A presidência do PT para o Lula

Carlos Chagas 

Vale insistir no assunto: caso venha a assumir a presidência nacional do PT, já como ex-presidente da República, o Lula ficará instrumentalizado para dedicar-se à reforma política. Uma reunião do diretório nacional do partido ou, mesmo, uma miniconvenção  extraordinária,  bastariam para, por aclamação, dar ao primeiro-companheiro, de direito, a função que há muito lhe cabe e que jamais deixou de exercer, de fato. 

Teria, o Lula, um gabinete e respectivas assessorias  onde reunir-se com  os líderes do partido e as bancadas. Aliás, dois gabinetes, um em Brasília e outro em São Paulo.

Nenhum problema existiria na substituição de José Eduardo Dutra, pronto para ocupar um ministério ou, dependendo das circunstâncias, uma cadeira no Senado, primeiro suplente que é de um titular também cotado para integrar a equipe de Dilma Rousseff.

Assim se delineia o futuro do presidente, bem longe da boataria que um dia o aponta como secretário-geral das Nações Unidas, em Nova York,  outro como diretor-geral da FAO, em Roma,  e, nos fins de semana, até presidente da Fifa, na Suíça.  Nenhuma função no exterior parece sensibilizá-lo, menos por tratar-se de um monoglota, mais por não abrir mão de dedicar-se ao Brasil.

Haverá que aguardar a posse de Dilma Roussef e o período necessário ao merecido descanso do presidente, pelas impressões gerais, não superior a um mês. Só depois seria anunciada a decisão. 

OS CAÇAS E O SUPREMO

De volta ao Brasil e depois de, na  viagem de Seul, haver conversado horas seguidas com Dilma Rousseff, as indicações são de que o presidente Lula deverá indicar ao Senado o nome do décimo-primeiro ministro do Supremo Tribunal Federal e, em seguida, anunciar a compra dos 36 aviões de caça da FAB, provavelmente os Rafale franceses.

São diversas as opções para o Supremo, valendo ficar de olho nas sugestões do ex-ministro Márcio Tomaz Bastos. O ideal, para o governo, é que antes de 31 de dezembro o Senado possa sabatinar e votar a indicação, mas não se afasta a possibilidade dessa liturgia ficar para fevereiro.

Quanto aos aviões de combate, a opção fica por conta do ministro da Defesa, Nelson Jobim, aliás considerado o mais eficiente titular da pasta, na opinião dos comandantes das forças armadas.

 OS GROTÕES

Registrava o dr. Ulysses Guimarães que, sem dar atenção aos grotões, nenhum presidente se elegeria e, em especial,  controlaria  a Câmara. Referia-se àquela massa de deputados que  pouca gente conhece, afastados do noticiário da imprensa e sem maior liderança pessoal, mas fundamentais para o funcionamento da casa. Quando nas suas presidências, o saudoso comandante dedicava-se a conhecer pelo nome  cada um dos 513 deputados, de preferência com detalhes referentes às suas famílias e regiões de origem.

Provindo do PT ou do PMDB, o sucessor de Michel Temer precisará descer ao plenário e frequentá-lo com assiduidade. Tarefa mais difícil num início de Legislatura,  dada a renovação de 40% das cadeiras. Gente nova chegará ávida de alguma consideração e de muita atenção por parte  do candidato a  novo presidente, seja ele Cândido Vacareza ou Henrique Eduardo Alves, cuja eleição dependerá dos grotões.

UMA DATA A RECORDAR 

Quinta-feira transcorreu mais um 11 de novembro, que pouca gente recorda hoje, em se tratando do ano de 1955. Juscelino Kubitschek havia sido eleito presidente da República. Em outubro, mas naqueles tempos bicudos do que mais se falava era de um golpe para impedir sua posse, em janeiro do ano seguinte. Alegavam até que não conquistara a maioria absoluta dos votos, ainda que a Constituição não contivesse essa exigência.

O governo do presidente Café Filho era golpista, em maioria, mas para evitar a ascensão de Juscelino ao poder era necessário o apoio das três forças armadas. Marinha e Aeronáutica dispunham-se  à aventura, pela posição de seus ministros, mas o Exército se opunha. O ministro da Guerra, general Henrique Lott, sustentava o cumprimento da Constituição, de posse ao eleito. Bastaria afastá-lo para a procissão sair à rua, mas Café Filho hesitava. Se teve ou não um ataque de coração, dividem-se as opiniões até hoje, mas a verdade é que licenciou-se. Como tinha sido vice-presidente, sucedendo Getúlio Vargas, seu substituto imediato era o presidente da Câmara, Carlos Luz, do PSD mineiro, ao qual JK pertencia, mas seu ferrenho adversário. Golpista, portanto. Sua missão era demitir o general Lott, usando como pretexto a crise entre o ministro e um coronel, Jurandir  Mamede, que dias antes discursara em favor do golpe. Como pertencesse aos quadros da Escola Superior de Guerra, só poderia ser punido por autorização do presidente da República, que Café Filho vinha negando, antes de afastar-se, e Carlos Luz não admitia. Tudo armado para desmoralizar o ministro da Guerra.

Episódio grotesco aconteceu na véspera, dia 10. Lott pedira audiência a Carlos Luz para receber o coronel de volta ao Exército, e puni-lo,  ou demitir-se, conforme publicavam os jornais. Marcada para as quatro horas da tarde, cinco minutos antes o ministro estava na ante-sala do gabinete presidencial, no palácio do Catete. O presidente interino resolveu humilhá-lo, fazendo entrar outros ministros, auxiliares e gente de funções variadas. O papel do rádio foi fundamental, pois as principais emissoras entravam com edições especiais, de dez em dez minutos, anunciando que o general Lott ainda permanecia sem ser recebido. Nos quartéis  de todo o país a oficialidade ouvia e indignava-se com aquela humilhação ao seu chefe. Afinal recebido, o ministro ouviu que não receberia o coronel de volta e, na mesma hora, demitiu-se. Seu sucessor já estava escolhido em surdina, o general também golpista, Fiuzza de Castro. Outro erro de Carlos Luz verificou-se quando Lott  indagou se deveria, ainda naquela tarde, passar o ministério da Guerra ao colega: “Deixe para amanhã”.

Voltando à residência oficial, no bairro do Maracanã, o  enquadrado general fez como todo dia: às sete da noite já tinha jantado, vestira o pijama e preparava-se para dormir,  disposto a entregar  sua função na manhã seguinte. Morava na casa  ao lado o comandante do I Exército, general Odílio Dennis, à época legalista empedernido, que começou a receber generais e coronéis em profusão. Todos irritados com a utilização do Exército num golpe contra as instituições democráticas. Dennis ligava-se a Lott através de um telefone de campanha, que acionou, acordando o superior e pedindo que atravessasse o jardim porque uma crise estava se desenvolvendo. O ministro foi e concordou em que  deveriam reagir. Foram todos para o prédio do ministério, defronte à Central do Brasil.  Lá, o comandante do I Exército surpreendeu, revelando a existência de ordens secretas para  os principais quartéis do país, que botassem a tropa na rua, cercassem os estabelecimentos da Marinha e da Aeronáutica e defendessem a legalidade, quer dizer, a futura posse de Juscelino.

Já na madrugada do dia 11 as capitais e principais cidades do país estavam tomadas por soldados do Exército, tanques, canhões e toda a  parafernália militar. Lott assumira a liderança do movimento que logo, em nota oficial, foi chamado de Movimento de Retorno aos Quadros Constitucionais Vigentes, um atentado à semântica, pois se eram vigentes não precisava haver retorno, mas, de toda forma, um ato em defesa da democracia e do respeito às leis.

No palácio do Catete, Carlos Luz começou a ser informado da movimentação e telefonou para o general Lott, no ministério da Guerra. Deu-se a revanche: Lott mandou dizer, pelo telefonista, que estava muito ocupado e não poderia atender.

Os golpistas, com o presidente interino á frente, conseguiram refugiar-se nas instalações da Marinha e embarcaram no cruzador “Tamandaré”, dispostos a fugir para São Paulo, onde imaginavam que o governador fosse golpista. No fim da manhã a belonave forçou a saída na baía da Guanabara, cercada de fortalezas do Exército. Avisado, Lott não teve dúvidas: “Afundem o “Tamandaré!”

Felizmente estávamos no Brasil, onde os golpes e contragolpes costumam acontecer sem sangue. As fortalezas atiraram, mas propositalmente errando o alvo. O ministro mandou prender os comandantes das baterias mas terá ficado satisfeito porque mortes foram evitadas. O navio tentou chegar ao porto de Santos, desistindo ao ser informado de que o Exército dominava o país inteiro e o general Lott já dera “conselhos” ao Congresso para votar o impedimento de Carlos Luz, empossando Nereu Ramos, presidente do Senado, na presidência da República. Os golpistas voltaram ao Rio, desiludidos.

Por tudo isso, ressalte-se que o dia 11 de novembro deve ser sempre lembrado.

O Globo e Franklin Martins não leram a Constituição

Pedro do Coutto

No editorial da edição de 11, “Ameaça não ajuda no debate sobre a mídia”, O Globo condenou o tom agressivo e impositivo adotado pelo ministro da Comunicação, Franklin Martins, ao defender texto sequer ainda conhecido sobre o que considera nova regulamentação para a mídia, abrangendo o controle (impossível) dos jornais e emissoras de televisão e rádio. O Globo, claro, tem razão. Mas não embasou seus argumentos no plano mais sólido por isso mesmo mais consistente e incontestável. Infelizmente, nem o articulista, tampouco o ministro, sequer leram a Constituição do país.

Se lessem, a atitude do segundo seria outra, o comentário do primeiro tornar-se-ia mais profundo do que foi. É um antigo problema brasileiro. Lê-se pouco as leis e a Carta Maior. Pesquisar a legislação antes para se posicionar depois, para muitos, é algo quadrado. Não é assim. A lei é fundamental, não foi à toa que Hegel a definiu como a conciliação entre os contrários. Traça e impõe limites indispensáveis.

Franklin Martins deslocou o debate para pontos obscuros, admitindo até o enfrentamento, como se o tema se tratasse de uma luta corporal, não o famoso poema de Ferreira Gullar, mas o combate no ringue. O Globo – foi pena pela importância do jornal – não iluminou aqueles espaços. O ministro colocou questões que oscilam do controle editorial da informação e opinião até as concessões de canais de rádio e TV. Vamos por partes, com base na Constituição. Até porque  (O Globo e Martins esqueceram também) o Supremo Tribunal Federal, acolhendo recurso do deputado Miro Teixeira e da ABI, decretou a inconstitucionalidade da Lei de Imprensa da ditadura, lei 5250/67. Não existe mais aquele diploma restritivo. Prevaleceu assim integralmente o texto constitucional. Choca-se com tudo que Franklin Martins propõe.

A começar pelo artigo 5º . É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. É livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato. É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano moral à imagem. Depois, vem o mesmo tema configurado no artigo 220: “Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social.”

Portanto, o impulso restritivo da Comunicação não pode ser formalizado através de projeto de lei, e sim de emenda constitucional. Aliás, anteprojeto, porque ministro de estado tem que encaminhar antes sua proposta ao presidente da República. A presidente Dilma Roussef estaria disposta a enviar tal projeto de emenda ao Congresso Nacional? Não creio. Não é nada provável. Ela se fortalecerá politicamente muito mais rejeitando a ideia. Vale frisar, inclusive, que, ao assegurar o direito de resposta, implicitamente a Constituição reforça a liberdade de expressão. Pois só pode haver resposta se houver ataque.

Quanto às concessões de TV e rádio que Martins gostaria de ver o sistema atual alterado, ele é também regido pela Carta de 88. Basta ler o artigo 221, regulamentado pela lei 9612/98, e o artigo 223, sem lei que o regulamente, tornando-se portanto auto-aplicável, como se define tal caso em matéria de Direito. Está no art. 223: “A concessão (de canais) depende do Executivo (decreto, portanto ) e a rejeição pelo Congresso depende do voto de 60% dos parlamentares”. Está também no mesmo artigo: “As concessões são por dez anos para as rádios e de quinze para as televisões. O cancelamento antes de tais prazos depende de decisão judicial”. É isso aí. Em matéria de desconhecer a Constituição, o erro de Franklin Martins, por ser ministro, é muito mais lamentável do que a omissão do editorial.

A emenda (PEC) da felicidade

Jorge Folena

No dia 10 de novembro de 2010, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº. 19, de 2010, de autoria do Senador Cristovam Buarque (PDT/DF), que pretende ressaltar que os direitos sociais, previstos no artigo 6º da Constituição Federal, são essenciais à busca da felicidade.

Assim, o artigo 6º passaria a ter a seguinte redação: “São direitos sociais, essenciais à busca da felicidade, a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”.

Num primeiro momento, a busca da felicidade pode ser vista como uma quimera. Porém, se considerarmos que os direitos sociais estão muito distantes da maioria da população brasileira, com um atendimento de saúde precário, sem escolas públicas de qualidade, vivendo na completa insegurança, sem moradias dignas e com seus direitos trabalhistas e previdenciários desrespeitados o tempo todo, entenderemos a razão da proposta.

Assim, a inclusão desta expressão é importante para quem quase nada tem, porque muito do que foi assegurado pela Constituição de 1988 está em constante ameaça de ser cassado pelas pretendidas reformas trabalhistas, previdenciárias etc., sendo certo que a inclusão da expressão “busca da felicidade” é necessária para impedir o retrocesso em relação ao que foi conquistado juridicamente.

A felicidade não é apenas ter dinheiro e poder, sendo um dever do Estado propiciar à grande massa o acesso aos bens necessários à vida, de forma que todos possam considerar-se libertos de fato.

Do Plebiscito e do referendo
e sua usurpação pelo Parlamento

No mesmo dia 10, a CCJ do Senado, a pedido dos Senadores Antônio Carlos Júnior (DEM/BA) e Álvaro Dias (PSDB/PR), interrompeu a votação da PEC nº 26, de 2006, de autoria do Senador Sérgio Zambiasi (PTB/RS), que pretende autorizar a realização de plebiscito e referendo, observando as mesmas regras constitucionais do encaminhamento de projetos de lei de iniciativa popular.

Isto porque hoje, somente com a anuência de um terço de deputados ou senadores é que se pode aprovar proposta de plebiscito ou referendo, não sendo permitido à população escolher os temas de seu interesse para serem debatidos e aprovados entre todos. Pode-se afirmar que se trata de uma verdadeira ditadura do Congresso.

Deixar a convocação do plebiscito e do referendo apenas nas mãos do Congresso Nacional é reduzir a democracia participativa, consagrada no princípio fundamental da República de que “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Com efeito, se a Constituição prevê a manifestação popular por meio do plebiscito, do referendo e da iniciativa popular (art. 14), por que então somente os congressistas podem dizer para a sociedade quais temas podem ser debatidos com a população?

A PEC em questão reforça a soberania popular, base da ordem constitucional vigente, devendo ser saudada e não refutada.

Quem tem medo do povo? Vale lembrar que tem congressista que gastou mais de 4 milhões para se eleger deputado federal. Será que vai defender os interesses da população?

Extrato bancário em dólar

O Globo de 31 de outubro de 2009 destacou em sua página 21: “No extrato, saldo em dólar. Para conter câmbio, BC estuda permitir abertura de contas em moeda estrangeira no País”.

Já imaginou se esta proposta tivesse vingado, como estaria hoje a situação da população, com o dólar desvalorizando em relação às demais moedas? Mais do que nunca, a antiga máxima americana está de volta: “Dane-se o mundo!”

Banco quebrado (?)

Pergunta que não quer calar: como pode quebrar um banco que empresta dinheiro para servidores público, cobrando juro altíssimo e com a garantia do recebimento do empréstimo na folha de pagamento?

Esta questão do banco do SS está muito estranha. Seria uma forma de justificar e facilitar a transferência da concessão do canal de televisão a terceiros?

Surpresa, Lula do exterior: “Não tenho nada a ver com o Banco PanAmericano, não empresto dinheiro, isso é com o Banco Central”. Sabia de tudo. Mesmo antes dele, houve conivência, imprudência, falência do grupo Silvio Santos.

Helio Fernandes

Os  jornalões estão gastando espaços enormes com o caso dos 2 bilhões e 500 milhões “dados e doados” ao Banco PanAmericano. Mas não chegam nem perto. No tempo, nas dificuldades do Silvio Santos, nas fraudes conseqüentes, conhecidas pelo Banco Central, mas “escondidas e esquecidas” por ordens superiores.

Em matéria de funcionamento, o Banco Central é perfeito, não podia deixar de tomar conhecimento, por UM DIA QUE FOSSE, das irregularidades. No plano da “filosofia”, o BC é comprometidíssimo, servo, submisso e subserviente aos interesses (e às ordens) do FMI.

Mas em matéria de fiscalização, não tem furo. Há mais de 50 anos, era uma orgia completa. Bancos fechavam no “vermelho”, clientes ficavam “devendo” o tempo que o seu prestígio permitisse, nada acontecia. Até que um dia chegou o xerife e foi criador o FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Acabou a farra e o fechamento no “vermelho”.

(Curioso que o primeiro a falar nesse FGC, foi o próprio Lula, lá da África. Nenhum jornalão ou grupo de rádio e televisão, lembrou que existia esse órgão, PARTICULAR, que emprestava aos próprios bancos. Lula sabia disso, provavelmente foi o próprio SS que contou a ele, no encontro às vésperas da eleição, QUANDO FALARAM UNICAMENTE sobre o “grupo SS”, e as dificuldades do banco).

1 – Nenhum jornalão soube, percebeu ou localizou a época em que o grupo SS (e não o apenas o PanAmericano) começou a submergir. Uns falam em 2 anos, outros em 3, alguns, mais apressados, dizem que “foi há meses”.

2 – O “grupo SS”começou a perder substância e caminhar para a rota da falência, a partir do ano 2 mil. Na verdade, a matriz da derrocada foi o Plano Real, ponto de apoio e alavanca contra a inflação, que atingiu devastadoramente o grande fator de enriquecimento de tudo, o Baú da Felicidade.

3 – Esse Baú, uma fraude completa, era a felicidade do grupo e logicamente do próprio SS, que enriquecia mensalmente, sem o menor risco. Esse Baú, mistificação, ninguém tomava providências. SS enriqueceu tanto e tão maravilhosamente, que até lembraram seu nome para presidente da República.

4 – Chegou a ser lançado oficialmente, aceitou sem o menor constrangimento, mas logo descobriram, constataram: “Assim também é demais, entregar a República a um camelô enriquecido fraudulentamente, é exagero”. E a “candidatura” acabou “sem choro nem vela”, como no samba famoso.

5 – O esquema do Baú da Felicidade, era genial, não podia dar errado, por tudo o que se escondia nele e pela ingenuidade dos compradores do Baú, todos encantados pelo “charme” de SS, que ficava praticamente dia e noite diante das câmeras, iludindo a todos. Sua “credibilidade”, total e inviolável.

6 – Essa falcatrua chamada Baú da Felicidade (do próprio SS) funcionava assim. Os milhares (dezenas ou centenas) de compradores recebiam o carnê para pagamento mensal. Pagavam e concorriam a prêmios também mensais. Esses prêmios, quase ninguém sabia, eram em mercadorias.

7 – Essas mercadorias, entregues em lojas do Baú. Chegaram a existir centenas delas, o Baú foi realmente um sucesso. Pela falta de escrúpulos do vendedor e desconhecimento completo do comprador. SS ganhava fortunas, na época não havia o menor controle.

8 – O Baú “devolvia”em mercadorias, compradas por um preço, que na hora da “devolução” multiplicavam uma porção de vezes. Os lucros, chegavam a BILHÕES (isso mesmo, BILHÕES) sem nenhuma fiscalização.

9 – Mas havia outra fonte de RIQUEZA ESTRONDOSA. Depois dos sorteios mensais, os que não foram “premiados” recebiam de volta o dinheiro que gastaram. Só que esse valor DEVOLVIDO não sofria CORREÇÃO MONETÁRIA.

10 – Veio o Plano Real, implantado lentamente, e chegando devagar ao “grupo” SS. No ano 2 mil, começou a devastação e a destruição. Um dos grandes fatores de enriquecimento (a devolução sem correção monetária altíssima), extinguiu. Como não havia mais correção, a “devolução” começou a dar prejuízo na operação, “o dinheiro VINHA e VOLTAVA igualzinho”.

11 – Essa “fonte secou” e atingiu a outra, o “sorteio em mercadorias”, quase ninguém comprava mais carnê. Aí, a segunda degringolada; a quebra do carnê provocou a queda da audiência da  TV SBT, mais conhecida como SS ou Silvio Santos.

12 – Os analistas se fixaram no ESCÂNDALO do PanAmericano, pressentiram que haveria prejuízo para eles (jornalões e rádio-televisões), não chegaram às origens. A TV SS durante anos ocupava o segundo lugar na audiência, atrás apenas da Globo. Chegou perto de 25 por cento da audiência, a Record em terceiro com 6 ou 7 por cento.

13 – Hoje é o inverso, a SS tem 6 ou 7, a Record quase 30 por cento. Sem audiência não há publicidade, as maiores verbas vão para as televisões, então a auditoria de público é infalível. (Em São Paulo, os Institutos têm aparelhos em casas particulares, pagos, medem a audiência de minuto em minuto).

14 – Sem o Baú da Felicidade, sem os lucros da DEVOLUÇÃO, seu o superfaturamento das mercadorias, sem a audiência da televisão e a consequente publicidade, veio a falência, não oficial, mas sofrida internamente, e sem possibilidade de solução.

15 – Acaba aqui o início de tudo, a impossibilidade do PanAmericano financiar o déficit, na verdade não era um banco e sim uma arapuca. Começa então a fase do artifício, a tentativa de salvar as coisas, de arranjar dinheiro com favor oficial. E como acontece sempre nesses casos, as irregularidades espantosas, inacreditáveis, o abandono do que o Banco Central fazia e faz de melhor, a fiscalização. Que é “jogada para escanteio”, a linguagem de futebol da qual Lula tanto gosta. E abandonada a pedido dele mesmo.

Esta fase das irregularidades não tem número, são tantas e tão inexplicáveis, que é impossível numerá-las, contabilizá-las, identificá-las, com nomes, sobrenomes, cargos e responsabilidades.  A Caixa Econômica tinha 49 por cento do PanAmericano. Responsáveis pela Caixa, disseram publicamente: “Essas irregularidades aconteceram ANTES de comprarmos parte do PanAmericano”.

Nunca viu ou soube de uma CONFISSÃO TÃO GRANDE DE CULPA. Se os próprios responsáveis (?) pela Caixa afirmam que, quando compraram parte do PanAmericano, as irregularidades já existiam, POR QUE COMPRARAM? Passaram a CÚMPLICES, deviam ter denunciado tudo ao Banco Central. (Provavelmente não fizerem por saber que o BC era conivente).

Além de cúmplices ou coniventes com as irregularidades “anteriores”, vá lá, tinham 49 por cento do PanAmericano e não tomavam conhecimento do que se passava lá dentro? (Qualquer membro do Ministério Público, vai brigar para participar dessa investigação).

 Não dá nem para esmiuçar ou detalhar o que se tramava no interior do PanAmericano, com a aprovação e comprovação antecipada dos 49 por cento dos “representantes” da Caixa.

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PS – Não é possível que ninguém soubesse de nada, não houve a menor denúncia, as tramóias eram tão elevadas e em tal número, que é impossível acreditar nessa descrença.

PS2 – E essa DESCRENÇA atinge o ainda presidente da República. Baseado no próprio refrão que ele mesmo popularizou: “Não sei de nada”.  Então foi conversar com SS para quê? Ainda se Silvio Santos gostasse de futebol, estaria tudo explicado.

PS3 – Como sempre, a impunidade será geral e total. E agora terão um “argumento infalível”: “O governo está acabando, querem jogar a Dilma contra Lula”.

Na viagem de volta do G-20, cabeças vão rolar

Helio Fernandes

Ninguém, mas ninguém mesmo será convidado para viajar com eles, quando forem voltar da participação da reunião do G-20. Motivo: os que sabem das coisas, não têm a menor dúvida: nesse avião, cabeças vão rolar. E muitas delas que são (ou se julgam) coroadas.

Assim, já é de bom tom, que essas cabeças fiquem lá mesmo nos ares, não saibam por quem foram degoladas. Pelo que se diz, “nada vai ficar como está”, vontade implícita e explícita do lobista vice-presidente.

Conversa com leitores-comentaristas, sobre a honestidade de Café Filho, o Fluminense, as meninas do vôlei e o ministério de Dilma

Antonio Aurélio: Desculpe, mas o senhor às vezes me surpreende. Chama de honestíssimo um presidente que conspirou contra o seu candidato, Juscelino Kubitschek, tentou impedir a sua posse. Coerência?

Comentário de Helio Fernandes:
Não precisa pedir desculpas, basta se concentrar no que escrevi. Minhas afirmações: “Café Filho era honestíssimo em MATÉRIA DE DINHEIRO. Eu mesmo confirmei que no resto Café Filho não merecia confiança, o próprio  ministro-relator do seu Habeas-Corpus, o grande Nelson Hungria, disse no seu voto: “Café Filho é um conspirador nato, com ele na Presidência o país não terá segurança”.

Mas jamais houve qualquer suspeita sobre sua vida pessoal e particular. Morava num apartamento mínimo, num edifício modestíssimo da Avenida Copacabana 898, no primeiro andar. Nas lojas, um cabeleireiro e um botequim de terceira categoria.

Deixando a Presidência, voltou a morar ali, não tinha como viver. Carlos Lacerda, governador, em dezembro de 1960, vaga uma cadeira de Ministro do Tribunal de Contas do Estado (na época todos eram Ministros), nomeou Café Filho. Não era favor, um ex-presidente era o máximo para esse TCE. Hoje, com as exceções de praxe, muitos conselheiros desse TCE deviam estar longe dali.

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55 ANOS DE HISTÓRIA

Pedro: Ótimo sua lembrança do que aconteceu depois da eleição de Juscelino. Tenho 48 anos, não era nascido, ouvi falar, precisava de uma recordação como essa. Obrigado.

Comentário de Helio Fernandes:
A História vivida é para ser contada, me sinto culpado de não ter escrito vários livros sobre acontecimentos dos quais participei. Tinha e tenho um certo constrangimento de aprofundar sobre personagens. Agora não dá mais, em algumas oportunidades, recordo.

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ELEIÇÃO NO FLUMINENSE

Martinho:Sou sócio do clube há mais de 50 anos, quero votar, telefono para lá e pergunto a data, me dizem que não está marcada. Sei que é em novembro, já é dia 11 e não sabem?

Comentário de Helio Fernandes:
O estatuto do clube diz que a eleição é na segunda quinzena de novembro. Mas já deviam ter marcado. Como o presidente Horcades sabe que vai perder apoiando um secretário de cabralzinho, não decide. É bem capaz de marcar de um dia para outro, sem ninguém saber, só os apaniguados. Muita gente pergunta o mesmo.

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PARABÉNS ÀS MENINAS DO VOLEI

Marina: Helio, você que gosta de todos os esportes, não escreveu uma linha sobre o sucesso da seleção de vôlei? E como está sempre a favor das mulheres, não votou na Dilma mas fez campanha contra o Serra. Desculpe, esqueceu delas?

Comentário de Helio Fernandes:
Eu é que tenho que pedir desculpas. 9 jogos, 9 vitórias, lógico que exigiam exaltação. Que faço agora, agradecendo a vocês, Marina. E convocando para assistirem o jogo de amanhã, sábado, semifinal contra o Japão. E numa “hora decente”, 7 da manhã.

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E O MINISTÉRIO DE DILMA?

Altair: Gostaria que você adiantasse: o ministério da presidente Dilma sairá imediatamente? Ou teremos que esperar a posse? Falta muito. Obrigado.

Comentário de Helio Fernandes:
A tradição do pluripartidarismo brasileiro é de muita negociação, no sentido negativo. São 10 partidos que apoiaram Dona Dilma, e precisam de recompensa, muitas vezes conseguida com hostilidade.

E agora complicou, pois a presidência da Câmara e do Senado entrou no pacote do “eu quero mais”. Por isso, o lobista-chefe, Michel Temer, quer que “todos fiquem satisfeitos com o que têm”.

Cabralzinho limpa a casa e demite na RioPrevidência

Helio Fernandes

Substituiu o presidente do RioPrevidência, fundo de aposentadoria e pensão do funcionalismo estadual. Demitiu Wilson Risolia (cunhado do ex-secretário da Fazenda, Joaquim Levy, demitido antes), nomeou Gustavo Barbosa.

Este falou dos seus planos. O principal: “Darei solução aos 50 mil pedido de revisão de pensões apresentados por viúvos e viúvas de funcionários.

Conclusão óbvia: Risolia, que estava há 4 anos no cargo, não resolveu nada. Diz-se que contrariou a todos, o último foi o próprio governador, que “aprendeu com Lula, a nunca saber de nada”.

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PS – Na verdade, em matéria de interesses, cabralzinho só se preocupa com os seus. O enriquecimento é digno dele mesmo.

PS2 – Mas cabralzinho não precisa se preocupar, tudo que é seu, é defendido por uma advogada, que ele mesmo diz publicamente: “É a maior do Brasil”.

PS3 – Além de tranquilo, cabralzinho fica orgulhoso. Essa extraordinária advogada é sua própria mulher.

Bradesco “preocupadíssimo” com o Banco Central

Helio Fernandes

Desprendido, generoso, sempre ligado na coletividade, o banco do “seu Brandão” está assustado com o fato do Banco Central não ter elevado os juros nas duas últimas oportunidades.

E vê aumentar o risco da inflação com  as declarações do presidente do BC, de que pode baixar esses juros. O Bradesco (como todos os outros bancos) tem ganho fortunas, mas não se interessa por isso, e sim porque a inflação “nao serve ao país”. O Bradesco é porta-voz dos outros, que “pensam” igual.

Trem-bala: o perigo de queimar etapas

Carlos Chagas

Agora que o duplo poder encontra-se na Coréia, vale aproveitar o interregno para mergulhar em tema mais profundo e menos pontual. O Senado discutiu, esta semana, a oportunidade do trem-bala, tendo em vista a necessidade de aprovar ou não medida provisória abrindo crédito para a implantação do projeto. E sob a desconfiança de uma cláusula que transfere para o tesouro nacional os custos da obra caso o pool de empresas privadas responsáveis venha a apresentar prejuízo. Quer dizer, se o trem-bala custar mais do que os bilhões que o BNDES adiantará, ou se o número de passageiros não corresponder à expectativa, a conta será apresentada para  nós, os contribuintes. Negócio fantástico para as empresas, por sinal.

 A questão que se põe é se o Brasil necessita ou não dessa maravilha do mundo dos transportes, capaz de ligar São Paulo ao Rio em duas horas, apesar de estar beneficiando apenas as duas unidades mais ricas da federação. Questiona-se se seria preferível utilizar tanto dinheiro assim na construção de linhas férreas normais, interligando  o território nacional, a começar pela Norte-Sul que há décadas  arrasta-se feito tartaruga.

 É preciso lembrar que até os anos sessenta viajava-se de trem do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro, que o digam os revolucionários de 1930. Ao redor da  antiga capital funcionava  correta malha ferroviária: ia-se pelos trilhos  a Petrópolis,  Teresópolis, Friburgo, Santa Maria Madalena e Campos, para não falar do Vale do Paraíba e da correspondente ligação com as principais cidades de São Paulo. Não eram apenas passageiros a beneficiar-se, pois as composições levavam carga a preços muito mais baratos do que os caminhões.

 De repente, foi tudo água abaixo. Com a “gloriosa”, a partir de 1964, implantou-se de forma definitiva o rodoviarismo. A recém- instalada indústria automobilística nacional  deu as mãos ao complexo petrolífero internacional e a palavra de ordem foi “erradicar os ramais anti-econômicos” em vez de tentar torná-los econômicos. Cumpriu-se tão ao pé-da-letra esse crime de lesa-pátria que os trilhos e dormentes eram arrancados para que deles não nascessem filhotes. Os prédios das estações ferroviárias em cada município, mesmo os menores, foram doados às prefeituras, alguns  felizmente  transformados em escolas.  Até um dos ícones da nossa História foi levado de roldão: feito  ministro da Viação, o marechal Juarez Távora incorporou-se aos novos mandamentos ditados pelo artífice maior da carnificina, o ministro do Planejamento, Roberto Campos.

Em poucos anos desapareceram as estradas de ferro, que se estavam defasadas e anacrônicas, deveriam ter sido recuperadas, não extintas. Desativaram-se até  as ligações entre o Rio, São Paulo e Belo Horizonte, feitas em composições de luxo. Os mais desconfiados supõem, até hoje,   que em boa parte o massacre se fez para afastar do processo político e social a classe dos ferroviários, das mais ativas na resistência à ditadura. Tanto faz, porque o resultado foi essa interminável, inócua e caríssima estratégia de levar o transporte para as rodovias. A sabotagem teve mesmo um  episódio que teria sido cômico se não fosse trágico: no governo do general  Ernesto Geisel bilhões foram gastos para a implantação da chamada Ferrovia do Aço, ligando Minas ao Espírito Santo, só para transportar minério. Pontes, viadutos e túneis consumiram fabulosas somas de dinheiro, mas,  de repente, sem mais aquela, a obra foi abandonada. Ainda restam escombros da aventura malograda.

No governo José Sarney muita fumaça e pouco fogo,  na tentativa de recuperação do programa ferroviário, mas, pelo menos, a mentalidade começou a mudar. Fernando Collor nada fez, Itamar Franco tentou e Fernando Henrique tinha outras prioridades, como sepultar a Rede Ferroviária Federal, entregando-a ao capital privado que preferiu extinguí-la.

As coisas parecem diferentes, hoje, ao  menos plano das intenções. Mas será uma boa proposta começar a  realizá-las com o trem-bala? Vale repetir, não seria preferível investir em ferrovias mais lentas mas menos custosas, porque muito  mais amplas? Queimar etapas para recuperar o tempo perdido costuma ser perigoso.

ANIMAIS À SOLTA

O país inteiro horroriza-se com as imagens da mais recente rebelião de presidiários, desta vez no Maranhão.  Dezoito corpos mutilados entre os próprios internos, depredação das instalações, reféns quase sacrificados e as autoridades penitenciárias comprometendo-se a cumprir as exigências  dos  rebelados, a começar pela transferência de seus líderes para outros estabelecimentos.

Fazer o que com esses animais, sabendo-se que tais  surtos de violência costumam pegar feito sarampo, repetindo-se em cadeias de outros estados?

Agora que passou a campanha eleitoral, já  não se ouve mais falar em projetos para cuidar da segurança pública. José Serra, derrotado, não terá condições de criar um ministério específico para a questão. Dilma Rousseff não poderá limitar-se a reunir os governadores, lembrando pertencer a eles a maior parte da responsabilidade. A hora é de o governo federal chamar a si a solução para proteger o cidadão comum.  O primeiro passo seria manter os animais nas jaulas, sem facilidades,  benefícios ou  favores legais, começando por dispor que rebeliões em presídios devem ser reprimidas com todo o peso da autoridade pública. Contemporizar e  negociar dá nisso: dezoito cadáveres.   

 A HORA DA MUDANÇA

Daqui até o primeiro dia de janeiro é tempo de equacionar mudanças. Nada que signifique desdouro para o governo atual, mas passos adiante para superar dificuldades ancestrais. Tome-se o contrabando. A idéia, boa por sinal, é mobilizar forças armadas, tropas auxiliares e estruturas estaduais para fechar as fronteiras, por onde entram a droga e  de armas sofisticadas, além de produtos variados. Tudo bem, mas o noticiário continua demonstrando estar nos portos e aeroportos a grande janela de entrada do contrabando. Pente fino neles, com a contrapartida da punição de maus funcionários de toda espécie e estirpe, dos maiores aos menores.

                                              

Caso Silvio Santos lembra a Última Hora, de Wainer

Pedro do Coutto 

Com base na excelente reportagem de Bruno Villas Boas, Aguinaldo Novo e Patrícia Duarte, edição de 10 de novembro de O Globo, a respeito do repasse de 2,5 bilhões de reais do Banco Central ao Banco Panamericano, no sentido de evitar sua insolvência, identifico forte semelhança econômica (não política) entre o episódio  de agora e o que marcou o governo Vargas, em 53, com o apoio do Banco do Brasil ao Jornal Última Hora, de Samuel Wainer.

Sentindo-se isolado na imprensa, Getúlio Vargas determinou ao presidente do Banco do Brasil, Ricardo Jafet, que apoiasse financeiramente o projeto daquele repórter de fundar um jornal que se tornasse aliado do governo. Assim foi feito. O jornal começou a circular em 52 e a crise explodiu em 53, atingindo o ponto máximo com a instalação de uma CPI da Câmara dos Deputados, consequência das denúncias de Carlos Lacerda na Tribuna da Imprensa. Lacerda era então só jornalista, diretor do jornal. Elegeu-se deputado federal no ano seguinte. Todos os grandes jornais da época, Correio da Manhã, O Globo, Diário de Notícias, O Jornal, Diário carioca, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, ampliaram os ataques a Vargas, consequência do privilégio.

Agora panorama parecido com aquele do passado deve se repetir. Acentuo, sem a conotação política que causou a atmosfera crítica de 53 e terminou levando ao desfecho de 54. É porque, como é lógico, o suporte do Banco Central ao grupo Silvio Santos colide frontalmente com os interesses da rede Globo e da Rede Record, principalmente estas duas, e mais a Band, todas contrariadas com o apoio governamental a um concorrente, o SBT. Isso de um lado. De outro colide diretamente com todos os bancos que operam na linha de financiamento de veículos e bens duráveis.

É claro que o Itaú e Bradesco são contrários à injeção extraordinária de recursos para manter o Panamericano de pé. E certamente, nos bastidores vão fazer sentir a reação.

Tornam-se portanto convergentes duas reações. Uma das empresas de televisão. Outra dos bancos. Dose para dinossauro a soma de ambas. Basta dizer que a carteira de crédito do Panamericano, no mês de junho, segundo a reportagem, estava na escala de 9,1 bilhões de reais, incluindo ativos nominais de 38% na linha de automóveis, 22% no setor de cartões e 14 na faixa do crédito consignado. Um mercado nada desprezível cuja substituição pelos bancos de primeira linha (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil) seria inevitável não fosse o Banco Central.

O grupo Silvio Santos deu todos os seus bens em garantia. A quebra do Panamericano, entretanto, atingiria a Caixa Econômica Federal que possui 490% de suas ações com direito a voto e 36,6% do capital geral. Deste capital, Silvio Santos possui apenas, concretamente, 37,6%. O ativo é de 12,5 bilhões incluindo os créditos a seu favor, mas o patrimônio é de somente 1 bilhão e 370 milhões de reais, pouco acima da metade da injeção de créditos que recebeu. Pagar em dez anos com 3 de carência. Quer dizer: o resgate só vai começar em novembro de 2013. Algo de pai para filho.

O grupo Silvio Santos está sendo afetado pela perda do segundo lugar do SBT na audiência, superado pela Record, inclusive nas tardes de domingo. E também pela desativação do Carnê do Baú. Este tinha seu destino ligado à inflação alta. Com inflação baixa não dava resultado. Roberto Marinho, interessado em fulminar o concorrente, não percebeu. Por quê? Porque SS recebia as mensalidades, realizava sorteios, e, no final dos prazos, os que não foram sorteados recebiam os valores de volta, em mercadorias. Só que a devolução não incluía correção monetária. A fonte do sucesso era esta. A diferença entre uma coisa e outra. Desapareceu a taxa inflacionária expressiva, afundou o BAÚ.

E mais uma vez, Lula não sabia de nada e foi surpreendido no escândalo do Banco PanAmericano. Você acredita nisso?

Carlos Newton

O escândalo do Banco PanAmericano mostra até que ponto vai a audácia do governo Lula no uso dos recursos públicos nas mais diferentes“maracutaias”, como o ilustre presidente gosta de classificar as negociatas dos adversários.

A pergunta é: por que a Caixa Econômica precisava assumir 49% (e não o controle) do Bando, perdão, Banco PanAmericano? Esse tipo de negócio já tinha sido feito com o Votorantim, e vale repetir a pergunta: por que o Banco do Brasil precisava assumir 49% (e não o controle) do bando, perdão, banco da família Ermírio de Moraes?

O presidente-personagem Lula, que é uma espécie de Tiririca em versão metalúrgica, se orgulha de jamais ler jornal, revista ou livro. É, portanto, um autodidata oral. A grande maioria da população brasileira se identifica com ele, torce por ele, vota nele, como se Lula fosse participante de um Big Brother político.

Essa carisma gigantesco, esse amor que o povo lhe dedica, essa proximidade com os menos favorecidos – tudo isso fez de Lula um personagem inatingível. Mas em seu nome, ou até com a sua aprovação, o que tem sido feito de bandalheiras em seu governo é algo assombroso, que um dia será julgado pela História. A bizarra figura de Erenice Guerra, podem crer, não é nenhuma exceção. Pelo contrário. O governo está repleto desse tipo de gente.

O caso PanAmericano, marcado por auditorias que não existiram ou que foram feitas só para constar, é tão grotesco que já está sendo ridicularizado na internet, no seguinte texto assinado por Marcio Cremona, que vale a pena difundir:

Um dia destes, em setembro, o apresentador Silvio Santos, estava passeando por Brasília, passou distraidamente em frente ao Palácio do Planalto e resolveu adentrar para tomar um cafezinho com o companheiro Lula. Papo vai, papo vem, amenidades prá lá, amenidades prá cá, e o Silvio pediu ao nosso filantropo presidente, uma ajudinha de R$ 12 mil, para o seu programa social denominado Teleton.

O nosso amável presidente, puxou a carteira, contou uns trocadinhos, separou outros e chegou à quantia solicitada. Depois, trocaram amabilidades, o presidente prometeu integrar, juntamente com a esposa Marisa, a caravana do ABC para participar de uma gravação do Programa Silvio Santos, se despediram, o Silvio continuou o seu passeio e o fiel presidente-torcedor foi assistir ao jogo do “curíntia”.

Para azar do perseguido e injustiçado Lula, logo depois desta visita, o Banco PanAmericano, de propriedade do Grupo Silvio Santos, recebeu do governo federal, um pequeno aporte de R$ 2,5 bilhões, para fazer frente a despesas decorrentes de fraude contábil. Mas foi pura coincidência, gente, conforme afirma o nosso impoluto presidente, porque durante o encontro entre ambos, jamais se tocou em empréstimo para socorrer qualquer entidade financeira.

“O presidente não empresta dinheiro, não faz negócio com banco e não fiscaliza banco. Isso é coisa do Banco Central”, afirmou o nosso honesto presidente. Entenderam? Se houve algum empréstimo ao PanAmericano, o nosso desinformado presidente não tomou conhecimento. Ô, povinho fofoqueiro.

PS. – Aliás, eu concordo plenamente com o nosso líder Lula: ele não empresta dinheiro, não sabe de nada, não governa, não tem nada a ver com a construção do estádio do seu curíntia e não tem culpa de o Brasil estar neste marasmo. A culpa é de quem votou e continua votando nesta quadrilha.”

NÃO PERCA AMANHÃ:
Helio Fernandes diz que Lula sabia de tudo
e conta detalhes da “falência” do grupo Silvio
Santos, que começou a partir do ano 2000

De onde vêm o poder e o prestígio de Temer? Presidente do PMDB, acumulou com a presidência da Câmara. Agora, vice da República, não sai da presidência do PMDB. Garantido pelos lobistas.

Helio Fernandes

É fato único na História da República, começando na “velha”, ultrapassando duas ditaduras, as respectivas transições, e se mantendo sempre em dois cargos. Sendo um deles a presidência do PMDB, gerador de todos os outros.

Não deixa a presidência do PMDB, “inventou” a “presidência licenciada”, com o apoio total e irreversível da legenda, comandada pelos lobistas. E os que não são lobistas, mas “governistas” de todos os governos, engrossam seu Poder.

E mais importante ainda: os que não pertencem a esses dois grupos, têm passado, dignidade e credibilidade, jamais protestam ou se revoltam contra o domínio desse homem sem prestígio fora do PMDB, não tem voto, sempre fica em último lugar na legenda de deputado. Como o último eleito foi cassado, ele entrou. E continuou como presidente do maior partido brasileiro.

Muita gente pode acreditar que estou gastando velório importante com defunto ruim. Muito ao contrário, é o defunto mais destacado de toda a República. Ninguém chora por ele, mas está no sepultamento de todos, sempre de terno preto, compungido, que palavra, sendo cumprimentado e lembrado para todos os cargos. Não apenas lembrado, mas indicado e nomeado.

Vejamos sua repercussão: 1 – Sem votos para se eleger, um deputado eleito foi cassado (quem duvida que tenha trabalhado para essa cassação?), assume, é escolhido mais uma vez presidente do PMDB, o maior partido do país.

2 – O menos votado dos 513 deputados, é facilmente eleito (eleito?) presidente da Câmara, o terceiro cargo da República. 3 – Na luta para decidir quem seria o vice na chapa da favoritíssima Dilma, surgiu logo o nome de Michel Temer, que não foi contestado ou afastado jamais.

4 – Foi promovido sem qualquer dúvida, era o TERCEIRO personagem na hierarquia do Poder, agora é o SEGUNDO. Gostaria de ser o PRIMEIRO, mas aí precisaria de votos diretos, coisa que jamais teve. Apenas para repetir o que se diz neste país em que tantos vices assumiram: “O vice está a uma batida de coração da Presidência”. Que isso não aconteça, pelo fato e pela desgraça de ver um lobista como presidente da República.

Durante a campanha eleitoral, apesar da certeza da vitória, e praticamente vice-presidente, não largou a presidência da Câmara, ficará neste cargo até 31 de dezembro. Apesar de já ter outro cargo para o qual foi “eleito”. (Embora esteja no Senado, um projeto restringindo os Poderes do Vice. Mas não será aprovado, que audácia tentarem reduzir os Poderes desse vice importantíssimo. Aliás, esse projeto, que tenta diminuir também a presença dos suplentes de senadores, é uma verdadeira farsa).

Contestada a credibilidade política e eleitoral de Michel Temer, vejamos a credibilidade moral. Sofreu 21 acusações de irregularidades em matéria de dinheiro, nenhuma foi investigada, embora as provas fossem abundantes.

Sabendo que nada lhe aconteceria, manteve o silêncio dos inocentes, perdão, dos arrogantes e dos inatingíveis. Essas denúncias surgiram em plena campanha eleitoral, o PT tentou substituí-lo na vice, não conseguiu coisa alguma, o menor apoio, nem no PT nem no PMDB. Era natural e compreensível.

O trânsfuga moral, político e eleitoral que é Michel Temer, só não acumula a presidência da Câmara com a vice-presidência, por dois motivos. 1 – Não é mais deputado. 2 – Mesmo se pudesse, não teria interesse em acumular, não pode substituir a ele mesmo. Mas todas as indicações dos lobistas do PMDB passarão por ele, é o líder e o chefe.

 ***

PS – Quando Dona Dilma “designou” os três membros do que chamou de “Comissão de Transição”, não incluiu Michel Temer, a formação dessa “comissão” não resistiu 24 horas.

PS2 – Nem falaram com a presidente eleita, procuraram Lula diretamente. Com um simples telefonema, Temer foi incluído, os três membros do PT reverenciaram subservientemente o novo “companheiro”.

PS3 – “Genial”, tentando evitar qualquer dispersão, fez a proposta destinada à unanimidade: “A divisão dos cargos (não apenas ministérios) será a mesma do governo Lula”. Serve a ele, aos lobistas do PMDB, e aos 10 partidos da base.

PS4 – Fica de fora apenas o PT, que não admite “ficar de fora”. Está estudando e analisando a situação. Com Dilma e Temer, o que o PT pode reivindicar?

Arrefeceu a luta na Câmara, complicou muito no Senado

Helio Fernandes

Aparentemente, os dois maiores partidos, PMDB e PT, estão se entendendo. Um com a presidência da Câmara, o outro, do Senado. Só que internamente, o PT-Dirceu, que é o que manda, tem apenas um candidato, talvez dois.

Já no Senado, os concorrentes são muitos, todos do grupo lobista. E alguns, sem o menor constrangimento, garantem: “Qualquer dúvida, falo com Lula”. Acontece que todos têm dúvidas e trânsito com o ainda presidente Lula. O que parece surpreendente, todos dizem: “Se não for eu, não quero o Sarney”. Este afirma: “Tenho maioria folgada”. 

O DÓLAR NÃO SOBE

O BC continua comprando adoidado, gastando dinheiro do Tesouro, e o dólar não sai do lugar. O máximo que atinge é 1,70/71. O Ministro Mantega (seu nome provoca protestos em Meirelles) descobriu: “O dólar devia ser trocado por uma cesta de moedas”. Ha!Ha!Ha! Só que não sabe com quem falar e Meirelles não quer nem ouvir.

Há 55 anos, num outro 11 de novembro, decisão histórica de Lott e Denys, garantindo a posse de Juscelino, presidente eleito, que não queriam empossar. Depois, referendado pelo Supremo Tribunal.

Helio Fernandes

Foi uma época tumultuada, com golpes e mais golpes, alguns de bastidores, outros ostensivos, muitos chegando ao Poder, vários derrotados antes da batalha final. A candidatura à Presidência do governador de Minas, Juscelino Kubitschek, esteve sempre entre o veto (militar) e o voto (político), que vinha de longe.

Esse 1955 completava 1954, com o suicídio de Vargas e a posse do vice, Café Filho. E 1954 era consequência de 1950, os fatos desse ano, choque e hostilidade dos mesmos grupos que protagonizaram 1945 e a derrubada da ditadura.

Podem dizer: dessa forma, chegaremos à implantação (e não PROMULGAÇÃO) da República. E estarão rigorosamente certos. A História da República é uma sequencia de golpes, quase que os mesmos grupos militares se combatendo, ganhando ou perdendo sucessivamente.

Candidato, JK teve o apoio meio amedrontado do seu próprio partido, o PSD. Este reunia informes e informações dos quartéis e de líderes civis, “não aceitariam a candidatura e a consequente eleição de Juscelino”. Mas ele se lançou, sem medo, sem apoio, sem dinheiro.

Pediu audiência ao presidente Café Filho, foi recebido por ele em fevereiro de 1955. Comunicou ao presidente, “serei candidato à sua sucessão”. Café Filho, honestíssimo em matéria de dinheiro, não respeitava a própria palavra, falseava sem qualquer constrangimento.

Respondeu a Juscelino: “Fico satisfeitíssimo com a sua comunicação, pois minha decisão é irrevogável: ficarei neutro, não terei candidato”. Logo que JK deixou o Catete, Café Filho se dedicou a telefonar e a conspirar, não fez outra coisa a vida toda. Começou em 1935, participando da “Intentona Comunista”, liderada por Prestes. No interior do Rio Grande do Note, sua terra, foi grande ativista.

Enquanto corríamos o Brasil inteiro (JK alugara um avião Constellation), Café Filho fazia exatamente o contrário do que dissera a Juscelino. Lançou como presidenciável (com apoio total da máquina) o seu chefe da Casa Militar, Juarez Távora (importantíssimo como “Tenente” de 1922 a 1930, chamado de Vice-Rei do Nordeste).

Realizada a eleição em 3 de outubro, foi confirmado o que os bons analistas já sabiam: a vitória de Juscelino. Teve 36 por cento dos votos, mas nenhuma Constituição determinava MAIORIA ABSOLUTA. Só que, garantidos pelo presidente Café Filho, civis e militares tramaram NÃO EMPOSSAR o vencedor. Essa tentativa de materializou em 11 de novembro, completando os 55 anos hoje.

Café Filho foi para o hospital, se dizia doente, mas estava com mais saúde do que qualquer um. Passou o cargo ao vice-presidente da Câmara, Carlos Luz, e se internou no Hospital dos Servidores do Estado (naquela época, assombro até para estrangeiros, depois e até hoje, em plena decadência).

Nesse 11 de novembro aconteceu tudo. Carlos Luz “presidente”, demitiu o Ministro da Guerra, general Lott, e nomeou para substituí-lo o general Fiúza de Castro. (Só que Lott não saiu e Fiúza de Castro não entrou). Os acontecimentos se transferiram para a Câmara dos Deputados.

Às 4 horas da manhã, foi votado o impeachment de Carlos Luz e a posse, como sucessão natural, do presidente do Senado, Nereu Ramos. (Depois de demitir o general Lott, Carlos Luz foi assistir a sessão inaugural do filme “Carmem Jones”, grande direção de Otto Preminger. Quase à meia-noite foi para o Catete, pela manhã recebeu a notícia de que não era mais “presidente”. Integrou então o grupo que foi para São Paulo no “Tamandaré”.

Ele e Carlos Lacerda chegaram juntos. Foram tentar “Janio Quadros a formar um governo no exílio”, maluquice completa. Recusados por Janio, voltaram ao Rio, Lacerda se asilou na Embaixada de Cuba, 5 anos antes de Fidel Castro. O embaixador era admirador de Lacerda, a embaixatriz tinha ódio. A embaixada era numa casa pequena em Copacabana, Rua Djalma Urich, o constrangimento, total. (Mas isto é outra história).

Café Filho continuava no hospital, no dia 16 tentou voltar ao Catete. Recusado, seu advogado Celso Fontenelle (competente e depois várias vezes presidente da OAB da Guanabara e Estado do Rio) entrou com Mandado de Segurança, rapidamente recusado pelo Supremo.

No dia 21, o mesmo Fontenelle impetrou Habeas-Corpus pedindo a mesma coisa: a volta de Café Filho ao Catete. Esse foi um julgamento histórico, sem abusar da palavra. O relator, Nelson Hungria, de pé, de improviso e com aquele vozeirão, fulminou a pretensão, (a palavra é exatamente essa) votando de forma inédita.

Surpreendentemente, o ministro nem se fixou nos autos e sim no caráter, no perfil e no passado de Café Filho. Quase textualmente citando um fato que assisti há quase 55 anos, palavras de Nelson Hungria: “Entregar a Presidência da República a Café Filho, um conspirador nato, será fazer o país viver 40 dias de angústia e incerteza. (Era 21 de novembro,a posse de JK em 31 de janeiro de 1956, estão aí os 40 dias).

 ***

PS – Rapidamente Nelson Hungria terminou, negando o Habeas-Corpus. Com isso, a Presidência ficava vaga, no mesmo dia 21 a Câmara votava o impeachment de Carlos Luz  elegia como presidente EFETIVO até 31 de janeiro, o presidente do Senado, Nereu Ramos.

PS2 – Outra grande figura, Milton Campos, sentado na primeira fila, dizia ao seu amigo Nelson Hungria: “Se eu fosse o relator, votaria, “NEGO PORQUE PEDIU”. Nas palavras dele, um presidente da República não poderia pedir a um Poder desarmado, como o Supremo, para lhe devolver a Presidência.

PS3 – Como previu Nelson Hungria, na data marcada, Nereu Ramos passou o cargo a Juscelino, foi nomeado Ministro da Justiça.

Podem muito, mas não podem tudo

Carlos Chagas 

Continua o Brasil  sendo o país dos exageros, tanto faz se de um lado  ou de outro. Durante o regime militar   a Justiça ficou  impedida de apreciar  os atos ditos revolucionários, praticados pelos generais-presidentes com base na legislação ditatorial.  Uma  aberração.

Pois não é que estamos  passando  de um extremo a outro? Agora uma simples juíza do Ceará  suspende  não só a divulgação dos resultados do Enem, mas  considera  nulo  o exame realizado em todo o país, envolvendo mais de dois milhões de estudantes.

Convenhamos, nem tanto lá como nem tanto cá.  Só aos tribunais superiores deveria caber a prerrogativa de  cancelar  uma ação nacional, praticada  pelo governo federal. Claro que nenhuma instituição deve  estar acima da apreciação judicial, mas a lógica  indica precedências hierárquicas.  Se um juiz singular qualquer detiver tamanho poder, um dia desses  sentenças de primeira instância   suspenderão o tráfego aéreo em todo o território nacional, por conta dos maus serviços prestados pelas  empresas. Ou virá o  cancelamento dos jogos   do Brasileirão no país inteiro,  em função da violência das torcidas organizadas. 

A Justiça  pode muito, mas não pode tudo. Do jeito que as coisas vão, algum  juiz ainda decretará que todo brasileiro está obrigado a ser feliz…

E A PRESIDÊNCIA DO PMDB?

Michel Temer anunciou que deixará a presidência da Câmara a 17 de dezembro, data de sua  diplomação como  vice-presidente da República. Nada mais natural, mas a pergunta que fica é quando deixará a presidência do PMDB.

A situação, se ele continuar, lembra outra já pertencente à História. D. Pedro I dissolveu a Assembléia Constituinte e outorgou um texto, aliás muito bom, com exceção de suas atribuições. Seria, como foi,  chefe do Poder Executivo, mas, também, chefe de um estranho Poder Moderador, instituído para dirimir dúvidas e embates entre os outros  três poderes. Assim, haviam quatro cadeiras na sala, com uma vazia:   quando chefe do Poder Executivo e entrava em choque com o chefe do Poder Legislativo, levantava-se e ocupava a cadeira de chefe do Poder Moderador, dizendo aos demais: “bem, vou  agora resolver essa crise com os poderes  que me foram  facultados  pela Constituição…”

Como vice-presidente da República e  coordenador político do governo, Michel Temer terá  a tarefa de compor os embates entre os diversos partidos da base de apoio a  Dilma Rousseff. Se como presidente do  PMDB   estiver batendo  de frente  com o PT, pedirá  ao companheiro-presidente para esperar um minutinho, pois já resolverá  a questão, como vice-presidente da República?

NINGUÉM PEDIU?

 O  presidente do  Superior Tribunal Militar vetou a divulgação dos inquéritos e do processo  referentes à atuação de Dilma Rousseff quando, nos idos de 1969, foi presa e torturada por lutar contra a ditadura. Exorbitou da máxima constitucional de que todo brasileiro, inclusive o pessoal da “Folha de S. Paulo”, tem direito a conhecer a documentação dita criminal,  relativa a qualquer cidadão ou cidadã processados pelo poder público. Para isso, inclusive, a Constituição criou o hábeas-data, primo do hábeas-corpus.

Mesmo assim, o douto ministro mantém a proibição, sob a alegação de que tornar público o processo poderia influir nas passadas eleições e até na formação do novo governo. No  plenário do STM há empate a respeito da decisão, que pelo jeito não será resolvida este ano.

A dúvida é saber se o presidente da mais alta corte militar do país agiu por conta própria ou se cedeu ao apelo de  alguém do governo.  Aliás, teria sido um erro, pois a divulgação das peças referidas só faria engrandecer  a presidente eleita e tornar pública mais uma etapa das aberrações praticadas naqueles anos bicudos.

SIONISTA DIREITISTA VERSUS ESPIÃO  DO HAMAS

Depois de aposentado, o  ex-ministro Flávio Flores da Cunha Bierrembach aproveita o ócio viajando para aprimorar seus conhecimentos de política internacional.  Acaba de passar um mês em Israel, país que muito admira, tendo conhecido em detalhes a situação na Galiléia, Samaria e Judéia. Participou, em Jerusalém, de um seminário sobre a crise no Oriente Médio, e em dado momento sustentou a tese controversa da inexistência de um povo   palestino, já que a Palestina é apenas  uma região,  durante muito tempo habitada por árabes, mas, também, por israelitas. Por incrível que pareça, um diplomata de Israel insurgiu-se, achando a intervenção um exagero e agredindo o representante brasileiro, a quem chamou de sionista direitista.

Bierrembach, de pavio curto, reagiu no mesmo diapasão,   rotulando o diplomata israelense de espião do Hamas infiltrado no governo judeu…     

 

                                          

 

Franklin fala em enfrentamento sobre projeto que não divulgou

Pedro do Coutto 

Reportagem de Elvira Lobato e Andreza Matais, Folha de São Paulo de ontem, focalizou a segunda etapa do Seminário sobre Convergência de Mídias e transcreveu novas afirmações do ministro Franklin Martins, desta vez advertindo previamente as empresas de que a discussão está na mesa. Está na agenda. Terá que ser feita ou num clima de entendimento ou de enfrentamento, acrescentou. O tom, como se vê, foi forte, agressivo. Tanto assim que, dirigindo-se à Associação Nacional de Jornais, afirmou literalmente: se ela achar que isso é inconstitucional que vá à Suprema Corte. Qual o conteúdo do “isso”? O filho do senador Mario Martins, um vulto que pela integridade de sua atuação, tanto no jornalismo quanto no Parlamento, deixou um exemplo luminoso, descontrolou-se. Tenho a impressão que a importância do cargo que exerce o fez flutuar entre as nuvens do poder colocando-se acima da realidade. Vamos por partes.

Praticou um desafio prévio desnecessário e, com isso, acirrou ainda mais os ânimos. Afinal dirigiu suas palavras a quem ou a respeito de quê? Quem será o alvo? A Rede Globo, pelo fato de seu sistema reunir um jornal, uma rede de televisão,  outra rede de rádio, editora etc.?  Se assim foi, escolheu mal o principal inimigo, criando dificuldades para o governo Lula do qual faz parte. Na mesma faixa de múltipla propriedade encontram-se a Record, a Bandeirantes, a Tupi (emissoras radiofônicas e o Correio Brasiliense, Estado de Minas, Diário de Pernambuco. Jornal do Comércio do Rio de Janeiro). O roteiro de resistências legítimas não favorecem o titular da Comunicação. Mas o fato não é apenas este.

É que ao sustentar que aqueles, inclusive jornais, que se sentirem prejudicados que recorram ao Supremo, deu sua ideia como fato consumado. Não lhe ocorreu a hipótese de Lula não vir a encampá-la. Afinal, um ministro pode perfeitamente elaborar um anteprojeto de lei ou de emenda constitucional. Porém só o presidente da República tem poder para enviá-lo ao Congresso Nacional. O titular de uma pasta não pode se relacionar diretamente com o Poder Legislativo. O senador José Sarney e o deputado Michel Temer, vice-presidente eleito, devem esclarecê-lo da impossibilidade. Franklin Martins está agindo como se Lula houvesse concordado com a proposta. E também que o Parlamento já tivesse transformado sua iniciativa em lei. Nada disso aconteceu.

Para início de conversa, o ministro da Comunicação, como se diz hoje em dia, até agora não disponibilizou o texto integral de sua proposição. A histórica ABI, de tantas lutas em defesa da democracia e que acolheu em sua sede nos momentos mais críticos estudantes perseguidos pelas forças de repressão da ditadura nas ruas do Rio, deveria ser ouvida. A ABERT, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Nacional de Jornais, a Federação Nacional de Jornalistas, os sindicatos profissionais, também nada a esse respeito. Assim Franklin Martins admite até enfrentamento em torno de matéria até este instante desconhecida.

Um absurdo completo. Deixa mal o presidente Lula. Pior ainda a presidente eleita, Dilma Roussef, que já se pronunciou contra qualquer restrição à liberdade de opinião e informação. O que Franklin Martins pretende? Controlar as redações? Restringir as publicações? Anular concessões já estabelecidas de televisões e rádios? Não conseguirá.

A exemplo de Leonel Brizola, em 1963, está subestimando em 2010 a força da propriedade agora somada ao direito à liberdade. A nós a liberdade, como no filme de René Clair.

Você sabe quanto custa para eleger um deputado federal? Pode até sair barato, mas geralmente custa caro, muito caro mesmo. E quem paga é o povo.

NOGUEIRA LOPES

Depois do vendaval das eleições, vale a pena fazer comparações e desenvolver alguns raciocínios sobre o exercício da atividade política no Brasil.  Um dos melhores índices são os gastos dos deputados federais para se elegerem. Veja quanto os dez candidatos mais votados gastaram (com base no que está declarado, é claro, embora se saiba que essas despesas têm sempre patrocinadores particulares).
1)  Anthony Garotinho (PR) –  R$ 2.574.224,77 –  VOTOS: 694.862
2) Chico Alencar (PSOL) – R$ 180.986,29 – VOTOS: 240.724
3)  Leonardo Picciani (PMDB) – R$ 1.918.958,15 – VOTOS: 165.630
4 ) Vitor Paulo (PRB) –  R$ 510.512,90 – VOTOS: 157.580
 5)  Eduardo Cunha (PMDB) – R$ 4.767.775,79 – VOTOS: 150.616�
6) Romário (PSB) – R$ 308.992,15 – VOTOS: 146.859
7) Jandira Feghali (PCdoB) – R$ 1.830.098,75 – VOTOS: 146.260
8) Alexandre Cardoso (PSB) – R$ 749.411,28 – VOTOS: 142.714
9) Washington Reis (PMDB) – R$ 626.631,04 – VOTOS:138.811
10) Alessandro Molon (PT) – R$ 470.509,46 – VOTOS:129.515

Detalhe importante: na verdade, nenhum candidato gastou nada. Quem pagou a conta foram os partidos, através do Fundo Partidário (recursos públicos, dos impostos) e os empresários patrocinadores. Os candidatos, mesmos, nem meteram a mão nos bolsos.

BOM EXEMPLO DE PAULO JOSÉ

Há 17 anos, o ator e diretor Paulo José recebeu a notícia de que sofria do mal de Parkinson. Embora a doença prejudique os movimentos do corpo e do rosto, essenciais para um ator, não o afastou do trabalho. Ele acaba de estrear no Rio peça “Histórias de amor líquido”, em que dirige suas duas filhas Ana e Bel Kutner.

“Não posso parar de trabalhar. O que me motiva é o meu trabalho”, diz ele, lamentando que as pessoas geralmente não lutem contra as doenças sem cura, como o mal de Parkinson.

O PADRE PERUANO E A FAXINEIRA

Fazem sucesso na internet as imagens do padre José Antonio Boitrón Solano, flagrado em sua cama na igreja Medalha Milagrosa, em Trujillo (Peru), com a faxineira Teolinda Amaya Altamirano, que trabalhava na paróquia.

A relação sexual foi gravada e exibida na TV peruana. As imagens foram feitas pelo marido de Teolinda, que está grávida de 4 meses. O filho seria do padre. Teolinda disse que ele a forçava a ter relações sexuais.

O padre continua celebrando missas na igreja, mas a faxineira foi demitida.

FILMES VIRAM “MICROSSÉRIES”

A Rede Globo vai transformar filmes em microsséries. Os sucessos de bilheteria “Chico Xavier” e “O Bem Amado”, duas produções da Globo Filmes, irão ao ar na emissora em janeiro, divididos em quatro episódios cada um.

A idéia é garantir audiência com o mínimo de investimento. Faz sentido. A minissérie “Maysa”, por exemplo, custou 9 milhões. Dividir os filmes fica muito mais barato.

BRASILEIRAS SEM IGUAL

Pelo segundo ano consecutivo, a modelo baiana Adriana Lima encabeça a lista das modelos mais sexy do mundo, criada pelo site Models.com. Adriana, uma das principais angels da Victoria`s Secret, já é a quarta no ranking da revista “Forbes” das tops mais bem pagas do mundo, com faturamento anual de US$ 7,5 milhões, o equivalente a R$ 12,6 milhões. 

Também entram na lista das mais sexy as brasileiras Gisele Bundchen, no terceiro lugar, seguida de Alessandra Ambrósio, Isabeli Fontana, Ana Beatriz Barros e Emanuela de Paula. Um verdadeiro festival de mulher bonita.

“MORAL É COMO PESQUISA”

Por fim, vale a pena lembrar a reflexão da atriz Fernanda Torres, sobre a moral do povo brasileiro e as recentes eleições. Disse ela: “A moral varia conforme as pesquisas em uma eleição”. Tem toda razão.

 

Bellucci não passa da segunda rodada

Helio Fernandes

Espinafrou dirigentes, tenistas, treinadores (inclusive o seu), mas ganhar que é bom, nunca. Depois de três eliminações na primeira rodada, agora no importante Master de Paris, jogou com um mediocríssimo alemão. E só ganhou na última bola do terceiro set.

Hoje, às 2,25 (de Brasília) perdeu para Davidenko por 2 sets a 0. Sendo que no segundo não fechou um game, derrotado por 6 a 0, em menos de 1 hora.

Surgida depois da Segunda Guerra Mundial, a ONU se transformou na fortaleza das grandes potências. Desinteressadas da coletividade, agora se hostilizam no Conselho de Segurança.

Helio Fernandes

O fim da Primeira Grande Guerra produziu a Liga das Nações, anunciada como sendo o auge do entendimento entre os países, o fim das guerras não só mundiais, como as chamadas “guerras localizadas”. Foi uma negação de todos os objetivos propagados e divulgados, nunca se combateu tanto.

Fracasso total. Apesar da Primeira Guerra não ter sido completa quanto a Segunda, ela surgiu da mesma incompatibilidade e da defesa pelas grandes potências de seus colossais interesses.

(Começava a Era do Petróleo. Embora já fosse importante, não tinha a força extraordinária que acumularia com o início do Século XX).

Os EUA praticamente não participaram dessa Primeira Guerra, mandaram apenas 13 mil homens. E enviaram combustível, atendendo ao apelo desesperado do primeiro-ministro Clemenceau (França, 1917), e mais nada. A China não existia, só começou a sair do Século X a partir da “Grande Marcha” de Mao Tse Tung. E a União Soviética apareceria depois do fim da Segunda Guerra, se consolidando em cima dos 300 anos de fracasso dos Romanoff.

Portanto, foi exagero chamar de total a Primeira Guerra. A Segunda, sim, catastrófica. Com os coadjuvantes de sempre, e as potências, EUA, União Soviética,China, Japão e quase toda a Ásia e África, durou quase o dobro do tempo, e com 5 vezes mais mortos. Até hoje não conseguem chegar a um  número que represente a realidade.

Mas se há um fato que ninguém discute é este: não aprenderam nada. Apesar da rendição incondicional da Alemanha em 8 de maio de 1945 (repetindo o 11 de novembro de 1918, completando 92 anos amanhã), EUA e União Soviética continuaram a devastação.

Terminada a guerra explícita, mais 20 anos da implícita, que denominaram de “guerra fria”. A União Soviética explodindo seus orçamentos com material militar (incluindo submarinos nucleares), os EUA esbanjando fortunas para destruir e liquidar a União Soviética (com o riquíssimo Plano Marshall), o que conseguiram 45 anos depois.

Como se tratava de repetir os erros do passado, não hesitaram: recriaram a Liga das Nações, naturalmente com um nome novo, Organização das Nações Unidas. O arcabouço, popularizado como ONU, valia pouco, o importante era o Conselho de Segurança, reservado para as maiores potências.

Tanto isso é verdade, que entregaram a presidência dessa ONU a um brasileiro. Não importa que fosse um estadista chamado Osvaldo Aranha, que já fora embaixador lá mesmo na Matriz, tendo ocupado quase todos os ministérios aqui na Filial. Valia tão pouco esse plenário da ONU, que em 1948 criaram os Estados de Israel e da Palestina. Até hoje, 62 anos decorridos, só existe um desses Estados, o outro não sairá jamais. (Ou pelo menos, no horizonte, só obstáculos e hostilidades).

Agora, essa hostilidade EUA-China se transfere para o Conselho de Segurança, a verdadeira potência da comunidade-rivalidade. Os EUA desafiam a China defendendo a Índia nesse Conselho. É que a Índia, apesar dos seus 900 milhões de habitantes, não ameaça os EUA. E melhor, serve como provocação à China, que não aceitará de maneira alguma o fato.

Os EUA sabem que sem o apoio da China não introduzem ninguém no Conselho de Segurança. Alguns analistas principiantes dizem que os EUA “frustraram e decepcionaram o Brasil”, que muito antes da Índia, pretendeu fazer parte desse Conselho de Segurança. É exatamente o contrário. Obama quis preservar o Brasil de “uma derrota pública”, usou a Índia para manobra até elogiável.

A China, com o apoio possível (talvez) da Rússia, não aceita a Índia como parceira no Conselho, apresentará então a modificação para aumentar esse núcleo para 20 membros. Levará algum tempo, (todos querem negociar) e sem a menor dúvida, o Brasil estará incluído. Não é nem será possível criar um Conselho (clube), com 20 membros, e deixar o Brasil de fora.

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PS – Isso dificilmente deixará de acontecer.  Obama foi pessoalmente à Índia (está lá), para mostrar e demonstrar à China o seu interesse. Da China já surgiram declarações autorizadas, a respeito do assunto.

PS2 – É de boa conveniência não se adiantarem na análise dos fatos. China e EUA estão mais interessados no comércio pacífico e cada vez maior, do que num relacionamento hostil e cada vez mais guerreiro.

PS3 – A China, hoje, é desejada pelo mundo inteiro. Tendo atingido no dia 1º de novembro, população de 1 bilhão, 350 milhões de habitantes (número referendado pela própria ONU), tem que COMPRAR e VENDER em todos os países. Só conseguirá isso em paz.

PS4 – Os EUA estão encurralados com a queda do consumo interno, precisam restabelecer esse consumo, ou ficarão estagnados. O lançamento de 600 BILHÕES DE DÓLARES no mercado interno, é medida de salvação e não de intervenção.

PS5 – A China protestou, isso faz parte do jogo. Como o mundo inteiro COMPRAVENDE dela, gostou muito dessa emissão, uma parte desses 600 BILHÕES, serão gastos lá mesmo na China.

PS6 – E o Brasil nisso tudo? Não foi atingido de maneira alguma. E até teve o caminho aplainado pela concretização de um fato muito noticiado antes da eleição de Dona Dilma: a ida de Lula para embaixador na ONU.

PS7 – Agora o cargo ganha importância ainda maior. Como a reformulação do Conselho de Segurança se dará entre 2011 e 2012, ótimo que Lula esteja lá. Dois anos depois poderá voltar como vitorioso. Qualquer que seja o futuro de Dilma e Lula, não estarão prejudicados.

Dona Dilma cautelosa na escolha de homens e mulheres para o ministério

Helio Fernandes

Em tudo o que fala, tem a preocupação (compreensível) de não hostilizar o protetor e ainda presidente. Quando “nomearam” Palocci Chefe da Casa ou Ministro da Fazenda, Lula imediatamente repicou, “Palocci não”, e a presidente eleita esqueceu inteiramente do nome dele. Com a subserviência habitual, Palocci não disse nada, se refugiou no silêncio.

Ontem, Dona Dilma tratou de um assunto que “fatura popularidade” e não hostiliza Lula: a composição ministerial com tantas mulheres quanto homens. Diante do que ela afirmou, a conclusão: mais de 10 mulheres serão nomeadas ministras.

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TANTOS MINISTROS COMO OS DE LULA

Dona Dilma garantiu o que eu vinha dizendo com insistência; terá que nomear os mesmos 37 ministros do governo Lula. Isso era compreensível, admissível, previsível. Como o grupo de partidos que apoiou Dilma foi maior, a recompensa tem que ser naturalmente maior. Existem tantas mulheres filiadas a partidos inexistentes?

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ROMERO JUCÁ, O INSUBSTITUÍVEL

Reeleito depois de ter sido derrotado para governador em 2006, gostaria de duas coisas no seu futuro. 1 – Ministro da Institucionalização, “sente” que Dona Dilma terá que negociar muito.

2 – Presidente do Senado. Mas sabe que seu cacife é pequeno dentro do PMDB. Teria que ser indicado pelo Planalto, tem certeza que não acontecerá. Mas nenhum aborrecimento se for eleito líder do governo no Senado. Já foi líder de FHC e de Lula, por que não seria de Dona Dilma?

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MARCO AURÉLIO GARCIA APAVORADO

É dos mais assustados com a possibilidade de não ser “herdado” por Dona Dilma. Não foi confirmado nem descartado pela razão muito simples de que não é ninguém. Mas tem insistido com Lula, que já repetiu: “Não pedirei por ninguém”. Pode ser que Lula fale por falar. Se não continuar, a esperança é Lula aceitar a ONU, e ir com ele.

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DONA MARTA FABRIL S/A

Obteve o que pretendia: ser notícia no Senado, no Planalto e na corrida eleitoral de 2012. Levou um susto no dia 3 de outubro, quando Aloysio Nunes Ferreira surgiu com 10 milhões de votos e ela ia perdendo para o candidato do PCdoB, Netinho de Paula. Sabe que seu futuro está em São Paulo, confessa que é verdade.