Extrair petróleo ou comprar opinião?

Carlos Chagas

No mundo moderno, em sã consciência, ninguém pode ser contra a propaganda e a publicidade. Essas  atividades  fazem  parte  do complexo que vai do planejamento à produção, da comercialização ao consumo. Mercadológicas ou promocionais, são responsáveis pelo sucesso ou fracasso de quase  todas as atividades humanas. Além de criarem empregos e contribuírem para o desenvolvimento da economia.

O que não dá para aceitar é o super-dimensionamento da publicidade, muito menos a distorção da propaganda, quando em vez de atingirem sua finalidade e seus objetivos, servem de biombo para encobrir formas de enganar o consumidor, de um lado, ou de comprar a  opinião dos  veículos onde se apresentam.

Feito o   preâmbulo, vamos passar ao principal. A finalidade da Petrobrás, glória nacional, é encontrar, extrair e abastecer a   sociedade de combustível.  Mostrar-se, é claro, na demonstração de suas qualidades, bem como promover seus produtos.

Como empresa bem sucedida, deveria voltar-se para sua atividade maior, mas faz muito que vem  sendo  utilizada como mecanismo de promoção dos  governos aos quais se subordina.  De mandato em  mandato dos detentores do poder, porém, a Petrobrás transformou-se num instrumento de manipulação e até de controle da opinião  pública.  Com objetivos óbvios não apenas de demonstrar sua eficiência, mas de dominar a informação recebida pela sociedade.

Tome-se os principais telejornais, noticiosos radiofônicos, revistas,  jornais e toda a parafernália da comunicação social. Através de propaganda muito bem elaborada, a estatal tornou-se senão a maior, uma das maiores anunciantes do país.

Está presente nas diversas classificações  da mídia, ficando para outro dia demonstrar que também  subsidia mil outras formas   de sedução do meio social: festas de São João, de Natal, celebrações patrióticas, edições de livros variados e de    CDs de música popular,  ONGs sérias e ONGs fajutas, congressos, seminários, cursos, escolas, feiras internacionais e prefeituras  recebem o patrocínio, quer dizer, dinheiro vivo,  dos cofres da Petrobrás.

Tudo angelicalmente destinado a aumentar  o consumo de seus produtos ou a melhorar suas condições empresariais na concorrência com competidores?

Vale ficarmos na mídia. Se recebem vultosas verbas, em boa parte  responsáveis pelo sucesso de seu faturamento,  dos  jornalões aos pequenos semanários,  das mega-redes televisivas às cadeias radiofônicas e às revistas de circulação nacional, todos os veículos de comunicação  pensarão duas vezes antes de informar a respeito de investigações, denúncias e acusações de irregularidades envolvendo a Petrobrás e seus dirigentes. Se fosse só isso, ainda seria deglutível, pois as empresas privadas fazem o mesmo.

O problema é que gerida e  dirigida pelos governos, não só do Lula, mas da quase totalidade de seus antecessores, a Petrobrás tornou-se uma  gazua capaz de  arrebentar com a liberdade de imprensa e de  expressão. Porque quem criticar os  governos corre o risco de perder a publicidade  da estatal. Essas  coisas estão implícitas, não precisam ser ditas entre as partes.

Argumentarão  os céticos que essas práticas  fazem parte do sistema capitalista, valendo acrescentar que nas ditaduras de esquerda ou de direita é pior ainda. Quem ousar desafiar os interesses e as verdades absolutas dos donos do poder, além da falência pela falta de anúncios, corre o risco de parar na cadeia.

O governo Lula usa e abusa dos recursos publicitários da Petrobrás, numa simbiose trágica onde o  sacrifício maior atinge a liberdade. No primeiro mandato do companheiro-mór havia até  um japonês mal-encarado para conduzir  o sistema. Mesmo catapultado pelos abusos cometidos em favor de interesses pessoais, viu-se sucedido pela  impessoalidade mais maléfica ainda.

Estarrecido, o país assiste fantástica invasão de slides,  filmes, mensagens e patrocínios de toda espécie jorrando das burras  da Petrobrás para as  telinhas, os  alto-falantes e  as  folhas impressas,  promovendo  a estratégia do pré-sal.

A grosso  modo,  nem   precisaria,  por tratar-se de uma iniciativa favorável à afirmação da soberania nacional, aplaudida pela nação quase inteira.  Parece que o governo não confia nele  mesmo, nem em seus bons propósitos, se necessita desviar recursos da extração de petróleo para convencer o público da certeza de seus atos.

O risco é de se, amanhã, os monarquistas ganharem as eleições, assistirmos a Petrobrás dedicada a convencer a sociedade de que um  imperador ou um rei resolvem todos os nossos problemas.  Opiniões se compram, mas a que preço?

Em suma, não é a Petrobrás, como empresa,  a responsável por essa abominável  farra publicitária que nos assola. Nem as agencias encarregadas de produzir tão elogiável material.  Sequer os veículos ávidos de sustentar-se com a propaganda. Culpado é o sistema que permite tamanha distorção.

Sucessão no RJ começa a se desenhar, mas há dúvidas

Pedro do Coutto

Com o lançamento da candidatura de Fernando Gabeira ao governo do estado, marcado em princípio para o próximo dia 15, o quadro da sucessão no Rio de Janeiro começa a se desenhar com um pouco mais de nitidez, mas há dúvidas no horizonte.

O governador Sergio Cabral claro é o candidato do PMDB. Lidera as pesquisas do Ibope e do Datafolha. Mas o deputado Wagner Montes, que é o segundo em intenção de votos, não vai disputar. Para quais candidatos irão as tendências que assinala? O ex governador Anthony Garotinho, terceiro nos levantamentos, mantém a candidatura. Agora surge Fernando Gabeira, pelo PV, e também indicado pelo diretório estadual do PPS que, nesse sentido, aprovou proposta apresentada pelo economista Filipe Campelo, em de seus integrantes.

A iniciativa foi vitoriosa por 17 votos a 11 que preferiam apoiar Sergio Cabral. Lidberg Farias, antigo cara pintada do movimento contra Collor, em 92, atual prefeito de Nova Iguaçu, é candidato, mas depende do que decidir convenção estadual do PT. Esta, basicamente, divide-se entre ele e Sergio. Vai depender do que for decidido no plano federal.

O destino de Fernando Gabeira, que deve contar com a participação da juíza Denise Frossard em sua campanha, como candidata ao senado, é o nome de preferência do PSDB, como ocorreu nas eleições para prefeito do Rio no ano passado. Mas aí surge um problema.
Pertencendo ao Partido Verde, e Marina Silva sendo candidata à sucessão presidencial pela legenda à qual se filiou há poucos dias, torna-se impossível, pela Lei Eleitoral, Gabeira obter o apoio dos tucanos numa aliança. Isso porque Gabeira não poderá se desvincular da senadora pelo Acre e assim bloquear o apoio do PSDB que, no plano federal, tem José Serra como candidato à sucessão de Lula.

Exatamente por este motivo, o prefeito da cidade de Caxias, Camilo Zito, revelou sua intenção de ser candidato, uma vez que sua adesão à candidatura Serra é declarada. Nem poderia ser de outra forma: Zito é do PSDB.O problema se desloca assim para a formação das bases e dos palanques estaduais no sentido das candidaturas já colocadas do governador de São Paulo e da ministra Dilma Roussef no plano federal.

No panorama atualmente visto da ponte para 2010, em princípio, Sergio Cabral, Anthony Garotinho e Lindberg apóiam a chefe da Casa Civil. Sobra pouco espaço de manobra. Zito apóia Serra e Fernando Gabeira, de início, estava naturalmente propenso a escolher também Serra.Mas com Marina Silva passa a viver um dilema. Até porque Marina Silva retira votos de Dilma, mas pessoalmente apresenta pouca densidade eleitoral.

O PV sozinho, vendo-se a questão por outro prisma, tem direito a muito pouco tempo nos horários de propaganda eleitoral gratuita. Uma aliança com o PSDB forneceria um campo aberto para Gabeira em sua nova aventura verde. Sem o PSDB, os espaços, acrescidos somente pelo PPS, serão muito pequenos.

Este é o quadro,porém sujeito a chuvas e mudanças como é próprio da política.Gabeira logicamente terá o apoio do PSOL de Heloisa Helena, apoio politicamente importante mas que não lhe acrescentará abertura maior na propaganda eleitoral.

São dilemas, certezas, caminhos e descaminhos. Política é assim mesmo.

Hoje, certas, de fato, só existem as candidaturas de Sergio Cabral e de garotinho. Aliados em 2006, adversários e quase inimigos hoje. É a vida.

A crise não passou nem passará tão cedo

Carlos Chagas

Saímos da crise econômica? Nem pensar, mesmo entre celebrações e manifestações de otimismo do presidente Lula e dos ministros do Banco Central, da Fazenda e do  Planejamento, entre outros. Afinal, a produção industrial não se recuperou. Pela queda do dólar, ficou mais barato comprar carros importados do México do que os  fabricados aqui.

Vale o mesmo para os produtos eletro-eletrônicos. A agricultura não se recuperou, agravadas suas dificuldades pela queda no preço das commodities.  A própria exportação de produtos primários entrou na baixa, com o  minério de ferro à frente.

Os salários  continuam comprimidos, como vem sendo desde o governo Fernando Henrique Cardoso. A carga fiscal não pára de crescer, anunciando-se ainda agora a volta da CPMF, com outro nome. Escolas, hospitais, estradas e portos mantém a condição de penúria registrada faz tempo.

Registra-se uma causa fundamental:  a macro-economia permanece controlada pelo capital financeiro,  comandada pelo Banco Central. Em outras palavras,  a produção perde de goleada para a especulação. Como esse setor controla a mídia, pouco se ouve ou se lê a respeito. Engana-se o  presidente  Lula se imagina que a aventura do pré-sal constituirá solução, pois além de necessitar de vultosos investimentos, que não possuímos, só conseguirá gerar frutos daqui a quinze ou vinte anos.

Numa palavra, o país continua à mercê de fatores  controlados de fora.  O governo não dá o menor sinal  de pretender mudar o modelo que nos assola. E quanto a esperar alterações no projeto nacional de desenvolvimento,  será sonho de noite de verão neste fim de inverno. Nem Dilma, nem Serra nem Aécio,  sequer Marina, Ciro ou Heloísa,   dispõem de projetos específicos. Não disseram a que vem, até agora, senão ocupar o poder pelo poder.

Sendo assim, é bom tomar cuidado. Qualquer nova oscilação de temperatura, no Hemisfério Norte, refletirá não apenas na nossa economia, mas na vida de cada um. Menos, é claro, nas elites financeiras. A crise não passou nem passará tão cedo.

Anel de ambições

Com todo o respeito, mas o governo do presidente Lula encontra-se cercado por  um anel de perigosas ambições. Venezuela e Colômbia encontram-se a um passo da guerra, mas tanto os presidentes Hugo Chavez quando Álvaro Uribe dão-se as mãos no estupro da vontade popular, assegurando-se ambos de um  terceiro mandato, quem sabe do quarto e outros posteriores.  No Equador  e na Bolívia,  a mesma coisa. Na Argentina, a alternância é entre marido e mulher.

Como ficamos, diante dessa óbvia distorção da democracia entre nossos hermanos? Até agora o presidente Lula desmente quaisquer pruridos de continuísmo. Lançou Dilma Rousseff e aposta suas fichas na eleição da companheira. Dentro das regras constitucionais, não há mais tempo para mudança nas regras do jogo.

O diabo é que no reverso da medalha surge o fantasma da derrota.  A premissa é de que os programas do governo precisam continuar. A popularidade do presidente Lula  não deixa dúvidas a respeito da aceitação do modelo em curso. Entregaria o ouro ao bandido, no caso do fracasso da candidatura da chefe da Casa Civil? Aposta nela, mas na hipótese de que não decole, reconheceria a débacle?  Ou cederia ao apelo das forças que o apóiam, no sentido de que,  para preservar o poder, vale tudo? Que  tal o exemplo de nossos vizinhos?

As elites privilegiadas, aquelas   da prevalência do capital financeiro sobre a produção,  ficariam felizes se nada mudasse. As massas, também. Conseguiria a classe média opor-se à corrente? Ou, também ela,  ou parte dela,  cederia ao que  já se chama de “o império das  circunstâncias”? Se a frio não dá mais, por que não a quente?

De golpes nossa História anda repleta. “Lembrai-vos de 37” ainda assusta, mas muito maior medo  vem, de episódios posteriores. Getúlio foi levado ao suicídio, Juscelino quase não tomou posse, Jânio renunciou, Jango foi deposto, Castello prorrogou seu mandato, Médici usurpou o poder, Geisel ganhou um ano a mais, Figueiredo, dois, Collor foi catapultado e Fernando Henrique comprou o segundo mandato.

Fechamento da Rio Branco será um desastre

Pedro do Coutto

Reportagem –aliás excelente- de Isabela Bastos, publicada em O Globo de 2 de setembro, revela que o prefeito Eduardo Paes, certamente acometido por uma crise de insensatez, ou inspirado pelos assessores da fantasia, planeja fechar a Avenida Rio Branco entre a Candelária e a Cinelândia e transformar a área num parque urbano e rua de pedestres.

Francamente, o prefeito precisa urgentemente reexaminar o tema porque se o projeto sair do papel para a realidade será um desastre para a cidade e, diariamente um sofrimento para um milhão de pessoas, pelo menos, que se deslocam de um bairro a outro passando pelo centro. Não faz o menor sentido.

O parque urbano, como a rosa no asfalto de Drumond, paralisaria tudo. Comunicaria ou ficará o tráfego que vem da Praça Mauá e se dirige à Zona Sul ou ao outro extremo do centro? Teria que ser totalmente deslocado para o elevado da Perimetral ou para o mergulhão da Praça XV. Como ficaria o trânsito dos que se deslocam através da avenida Chile?

Como cruzariam a Rio Branco na esquina do Clube Naval para chegar à Almirante Barroso? A Alte. Barroso seria completamente anulada como artéria intermediária de acesso. O movimento de veículos que vem da Praia do Flamengo, extremamente sobrecarregado, seria todo deslocado para a Evaristo da Veiga para chegar à Rio Branco a partir da esquina do Teatro Municipal?

Estas colocações demonstram, de plano, a impossibilidade de tal projeto. Ele pararia a cidade. O refluxo de ônibus e carros seria colossal. Uma catástrofe. O custo, em tempo e poluição, seria imenso. Para que tentar uma impossibilidade e não procurar resolver as questões difíceis que envolvem o trânsito, mas que podem ser enfrentadas com uma racionalidade maior e melhor do que a atual. O caso dos ônibus por exemplo. Há ônibus demais, como todos sabem.

Um mistério, inclusive, pois trafegam vazios durante horas e horas. Poderiam ser reduzidos funcionando a plena carga nos períodos de rush. Isso de um lado. De outro, se a Prefeitura não quiser diminuir o número de ônibus em circulação, tem a alternativa de reduzir o número de paradas.

Há paradas em demasia, não só no centro, mas nos bairros, notadamente na zona sul. Paradas demais, como focalizou o Plano Doxiadis, governo Carlos Lacerda, 1962, representam ocupação maior de espaço de circulação. De 62 para cá são 47 anos. Uma solução simples. É. Mas nada foi feito.

Aliás –vale frisar- há administradores (assessores) que detestam soluções claras e simples. Se podem complicar, porque simplificar? Eles têm a visão distorcida pela sofisticação como se ela fosse sinônimo de capacidade técnica e cultural.

Quanto mais impenetrável o projeto, mais seus autores tentam falsamente se valorizar. Incrível isso. O prefeito, que já teve a idéia também absurda de demolir o elevado da Rodrigues Alves, e parece ter desistido em boa hora, deve agora desistir de mais um sonho. Ode criar uma Times Squire no Rio. E a Champs Elisée, maior pista central de Paris? É aberta ao trafego normalmente. Nem por isso a capital francesa deixa de ser fascinante, encantadora, moderna e também eterna.

Outro assunto. O governador Sergio Cabral sancionou a lei 5522, publicada no Diário Oficial de 27 de agosto, que assegura estacionamento gratuito para os motoristas com mais de 60anos de idade. Tudo bem no que se refere aos estacionamentos públicos.

Mas não pode valer, como o texto estende, aos parqueamentos privados operados por manobristas. Não faz sentido. Trata-se de um serviço e nenhum serviço pode ser gratuito.Usar um local público é uma coisa.Utilizar-se de mão de obra particular é outra. O governador precisa rever a lei.

Otimismo realista

Altair de Almeida
“Meus parabéns pelo artigo de hoje, e a afirmação de que jamais deixará de lutar pelo interesse nacional, contra a exploração internacional. Nós, seus leitores de sempre, sabemos disso. Só queria colocar uma questão: 200 anos de pré-sal abastecendo o Brasil e o mundo? Não é muito otimismo, meu caro?”

Comentário de Helio Fernandes
Nenhum otimismo, Altair, e sim realismo. Mesmo se fosse exagero no otimismo seria muito melhor do que o pessimismo. Mas veja você: o primeiro poço de petróleo foi aberto em 1860, na Pensilvania, pelo Coronel Drake. E ele nem sabia o que era, insuportável o cheiro.

Portanto se passaram 149 anos, já falaram muitas vezes que o petróleo estaria no fim. Só que cada vez descobrem mais e mais, sendo que a chamada camada pré-sal, é multiplicável por si mesma.

Querem ficar comprados, véspera de sábado, domingo e segunda sem jogo

Até às 14 horas quando posto estas notas e observações, surpresa: nas sextas-feiras os jogadores gostam de vender. Ainda mais quando tem o feriado de segunda da Independência que  não tivemos.

Abriu em alta, transcorreu em alta, e a esta hora é o melhor índice do dia. Faltam 3 horas, mas me dizem, que deve subir mais.

Abriu em mais 0,13%, ao meio-dia mais 0,60% e agora mais 1,20%, em 56.337 pontos. O volume na casa dos 2 BILHÕES, a mesma monotonia dos outros dias.

40 anos do sequestro do embaixador dos Estados Unidos

Foi um dos momentos mais extraordinários da luta contra a ditadura. Mas o que deve ser ressaltado, registrado e ressalvado, foi a SABEDORIA de sequestrar o embaixador mais importante de todos.

O sequestro certo do homem certo

Se tivessem feito a operação contra qualquer outro embaixador, não aconteceria nada. Mas os EUA, que diziam sempre, com arrogância, “não negociamos com terroristas ou sequestradores”, mudaram de posição, e trataram de libertar seu representante.

Ordens dos EUA contra a ditadura no Brasil

Vieram as ordens: “Cumpram todas as exigências, e IMEDIATAMENTE”. Primeira exigência, ler na televisão, o MANIFESTO ESCRITO E EXIGIDO PELOS SEQUESTRADORES. Foi lido em cadeia e repetido.

A troca dos prisioneiros pelo embaixador Elbrick

Os combatentes contra a ditadura e a tortura, não tinham noção da própria força, e principalmente da pressa que os EUA impuseram. Pediram a libertação de 39 prisioneiros, podiam ter pedido 100, conseguiriam. Só que estando em operação “de campo”, não podiam saber do que se passava nos bastidores. Mas foi uma notável vitória. (Exclusiva)

Cresce o desemprego no mundo

Hoje, nos EUA, dados publicados: “9,7% não conseguem emprego”. Abandonando os números ou transformando-os em pessoas, são 16 milhões que não conseguem trabalho.

A União Européia se mantém

Pelo menos, lá em vez de números dão logo tudo decodificado. E dizem: “Estamos com 18 milhões de desempregados”. Desde janeiro os cidadãos marginalizados se mantêm nesses 18 milhões.

No Japão

O desemprego vem subindo, e provocou a derrota do partido que estava há mais de 50 anos no Poder. Curiosidade: o desemprego aumenta, mas a economia cresce. Pouco mas cresce.

China e Brasil

Os dados da China são inimagináveis por causa do volume da população. No Brasil, perplexidade, indignidade e falta de credibilidade do Ministério do trabalho, divulga números totalmente falsificados. Impossível saber.

Palocci, o “curinga” assustado

Fui o primeiro a revelar: depois do julgamento do Supremo, o ex-Ministro da Fazenda seria nomeado Ministro da Coordenação, no lugar de José Múcio. Este vai para o TCU, (Tribunal de Contas da União) está querendo pressa.

A derrota irreversível

Registrei para que não houvesse dúvida: serão menos de 7 meses (Palocci como outros, escolhidos ou mesmo sem serem candidatos têm que sair em 31 de Março), tempo importante para a viabilidade de Palocci, e mais facilidade para transitar na Câmara e Senado. E até no Planalto-Alvorada.

A nomeação que não vai existir

A derrota de Palocci foi tão destruidora que arrasou com os “planos-planaltinos”. Os votos dos Ministros Carmem Lúcia, Ayres Brito, Marco Aurélio e Celso de Mello derrubaram Palocci, podem remetê-lo para Ribeirão Preto.

A estréia do Procurador Geral

Osvaldo Gurgel que fazia sua primeira atuação no cargo, marcou-a de forma indelével. Não há ponto do relatório, que possa ser chamado de insustentável. Tudo é minuciosamente detalhado, provado, comprovado, examinado, sustentado e apresentado.

A desistência de Lula

O presidente não tem ninguém para colocar no cargo de José Múcio, mas se assusta só com o vendaval de acusações que desabará sobre o ex e novamente (se tivesse ganho bem no Supremo) Ministro.

Para Palocci: “São Paulo nunca mais”

Nem Ministro, nem governador e muito menos presidenciável. Vindo de Ribeirão Preto mais do que chamuscado e sim inteiramente queimado, Palocci saiu (foi saído) completamente desfigurado.

Para onde irá Palocci?

Comprometeu o PT, no maior estado eleitoral do país, e precisamente onde ele está mais estraçalhado. Perdeu a prefeitura, perdeu o governo, não tem sequer um nome que possa usar para reconquistar o Palácio dos Bandeirantes.

O PT pode não eleger nenhum dos 2 senadores

Uma vaga será de Orestes Quércia, do PMDB. Nem se diga que Serra estará reabilitando o “disque Quércia para a corrupção”, pois muito antes foi o próprio Lula que chamou o “dono” do PMDB ao Planalto-Alvorada.

Alckmin ficará com a outra senatoria

Não acredito que Serra  e Kassab (os dois têm de ser citados sempre juntos) aceitem Alckmin como governador. “Concederão” a ele a vaga do Senado, com prioridade para Quércia.

E o stalinista Alberto Goldman?

Íntimos dele afirmam que não pretende ficar sem nada. A garantia de Serra, “no meu governo você será Ministro”, só vale se o ainda governador ganhar. E se perder? Por isso, Goldman quer ser senador, Serra teria que eleger 3 candidatos (Quércia, Alckmin e Goldman) para duas vagas.

Goldman se quiser será governador 9 meses

Sobre isso, nenhuma dúvida. É vice, assumirá. No governo, é confiável? É impossível confiar em stalinistas, todos, sem exceção mudaram de posição depois do 22º Congresso do Partido na União Soviética, quando Krushov destruiu a imagem do próprio Stalin.

São Paulo: alavanca e ponto de apoio

Não estou gastando espaço demais com nomes do estado. Quase todos os candidatos são de lá ou terão que ter repercussão lá. Ciro Gomes não é candidato, mas para ganhar as luzes dos holofotes, mudou o domicílio para lá. Não ganhou nada mas ficou em evidência. (Contra).

Marta e Mercadante marginalizados

Ela que foi prefeita derrotada no cargo, gostando ou não gostando tem cacife eleitoral. Não dá para ganhar nem ir para o segundo turno. E quem sabe ir para o senado? Mercadante, desprezado quando teve 6 milhões de votos, terá que lutar para obter 20 por cento, e perder.

PSDB e DEM, dominam São Paulo

Lula não precisa de palanque em lugar nenhum. Mobiliza, movimenta e maneja os 80 por cento das pesquisas. Mas qualquer que seja o seu candidato (se falharem as três POSSIBILIDADES que tem para permanecer) não terá palanque em São Paulo. Nem palanque nem votos. E até nem candidaturas.

A PETROSAL ABASTECERÁ O MUNDO POR 200 ANOS

Sobrarão CAPITAIS progressistas para a Petrosal, as dúvidas são das empresas GLOBALIZADAS, que espalham terror a respeito da falta de dinheiro. Só elas teriam possibilidade para investir

A velocidade com que discutem ou equacionam a questão da Petrosal e o “risco” que a Petrobras correria, é uma campanha dirigida pelo que chama de “empresas tradicionais de petróleo”.

Primeiro esclarecimento: o assunto Petrosal está sendo tratado como se o produto extraído dessa formidável profundidade estivesse no mercado amanhã de manhã ou mais tardar na próxima semana. Podem estabelecer prioridade em torno de 10 anos o que não é nada condenável em termos de países.

Outro fato ainda mais importante e que deveria ser submetido a um debate público, (mas verdadeiramente público e não restrito aos que ganham fortunas, pessoalmente). Esse MARCO REGULATÓRIO está indo no caminho certo? Ou trabalham com hipóteses desconhecidas ou inteiramente comprováveis?

Algumas perguntas, que acredito, ainda estão longe de qualquer resposta. 1- Qual será o custo da extração de cada barril do Petrosal? 2- Em quanto estará o preço do barril para venda, quando o produto do Petrosal estiver no mercado?

3- Por que essa insistência de que só empresas tradicionais, (Esso, Shell, Texaco e todas as globalizadas) podem financiar a Petrosal e consequentemente a Petrobras? 4- Como podem com tanta antecedência garantir o estoque dessa ainda não desvendada Petrosal?

5- Existem empresas financeiras no mundo (dezenas e dezenas) que só se interessam no lucro a longo prazo, pois são ligadas a Fundos de Seguro e de Aposentadoria. 6- Essas nem querem saber de petróleo, seus clientes precisam de garantias, por isso são TOMADORES de bônus de 30, 40 e até 50 anos, só trabalham a longo prazo.

7- O governo tomou duas decisões, que surpreendentemente merecem aplausos deste repórter, não muito disposto a aplaudir. Capitalização de 50 BILHÕES de dólares, e domínio ESTATIZADO desse petróleo.

8- A China, que tem hoje TRILHÕES para investir, e precisa PERMANENTEMENTE de petróleo, pode fazer investimentos sem se preocupar de modo algum com a administração da Petrosal e da Petrobras.

9- A exigência da China será unica e exclusivamente de garantir PRIORIDADE para a compra desse petróleo. Qual o problema?

Um dos maiores especialistas do mundo, garantiu: “As reservas da área Pré-sal, serão no mínimo de 80 BILHÕES de barris”. Retirando 1 milhão de barris por dia, serão 360 milhões por ano, 3 bilhões e 600 milhões em 10 anos. 36 bilhões em 100 anos, 72 bilhões em 200 anos. Sem contar a produção da Petrobras.

***

PS- Defendo a Petrobras há 50 anos. Não tenho todo esse tempo disponível. Mas ninguém duvide: indo do São João Batista para a cremação, (com todos os meus órgãos doados) ainda encontrarei uma forma de demonstrar que o PETROSAL É NOSSO.

PS2- Continuarei fazendo o que sempre fiz: DEFENDER o interesse nacional, e CONTRARIAR as obscenas multinacionais.

Visão distorcida

General Luiz Gonzaga S. Lessa

É estarrecedor como a nossa política exterior vem sendo conduzida de forma a procurar intrigar os negócios com a Colômbia e mesmo comprometê-la a nível continental, constrangendo-a na sua decisão soberana de ceder bases aos EUA com o objetivo de prosseguir no seu vitorioso combate às FARC  e ao tráfico de drogas. Estamos  violando até mesmo um dos  alicerces básicos da nossa  diplomacia: a não interferência nos assuntos internos dos países com os quais nos relacionamos.

A despeito da visita do Presidente Uribe  ao país dando as suas explicações, parece que Lula e o seu ministro de relações exteriores não se satisfizeram com as razões apresentadas, motivando-os a convocar uma extemporânea reunião da UNASUL para tratar do assunto que, antes de resolver e aparar as diferenças, quase levou ao rompimento dos laços diplomáticos entre Colômbia e Venezuela.

Totalmente fora da realidade do jogo político mundial, e de forma até presunçosa, convidou-se( ou intimou-se?) o Presidente Obama  para comparecer ao infausto fórum para ouvir e dar explicações.

No fundo, manifestamos novamente o nosso servilismo e a nossa incapacidade de resolver os problemas hemisféricos sem a presença do irmão do norte, que, de forma explícita, foi alijado de integrar a nascente UNASUL. A bem da verdade, não se sabe a que ela se  destina, quando é integrada por países que guardam entre si  marcantes diferenças ideológicas  e históricas rivalidades e antagonismos. Muito longe da união o que se prega e se pratica é a desunião.

Bem fez Obama em não comparecer ao evento de Bariloche e de Uribe impor condições para a sua presença, exigindo que não fossem tratados apenas os assuntos correlatos à cessão de bases, mas, também, temas mais amplos de segurança continental envolvendo as FARC e os apoios a ela dados pela Venezuela e Equador, o tráfico de armas, a abertura de portos venezuelanos aos navios de guerra russos  e as manobras com eles realizadas  e, até mesmo, as recentes iniciativas do rearmamento brasileiro.

Todos, assuntos muito pertinentes a um debate franco e leal no âmbito da UNASUL. Querer, como Venezuela, Equador, Bolívia e até mesmo o Brasil pretendem, uma reversão do acordo Colômbia-EUA, além de irrealista, é uma evidência de miopia diplomática, que só o tônus ideológico do nosso chanceler de fato, o Sr Marco Aurélio Garcia, pretende alimentar.

Enquanto estamos com as nossas atenções voltadas para a fronteira norte vemos o Itamaraty sendo paulatinamente superado pelas ações dos EUA no cone sul, área das mais sensíveis e do tradicional interesse e influência brasileiros.

Notícias pouco divulgadas, diria até mesmo negadas à imprensa, não despertam a atenção para o que lá vem ocorrendo e deixam a nossa diplomacia em situação bastante embaraçosa, para se dizer o menos.

À medida que equacionam os seus grandes problemas no Oriente Médio e definem as suas políticas para o Iraque e Afeganistão, os EUA voltam as atenções para a América Latina,  retomando as suas prioridades para o Cone Sul, onde, de há muito, procuram estabelecer relações privilegiadas com a Argentina e o Paraguai, com uma projeção de poder que vai muito além das preocupações com a Tríplice Fronteira.

O foco aparente dessa influência tem levado os EUA a se tornar um ativo participante na solução dos problemas que afetam a área fronteiriça Brasil-Argentina-Paraguai, levando-os a integrar, em 2002, como conseqüência dos atentados às torres gêmeas de 11 de setembro de2001, o quase  desconhecido acordo denominado “Mecanismo 3+1 de Segurança na Tríplice Fronteira”.

Na prática, essa integração se traduziu como o nosso reconhecimento cabal de que naquela área sensível se desenvolviam atividades ligadas ao terrorismo internacional, promovidas pelo Hezbollah e Hamas, acusação de que até hoje não se afastaram os norte-americanos e que sempre foram negadas por nós brasileiros.

Esse problema se revestiu de tanta gravidade que a região integrou uma lista de alvos para possível bombardeio, alvos definidos pelo general da Força Aérea Americana Charles Holland, a pedido do então Secretário de Defesa Donald Rumsfeld. Provavelmente, o bombardeio  não se materializou porque os militares americanos disseram não possuir “inteligência acionável” nos alvos propostos.

Em 2006, o Itamaraty anuncia a criação e o funcionamento em agosto do mesmo ano do Centro Regional de Inteligência(CRI) na Tríplice Fronteira, em Foz do Iguaçu, parceria entre Brasil, Argentina, Paraguai e EUA, para combater “atos ilícitos” “por meio do aumento da cooperação entre os organismos de segurança pública” dos referidos países.

A posse de Barack Obama não aliviou as preocupações dos EUA sobre a Tríplice Fronteira. Denis Blair, Diretor Nacional de Inteligência, em sua audiência no Senado Federal, em 12 de fevereiro de 2009, afirmou que  o “Hesbollah tem há muito mantido a sua presença na região….onde é notória a presença de narcóticos e tráfego de armas”.

Embora admitindo alguns progressos, o Relatório sobre Terrorismo, 2008, apresentado ao Senado dos EUA e publicado em abril do corrente ano, enfatiza que a corrupção, a falta de coordenação entre as diferentes organizações, a baixa prioridade na alocação dos recursos e a ausência de legislação apropriada  comprometeram a adoção de eficientes medidas no combate ao terrorismo.

Em particular, realça  que no Brasil a falta de leis que estabeleçam claramente os crimes de terrorismo e de lavagem de dinheiro veem dificultando combatê-los com eficiência e oportunidade.

Mas as ações dos EUA no Cone Sul vão muito além das suas preocupações com terroristas. Não é de hoje que buscam estreitar suas relações com a Argentina e o Paraguai, ameaçando a natural liderança brasileira na região.

Em 2002, o presidente da Argentina, Eduardo Duhalde,  autorizou a entrada no país  de tropas de  forças especiais,  do Comando Sul dos EUA, para atuarem nas províncias de Salta e  Misiones, fronteira com o Brasil, em manobra conjunta com o  seu exército.

Interessante notar que a autorização do congresso só foi concedida um mês e meio após o efetivo desembarque dos militares americanos em solo argentino. Na época, tanto  o nosso  Ministério da Defesa  como o Itamaraty evitaram comentar sobre  os exercícios na fronteira.

Tradicionalmente, as relações diplomáticas entre o Paraguai e os EUA têm sido muito cordiais. Todavia, nos últimos anos, os laços se estreitaram ainda mais, com a celebração de acordos militares que não podem passar despercebidos pelo Brasil.

Durante o governo do presidente Alfredo Stroessner, com o apoio técnico dos norte-americanos e mão-de-obra local, foi construída uma grande base aérea em Marechal Estigarríbia, no Chaco paraguaio, distante cerca de 200 km da fronteira boliviana, que, pela sua desproporção em relação à força aérea do país, ainda hoje dá margem a muitas especulações.

A base permite a operação com grandes aeronaves, dispõe de um complexo sistema de radar e de uma torre de controle,  possui enormes hangares e pode alojar até 16000 homens nas suas instalações. Sua pista é maior do que a existente no aeroporto internacional de Assunção. Sua localização, de alto valor estratégico, permite-lhe operações contínuas ao longo de todo o ano pelas condições meteorológicas favoráveis, possibilitando-lhe conduzir ações em toda a América do Sul e cobrir os eixos marítimos do extremo sul do continente.

Nunca é demais lembrar a sua proximidade da tríplice fronteira, das grandes reservas de gás bolivianas e do imenso reservatório de água do Aqüífero Guarani.

Em 2006, com a aprovação do senado e a convite do presidente Nicanor Duarte, 500 militares integrantes das forças especiais do exército americano, com aviões, armamentos e munições desembarcaram em Marechal Estigarribia para, supostamente, realizarem operações humanitárias e de ação cívico-social junto à população pobre da redondeza. Às forças americanas foram concedidas imunidades, tanto face à justiça local quanto à jurisdição da Corte Criminal Internacional.

Por mais que os fatos digam o contrário, autoridades negam a existência de base americana em solo paraguaio.

Altamente preocupantes são as evidências da instalação de um Centro de Comando e Controle – C2 – na embaixada americana em Assunção, com a finalidade de colher e analisar informações e se opor a qualquer atividade que ponha em risco a segurança dos EUA.

A instalação de tal centro revela a alta prioridade que os EUA, no momento, conferem ao Paraguai e se constitui em ameaça velada aos países do cone sul, dada a incerteza das ações que dele podem se originar. Com ele, a lacuna de “inteligência acionável” deixa de existir. Difícil é entender  o mutismo da nossa diplomacia com tão grave situação.

Mais recentemente, em abril do corrente ano,  o deputado Eliot Engel, que preside o Sub-comitê  para a América Latina e o Caribe, na Câmara dos Representantes dos EUA, apresentou um projeto de lei para incluir o Paraguai na lei de Preferências Tarifárias Andinas e Erradicação de Drogas, que permitirá ao país exportar para os Estados Unidos livre de taxas.

Um duro golpe no Mercosul, após todas as benesses que o Presidente Lula concedeu nas tratativas referentes às mudanças no Tratado de Itaipu. O deputado, referindo-se ao Presidente Lugo, ressaltou que ele “já é um bom amigo e um importante aliado”. Mais uma vez,como fica a nossa diplomacia, ministro  Celso Amorim?

Enquanto todas as atenções parecem voltadas para as bases americanas na Colômbia, onde são justas as nossas preocupações face às ameaças potenciais que elas podem representar para a Amazônia brasileira,   a despeito das declarações de autoridades estadunidenses de que elas não serão utilizadas para conduzir operações fora do território colombiano, os Estados Unidos da América, silenciosamente, sem alarde,  veem impondo uma sólida e preocupante presença no Cone Sul, que rivaliza e tenta limitar a natural influência brasileira sobre essa região, historicamente, foco da mais  alta prioridade da nossa  diplomacia.

Com as bases ao norte e ao sul, fecha-se um perigoso arco de pressão e influência dos Estados Unidos sobre a América do Sul, o que, até então, eles não haviam logrado alcançar.

Francenildo, a vitória (e não a derrota) no STF

Pedro do Coutto

Não há motivo concreto para que a opinião pública, como alguns jornais colocaram, identifique no julgamento do Supremo tribunal Federal uma derrota do caseiro Francenildo Costa na ação movida pelo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, contra o ex ministro Antonio Palocci e o ex presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Matoso.

Ao contrário. Francenildo, ao contrário até do que ele próprio pensa, foi vitorioso na questão, iniciada pelo ex Procurador Geral Antonio Fernando de Souza, e completada por seu sucessor. A melhor matéria publicada na imprensa, sem sombra de dúvida, foi a da repórter Mariângela Gallucci, O Estado de São Paulo, edição de 27 de agosto. Por que Francenildo Costa foi vitorioso e com ele o sentimento eterno de justiça que, haja o que houver como colocou há algumas décadas o jurista e cineasta André Cayatte, sempre predomina no campo da ética?

No caso Francenildo,mais do que isso, porque um simples caseiro levou um ex ministro da Fazenda a ser julgado por violação de seu sigilo bancário na Corte Suprema do país. Na ocasião, o episódio culminou com a demissão de Palocci e de Matoso, através de decretos do presidente Lula. Esta escala de consequência já representa muito, como todos hão de concordar. Mas oi processo não termina aí.

A matéria de Mariângela reproduz pontos da defesa de Jorge Matoso pelo advogado Alberto Zacarias Toron. Em vez de defesa, são, na realidade, uma verdadeira e total confissão. E com ela a ação penal contra o ex ptre4sidente da CEF continua, agora na Justiça comum, pois não tem ele, ao contrário do ex titular da Fazenda, direito a foro privilegiado.

Mas vamos ver o que disse Zacarias Toron. Simplesmente que Matoso percebeu uma movimentação suspeita na conta bancária de Francenildo e, por isso, determinou uma “verificação de dados”. Francenildo tinha um salário de 400 reais por mês (valor de 2006) e, de repente, apareceu com um depósito de 40 mil reais.

Por coincidência, não mais que uma coincidência, o caseiro havia revelado a presença de Palocci numa residência de Brasília, onde havia reuniões freqüentes reunindo muitas pessoas. E daí? Se as reuniões eram normais e cordiais, que mal existia nisso? Qual o porquê de preocupação? Mas o fato é que as palavras do caseiro abalaram o governo e sensibilizaram o país. Refletem-se até hoje. Basta ver o espaço que o julgamento de quinta-feira ganhou nos jornais e nas emissoras de televisão.

Da decepção à alegria. Vencida a primeira etapa o julgamento, certamente, penso eu, a decepção e a tristeza de Francenildo transformaram-se em entusiasmo e alegria. Ele foi vitorioso. Não perdeu. Venceu. Para os que tiveram dúvida, basta examinar as alegações do advogado de Jorge Matoso, que disse textualmente ter o seu cliente agido por conta própria, não por ordem de Palocci. E destacou como disse há pouco, ter suspeitado do saldo na conta do caseiro.

Ora, além da violação do sigilo bancário sem qualquer ordem judicial, o que já desclassifica a iniciativa, tal argumento somente poderia ser válido se o ex presidente da Caixa agisse da mesma forma em todos os casos suspeitos com que se deparasse. Isso aconteceu? Jamais. Então, porque a preocupação singular com o saldo de Francenildo e não em relação a milhares de depósitos repentinos e de algum vulto. Por sinal, o de 40 mil reais é, efetivamente, um pequeno valor, uma gota d’água no oceano, como se dizia. Jorge Matoso, eis a vitória definitiva de Francenildo, será julgado pela Justiça comum.

Na qualidade de réu confesso, como lhe imputou seu próprio advogado de defesa. Ao Ministério Público, em cujas mãos o processo segue, é apenas suficiente transcrever as afirmações de Zacarias Toron e pedir outros exemplos do zelo revelado por Matoso quanto a Francenildo em relação a outras contas cujos saldos possam tê-lo surpreendido. Matoso selou sua própria derrota. Não há saída.

Chama-se Antônio, não Cristiano

Carlos Chagas

Cauteloso, Antônio Palocci não colocou o bloco na rua, depois de absolvido pelo Supremo Tribunal Federal. Nem mesmo comemorou a decisão. Manteve-se em cone de sombra e não admite de público que disputará o governo de São Paulo. Argumenta que muita conversa se tornará necessária para o PT tomar a decisão.

Não obstante a competência demonstrada, é claro que se Palocci ainda não é,  logo será a solução dos companheiros para tentar atingir os tucanos no meio do ninho.  Nada pior para José Serra do que disputar a presidência da República com a porta dos fundos arrombada, ou seja, inclinarem-se as chances e as pesquisas para a candidatura do ex-ministro da Fazenda ao palácio dos Bandeirantes.

Importa menos se o presidente Lula ainda pensa em aproveitar Palocci no ministério,  porque tornando-se candidato ao governo paulista, teria de desincompatibilizar-se até 31 de março do próximo ano. Seria tido como “Antônio, o Breve”, no ministério da Coordenação Política ou em outro qualquer.

Quanto a substituir Dilma Rousseff como solução governamental e petista à presidência da República, nem pensar. Qualquer obstáculo eleitoral ou de saúde  diante da  candidatura da chefe da Casa Civil só será afastado a  dinamite. Traduzindo: não há substituto para Dilma, dentro da normalidade institucional. Ninguém no PT, nem mesmo Palocci, apresentaria performance  melhor do que a dela, na disputa pelo palácio do Planalto.  Caso a candidata  não emplaque, deve o país preparar-se para ver o poder transferido para José Serra ou para o inusitado.  A segunda opção envolveria a continuação do presidente Lula, sabe-se lá porque artifícios constitucionais.

Fala-se que o deputado agora absolvido chama-se Antônio e não Cristiano numa referência às lições do passado. Em 1950 o  então PSD, maior partido nacional, muito maior do que é hoje o PMDB, lançou a candidatura presidencial do correto deputado Cristiano Machado. Só que as bases do partido, e mais a maioria do eleitorado, ficou com Getúlio Vargas. Daí o termo “cristianizar”, que os jovens de hoje ignoram. Não dá para substituí-lo por “antonizar”…

A busca da verdade real

Na sessão de quinta-feira do Supremo Tribunal Federal o ministro Marco Aurélio Mello sustentou em seu voto a necessidade da busca da verdade real. A mais alta corte nacional de justiça não passou por perto. Porque mesmo livre  das acusações de haver determinado e mandado divulgar a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, fica evidente que Antônio Palocci teve conhecimento prévio  da  ilegalidade praticada sob a direção do então presidente da Caixa Econômica e nada fez para impedi-la ou, então, puni-la.

Outra face da verdade refere-se ao caseiro. Maior de 21 anos, durante toda sua infância e juventude comeu o pão que o diabo amassou e não recebeu um único centavo de ajuda por parte de seu pai biológico. Como, de repente, o insensível empresário se vê acometido de um ataque de consciência e  manda depositar 34 mil reais na conta do filho desprezado?  Por coincidência, foi  na mesma semana em que Francenildo  começava a denunciar Palocci como freqüentador de uma casa suspeita. Apesar da  operação bancária perfeita,  as origens do dinheiro  compatibilizam-se com a verdade real?

Baixarias em   profusão

Não tem jeito, mesmo, o Senado Federal, onde o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera. Na sessão de sexta-feira empenhou-se o senador Mario Couto, do PSDB do  Pará, numa catarata de agressões virulentas  ao diretor-geral do DNIT, Luis Antônio Pagot, adjetivos que nem vale à pena repetir aqui. O grande final do discurso,  porém, faria corar um frade de pedra, se ainda existissem frades de pedra.

O orador lembrou que na segunda-feira Luis Antônio Pagot, suplente do senador Jaime Campos, do DEM de Mato Grosso, assumiria a cadeira por licença do titular. Se isso acontecesse, iria desafiá-lo, sabe-se lá com que armas, olho no olho, porque o futuro senador, para Mario Couto, “era um cara-lambida sem vergonha na cara”. Esses foram  os termos  publicáveis  utilizados pelo representante do Pará, irritado com a atuação do DNIT em seu estado. É bom o presidente José Sarney mobilizar a segurança do Senado.

Desistiram?

Corre em Brasília  que tanto o governo quanto os líderes de entidades de aposentados estariam  pensando em  arquivar a proposta de reajuste dos vencimentos da categoria em função do crescimento do  Produto Interno Bruto. Se verdadeira a informação, haverá que celebrar, pois nada mais estúpido do que essa sugestão.  Já pensaram se a crise econômica continua ou até recrudesce, e se o PIB torna-se negativo? Os aposentados teriam reduzidos seus vencimentos, precisando pagar a diferença  aos cofres públicos? Mesmo na hipótese de o PIB apenas  não crescer, ficarão os aposentados sem reajuste?  Já foi dito, mas é preciso repetir: o saco de maldades da equipe econômica não tem fim.

O malabarismo de Sergio Cabral não facilitou seu futuro eleitoral

Está assustado. Fingiu (tudo nele é fingido) ser grande amigo de Lula, o presidente acreditou, não conhece bem o governador.

Surgindo diversos candidatos ao seu cargo, Serginho Cabralzinho filhinho, mudou o modelo de “bom companheiro”, patrocinou um show pirotécnico, para que depois o presidente Lula desse a compensação, que confessa modestamente: “Fiz por merecer”.

Durante muito tempo achou que seria candidato único, ou que fosse enfrentar Dona Denise Frossard, como aconteceu no segundo turno de 2006.

Logo, logo surgiram Gabeira, Garotinho, Lindberg.  Zito, grande eleitor da Baixada, não votará com ele. O que fazer? Confrontar o presidente Lula, para que diminua o número de candidatos. Não dá, Serginho. O Gabeira seria senador certo, resolveu arriscar. Mas “duro de matar” é o Garotinho, espera só.

Tênis: Aberto de Nova Iorque, Safina, Dementieva, Serena e Venus Williams

Número 1 do mundo, sofreu barbaramente, igual ao primeiro jogo. Dá razão às Williams, “quem não ganhou Grand Slam, não pode ser número 1”. E pelo jeito não ganhará nesse.

Dementieva foi protagonista contra ela mesma: perdeu para Oudin, americana de 17 anos, que não tem nem ranquing. Entrou com a coxa enfaixada, teve que reforçar as dores, irresistíveis.

Serena e Venus Williams, altivas e altaneiras, só poderão se enfrentar na final, rotina na carreira vitoriosa das duas. (Exclusiva)