Em Minas, desaba a coligação PT-PMDB

Pedro do Coutto
Reportagem de Adriana Vasconcelos, publicada em O Globo de 14 de abril, revela com nitidez a inviabilidade da coligação PT-PMDB em torno da candidatura Dilma Roussef vir a funcionar em Minas, também a nível estadual. Hélio Costa, candidato a governador pelo PMDB, queixou-se frontalmente da decisão assumida pelo PT de realizar uma prévia entre o ex-prefeito Fernando Pimentel e o ex-ministro Patrus Ananias para ver qual dos dois será o candidato da legenda ao Palácio da Liberdade nas urnas de outubro.

O ex-ministro das Comunicações sentiu-se traído, embora a divisão já estivesse mais do que prevista. Os dois partidos apóiam Dilma, mas em Minas – pelo que destacou a reportagem – um deles disputa com Hélio Costa, o outro com Pimentel ou Patrus. Claro. Por que motivo o PT deveria abrir mão da possibilidade de eleger o governador quando possui em seus quadros dois postulantes fortes, a meu ver especialmente Fernando Pimentel? O panorama mineiro inclusive é favorável à disputa, uma vez que as eleições são em dois turnos. Antônio Anastasia, candidato de Aécio Neves, Hélio Costa e Fernando Pimentel ou Patrus Ananias, dois deles vão se classificar no primeiro e decidir o pleito no desfecho final do segundo turno.

Sem uma candidatura própria, sobretudo tendo chance de vitória, o PT perderia a motivação para entrar na campanha da candidata do presidente Lula. No caso, assim, não existe traição, apenas uma consequência lógica do balanço de forças existente. Um roteiro para o PMDB, outro caminho para o PT. Tal solução só contribui para fortalecer Dilma, cuja candidatura para o Planalto, é claro, é mais importante que a de Hélio Costa para governador. Em síntese, Lula não conseguiu, talvez sequer tenha tentado conter o ímpeto de sua legenda na terra de Tiradentes.

Política é assim mesmo. Adriana Vasconcelos apontou paralelamente dificuldades de a aliança PMDB-PT se manter, não só em Minas, mas também no Rio de Janeiro, na Bahia, no Pará, no Maranhão e na Paraíba. Isso, por enquanto, já que o número de divisões regionais tende a crescer. A repórter esqueceu o Rio Grande do Sul, estado e que o PT, com Tarso Genro, PMDB com José Fogaça, se enfrentam numa luta equilibrada. Lá encontra-se o exemplo mais forte do não funcionamento estadual da coligação projetada para o plano nacional. O mesmo acontece na Bahia, onde o governador do PT, Jaques Wagner, disputa a reeleição contra o ex-ministro Geddel Vieira Lima.

No Rio de Janeiro, a divisão já se consolidou para o Senado, com o presidente Lula apoiando Marcelo Crivella, que é do PRB, e Lindberg Farias, do PT, contra Jorge Picciani, do PMDB, apoiado diretamente pelo governador Sérgio Cabral. Há ainda a questão controvertida para definir se Dilma Roussef sobe no palanque de Anthony Garotinho, ou cede à ameaça de rompimento colocada por Sérgio Cabral e somente aparecerá a seu lado no Rio de Janeiro. Uma aliança exclusiva, como exige o governador. É muito difícil que isso se concretize. Tanto a exclusividade quanto a ruptura, pois neste caso o maior perdedor seria Sérgio Cabral, que, sendo do PMDB, não tem condições de deslocar seu apoio para José Serra.

Serra, por seu turno, enfrenta a divisão que está ocorrendo na aliança de Fernando Gabeira com o DEM, o PV e o PPS, já que PSDB aceita, mas o PV e o PPS rejeitam a presença de César Maia na chapa para o Senado. Se esta crise não se resolver, levando Gabeira a abandonar a disputa pelo governo, a candidatura do ex-governador de São Paulo é quem fica sem palanque algum no terceiro colégio eleitoral do país. Coligação nacional é uma coisa. Coligações estaduais são outra muito diferente.

Maníaco e assassino tem é que ficar preso

Vicente Limongi Netto:
“É absurdo que condenados a 14 anos sejam libertados depois de cumprir apenas quatro anos. Ainda mais grave quando o condenado é pedófilo e assassino. Discordo da surradas alegações de que o apenado merece nova chance, que é doente, que precisa de assistência médica. Não! Os monstros, como o canalha que matou seis jovens em Luziânia, merecem pena de morte ou prisão perpétua. Mas que mofem de verdade na cadeia. Sem essa de merecer a liberdade depois de cumprir um mísero tempo de pena”.

Comentário de Helio Fernandes:
Certíssimo. Esse pedófilo criminoso execrável, foi solto, no dia seguinte (isso mesmo, dia seguinte) começou a matar os seis jovens. Onde estão agora as autoridades, os psiquiatras e psicanalistas que achavam que ele estava em condições de viver em liberdade? E os pais desses jovens? Na televisão, o ministro Gilmar Mendes não soube explicar a libertação.

Asilados, exilados, fugitivos, turistas, guerrilheiros. O tumulto vernacular, a interpretação de má fé. Por que esqueceram Jango?

O assunto ganhou dimensão e propensão, depois da entrevista inútil, desnecessária e até depreciativa para ele mesmo, (que não merecia) e não ocupou a chefia do CODI-DOI, depois DOI-CODI, na fase da luta armada (até 1974). E obteve repercussão com interpretação tatibitati de Dona Dilma, pré-candidata, que se julga mais do que candidata e sim presidente eleita. (O general Leônidas tentou criar fatos que não penetraram, mas de qualquer maneira é um participante).

Os jornalões e televisões, presos (nenhuma intenção) ao assunto único da sucessão de Lula, deram grandes espaços, mas como sempre, erráticos, desinformados e esquecidos, no plano vernacular, político, e desprezando a competência de muitos.

Quero chamar atenção aqui, para o fato de todos terem citados Arraes, Prestes e Brizola (três casos ou definições inteiramente diferentes), e nem dado uma palavra sobre João Goulart. Este era o presidente deposto, logicamente não podia ficar no Brasil.

Jango não se enquadra nas cinco definições do título destas notas, tentou ficar no Brasil, foi do Rio para Brasília, de lá para o Rio Grande, e só então, quando “a presidência fora considerada vaga”, atravessou a fronteira. Já os três citados têm e sempre tiveram situação inteiramente diferente.

Luiz Carlos Prestes – Viveu sempre na ilegalidade, liderou a coluna histórica que leva seu nome, não quis chefiar a “revolução” de 30, pretendia que não tivesse aspas, lançou o Manifesto Comunista de 1932, foi para a União Soviética.

Voltou em 1935, realizou a única Revolução verdadeira do Brasil, queria, abertamente, que mudasse a forma de governo, e a produção e distribuição da riqueza, Mas sem recursos, sem quadros, sem organização, foi facilmente derrotado e logo a seguir preso por 9 anos, sendo que de 1936 a 1940, foi o homem mais torturado da nossa História.

Em 1964 já estava preparado, conhecendo como ninguém os caminhos da clandestinidade, (não fez outra coisa a vida toda) foi embora sem qualquer trauma ou obstáculo, nem foi procurado, sabiam que estava longe.

Miguel Arraes – Comunista aberto e declarado, nessa condição foi eleito prefeito do Recife e depois governador de Pernambuco, (único estado onde isso podia acontecer) teria que ser o primeiro atingido.

Como a “revolução” se dizia anticomunista, (e o general Leônidas garantiu isso várias vezes na entrevista monótona e desinteressante), foi retirado do governo logo no dia 1º de abril.

Ficou ali perto, mandado para Fernando de Noronha, (que pertencia a Pernambuco), onde ficou 60 dias, junto com o também governador Seixas Dória. Não sabiam o que fazer com Arraes. Livre? Impossível. Preso e transformado em mártir? De jeito algum.

Então, um dia, chegou em Fernando de Noronha um general de patente valiosa, com uma proposta enviada e referendada pelo alto escalão.

A proposta: seria solto imediatamente, iria para o Recife, teria uma semana para ir viver no exterior, no país que escolhesse. Seu passaporte seria visado sem obstáculos nem restrições. Lógico, Arraes não poderia recusar, deixaram bem claro: “Não nos responsabilizamos pelo que acontecer se o senhor ficar no Brasil”.

Arraes escolheu a Argélia, não houve nem consulta, o país vivia sob ditadura comunista, comandada pelo “camarada” Boumedienne. Recebido com honras e foguetório, passou a ser considerado “vice-rei” da Argélia.

Entrou no mundo dos negócios, ganhou muito dinheiro, passou a perseguir os brasileiros que chegaram antes e depois dele. De tal maneira que tiveram que ir embora. Não existiam mais condições de ficarem lá. O primeiro a sair foi Marcio Moreira Alves, o grande perseguido de 1968, que se enquadra em quase todas as categorias: exilado, asilado, perseguido e até FUGITIVO, no sentido positivo, pois sua saída do Brasil, no dia 13 de dezembro de 1968, uma aventura em muitos episódios, pois para ele, fecharam todas as fronteiras.

Algum tempo depois, derrubado Boumedienne, comunista, ditador e negocista, (nem sempre divergentes, muitas vezes convergentes) veio outro do partido, o Poder de Arraes aumentou. (Há um excelente filme francês sobre a derrubada e o assassinato, mais tarde, de Boumedienne. O ator Jean-Louis Trintignant fez o papel principal).

Um dos perseguidos por Arraes foi seu adversário Francisco Julião, que teve que abandonar o país. Antes de 1964, Arraes já combatia Julião. Quando este criou as bravas Ligas Camponesas, Arraes lançou os Sindicatos Rurais, represália contra Julião, retrocesso para o povo pernambucano.

Continuou a carreira política e eleitoral, nenhum contratempo, os anos de estadia fora do país, descanso e regalia. Voltou, queria tudo, como sempre, não concedia nada.

Leonel Brizola – Era o grande inimigo da “revolução”, pode ser dito que foi feita contra ele. Não esqueciam de 1961, da “renúncia” de Janio, que com apoio dos militares queria voltar (ou continuar, a mesma coisa) com plenos Poderes.

Os militares tomariam o Poder nesse 1961, sem as dificuldades e os desgastes de 1964. Mas Brizola não deixou. Atraiu o general Machado Lopes, comandante do III Exército, e como os generais só tentavam qualquer golpe com a união dos Quatro Exércitos, “evoluíram” para o Parlamentarismo com Tancredo Neves. Só que não esqueceram de Brizola.

Este foi embora, (não há denominação que caiba no figurino de Brizola ou se ajuste ao seu tamanho), foi para o Uruguai. Ficou em Montevidéu, deu entrevista proibida pelo Tratado de Exílio, os generais brasileiros pediram aos generais uruguaios que punissem o ex-governador brasileiro.

Foram atendidos. Assim, o exilado Brizola, foi novamente exilado, obrigado a viver em Atlântida, a 120 quilômetros de Montevidéu. Nessa época eu não conhecia Brizola. Em 1979, voltando ao Brasil, aparece no dia seguinte na Tribuna, me diz: “Minha primeira visita tinha que ser para você, tua resistência no Brasil, é um marco e um fato histórico”.

Ficamos amigos, Lacerda morrera em 1977, tinha que escrever artigo sobre ele, saiu, mas todo riscado e censurado. Um dia, ou melhor, numa noite de conversa e “café gaúcho”, que eu nunca experimentara, confessou: “Não queria sair do Brasil como você, mas as informações é que seria assassinado, ameaças que você também recebeu”. Tudo verdade.

Em 1966, Lacerda foi a Montevidéu encontrar João Goulart para assinarem o Manifesto da Frente Ampla. Eu ia com ele, fui impedido. Lá, a primeira pergunta de Jango: “Governador, o Helio Fernandes não vinha com o senhor?”. Lacerda contou o que acontecera, Jango respondeu: “Aqui, nossa satisfação pela manhã, é a chegada dos exemplares da Tribuna, que são devorados por todos”.

***

PS – Definida a participação de Brizola, Arraes e Prestes, lavrado meu protesto sobre o esquecimento de Jango, confinado ao ostracismo histórico, tenho que interromper as lembranças.

PS2 – É tudo histórico, são tantos personagens, que ficaria ainda mais longo do que ficou. A História vivida e contada, inteiramente diferente da que é arrancada e desfolhada dos jornais da época, mostrada como autêntica.

Amanhã:

A definição do que é EXILADO e ASILADO, as outras denominações
que surgiram, (longe do Aurélio ou do Houaiss), as falas obtusas de Dona Dilma, absurdas do general Leônidas. Os dois podiam ficar em silêncio.

Liquidando FHC

A maior dúvida-quase-certeza sobre o ex-presidente, veio do amigo (?) e participante de seu governo, José Serra. Afastou-o simplesmente com a afirmação: “Ex-presidentes, depois de 2 mandatos, devem ficar distantes”. Isso não afasta a possibilidade de FHC ir para a ONU, mais distante, impossível.

Serra estaria querendo atingir
Lula, com “dois mandatos”?

Como não citou nomes, adora o anonimato, a interpretação de Brasília é outra. A advertência seria para o atual presidente e não para o antecessor. Em matéria de Serra, tudo é possível.

Proibir o cigarro, só
fechando as fábricas

Carlos Chagas diz que Serra (finge) proíbe fumar, mas não tem coragem de fechar as fábricas. Isso sim, teria efeito suspensivo. Muito justamente impedem o crack, mas permitem o cigarro, que não é craque em coisa alguma. Perdão, só na morte.

Requião, atento
ao cargo de vice

Desistiu da candidatura a presidente, mas ainda admite a vice. Só pode ser com Dona Dilma. Votou em Lula duas vezes, já teve trânsito melhor no Planalto-Alvorada.

Jarbas Vasconcellos
aguarda um convite

Senador até 2014, pode ser candidato a governador. mas espera um convite de Serra para ser vice, repetindo a proposta de 2002. Serra espera a definição-aceitação de Aécio.

Dirceu, ministro
de Dona Dilma

Acredita que pode voltar com ela. O que não acredita é na vitória dela.

Kaká é insubstituível? Ou não terá substituto?

Antes se dizia: Ronaldinho tem que ser convocado, e se Kaká se machucar? Agora ele já está machucado, mesmo bom não vinha jogando nada, complicou tudo.

Surgiu o Neymar, altamente convocável, mas o Dunga nem admite sua convocação. O Zico, com coragem e competência, afirma: “Neymar tem que ser convocado”. Em 1978, Bilardo não quis convocar Maradona, ia fazer 18 anos. Mas a Argentina tinha o general Videla e o almirante Massera. Em 1994, Ronaldo “Fenômeno” ( ainda não era, hoje já não é), convocado, não entrou em campo. Por que o temor dos 18 anos?

Vira e Messi

Não há um dia em que não surjam notícias e comentários, apresentando o jogador do Barcelona como “o maior de todos os tempos”, Isso não existe, nem mesmo para Pelé ou Maradona, sempre citados. Se for preponderante para a Argentina ganhar a Copa, Messi poderá ser o melhor do seu tempo. Mas não de todos os tempos, isso ninguém é.

Lula muito citado nos EUA

A conferência sobre “artefatos nucleares” foi decidida entre Obama e Putin, o verdadeiro senhor de “todas as Rússias”. Só que ficaram muito satisfeitos de contrariarem o presidente brasileiro.

O grande adversário não é ele, e sim o Tratado de NÃO PROLIFERAÇÃO DE ARMAS NUCLEARES. Dá privilégios a 27 países, (que podem ter a bomba, chamada de “artefato”) num mundo com quase 200 países.

Invasão do blog, e “eu não sabia” na tragédia de Niterói

Adolfo:
“Desculpe, mas sou obrigado a registrar. Invadido pelos serviçais do garotinho, este blog caiu muito de nível, chegou à baixaria do governo dele e da garotinha. Só falta agora a invasão dos apaniguados do cabralzinho, royalties para o senhor, e este espaço democrático estará destruído”.

Comentário de Helio Fernandes:

E Jorge Roberto Silveira? Está há 20 anos no cargo de prefeito, com os intervalos obrigatórios para colocar amigos e voltar. Aprendeu com Lula e diz que “não sabia” das armadilhas dos morros da bela Niterói.

Não saiu ao pai em competência. Foi governador, morreu num desastre de helicóptero. Eu era então diretor do Diário Carioca, nesse acidente morreu também o excelente jornalista Luiz Paulistano, Chefe de Reportagem do jornal.

Quem pratica vilania é vilão

Carlos Chagas

Conforme o Aurélio, vilão  pode ser o habitante de  uma vila ou alguém desprezível e miserável.  Poucas dúvidas existem a respeito do duplo sentido, em se tratando da utilização do termo “vilania” por  Dilma Rousseff, ao alimentar a trapalhada que ela mesma criou ao afirmar que não fugiu da luta contra a ditadura.

O problema é que de José Serra a Marina Silva, de Sérgio Guerra e Artur Virgílio e a montes de líderes tucanos e não tucanos, indignaram-se todos supondo estar a candidata ofendendo e menosprezando quantos tomaram o rumo do exílio, no regime militar.

Pois não é que essa interpretação acaba de ser taxada de vilania por Dilma, ou seja, os intérpretes são vilões?

Com todo o respeito, deve a candidata conter-se. Ou ser contida por seus assessores. Porque a primeira lambança já parecia esquecida quando ela reacendeu a tertúlia, dando margem a tréplicas e a  novos desdobramentos. Melhor faria a guerrilheira heróica em anunciar seu plano de governo e as soluções de que dispõe para desatar mil nós na conjuntura nacional.

Alencar não assinaria

O presidente Lula chegou de Washington na madrugada de ontem, meio triste por haver Barack Obama rejeitado sua sugestão de mais diálogo com o Irã, em vez da aprovação de sanções contra aquele país. Mesmo assim, o primeiro-companheiro assinou o tratado exigido pelo presidente dos Estados Unidos como forma de pressão sobre o regime dos aiatolás. Numa palavra: curvou-se à imposição da superpotência, coisa que a China não fez.

Estivesse José Alencar representando o Brasil na referida conferência e nossa posição teria sido diferente. Porque o vice-presidente, não faz muito, declarou-se pelo direito de todos os países prosseguirem em suas pesquisas  nucleares, até para construir bombas atômicas. “Se eles podem, nós também podemos”, repetiu com uma simplicidade angelical, acentuando que para começo de conversa as potências nucleares deveriam destruir seus arsenais, credenciando-se assim para impedir  outros de começarem onde eles terminaram.

A ida do presidente Lula à reunião internacional não representou, propriamente, uma vitória de nossa diplomacia. Muito pelo contrário…

Melhor parar

Já não repercutem, muito menos influenciam, as pesquisas divulgadas em cascata sobre a sucessão presidencial. A maioria dos leitores, ouvintes  e telespectadores deve dar de ombros ao tomar conhecimento dos resultados de sucessivas consultas populares. Primeiro porque os números tem variado pouco, entre Serra e Dilma. Depois,  por conta da última pesquisa, da Sensus, com patrocinadores contestados. Os tucanos reagiram ao empate técnico entre o seu candidato e a candidata do PT. Alegaram que o sindicato afinal apontado como tendo financiado a consulta integra a campanha de Dilma. Como o freguês tem sempre razão, o instituto não iria decepcioná-lo.

Com as exceções de sempre, destacando-se a Datafolha, entre elas, a verdade é que pesquisas constituem um negócio comercial, como muitos outros. Quem encomenda é quem paga. E quem paga não pode decepcionar-se. Os executores estão de olho na  preservação do cliente,  explicando-se por aí os resultados. Apenas na reta final da eleição os institutos começarão a compatibilizar  números com  realidade, e ainda assim com vistas às próximas eleições…

Perto do racha

Não parece tranquila a situação no PMDB. Sua direção nacional continua aferrada à candidatura Dilma Rousseff, mas nas bases aumenta a fissura. Afinal, o PT não dá sinais de acomodar-se à  aliança com o PMDB, nas eleições para governador. Os companheiros não abrem mão de indicar candidato próprio, mesmo nos estados onde se encontram enfraquecidos. Exigir a contrapartida do apoio irrestrito à candidata vai gerando cada vez mais reações e até indignações. Líderes regionais ameaçam bandear-se para José Serra, alguns até já se tendo definido, como em São Paulo.

O próprio presidente do partido, Michel Temer, mostra-se arredio, menos por não ter certeza de que encerrará sua carreira concorrendo à vice-presidência na chapa oficial, mais porque sofre crescentes contestações  em sua política de apaziguamento. Logo o PMDB poderá defrontar-se com mais um racha, daqueles a que se acostumou desde sua fundação…

Quem está mais certo, Datafolha ou Sensus?

Pedro do Coutto

Através da Internet, o Instituto Sensus divulgou nova pesquisa sobre as intenções de voto para presidente da República cujos resultados divergem frontalmente dos números assinalados pelo mais recente levantamento do Datafolha. É verdade, e isso deve ser levado em conta, que há uma diferença de quinze dias entre uma pesquisa e outra. As pesquisas que provavelmente estão sendo fechadas pelo Ibope, pelo Vox Populi e pelo próprio Datafolha, ao serem divulgadas, vão indicar qual a tendência predominante e, no caso do Sensus, se ele está mais perto ou não da realidade pré eleitoral do que a empresa da Folha de São Paulo.

O Datafolha apontou 37 pontos para Serra, 28 para Dilma. Serra teria assim avançado quatro degraus e Dilma permanecido estacionada. Diferença de 9%. O Sensus buscou seus números em dois cenários: um incluindo a candidatura Ciro Gomes, outro sem ele. Na primeira formulação, encontrou um empate praticamente. José Serra atingiu 32,7 contra  32,4 de Dilma. Ciro apareceu com 10, Marina Silva com 8. Na segunda, retirando o nome do ex governador do Ceará, Serra vai para 36,8, Dilma alcança 34% e Marina cresce de 8 para 10. Assim, aliás de acordo com uma das alternativas estratégicas de Lula, a presença de Ciro no pleito, mesmo com o tempo mínimo que cabe ao PSB no horário político da televisão, acrescenta em favor da ex chefe da Casa Civil.

Ciro, claro, pelo que ele próprio tem afirmado, ajusta-se com Lula e elogia seu governo. Portanto, coloca-se frontalmente contra José Serra. Nesta altura dos acontecimentos, inclusive, Ciro só poderá concorrer à presidência. Todos os outros caminhos foram fechados para ele pelo PT de São Paulo, para onde se transferiu. Disputando a presidência soma para Lula diretamente, e para Dilma indiretamente. Se não for candidato a presidente, o outro único roteiro é disputar uma cadeira de deputado na Câmara Federal. Muito pouco para quem chegou a transferir seu domicílio eleitoral. Onde, afinal, ele mora realmente? Na cidade de São Paulo, em Fortaleza ou em Brasília?

Mudando de tema, as próximas pesquisas serão importantes pois vão ser as primeiras depois do lançamento oficial de Serra. Este lançamento, na forma com que se realizou, pode produzir dois efeitos: uma progressão de Serra, mas também a criação de um clima de expectativa quanto a possibilidade de Aécio Neves aceitar disputar a vice na chapa tucana.  Tal perspectiva, caso o desejo manifestado não se efetive, pode terminar criando uma atmosfera de frustração, sobretudo na medida em que ficou nítida e ressaltada a dependência de Serra da atuação e do rumo do ex governador de Minas.

Por falar no estado onde nasceram Juscelino e Tancredo, dificilmente o PT de Fernando Pimentel e Patrus Ananias, dois candidatos fortes, vai se compor ao lado da candidatura de Helio Costa, do PMDB, ao governo estadual. Assim, nos campos mineiros vai se estabelecer a primeira ruptura de uma coligação nacionalmente forte, mas estadualmente marcada por vários obstáculos. Prinmcipalmente porque não é da história do PT acrescentar votos a qualquer outra legenda. Ao longo de seus trinta anos, só recebeu apoios. Não devolveu nenhum. Nem em Tancredo Neves aceitou votar nas indiretas de janeiro de 85. Ao contrário. Expulsou os deputados Airton Soares, Beth Mendes e José Eudes, que votaram a favor de Tancredo. Aliança com o PT apoiando alguém é difícil. Como, na mesma linha de Minas, está acontecendo no Rio de Janeiro.

Para onde irão, em Minas, Helio Costa e o PT?

Há 10 dias fiz análise completa sobre a eleição para governador e senador em Minas, situei todos, sem exceção. Disse com a maior clareza, citando nome por nome: Helio Costa não abre mão da candidatura a governador (já perdeu duas vezes), se o PT quiser se aliar, poderá indicar o vice, seja Fernando Pimentel ou Patrus Ananias.

A reportagem foi tão completa, que O Globo copiou tudo ontem, mas ficou com os royalties para ele mesmo. É incrível.

Para terminar nessa matéria, uma revelação surpreendente e importantíssima. José Fernando (deputado federal e filho de José Aparecido) iria se lançar a governador. Como é do PV, apoiará Dona Marina. Não tem mais do que 5 por cento dos votos, sacrifica a carreira, mas apoia Dona Marina.

Patrus Ananias e o palpite infeliz

Diz que é candidato a governador, não tem a menor chance. E mais: nem legenda garante. tem conversado sobre a possibilidade de disputar o Senado. (Noel Rosa: “Meu Deus do Céu, que palpite infeliz”). Acaba deputado federal, eleito mas sem votação consagradora.

Dentro do PT, Fernando Pimentel, politica e eleitoralmente, é muito mais prestigiado do que ele. E o que fazer com Helio Costa, que já perdeu duas vezes para governador, e obstinadamente não abre mão da terceira?

O plágio de Helio Costa

Há 10 dias escrevi análise completa sobre Minas e a sucessão estadual e presidencial. Disse que o já ex-ministro é candidato para valer. Agora, com a insistência do PT para que desista, Helio Costa repete frase de Benedito Valadares em 1968: “Querem brincar de Tiradentes com o meu pescoço”. Ha”!Ha!Ha!

O solitário Arruda, e o capim crescendo

Com ele preso, escrevi: “Quando for solto, encontrará o capim crescido à sua porta”. Mas não imaginei que crescesse tanto. Ninguém vai visitá-lo, não telefona, não manda correio eletrônico. Apesar de moço, não tem volta. (Ninguém mais tem medo do Dossiê Arruda. O pavor agora é apenas com Durval Barbosa)

Gilmar-Peluso

O substituto já está escolhido pelo rodizio, toma posse dentro de uma semana. Com Gilmar a presidência não foi brilhante, não vai melhorar um pouquinho que seja.

A farsa das pré-candidaturas

Tereza Margarida:
“Jornalista, posso estar perguntando uma bobagem, mas o que é pré-candidato? Dilma, Serra, Marina são chamados de candidatos, então o que é esse pré? Desculpe, mas gostaria de esclarecimento”.

Comentário de Helio Fernandes:
Nenhuma bobagem, Tereza, apenas violação da lei e a inconsequente irrealidade. Até as convenções partidárias, todos são pré. Mas que importãncia têm essas convenções, se os candidatos citados serão confirmados?

No Brasil essas convenções não passam de fraude e farsa, quem decide tudo é a cúpula, não existem militantes ou participantes. Na Europa, e principalmente nos EUA, as convenções mobilizam os países, ninguém sabe quem vai ganhar. No Chile, o candidato do governo perdeu a convenção.

Tua pergunta, excelente. Todos são candidatos desde agora, não existe nenhum pré.

Ciro tem medo da comparação

Falam muito sobre a falta de definição do cearense em relação à sucessão de Lula. Mas não falam a verdade: tem medo de ter menos votos do que Garotinho em 2002, os dois pelo Partido Socialista.

Garotinho teve 15 milhões de votos, Ciro não terá nem a metade. E perder para Garotinho, é o fim. Da carreira.

Michel Temer, o “jurista vice-versa”

Está mobilizando o PMDB contra Dona Dilma, ou melhor, a favor dela. Cismou que tem que ser vice, apesar de não acrescentar coisa alguma, nem política, nem eleitoralmente. Com o “jurista” ou sem ele, Dona Dilma continuará com os mesmos problemas, ou até mais agravados.

Ricardo Teixeira jogou milhões na eleição do Clube dos 13, perdeu, foi para a televisão, despudorado como sempre, ameaçou: “A Copa de 2014 no Brasil, corre perigo”

O famoso “Clube dos 13”, tentativa de livrar o futebol brasileiro das garras da CBF (Ricardo Teixeira) e das algemas da TV Globo, teve anteontem sua primeira eleição verdadeira.

Nessa disputa, irmanados, desculpem, o presidente Teixeira, indiciado por 7 crimes financeiros, achincalhado pela CPI, amedrontado, tentou retomar o Poder e o Poderio. (Dizem que não existem mais as sete INDICIAÇÕES. Não consegui apurar, mas nada surpreendente).

Todos os 20 clubes foram seduzidos pelo dinheiro sujo de Ricardo Teixeira, que domina e controla a paixão nacional que é o futebol. O presidente da CBF escolheu o candidato ideal, Kleber Leite, que como repórter tinha mais paixão por vestiário do que por futebol.

Manipulou e mobilizou os recursos fartos da própria CBF e teve á disposição os adiantamentos da TV Globo. Alguns resistiram, outros, não por covardia e sim por necessidade, tiveram que votar com Ricardo Teixeira ou Kleber Leite, a mesma confusão onomatopéica que se forma entre CBF e TV Globo.

Nesse episódio, lancinante a entrevista de Mauricio Assunção, presidente do Botafogo. Não simpatizo com esse tipo de rendição, mas compreendo, revoltado (e não com o presidente do Botafogo), que não é possível presidir um clube sem dinheiro. Se entregou, isso me desagrada, mas quando se trata de um “berlusconi” como Teixeira, a entrega tem que ser total,

(Tratando do assunto, curiosidade que surge da memória. Em 1990, a TV Globo resolveu se lançar no plano internacional, criou a TV Monte Carlo, que já começou com sucesso e provocando represálias. Eu estava lá, vi a repercussão que a TV Monte Carlo ia conquistando).

(Isso provocou o desespero da máfia “berlusconi”, que ameaçou e intimidou o representante do grupo Roberto Marinho, o filho Roberto Irineu. Podiam ter lutado, resistido, fincado o pé no terreno já plantado, o filão, riquíssimo. Mas como só gostam de lutar no subterrâneo (tipo Proconsult, 1982, e o debate Lula-Collor, 1989), bateram em retirada, morrendo de medo do “berlusconi”. Que naquela época era apenas mafioso. Agora é mafioso, sensacionalista-sexualista, chefe do governo).

Derrotado, e já tendo “adiantado” algum dinheiro para os mais necessitados, Ricardo “berlusconi” tinha que se vingar. Então, baseado no atraso de algumas obras, foi para a televisão, e disse textualmente: “Como está tudo ainda por fazer, e muitos estádios-sede nem começaram as obras, nessas cidades não haverá jogo”. O alvo da ameaça de Teixeira é o Morumbi, já que não tem cacife para tirar jogos do Maracanã. Apesar da subserviência e da covardia congênita e adquirida, de cabralzinho e eduardinho.

Mas esse “berlusconi” caboclo não podia ficar apenas na ameaça de superfície. Mergulhou mais fundo, e atacou em profundidade a REALIZAÇÃO DA COPA DE 2014 NO BRASIL. Textual; “Por enquanto é só preocupação. Mas se o SINAL FICAR AMARELO, é o próprio Brasil que corre perigo, a Fifa pode mudar a Copa para outro país”.

***

PS – Pura intimidação, mas vazia. Em todas as oportunidade, Teixeira finge claramente que a Copa de 2014 só veio para o Brasil por causa dele. Além de tudo que se sabe, também é mentiroso.

PS2 – A Copa veio para o Brasil por “decorrência de prazo”. Tendo realizado a Copa de 1950, vamos sediar outra, 64 anos depois. Entre as potências do futebol, nenhuma ficou tanto tempo. E o Brasil é a maior de todas. Não só pela repercussão, mas também pelos títulos conquistados.

PS3 – A Itália foi sede em 1934 (quem se lembra?). Apenas 8 países convidados, 10 ou 12 dias de jogos, repetiu em 1990, 52 anos depois. A Alemanha em 1974 e 2006, apenas 32 anos. A Inglaterra só uma vez em 1966 para ganhar o título com 1 gol ilegalíssimo na final contra a Alemanha.

PS4 – A Fifa jamais mudou a sede de uma Copa. Em 1986, a vez era da Colômbia, desistiu. Como a escolha se dá 6 anos anos, em 1980, Havelange foi conversar com o “presidente” Figueiredo. Amigos de infância, nascidos nas Laranjeiras, Figueiredo ficou irredutível, a Copa foi para o México, que está sempre preparado.

PS5 – Haja o que houver, a Copa de 2014 será no Brasil, mesmo que Ricardo “berlusconi” continue em liberdade.

Amanhã

Qual a diferença entre ASILADOS, exilados, FUGITIVOS, turistas, GUERRILHEIROS? O tumulto vernacular e a interpretação de má fé. Por que esqueceram Jango, presidente deposto?

A História exige explicações

Carlso Chagas

Acima e além da prescrição que já deve ter ocorrido  com  o crime de aliciamento para assassinato, fica evidente não poder passar em branco a denúncia feita pelo general Newton Cruz, em recente programa de televisão, a respeito da visita que lhe fez  Paulo Maluf, pedindo-lhe  providenciar a morte de Tancredo Neves. São desvãos da crônica  política nacional que, quando menos se espera, aparecem.

No começo de 1985 o general Newton Cruz era comandante militar do Planalto. Contou que num sábado pela manhã  jogava  peteca com amigos, em sua residência, quando o então candidato presidencial apareceu. Recebeu-o e ouviu que o país não poderia cair nas mãos da oposição, chefiada por Tancredo. Àquela altura, estava claro que Maluf seria derrotado no Colégio Eleitoral. A única solução, para o visitante, seria os militares darem sumiço no ex-governador de Minas.

O general conta que ouviu a proposta e imediatamente pediu que Paulo Maluf se retirasse. Acrescentamos que, correta ou não a versão, 25 anos depois, a verdade é que a assessoria de Tancredo providenciou minucioso plano de retirada do candidato de Brasília, por estradas de terra no entorno da capital federal, para chegar a  um pequeno aeroporto onde um teco-teco permaneceu muitos dias  de plantão, com piloto e tudo o mais, pronto para voar para Minas.

O episódio precisa ser elucidado. Paulo Maluf tem que dar sua explicação, inclusive por que, depois, tentou processar o general Newton Cruz. A História exige.

Proibido fumar em todo o território nacional?

Na recente entrevista de José Serra à Jovem Pan, uma pergunta gerou sonora  gargalhada do candidato, mas sem a consequente  negativa que seria natural. Ele foi indagado se, caso eleito, um de seus primeiros decretos seria proibir o cigarro em todo o território nacional. Riu, para depois alinhar as medidas que tomou ao longo dos anos contra o fumo: ministro da Saúde, obrigou as fábricas de cigarro a estamparem nos maços horrorosas fotografias de mutilados, com a indicação do fumo como causa. Proibiu que se fumasse no prédio do ministério. Estendeu a proibição aos aviões comerciais. Como governador de São Paulo, patrocinou legislação banindo o cigarro de todos os recintos fechados, públicos ou privados. Conseguiu que o país inteiro adotasse a restrição.

Não parece fora de propósito que,  eleito presidente da República, Serra continue a puritana cruzada em defesa da saúde da população. Com todo o respeito, porém, vai uma observação: para obter rápido o resultado final, não seria preferível proibir a existência de fábricas de cigarro em todo o Brasil? Punir o comércio e até o cultivo do fumo? Haverá coragem?

Exageros

Que Dilma Rousseff vem escorregando em seus improvisos e entrevistas, não haverá que negar, tornando-se desnecessário repetir as impropriedades por ela exaradas com relação  às eleições no Rio e em Minas, além de críticas feitas aos exilados do regime militar.

Convenhamos, porém, que seus adversários estão exagerando, na mídia e fora dela. Nem tudo o que a candidata fala deve ser recebido com má-fé e ironia. Por exemplo: foi ao Ceará, na segunda-feira. Acusaram-na de não ter convidado Ciro Gomes.

Aqui para nós, não poderia nem deveria. Ciro insiste em que será candidato ao palácio do Planalto. Como, então, no papel de sua concorrente, Dilma deveria incluí-lo em sua comitiva? Seria, mais do que provocá-lo, ofendê-lo.

É bom procurar as raízes dessas críticas descabidas no próprio Ceará. Quem manda lá é o senador Tasso Jereissati, adversário ferrenho do Lula, de Dilma e do governo.  E íntimo amigo de Ciro Gomes. Como as eleições para o Senado andam difíceis no estado, parece que vale tudo.

Abril vermelho

Recrudesce o MST, tentando pintar de vermelho o corrente  mês de abril, como aconteceu em outros. Fica até difícil entender porque a escolha, entre outras onze que poderiam ter sido definidas. O diabo é que o movimento dos sem-terra, de maior fenômeno político acontecido no Brasil em muitas décadas, caminha célere para transformar-se num partido sectário. Invadir usinas e propriedades improdutivas,  no Nordeste,  faz parte do jogo, mas edifícios urbanos do Incra e outras repartições, como no interior de São Paulo, além de inócuo, é burrice. Apenas um convite a que a polícia tente reconquistar próprios do estado, gerando confrontos e conflitos.

Aliás, a respeito do MST, seria bom que algum veículo de comunicação fizesse ao líder João Pedro Stédile a pergunta que não quer calar:  acha que o presidente Lula cumpre suas promessas de campanha e realiza uma verdadeira reforma agrária no país? Ou vai ficar devendo horrores, quando deixar o poder?  

Ciro Gomes é candidato ou aliado de Dilma?

Pedro do Coutto

Reportagem de Gerson Camaroti, Maria Lima e Isabela Martin, O Globo de 13 de abril, focaliza a viagem de Dilma Roussef a Fortaleza e reproduz declarações da senadora Patrícia Sabóia, do PDT, criticando a ex-chefe da Casa Civil por não ter convidado o deputado Ciro Gomes a acompanhá-la. Não se trata assim um aliado, disse a ex-mulher do ex-ministro.

Na capital do Ceará, Dilma recebeu medalha e diploma concedidos pela Câmara Municipal. Fica no ar a pergunta que deve ser respondida pela senadora Patrícia Sabóia ou pelo prórpiro Ciro Gomes: ele é aliado de Lula e de sua candidata, ou é, como se apresenta, candidato a presidente da República? Se é aliado de Dilma, já deveria ter assumido esta condição. Se é candidato à presidente, deveria ter feito o mesmo, após decidir seu destino com o PSB, seu partido. Dilma Roussef, nesse quadro de hipóteses, não tinha obrigação de convidá-lo, já que, se for candidato à presidência, será um adversário. Os inimigos não mandam flores, título de peça famosa de Pedro Bloch.

Ciro Gomes, em todas suas aparições nos espaços reservados ao PSB, tem elogiado o governo e o presidente Lula, aparentando, de fato, ser um aliado do Planalto. Porém, ao mesmo tempo, apresenta-se como candidato ao Planalto. Além disso, a reportagem esqueceu a mudança de seu domicílio. Não é mais eleitor do Ceará e sim de São Paulo. Por que motivo deveria ser incorporado a uma homenagem de rotina no seu ex-estado político?

Também sob este ângulo, a reclamação não encontra apoio. Primeiro, seguindo evidentemente uma orientação traçada por Lula, tentou habilitar-se ao governo de São Paulo. Isso provocou forte reação contrária nos próprios quadros petistas, tanto assim que a legenda já anunciou a candidatura do senador Aloísio Mercadante.

Contradições à parte, o que se pode traduzir do contexto no qual se situa Ciro Gomes é que ele será candidato a presidente, se as novas pesquisas indicarem que esse será o melhor caminho para ajudar diretamente Dilma Roussef. Isso porque, até agora, tanto o Datafolha quanto o Ibope e o Vox Populi acentuaram que a inclusão de seu nome nos levantamentos de intenção de voto diminui a vantagem que José Serra livra sobre Dilma Roussef. Ciro seria assim uma peça importante para o projeto político de Lula, que tem como base a vitória nas urnas de sua ex-ministra.

Ciro Gomes, sem outro caminho, senão ser candidato à sucessão, a menos que deseje ser eleito deputado, não mais pelo Ceará, mas por São Paulo, disputaria o pleito, reservando-se para apoiar Dilma no cenário do segundo turno. Pelo PSB, sozinho, não terá condições de ultrapassar nas urnas de 3 de outubro nem Dilma, nem Serra. Nesta posição, sim, seria um aliado do atual governo. Mas se as pesquisas apontarem um avanço acentuado de Roussef, sua presença na disputa deixa de interessar à estratégia do Palácio do Planalto.

A definição final somente ficará clara ( e, portanto, pública) depois da alvorada da campanha pelo calendário da Justiça Eleitoral, de acordo com a lei 9504 de setembro de 97. Pela legislação, o prazo máximo para escolha dos candidatos- todos eles- pelos respectivos partidos a que pertencem ocorre a 30 de junho. Não pode ultrapassar portanto esse prazo o esclarecimento final sobre o rumo verdadeiro de Ciro Gomes.

Dilma Roussef não cometeu erro político algum em deixar de convidar Ciro Gomes para se integrar a sua comitiva. Erro cometeu Ciro em transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo. Afinal de contas para somar para Lula, seja no primeiro, seja no segundo turno, poderia fazê-lo sem necessidade de trocar o Nordeste pelo Sul. Ficaria mais cômodo e à vontade na costa do sol e nas lindas praias do estado no qual inclusive foi governador.

Invocação despudorada e afrontosa de Eduardo Paes

Diante de tanta calamidade: “Graças a Deus, só tenho eleição em 2012, já esqueceram tudo”. É alarmante, felizmente cabralzinho não pode dizer o mesmo.

Referendando Serra

O discurso de lançamento de sua candidatura foi tão mal redigido, que até amigos reconheceram: “Foi ele mesmo que escreveu, levou uma semana”.

Desejo e imposição

Ao contrário do que seria normal, aceitável e até compreensível, Dona Dilma pediu a Lula: “Queria que o senhor ficasse em Brasília, pelo menos nos primeiros seis meses do meu governo”. Lula só se surpreendeu com o fato dela falar, “no meu governo”.

Não sou amigo de Gabeira nem dou apoio à sua candidatura

Telma Vizioto, Arnaldo Albuquerque, Raimundo Lins, Aldo Caneca, Norma Andrade, Oliveira, Vicente Portella, Ana Paula e outros, visivelmente “pseudônimos”, todos dizendo, mais ou menos, a mesma coisa:
“Não é justo que você defenda a candidatura do seu amigo Gabeira, para atacar o competente Garotinho, que fez grandes coisas pelo Rio”.

Comentário de Helio Fernandes:
Inicialmente, três erros nas colocações. 1 – Não sou amigo de Gabeira, não o vejo pelo menos há 10 anos, e antes vi apenas uma ou duas vezes. 2 – Não ataco o Garotinho, e por que ninguém reclamou de “eu atacar” o cabralzinho? 3 – Não defendo a candidatura Gabeira nem recomendo seu nome.

Agora, fatos, fatos, fatos. Apenas comparo Gabeira com cabralzinho, dizendo que ele jamais foi acusado de enriquecimento ilícito. De forma competente, poderiam ter dito que Gabeira nunca exerceu cargos executivos, não “mexeu” com dinheiro público.

Como não levantaram a questão, levanto eu e não para favorecer o nome de Gabeira. (Por favor, não confundam o repórter, o analista e combatente que sou, com alguém que apoia candidatos. Não apoio ninguém, no plano nacional ou estadual. Na comparação, alguns se destacam, não posso deixar de dizer isso, com clareza e simplicidade.)

Quanto a dizer que Garotinho fez muito pelo Rio, eis uma piada sem nenhuma graça. Fez muito por ele e pela família. Engrandecer garotinho e cabralzinho, só mesmo pela internet. Aliás, antes de qualquer coisa, chamei a atenção aqui, dizendo: a internet será muito usada na campanha, o fato de haver anonimato, escada de incêndio por onde descerão muitos. Só que garotinho e cabralzinho não poderão descer mais, já desceram praticamente o impossível.

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