Dona Erenice Guerra, que tem arquivos, não quer ser arquivada

Helio Fernandes

Muita gente ficou surpreendida quando viu a “ex-braço direito de Dona Dilma”, no reservado das autoridades, na cerimônia da posse. Agora, o problema que ninguém sabe como resolver: ela quer e precisa de um cargo importante. E tem como obter. A presidente tem como nomear?

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PRESIDENTE DO PT, DESPRESTIGIADO

Seu nome, José Eduardo Dutra, Nos círculos políticos (principalmente entre PT e PMDB), ridicularizado e desmoralizado. Não consegue nada. Suplente de um senador de Sergipe (seu estado) tentou fazê-lo ministro, para assumir no Senado. Não conseguiu.

Agora tenta a BR- Distribuidora, com orçamento de apenas miseráveis 700 milhões. Não consegue, apesar de já ter sido presidente da Petrobras e da própria BR.

Seu passado eleitoral é ruim: derrotado duas vezes para governador e uma para senador. Como chegou a presidir o PT?

Ministro diz que a Previdência “é um tremendo abacaxi”, mas Barbalho, Jucá e outros da mesma estirpe, não acharam.

Helio Fernandes

Já foi prefeito, governador, senador duas vezes, presidente do Senado. Escolhido para Ministro da Previdência, disse textualmente: “É um tremendo abacaxi”. É possível que seja, por causa das intromissões do governo.

Mas para quem não rouba (é o caso de Garibaldi Alves), é experiência magistral. Valdir Pires, que foi excelente ministro, apesar de estar vivo, ganhou seu nome num prédio.

Quanto a Romero Jucá, Jader Barbalho e outros do mesmo tipo sanguíneo, não têm do que se queixarem. Barbalho foi nomeado por Sarney, que depois o promoveu a Ministro da Reforma Agrária. Que República.

Nota 10 para Dilma (mas não é adesão)

Helio Fernandes

Não é adesão, como alguns “paulistas” vão dizer logo, aqui mesmo. Mas a declaração da presidente, “não quero ver Eduardo Cunha por perto”, é merecedora dos maiores elogios. Ele é o rei do “lobismo”.

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A PRESIDÊNCIA DA CÂMARA

Fui o primeiro, logo depois da posse da presidente Dilma, a alertá-la sobre a coordenação-intimidação para derrubar Marco Maia, candidato do PT-PMDB. Deputados “da base”, não tendo recebido os cargos que “pretendiam” e que alegavam que “mereciam”, procuravam formar um bloco e criar problemas para o Planalto.

Enquanto esses lobistas cuidavam do próprio interesse, o Planalto “acordou” tarde. Agora, se sentindo abandonado, o próprio Marco Maia se movimenta, percorre o país, implantando sua candidatura.

O Planalto-Alvorada ainda não percebeu: o que se trava não é a guerra pela presidência (que tem a sua importância compreensível), mas alguma coisa sem limite. Se derrotarem o governo e ganharem a presidência, Dona Dilma perderá tudo na Câmara, quer dizer, no Congresso. Um grupo minoritário, se juntou, não para fazer oposição, mas para arrancar compensação.

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DÓLAR “FUTURO” E À VISTA

O primeiro movimentou ontem 14 BILHÕES, o segundo, 1 BILHÃO E 700 MILHÕES. Notem a diferença. O dólar à vista fechou em 1,68, e isso porque subiu meio por cento. Há mais ou menos 2 meses e 15 dias, não sai de perto de 1,70.

Mantega não perdeu tempo: “Os swaps vão frear a queda do dólar”. Ah! Mantega. E a taxação do compulsório, só em abril?

Os gastadores e os mãos-de-porco

Carlos Chagas 
                                              
Terá  Dilma Rousseff conseguido enquadrar o ministério, na primeira reunião de trabalho, ontem? Melhor marcar coluna do meio. Apesar do tom áspero com que a presidente dirigiu-se à equipe, ficou claro que parte de seus ministros discorda dos cortes de mais de 40 bilhões no orçamento, anunciados por Guido Mantega. Só faltou Dilma repetir as palavras preparadas por  Tancredo Neves  mas não  pronunciadas  na posse que não aconteceu: “é proibido gastar”.

Como deixar de  gastar?, pensaram  sem protestar  os ministros da área social. Dentro de um mês a própria presidente irá cobrar resultados de seus ministros, mas com as limitações agora impostas muitos  ficarão felizes caso consigam apenas  evitar a paralisação nos respectivos setores.
                                              
Espera-se, no ministério, que essa primeira palavra de ordem venha a ser flexibilizada. De que maneira os ministérios da Saúde, das Cidades e da Defesa, por exemplo, evitarão vultosos  gastos suplementares para enfrentar os efeitos da catástrofe verificada no Rio?  Ou de que forma o   ministério do Desenvolvimento Social negará aumento e ampliação do bolsa-família aos treze milhões de beneficiados com o programa? Como enfrentar a reação nacional ao salário-mínimo de 540 reais, mesmo se for contida a grita parlamentar por um reajuste mais justo e, claro, também por mais cargos no segundo escalão?
                                              
Em suma, mesmo com a tomada de posição  da presidente da República em favor dos ministros defensores da contenção, não se convenceram os ministros empenhados em realizações. Repete-se outra vez a quase centenária disputa entre os gastadores e os  mãos-de-porco.  
 
O JULGAMENTO DE DEUS
 
Com todo o  respeito, mas uma pergunta não quer calar: chame-se Padre Eterno, Jeová, Alah, Tupã, Júpiter, Zeus ou de  que outro nome disponha,  ELE não poderia ter evitado a tragédia que assola o estado do Rio? Afinal, não custaria nada desviar as tempestades e trombas d’água um pouquinho para lá, sobre o mar. Crianças morreram aos montes na serra fluminense, não seria o caso de terem sido poupadas? Qualquer dia desses, bem  antes do Juízo Final, alguém tomará a iniciativa de  convocar um tribunal para julgá-LO…
 
CRIMES HEDIONDOS
 
A televisão e os jornais têm mostrado menos do que deveriam cenas da região serrana fluminense onde cidadãos desesperados com a catástrofe estão fazendo justiça com as próprias mãos.  Os bandidos flagrados roubando casas abandonadas tem sido surrados  à exaustão. Provavelmente muitos acabaram engrossando a relação dos óbitos gerados pelas inundações. A questão é complicada: fazer o quê com esses animais? A polícia, mesmo se quisesse, não daria conta de  evitar a indignação popular.

Se há um crime hediondo não capitulado na legislação é esse praticado pelos ladrões em pleno caos encenado pela  natureza. Não há que concordar com a violência  e a ira quase sagrada dos que perderam a família e os bens, diante dos  que se aproveitam de sua  desgraça.  Mas  dá vontade.
 
DE VOLTA PARA O FUTURO
 
Não demora para o  Lula estar de volta de seu descanso na praia administrada pelo Exército. Retorna a São Bernardo. Ainda este mês poderá estar na nova festa de aniversário de criação do PT, quando reverá Dilma Rousseff. E depois?
                                                       
Só por milagre se suporia o ex-presidente escrevendo  suas memórias. Pensará que é cedo, tendo em vista o que ainda pode acontecer. Viajar para o exterior, nem pensar. Percorrer o país fazendo política pode não ser tão simples como imaginou. Ainda que possam sobrar convites, faltarão motivações específicas. Fica difícil começar já a campanha para voltar ao poder, como fez Juscelino Kubitschek em 1961. Seria atropelar o governo de Dilma Rousseff.

Melhor mesmo parece  agilizar os planos para a criação de uma fundação que leve o seu nome e reúna seus arquivos, certamente em São Paulo.

Torrentes de omissões no rastro das tragédias

Pedro do Coutto

Desde 1966, primeiro ano do governo Negrão de Lima, que temporais desabam no Rio de Janeiro e os governadores e prefeitos anunciam as mesmas providências preventivas , a monitoração das chuvas, o desentupimento dos bueiros, a remoção de casas em áreas de risco e, inevitavelmente, dão ênfase aos recursos federais necessários às obras inadiáveis, mas que não foram repassados, principal motivo do adiamento das ações concretas.

Negrão de Lima enfrentou bem, não apenas um, mas dois temporais que invadiram a cidade em 67 e no ano seguinte, além dos temporais políticos em torno de sua administração. As duas passeatas contra a ditadura, de junho de 68, a dos 100 mil que paralisou a capital, mas iniciou uma perspectiva de diálogo com a ditadura, e a dos 50 mil, dois meses depois, que culminou com o cerco desnecessário comandado por Vladimir Palmeiras e Franklin Martins ao STM e que forneceu pretexto para uma retomada da ofensiva do ciclo dos  generais contra as manifestações populares. Foram  as tempestades da era negrão de Lima. Ficam na história.

As chuvas continuaram a desabar, tanto na política quanto nas cidades fluminenses, mas as providências preventivas voltaram a não sair do papel. Assim foi em 87, na administração do prefeito Saturnino Braga, numa sequência de desastres ecológicos que começou a se espalhar por uma série de outras localidades fluminenses, incluindo Angra dos Reis, Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Morro do Bumba, em Niteroi, e agora na região Serrana, matando centenas de pessoas soterradas em Teresópolis, Petrópolis, Friburgo.

Não é uma coincidência, tampouco somente uma fatalidade. São forças inevitáveis da natureza, mas que não  foram amortecidas em sua violência por obras de escoamento, drenagem, proteção ambiental contra  desmatamentos criminosos, e construção em áreas verdes em cima de antigos cursos d’água que, de repente, ressurgem e arrastam prédios, favelas, casas, condomínios.

Não há rigor na liberação de obras dentro dos limites que o bom senso e a prudência indicam. São substituídos pela falta de obstáculos no campo sombrio da corrupção. Não são realizados serviços de impermeabilização adequados, sobretudo levando-se em conta uma lei universal eterna: a lei da gravidade.

As concorrências no papel estão perfeitas, todas as exigências atendem aos padrões técnicos nacionais e até internacionais. As investigações nesse campo levam inevitavelmente a um resultado igual a zero. Onde fica então a diferença entre o certo e o errado? Boa pergunta. A resposta está na medição invisível a olho nu. Por exemplo:  determinado cálculo exige a aplicação, digamos, de cinco sacos de cimento  por metro quadrado. Muito bem. Entram só quatro. O valor da quinta saca, que é paga, mas não existiu, é dividido em partes iguais pela empresa executota e pela fiscalização que deveria zelar pelos padrões técnicos de segurança. Daí resulta exatamente o efeito contrário: a insegurança.

Não são feitos cálculos de resistência do solo, de penetração natural das águas, da capacidade das redes pluviais, sobretudo em face do crescimento da população. A cada  doze meses, o total de habitantes do país, e portanto de todas as cidades, é de 1,2% maior. As redes pluviais e de esgotos teriam que se expandir na mesma proporção. Mas não se expandem e, com isso, o déficit da capacidade de escoamento das chuvas, cresce na mesma proporção.

Estamos, hoje, há 44 anos da primeira tragédia, como aliás destacou muito bem O estado de São Paulo em sua edição de quarta-feira. Planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades, torrentes e inundações, é obrigação do poder público. Está no item 18 do artigo 21 da Constituição Federal. Mais um belo princípio que está só no papel, na chuva e no sereno.

O exemplo de um povo, que em menos de um século, deixou de viver num regime semi-feudal para fazer uma revolução de verdade

Jorge Folena

É difícil escrever qualquer palavra neste momento de tristeza, após mais uma noite de intensas chuvas no Estado do Rio de Janeiro, nesta tragédia que se repete todos os anos e que, desta vez, deixou centenas de mortos. A vida humana, neste cenário de lugar comum, perdeu o sentido.

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O panorama na velha Europa é de uma crise econômica cada vez mais alarmante, com austeridade fiscal e redução de salários. Em vários países, além do combate contínuo à presença de imigrantes de suas ex-colônias, existe ainda a crescente preocupação com a migração interna de cidadãos oriundos das regiões mais pobres do continente.

Os países mais desenvolvidos querem se afastar do Euro e regressar às suas moedas nacionais originárias, criando assim a expectativa de exportar alguma coisa a mais em mercados cada vez mais concentrados por capitais especulativos, o que só faz aumentar os preços das matérias-primas. Os ultraconservadores ganham mais espaço, num continente envelhecido e que poderá, em breve, restringir direitos fundamentais de sua população. Na verdade, este filme não é novo e ocasionou duas grandes guerras no século passado. 

Enquanto isto, as ex-colônias européias na África despontam como o lugar do futuro. O continente africano tem uma população muito jovem e nisto reside a esperança de dias melhores. Apesar de os países africanos serem ainda, o tempo todo, chantageados e corrompidos pelos exploradores de sempre, que cobiçam suas riquezas, a esperança mora naquele continente e poderá em breve dar prosseguimento a verdadeiras revoluções para a transformação de seu povo, usurpado pelo colonialismo e pelo imperialismo das Idades Moderna e Contemporânea. 

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A República Popular da China tem, no preâmbulo de sua Constituição, a seguinte lembrança histórica: “Depois de uma muito árdua, prolongada e complexa luta, pelas armas e por outras formas, o povo chinês de todas as nacionalidades, dirigido pelo Partido Comunista da China e chefiado pelo Presidente Mao Zedong, acabou por derrubar em 1949 o domínio do imperialismo, do feudalismo e do capitalismo burocrático, obteve a grande vitória da nova revolução democrática e fundou a República Popular da China. Desde então o povo chinês tomou o poder político em suas mãos e tornou-se senhor do seu próprio país”.

Após a fundação da República Popular, a transição da sociedade chinesa da nova democracia para o socialismo foi-se fazendo aos poucos. Completou-se a transformação socialista da propriedade privada dos meios de produção, foi suprimido o sistema de exploração do homem pelo homem e estabeleceu-se o sistema socialista.

A ditadura democrático-popular, conduzida pela classe trabalhadora e baseada na aliança dos trabalhadores e dos camponeses — que é, no fundo, a ditadura do proletariado — tem-se vindo a consolidar e a desenvolver.

O povo chinês e o Exército de Libertação do Povo Chinês conseguiram fazer frente à agressão, à sabotagem e às provocações armadas de imperialistas e hegemonistas, salvaguardando a independência nacional da China e sua segurança e fortalecendo a defesa nacional. No domínio do desenvolvimento econômico averbaram-se grandes êxitos.

Implantou-se na indústria um sistema socialista independente e largamente integrado. A produção agrícola registrou um assinalável aumento. Fizeram-se significativos progressos nas áreas da educação, da ciência e da cultura e a formação ideológica socialista obteve notáveis resultados. O nível de vida do povo melhorou consideravelmente.”

Esta mesma China, em menos de um século já fez a sua revolução cultural, deixou de ser um país semi-feudal para levar o homem ao espaço (apenas três países conseguiram isto com tecnologia própria), bem como o Estado Chinês passou a ser o segundo maior investidor do mundo, adquirindo empresas capitalistas, minas e terras estratégicas.

A tragédia da irresponsabilidade. Em São Paulo, excesso de CONCRETO e OBRAS VIÁRIAS. No Rio, duas catástrofes: falta de PREVENÇÃO e MAPEAMENTO. E alguns, até aqui mesmo, defendem as “autoridades”.

Helio Fernandes

Não ia escrever mais sobre o assunto, como disse a Ofelia Alvarenga: “Não consigo mais ver tanta desgraça, mudo de canal”. Não adianta, todos repetem com insistência as mesmas coisas, principalmente no Rio e em São Paulo.

Mas quando vi o relato da artista plástica e advogada Bia Garcez (aqui mesmo no Blog), nem sei como conseguiu mandar, sem comunicação, ilhada, perdeu tudo), decidi que diante desse libelo-lamento-condenação, precisava continuar.

No momento, não há nada mais importante, triste, doloroso, irreparável. E fico estarrecido com o fato de muitos defenderem esses governantes do Rio e de São Paulo.

Algumas coisas que coloquei no título destas notas, precisam ser dissecadas. Rio de Janeiro, Região Serrana. Os fatos se repetem, às vezes mudando de locais, mas sempre destruidores, arrasadores, e não inesperados. Os especialistas, na televisão ou em contatos pessoais com o repórter, repetem mais de 100 vezes: “Com MAPEAMENTO e PREVENÇÃO, gastaríamos menos de 10 por cento do que teremos que gastar na RECONSTRUÇÃO”.

E acrescentam, alguns até revoltados: “O descaso de prefeitos e do próprio governador do Estado do Rio, impressionante”. Ainda de Francis Bogossian, presidente do Clube de Engenharia, (um dos mais sérios, competentes e importantes do Rio), em entrevista na televisão: “Temos feito relatórios que mandamos para as autoridades, ALERTANDO, recebem tudo, engavetam, não fazem nada”.

Não se omite nem tenta preservar autoridades federais. E afirma corajosamente: “Temos feito reuniões coletivas, convidamos o Ministro das Cidades, (há mais de 1 ano) compareceu, debateu, levou os relatórios. Não apareceu mais, nem fez uma obra sequer”. Num país sério, facílimo identificar quem é esse Ministro. E Bogossian diz também : “O Clube de Engenharia propôs até a criação de um ministério para cuidar do assunto”. Nessa enxurrada de 37 ministérios, não há lugar para esse, imprescindível, talvez não interessasse ao PT ou PMDB.

As imagens de Petrópolis, Teresópolis, Friburgo (para quem não conhece o Rio, Nova Friburgo é a mesma coisa que Friburgo, uma cidade só) assombram o cidadão de todo o país. Alguns, não sei como rotulá-los, desculpem, insensivelmente, dizem: “A culpa é da chuva, os governantes não têm nada com isso”.

Com essa mentalidade, não haveria solução para nenhum problema, tudo seria insensível e não solucionável. Esses governantes se livrariam da culpa, bastaria ou basta dizer: “Vai continuar chovendo mesmo, não podermos parar as chuvas”.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, diz parecendo até revoltado: “Querem que esses problemas crônicos sejam resolvidos em 24 horas?” Não são 24 horas e sim 16 anos, o tempo INACREDITÁVEL que ele está direta ou indiretamente no governo do Estado. E já tomou posse para novo período, que se chegar ao fim completará 20 anos. Muito mais do que as 24 horas citadas por ele.

E uma alta autoridade de São Paulo, declarou, saiu nos jornais e na televisão: “Tive de mandar abrir as comportas de uma represa, sabia que ia agravar a situação. Mas não tinha alternativa”. Aí, além da gravidade da afirmação, a constatação que ela vem desde a construção.

Como em São Paulo só fazem obras viárias e “plantam” concreto, sabiam que estavam comprometendo o futuro. As águas inundam tudo, e “OBRIGADOS” a abrir as comportas, sabem que VÃO AUMENTAR A INUNDAÇÃO. (Sei que vão aparecer aqui mesmo, alguns que defenderão esses irresponsáveis do Rio e de São Paulo).

No Rio, culpam e atingem até os que morreram: “É muita leviandade fazer casas em encostas sem a menor segurança”. Esses “culpados” não têm onde morar. Vivos ou mortos, são as verdadeiras e únicas V-Í-T-I-M-A-S da irresponsabilidade dos governantes. Se houvesse MAPEAMENTO, essas pessoas não iriam morar nesses lugares.

E com MAPEAMENTO PREVENTIVO e FISCALIZAÇÃO RESPONSÁVEL, quem insistisse em habitar essas áreas, seria retirado e transferido para outros lugares. Enquanto estivessem fazendo obras. Acontece que as catástrofes se repetem, não são feitas obras de prevenção ou de reconstrução.

No Rio, apesar do meu horror, não posso deixar de ligar a televisão. Começo a ver um programa, os mortos são mais ou menos 200, no meio são 300, quando acaba, já estão em 335. Isso é número real, não são estatísticas técnicas.

Ninguém será responsabilizado, o governador de São Paulo não se livra de dizer bobagem, o do Rio estava na Europa, como sempre. Não queria voltar, decidiu vir quando soube que a presidente Dilma viria ao Rio. O helicóptero da presidente vai deixá-lo aqui, pede para ficar perto do Aeroporto Internacional, para a longa e satisfatória viagem de volta a Paris.

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PS – Isso continuará como sempre, os “culpados”, a chuva e os irresponsáveis (?) que vão morar em lugares onde correm todos os perigos, como acontece há pouco tempo em Angra.

PS2 – Bia Garcez, continue escrevendo, impressionando os comentaristas deste blog, e os que reproduzem o que sai aqui. Sei que é pedir muito, Bia, mas são relatos como os teus, que podem levar “autoridades” a alguma providência.

PS3 – Não houve, Bia, em lugar algum, um depoimento como o teu. Libelo mesmo, relato autêntico, sem artifício, de corpo presente, vendo tudo, sofrendo e contando.

PSDB manda fazer pesquisa sobre a popularidade de Dilma

Helio Fernandes

Estão tratando de publicar um levantamento, no dia 1º de fevereiro, comparando a popularidade de Lula com a de Dona Dilma. Partiriam dos 87 por cento dele, para “atualizar” com ela.

Se ficar, digamos, com 80 por cento, irão retumbar. Mas a ala Aécio Neves, do PSDB, não quer hostilidade desde agora.

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MARTA DESISTE DA PRESIDÊNCIA 

Depois de derrotada para a Prefeitura, a ex- só admitia um salto duplo: Senado-Planalto. Quase perdendo o Senado, (só se elegeu por causa da retirada e morte de Quércia e Tuma) viu que não ganharia nenhuma eleição para o Planalto.

Marta Suplicy mudou de plano,  quer a vice-presidência do Senado (Sarney chega tarde ou nem vai, todo o holofote irá para ela, (deixou a Prefeitura de lado, tentará ser governadora em 2014, no limiar dos 70 anos). Tudo hipótese.

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CIRO GOMES TRANQUILO

Íntimos estão satisfeitos com seu procedimento. Pelo que me dizem, não tem preocupação com o futuro. Deixa entrever até que foi bom não ter sido nomeado na primeira “leva” de Ministros.  

Considera que, fora algum “acidente do trabalho”, a validade desse Ministério não chega a 12 meses ou por aí. Sobrariam então 3 anos para ser chamado.

Itamaraty quer 60 dias para analisar o caso dos passaportes da família Lula

Helio Fernandes

A Procuradoria Federal quer “anular” todos os passaportes que o ainda presidente Lula concedeu para filhos e netos. O Itamaraty “pediu 60 dias para investigar o interesse público das concessões”.

60 dias é muito pouco. Os netos do ex-presidente precisarão de anos. Um neto tem 4 meses, por que cassar um benefício do qual nem tomou ciência? Parece que é “pura perseguição” a um presidente que saiu com 87 por cento de quê? Popularidade? Esse número 87 é garantido por quem? Por Clésio Andrade, agora senador?

PMDB nada surpreendente, na caça aos cargos do segundo escalão

Helio Fernandes

Não sei porque criticam tanto esse partido, pelo fato de querer (exigir) cada vez mais cargos no governo. A cada eleição presidencial, registro (antes no jornal impresso, agora no blog) a posição: o PMDB não apresenta candidato a presidente. Se ganhasse, teria que dar aos outros, tudo o que recebe não se apossando do Planalto.

A Procuradoria Eleitoral Federal deveria investigar: por que o maior partido nacional nunca tem candidato a presidente? Enquanto não se explica essa abstinência eleitoral, o PMDB tem direito a cada vez mais cargos. Elementar.

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GEDDEL VIEIRA LIMA EM BAIXA

Derrotado para governador da Bahia, está querendo um cargo importante no segundo escalão, depois de ser vetado para Ministro. Sua situação é desesperadora. Foi Ministro da Integração Nacional, que devia evitar (ou minimizar) tragédias como as do Rio e São Paulo.

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ELETROBRÁS E OUTRAS ESTATAIS  

Dona Dilma falou: “Para a Eletrobrás e outras estatais do mesmo setor, só aceitarei indicações de alta credencial técnica”. Excelente. Para começar, devida trocar o Ministro das Minas e Energia, Lobão não sabe nem o que é um apagão.

Só que não pode demiti-li, desempregaria o filho suplente no Senado, o notório Edinho 30.

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EDUARDO BRAGA PARA PREFEITO

Eduardo Braga, ex-governador reeeleito do Amazonas e senador eleito, está disposto a cumprir o que revelei aqui, em 2009: será candidato a prefeito. Para isso, colocou a mulher como suplente.

Motivo: está sendo construído um estádio, onde haverá jogos da Copa do Mundo e da Olimpíada de 2016. E ele prefeito, mesmo perdendo 6 anos do Senado.

Luciano Coutinho gastará em aluguel R$ 252 milhões, mais do que gastaria para construir o prédio anexo do BNDES (já projetado e orçado). Os funcionários estão estarrecidos.

Carlos Newton

O clima no edifício-sede do BNDES, no Rio de Janeiro, é de estarrecimento e revolta. Segundo o economista Mauricio Dias David, não se fala em outra coisa, com a “Rádio Corredor” antenada o tempo todo, divulgando a notícia do aluguel milionários de 19 andares num prédio próximo.

Os funcionários são de altíssimo nível, quase todos concursados (salvo os que entraram pela janela via Finame e Constituição de 88, além é claro, dos 25 assessores do presidente Luciano Coutinho). Por isso, não gostam de determinadas liberalidades com os recursos públicos do banco.

Eles acham inacreditável a notícia de que está sendo ou já foi firmado um contrato de aluguel de 19 andares do edifício Ventura, por 60 meses, para alojar setores do BNDES enquanto se faz a reforma do edifício sede. Valor total : 252 milhões… E isto em uma época em que o novo governo (ou melhor, o velho governo Lula/Rousseff) assume anunciando contenção e corte de despesas.

“My God”!, como diria Paulo Francis. O pior é que todos os funcionários sabem que a construção do edifício anexo (que está inteiramente projetado e orçado, e significaria um luxuoso prédio que se incorporaria permanentemente ao patrimônio do Banco) sairia pela metade (metade, sim!) desse valor.

Isso tudo está acontecendo na gestão do renovado e discreto economista Luciano Coutinho (não gosta de aparecer, prefere bastidores), que acaba de ser elogiado pela presidente Dilma Rousseff. Segundo O Globo de ontem, página 21, a chefe do governo proclamou que “Luciano Coutinho é muito no que faz”.

Sem a menor dúvida. Ele é um economista muito bom. Pena que não se preocupe em fazer economia com o dinheiro do erário. A presidente Dilma precisa com urgência saber quanto custou a recente reforma do 22º andar do prédio do BNDES. Ela também é economista e gosta de cálculos. Poderia fazer as contas para saber o valor do metro quadrado. Se o fizer, aposto que Luciano Coutinho será demitido no ato.

Se isso aqui fosse um país decente (ou tivesse um governo decente), algumas cabeças rolariam pelo 22º andar abaixo. Mas nossa realidade é outra. Como diz o Millor Fernandes , “ou acabamos com a corrupção neste país ou não me chamo Jader Barbalho”. Aliá, só está faltando o Jader nesse governo. O resto – Sarney, Lobão, Palocci, Novais, Jobim, Jucá & Cia – está todo lá.

Os novos cavaleiros de Granada

Carlos Chagas 
                                                       
É provável que na reunião ministerial de hoje  Dilma Rousseff  confirme a disposição de criar, no âmbito do governo, o tal Conselho de Gestão, formado por técnicos e empresários empenhados em ver reduzidos os gastos públicos. Se isso acontecer, a presidente da República estará enxugando gelo. Para que um órgão paralelo cuidar da gestão da coisa pública quando há um  ministério intitulado do  Planejamento e Gestão?

Para amarrar  Jorge Gerdau Johanpetter, empresário de conhecida competência,  que recusou ser ministro do Lula e, agora, também de Dilma? Desse conselho ele não poderá escapar, mas, convenhamos, se é para economizar, para que gastar no mínimo com passagens aéreas, hospedagem, quem sabe jeton, para um numeroso  grupo de amigos do governo chegar às mesmas conclusões a que já terá chegado a ministra Mirian Belchior?
                                                       
Nos tempos do Lula foram constituídos muitos conselhos, como o do Desenvolvimento Econômico, do Desenvolvimento Social e do Desenvolvimento Político. Alguém se lembra de resultados práticos decorrentes das suas bissextas reuniões? Na hora das decisões, são os ministros que mandam. Ou deveriam mandar. Com todo o respeito, esse Conselho de Gestão lembra os versos de Cervantes sobre os Cavaleiros de Granada, aqueles que alta madrugada, brandindo lança e espada, saíram em louca cavalgada. Para quê? Para nada…
 
DEVER CUMPRIDO SEM ALARDE   
 
Aplausos para a presidente Dilma Rousseff por haver cumprido o seu dever. Sem alarde, com pequeno grupo de ministros e assessores, ela agiu de bate-pronto. Viajou para o Rio em plena catástrofe,  sobrevoou as regiões atingidas pelos temporais, solidarizou-se com as vítimas. Não tripudiou com a desgraça alheia nem omitiu-se.

Não fez promessas mirabolantes mas colocou o governo federal à disposição das autoridades fluminenses, ao mesmo tempo mobilizando contingentes e pessoal subordinados ao poder central. O importante é que Dilma não titubeou em ver sua imagem ligada a uma das maiores tragédias dos últimos quarenta anos, como alguém costumava fazer, esperando às vezes uma semana para viajar a locais semelhantes. 
 
PROPRIEDADE CRUZADA
                                                       
A questão é complicada mas o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, resolveu enfrentá-la. Trata-se da propriedade cruzada dos meios de comunicação. Se um empresário de atividades ligadas à alimentação pode possuir uma fábrica de biscoito, outra de sardinha, esta de salsichas e aquela  de macarrão, por que um empresário de comunicação deve ser proibido de dispor de um jornal, uma revista, uma emissora de rádio e outra de televisão?
                                                       
Esse é o argumento a favor, mas há o contra: dominando os variados instrumentos da mídia numa determinada região, ou até nacionalmente, esse empresário não estará impondo à sociedade uma única versão dos acontecimentos? Ainda mais quando coloca a notícia serviço de seus interesses e de suas concepções. Se for político, pior ainda.
                                                       
De qualquer forma, é preciso debater e, se for o caso, agir. Nos Estados Unidos, até o governo George W. Bush, a propriedade cruzada dos meios de comunicação era proibida. Depois, abriram-se brechas e o assunto ainda é objeto de debates no Congresso. Aqui,  jamais existiram restrições à formação de verdadeiros impérios. Terá sido bom? Vamos discutir.
 
PRAZO PARA ADAPTAÇÃO
 
Irrita-se a ministra da Pesca, Idely Salvatti, quando ameaçam presenteá-la com um caniço e um samburá, quem sabe até com um peixe. Suas relações com  a atividade pesqueira são nenhuma, mas  esse não é motivo para criticá-la ou denegri-la. Poderá aprender, em tempo útil, como outros aprenderam. Edison Lobão, por exemplo, entendia muito pouco de energia e nada de minas. Em pouco tempo tornou-se um expert nas duas  matérias, tanto que após o interregno para reeleger-se senador, viu-se convidado por Dilma Rousseff para conduzir o ministério que ocupou no governo Lula.
                                                     
Quem garante que Pedro Novais, especialista em Receita Federal, não produzirá bons resultados  no ministério do Turismo? Vale o exemplo para Garibaldi Alves, na Previdência Social, Fernando Bezerra,  na Integração Nacional, Mario Negromonte nas Cidades, Alexandre Padilha na Saúde, Fernando Pimentel no Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Aloizio Mercadante na Ciência e  Tecnologia, Tereza Campelo no Desenvolvimento Social e quantos mais deslocados e até surpresos com os ministérios recebidos?
                                              
O problema é que estarão todos de saia curta na reunião ministerial de   hoje,  caso a presidente Dilma Rousseff resolva iniciar uma sabatina a respeito dos  planos e projetos de cada um. Esperam, pelo menos, mais um mês de moratória…

Noblat esqueceu o projeto de Hitler: um Reich de mil anos

Pedro do Coutto

Na coluna que publica às segundas-feiras no Globo, Ricardo Noblat , nesta semana, focalizou diversos projetos de poder que, traçados com base no futuro, fracassaram totalmente. Melhor dizendo: desabaram diante da realidade dinâmica dos fatos que, a exemplo do belo poema musical de Nelson Motta, giram sem parar. Nada do que foi será igual ao que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará. Pois é. Gravaram Lulu Santos e Caetano Veloso. A interpretação de Caetano é infinitamente melhor.

Mas poesia à parte, Noblat, a quem conheci de perto no Jornal do Brasil, 1982, quando o jornal denunciou o escândalo da Proconsult, citou o projeto de poder de Fernando Collor: 20 anos. Assumiu em 92, foi afastado pelo impeachment aprovado em setembro de 92.

Referiu-se igualmente ao projeto de poder que o ministro Sergio Mota fixou para o esquema FHC. Também vinte anos no Planalto. Não aconteceu nada disso. Esvaziado, sem apoio da opinião pública, Fernando Henrique apoiou José Serra em 2002 que perdeu disparado para Lula: 62 a 38%. Não mais se recuperou. Nem Geraldo Alckmim, em 2006, nem o próprio Serra, de novo em 2010, desejaram aparecer a seu lado nas duas campanhas.

O articulista de O Globo não se referiu a JK. Juscelino, que deixou o governo consagrado em 61, tinha como meta o retorno triunfal nas urnas de 65. Mas não contava com o desastre que envolveu o governo João Goulart e sua deposição pelo golpe militar de 64.

Noblat, penso eu, sem querer, omitiu o maior desastre da história universal: Hitler, ao chegar ao poder em 33, na Alemanha, e implantar o regime nazista, assegurou  um Reich para mil anos. Doze anos depois de causar a morte de 45 milhões de pessoas, e de destruir seu próprio país, cercado pelos russos dos generais Zukov e Koniev, no seu bunker subterrâneo, que Churchill chamava de covil dos abutres, suicidou-se e foi levado pelo esgoto da história.

Previsão foi feita para não se realizar. Portanto, especular quanto tempo vai durar este ou aquele esquema de poder é sempre um salto mortal sem rede de  proteção. Tudo passa, tudo sempre passará. Principalmente na política que, na bela definição de Magalhães Pinto, é como uma nuvem: muda de forma e direção a todo instante.

Agora mesmo, especula-se como o PMDB vai agir em relação aos rumos traçados pela presidente Dilma Rousseff. Reportagem de Cristiane Jungblut, também em O Globo de segunda-feira, expõe um quadro de projetos polêmicos que se encontram em tramitação no Congresso Nacional e deixa no ar a pergunta sobre como o Partido do Movimento Democrático Brasileiro agirá em relação às contradições que tais matérias despertam, se a legenda não for plenamente atendida pelo Planalto quanto ao preenchimento de cargos em empresas estatais.

Faltou entretanto uma pergunta: o que poderá o PMDB fazer? Votar contra a orientação de Dilma Rousseff? Mas o partido ocupa quatro ministérios, entre eles o de Minas e Energia. Abrirá mão dos postos? Não creio. Aliás, ninguém acredita em tal hipótese. Pois se o PMDB rompesse, o PSDB de Aécio Neves e Geraldo Alckmim estaria pronto para o sacrifício de substituí-lo em nome da governabilidade. Expressão da moda, a exemplo da figura do desenvolvimento sustentável.

O PMDB não pode romper, pois em política qualquer espaço aberto no esquema de poder é preenchido em cinco minutos. Não mais. Quais os projetos realmente polêmicos em pauta? O valor do novo mínimo e a cobrança (absurda) da contribuição previdenciária dos funcionários públicos aposentados e dos beneficários do INSS que, mesmo aposentados, continuam trabalhando.

Sem problemas. A cobrança dos servidores inativos e dos aposentados do INSS que continuam trabalhando rende 1 bilhão e 200 milhões de reais por ano. O orçamento para 2011 é de 2,1 trilhões. Os números falam por si. Piso de 540 ou 560 dá no mesmo. Não muda.

“As chuvas e os governantes”, um artigo que diz tudo sobre as tragédias no Rio e São Paulo

Em atenção à comentarista Suzana Oliveira, que lembrou a atualidade do artigo postado dia 1º deste mês por nosso colaborador Jorge Folena, estamos republicando o texto:

Jorge Folena

O primeiro dia do ano é para festejar e renovar a esperança por dias melhores, ainda mais quando hoje toma posse a primeira mulher presidente do Brasil, fato que simboliza o avanço numa sociedade retrógrada, na qual, segundo as estimativas, um milhão de mulheres são violentadas diariamente, de várias maneiras (psicológica, física e patrimonialmente), em todo o mundo.

A Presidente Dilma assume com grandes desafios, uma vez que os administradores públicos, de forma consciente ou não, sempre governaram o Brasil como uma sociedade fundamentada na exclusão, na diferença e na indiferença. Nunca valorizaram o trabalho, base de tudo, e enxergaram nos homens e mulheres dos bairros dos subúrbios e das favelas brasileiras apenas uma fonte de mão-de-obra barata, a ser explorada diariamente, bem como um manancial de votos para a confirmação da ordem política.

Um exemplo disso é a tragédia que se repete todos os anos, no mês de janeiro, com as chuvas torrenciais que castigam nossas cidades. Parece, então, que o único culpado é a população pobre, que construiu suas casas onde não deveria. É o que fica aparente nos pronunciamentos das autoridades constituídas, sempre que lemos os jornais, ouvimos as rádios ou assistimos à televisão. Mas o que têm feito os governantes, antes ou depois das chuvas, ao longo de todos estes anos?

Não podemos perdoar estes políticos, pois o problema não é falta de dinheiro, de tecnologia ou de áreas adequadas para se construir residências dignas para todos. Não fazem porque não querem e por ser próprio do regime em que vivemos a manutenção da desigualdade, apesar de se apregoar por todos os cantos que constituímos uma sociedade livre e democrática.

A letra da lei é bonita, mas só vale no papel, como todos sabem. É fácil, na tragédia, transferir a responsabilidade para a população, incriminando-a como sempre fizeram ao longo da História. E apesar de estar consignado na Constituição (artigo 6º), é negado aos pobres e aos miseráveis o direito de habitar com o mínimo de dignidade e em condições salubres.

Por isto, enquanto houver a exploração de homens e mulheres, enquanto os idosos não forem amparados e enquanto as crianças viverem sem esperança de futuro, tudo estará na mais perfeita ordem natural das coisas, com chuva ou qualquer outra forma de tragédia que recaia sobre nós.

Então, Presidente Dilma, sua posse hoje (01/01/2011) representa a esperança de um Brasil melhor para todos. Que seu governo seja coroado de êxito e, assim, nosso país se transforme efetivamente numa grande potência de desenvolvimento humano e social, sem ficar limitado ao mero crescimento econômico.

Helio e o fechamento da Tribuna

Agradecimento – Tribuna da Imprensa

 

Prezado Jornalista Hélio Fernandes:

 

Há mais de um ano, no dia 1/12/2008, eu e muitos brasileiros fomos surpreendidos com a manchete: “ESTA TRIBUNA INTERROMPE momentaneamente sua circulação. Por culpa da justiça morosa, tendenciosa, descuidada, displicente, verdadeiramente injusta e ausente, tão ditatorial quanto a ditadura”.

Atônito pela notícia, na mesma manhã, num gesto de solidariedade, manifestei que: “o seu jornal cunhou minha formação acadêmica e a de muitos jovens. Só tenho gratidão ao senhor e seus colaboradores. A Tribuna da Imprensa é um patrimônio cultural do povo brasileiro.”

Querendo ajudar, mas ainda sem saber como, escrevi, no mesmo dia, carta ao Ministro Joaquim Barbosa, que foi anexada ao processo da Tribuna da Imprensa no STF: “A nomeação de Vossa Excelência para o Supremo Tribunal Federal representou um momento extraordinário na História do Brasil, transmitindo a crença de que todos, num País em transformação, poderiam chegar ao ápice da representação política, a exemplo do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, que o designou para tão importante missão. Para o nosso povo, o senhor passou a ser o legítimo representante e guardião de seus direitos junto ao Poder Judiciário. Confesso que fiquei emocionado ao ler hoje, na primeira página da Tribuna da Imprensa, o libelo do Jornalista Hélio Fernandes diante da possibilidade de interrupção da circulação do seu sexagenário jornal, que necessita da reparação (de direito) que foi reconhecida pelas instâncias ordinárias da Justiça. Com efeito, estou certo de que Vossa Excelência, diante de sua mais profunda sensibilidade, irá compreender a manifestação do Jornalista, que se aplica na divulgação da notícia, da informação e do esclarecimento do povo brasileiro frente a tantas dificuldades, que o senhor, como Ministro do STF, sabe melhor que todos nós. Portanto, da mesma forma que as ações afirmativas são importantes para resgatar o sofrimento dos brasileiros, a Tribuna da Imprensa deve ser preservada, porque é patrimônio cultural nacional. Tenho confiança que Vossa Excelência irá se posicionar a respeito do recurso referido pelo Jornalista Hélio Fernandes, dando uma resposta justa à questão.”

O sofrimento da Tribuna da Imprensa é igual ao de muitos brasileiros, diante de uma Justiça que, por sua morosidade, se constitui em verdadeira injustiça, colocando-se de costas para o povo. O sistema Judiciário se coloca acima da própria sociedade que o constitui. Hoje, o povo mais sofrido e pobre encontra outros meios para obter justiça em suas comunidades. Surge, assim, uma “liga da justiça” formada por milicianos, a ocupar o vazio deixado por quem deveria agir, mas não age. Aqui o lado mais perverso e perigoso, que possibilita a criação de um poder paralelo, facilita a corrupção e a chantagem e cria as bases para um regime de exceção.

Deixando esta questão de lado, registro minha emoção ao tomar conhecimento, em abril passado, de que a Tribuna da Imprensa, ainda não impressa, teria retornado via rede mundial de computadores. Assim, voltamos a ler seus artigos, reflexões e comentários diários, importantes para esclarecer a opinião pública nacional.

A Internet possibilitou um jornal mais dinâmico, com a notícia circulando no exato momento do acontecimento. Além disso, os leitores podem debater e expressar a sua opinião também simultaneamente. Isto é muito interessante e democrático. Como o senhor já manifestou, as eleições de 2010 poderão ganhar um novo colorido com a cobertura imediata pela rede de computadores.

Aproveito para agradecer a oportunidade que tive de expressar livremente minhas opiniões na sua Tribuna da Imprensa, contando ainda com suas respostas e comentários.

Desejo-lhe um feliz Natal e que, em 2010, a Tribuna da Imprensa continue irradiando notícias e conhecimentos para todo o povo brasileiro.

Um forte abraço.

Jorge Rubem Folena de Oliveira

Presidente da Comissão Permanente de Direito Constitucional

do Instituto dos Advogados Brasileiros

 

Comentário de Helio Fernandes

 

Não há agradecimento, Folena, a não ser que seja simultâneo, e não apenas entre eu e você. Temos que juntá-lo, somá-lo, dividi-lo com todos os cidadãos que se solidarizaram com a Tribuna, pela interrupção MOMENTÂNEA. (Cada vez mais perto de abandonar essa palavra circunstancial e que usei também esporadicamente). Os 30 anos vão se transformando em 31, continuamos descobrindo esse caminho novo que é a instantânea (exatamente o contrário de momentânea) Internet.

Os votos de Feliz Natal, são retribuídos e multiplicados para os milhões de brasileiros, principalmente aqueles que do Natal só conhecem a data que foi deixada por Jesus Cristo. O grande líder social dos últimos 2 mil anos, citado e até copiado por Marx, no seu Manifesto de 1848. E como a Tribuna estará completando 60 anos no dia 27, republico abaixo o artigo do dia 1º de dezembro de 2008. Muita gente me pedia, a hora é agora.

 

 

A TRIBUNA INTERROMPE MOMENTAMENTE A CIRCULAÇÃO
POR CULPA DA JUSTIÇA MOROSA,TENDENCIOSA, DESCUIDADA, DISPLICENTE,VERDADEIRAMENTE INJUSTA E AUSENTE,TÃO DITATORIAL QUANTO A DITADURA

O douto procurador-geral da República, Claudio Fonteles, recusou o AGRAVO da União, identificando-o como PROTELATÓRIO.
O imodesto ministro Joaquim Barbosa recebeu o AGRAVO da União, sabendo que era PROTELATÓRIO. Levou 2 anos e meio para entender.

Com a mente revoltada e o coração sangrando, escrevo serenamente, mas com a certeza de que é um libelo que atinge, vai atingir e quero mesmo que atinja o sistema Judiciário. As palavras que coloquei como título desta comunicação representam a ignomínia judicial, que se considera poderosa e inatingível, mas é apenas covarde e insensível.
Retira-se dessa acusação global apenas a primeira instância. O juiz que em 1979 recebeu a ação desta Tribuna da Imprensa examinou imediatamente a questão e dividiu a ação em duas. Uma chamada de LÍQUIDA, que decidiu imediatamente e que, lógico, foi objeto de recursos indevidos, malévolos e protelatórios, que é a que está na mesa do ministro Joaquim Barbosa.

A outra, denominada de ILÍQUIDA, juntava e junta prejuízos ainda maiores, como desvalorização do título do jornal, lucros cessantes, páginas em branco durante 10 anos, perseguição aos anunciantes, que intimidados pessoalmente pelo então diretor da Receita deixavam de anunciar.
(Esse diretor da Receita Federal, Orlando Travancas, era feroz na perseguição e na intimidação. Não demorou muito, foi flagrado em crime de extorsão e corrupção, não quiseram prendê-lo, seria desmoralização para o regime. Foi aposentado luxuosamente, com proventos financeiros “generosos”).
A ação ILÍQUIDA dependia de PERÍCIA, que vem desde 1982, e não foi feita por irresponsabilidade e falta de interesse de dois lados. Acreditamos que agora andará em velocidade para recuperar o tempo perdido. Na ação dita LÍQUIDA, o competente juiz de primeira instância, cumprindo o seu dever, sem temor ou dificuldade, condenava a União ao pagamento da INDENIZAÇÃO devida a esta Tribuna.
Que sabendo dos obstáculos que enfrentaria, dos sacrifícios a que seria submetida, assumiu sem qualquer restrição a resistência ao autoritarismo e à permanente e intransigente defesa do interesse nacional, tão sacrificado. “Combatíamos o bom combate”, como disse o Apóstolo Paulo.
De 1982 (primeira e única sentença) até este ano de 2008 (26 anos), a decisão do competente juiz de primeira instância foi naufragando na impunidade, no descuido, na imprudência dos chamados MAGISTRADOS SUPERIORES.
Nesses 26 anos, desembargadores que não tinham nenhum adjetivo, mas lutavam arduamente para ganhar a complementação de DESEMBARGADORES FEDERAIS, nem ligavam para a justiça ou a injustiça. Importantes, se consideravam insubstituíveis e incomparáveis, não queriam que alguém pensasse ou admitisse que eram inferiores. Lógico, cuidando da ambição pessoal, não podiam perder tempo FAZENDO JUSTIÇA. Que era o que o juiz de primeira instância compreendeu e decidiu imediatamente.
Em 26 de março de 1981, a ditadura agonizante mas vingativa explodiu prédios, máquinas e demais dependências desta Tribuna. Podíamos acrescentar isso na própria ação ou começar nova, com mais esse prejuízo colossal. Não quisemos. É fato também facilmente comprovável, não protestamos nem reivindicamos judicialmente em relação a mais esse terrorismo. Financeiro, econômico, irreparável.
Outro fato que também é acusação contra DESEMBARGADORES FEDERAIS facilmente comprovável, verificando o andamento, quer dizer, a paralisação do processo: vários DESEMBARGADORES FEDERAIS ficaram 2, 3 e até 4 anos com o processo engavetado. Alguns devolviam o processo pela razão maior de todas: caíam na EXPULSÓRIA. Mas continuavam fazendo parte do esquema e sistema de atrasar a eficácia da prestação jurisdicional. Necessária nova distribuição, isso era feito lentamente, esqueciam inteiramente da importância de fazer justiça.
E o próprio Supremo Tribunal Federal não pode ser considerado INOCENTE ou DESCONHECEDOR do processo. Pois há quase 3 anos ele está na mesa do ministro Joaquim Barbosa, “esperavam um negro subserviente, encontraram um magistrado que veio para fazer justiça”. Na prática está desmentindo a teoria. Negro ou branco, não importa a cor e sim a I-N-S-E-N-S-I-B-I-L-I-D-A-D-E como magistrado.
O ministro Joaquim Barbosa, do STF, com extrema boa vontade, recebeu o recurso inócuo da União, verdadeira litigância de má-fé, que sabia ser apenas PROTELATÓRIO. Os autos estão descansando em seu gabinete desde abril de 2006. Postura diferente adotou o douto procurador-geral da República, Cláudio Lemos Fonteles, que há mais de 2 anos já fulminara o teratológico recurso como INADMISSÍVEL, sem razão de ser, vez que almeja REDISCUTIR o que já tinha sido pacificado nas instâncias inferiores, ou seja, o direito líquido e certo desta Tribuna da Imprensa ser indenizada por conta de danos morais e prejuízos materiais de vulto que sofrera, em decorrência de atos truculentos e de censura permanente dos governantes dos anos de chumbo e que quase levaram o jornal à falência.
Inexplicavelmente, repita-se, o bravo (ou bravateiro?) Joaquim Barbosa aceitou o afrontoso apelo da União que nem deveria ser conhecido, por conta quem sabe de um cochilo, displicência ou então não tem a sabedoria jurídica que tanto apregoa.
Não quero ir mais longe, lembrar apenas o seguinte: a Tribuna da Imprensa não será FECHADA pela indolência da Justiça, que, sem perceber, a castiga tanto ou mais do que a ditadura, na medida em que por inaceitável MOROSIDADE está retardando a implementação da execução de sentença condenatória da ré, União Federal, e sua maior devedora.
ASSIM, suspenderemos por alguns meses a circulação deste jornal, que entra, coincidentemente, no ano 60 da sua existência. 14 com Carlos Lacerda, 46 com este repórter. Não transigimos, não conversamos, não negociamos a opinião aberta e franca pela recompensa escondida, mas relevante. Poderíamos ter cedido, concedido, concordado, conquistaríamos a riqueza falsa e inconsciente, mas GLORIOSA E DURADOURA.
Vivemos num mundo dominado pela VISIBILIDADE e a RECIPROCIDADE. Como não nos entregamos nunca, como ninguém neste jornal distribui visibilidade para receber reciprocidade, estamos em situação dificílima.
Nesse quadro, já dissemos e reiteramos que essa primeira indenização será toda destinada ao pagamento de DÍVIDAS obrigatórias contraídas por causa da perseguição incessante comprovadamente sofrida.
Em matéria de tempo, uma parte do Judiciário foi mais ditatorial do que a ditadura. Esta perseguiu o jornal das mais variadas formas, por 20 anos. A Justiça quer ver se chega aos 30 anos, por conta de sua repugnante MOROSIDADE, TÃO RUINOSA e imoral quanto a ilimitada violência perpetrada pela ditadura.
Se vivo fosse, o jurista Ruy Barbosa por certo processaria os lenientes julgadores do processo indenizatório ajuizado pela Tribuna contra a União há quase 30 anos e sem pagamento algum até hoje, porque para Ruy, que é tão festejado e citado, mas não imitado, JUSTIÇA ATRASADA NÃO É JUSTIÇA, SENÃO INJUSTIÇA QUALIFICADA E MANIFESTA. Até breve. Muito breve.

PS – ” O medo inominável, injustificável, sem razão de ser. Medo que paralisa os esforços e transforma um avanço vitorioso numa derrota ou numa retirada desastrosa”. Franklin Delano Roosevelt, 4 de março de 1933. Um dia antes de tomar posse pela primeira vez como presidente e já pronto para lançar o New Deal.

A tragédia de São Paulo. O maior estado, a maior prefeitura, há 16 anos dominada pelo PSDB, culpa a chuva por tudo o que acontece. Começando mais 4 anos, sempre Covas, Alckmin, Serra, novamente Alckmin.

Helio Fernandes

Governantes municipais e estaduais, não conseguem ultrapassar esse limite e se transformarem em nacionais. O ciclo peessedebista começou em 1994, com Covas já doente, com um câncer que o mataria. Tinha saúde ruim, em 1986, candidato ao Senado, sem adversários, Covas teve que parar a campanha por causa de um enfarte. Eleito, eram só ele e FHC.

Quem era seu vice? Geraldo Alckmin. Covas quase não toma posse como governador, mas os partidos que o apoiavam eram quase todos. Só ganhou no segundo turno do quase desconhecido Rossi. E precisou do apoio fundamental de Maluf, apoio coordenado pelo futuro presidente FHC, ligadíssimo a Maluf.

Mesmo antes da posse, surgiu uma lista enorme de “doadores” de campanha, nessas listas, empreiteiras acusadas dos maiores escândalos nacionais e estaduais. Tomou posse (Alckmin de sentinela por causa da doença) com novas acusações. Durante quase 4 anos, a Tribuna impressa denunciou “empreitadas”.

E o filho Zuzinha (mais tarde, exemplo para Lula), sempre envolvido. Garantiu que ia processar jornalistas da Tribuna, ficou sempre na intenção. Mas o zigue-zague de Covas continuava.

Em 1997 FHC lançou a campanha (comprada) da reeleição. Covas ficou contra. Alegação: “A reeeleição vai permitir que o ocupante do cargo se reeeleja, utilizando a máquina e o dinheiro público”. Ha!Ha!Ha!

Não fizera outra coisa, e logo depois mudava de “opinião”, aceitando a reeeleição. Em 1998 ganhou de Dona Marta, mas perdeu para Maluf. No segundo turno, Dona Marta, seu marido Suplicy e outros fizeram uma frente antiMaluf. Aí ganhou, 9 milhões e 800 mil votos, contra 7 milhões e 900 mil de Maluf.

Começou então a insistente “substituição”, tendo Alckmin como segundo e “construindo” a carreira de vice. O que dizer se Sarney chegou a presidente com a morte do efetivo? Mas como não tomou posse em 1995, o governador de fato foi Alckmin.

Onde estava o governador eleito, Mario Covas? Nos EUA, operando um câncer na bexiga. Voltou, não se curou nunca, mas mesmo convalescente, foi empossado 15 dias depois, com Alckmin no cargo. O maior estado da Federação tinha um governador doente e um vice administrativamente desimportante.

Juntos, Covas-Alckmin não conseguiram eleger Serra, em 1996, para a maior prefeitura do país, não chegou nem ao segundo turno. Que foi disputado por Luiza Erundina e Celso Pitta. Este apoiado abertamente por Maluf e veladamente por FHC. Covas votou e mandou votar em Luiz Erundina, perdeu feio.

Em 1998 Covas foi reeleito, a única “satisfação” que deu para a mudança de convicção, foi se “desincompatibilizar” 9 meses depois. “Transferiu” o cargo a Alckmin, uma farsa, ele já “governava”, o que garante que fará agora, 12 anos depois.

Covas foi reeeleito, Alckmin  ficou o tempo todo no Palácio Bandeirantes, o local estava vazio. Covas o tempo todo no hospital, fazendo quimioterapia. Isso durou até 2002, quando acabava o mandato de Covas-Alckmin. Aí, apesar de duas eleições (não importa se como vice ou governador de fato), Alckmin se lançou pela terceira vez. Inacreditável.

Isso era ilegal, imoral, inconstitucional. Aproveitando a máquina e os dinheiros públicos (royalties para Covas), Alckmin “ganhava” o primeiro mandato dele mesmo, embora “não fizesse nada” pela terceira vez. E a tragédia de hoje, era anunciada desde aquela época. Agora, Alckmin se justifica: “Vamos RETOMAR AS OBRAS”. Retomar? Então é porque estavam paradas.

Apesar de “invicto e virgem” em administração, Alckmin em 2006 transferiu o cargo para Serra, lembram? Duas vezes derrotado para prefeito. E o senador Waldeck Ornelas, dizia no plenário, na presença do personagem: “Serra não é FILANTRÓPICO e sim PILANTRÓPICO”.

Com tudo isso, mantinha a “dinastia” do PSDB no maior estado da Federação.

Serra não fez nada até agora, 2010, entregou o cargo a quem? Ora, ao vice e depois governador Geraldo Alckmin. Enquanto se revezavam à frente do maior estado da Federação, perdiam três vezes para presidente da República. (por enquanto, duas derrotas para Serra, uma para Alckmin. Mas a tragédia ainda não terminou).

Jogam a culpa “na chuva”. Mas desde 1994 o maior estado do país é governado pelo PSDB. E sempre, nesses 16 anos, que garantem irá a 20, Alckmin-Serra, com Covas fazendo figuração. Lançaram apenas rodovias (que provocam a tragédia das chuvas), que chamaram e chamam de M-A-R-G-I-N-A-L, denominação biográfica ou autobiográfica.

Não existe representatividade pelo fato de não existirem partidos, mas o povão não votou três vezes nesses mesmos candidatos. Só que não têm constrangimento, continuam se “assanhando”, os dois disputam a “quarta” candidatura presidencial entre eles.

Alckmin alega; “Só perdi uma vez, tenho direito a perder a segunda”. Serra afirma (não esqueçam do discurso, “não é adeus e sim até logo”), “nas duas vezes fui para o segundo turno”.

Continuam se hostilizando diante de 40 milhões (população do estado) ou de 13 milhões (os moradores da capital), sem direito a coisa alguma. Na mesma noite da derrota, quando “abraçou” efusivamente Alckmin, eu disse aqui: “Serra será candidato, não sei a quê, depende da pesquisa”.

 ***

PS- Como a eleição mais próxima é a de 2012, já mandou fazer levantamento. Pode ser, 2014 é muito longe, a não ser  que seja presidenciável. Tanto Alckmin quanto Serra só entrarão no Planalto, numa circunstância.

PS2 – Se forem vice de Dilma ou de Lula. Michel Temer não é vice? Pelo menos eles tinham votos para governador, Temer para deputado e olhe lá.

PS3 – Continua chovendo, gente morrendo, Alckmin-Serra perdendo. Só que ainda não perceberam o quanto são repudiados. E houve uma época  que São Paulo queria se separar do país: “Somos a locomotiva, carregando 21 vagões vazios”.

PS4 – Declaração de Alckmin, ontem, escandalosa, vergonhosa, acintosa: “É impossível FAZER OBRAS EM 24 HORAS”. Impressionante. Na verdade, é quarta vez que assume o governo de São Paulo.

PS5 – E resume tudo, APENAS A 24 HORAS? Não estou aqui para desmentir ninguém. Mas em todos os outros 3 mandatos (dois de Covas “exercidos” por ele mesmo, outro ilegal mas existente, o quatro começou agora) NÃO FEZ NADA MESMO. Que República.

O que acontecerá ao ministro de Pernambuco? Perguntem a Palocci.

Helio Fernandes

A Folha, ontem, fez uma radiografia completa do Ministro da Integração Nacional, com direito a acusações e envolvimento da mulher e do cunhado. (Que parece, agora, é parente). Seu nome: Fernando Coelho. Credencial: ocupa o ministério que estava destinado a Ciro Gomes.

O que acontecerá? Nada. Palocci contorna tudo.

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O SENADOR EUNÍCIO, VETADO

Foi Ministro de Lula, eleito senador, tinha como certo que seria Ministro novamente. O suplente foi colocado planejadamente. Só que não foi Ministro por preterição do próprio partido, o PMDB.

Acontece que o encarregado do veto foi Michel Temer, cumprindo delegação dele mesmo e de outros caciques do partido. Justificativa ou acusação: “Eunicio Oliveira tem voo próprio, como ministro iria longe”. E “ameaçaria” muita gente no PMDB. Lula não gostou (usou Eunicio para derrotar Jereissati), mas não quis se meter.

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O CHANCELER PATRIOTA

Sobre os passaportes dos filhos e netos de Lula, declarou o Chanceler Patriota: “O Itamaraty está examinando, aconteceu no governo anterior”. Que sem-vergonhice.

Nada a examinar, a obrigação é cancelar os passaportes. E que governo acabou? O do Lula? É tudo o mesmo, a não ser que Dona Dilma diga que não é. Poderá dizer?

Dólar “futuro”, ações a “descoberto”

Helio Fernandes

Não é privilégio do Brasil, a falcatrua de moedas e ações existe no mundo inteiro. Os bancos que faliram nos EUA, e provocaram a crise financeira mundial, tinham nome e sobrenome na fachada, ninguém foi punido. Apenas “ajudados”.

Mantega está preocupado com a queda do dólar e a manipulação das ações, mas “toma” medidas só a partir de abril, e não toca no principal. Mercado à vista do dólar; 200 milhões e à vezes menos, por dia. No “futuro”, 10 BILHÕES diários, e às vezes mais.

Ações à vista: 4 ou 5 bilhões por dia, a “descoberto”, 3 ou 4 vezes mais, lucros maravilhosos, nos dois mercados.

                                                                                ***

EQUÍVOCO NA MANCHETE

Em O Globo, ontem: “A economia do Rio cresce mais do que a M-É-D-I-A nacional”. O certo: “A economia do Rio cresce mais do que a M-Á-F-I-A nacional”. Irão retificar?

Maracanã: o símbolo da corrupção

Helio Fernandes

O mais charmoso, o mais atraente, o maior do mundo, já teve mais de 200 mil pessoas no jogo Brasil-Uruguai, 1950.

Na construção, acusações tremendas contra o então prefeito Mendes de Moraes. Os caminhões com tijolos, areia, pedra, madeira, entravam por um portão, davam a volta, saíam pelo outro, registrados mas não descarregados.

O tempo passou, veio Chiquinho da Mangueira, “reformou” o Maracanã, ao custo de 330 milhões. Ficou 3 anos, se desincompatibilizou (era deputado), voltou, nova obra, 450 milhões desperdiçados.

Agora, para a Copa de 2014, obra “orçada”, que palavra, em 600 milhões. Está atrasada, mas o cálculo visível, publicado e comemorado: “Custará 1 bilhão”. É o Maracanã de ouro.

Salário mínimo para milhões, máximo para parlamentares

Andrea Queiroz: “Por que 62 por cento de aumento para os parlamentares e o salário mínimo continuar como está?”

Comentário de Helio Fernandes:

É isso, Andrea. O povo vota neles, deputados e senadores, que enganam esse mesmo povo. Por causa disso, e de muitas outras coisas, defendo há anos uma RENOVOLUÇÃO. Começando pela autenticação dos mandatos, a imposição da verdadeira r-e-p-r-e-s-e-n-t-a-t-i-v-i-d-a-d-e. Quando virá isso?

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SUPLENTES PERMANENTES E DE VERÃO

Não é só o PMDB e o PT que brigam por cargos. Eles lutam mesmo pela permanência na cúpula, ou no Senado. Alfredo Nascimento é pela terceira vez seguida, Ministro dos Transportes. Incompetente, massacrado para governador no Amazonas, ganhou o cargo porque escolheu como suplente um amigo de Lula, João Pedro.

Mas brigam intensamente pelas quatro vagas de suplentes das Mesas do Senado e da Câmara. Ha!Ha!Ha! O que representam esses cargos? Já os suplentes de “verão”, na Câmara, querem um dinheirinho por fora, não tiveram nem têm mandatos.