ESPN: pesquisa sobre Parreira

Não foi surpreendente o resultado. 38% acham que “Parreira está decadente”. 31% consideram que “nunca foi bom técnico”. Outros 31% garantem que “ele tem apenas sorte”. Não ouviram o próprio Parreira, diria: “Sou incomparável”.

Mais tarde, diria ao Sportv: “Estou acostumado, estive em 8 Copas”. Ha! Ha! Ha! Sua carreira é mais incerta. “Ganhou” a Copa de 1994, a pior de todas, e ainda por cima nos pênaltis. Dirigiu a seleção de vários países, nenhuma vitória ou sucesso. Quando assumiu no Fluminense, perguntei na Tribuna ainda em papel: “Quanto tempo irá durar?” Não durou.

O excelente programa de Marcelo Barreto, “Redação Sportv”, é tão repetido que, às 5 horas, quando Parreira já estava demitido há horas, repetiam o que diziam às 9 da manhã. Inteiramente ultrapassados, o que poderia ter sido evitado.

A morte por descuido em subúrbio

Essa menina de 5 anos, caiu da janela de um apartamento, em Thomaz Coelho. Nesse subúrbio da Linha Auxiliar, nasceu Sergio Cabral pai. O filho não sei, também não tem nenhuma importância.

Este repórter, que nasceu no Meyer (onde Millor fundou sua famosa universidade), morou uns tempos (com 11 anos), na casa de um tio,  em Terranova, uma estação antes de Thomaz Coelho.

Só que naquele tempo, essas localidades eram admiráveis, perderam todo o charme.

Na Corte de Kennedy

Alberto Monteiro do Amaral, Mato Grosso:
“Gosto muito do seu estilo primoroso, de sua competência, de sua incrível memória, mas por causa dela, tenho dias restrições a fazer. Quando morreu o ex-secretário de Defesa, McNamara, sua nota foi como sempre a melhor. Deu nomes de pessoas que eram íntimas de  Kennedy, quem escrevia seus discursos, quem era seu assessor especial, colega de universidade e até de time de futebol.

Mas fiquei decepcionado pelo fato do senhor não citar a universidade, e mais ainda, por ter falado no assessor de imprensa sem indicar o nome dele. O senhor considera o assessor especial, cujo nome citou, mais importante do que o homem que fazia a ligação do presidente com os jornais?

Desculpe, acho que me acostumei mal com sua memória, mas precisava escrever, mesmo que não obtenha o esclarecimento desejado.”

Comentário de Helio Fernandes:
Eu é que peço desculpas pelas omissões, Alberto, mas você, e qualquer leitor, pode me pedir esclarecimento e tem até o direito de me questionar.

Em relação a universidade, tive e tenho a impressão de que era mais do que conhecido o fato de que estudara em Harvard. Talvez devesse ter escrito para dizer que ele foi um brilhante aluno de jornalismo. De tal maneira, que sua defesa de tese foi tão bem recebida, que se transformou em livro de sucesso. Tinha então 23 anos e ninguém imaginava que 20 anos depois,quando completara 43, fosse eleito presidente.

Quanto ao assessor de imprensa (que como eu disse foi mantido sem saber do que se passava) seu nome era Pierre Salinger. Com a morte de Kennedy, ficou desempregado. Meses depois morreu um senador democrata, e como nos EUA não existem suplentes, foi designado pelo governador Warren para cumprir os 19 meses que faltavam para terminar a primeira parte do mandato. Para continuar pelos outros 3 anos, tinha que disputar a eleição. Disputou e perdeu. Ficou novamente desempregado.

Bovespa instável, volume miserável

A jogatina abriu em baixa, 49 mil 352 pontos, menos 0,30%. Logo caía para 48 mil e 600, baixa de 1,20%. Às 13 horas, recuperou, não sobre nem desce. Com 3 horas de jogo, o volume está ainda em 1 bilhão e 200 milhões.

O dólar começou em 2 reais, mais 0,22%. Neste momento, 1,98 bem alto, menos 0,30%.

Inédito, textual e entre aspas

De autor anônimo, mas rigorosamente verdadeiro: “Do ponto de vista AÉTICO, Sarney é O CARA”. Se conhecesse o presidente do Senado, Obama poderia cobrar royalties.

Do Ministro Ayres Brito, presidente do TSE, e extraordinária figura: “A reforma eleitoral aprovada pela Câmara é provinciana e favorece a cúpula partidária”. Quero ver o que o Ministro irá dizer quando aprovarem a PRORROGAÇÃO dos mandatos e o VOTO DE LISTA.

Niall Ferguson, professor de Harvard: “O que se discute agora pode levar a uma nova década perdida”. Desde a roubalheira de 2008, venho dizendo a mesma coisa. E condeno analistas, economistas, cientistas políticos e governantes que afirmam que “a crise está acabando”. Não está e não sabem ver os sinais negativos.

Leon Panetta, atual diretor da CIA: “O vice-presidente de Bush, Dick Cheney, mandou que a CIA escondesse do Congresso programa de espionagem, depois de 2001”. Cheney e Bush teriam lugar cativo no Senado brasileiro.

Esportivas, reluzentes, esfuziantes, mas não fascinantes

1. Há dias, observei: a série A, em 2010, pode ter 2 “grandes”: Vasco e Botafogo.

2. Peço desculpas: podem ser três, acrescentem o Fluminense, que desce em alta velocidade.

3. Parreira garante: “Não peço demissão, não serei demitido, vão chegar reforços” Ha! Ha! Ha!

4. Em 2006, a seleção brasileira era (ou se julgava) favoritíssima, nem queremos lembrar do fiasco.

5. A “tática” do Parreira é ficar no limite do treinador, batendo palmas e gritando: “Vamos, vamos”. É a sua capacidade de incentivo.

6. Os árbitros continuam insensíveis e insensatos. Marcam pênaltis que só eles viram, deixam de marcar pênaltis que todos viram.

7. E o iluminado Ronaldo? É o que digo: quando não faz gol, ninguém vê que está em campo. Ontem ainda levou um justíssimo cartão amarelo.

8. O Corinthians “cansou” de vencer. Ontem levou um passeio do Grêmio. Este fez 3 a 0 no primeiro tempo, desistiu do jogo no segundo.

9. Luxemburgo (enquanto se prepara para o Senado) tem que decidir onde morar. Rio ou Porto Alegre?

10. Ah! Pode voltar à Vila Belmiro. Perder de 6 a 3 não consola nenhum treinador.

11. E o palmeiras, hein? Com um interino, ainda não perdeu. E subindo para o G4.

Dois ex-presidentes sonhando em serem embaixadores

O ostracismo é terrível. Alimenta todos os desenganos, cria amargura curada com esperanças.

Personagens: FHC e Sarney.

O ex do retrocesso de 80 anos em 8, acredita que se Serra chegar a presidente, na certa irá nomeá-lo embaixador na ONU. Não só reciprocidade, mas o homem certo para o lugar certo.

O segundo ex tem publicamente três hipóteses para deixar a presidência do Senado: licença, renúncia, demissão. Não quer nenhuma, prefere a embaixada em Paris. Lula sabe disso. (Exclusiva)

QUEREM TRANSFORMAR A AMAZÔNIA NUM SANTUÁRIO DE MISERIA E DAS ONGS

Quando comandou a Amazônia, o general Lessa (4 estrelas, depois presidente do Clube Militar e conferencista sobre a importância da Amazônia para o desenvolvimento) descobriu e revelou esta coisa espantosa: “Funcionam na Amazônia, 100 MIL ONGS”. (Isso mesmo: 100 MIL).

O País ficou assombrado, mas nada aconteceu. Meses mais tarde, numa reunião histórica no Clube Militar, dois ex-Ministros, senador Bernardo Cabral e general Leônidas Pires Gonçalves mostraram impressionantes radiografias sobre a Amazônia, e o que pretendiam fazer com ela: um símbolo, um fator de cobiça internacional, mais o que deve e deveria ser há muito tempo, alavanca para o progresso e a riqueza do Brasil.

Lessa e Leônidas, militares, comandaram a Amazônia, viveram lá muitos anos, viram, examinaram, estudaram, compreenderam o futuro e o destino da Amazônia. Bernardo, civil, nasceu lá, se realizou e ganhou o mundo fora de lá, mas não esqueceu o que a Amazônia precisava representar. Foi deputado e senador pelo Amazonas, continua o “bom combate”: a colocação e a defesa da Amazônia (e não apenas do Amazonas, sua visão é sempre universal) como o grande salto do país para a sua realização como potência.

Depois de todas as peripécias e de todos os movimentos para que a a Amazônia enriquecesse apenas 18 mil índios, milhares de aventureiros da madeira arrancada, destruída ILEGALMENTE e comercializada de forma ILEGÍTIMA, grilagem de vastas regiões quilométricas (alguns desses fatos, tristemente referendado pelo mais alto tribunal do país) surge o que parede burrice, mas naturalmente é mais do que isso.

Além de tudo o que se pode dizer sobre o “esquecimento” da Amazônia, surge agora o que não é nem segredo: a total divisão do governo. Oficialmente, foi dada ORDEM para o asfaltamento da BR-319 que liga, perdão, deveria ligar Manaus a Porto Velho.

Mas aí surge um simples ministro, nomeado e dependente do próprio governo, falastrão e poderoso, decide: “A BR-319 não será asfaltada, Manaus e Porto Velho não precisam de ligação”. Ou seja, ficarão como estão, crateras enormes, buracos por todos os lados, caminhos intransitáveis no verão  por causa das chuvas violentas, e nas outras estações igualmente impossível de ser percorrida.

O asfaltamento, já previsto, como verba orçamentária, prazo para começo e fim das obras, mas nada é feito pela vontade do ministro, que pelo visto, individualmente manda e pode mais do que todo o governo, coletivamente.

E manda mais do que o presidente da República que no nomeou do nada, mais pode demiti-lo, pois esse ministro, Carlos Minc, surpreendentemente hoje é tudo.

Pela primeira vez o progresso é acusado de retrocesso. Houve uma época que o asfaltamento constituía mesmo a maior reivindicação de prefeitos e governadores.

(Nos EUA, a partir de 1894, quando o genial Henry Ford colocou o primeiro carro nas ruas, começou no país frenética e avassaladora corrida para abrir e asfaltar estradas).

O ministro Minc se defende numa auto-condenação explícita: “Asfaltada, a BR-319 servirá a toas as roubalheiras de terras, aumento do desmatamento, invasão e depredação indiscriminadas”. Inacreditável, mas rigorosamente verdadeiro.

Esperamos que o presidente da República descubra Poder para demitir o ministro, antes que ele mande destruir toas as estradas asfaltadas do país.

* * *

PS- Uma parte enorme do minério brasileiro (dezenas de espécies) já enriqueceu muita gente. Incluindo herdeiros dos que destruíram tudo o que havia de riqueza mineral no Amapá, onde, não por acaso, Sarney instalou seu segundo feudo ou capitania.

PS2- Há mais de 20 anos, cientistas-pesquisadores garantem: “As maiores riquezas do mundo estão em quatro áreas ainda não exploradas. As montanhas, o fundo dos mares, a Antártica (Antártida, tanto faz) e a Amazônia. No Brasil, querem que essa riquíssima Amazônia se transforme em santuário, enquanto suas terras vão sendo vendidas e com RECIBO ASSINADO.

Senador Luxemburgo

É de morrer de rir, mas o próprio treinador desempregado é que deu a notícia aos jornalões. Seria candidato por Goiás (por que a escolha e não em São Paulo?) e garante: “Estou em segundo lugar nas pesquisas”. Como são dias vagas estaria eleito. Ha! Ha! Ha!

Ex-fenômeno, agora iluminado

Antes de Ronaldo ter feito três gols num jogo do Brasileirão, disse aqui: “Ele não é mais fenômeno, é iluminado. Desaparece em capo, ninguém o vê, surge e faz o gol”. Quando reaparece, não é o atleta. Além de gordo na frente, está com um enorme bundão.

Falei: vão chamá-lo como eu chamei, no Brasil a criatividade é zero. Não deu outra, já surgiram artigos com essa palavra.

Depois dos 3 gols, contra a fraquíssima defesa (?) do Fluminense, falei: “Já vão insistir, ‘Ronaldo tem que ir para a seleção’.” Já estão badalando isso. Ora, Dunga não vai chamar o iluminado, as defesas da Copa, inteiramente diferentes.

O complicado relacionamento Barrichello-Button

O brasileiro fez tudo certo. Ficou em segundo nos treinos, pulou na frente, disparou. Dava toda a impressão de que seria o vencedor, não cometia erro algum.

Mas cometeu o maior de todos: não tinha a preferência do dono da equipe. Esse dono, que favorecia sempre Button, insistia em dizer: “Para mim, tanto faz Button ou Barrichello”. Isso era a teoria falsificada. Mas a realidade não contaminada, inteiramente diferente.

Por duas vezes hoje Barrichello era melhor. Mas depois que a estratégia esburacada de três paradas fracassou inteiramente, na cabeça da Brawn, a certeza: Button tinha que chegar na frente de Barrichello. Facílimo: bastava chamar Barrichello antes para a última parada, Button ficaria sozinho. E aconteceu. Button décimos de segundo na frente de Barrichello. Será o assunto da semana.

4 ou 5 suplentes na CPI

Renan está numa assombrosa atividade para compor a CPI da Petrobras e a Comissão de Ética. Tem muitos suplentes à disposição, mas não tantos quanto precisa.

Para a CPI, já decidiu. Os suplentes mais antigos e mais subservientes (todos são). E a Comissão de Ética?

Lula-Renan-Sarney

O presidente da República está chegando ao Brasil e já determinou: logo, logo quer conversar com as duas “eminências” do PMDB. Mas Lula já não está tão convencido que tem que “salvar Sarney a qualquer preço”. Foi alertado (e não aconselhado): “O desgaste tem sido muito grande”.

Não percam de vista o seguinte: a posição que for tomada por Lula agora pode significar um lembrete para o que  fará dentro de alguns meses.

* * *

O ex-presidente da República, que só ficava na capital quando ocupava esse cargo, não gostou, mas Renan, seu líder e mentor pediu: “Presidente, fique aqui esses dias, podem acontecer reuniões importantes”.

Como não atender a quem comanda tudo e viveu episódio exatamente igual? (Exclusiva)

Emoção e razão podem acoplar-se

Carlos Chagas

Juscelino Kubitschek havia assumido pouco antes a presidência da Republica. A capital era no Rio e a União Nacional dos Estudantes iniciou mais uma de suas badernas ideológicas, protestando contra a permanência de Roberto Campos no  BNDE, contra o aumento nas passagens dos bondes, contra a derrota do Flamengo para o Madureira e até contra o  abandono dos gatos cegos na Praça da República. Claro que estamos exagerando, mas o espírito libertário da juventude explodia,  encontrando  a maior  receptividade no novo governo.

A sede da UNE funcionava na praia do Flamengo, a poucas quadras de distância do  Catete, sede do Poder Executivo. Os jovens saíram em passeata, numa gritaria dos diabos. Foram entrando, a ponto   de ocuparem os jardins do palácio.  JK desceu de seu gabinete para ouvir os protestos. Oradores aos montes, diante dele, desancavam o governo, os Estados Unidos, a Humanidade e quem sabe o Universo.

Um deles era estudante de Direito, Sepúlveda Pertence, hoje ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal. Se ainda agora elogiamos seus dotes oratórios,  imagine-se como era o seu arrebatamento verbal,  há mais de cinquenta anos.

Quanto o jovem  terminou sua saraivada de diatribes, o presidente, ao   lado, quis saber o seu nome. E logo depois o desarmou perguntando: “você não é filho do José Pertence, lá de Belo Horizonte? Como você  é desaforado, meu filho!”

Daquela singular  confraternização saiu a decisão do presidente da República de dialogar com os estudantes, propondo uma visita à UNE para explicar o seu governo, marcada para poucos dias depois.

Na manhã aprazada, Juscelino chegou de carro. A calçada estava coalhada de jovens, que começaram a manifestar-se  antes mesmo que ele pisasse o chão.   Vaias ensurdecedoras, que o acompanharam no saguão do primeiro andar, na escadaria,  e,  em especial,  no auditório lotado. Posta uma pequena mesa no palco, o presidente não sentou. De pé, recebia os protestos sem demonstrar irritação nem  surpresa.

Como tudo na vida passa, as vaias também passaram. JK, então, num amplo gesto, arregaçou a manga do paletó, consultou o relógio de pulso e falou:

“Bendito o país em que os seus estudantes podem vaiar o seu presidente da República durante quatro minutos, na certeza de que nada lhes acontecerá.”

Seguiram-se cinco minutos de aplausos muito mais entusiasmados, depois dos quais, como mascate do desenvolvimento, Juscelino detalhou planos, programas e metas que vinha executando. No final, diante de anteriores críticas da imprensa de que só pensava em obras, descuidando do  ser humano, completou:

“Para quem estamos fazendo tudo isso? Para os fenícios?”

Na  volta ao palácio do Catete, os estudantes acompanharam o carro presidencial entre gritos de alegria e de entusiasmo.

Essa historinha se conta por quem foi sua testemunha, numa evidência de que quando emoção e razão conseguem acoplar-se, conclui-se que nem tudo está  perdido…

Vegetal ou animal?

Para ficarmos em lembranças, agora que o Congresso entra em recesso e deixa momentaneamente de produzir indignações, vale continuar com JK. Não como testemunhas, pois não somos tão velhos assim, mas por termos ouvido o episódio da voz do próprio presidente, já nos seus anos finais de vida.

Ele ainda governava Minas, já com seu nome lançado para presidente da República e convivendo com o apoio de uns e a intolerância de outros. Um de seus  maiores adversários era o então presidente Café Filho.

Precisando ir ao palácio do Catete para tentar resolver grave problema dos cafeicultores mineiros, decidiu que não falaria de política, muito menos de sucessão, dada a má vontade que o chefe do governo lhe dedicava.

Qual foi sua surpresa quando, ao entrar no gabinete presidencial, Café era todo sorrisos, conduzindo-o até um grupo de poltronas e indagando sobre sua saúde, a família e sucedâneos. Em certo momento, o anfitrião levantou-se, pediu-lhe que também se levantasse e fosse até a mesa de despachos. Lá, afastando a cadeira presidencial, Café pediu-lhe que sentasse nela.

Espantadíssimo, Juscelino sentou, sem saber o que falar. Foi quando o presidente deixou cair a máscara e revelou-se como era. Em tom   agressivo, pontificou: “Essa foi a primeira e  a última vez em que você se senta nessa cadeira! Os militares não aceitam sua candidatura,e eu também não!”

JK contava haver deixado a sala com muita raiva,  sem sequer haver tratado da questão dos cafeicultores mineiros. No andar térreo foi abordado pelos jornalistas, que ignoravam o episódio de minutos antes. Foram perguntando: “então, governador, resolveu o problema do café?”

Resposta imediata de quem, como ele dizia, Deus o havia poupado do sentimento do medo:

“De que café você está falando, meu filho? Do vegetal ou do animal?”

CPI da Petrobras, o Teatro do Absurdo

Pedro do Coutto

A Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobrás, que se instala terça-feira, caso contrário, a pressão sobre o senador José Sarney romperia o limite do possível, já que nos últimos capítulos da novela veio à tona a vinculação da estatal com a Fundação que leva o nome do ex presidente da República, mais parece o teatro do absurdo de Ionesco que esteve na cena brasileira há 50 anos trás. Sem dúvida. Isso porque a CPI inicia seus trabalhos (não se sabe se os consolidará) não em função das denúncias a respeito de contratos firmados em vários setores da estatal, incluindo-se o da compra de plataformas a patrocínios culturais, passando pelo setor de publicidade, mas sim em consequência de um panorama extremamente crítico atingindo o Senado como instituição.

As tentativas de salvar o presidente da Casa, o próprio Sarney, tornaram-se impossíveis diante do acúmulo dos fatos. Pois como seria dificílimo resguardar o ex presidente do vendaval que abala o Memorial, que na cidade de São Luis tem o seu nome e reúne seu acervo pessoal, a solução foi de concordar com o inquérito na etapa mais próxima. Quer dizer: interessam menos as acusações colocadas alcançando o patrimônio público. Interessa mais poupar a figura política do presidente do senado.

Não preocupa ao governo o que aconteceu na Petrobrás. Tensiona o fato de constatações concretas virem a público. Ora, se não ocorreu nada, e assim as denúncias são vazias, melhor oportunidade para ressaltar a correção de atitudes dos dirigentes não existe do que arrasar as provas publicamente numa CPI. Ou então, se irregularidades aconteceram, não existe melhor cenário do que o debate para corrigi-las e prestar contas à opinião pública. E, sobretudo recompor e guarnecer o patrimônio público.

Como as preliminares essenciais, claro, não são essas é justamente por isso que nos encontramos em cena no palco do absurdo. De qualquer forma, a solução finalmente adotada é melhor do que se nada fosse feito. Haverá atrito, surgirão explicações, contradições serão colocadas em confronto, e o país, seja por qual caminho for, terá a ganhar. Aliás, com base em exemplos históricos, é fundamental não subestimar os efeitos de comissões parlamentares de inquérito.

No governo Vargas, foi a criação da CPI do Jornal Última Hora, de Samuel Wainer, que terminaria levando ao desfecho de agosto de 54, antecedido na véspera de 24 pelo ultimato dos generais para que o presidente deixasse o Palácio do Catete. O atentado da Rua Toneleros, 5 de agosto, contra o jornalista Carlos Lacerda, foi por si uma extensão da CPI sobre o financiamento do Banco do Brasil ao diário criado por Wainer.

Em 1958, foi uma CPI da Câmara dos Deputados que provocou uma crise no governo JK e impediu o acordo de Roboré envolvendo questões ligadas ao petróleo boliviano. Roboré, idealizado por Roberto Campos, então presidente do BNDES, foi interpretado como uma investida indireta para abalar a Petrobrás. Para não perder tempo com exemplos de importância menor, em matéria de CPI nada supera a criada em 92 e que culminou com o impeachment do presidente Fernando Collor.

Portanto, não se deve minimizar sua importância. Às vezes as CPIS sem grande arsenal de descobertas, mas, através dos meses, vão se transformando em verdadeiras explosões de grande alcance e repercussão. Não quero dizer que seja este o caso da CPI da Petrobrás. Mas apenas admitindo que a velocidade dos fatos em muitas situações se multiplica de forma inesperada. Sobretudo em 2009, véspera de mais uma sucessão presidencial. Os reflexos podem se tornar intensos e não controláveis. Como Sarney não conseguiu controlar o palco de agora.

Inacreditável, mas vergonhoso

Os 8 países mais ricos do mundo, decidiram: “Vamos destinar 20 BILHÕES para os países pobres”. OS EUA DERAM 60 BI só para a GM. E garantiram TRILHÕES para os aventureiros que explodiram as instituições e criaram essa espantosa demolição das finanças.

Mais de 2 bilhões de habitantes do mundo estão na mais revoltante miséria, sem terem o que comer. O que farão com esses indescritíveis 20 BILHÕES?

Verdadeiro, textual e entre aspas

Do jornalista Orpheu Salles, (seguidamente preso pela ditadura) numa confissão exemplar: “tendo sido posto em liberdade depois de 6 meses incomunicável no navio-presídio Raul Soares, viajei para o Uruguai. Tive a boa conveniência de João Goulart, Darci Ribeiro e tantos outros”.

E conclui, sincero, correto, franco, mas sem rancor: “Depois de curto período, resolvi voltar. Amargurado, frustrado, acabrunhado, descrente”. Mas como grande exemplo.

Puxa, hoje a jornalista Eliane fez cálculos, recorreu à velha aritmética, jogou xadrez sem tabuleiro, e concluiu: “Não demora e José Sarney estará subindo a rampa do Planalto”.

Isso nem o próprio Sarney imaginaria. De vice em 1985 (ficando 5 anos efetivo), a interino por alguns períodos em 2010. Que República.

Embora Sarney seja realmente cleptomaníaco do Poder, usurpando-o e exercendo-o, Eliane não cogitou de um fato: para ser INTERINO no Planalto, tem que ficar PERMANENTE na presidência do Planalto. A segunda hipótese mais difícil do que a primeira.

Mario Sergio quer que PM faça o que deixou de fazer

Pedro do Coutto

Ao assumir na quarta-feira o comando da Polícia Militar do Rio de Janeiro, na presença do governador Sergio Cabral e do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, o coronel Mario Sergio fez na realidade um pronunciamento dos mais incisivos, comprometendo-se a realizar à frente da corporação exatamente tudo aquilo que deixou de ser feito ao longo dos primeiros trinta meses da atual administração do Estado.

Exagero interpretar assim seu discurso? Nada disso. Basta ler suas afirmações reproduzidas ao longo de excelente reportagem de Ana Cláudia Costa, O Globo de 9 de julho. Brito Duarte, por sinal, vale frisar, tornou-se o terceiro comandante a assumir o posto no mandato de Sergio Cabral. O primeiro, cel. Ubiratan Ângelo, foi substituído pelo coronel Gilson Pitta. Agora Gilson Pitta, visivelmente constrangido pelos fatos, passa o bastão ao novo titular. Sem dúvida este terá pela frente missão dificílima, sobretudo porque a segurança pública não depende só dele ou da PM, incluindo a participação da Polícia Civil.

Depende do sistema policial, sem dúvida, mas também de um conjunto social de fatores capaz de descomprimir a densa atmosfera de terror que envolve a população carioca e fluminense. Ele foi diretor do Instituto de Segurança Pública, órgão ao qual cabe elaborar as estatísticas da criminalidade. Ela avançou – disse ele próprio – cinco vezes (500%) nos últimos dez anos. No mesmo período, o total de habitantes do RJ aumentou 12%. O anel está se apertando terrivelmente, digo eu. O reflexo se faz sentir de maneira geral. Mas, antes de mais nada, vale a pena sublinhar as frases compromisso do cel. Mario Sergio.

Não foram proferidas por acaso. Ao contrário. Têm endereço certo. Exprimem um sentimento de revolta para com a inação que o antecedeu.

Vejam só o que ele afirmou:
1) o objetivo é frear o crescimento do número de assaltos que avançou 5 vezes em 10 anos. Logo, tal crescimento não foi contido;
2) Dar segurança definitiva às Linhas Amarela, Vermelha e à Avenida Brasil. Se ele se propõe a proporcionar segurança definitiva a estas vias de enorme circulação de veículos, é porque elas não receberam tal segurança. Caso contrário, Mário Sergio não se referiria a este aspecto do problema.
3) Mais mil policiais nas ruas. Assim, ele acentua tacitamente que mil policiais encontravam-se distantes das linhas de combate da guerra urbana que indiscutivelmente se trava no Rio.
4) A população, já na segunda-feira sentirá a diferença. O que significa tal assertiva? Que os mil policiais permaneciam fora das faixas de Gaza por imissão administrativa. Pois se assim não fosse, mil homens e mulheres não poderiam ser mobilizados para o enfrentamento efetivo em menos de uma semana.
5) Quero –afirmou- devolver à PM o papel de polícia visível e ostensiva. Estas palavras significam uma condenação ao fato de a PM ter deixado de ser ostensiva e visível. O que acha disso o governador Sergio Cabral, responsável maior pela segurança estadual?
6) A PM tem que estar nas ruas e evitar que os delitos aconteçam. A frase significa que, na opinião do novo comandante, ela até agora não estava nas ruas. O confronto de opiniões dentro do código binário de comunicação é incontestável.

É importante polarizar e traduzir o impulso e a motivação do novo comandante. Sua nomeação revela-se um passo importante para a população estadual. Afinal são 15 milhões de habitantes que vivem ameaçados pelas múltiplas faces do crime, seja ele organizado ou não. A matéria constitui um desafio profundamente complexo. Mas o cel. Mário Sergio  afirmas-se disposto e determinado. Amém, como dizia Nelson Rodrigues, o grande autor inspirado na tragédia carioca.

Crime de lesa-pátria

Carlos Chagas

Mais do que  burrice, é crime o que acaba de decidir o Ibama, com total anuência do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, negando licença para o asfaltamento da rodovia que liga Manaus a Porto Velho. Trata-se de explícita agressão ao desenvolvimento e à soberania  nacional. Crime de lesa-pátria,  daqueles que em tempo de guerra determinariam  um pelotão de fuzilamento.

A estrada, BR-319, existe apenas nos mapas. Faz tempo que ficou impossível transitar nela. É barro para todo lado. O  asfalto  torna-se vital para a ocupação da região entre as duas capitais, porque à exceção das margens dos rios Purus e Madeira, lá  não se encontra vida civilizada. Os ambientalistas falam em danos à floresta e pressupõem ocupação irregular, grilagem de terras públicas, avanço do desmatamento e extração incontrolável  de madeira. Bastaria que o Ibama cumprisse suas obrigações para que todas essas mazelas fossem evitadas. Ou seus fiscais preferem ficar nas grandes cidades?

Incluído no  PAC, o asfaltamento da rodovia teve sua conclusão prevista para o final de 2011. Não vai dar. As obras não começaram.

O grave na história é que Carlos Minc e seus companheiros insistem na transformação  da Amazônia num vasto jardim botânico posto à  disposição  de ONGs fajutas a serviço de multinacionais mal-intencionadas. Colocam em risco a soberania nacional. Deveriam ser presos. Ou, pelo menos, demitidos. Com a palavra a ministra Dilma Rousseff.

GUARDEM AS CAMISAS

Diz tudo a  careta feita pelo presidente Barack Obama diante do presidente Lula, ao receber uma camisa da seleção brasileira de futebol assinada por alguns craques. Afinal, há poucos dias, nosso time venceu o selecionado americano, na Copa das Confederações. A impressão de Obama deve ter sido  de que Lula tripudiava com ele.

A informação é de que o chefe do governo brasileiro fará daqui por diante o que acaba de fazer na Itália, presenteando presidentes e primeiros-ministros com camisas amarelas. Parece coisa de caipira, não obstante as melhores intenções de que possa estar imbuído o doador, trabalhando para o bom êxito da Copa do Mundo de 2014, prevista para se realizar no Brasil. Se a moda pega, Obama deveria dar ao Lula luvas de boxe, já que nesse esporte seu país é  campeão. O presidente da China distribuiria bolas de ping-pong, o primeiro-ministro inglês, tacos de cricket, e o da Austrália, miniaturas de iates.

Mas o Papa não oferece terços e medalhinhas a quantos o visitam? – perguntariam os lulistas. Pois é…

Mau gosto

Instala-se terça-feira a CPI da Petrobrás. Na quinta o Congresso entra em recesso. Em agosto começariam os trabalhos. Ignora-se o roteiro a ser seguido, pelo menos enquanto não se tiver certeza de quem serão o presidente e o relator da investigação.

Restam poucas dúvidas de que os integrantes da  oposição buscarão apurar as acusações contra o senador José Sarney, por  haver o seu  mausoléu de São Luiz recebido recursos pouco claros  da Petrobrás. A maioria certamente negará condições para a elucidação da denúncia, mas o que se torna inusitado é a discussão a respeito da Fundação José Sarney. Pouca gente fora do Maranhão sabia de sua existência, muito menos de que, num dos pátios internos do antigo Convento das Mercês,  estão implantadas as bases do seu futuro túmulo. Algo no mínimo de mau gosto na biografia do ex-presidente.

Ciro na dúvida

Ciro Gomes transferiu seu título eleitoral para São Paulo, menos por haver nascido em Pindamonhangaba, mais por parecer inclinado a candidatar-se ao governo do estado, com o apoio do PT.  Decidirá em breve, mas sabendo que parte dos companheiros paulistas mostram-se infensos ao seu desembarque.  Como a palavra final será  mesmo do presidente Lula, registre-se a hipótese de mais uma crise no partido oficial. Nela,  Ciro Gomes entra como Pilatos no Credo.

CRIME DE LESA-PÁTRIA

Mais do que burrice, é crime o que acaba de decidir o Ibama, com total anuência do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, negando licença para o asfaltamento da rodovia que liga Manaus a Porto Velho. Trata-se de explícita agressão ao desenvolvimento e à soberania nacional. Crime de lesa-pátria, daqueles que em tempo de guerra determinariam um pelotão de fuzilamento.

A estrada, BR-319, existe apenas nos mapas. Faz tempo que ficou impossível transitar nela. É barro para todo lado. O asfalto torna-se vital para a ocupação da região entre as duas capitais, porque à exceção das margens dos rios Purus e Madeira, lá não se encontra vida civilizada. Os ambientalistas falam em danos à floresta e pressupõem ocupação irregular, grilagem de terras públicas, avanço do desmatamento e extração incontrolável de madeira. Bastaria que o Ibama cumprisse suas obrigações para que todas essas mazelas fossem evitadas. Ou seus fiscais preferem ficar nas grandes cidades?

Incluído no PAC, o asfaltamento da rodovia teve sua conclusão prevista para o final de 2011. Não vai dar. As obras não começaram.

O grave na história é que Carlos Minc e seus companheiros insistem na transformação da Amazônia num vasto jardim botânico posto à disposição de ONGs fajutas a serviço de multinacionais mal-intencionadas. Colocam em risco a soberania nacional. Deveriam ser presos. Ou, pelo menos, demitidos. Com a palavra a ministra Dilma Rousseff.

GUARDEM AS CAMISAS

Diz tudo a careta feita pelo presidente Barack Obama diante do presidente Lula, ao receber uma camisa da seleção brasileira de futebol assinada por alguns craques. Afinal, há poucos dias, nosso time venceu o selecionado americano, na Copa das Confederações. A impressão de Obama deve ter sido de que Lula tripudiava com ele.

A informação é de que o chefe do governo brasileiro fará daqui por diante o que acaba de fazer na Itália, presenteando presidentes e primeiros-ministros com camisas amarelas. Parece coisa de caipira, não obstante as melhores intenções de que possa estar imbuído o doador, trabalhando para o bom êxito da Copa do Mundo de 2014, prevista para se realizar no Brasil. Se a moda pega, Obama deveria dar ao Lula luvas de boxe, já que nesse esporte seu país é campeão. O presidente da China distribuiria bolas de ping-pong, o primeiro-ministro inglês, tacos de cricket, e o da Austrália, miniaturas de iates.

Mas o Papa não oferece terços e medalhinhas a quantos o visitam? – perguntariam os lulistas. Pois é…

MAU GOSTO

Instala-se terça-feira a CPI da Petrobrás. Na quinta o Congresso entra em recesso. Em agosto começariam os trabalhos. Ignora-se o roteiro a ser seguido, pelo menos enquanto não se tiver certeza de quem serão o presidente e o relator da investigação.

Restam poucas dúvidas de que os integrantes da oposição buscarão apurar as acusações contra o senador José Sarney, por haver o seu mausoléu de São Luiz recebido recursos pouco claros da Petrobrás. A maioria certamente negará condições para a elucidação da denúncia, mas o que se torna inusitado é a discussão a respeito da Fundação José Sarney. Pouca gente fora do Maranhão sabia de sua existência, muito menos de que, num dos pátios internos do antigo Convento das Mercês, estão implantadas as bases do seu futuro túmulo. Algo no mínimo de mau gosto na biografia do ex-presidente.

CIRO NA DÚVIDA

Ciro Gomes transferiu seu título eleitoral para São Paulo, menos por haver nascido em Pindamonhangaba, mais por parecer inclinado a candidatar-se ao governo do estado, com o apoio do PT. Decidirá em breve, mas sabendo que parte dos companheiros paulistas mostram-se infensos ao seu desembarque. Como a palavra final será mesmo do presidente Lula, registre-se a hipótese de mais uma crise no partido oficial. Nela, Ciro Gomes entra como Pilatos no Credo.