Estão com medo da Dilma

Carlos Chagas

Uma pergunta não quer calar: por que a grande imprensa demonstra tamanha má vontade com a candidatura Dilma Rousseff?  Do Globo à Folha e ao Estadão, sem esquecer a Veja, sucedem-se manchetes e textos sempre cáusticos para a candidata. Lógico que notícia é notícia, seria impossível omitir denúncias como a da quebra do sigilo fiscal de tucanos ou observações sobre as escorregadelas de Dilma a respeito de números exagerados ou estatísticas duvidosas. Da mesma forma, não há como deixar de lembrar os leitores de faltar a ela experiência política, ou até de que só disputa o palácio do Planalto por imposição do presidente Lula.

Mesmo assim, não há quem deixe de notar o exagero. Os jornalões se dizem isentos, não fazem como o New York Times, que em todas as eleições americanas adota  nos seus editoriais  posição em favor de um candidato, ainda que procure limitar o noticiário aos fatos de campanha. Os nossos proclamam não tomar partido, mas tomam.

A indagação inicial fica  mais profunda quando se atenta para  que, exprimindo a opinião das elites, nossa grande imprensa não ignora a lua-de-mel permanente entre elas e o presidente Lula. Afinal,  mantendo a política econômica de Fernando Henrique, o primeiro-companheiro vem fazendo a felicidade dos bancos, da grande indústria, das multinacionais e dos especuladores.

Estaria a má-vontade midiática  na hipótese de a criatura desligar-se do criador, depois de empossada, assustando o sistema tão bem aquinhoado nos últimos  oito anos? É possível. Afinal, com suas virtudes e seus defeitos, Dilma Rousseff tem demonstrado personalidade. Fidelíssima ao presidente Lula, nem por isso poderá imaginar seu mandato como um vídeotape do atual.

Cautelosa até demais em suas afirmações de candidata, mantém os conceitos do chefe em gênero, número e grau, a ponto de insurgir-se contra o imposto sobre grandes fortunas e a redução da jornada de trabalho. Mas tem  avançado  na necessidade de o estado permanecer como fator essencial na distribuição  de renda e na condução da política econômica.  Jamais admitiu a falácia elitista de que todos devem pagar imposto para que todos paguem menos,  eufemismo para fazer os pobres, que não pagam, dividirem com os ricos a diferença capaz de favorecer-lhes.

Em suma, pelo jeito,  estão com medo da Dilma, cujo temperamento parece bastante diferente do Lula. Em especial se for verdade o boato de que para cortar gastos públicos, ela limitará a orgia publicitária das estatais como Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica e penduricalhos.

Padrinho rejeitado

Ninguém ignora que José Serra mandou Fernando Henrique para escanteio. Rejeitou a presença constante do ex-presidente em sua campanha e até declarou que personalidades antes no exercício do poder ficam acima de participação em futuros governos. Devem ser reverenciadas, jamais integradas.

É claro que o sociólogo não gostou. Remoeu-se a ponto de jogar  farpas na campanha do companheiro tucano. Mandou-se para a Alemanha, de onde já voltou, e cuida de suas palestras.

Ressente-se, porém, o seu ego monumental. Até com certa razão, porque derrotou o Lula duas vezes, enquanto Serra perdeu uma e parece em vias de reconhecer a vitória de Dilma Rousseff.

Esta semana, na propaganda gratuita pelo rádio e a televisão, o candidato tucano tem repetido ser  um candidato sem padrinho, referência óbvia à adversária. Dificilmente lamentará não ter escolhido Fernando Henrique para batizá-lo. Mas bem que a convocação de Aécio Neves ajudaria, mesmo mais  moço.

Outra declaração discutível de José Serra, em seu afã de bater em Lula, tem sido de que “não ameaça a imprensa, não persegue jornalistas e nem quebrou o sigilo de ninguém”. Noves fora a terceira negativa, há controvérsias quanto às duas primeiras.

Obama só retirou a metade das forças do Iraque

Pedro do Coutto

Francamente, quando o presidente Barack Obama anunciou a retirada das forças militares americanas no Iraque, acentuando que permaneceriam 50 mil soldados para missões de consultoria, me surpreendeu o fato de a Casa Branca não dar o número exato dos que estavam em Bagdad. Afinal de contas, se era uma retirada, sem vitória e sem derrota, o natural era que o presidente dos Estados Unidos fosse mais específico. A falta de dados concretos sobre o tema deixou uma dúvida no ar, se a saída era mesmo pra valer, ou se tratava de um lance político visando às eleições parlamentares de novembro. Pois em novembro, Obama espera manter a maioria de que hoje desfruta na Câmara e no Senado. Não será tarefa fácil. Mas o que é fácil em matéria política?

A indagação permaneceu cerca de quinze dias até a mais recente edição da Veja, domingo passado, número 2181 que está nas bancas. A revista publica o essencial: com base no Iraq Body Count, do Departamento de Estado, o contingente americano na antiga Babilônia, em julho, era de 107 mil soldados, cabos, sargentos e oficiais. Como 50 mil permaneceram, e inclusive entraram em combate no atentado de domingo na capital do país, como O Estado de São Paulo publicou na segunda-feira, verifica-se que foram efetivamente retirados 57 mil militares. Uma retirada parcial, portanto. Metade voltou para os EUA, praticamente outra metade não saiu do Iraque. Até quando esses homens e mulheres permanecerão “em funções de assessoria?” Eis aí um tema interessante.

Barack Obama cumpriu pela metade, isso sim, a promessa feita na campanha eleitoral de 2008, cujo resultado (sua vitória) comoveu o mundo. Multidões saíram às ruas festejando, como aconteceu em Paris principalmente. Foi a vitória da esperança, sem dúvida. Ainda continua ecoando, mas o reflexo nas urnas de novembro será também parcial? O fato é que, exceto a travada contra o Japão, aItália e o nazismo de Hitler, a médio prazo nenhuma guerra é popular.

Quando explode, ocorre um impulso de mobilização, mas logo depois é quebrado por falta de motivação interior. Ninguém deseja ver seus filhos e netos correndo o risco de morte nas rochas da Coreia (1950-1953) ou nos pântanos do Vietnam (de 62 a 75). Porém o complexo industrial militar denunciado em livro pelo general Eisenhower não recua de seus propósitos sinistros de ampliar o mercado de armas à custa de vidas humanas. Tudo sob a sombra da democracia e da liberdade. Agora se vê claramente: Obama reduziu o efetivo no Iraque, mas aumentou a presença americana no Afeganistão. O processo não para nunca.

Em 1952, comprometendo-se a acabar com a guerra da Coreia, o general Dwight Eisenhower elegeu-se presidente. Cumpriu a promessa e publicou seu livro. Em 76, Jimmy Carter foi vitorioso nas urnas prometendo anistiar os desertores do Vietnam, guerra terminada no ano anterior por Gerald Ford que substituiu Richard Nixon. Cumpriu a promessa. Obama comprometeu-se a deixar o Iraque. Cumpriu a metade. A saída das tropas do Afeganistão possivelmente será compromisso da campanha pela reeleição daqui a dois anos. O complexo industrial militar é muito forte.

CLT inspirou o Juizado Especial Civil sem alcançar celeridade

Roberto Monteiro Pinho

A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), foi inegavelmente à fonte inspiradora para a criação do Juizado Especial Civil (Lei 9099/95), e por ironia ao adotar o rito processual sumário (RPS), o legislador, desavisado importou este modelo, sem olhar para as raízes da CLT, ao para aplicá-la no Direito do Trabalho, inegavelmente, por desinformação, sem saber que essa lei, originalmente, baseou-se no ideal do sistema trabalhista, que vem ser a simplificação dos procedimentos.

Fundamentado nos princípios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, buscando sempre que possível à conciliação (art.2º), esta vocação sociológica do direito, não está no avesso do real e material na solução dos conflitos, até porque a preocupação emergente do Conselho Nacional de Justiça, pauta neste princípio ao criar o programa de Metas, determina adoção de programa permanente de conciliação. Vale lembrar que as Varas do Trabalho têm a finalidade precípua de conciliar as partes, seja quando aberta à audiência (art.846), seja após a instrução (art.850).

Nos dois institutos (RPS e JEC), a reclamação verbal (ou a termo) e a defesa oral são exemplos do princípio da oralidade para alcançar a celeridade, também exemplificada no art. 765 da CLT (os Juízos e Tribunais do Trabalho velarão pelo andamento rápido das causas). Neste capítulo, a injunção que envolve a atuação da advocacia, é reflexo da informalidade, com o “jus postulandi”, eis que o juizado civil, até 20 salários mínimos dispensa-se advogado, alem do que na JT, pode (embora na pratica pouco se aplica), o empregado propor sua inicial sem o advogado.

Tida como jurássica por uns e promissora por outros a CLT, foi sem dúvida a fonte inspiradora das atuais e futuras promessas de racionalização da Justiça com a Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais e com a Lei do Rito Sumaríssimo Trabalhista.A proposta da criação dos Juizados no seio da especializada seria uma forma tão produtiva de descongestionamento das VTs, que geraria tempo ao magistrado a otimização dos julgamentos das lides mais complexas, que mínimo em resposta a sociedade, justificaria o seu alto salário.

Na pratica, sabemos que os modelos introduzidos como forma de acelerar a decisão processual, não vem surtindo o efeito esperado, deixando claro que o excesso de formalismo e técnica jurisdicional, para o processo do trabalho, vem sendo o maior entrave para o judiciário se tornar ágil. As leis de fato não estão resolvendo a problemática procedimental, pois essas podem até ter boas intenções, mas a sua adequação à realidade fática da aparelhagem judiciária disponível, trava o julgamento da ação.

É necessário antes de tudo uma ampla reflexão sobre quais caminhos deveremos trilhar, já que a solução a título precário, próximo ao mesmo fracasso que se operou com o rito sumaríssimo da Justiça Comum, não pode ser utilizado como remédio milagroso, o caos que enfrenta a especializada do trabalho. De fato não é cabível, aparelhar o judiciário laboral com magistrados voltados para a ciência do direito, interpretativo e complexo, porque este modelo colide com a própria realidade que encontramos neste judiciário, de cunho social, sociológico e imediatista, com milhões de ações travadas, muitas das quais por estarem mal julgadas, controvertidas, com nulidades, e recheadas de inovações, que confundem e contaminam a saúde do direito.

Quando idealizamos o processo com vistas a se tornar célere a para isso se torna necessário à dispensa do relatório na sentença, a produção de todas as provas na audiência de instrução e julgamento e a manifestação imediata da parte contrária sem interrompê-la, como também a não admissão da reconvenção e do instituto da intervenção de terceiros, conclui-se que a ação é simples, imediata e seu produto, que é a solução, precisa ser formalizada de pronto, de forma inconteste e sem demais delongas.

A técnica empregada para incorporar o procedimento sumaríssimo foi à criação de “letras” nos artigos da CLT, diferentemente da aplicada aos Juizados Especiais, que permaneceu como um instituto autônomo. Portanto, parece óbvio que a CLT será fonte subsidiária da Lei 9957/00, mas somente a jurisprudência e a melhor doutrina, poderão contornar as dúvidas deixadas pelos legisladores até o apaziguamento dos ânimos com a posição do Tribunal Superior. Já na esteira das decisões de primeiro grau, uma enxurrada de recursos, leva o processo a provocação de decisões, que se transforma em jurisprudências, Súmulas, Orientação Jurisprudencial, as centenas, enquanto no JEC/CDC, desde a criação em 1995, apenas dez novas letras vieram incorporar seu texto.

Mundial de basquete: perdemos por causa de mísera cesta. Nada deprimente, decepcionante, desmoralizante. Scola, todos sabiam, o melhor. Fez 36 pontos, pode?

Primeiro tempo admirável. Movimentado, disputado com ardor e amor. De lado a lado. Alternância no placar, a vantagem se modificando. Faltando três minutos, a Argentina com 5 pontos de frente.

Marcelinho Machado (que grande jogador), sempre mal aproveitado, “chutou” duas de 3 e uma de 2, colocou o Brasil na frente.

Nesse primeiro tempo, Brasil 48 a 46, pintando contagem centenária, o que o torcedor mais gosta.

Com 2 minutos do segundo período, o Brasil botou 7 pontos de frente. Mas como disparou, dispersou. “Chutamos” mal três vezes, a Argentina ficou apenas 1 ponto atrás. A Argentina entrou “vencedora”, tentou faltas e tempos, seguidos. Erros dos dois lados, igualdade total no jogo e no placar. 66 a 66. Dificilmente iremos para a contagem centenária, ficamos no limiar.

Faltando 7 minutos, 74 a 74, Splitter e Marcelinho Machado fora de quadra, inexplicável. 6,18 para o fim, Argentina faz 5 pontos, Magnano “percebe”, entram Marcelinho e Splitter, sai Leandrinho, com 4 faltas. Jogamos a pior fase, só temos 5,23 minutos, os juízes marcam muitas faltas erradas.

4 pontos atrás, substituições equivocadas. Três ataques perdidos, (era o jogo), Magnano pede tempo. Para quê? Para nada,a Argentina domina.

***

PS – Faltando 1,28, Marcelinho volta, marca, a Argentina fica um ponto na frente. Mas continua, com 1 segundo e 9 décimos, eles 2 pontos na frente, o técnico da Argentina, apavorado, pede tempo.

PS2 – Perdemos com honra e dignidade, mas isso ocorreu no quarto e último tempo. Principalmente por causa das substituições, TREMENDAMENTE ERRADAS.

VARIADAS, com Renata Lo Prete, Alckmin, Mercadante, Covas, Quércia e Netinho de Paula

Quando era ombudsman da Folha, Renata Lo Prete, era a minha preferida. Agora, como colunista, dá notícias na frente de todos.  XXX  Geraldo Alckmin será governador pela quarta vez. Na primeira ficou como vice,assumindo esporadicamente.  XXX  Na segunda, ocupou o mandato inteiro, com Covas, que teve o primeiro enfarte sério em 1986, candidato a senador, totalmente impossibilitado.  XXX O terceiro mandato, completamente ilegal, inconstitucional e imoral, foi o único que conseguiu. Agora vai ganhar o quarto, enfrentando Mercadante, nenhuma vantagem.  XXX Respondendo a vários seguidores que disseram, “você ERROU, Helio, falando que Quércia seria eleito”.  XXX  Ora, se ele não é candidato, como pode ganhar a eleição? Não ERREI, apenas aconteceu a retirada OBRIGATÓRIA de sua candidatura.  XXX  Nesses políticos que fazem planos e projeções com grande antecedência, sempre ressalvo que existem fatores que não podem ser controlados. Aconteceu com Quércia.  XXX  Alguns candidatos em São Paulo, serão afetados pela retirada de Quércia. E pode ser até que Netinho de Paula se eleja.  XXX  (Já considerei aqui essa possibilidade, comentando: “O Senado ficará mais engraçado”).  XXX  Agora imaginem os que pensam (?) na presidência dentro de 4 anos e até mais. E acreditam mesmo. XXX

Quase todas as repúblicas do mundo, foram sangrentas e surpreendentes. A do Brasil, farsa completa, dominada por dois marechais. Agora, livrou-se de Serra, mas não de Dilma. Resistirá?

Houve um tempo em que no mundo ocidental não existia nenhuma República. Os países vinham de domínio imperial, elitista e imperialista. Pode ser dito, que até curiosamente, o primeiro sobressalto tenha ocorrido em 1649 na Inglaterra. Oliver Cromwell, juntou forças poderosas, se aproveitou de divergência entre os países que formavam a Grã-Bretanha, implantou a República.

Mas como era uma vocação pura de ditador, não durou muito tempo, e fez fracassar a República. Ficou alguns anos, o filho Richard apenas oito meses, sua República não resistiu. O Parlamento decidiu restaurar a monarquia na Inglaterra e Escócia, e o rei Carlos II reassumiu o trono.

Em 1789 (pura coincidência), surgiram duas Repúblicas. A que se chamou de Estados Unidos. E a França, que adotou o mesmo nome (França), derrubando a monarquia, mas não poupando a eles mesmos, as maiores lideranças republicanas.

A República da França se manteve, mas foi tão trágica e destruidora, que basta apenas um exemplo para situá-la. Em 1789, Napoleão tinha 18 anos, entrava para a Escola Militar de Saint-Cyr. Aos 28 anos já era imperador, escreveu páginas e mais páginas da História. E as grandes figuras da República, todos assassinados entre si.

A outra República surgida nesse ano, fez tudo rigorosamente certo. Declarou a Independência, depois da vitória, a brilhante Convenção da Filadélfia, que durou 4 meses, tudo democraticamente acertado. Convocação da Constituinte, divisão do Poder entre ESTADUALISTAS e FEDERALISTAS, que dura até hoje. E em nenhum momento admitiram a eleição INDIRETA.

Tanto que coloco aqui (como licença poética “histórica”) o início dessa República em 1789, posse de George Washington, eleito DIRETAMENTE em 1788, como primeiro presidente da República. Vou cortar caminho, pois na verdade o que interessa é o que aconteceu no Brasil, com uma República deturpada, equivocada, surrupiada e não conquistada. Mas não posso deixar de falar, ligeiramente, nas Repúblicas da Espanha e da Itália.

Na Espanha, em 1936, declarada a tão desejada República, derrubada a monarquia, marcada a eleição DIRETA. Realizada pacificamente, foi eleito o republicano Primo de Rivera. Tomou posse, começou a governar, alguns generais não se conformaram. (É próprio de generais não ficarem satisfeitos, desse nome surgiu a palavra GENERALIZAR).

Os generais se dividiram, metade a favor, metade contra a República. O que provocou, de 1936 a 1939, a maior guerra civil da História, superando as sempre citadas dos EUA em 1860 e da Rússia, que se transformou em União Soviética, a partir de 1917.

(Lógico, a da Espanha é a maior de todas, proporcionalmente. Do ponto de vista populacional ou territorial, a Espanha não pode se comparar com os EUA e a antiga Rússia. Sem falar que nessa guerra civil de 3 anos, não participaram apenas espanhóis. Nazistas (Alemanha) e fascistas (Itália) experimentavam armas modernas que usariam na Segunda Guerra Mundial, que começava praticamente ali).

A República da Itália, acabou melancolicamente. Teve uma bela História com o Império Romano (toda dividida), depois transformada e unificada pelo estadista Cavour, transformando os estados num país único. Em 1945, pouco antes do fim da guerra, a modificação total, que o povo só soube pelas manchetes dos jornais.

Mussolini, que chegara ao Poder em 1922, na famosa “Marcha sobre Roma”,  foi pendurado numa “corda de secar roupa”, apenas poucas pessoas viram isso. Tomou o Poder como socialista, diretor e proprietário do jornal , “Il Popolo de Roma”. Com ele desapareceu a monarquia, a “Casa de Savoia” passou à História.

A República da Itália comemora agora 65 anos, se é que se pode usar a palavra COMEMORA para um país que há anos e anos é dominado por um corrupto como Berlusconi.

Com 121 anos, o Brasil tem uma das mais novas e mais infelizes Repúblicas. Dois marechais liquidaram sumariamente duas grandes gerações. A dos “Propagandistas da República”, que começaram em 1880 em Itu (a cidade de São Paulo que tinha menos de mil habitantes), onde foi realizada a convenção que lançou o jornal diário “A Republica”, que começou a circular em pleno Império.

A outra, os “Abolicionistas”, surgiu em 1870, logo se juntaram, se fundiram no amor pela liberdade. Eram todos, vá lá, quase todos, formados em Direito, jornalistas e políticos. Em relação à escravidão, tiveram a impressão de vitória, foram iludidos pela “Lei do Ventre Livre”. Mistificação que a própria História adotou superficialmente.

(Nessa época em que se acreditava no fim da escravidão, o mundo inteiro realmente não tinha mais escravos. Acabaram com essa vergonha, comercial e industrialmente, principalmente por causa da Revolução Industrial de 1780 na Inglaterra. Só três países mantinham a escravidão: EUA, Cuba e Brasil).

A República brasileira é ISSO que está aí. Um dos grandes personagens dessa República, diretor do jornal que defendia sua implantação, foi Saldanha Marinho. Mas quem definiu melhor essa República e sua repercussão, foi o jornalista Aristides Lobo, Republicano histórico e primeiro Ministro da Justiça.

Numa entrevista exclusiva para o “Jornal do Commercio” (então o maior do país), declarou: “O País só soube dos fatos no dia seguinte, BESTIALIZADO”. O jornalista, deliberadamente, trocava a rotineira palavra BESTIFICADO, pela outra, mais decisiva e definitiva, que foi manchete do jornal no dia 18 de novembro.

Os dois medíocres marechais já haviam ASSALTADO o Poder da República que surgia, ficaram 1 ano como PROVISÓRIOS, um na Presidência, o outro dominando o Exército. E só fizeram eleição, também INDIRETA, em 25 de fevereiro de 1891, institucionalizando a divisão da República entre os dois.

A eleição verdadeira (?) só ocorreria em 1894. Chegou ao Poder Prudente de Moraes, o verdadeiro consolidador da República. (Só que essa palavra “consolidador”, tem que ser usada com todas as aspas possíveis e imagináveis. Duas vezes a República se deixou dominar pela ditadura, ninguém desconhece o que aconteceu nessas duas aventuras).

***

PS – Não vou RECORDAR o passado, nem tentar adivinhar o futuro. Embora esse não fosse um exercício tão difícil ou complicado.

PS2 – Para não “desgostar”, “contrariar” ou “decepcionar” alguns, a verdade que muitos aceitarão como fato rigorosamente verdadeiro.

PS3 – Serão 4 anos, (pelo menos) rigorosamente tumultuados e ambiciosos, do ponto de vista negativo.

PS4 – Resumindo: ou fazem as reformas que o país exige, e contribuem para o desenvolvimento e a tranqüilidade, ou repetiremos 1930 e 1964.

PS5 – NÃO FARÃO.

Celso Amorim, criticado abertamente

Mostrei aqui várias vezes a falta de prestígio do chanceler, dentro do próprio Itamarati. Sempre fazem apreciação sobre os que saem do Instituto Rio Branco. Expectativa sobre o atual ministro, quando completou o curso: “Esse não vai longe, não tem autonomia de voo”.

Agora, representando um grupo forte, o embaixador Abdenur, com a repercussão interna de quem esteve na Matriz, diz publicamente: “O chanceler não orientou bem o presidente, não incorporou os valores ocidentais”.

Isso significa que Amorim terá oposição forte para qualquer posto que pretenda. Só que Dona Dilma não mudará coisa alguma, que duvida?

Advogado de Marco Valério, condenado. Ricardo Teixeira, impune, mesma acusação

Se falar Rogério Tolentino, ninguém sabe quem é. Se disser o nome, Ricardo Teixeira, a revolta é geral. Só que os dois foram acusados de LAVAGEM DE DINHEIRO. Tolentino “pegou” 7 anos, o presidente da CBF, apesar de responder a uma CPI que o massacrou, ABSOLVIDO.

Vagas no STJ

Existem quatro, esperando preenchimento. No próprio STJ, acreditam na QUINTA VAGA. Seria a aposentadoria voluntária do Ministro Asfor Rocha. Depois do ABECEDÁRIO (de A a Z) revelado sobre ele, nao pode ir para o Supremo nem ficar na ATIVA do STJ.

Ficha limpíssima

Maluf: “Sou candidato a ser o deputado mais votado em 2010, como fui em 2006”. Perguntado se teria problemas com o Tribunal Eleitoral, respondeu: “Eles é que terão problemas como o povo. Como cassa um homem que se elegeu prefeito, governador e é o deputado mais votado?”. Defende o “rouba mas faz”, sua escola na vida pública,

Saltando de banda

Carlos Chagas

Convites formais e por escrito  não foram feitos. Apenas sondagens, tendo em vista o constrangimento que  significariam as  recusas. Mas os três principais candidatos presidenciais, sondados, saltaram de banda diante da possibilidade de um debate entre eles na Ordem dos Advogados do Brasil e  numa reunião  conjunta  dos Clubes Militar, Naval e da Aeronáutica. Isoladamente, já compareceram à CNBB, mas debate, nem pensar.

A gente se pergunta porque essas recusas e a resposta surge clara: os candidatos temem os auditórios e seus questionamentos. Advogados e militares podem pretender respostas claras para temas delicados, como a extensão dos direitos humanos,  a soberania nacional e a presença de Deus no Universo.

São eles  que deveriam, através de suas assessorias, andar atrás de entidades como as referidas, tradicionalmente pontos de referência na opinião pública. Dão a impressão de preferir o monólogo,  quando o diálogo poderia conduzi-los à falta de convicções e a meros chavões decepcionantes.

Responder nas redes de televisão  a indagações pontuais sobre  as mais recentes notícias de jornal é fácil. Comparecer a reuniões com empresários, melhor ainda, sabendo os três o que a platéia quer ouvir. Vale o mesmo para os  palanques, passeatas e carreatas. Até para sindicalistas, não obstante a presença majoritária da CUT. Agora, enfrentar gente que pensa e consegue formular as dúvidas maiores da realidade,  para que? O perigo do desgaste é maior do que a possibilidade do sucesso.

Acreditar com cuidado

Ninguém pode ser contra as pesquisas, apesar de constituírem, os institutos, mera atividade comercial onde o freguês costuma ter sempre razão. Os números  representam tendências e momentos.

Feito o preâmbulo, valem as ressalvas. O Brasil possui 136 milhões de eleitores e 5.587 municípios. Como regra, as pesquisas envolvem perto de 4 mil eleitores e 200 municípios. Dividindo-se uns e outros teremos 20 eleitores  consultados em cada município, claro que um número maior nos mais populosos, mas obrigatoriamente menor nos pequenos.

Replicarão os institutos com esotéricos argumentos sobre suas metodologias. Tem razão quando concluem que as pesquisas feitas nas  partes conduzem à opinião do todo. Mas não podem garantir, em especial quando a gente  lembra de sucessivos descompassos entre consultas eleitorais e o resultado das urnas. Não raro, quando se aproxima o dia da votação, corrigem rapidamente números anteriores. Sem falar nessa ridícula ressalva de dois ou três pontos para mais ou para menos, fator de cautela capaz de assegurar clientes para as próximas eleições.

Por tudo isso, conclui-se que devemos acreditar nas pesquisas, mas nem tanto…

Mantega desistiu do Ministério da Fazenda

Pedro do Coutto

Ao afirmar no final da semana passada que são inúmeros os casos de violação de sigilo fiscal na área da SRF, o ministro Guido Mantega, responsável maior pelo cumprimento da lei financeira, renunciou tacitamente ao cargo que ocupa. Não sei se a sua iniciativa pública será aceita pelo presidente Lula, mas não importa. Ele revelou não ter condições de gerir a Fazenda, sobretudo porque se encontra no cargo há quase sete anos. Em sete anos aprende-se muita coisa. Ele, Guido Mantega, parece não ter aprendido e percebido nada. Não propriamente do universo econômico, mas sim do universo político.

Como é possível que na delegacia de Santo André, funcionárias aceitem como válida uma procuração evidentemente falsa produzida através do misterioso contador Antonio Carlos Atella Ferreira? Uma simples questão de bom senso e de responsabilidade. Por quê motivo Verônica Serra, filha do candidato José Serra, iria solicitar cópia de sua declaração de IR? Isso em primeiro lugar, em segundo, qual o motivo que a levaria a fazer isso por intermédio de uma procuração? Não terminam aí as contradições. Em terceiro lugar, porque o pedido seria encaminhado através do setor fiscal de Santo André, se ela reside na cidade de São Paulo?

Uma teia imunda de mentiras e de ocultação da verdade – algo tão nocivo quanto mentir e falsificar. A intenção, claro, não podia ser pior. Fechando esta etapa negra da história inverossímil, ao ler o pedido absurdo, a funcionária sequer desconfiou de que algo estava errado? Deveria se dar ao trabalho de confirmar. Caso contrário, ela, mantido esse comportamento, poderia contribuir para devassar o sigilo fazendário de qualquer pessoa.

Aliás foi o que aconteceu. A cena repetiu-se na localidade de Mauá em relação ao ex-ministro Mendonça de Barros, em relação ao ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Oliveira, e o ex-subchefe da Casa Civil de FHC, Eduardo Jorge Caldas Pereira. Este inclusive o mais visado. Romperam seu sigilo fiscal até em Minas Gerais. Incrível. De todos, claro, os mais visados foram Mendonça de Barros e Eduardo Jorge. Bobagem, além de um crime, burrice, porque transações supostamente ilegais não apresentam seu produto nas declarações anuais de Imposto de Renda. Isso equivale a supor que seus autores assinariam as respectivas confissões. Só rindo. Seria cômodo se não fosse dramático.

Os episódios, como admitiu o estado de São Paulo na edição de sábado passado, podem ter contribuído para frear o crescimento acentuado de Dilma Rousseff no Ibope e Datafolha e também a queda de Serra. Mas não são capazes, penso eu, de mudar o quadro da sucessão presidencial claramente definido. Entretanto não é por isso que se deva legitimar a ação dos falsificadores e violadores de declarações de IR. De modo algum. Porque, na realidade, os que dedicam a tal tarefa, não vão parar no cenário eleitoral. Nada disso. Vão utilizar procurações falsas para invadir sites pessoais na Receita e depois tentar chantagear os que considerem suspeitos de rendimentos ilícitos. A violação com motivo político é só uma chave eletrônica para penetrar no mundo de negócios inescrupulosos.

Guido Mantega sabe disso. Sabe que se omitiu ilegalmente. Algo gravíssimo, sob o ponto de vista ético, para um titular da Fazenda. Renunciou. Não só ao governo Lula. Mas jogou fora sua participação no governo Dilma Rousseff. Quem viver verá.

Por que não existe Juizado Especial Trabalhista?

Roberto Monteiro Pinho

Há muito se discute no segmento laboral, o porque da não existência do Juizado Especial Trabalhista, como parte legítima, integrada a estrutura da JT. No curso do processo da discussão, e do esforço de legisladores para sua tentar sua introdução, ainda subsistem as seqüelas dos incidentes, que levaram ao esvaziamento da proposta. Mesmo assim apenas uma posição tem prevalecido, a que é contrária a sua criação, através de um forte esquema protecionista, existente no seio da especializada, em razão do posicionamento dos seus magistrados que vetam este mecanismo de solução de conflitos.

Para semear no judiciário trabalhista este dispositivo, o Banco Mundial, vem sugerindo, a criação dos MARCs – Mecanismos Alternativos de Resolução de Conflitos, já utilizado na América Latina através do Documento 319, cujo modelo está mais próximo da privatização da Justiça, por esta razão, prevendo a exemplo dos Juizados Especial Civil (JEC), o mesmo modelo, cuja inicial e audiência de conciliação dispensa o advogado do procedimento judicial. No de 2000, com a extinção da representação paritária na Justiça do Trabalho, o governo federal, criou o Rito Processual Trabalhista-RPS, (Lei 9.957/2000), que “ex aedem” causa, apesar de oferecer algumas facilidades é um frágil apêndice do processo do trabalho.

Na realidade a adoção deste novo figurante processual, foi à forma encontrada para arrefecer a ira dos integrantes do judiciário trabalhista, que pregam o seu isolamento administrativo, jurisdicional e jurídico, exortando tudo que possa fustigar a tutela dos juízes trabalhistas, como se isso, resultasse em algum beneficio a sociedade. Ao contrário, na pratica o seu resultado é desastroso, portanto alvo de severas criticas do trade trabalhista, pois se converteu da mesma forma que o rito ordinário, em ação morosa, com prazos não cumpridos e de extrema técnica de aplicabilidade do rito processual, obrigando entre outros, a apresentação de títulos de liquidação, espelhado no pedido da inicial, papel reservado ao contador da VT, cuja função exclusiva é a de liquidar os títulos da sentença.

O procedimento da CCP é de fácil tramite, inicia a partir do convite de comparecimento à sessão de conciliação e segue aos interessados, acompanhado de cópia da demanda. Todo rito é realizado sob a norma que o instituiu, a saber: as partes devem ser informadas, no convite e ao início da sessão de conciliação, de que: I – a Comissão tem natureza privada e não integra o Poder Judiciário; II – o serviço é gratuito para o trabalhador; III – a tentativa de conciliação é obrigatória, mas o acordo é facultativo.

Com toda venia, admite-se que o rito sumaríssimo (judicialista) e a Lei 9.958/2000, as Comissões de Conciliação Prévia, (extrajudicialista), criados por lei, trouxeram uma enxurrada de procedimentos, que são autênticos complicadores do processo judicial laboral. Do segundo (CCP) é patente a resistência dos juízes do trabalho em aprovar os acordos entre sindicatos  tendo como principio de não admissibilidade, mesmo se a proposta de solução  ficar dentro dos 40 salários previstos, e até mesmo não existir qualquer indício de fraude. O que é, admite-se seja absolutamente normal, até mesmo na esfera civil, este elemento tem tratamento processualista diferenciado, no entanto, a dosagem do elemento de fraude na relação laboral, precisa ser medida, levando conta, o custo beneficio para as partes, conciliado os seus quesitos (com exceção dos indisponíveis) a questão se resolve com o incontroverso (inaceitável) e o controverso (aceitável) aprovado, até porque se admite neste instituto extrajudicial a execução do titulo na esfera do judiciário tutelado da JT, quando o acordo extrajudicial não for cumprido.

Ocorre que judiciário brasileiro, diferenciado de outros países,   recebe diariamente centenas de milhares de novas ações, notadamente na Justiça do Trabalho, e com a taxa de desemprego no patamar de 12.5% (fonte: Dieese), somado as anomalias no trato das questões sociais, de relação de emprego e com o advento da EC n° 45 que ampliou a competência da JT, não existe outra saída outra que não seja à busca de um alento jurisdicional. Cabe ao legislador, saber se este processo de alternância não se transforme num desastre em termos sociais e econômicos, a exemplo de tantos outros abortados no Congresso. O que é inaceitável, é quero mera representação do judiciário laboral, se dispõe a cada sugestão alternativa de solução de conflitos, o travamento da proposta, enquanto o trabalhador continua sendo, mero coadjuvante nesta justiça, esperando por 12 anos para receber (quando recebe), o seu crédito alimentar.

“Disque Quercia para a corrupção” (royalties para o governador Requião)

Quase eleito, inesperadamente desistirá, hoje, da candidatura ao Senado. Pode provocar suspense no preenchimento das duas vagas.

Uma – já preenchida por Dona Marta, depois de várias derrotas.

A outra – estará agora entre Aloysio Nunes Ferreira e o já senador Romeu Tuma. Este, remanescente da ditadura e do “freuryzismo”.

***

PS – Aloysio deve herdar os votos de Quércia e ganhar o apoio do PMDB. Mudará o suplente, agora indicado pelo PMDB.

PS2 – Mas apesar de faltarem semanas para a eleição, nisso tudo, certo mesmo, só a retirada de Quércia e a confirmação de Dona Suplicy, perdão, ex, mas os dois agem como se não fossem.

Utilizar a Receita não é novidade, sempre gozou de impunidade. A ditadura perseguiu a Tribuna durante 10 anos, penalizando empresas que anunciavam no jornal. Ninguém protestou.

É sempre bom começar com um ditado popular: “Pimenta nos olhos dos outros é refresco”. A Receita Federal do mundo inteiro, é a fortaleza do sigilo. O cidadão, obrigado a desnudar toda sua privacidade, espera ou admite, que o cumprimento dessa exigência não se torne público, através da palavra que não pode ser substituída: V-A-Z-A-M-E-N-T-O.

Antes de mais nada, se esse V-A-Z-A-M-E-N-T-O foi ordenado e executado pelo governo, que nomeia e controla a Receita Federal, (e deve ter sido mesmo), foi BURRICE ampla, geral e irrestrita.

Disparada nas pesquisas e até mesmo na apreciação da cúpula adversária, por que os coordenadores (?) de Dona Dilma, cometeriam a heresia de atirar contra o próprio gol? É bem verdade que não existe na liderança (Ha!Ha!Ha!) situacionista, uma só mente brilhante.

Portanto, tudo pode acontecer, neste caso, altamente improvável. Mas como os arquivos da Receita Federal se mostram tão vulneráveis a pesquisas, mas exibem também uma fila enorme de gente COMPRANDO e VENDENDO dados SIGILOSOS, algum “gênio” da campanha de Serra, pode ter tido a ideia de “atirar no próprio pé”.

Não seria surpreendente e não provocaria maiores transtornos ou prejuízos a uma candidatura que não existe.

Isso apenas um suposição, como a outra, tão surrealista quanto o resto que acontece neste país de dívida I-M-P-A-G-Á-V-E-L e que alguns classificam como SEM IMPORTÂNCIA.

O governo Lula tem amplo conhecimento dos métodos de operar a quebra de sigilo, de poderosos e até de humildes “caseiros”, como aconteceu no caso do então poderoso Ministro Palocci. Ele perdeu o cargo, o governo perdeu a credibilidade que já não era muita.

Denunciado pelo “caseiro”, o Ministro da Fazenda, que já viera de Ribeirão Preto com a fama, o conceito e o rótulo de praticar abertamente o que se chama de ABUSO DE PODER, manipulou de todas as formas os subterrâneos, as entranhas e as vísceras da Caixa Econômica e do Banco do Brasil (potências financeiras) para destruir um humilde mas compenetrado “caseiro”.

Demitido, denunciado e julgado pelo Supremo Tribunal Federal, Antonio Palocci foi atingido duramente. Como Sansão, não perdeu o cabelo e sim o cargo, de onde emanava, que palavra, sua força. Morra Palocci, com todos que aqui estão.

No julgamento do Supremo, Palocci ficou completamente nu em plena Praça dos Três Poderes. Só não foi punido severamente e preso, a pedido do próprio Lula, pedido feito através do Ministro mais íntimo de sua casa. “Argumento” usado pelo presidente da República: “O Palocci já foi demitido, perdeu o cargo e o prestígio, não vale mais nada”.

Mas como na trajetória de Lula as punições não valem para sempre, (como ele convenceu o Supremo), logo depois o próprio Lula REABILITAVA Palocci. Lançou seu nome para governador de São Paulo. O que só não se concretizou porque Palocci não conseguiu “empolgar” o PT, e Lula viu no episódio, um ganho político e eleitoral maior, em dose dupla.

Afastado Palocci, (e não por ele, Lula) o jogador de xadrez (artesanal), que é o presidente, decidiu derrubar também o IRREVOGÁVEL MERCADANTE. Convenceu-o a deixar o Senado e se candidatar a governador. Lula, que geralmente “não sabe de nada”, sabia de um fato, que era também do domínio público absoluto: Mercadante não se elegeria governador. Para o Senado, estaria reeleito, se não ganhasse de Tuma, do (engraçado) Netinho de Paula, e do “Disque Quercia para a Corrupção”, então não valia mesmo apóia-lo. E depois de 8 anos de desprezo e desinteresse pelo vice da sua chapa presidencial em 1994, agora se livrava dele para sempre.

(Tudo isso, a eliminação dos principais nomes do PT, a certeza de que Lula deixa o governo no dia 1º de janeiro de 2011, mas não deixa a vida pública, a política, e o prazer de perder e ganhar eleições).

Agora não se sabe como terminará o episódio da “procuração falsa”, falta menos de um mês para a eleição, Serra não consegue conquistar a oposição e ainda é hostilizado pelos correligionários, que tentam jogá-lo  contra Aécio e desmoralizar sua campanha, mediocríssima. Já disse aqui: “Toda vez que sai de casa, Serra perde voto”.

A midia fez um estradalhaço tremendo, como se esse fosse o comportamento de sempre. Quem dera. A Liberdade de Imprensa (ou de Expressão, já que as formas de comunicação se multiplicaram) só serve quando atende os interesses dos órgãos que dominam o país na democracia e na ditadura.

Enriquecendo, se fortalecendo e ficando mais poderosos, os órgãos que agora retumbam, ficaram silenciosos, calados e sem dar uma palavra, quando a própria Receita Federal era mobilizada para MASSACRAR A TRIBUNA DA IMPRENSA de papel.

***

PS – Apenas uns dados, que se prolongaram por 10 anos. Dados simples, mas elucidativos, com nomes, datas e a obtenção do massacre do único jornal diário que resistiu à ditadura, e do Ú-N-I-C-O jornalista PROIBIDO DE ESCREVER, de exercer a sua profissão.

PS2 – Subjugado o jornal pela CENSURA OSTENSIVA, que para os jornalões era apenas maquiagem, continuamos a resistência. Decidiram então usar outros métodos que só terminaram ou terminariam depois da ANISTIA, ampla, geral e irrestrita.

PS3 – Resolveram então mobilizar esta mesma Receita Federal. Seu Secretário-Geral, Orlando Travancas, P-E-S-S-O-A-L-M-E- N-T-E, ia às empresas que anunciavam na Tribuna.

PS4 – Levava uma equipe de AUDITORIA, e se apresentava para “examinar as contas”. Os responsáveis perguntavam : “Por que isso, nunca tivemos problemas com DECLARAÇÕES?”

PS5 – Travancas mostrava o anúncio na Tribuna, propunha: “Os senhores não estão anunciando na Tribuna? Se assumirem o compromisso de NÃO ANUNCIAR MAIS, IREMOS EMBORA PARA SEMPRE”. Quem insistiria em anunciar?

PS6 – Encurtando: isso durou 10 anos, não houve protesto de órgão algum, ou de Associações de Jornais, que só representavam os que COMPACTUAVAM COM A DITADURA.

PS7 – Se tivessem PROTESTADO 1 POR CENTO DO QUE PROTESTAM AGORA, já teriam provocado algum efeito.

Na Paraíba, sem eleição, mas com reeeleição

José Maranhão disputou o governo da Paraíba. Perdeu. Dois anos depois, o TSE lhe deu o governo, demitindo o vitorioso. Agora, quer ser reeeleito, com  o apoio de Lula. Destrói o sistema político-eleitoral e violenta até o vernáculo: se REEELEGE sem ter sido ELEITO, o mesmo que aconteceu com Dona Roseana.

No caso dela, “justíssimo”, ela é Sarney de nascimento e de métodos. Não sou contra que o TRE e depois o TSE, investiguem e punam governadores com perda de mandato. Mas por que não legitimam a decisão fazendo ELEIÇÃO DIRETA?

Nova derrota de Helio Costa

Já perdeu o governo antes, mesmo sendo representante e prestigiado da TV Globo. Derrotado, foi agraciado, que palavra, com um ministério. Onde serviu à Globo, na questão da televisão digital. E pagou 253,9 milhões a uma empresa amiga, a VT-Um, que tinha capital de apenas 1 mil. I-N-A-C-R-E-D-I-T-Á-V-E-L.

PS – Nem a Globo acreditava que Aécio Neves enfrentasse e derrotasse a Organização. Agora, a Globo e Lula, tentam salvar o ex-ministro.

PS2 – Lula recebe apelos e mais apelos, a vantagem de Anastasia ainda não é tão grande ou conclusiva.

Os mais votados do Estado do Rio

Deputado federal: Garotinho, Vladimir Palmeira, Romário, que não fez concessão à politicalha, é candidato pelo PSB. Para senador, está pintando, não o ideal, mas o menos pior: eleição de Crivella e Lindberg Farias. Derrotando César Maia e Picciani, i-r-r-e-g-u-l-a-r-í-s-s-i-m-o-s, a-c-u-s-a-d-í-s-s-i-m-o-s, c-o-m-p-r-o-m-e-t-i-d-í-s-s-i-m-o-s, e-n-r-i-q-u-e-c-i-d-í-s-s-i-m-o-s.

VARIADAS, com TV Globo, Ricardo Teixeira e Nuzman, Mercadante e Lula, William da Rocinha, Nadal e o US Open

A TV Globo está organizando um seminário com o título: “A limitação dos mandatos no comando do futebol, depois de Ricardo Teixeira”.  XXX  Para demonstrar a isenção, informação e discernimento, o coordenador desse seminário, será o presidente da CBF (21 anos) Ricardo Teixeira.  XXX  Quase com o mesmo tempo à frente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Nuzman defende que o seminário não seja restrito ao futebol. E “exige” a sua indicação para um dos lugares de coordenador. Faz sentido.  XXX  Derrotadíssimo em SP, Mercadante “escolhe” o cargo ministerial que, acredita, ocupará a partir de 2011. Para ele, “irrevogável”, Lula concordará?  XXX  Anular o voto, não escolhendo apenas entre dois personagens, quando somos quase 200 milhões e 129 milhões de eleitores, não é omissão.  XXX  é protesto, revolta, exigência mais ou menos silenciosa, mas exigência, de que não nos confinem nesse campo ideológico, eleitoral e político. Ainda conseguiremos isso.  XXX  As realizações do William da Rocinha, aqui mesmo, merecem meditação. A libertação das favelas, tem que ter o apoio e a responsabilidade de DENTRO e não de FORA. Os governos têm que participar como obrigação.  XXX  Nadal, no Open de NY, enfrentou um desconhecido do Uzbequistão. Ganhou o primeiro set fácil (6 a 2), no segundo foi para o tiebreak, perdia de 5 a 1, levou um susto, se libertou no final, e depois fechou o terceiro em 7 a 5.  XXX  Djokovic, também passou por dificuldades, enquanto Murray foi surpreendido pela zebra suíça Stanislas Wawrinka. Federer, sem nenhum problema. No momento em que escrevo, à exceção de Murray, os primeiros do ranking estão nas oitavas.  XXX  Sem a Serena, no feminino, a irmã Vênus (número 3) segue impacta. Mas enfrentou uma jovem de 18 anos, que veio da classificação. “Adotada” pelo público, pela beleza e simpatia. A competência só dentro de algum tempo.

As lendárias e poderosas empreiteiras

Todas são. É impressionante: duram para sempre. Vivem de obras dos governos, se dão bem com todos. Dizem: “empreiteiras não têm ideologia e sim projeto, aprovação e custo”. (Com a indispensável “concordância”).

Há 30 anos ou mais, estão todas aí, o que as transforma de lendárias em legendárias.

Outro fato comum a todas: já sofreram acusações gravíssimas de superfaturamento, de ligações espúrias com prefeitos, governadores e presidentes, todos se relacionando de forma rotineira no capitalismo. E todos ficam satisfeitos, a intimidade é cada vez mais promissora, enriquecedora, animadora.

Só que a Odebrecth, não é nem mais nem menos prestigiosa do que as outras, resolveu inovar em três pontos. 1 – Vai fazer DE GRAÇA, o estádio do Corintians, só porque o ainda presidente Lula pediu. 2 – Confessou, “esse estádio custará MUITO MAIS BARATO, do que as obras que costuma fazer para governos”. 3 – Confessou: “Será inteiramente DE GRAÇA”. Ha!Ha!Ha!

***

PS – Há muito tempo, (tanto que esqueci até o nome da empreiteira), o empresário dormia tranquilo. Às duas da madrugada, tocou o celular. Seu engenheiro responsável, comunicava: “Desculpe acordar a essa hora, mas três operários morreram SOTERRADOS”.

PS2 – O empreiteiro tranquilo mas com veemência: “SOTERRADOS, NÃO, morreram EMPEDRADOS”. É que fazia movimentação de TERRA, mas cobrava de PEDRA, muito mais caro.

PS3 – Essas empreiteiras, TODAS, têm tanto prestígio e força, que José Sarney, (como presidente da República) negociou com um governo do Oriente, para salvar Murilo Mendes. Fez obras lá longe, quando ia receber, mudou o governo, ficou em pânico. Apelou para o presidente da República, recebeu tudo

Lembranças do Riocentro

Carlos Chagas

O  fim de semana terminou sob o impacto da declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que “vazamentos sempre ocorrem”. Pode até estar certo na observação, mas seu diagnóstico fica ridículo quando se atenta para o fato de que punição para os vazadores raramente aconteceu no governo Lula. Mais ainda, que  Mantega é  o responsável direto pela punição, no caso da Receita Federal. Sob o pretexto de “blindar” Dilma Rousseff, com o apoio do presidente Lula, vai permanecendo no cargo o secretário da Receita Federal, assim como protegidas ficam as funcionárias de cujas senhas e  computadores partiram os vazamentos.

Em suma, uma operação lamentável que só faz confirmar outras parecidas, do mensalão à quebra do  sigilo do caseiro e aos  aloprados de 2006. A regra é de acobertar quantos se encontram sob o guarda-chuva da administração federal, como se a punição de cada culpado  atingisse a imagem do governo e de seu chefe.

Já era para o secretário da Receita Federal ter sido demitido pelo  menos há quinze dias. E se não foi, a bola da vez teria que ser o ministro da Fazenda.

Guardadas as proporções, a situação lembra o caso do “Riocentro”, no governo João Figueiredo. Não puniram o capitão, nem o coronel, muito  menos o general. Resultado: o presidente carregou o peso da decisão complacente até sofrer o enfarte responsável pelo desmonte de suas boas intenções e por  um agonizante   resto de governo.

Jogada de risco

O presidente Lula parece  tão convencido da vitória de Dilma Rousseff, e tem razões para isso, que anda arriscando cacifes altos demais nos palanques. Sábado, em Guarulhos, depois de descer tacape e borduna em José Serra e na campanha tucana, desafiou todo mundo afirmando: “cadê  esse tal de sigilo que não apareceu? Cadê o vazamento?”

Que houve vazamento, confirmou o ministro Guido Mantega, na véspera, ao declarar “que isso sempre acontece”. Para não falar nos depoimentos  do secretário da Receita Federal, nos documentos e procurações falsificadas e nas entrevistas   do contador Antônio Carlos Atella, pivô da lambança divulgada por todos os jornais. Esse cidadão chegou a dar nomes de integrantes de sua quadrilha, mas fez pior: ofereceu o  material à Folha de S. Paulo, por 10 mil reais.

Imagine-se o estrago que se verificaria no governo e na campanha de Dilma caso cópias do vazamento de declarações de renda da filha de José Serra e de outros tucanos  começassem a pipocar nos meios de comunicação. Falta pouco para tanto, se é que não está na imprensa de hoje.

Confiança demais enfraquece quantos se encontram num entrevero da dimensão da atual campanha presidencial. Não se  duvida de que José Serra anda exagerando em sua defesa, mas se o presidente Lula faz o mesmo, quem se prejudica é  a sua candidata.

As causas mais profundas

Cientistas políticos, sociólogos e diletantes andam buscando as razões de porque o presidente Lula elegeu-se duas vezes e ostenta popularidade ímpar na história da República. Bastaria trocarem a complicada terminologia acadêmica e seus raciocínios esotéricos pela simples observação do comportamento das massas.  Depois de Getúlio Vargas, quem senão  o Lula dirigiu-se às majoritárias categorias menos favorecidas?

Ainda que iludido e  frustrado pela pregação de tantos presidentes, apenas os dois deram ao povão motivos para insurgir-se contra as elites retrógradas encasteladas no poder desde nossa formação como nação.  E não se dirá que Getúlio e  Lula  fizeram tudo o que deveriam ou poderiam para resgatar o sacrifício e o  sofrimento das maiorias.  Não raro também contemporizaram com as elites, como demonstra agora a política econômica do governo dos companheiros.

Mesmo assim, ficam evidentes a pregação e as realizações do fazendeiro gaúcho e  do torneiro-mecânico pernambucano que virou paulista. A maior parte do eleitorado sensibiliza-se por quem sinceramente  volta-se  para suas agruras.  O voto a ser dado daqui a menos de um mês não será pró-Dilma, mas anti-elites. Depois, fica tudo nas mãos de Deus…

A divisão do poder, de Eurico Dutra a Lula da Silva

Pedro do Coutto

Na edição da Folha de São Paulo de 26 de agosto, Renata Lo Prete, autora da entrevista com Roberto Jeferson que abalou o país em 2005, crise do mensalão, publicou artigo partindo do princípio de que Dilma Rousseff será vitoriosa nas urnas. Com base nessa provável perspectiva, já que no mesmo o Datafolha apontou vinte pontos de diferença sobre José Serra, a jornalista sustenta que a aliança de hoje, entre PT e PMDB, vai se desfazer amanhã, tão logo a primeira mulher a ser presidente do Brasil chegue ao Palácio do Planalto. A ruptura, a seu ver, ocorreria logo na alvorada do futuro governo em conseqüência da divisão do poder.

É difícil fazer previsões na política. O biólogo inglês Malthus, em 1798, previu fome no mundo achando que o aumento populacional superaria o ritmo da produção de alimentos. Errou. Em 1848, quando lançou o Manifesto Comunista, Karl Marx previu uma revolução do proletariado universal contra o peso do capital. Errou. O sonho dos assalariados, todos nós, é elevarmos nosso padrão de vida.

Em 1945, Einstein achou que sua teoria que proporcionou a bomba atômica levaria à destruição do planeta. Errou. Foi o equilíbrio de poder que evitou o confronto EUA-URSS no tempo da guerra fria que antecedeu a queda do muro de Berlim em 1989. Há uma série infindável de exemplos.

Voltemos ao texto de Renata Lo Prete. Não se deve estranhar as composições políticas em torno do poder. São normais. Incluem as forças vitoriosas, sem esquecer as que foram derrotadas mas que possuem representatividade política. Pois quem fala em política, fala em acesso ao poder. Não faz sentido alguém participar da vitória e não do poder. E, tanto é assim, que até no cotidiano, quando tal acontece, nos vem um sentimento de repulsa à ingratidão, tão eterna quanto a esperança.

A divisão de cargos é fonte do equilíbrio de poder, prática natural, inerente à política. O presidente Eurico Dutra (PSD) foi eleito com o apoio direto de Vargas (PTB), mas rompeu com o trabalhismo e firmou acordo com a UDN. Nomeou Clemente Mariani para a Educação, Maurício Joppert para os Transportes. Getúlio Vargas que o antecedeu e sucedeu, formou um ministério à base do PSD e PTB, mas incorporou parte da UDN. José Américo nos Transportes, João Cleofas na Agricultura. Perdeu a maioria no Congresso, foi devorado pela CPI do Jornal Última Hora, financiado pelo Banco do Brasil, e sobretudo pelo atentado ao jornalista Carlos Lacerda na noite de 5 de agosto. Suicidou-se dezenove dias depois, ao receber ultimato do comando militar para que deixasse o Palácio do Catete.

O vice Café Filho assumiu. Formou o executivo à base da UDN. Em 1955, entretanto, antes do infarte que o afastou do governo e da estrada do golpe contra a posse de Juscelino, apoiou a candidatura de Juarez Távora. Obteve a adesão de Jânio Quadros, então governador de São Paulo. Mas Jânio exigiu os ministérios da Fazenda e dos Transportes. Café Filho atendeu. Saiu Eugênio Gudin, entrou José Maria Whitaker. Saiu Lucas Lopes, entrou Marcondes Ferraz.

JK assumiu em janeiro de 56. Seu governo era à base da aliança PSD-PTB. As pastas do Trabalho e Agricultura eram preenchidas por indicação do vice João Goulart. Jânio Quadros, eleito em 60, dividiu os postos com a UDN, o PR e os dissidentes do PSD. Clóvis Pestana, PSD-RS, foi nomeado para  os transportes. Renunciou. João Goulart assumiu. A UDN recebeu dois ministérios: Virgílio Távora nos Transportes, Gabriel Passos em Minas e Energia, Afonso Arinos de Melo Franco, foi nomeado embaixador brasileiro na ONU. No governo Lula, o PMDB possui cinco ministérios. A divisão do poder não deve causar espanto. A busca do equilíbrio institucional é um fato histórico e eterno.

Sempre foi e será assim.

No mundo do faz de conta, quando é feita a medição da audiência das TVs ou a propaganda eleitoral, ninguém leva em consideração a existência de 20 milhões de antenas parabólicas no país.

Nogueira Lopes

Sem querer desestimular os candidatos que confiam no horário gratuito para sensibilizar o eleitorado, é bom esclarecer que a distribuição da TV por satélite não pode continuar ignorada no setor de mídia. O Brasil tem 20 milhões de antenas parabólicas, que levam sinais de TV a cerca 40% da população, mas este importante item não é levado em consideração, nem na medição do Ibope nem na propaganda política.

As parabólicas são usadas por pessoas que moram na periferia das grandes cidades ou no interior, onde os sinais das TVs abertas chegam muito fracos e não existe TV por assinatura. Grande parte desses eleitores na verdade nem assiste ao horário gratuito de suas regiões, pois as parabólicas transmitem o sinal gerado nacionalmente pelas emissoras, enquanto a propaganda política é estadual.

Traduzindo: os candidatos que dependem da audiência desses eleitores para ganhar as eleições, podem esquecer.

R$ 26,5 mil por um aparelho sanitário

Um vaso sanitário usado por John Lennon e Ringo Starr foi arrematado num escraboso leilão por 9,5 mil libras (R$ 26,5 mil), durante a 33ª Convenção Anual dos Beatles em Liverpool, cidade onde surgiu a lendária banda.

A peça de porcelana foi usada por Lennon quando viveu com Yoko Ono em Tittenhurst Park, numa casa de campo no Sul da Inglaterra, de 1969 a 1971, e que depois foi comprada por Ringo Starr.

E qual é a diferença para outra privada comum? Nenhuma.

Plástica já aprimora também o queixo

O Dr. Hugo de Castro, um dos melhores cirurgiões plásticos do país, revela que um recurso pouco conhecido vem atraindo cada vez mais pacientes – a mentoplastia, ou cirurgia que projeta o queixo do paciente.

A intervenção pode resultar numa projeção do queixo de até 1,2 cm. Ela pode ser feita de duas maneiras: cortando-se o osso e puxando-o mais para frente ou colocando uma prótese de silicone. A primeira é mais agressiva e tem recuperação mais difícil. Já o implante pode ser feito por dentro da boca ou embaixo do queixo.

“A cicatriz resultante é quase imperceptível e em poucos dias o paciente pode retomar sua rotina”, afirma o cirurgião plástico, Dr. Hugo de Castro, assinalando que, se vivesse nos dias de hoje, Noel Rosa poderia se tornar um galã.

Rita Lee agora é “atração” na internet

A cantora Rita Lee está se divertindo na internet. Sua primeira vítima no Twitter foi o plano de saúde. Depois de xingar a empresa algumas vezes, ela desabafou sobre sua situação financeira familiar. “Tem gente que pensa que todo artista é rico. Numa época eu até fui, mas fumei, cheirei e bebi tudo. Hoje moro no mato e ‘trampo’ para pagar as contas”, escreveu Rita.

Ela realmente é um belo exemplo do mal que as drogas fazem e também um bom exemplo de pessoa que vence as drogas.

Fundos de pensão vivem na caixa-preta

O projeto mais importante dos últimos tempos está parado na Câmara. Destina-se a colocar os fundos de pensão sob crivo do Ministério Público. É um passo gigante para moralizar essas entidades, que movimentam mais de R$ 300 bilhões/ano. Elas operam numa espécie de caixa-preta impenetrável, sem transparência alguma.

Compreensivelmente, o projeto não anda. Interessa a todos os brasileiros, especialmente os associados aos fundos, mas parece não interessar aos parlamentares.

Ratinho promete purificar seu programa

Nem tudo está perdido. O tristemente famoso “Programa do Ratinho”, do SBT, está em processo de reformulação e não mais de dedicará aos casos policiais. Resta saber quais são as atrações que ele nos reserva, já que é um dos maiores especialistas em baixarias na TV brasileira.

Marido de Demi Moore sai “aprontando”.

O ator Ashton Kutcher, marido da atriz Demi Moore  (15 anos mais novo do que ela, que tem 47 anos) é o novo protagonista dos escândalos de traição de Hollywood, segundo o site Pop Crunch. Um repórter da “Star Magazine” viu o marido de Demi Moore aos beijos com uma jovem modelo em um restaurante de Los Angeles. O site destaca que o pior é que o ator não se preocupa em esconder o caso, exibindo a amante “por toda Hollywood”.

É um enredo que pode dar um bom filme.

Essa multinacional de Francis é imbatível

Em tempo de campanha eleitoral e às vésperas da eleição mais complicada do planeta (nenhum país elege tantos políticos ao mesmo tempo), é sempre bom lembrar o jornalista Paulo Francis, que dizia: “A ignorância é a maior multinacional do mundo”.

1967, O PODER MILITAR NO BRASIL: análise, exame da situação, conclusão apenas temporária. Os civis sempre se submeteram aos militares, até que a partir de 1964, perderam o comando mas mantiveram as mordomias

Foi o general Góes Monteiro (com quem fiz a minha primeira entrevista assinada, lá se vão 20 anos), que classificou o Exército como o “grande mudo”. Góes Monteiro, que era um dos intelectuais formados pela famosa Missão Gamelin (o mesmo general que por incompreensão de métodos e por não perceber que o tempo passa inexorável e torna obsoletas até as armas e as técnicas da guerra, levou a França à melancólica derrota diante dos Exércitos modernos de Hitler) era irreverente, autoritário, mas inegavelmente inteligente, e sabia o que dizia.

E por ser sempre o “grande mudo”, o Exército brasileiro continua iludido por alguns militares que falam demais ou almejam demais, e que falam pelo Exército, sem procuração e muitas das vezes sem títulos para isso.

Mas se formos pesquisar na História brasileira, sem precisar ir muito longe, veremos que na maioria das vezes, esses que falam pelo Exército (alguns mais pomposos ou mais ambiciosos chegam a falar pelas Forças Armadas) não passam de blefadores, de aproveitadores, e algumas vezes de ingênuos que pensam mesmo que representam o Exército, e que o que estão dizendo reproduz mesmo o pensamento da maioria dos seus camaradas.

Em 1930, quando Getulio Vargas, Osvaldo Aranha e seus companheiros desceram do Rio Grande numa revolução que nem eles mesmos sabiam a projeção que alcançaria e as vitórias e as frustrações que seriam semeadas igualmente no seu caminho, o general Sezefredo Passos, Ministro da Guerra de Washington Luiz, entregou ao presidente um relatório oficial (portanto, uma informação e não um informe) dizendo que o Exército estava coeso em torno do seu chefe, que não havia a menor discrepância nem descontentamento, e que “a unidade do Exército não se abalaria com inconsciência de um grupo de jovens imaturos”.

Antes de travar a primeira batalha séria, Washington Luiz já estava deposto e a caminho do exterior, os revolucionários instalados  no Catete, e o relatório oficial sobre “a unidade do Exército em torno do Presidente”, um papel sem a menor importância, sepultado em algum arquivo empoeirado.

Muitas vezes esses relatórios e essas conclusões sobre a unidade do Exército como um bloco monolítico, são feitos até com a maior boa fé.

Mas o problema é que os homens que fazem esse levantamento, têm também as suas fragilidades e fraquezas, sofrem as deformações profissionais do meio, têm que enfrentar a rigidez natural de uma profissão onde o superior pode tudo e o inferior obedece ou é punido, mesmo que essa obediência se faça com constrangimento e debaixo da mais completa inibição.

Em suma: esses relatórios valem apenas o que vale o poder de observação de quem os faz, a sua capacidade de conhecer e sentir os homens, e até a autonomia que lhe dão para se movimentar dentro de um meio que é condicionado por tantas coisas, sendo principais delas, a disciplina, a hierarquia e o respeito quase místico ou medieval ao superior.

Um só exemplo: quando mais ativa era a disputa militar entre o presidente Castelo Branco e o seu ministro da Guerra Costa e Silva, o primeiro despachou observadores para vários pontos do país, para saber se, no caso de uma rutura do sistema, com quem ficaria o Exército. Um dos observadores foi o então coronel Reinaldo de Almeida (hoje general, filho do grande José Américo, uma das maiores figuras da vida pública brasileira), que voltou eufórico e com informações inteiramente favoráveis ao presidente Castelo Branco.

Quando no dia 5 de outubro de 1965, finalmente houve o choque de bastidores entre o dispositivo Castelo e o dispositivo Costa e Silva, toda aquela região visitada pelo então coronel Reinaldo de Almeida, foi uma das mais firmes e categóricas a favor de Costa e Silva. É lógico que, sendo castelista ferrenho, as suas informações e informes era sinceras e corretas, mas apenas do seu ponto de vista pessoal de observador. Não representavam verdades matemáticas, mas sim observações recolhidas mais um menos precariamente, que as circunstâncias ou as necessidades do momento elevavam até inconscientemente à categoria de verdades irrevogáveis.

A campanha da FEB na Itália exerceu uma influência enorme sobre o Exército brasileiro, renovando-o, reformulando-o, livrando-o da influência perniciosa das Missões Francesas. Antes da FEB, o Exército brasileiro vivia exclusivamente em função de dois fatores: ordem unida pela manhã, e depois do almoço, o monótono e inútil esforço de montar e desmontar um antiquado fuzil FM.

A FEB modificou tudo isso, impôs uma nova mentalidade, modernizou (tanto quanto era possível) seus armamentos, seu fardamento (então estupidamente inadequado para um país tropical), introduziu novas formas de comportamento. Mas mesmo a FEB, não pôde livrar o Exército brasileiro da insegurança psicológica natural de um Exército de país subdesenvolvido. Essa segurança material e psicológica, só a independência econômica pode trazer.

E tudo isso influía e influi muito ainda hoje (talvez ligeiramente menos) no comportamento dos militares em relação a eles mesmos e em relação aos civis. Há uma desconfiança surda entre eles, há uma disputa tremenda em torno da marcação de pontos para a promoção por merecimento, e aí, concordo, é o sistema, erradíssimo, que estimula essa concorrência.

Por exemplo: um oficial que sirva em Cáceres, na Clevelandia, em Fernando de Noronha e em outros lugares como esses marca mais pontos do que os companheiros que sirvam em lugares não tão distantes nem tão desertos. E que mérito pode ter o fato de servir num lugar desses? Por que um oficial há de ser promovido na frente de outro apenas porque acumulou pontos dessa maneira inútil e sem nenhum valor?

Nos Exércitos dos paises subdesenvolvidos, onde durante gerações e gerações não acontece uma só guerra, a frustração é muito grande, pois a profissão de militar é a guerra, e não fazê-la equivale à inutilidade quase total. Daí o derivativo para a vida civil, as ambições, o desaguar para a política, que é pelo menos uma forma de realização.

Além do episódio citado acima, de Washington Luiz, a História brasileira está cheia de outros episódios semelhantes. Em 1945, quando já estava praticamente deposto, Getulio ainda falava “na unidade do Exército, que está firme comigo”. Foi preciso que o general Cordeiro de Farias, então seu amigo e um homem que manteve a lucidez que fez dele general aos 40 anos, tendo permanecido na ativa como general durante 24 anos (ambos os fatos rigorosamente inéditos no Exército Brasileiro) lhe dissesse: “Presidente, o senhor já está deposto, todos os generais estão contra o senhor”. Foi só então que Getulio compreendeu que estava abandonado por todos e que teria que voltar para São Borja.

Mas foi novamente a ingenuidade dos principais chefes do Exército, que transformou essa deposição numa ligeira viagem não somente de ida, mas com volta triunfal apenas 33 dias depois, pois deposto a 29 de outubro, Getulio, em 2 de dezembro se elegia deputado por 7 estados e senador pelo Rio Grande do Sul.

Os políticos ligados a Getulio, (todos os Interventores também depostos no 29 de outubro se elegeram governadores, deputados ou senadores, sem nenhuma exceção) tinham iludido mais uma vez os líderes militares e haviam ficado com o Poder, fingindo apenas terem concordado com a deposição de Vargas.

Ficam 33 dias no ostracismo, e com a matreirice, a habilidade e a tradicional falta de escrúpulos, acrescentaram inconscientemente (o hábil é sempre inconsciente em relação ao futuro, só sabe ver e preservar o presente) mais uma gota no copo que iria transbordar finalmente em 1964.

O golpe  não teria sido feito se o Sr. Jango Goulart tivesse atrás de si, enfileirados, e não apenas no papel como simples e duvidosos dados estatísticos, os 95% do Exército que Assis Brasil e os outros conselheiros diziam que ele tinha. Só olhando para trás e vendo não apenas meia dúzia de generais e de coronéis, mas todo o Exército formado a perder de vista e pronto para lhe dar apoio e segurança, aí então, e só então, é possível que o Sr. João Goulart pudesse cometer as loucuras que cometeu. Mesmo assim, eu pessoalmente ainda acharia discutível, porque conhecendo a História como conheço, sei que pelo menos depois da implantação da República, só uma vez o Exército deu um cheque em branco a alguém: foi em 1937 a Getulio Vargas, para implantar a ditadura.

Mas aí, era a situação internacional de pré-guerra que dominava os acontecimentos, e pouco mais de 1 ano depois a guerra estourava mesmo, só terminaria em 1945. E tão certas estavam as Forças Armadas nesse episódio, que terminada a guerra, dias depois do regresso da FEB, o Exército retirava o apoio dado a Getulio e ele tinha que voltar melancolicamente para São Borja.

A derrubada de Getulio em 1945 é obra exclusiva do Exército, ajudado logicamente por alguns civis corajosos. Agora, acontece exatamente o contrário: alguns civis apavorados e subservientes amedrontam o Exército, em nome do combate ao comunismo, agradam e servem aos americanos.

Em 1961, foi a vez de um frívolo peralta se enganar com o Exército: o Sr. Janio Quadros. Eleito com a maior votação já obtida por um candidato, esperança de um povo e um país, mas dominado por sonhos loucos e ambições desvairadas, fingiu que renunciava para que as Forças Armadas o carregassem no colo, e o recolocassem no governo com os poderes discricionários que ambicionava.

Num abrir e fechar e olhos, os políticos envolveram o Exército, e o sr. Janio Quadros, que havia sido eleito legitimamente, viu-se de uma hora para outra mergulhado no ostracismo do qual não se livrará nunca mais, pois a decepção que os homens provocam no povo está exatamente na proporção da esperança que despertam. E poucas vezes na História brasileira um homem provocou tanta esperança quanto Janio Quadros.

O ex-presidente foi outra vítima dos péssimos observadores, que depois de conversarem com três ou quatro generais, depois de percorrerem 5 ou 6 regiões militares, chegam e dizem para o governante, sigilosamente: “Olha, Presidente, 95% do Exército está com o senhor…”

O último que acreditou nesses  levantamentos feitos às vezes na melhor das intenções, foi o Sr. João Goulart. Quando Assis Brasil, Osvino, Albino Silva, Jair Dantas Ribeiro e outros, lhe diziam que “95% do Exército está conosco”, e Jango acreditava, era mais um passo que ele dava para o ostracismo, para o caos, para a derrubada do regime dito democrático.

Quando ele achava que o Exército estava a seus pés, pronto a apoiar todas as suas maluquices, foi derrubado, e nossa História se “enriqueceu” com uma nova frase que a posteridade guardará para sempre: “Quer dizer, Assis Brasil, que 95% do Exército estava comigo?”

Era um amargo e amargurado desabafo, era uma censura, mas era também uma constatação, e uma advertência para futuros ocupantes do Poder: o Exército não dá cheque em branco a ninguém, sejam civis ou militares os ocupantes do Poder.

Mas as lições da História pouco frutificam, principalmente no Brasil, e não se passará muito tempo antes que novos dispositivos, que no papel se mostram invencíveis e monolíticos, sejam destroçados pelos acontecimentos que têm mais força do que qualquer prognóstico.

O maior e mais formidável Exército já formado nos tempos modernos (a Werhmacht de Hitler) estacou diante de Stalingrado e de Moscou, paralisado por obstáculos que nenhum general poderia prever. Quando a capital russa já estava à vista, quando os poderosos Exércitos de Hitler estavam a 45 km de Moscou e já enxergavam as altas torres do Kremlin, um punhado de heróis cismou de não entregar as duas cidades, e todos os planos minuciosamente estudados e reestudados pelos cérebros da OKM, esbarraram em detalhes que ninguém podia não só prever como sequer imaginar. E isso na guerra, que é uma arte mais comum aos militares do que a política. (Embora eu esteja convencido, depois de ler e reler cuidadosamente as autobiografias de Rommell e de Guderian, que a guerra é muito mais complexa e difícil até mesmo do que imaginam os mais famosos generais).

A rigor, que eu saiba, só um homem nos últimos 40 anos no Brasil, acertou no julgamento que fez sobre a força do dispositivo militar que o apoiava e a extensão desse dispositivo: foi o então Ministro da Guerra Arthur da Costa e Silva. Tão seguro era o seu julgamento, que podendo depor o Sr. Humberto de Alencar Castelo Branco na madrugada de 5 para 6 de outubro de 1965, esperou um ano, convencido da invencibilidade do seu dispositivo militar.

Podendo ficar com o Poder na hora, como ditador, preferiu dar um ultimatum para que o Poder lhe fosse entregue um ano depois, e foi para casa dormir, que afinal já eram 5 horas da manhã e ele passara a noite acalmando seus camaradas, que não só queriam como até exigiam que ele ficasse com o Poder na mesma hora.

Costa e Silva acertou em cheio, e nesse particular temos que render as nossas homenagens à capacidade de previsão e à paciência (uma ligada à outra) do ex-Ministro da Guerra. E um ano depois, por mais que esperneasse, por mais que manobrasse, por mais que exercitasse o seu reconhecido gênio político, o então “presidente” Castelo Branco teve que se contentar em ser sucedido por Costa e Silva, sabidamente a última coisa que desejava.

Agora, curiosamente (a História tem dessas coisas), o então Ministro da Guerra é “presidente” da República, e novamente se fazem cálculos sobre a força do dispositivo militar que o sustenta. Eu diria a S. Exa, que não deixasse de atentar para um “detalhe” precioso: um Ministro da Guerra pode ser sustentado por um dispositivo militar, mas um Presidente da República não. Por mais canhões e tanques e metralhadoras que tenha um Presidente, ele não se sustenta se não tiver o apoio popular. Mesmo nas ditaduras declaradas, os ditadores não desprezam o contato e o diálogo com o povo.

Portanto, em vez de se dedicar à tarefa de contar efetivos militares para saber se tem maior ou menor apoio, o que o “presidente” da República deveria fazer com urgência era promover a união do Exército com o povo, restabelecendo um diálogo que é indispensável, que está dentro da melhor tradição brasileira, vem desde o Império.

S. Exa. tem condições excepcionais para isso, se não se deixar levar (como no episódio do meu desterro, que acabou causando uma comoção nacional, e no controvertido e nada lisonjeiro confinamento do Sr. Juscelino) por observadores que não sabem observar, e por conselheiros, que estão mais interessados na discórdia do que na união geral.

Só existem duas espécies de poder: o militar e o civil. Se o “presidente” quer ficar tutelado pelo Poder militar, faça logo a opção, instale a ditadura no Brasil (pois Poder militar é sinônimo de ditadura) e veja onde vai acabar. Ms se quiser fazer a abertura legítima e indispensável para o Poder civil, precisa primeiro se convencer que governar não é uma arte solitária, que governar exige diálogo, que diálogo exige partidos, opinião pública, oposição organizada validamente, em suma, redemocratização do país, não nas bases antigas, não em forma de revanchismo, mas para que exista um governo politicamente forte, consciente, objetivo, sabendo o que quer.

Para terminar: tenha o dispositivo militar que tiver (e quem é que tem capacidade para avaliar a sua extensão, a sua solidez e em que direção ele caminha?), o “presidente” não irá muito longe se tentar consolidar o seu governo apenas em bases militares. Ao contrário, se caminhar na direção do povo, se formar um governo política e civilmente válido, o dispositivo militar terá que acompanhá-lo, haja o que houver.

Esta é a opção que se oferece ao Sr. Costa e Silva. Mas como tentar convencê-lo disso, se ele parece querer fazer tudo ao mesmo tempo (e portanto não fará nada), cercou-se do vazio em matéria de inteligência e lucidez, parece convencido da eficácia do exercício solitário do Poder? Ao cercar-se do vazio, ao desprezar a inteligência, logo no início do seu último governo, em 1951, Getulio Vargas ditou a sua própria sorte política. A História parece que se repete, 16 anos depois.