país comprometeram-se a pagar em  petróleo a ajuda militar recebida para a deposição do ditador. Quer dizer, cada míssil  jogado  em Trípoli, cada bomba lançada no país, cada sortida de centenas de aviões enviados   pelas  potências européias tinha seu preço. Não foram utilizados em prol da democracia e em nome da liberdade, pois constituíram um bom  negócio.

Muito bom, aliás…

Aécio ultrapassa Serra e dá a partida para sucessão 2014

Pedro do Coutto

Com a entrevista à repórter Cristiane Samarco, “O Estado de São Paulo” de domingo, ao afirmar que está pronto a enfrentar  a presidente Dilma ou ao ex-presidente Lula, nas urnas de 2014, com três anos de antecedência o senador Aécio Neves ultrapassou o ex-governador José Serra na corrida pela escolha do candidato das oposições. Foi este claramente seu objetivo, partindo do princípio de que a ofensiva antecipada é melhor que uma defensiva prolongada. A foto é de Ed Ferreira.

Não se pode prever, hoje, o quadro de 2014, mas é necessário levar em conta que, no momento, até agora, não existia oposição no país. Oposição política, porque oposição administrativa é feita pelo Diário Oficial. Os números estatísticos colidem com os índices dos tecnocratas e da tecnocracia. Basta dizer que há coisa de dezoito meses a Fundação Getulio Vargas editou um estudo do economista Marcelo Nery sustentando que os que ganham três salários mínimos passaram a integrar a classe média…

De um lado ausência de oposição, de outro um expresso de luxo lotado pelos que desejam aderir. E, com a adesão, influir. Tentativa vã num quadro institucional estatizado e dominado pelo PT. Não há mais lugar para ninguém no governo. No lado oposto, sim. Aécio Neves partiu para preencher esse espaço, aliás o único disponível para ele. Senador com mandato de oito anos, disputa sem risco de sair da tela, escolheu o único caminho existente para tentar chegar ao poder.

O êxito é difícil, sobretudo porque na entrevista colocou-se ao lado do ex-presidente FHC, arcando com a impopularidade deste. Nas ruas. Mas não na convenção do PSDB. Sem passar pela convenção, não pode cruzar o sinal verde para ir às urnas. Jogou certo. Sem dúvida.E de forma oportuna. Iniciou a maratona em 2011 para terminar nas convenções de 2014.

Disse convenções e explico: não é só a do PSDB, partido ao qual está filiado. Há também as do PPS e DEM. Não é provável o alinhamento do PSD de Kassab na oposição. Se fosse, ele não teria deixado o DEM e formado a nova legenda. Aliás uma sigla antiga, fundada em 1945 e que levou três presidentes à vitória: Eurico Dutra, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Alguns vão estranhar a inclusão de Vargas, que disputou a sucessão de 50 pelo PTB. Mas quem examinar os desfechos estaduais vai encontrar nitidamente a aliança PTB-PSD. Em Minas, enquanto Vargas vencia para presidente, JK elegia-se governador. No antigo Estado do Rio de janeiro, enquanto Getúlio era o mais votado, Ernani do Amaral Peixoto elegia-se governador.  Vários outros exemplos poderiam ser citados. Estes dois são suficientes.

Porém, a legenda PSD 2011 é muito diversa do Partido Social Democrático que emergiu da redemocratização de 45. É uma dissidência dupla do PSDB e do DEM. O PSD de Benedito Valadares e Amaral Peixoto representava o conservadorismo predominante numa sociedade que era rural. Agora o Brasil é 80% urbano. O PSD é uma ponte construída para levar os desiludidos oposicionistas no rumo do Palácio do Planalto.

O panorama visto da ponte, de 2011 a 2014, não inclui muitas alternativas. Marina Silva, pelo que se sabe, até o momento não decidiu seu futuro político. O quadro assim polariza-se exatamente como Aécio Neves colocou. Não parece haver dúvida. Hoje. Amanhã, não se sabe. Mas o senador mineiro jogou o lance certo. Fez o que deveria. Se não colar, não colou.

Conversas mineiras

Sebastião Nery

Três horas da manhã, no governo do general Figueiredo, toca o telefone em casa de Tancredo Neves. Era Gustavo Capanema, de Brasília:

– Olhe, Tancredo, estou acordando você porque estou com um problema e não consigo dormir. Talvez você tenha uma ideia mais clara. Fui chamado hoje à tarde ao Palácio do Planalto e, durante três horas, discuti o projeto do voto distrital com o ministro Leitão de Abreu. Ele estava muito interessado nos meus estudos e acha que o distrital pode ser um bom instrumento para aperfeiçoar a representação política no Congresso.

– Muita gente acha também, Capanema. Embora eu seja contra, reconheço que o assunto é importante e precisa ser discutido. Só não entendo é por que você não consegue dormir. Os estudos são seus, o projeto é seu, você a favor. Quando o governo parece querer, você fica sem dormir?

– Pois é, Tancredo. Não consigo dormir. O ministro me deu pressa, muita pressa, para concluir os estudos.

– Ah, Capanema, ele deu pressa, deu? Então deve haver mais coisas.

– Você também acha? Ótimo que você também ache. Agora vou dormir. Desligou o telefone e dormiu.

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TANCREDO

Clovis Rossi e Osvaldo Martins, jornalistas da sucursal do “Jornal do Brasil” em Brasília, foram conversar com Tancredo Neves, no governo do general Geisel. Passaram horas dissecando as angústias nacionais. De repente, chega o jornalista Tarcisio Holanda com a nota do ministro do Exército, general Silvio Frota, contra a imprensa. Tancredo pega a nota, lê longamente, parando em cada frase, franzindo a testa. Rossi e Martins estavam curiosos para lerem também. Tancredo se oferece:

– Querem que eu leia em voz alta?

– Ótimo, deputado.

E Tancredo, pausadamente, a voz forte de poderoso orador político, lê a nota inteira. Os quatro ficam algum tempo em silêncio, ruminando a gravidade do assunto. Clovis Rossi fala:

– Deputado, agora uma declaração do senhor.

– Declaração sobre o quê?

– Sobre a nota do ministro Silvio Frota.

– Que nota? Nem li.

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AÉCIO

O Aécio Neves, por ser o neto predileto, está querendo ser presidente da República como uma reencarnação de Tancredo: dizendo sem falar e falando sem dizer. Mas esquece uma diferença fundamental. Na época em que Tancredo, com todo seu talento, costurou sua candidatura a presidente, o País vivia numa ditadura militar, já nos estertores, mas ainda ditadura. As conversas tinham que ser assim mesmo: discretas, sinuosas, dissimuladas.

Mas, 25 anos depois, o País vivendo em plena democracia, precisando de um debate nacional aberto sobre seu presente e seu futuro, e em 2009 o então governador Aécio Neves sai na capa da segunda maior revista nacional, a “IstoÉ” com uma entrevista “Exclusiva” (a Sergio Pardellas e Otavio Costa), na qual só consegue produzir duas frases:

1 – “Sou uma alternativa para o País”.
Mas não disse por quê. Será porque é cabeludo e José Serra careca? Se tinha um projeto diferente do de Serra, que está faltando à Nação, que dissesse logo.

2 – “Quero prévias no PSDB porque precisamos de uma agenda nova”.
Mas não disse que agenda, com que projetos, programas e propostas. Ou seria uma agenda de bolso? Talvez de mesa? Quem sabe a agenda não seria banho de mar no Posto 9 de manhã e jantar nas Mangabeiras à noite?

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JK

Daqueles mesmos palácios que Aécio ocupou (Liberdade e Mangabeiras), Juscelino saiu em 1955 com uma bandeira nacional, o desenvolvimento, e um plano de metas objetivo, concreto, de 30 pontos (Brasília foi o 31, a metassíntese) que empolgaram a Nação e ele cumpriu.

Querer ser presidente na base da conversa esperta sem ditadura, agradando governo e oposição, bajulando Lula e Fernando Henrique, Dilma e Serra, é uma traição a Tancredo, a Minas e ao País.

Que país é esse? – indaga a multidão, na Praça dos Três Poderes, imortalizando Francelino Pereira

Carlos Newton

Em Brasília, a II Marcha Contra a Corrupção foi novamente um sucesso e conseguiu reunir o público esperado pelos organizadores. A estimativa da Polícia Militar é que 20 mil pessoas participaram do evento, que terminou perto das 13h. A caminhada começou por volta das 11h, na praça entre o Museu da República e a Biblioteca Nacional, com cerca de 4 mil pessoas. Mas o pessoal foi chegando

A concentração para o início da passeata foi feita ao som de músicas como “Que país é esse?”, da banda Legião Urbana, e de Chico Buarque. Entre as palavras proferidas pelos organizadores, convocações para que os participantes se sentissem os “novos caras pintadas”, que marcaram a década de 1990 pedindo o impeachment do presidente Fernando Collor.

O ex-governador mineiro Francelino Pereira, sem saber, foi o grande homenageado. Foi ele quem fez a célebre pergunta – “Que país é esse? –, depois imortalizada por Renato Russo, líder da banda brasiliense Legião Urbana. Pelo visto, esta patética indagação de Francelino vai permanecer atual no Brasil para sempre, ou “per secula seculorum”, como diziam os romanos.

O macabro noticiário de rotina de tragédias no trânsito brasileiro. Até quando?

Milton Corrêa da Costa

O incômodo da rotina de tragédias envolvendo motoristas imprudentes e alcoolizados – sequer possuem carteira de habilitação – tem sido evidente na violência sem fim do trânsito brasileiro. Tudo noticiado pelos meios de comunicação diariamente. Parece que nada mais a fazer a não ser noticiar a próxima tragédia onde o enredo é sempre o mesmo: a mistura explosiva de álcool, drogas, manobras arriscadas, excesso de velocidade, sono, cansaço, imprudência.

A maior parte dos que se envolvem nos graves acidentes -o trânsito é a primeira causa de morte no país na faixa etária de 15 aos 34 anos- são jovens que veem no volante de um carro a sensação de demonstração de poder e a real possibilidade para extravasar o desafio ao perigo.

As consequências dessa ilusória auto afirmação social têm sido muitas vezes trágicas. Acresce-se o fato que a fiscalização da Lei Seca não é rotina em muitas unidades da federação. O sentimento de burlar as leis e da consequente impunidade parece mesmo determinante. Em média, a cada 15 minutos, uma pessoa perde a vida na violência de ruas e estradas do país.

Uma pesquisa publicada no último final de semana – mais um de inúmeras tragédias no trânsito -, numa revista de grande circulação, demonstra tal realidade. Depois de fazer o teste do bafômetro em 100 motoristas que se predispuseram à submissão ao teste, recém-saídos de bares das regiões boêmias da cidade de São Paulo, os repórteres chegaram a um resultado conclusivo. Apenas 21 não apresentavam traço de álcool no organismo. Os outros 79 estavam alcoolizados em graus variados. Destes, 43% encontravam-se no limite da tolerância e da margem de erro do bafômetro: acusaram até 0,13 miligramas de álcool por litro de ar expelido dos pulmões.

Por sua vez, 57% do total de 79 dos alcoolizados seriam infracionados na lei de trânsito, com multa de R$ 957,70 e suspensão do direito de dirigir. Os demais teriam que ser encaminhados à delegacia policial para se verem autuados nas penas do Artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro, por crime, tendo alcançado ou ultrapassado o limite de 0,33 mg/l. Registre-se aí, como frisado, a margem de erro do etilômetro, normalmente estimada em 0,03 miligramas.

O resultado dessa imprudência constata-se no noticiário de carros retorcidos, vítimas ensanguentadas, dor e sofrimento. Em São Paulo, na semana passada, Felipe Arenzon guiava um Chevrolet Camaro – que custa quase R$ 200 mil depois do aumento do IPI –  e provocou dois acidentes em menos de uma hora. Ele foi pego pela polícia e se recusou a fazer teste do bafômetro. Levado para a delegacia, o jovem de 19 anos pagou fiança de R$ 245 mil – mais que o Camaro – e saiu em liberdade. Filho de um vereador de Embu das Artes, Felipe agora deve responder o processo em liberdade.

Familiares das vítimas pedem justiça. Felipe e seu Camaro provocaram um incêndio em um dos veículos atingidos, onde o motorista teve 90% do corpo queimado e não há garantia de sobrevivência. Na noite deste domingo, 09/10, um motorista atropelou 21 pessoas que participavam de uma festa de congado no povoado de Bom Jardim das Pedras, em Carmópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Segundo a Polícia Militar, o motorista apresentava sinais de embriaguez. De acordo com testemunhas, o carro estava em alta velocidade e capotou. Algumas pessoas que estavam no local tentaram agredir o motorista, que foi preso. Uma das vítimas, um homem de 42 anos anos, morreu na manhã desta segunda-feira.

Em São Paulo, o exame clínico feito pelo Instituto Médico Legal no estudante Leonardo dos Santos, de 25 anos, que atropelou pelo menos seis pessoas na noite da última sexta-feira, mostrou que ele tinha consumido bebida alcoólica. O jovem foi indiciado por três crimes: embriaguez ao volante, tentativa de homicídio doloso (com intenção de matar) e dirigir sem habilitação. Ele não tinha carteira de habilitação, segundo a polícia. Conforme a irmã do estudante, ele comprou o carro há pouco tempo, em 60 parcelas, e amigos e familiares dirigiam o veículo para Leonardo. Mas, nesta sexta-feira, ele pegou o carro e acabou causando o acidente. Segundo testemunhas, Leonardo apresentava sinais de embriaguez.

Os relatos de mais tragédias neste último final de semana prosseguem. Duas pessoas morreram e sete ficaram feridas em um acidente envolvendo uma van na MG-424, em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A Polícia Militar Rodoviária informou que o motorista, de 17 anos, perdeu o controle do veículo, na madrugada deste domingo, e atingiu uma árvore no canteiro central. Com o impacto, o veículo capotou. Segundo a polícia ele estava com sinais de embriaguez. De acordo ainda com a polícia, a van seguia no sentido Belo Horizonte/São José da Lapa. A van levava nove pessoas que saíam de uma festa. Duas das vítimas morreram no local do acidente. O menor, portanto inimputável (a questão da maioridade penal precisa ser discutida no país) que dirigia a van teve ferimentos leves e está internado no Hospital Risoleta Neves. Os feridos apresentaram fraturas em braços e pernas. Os corpos das vítimas fatais foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte. Segundo a polícia, o proprietário da van foi levado à delegacia. A pergunta que fica, neste caso, é: quem fez a entrega do veículo ao menor inabilitado?

Para fechar o noticiário das tragédias e da imprudência no trânsito brasileiro – notem que estamos nos reportando tão somente ao que foi notícia na Região Sudeste do país- vem a informação proveniente do Rio de que uma jovem de 26 anos, cerca das 8 horas da manhã deste domingo, no bairro de Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade, após regressar de uma festa, matou na calçada, conduzindo uma caminhonete em alta velocidade (perdeu o controle da direção, capotando) um senhor de 80 anos que juntamente com a esposa fazia sua caminhada matinal.  A jovem não possuía habilitação e o resultado definitivo do exame de ingestão alcoólica sai em 30 dias.

Certamente, no próximo final de semana a carnificina no trânsito prosseguirá. Não há dúvida. O pior é que nenhum de nós, como o idoso que apenas caminhava em sua atividade física, está imune à sanha assassina dos “ases (irresponsáveis) do volante”. Chega-se à conclusão que o Código de Trânsito Brasileiro é uma autorização expressa para matar em rodovias e vias urbanas. A pergunta que fica é: até quando os alcoolizados do volante continuarão matando e mutilando no trânsito brasileiro? Certamente até quando as brechas da lei e a impunidade aos homicidas também deixarem de ser incômodas e coniventes rotinas.

(Milton Corrêa da Costa é coronel da PM do Rio na reserva)