Na pressão a Dilma, PMDB perde espaço que conquistou nas urnas

Pedro do Coutto

Desencadeando, através de seu líder na Câmara, Eduardo Henrique Alves, pressão sobre Dilma Rousseff, que apresenta o contorno de chantagem política para assegurar os ministérios que conseguiu na administração Lula, o PMDB fica muito mal perante a opinião pública e perde na prática o espaço que conquistou nas urnas de outubro. Folha de São Paulo, Valor, O Globo, neste jornal reportagem de Isabel Braga e Gerson Camaroti, e O Estado de São Paulo, texto de João Domingos, focalizaram nitidamente a questão, retirando a máscara que, durante a campanha, ocultava a face fisiológica predominante no partido.

Não faz sentido o  que se passa com o PMDB que, para pressionar e impressionar a presidente eleita, recorre à formação de um bloco parlamentar reunindo PTB,que apoiou José Serra, o PP e o PSC. Quer dizer: se Dilma não fizer as nomeações que o bloco deseja, seus integrantes rompem com o governo.

Onde ficam e para onde vão os interesses do país e da população? Para o espaço. O líder do PMDB, assim agindo, revela o desprezo que nutre pelo eleitorado. Claro. Não pode haver outra interpretação. Para ele, os eleitores são figuras de segunda classe. Ele os remete à senzala, ou reduz a uma fábrica de votos. Os caciques do partido habitam a casa grande, para citar a obra clássica de Gilberto Freire.
Isso na essência. De outro lado, sob o prisma tático, um erro político enorme. Pois Henrique Eduardo Alves oferece de bandeja a Dilma Rousseff a possibilidade de governar com uma parte do PMDB – tarefa fácil – isolando a facção em nome da qual o líder diz falar.

Qual a causa do desentendimento repentino? Primeiro, a oposição anunciada pela presidente eleita de nomear para o Ministério de Minas e Energia o atual presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tomasquim, de acordo com matéria publicada na FSP de quarta-feira. Segundo, sua disposição de não nomear nenhum senador para o ministério, atitude que igualmente afasta o retorno de Edison Lobão àquela pasta. Terceiro, reportagem também da Folha de São Paulo, esta na edição de quarta-feira, revelando que a sucessora de Lula vetou qualquer acordo para que as legendas que formaram no governo Lula mantenham os mesmos ministérios que ocuparam de 2006 a 2010.

Isso não significa ruptura tampouco fim das articulações e do entendimento para formar a nova equipe. Significa apenas que a formação dos postos pode não ser a mesma e que também as pessoas possam ser outras. As legendas que formaram na jornada vitoriosa não podem possuir tão poucos nomes de peso, capacidade técnica e influência política que não possam ser substituídos por outros representantes. Afinal de contas, um governo, historicamente, não pode ser igual a outro. Não teria sentido, não seria nem político nem inteligente.
Compreende-se o impulso de Rousseff em escolher o titular do MME. Ela ocupou esse cargo de Janeiro de 2003 até 2005 quando substituiu José Dirceu na chefia da Casa Civil. Além disso, é o setor em relação ao qual possui mais forte apelo e conhecimento. Qual o problema?

Por que cargas d’água, a presidente da República não pode ter sua quota pessoal de nomes? Negar isso representa um raciocínio absolutamente primário. Parecido com aquele que, na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 2008, Fernando Gabeira desenvolve rejeitando reivindicações, atribuindo a seus autores um tipo de pensamento suburbano. Gabeira com isso jogou fora a vitória entregando-a nos braços de Eduardo Paes. Henrique Alves quer entregar a adversários, talvez o PSDB, por exemplo, o espaço que o PMDB conquistou nas urnas. Um erro duplo e total. Incrível.

Declínio e queda do comunismo

Humberto Braga

Em 1945, com a União Soviética triunfante, um professor baiano, Herbert Fontes, cujo saber inexplicavelmente se confinou na província, asseverou que o regime comunista desmoronaria ainda no século XX.

Ele não se valia dos costumeiros anátemas contra o “mal” vermelho.  Seus argumentos, embora não fossem originais (Hayek já os utilizara), eram objetivos e foram de previsão certeira.

No sistema econômico soviético, frisava ele, o mercado fora substituído pela planificação central a cargo do Estado. Ela funcionou eficazmente na edificação da indústria pesada, com a gestão de um limitado numero de grandes empresas. Porém, malogrou rotundamente na produção e distribuição dos bens de consumo que, ao contrário, requerem um grande número de pequenas empresas. E esse fracasso se patenteou no declínio da eficiência tecnológica, portanto da produtividade e da qualidade dessa indústria. A economia da União Soviética servia para a guerra, não para a paz. O país lançava foguetes espaciais, mas nele escasseava até o papel higiênico. O colapso era inevitável.

A essas objeções econômicas acrescentavam-se as de cunho político. O regime soviético não era apenas uma ditadura. Ditaduras havia muitas, inclusive no Brasil. O que o distinguia, até de outros totalitarismos, era a adoção pelo Estado de uma complexa ideologia político-filosófica que se proclamava a única verdadeira e excluía toda diversidade, toda divergência no plano público do pensamento. Ela proscrevia a pluralidade intelectual, criminalizava a dissidência doutrinária e assim asfixiava o espírito crítico.

No Partido Comunista se concentrava o poder político e também a autoridade teórica. A revolução social exigia completa submissão mental. Afastar-se da ortodoxia era incorrer no pecado da heresia. Assim procedeu a Igreja Católica no passado. Mas, quando no fim da Idade Média, a Revolução Comercial transformou econômica, social e culturalmente a Europa ocidental, aquele monopolismo se quebrou.

A Reforma protestante proclamou a liberdade de interpretação dos textos sagrados e religião acabou sendo questão de consciência individual. Também o monopolismo ideológico marxista-leninista se revelou incompatível com as modernas sociedades, cuja complexidade se manifesta no pluralismo, condição decisiva de progresso. O exemplo da China não afirma esta conclusão porque ela, embora sob uma ditadura (nunca foi democrática), tem-se distanciado do modelo soviético, tanto no plano econômico quanto no doutrinário.

Enfim, cada um tem o direito de sustentar que as suas idéias são as corretas, mas ninguém tem o arbítrio de impor aos outros uma camisa de força intelectual.

Patrimovel-PanAmericano: mais um problema para Silvio Santos

Helio Fernandes A imobiliária colocou hoje, na página 13 de O Globo, anúncio de página inteira. A cores. Caríssimo. Com um texto dirigido que diz o seguinte, planejado, determinado, com objetivo claro. Eis o texto: “Silvio, se precisar vender seus imóveis com URGÊNCIA, traz pro salão”. Depois, o texto entra no terreno trivial e da publicidade. O homem do SBT, SS, ficou furioso, e está reunido com diretores e advogados, vendo o que deve fazer.

***

PS – A Patrimóvel está sabendo da intenção de Silvio Santos, e está orientada por advogados. PS2 – Defesa da Patrimovel: vai dizer que não tem nada a ver com o PanAmericano, que se dirigiu apenas a SILVIO, tem centenas de clientes SILVIO.

Nos postos do Detran, o “sistema cai” e ninguém sabe quando vai voltar. Será que o governador quer “privatizar” o Detran?

Jorge Folena

Jornalista Helio Fernandes, escrevo de forma precária, por meio de celular, para dizer que o caos esta instalado nos postos do Detran na cidade do Rio de Janeiro. No posto da Ilha do Governador, por exemplo, nenhum serviço está sendo executado, sob o argumento de que  “o sistema esta fora do ar”.
Os usuários, chamados de clientes pela autarquia, recolheram elevada taxa por um serviço que não está sendo executado. Será que o governador  pretende privatizar o Detran?
No posto lotado, crianças e idosos estiveram entregues à sorte desde as oito horas da manhã. As pessoas querem reclamar, mas o numero do telefone da ouvidoria do Detran não atende. Então, resta reclamar apenas com o bispo, pois não se sabe quando o “sistema” vai voltar.

A força do dinheiro na escravidão universal. Prudente de Moraes, o único presidente que não “renegociou” a DÍVIDA EXTERNA, de 300 mil réis em 1822 a 287 BILHÕES agora. Vergonha e covardia.

Helio Fernandes

Neste momento em que alguns países descobrem que centenas e centenas de milhões de pessoas trabalham para 4 ou 5 potências, o Brasil não acredita que é o dinheiro que domina, controla e subverte o mundo.

Nossas DÍVIDAS vão aumentando, nos queixamos do que chamamos de GUERRA CAMBIAL, mas somos tão burros, que não percebemos que essa GUERRA CAMBIAL é criada, estimulada e aumentada por nós mesmos. Mandamos montanhas de dólares para o exterior, “remunerada” a 2 por cento ao ano, ao ano. E esses dólares-bumerangues voltam imediatamente, recebendo 10,75% de juros.

Por que a choradeira, se não têm coragem de enfrentar o problema? Com a colaboração de muitos comentaristas que me escrevem, informação e reflexão, tratemos do assunto mais de morte do que de vida.

Felicidade rima com coragem, resistência e convicção. Não há um pingo de desacerto. E posso citar muitos freqüentadores deste blog, que concordam inteiramente.

GUERRA CAMBIAL

Não se fala em outra coisa, alguns acham que é inteiramente fundamental para a importância da moeda. Até concordo. E sugeriria a criação do Ministério dos Investimentos Novos. A chave está na duração dos recursos, o que pagam na entrada e na saída do país.

Nos EUA (a maior potência mundial), os investidores são taxados na entrada, dependendo do tempo de permanência do dinheiro. E na saída, qualquer que tenha sido a duração do investimento, o desconto é de 35 por cento. Não do lucro, mas do que está saindo.

Do leitor-comentarista Carlo Germani, sábia e antecipadamente, complementando o assunto, antes de eu escrever: “É oportuno destacar que “os senhores do mundo”, dinastias de megabanqueiros internacionais (13 dinastias), liderados há séculos por Rothschild, são os judeus responsáveis pelo sionismo financeiro mundial. Os judeus de Israel não têm nenhum elo com esse poder global (são na verdade “inocentes úteis”), nem com o que estes satânicos fazem e pretendem fazer com o projeto da Nova Ordem (desordem) Mundial.

DINHEIRO DOMINA TUDO

A primeira parte destas apreciações foi escrita antes de ler o comentário de Carlo Germani. O final, obviamente, depois de conhecer o que ele escreveu. É possível que o dinheiro seja dominado em grande parte pelos judeus, mas não apenas por eles. Só que os judeus têm uma capacidade e uma habilidade fora do comum para acumular dinheiro, distribuí-lo em troca de Poder, e utilizar os dois, dinheiro e Poder em benefício pessoal.

Como ele falou em Rotschilds, examinemos a participação deles, pessoalmente os mais importantes e poderosos. Eram 5 irmãos, todos cuidando apenas de finanças. Um na Inglaterra (a origem), outro na Alemanha, o terceiro na França, o quarto na Itália. O quinto e mais moço foi para os EUA, depois da Guerra Civil, quando o país mergulhava na maior turbulência. O Norte, próspero e riquíssimo, o Sul, pobríssimo, pela própria concepção de que, com o fim da escravidão, iriam à falência.

Ganharam fortunas em todos os negócios em que se meteram, compravam e vendiam dinheiro, não podiam perder. Digamos que compravam por 2 ou 3 e vendiam por 10, o lucro era mais do que certo. É evidente que corriam o risco da inadimplência, da falta de pagamento. Mas lidavam muito bem com isso.

E os americanos foram os “tomadores” mais inteligentes. Iam investindo o dinheiro “emprestado”, mas não deixavam que a dívida fosse se eternizando. De tempos em tempos (6 ou 7 anos, por aí) chamavam o Rotschild para conversar. Diziam invariavelmente. “Já pagamos muitos juros, vamos liquidar essa dívida”. Não havia o menor protesto, o Rotschild apenas perguntava: “Vocês continuarão negociando conosco?” Diante da resposta afirmativa, concordava, “começavam outra operação, que logo ficava altíssima. Até o surgimento dos grandes bancos no mundo inteiro (inclusive nos EUA), os “devedores” passaram a “emprestadores”. (Menos no Brasil, claro, que tem medo de tomar providências salvadoras financeiramente).

***

PRUDENTE DE MORAES, O UNÍCO
PRESIDENTE QUE EXPULSOU
UM ROTSCHILD DO CATETE

Em 1896, voltando ao palácio depois de operação gravíssima, (ninguém acreditava que se salvasse), o presidente Prudente recebeu um pedido de um Rotschild para audiência sobre a DÍVIDA. Que vinha desde a independência (assim, em minúscula, núncia tivemos a DÍVIDA ou essa independência).

O Rotschild “cobrador” (que já era filho) colocou as condições que exigia para “renegociar” a dívida. Tudo audaciosamente, desaforadamente, arrogantemente, sem qualquer constrangimento.

Prudente foi ouvindo, quando ele parou, perguntou com a maior simplicidade: “Terminou?”. Com a resposta afirmativa, tocou a campainha, apareceu um oficial de Marinha, ajudante de ordens, disse apenas: “Leve o senhor Rotschild até a porta, ele está de saída”.

Saiu mesmo, surpreendido, nunca tinha sido expulso daquela maneira acintosa.

Se tivéssemos outros Prudentes na nossa História, a Independência (pelo menos financeira e verdadeira) teria sido MAÍUSCULA. Em 1959, final do governo JK, Roberto Campos, presidente do BNDE (ainda não tinha o S de Social, hoje tem o S mas continua sem o Social), foi renegociar a DÍVIDA, que estava em  800 milhões.

Com as exigências atendidas, passou a 1 BILHÃO. Em 1999, 40 anos decorridos, estava em 200 BILHÕES. Aumentou 200 vezes em 40 anos. Sem contar os juros que pagamos nesses 40 anos.

***

PS – Logo depois de Prudente, foi eleito (?) Campos Salles, tão desastroso quanto FHC. Em 1901, foi a Londres, passeou de carro aberto pela Old Bond Streer, centro financeiro.

PS2 – Renegociou a DÍVIDA como os ingleses pretendiam, voltou para o Brasil. Indo para São Paulo no trem da Central (era o transporte obrigatório), o trem teve problema.

PS3 – Parou na estação de Silva Freire, entre Meyer e Engenho Novo. Campos Salles foi vaiado e apedrejado, tentou voltar em 1906, nem consideraram.

Conversa com leitores-comentaristas, sobre a angústia da formação do ministério

Adolfo:”Alguém poderia adiantar nomes do ministério da presidente eleita? Ou teremos que esperar até 1º de janeiro de 2011? O país aguentará tanto tempo?”

Comentário de Helio Fernandes:
Sempre é assim, a angústia da transição, da mudança, dos que pretendem

continuar e dos que esperam continuar. Só que agora há um fato sem precedentes. Lula presidente, escolheu a candidata, elegeu-a, vai entregar a faixa a ela. Só a faixa? É o que todos perguntam, mas não é só você, Adolfo.

Não existe a menor dúvida: sem Lula, Dona Dilma não seria candidata e muito menos presidente. Admitindo, apenas por hipótese, que Lula se retire mesmo, e resolva não influir em nada, resta a opção dela.

È lógico que tem que começar (já começou) a fazer consultas a partidos e a pessoas. Também não pode ir REVELANDO os cargos já preenchidos, deixando pouco para o final. Tem que manter em sigilo os nomes já decididos.

Só que SIGILO é palavra sem trânsito entre jornalistas e políticos. Os que precisam publicar e as fontes, são movidos pelo mesmo espírito, e a mesma pergunta: como posso guardar uma notícia dessas?

Há muitos anos escrevi a frase: “Notícia não se arranja em casa, notícia não se guarda em casa”. Só que foi antes da internet e do celular

***

Andrea Queiroz: “O sr. não concorda que esses cargos e ministérios deveriam ser ocupados por pessoas concursadas, com notório saber comprovado. E não esse leilão oba oba que envergonha e revolta todo brasileiro que é ordeiro, correto que com sacrifício paga seus impostos e  que estes evaporam sem se ver a aplicação dos mesmos em obras, projetos que realmente servirão ao país? Como brasileira sinto-me abusada por estupradores no sentido bem forte da palavra”.

Comentário de Helio Fernandes:
Rigorosamente verdadeiro. E você usou as palavras certas, não importa que sejam ou não sejam fortes. È preciso saber, Andrea, e mais do que tudo, caráter, convicção, dignidade. E um passado longe da C-O-R-R-U-P-Ç-Ã-O, para ser ministro.

***

Marcos Coimbra Valério: “Quando você afirma que todas as suas informações são reais, me parece que estou lendo um texto cujo autor é: DEUS”.

Comentário de Helio Fernandes:
Não entendi nada, Valerio, não faz mal. Você não tem a menor idéia dos textos que não publico por falta de confirmação. Mas pode acreditar, o DEUS de tudo que sai aqui, tem uma fonte e uma conclusão: TRABALHO.

As chances de Ciro Gomes para a presidência do BNDES, e as verdades de Carlos Lessa que Lula não aceitou

Antonio Santos Aquino: “Hélio, o mais cotado para o BNDES é Ciro Gomes. Depois de ser feito de “trouxa e boboca”, Ciro quer mostrar que para representar este papel, vai ser regiamente pago. Ciro não é nenhuma vestal, mas não é tido como corrupto”.

Comentário de Helio Fernandes:
Ciro pode ser tudo ou não ser nada, é imprevisível. Desculpe, mas como prefeito de Fortaleza e governador do Ceará, foi acusadíssimo por irregularidades. Desafiado a provar com que recursos se mantinha, jamais respondeu. Como foi Ministro da Fazenda, nada absurdo que seja presidente do BNDES. Diz o princípio jurídico, “quem pode o mais, pode o menos.

***

Wil: “Quando disse acreditar num futuro governo se Dilma designasse Carlos Lessa para o BNDES, não foi por leitura de jornais, blogs ou outros meios. Mas sim, por admiração e respeito, quando, à época do mandarinato delfiniano na década de 70, ainda estudante da faculdade de Economia da UFF, tive o prazer de conhecer seu trabalho e postura.

Comentário de Helio Fernandes:
Meus parabéns. Em plena ditadura, na farsa de Delfim Netto, (depois, acusadíssimo de CORRUPÇÂO quando embaixador na França) você teve essa graça e satisfação de conhecer Carlos Lessa.

Lula também conheceu Carlos Lessa, mas “suas verdades” eram exageradas para ele, mesmo como presidente. E logo se livrou do grande e correto Lessa.

A sorte do corrupto Berlusconi

Helio Fernandes

Quase derrubado do cargo de primeiro-ministro, é certo que não resista e haja nova eleição, que na certa perderá ou perderia. Faltava uma liderança, tinha-se como certo que seria Luca de Montezemolo, presidente da Ferrari, que lideraria a oposição a Berlusconi.

Pois na véspera disso tudo, a Ferrari erra tanto, que seus carros perdem dentro da pista e arrastam seu presidente. Na verdade, o acúmulo de equívocos foi tal, que Berlusconi agora “é quem quer convocar eleições”. E garante: “Vou ganhar, sou muito mais veloz do que as Ferraris”.

Dona Marta é contra a fusão PMDB-DEM

Helio Fernandes

Não quer nem saber da fusão entre os dois partidos. Perguntam: “O que ela tem com isso?” Tudo. É candidata à prefeitura da capital, já ganhou e já perdeu. Desconfia que a fusão pode gerar um candidato contra ela.

Com  mandato até 2018, tem três opções. 1 – Disputar agora a prefeitura. 2 – Perdendo, concorrer ao governo, em 2014. 3 – Esperar 2014, e não disputar agora a Prefeitura. Esta opção tem um inconveniente que não suporta nem resiste: ficar 4 anos praticamente lado a lado com o ex-marido. Isso, meu Deus, ninguém agüenta.

No processo da TV Globo/SP, o ministro-relator usou uma argumentação jurídica do “mundo da Lua”. E assim, considerou válido um negócio que a própria família de Roberto Marinho nega ter feito. Por isso, agora está sendo pedida a anulação do processo.

Carlos Newton

Quem pensa que o processo contra a família de Roberto Marinho terminou, está completamente enganado. O recente julgamento no Superior Tribunal de Justiça, que teve como relator o ministro João Otávio de Noronha, foi mais um capítulo de um processo que deixa mal, muito mal, a Justiça brasileira.

Apesar do Espólio de Roberto Marinho ter sustentado, ao longo da tramitação da ação judicial, que não adquiriu a Rádio Televisão Paulista S/A (hoje, TV Globo de São Paulo) da família Ortiz Monteiro, que controlava 52% do capital, mas sim de Victor Costa Junior, a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, pelo voto do ministro-relator João Otávio de Noronha, entendeu que existiu, sim, negócio de venda entre Roberto Marinho e a família Ortiz Monteiro, deixando em situação embaraçosa os atuais controladores da emissora.

Na defesa dessa esdrúxula tese, o relator reconheceu como aceitável a conclusão da perita judicial, que deu validade a documentos tidos como falsos, anacrônicos e montados para suprir a ausência de prova que fornecesse sustentação legal ao negócio, considerado inexistente e repleto de falsidade ideológica.

***

UM ACÓRDÃO ALTAMENTE “LUNÁTICO”

Na argumentação de seu voto, o ministro-relator João Otávio de Noronha fez uma interessante citação que, ao invés de amparar sua decisão, deixou-a bastante vulnerável: “Se A vendeu a Lua (a B), não há negócio jurídico de compra e venda. De fato, a venda da Lua é exemplo clássico de negócio inexistente. Porém, se, por absurdo, B pagou o preço da Lua a A, e este, com dinheiro recebido, pagou empréstimo contraído perante C, o pagamento do empréstimo existe e, possivelmente, é válido, presumida a boa-fé de C. De outro lado, se B, por sua vez, doou a Lua a D, este ato será inexistente. Por óbvio, B terá atuação judicial, para vendo declarada a inexistência do negócio, obter a condenação de A a devolver-lhe o dinheiro indevidamente recebido: não terá, porém, ação contra C para ver declarada a inexistência do pagamento do empréstimo, ainda que A não devolva o dinheiro, alegando que pagou empréstimo a C”.

Diante dessa fundamentação “jurídica” inusitada e selenita, podemos avaliar a que ponto chegou a Justiça brasileira. Podem acreditar, o repórter não está inventando nada. Isto tudo está no acórdão prolatado pelo STJ no recurso especial 1046497/RJ.

O processo todo, aliás, é uma verdadeira aula de antiDireito, repleto de chicanas e erros judiciários. Na primeira instância, a juíza julgou como Ação Anulatória uma Ação Declaratória de Inexistência de Ato Jurídico. Seria a mesma coisa que um feirante confundir abacate e abacaxi.

Na segunda instância, estranhamente, o Tribunal de Justiça do Rio confirmou a validade do erro judiciário cometido pela juíza. O processo então subiu para o STJ, onde ocorreu outro erro judiciário, com a confirmação de um negócio (venda da TV pela família Ortiz Monteiro a Roberto Marinho), que a própria TV Globo e a família Marinho negam ter acontecido. Assim, o STJ foi mais realista do que o rei…

HERDEIROS TENTAM ANULAR PROCESSO

Em seus embargos de declaração, os herdeiros dos antigos acionistas da TV citam a conclusão do laudo pericial que não nega a existência de seu conteúdo falso, e pedem a anulação de todo o processo, uma vez que no caso há claro interesse da União Federal, já que, segundo a perita judicial, o recibo teria sido assinado para assegurar a transferência de direitos sobre concessão de  serviço público de radiodifusão de som e imagem perante a Administração Federal.

Para a “expert” do juízo, “estes documentos podem ser aceitos e utilizados para fazer prova junto às autoridades federais de que o NEGÓCIO ERA REGULAR, caso ambas as partes CONCORDEM com as datas neles exaradas”. Apesar de as datas serem falsas (os documentos assinados em 5 de dezembro de 1964, teriam sido datilografados em máquina SÓ FABRICADA EM 1971), a perita admitiu que tenham sido confeccionados com DATAS RETROATIVAS a fim de permitir a concretização de negócio acordado entre as partes envolvidas. (Ou seja, as partes desejaram falsificar o documento de venda da emissora de TV pelo equivalente a apenas 35 DÓLARES).

Para a família Ortiz Monteiro, o STJ não poderia referendar a existência de negócio negado até pela parte contrária, envolvendo a transferência de concessão de serviço de radiodifusão e implementado ao arrepio da legislação vigente e sobretudo com amparo em laudo pericial “capenga e parcial”, segundo o Instituto Dell Picchia de Documentoscopia, que não nega a possibilidade de ocorrência de fraude na confecção de recibos e procurações.

A perita, ao responder ao quesito 20 dos autores, “se os documentos contendo dados contrários à realidade ou à verdade, enganosos, que são feitos à semelhança ou à imitação dos verdadeiros podem ser definidos como  falsos”, respondeu sem titubear: “Documentos que apresentam as características ora descritas podem ser definidos como falsos”.

Nos embargos, nos quais são apontadas omissões, obscuridades e contradições, os recorrentes  assinalam que no voto de 38 páginas, o ministro relator não fez a menor referência à manifestação do Ministério Público Federal, para quem “à luz dos fatos exaustivamente narrados no feito temos, em apertada síntese, que houve, na década de 60 transferência ilegal do controle da atual TV Globo Ltda., visto ter a NEGOCIAÇÃO SE BASEADO EM DOCUMENTAÇÃO GROSSEIRAMENTE FALSIFICADA… Tal como se deu, esteado em DOCUMENTAÇÃO FALSIFICADA, o ato de concessão estaria EIVADO DE NULIDADE ABSOLUTA”.

***

O QUE ALEGA A FAMÍLIA MARINHO?

O Espólio de Roberto Marinho alega que Victor Costa Junior vendeu para Roberto Marinho o canal 5 de São Paulo por Cr$ 3.750.000.000,00, em 9 de novembro de 1964. (Essa hipótese é absurda, porque ele não podia transferir-lhe nenhuma ação, pois jamais fora acionista da emissora).

Ainda perante a Justiça, o Espólio de Roberto Marinho disse que nada comprou dos verdadeiros acionistas da emissora, a família Ortiz Monteiro. (Mesmo assim, a Justiça decidiu que houve negócio, sim, entre esses últimos, considerando válido um recibo com conteúdo falso, sem assinatura original, produzido em 1975 e com data retroativa a 5 de dezembro de 1964).

O preço da venda “pago” à família Ortiz Monteiro foi equivalente a 35 dólares. De acordo com o conteúdo do recibo, de apenas 20 linhas, dois acionistas majoritários da família Ortiz Monteiro (que já haviam até falecido) teriam dado procurações antecipadas para um  terceiro membro da família efetuar esse negócio, dois anos antes que Marinho “concretizasse” a compra de Victor Costa Junior, que nem era acionista da emissora.

Como teriam eles sabido, com antecedência de 2 anos, que a venda de Victor Costa Junior não teria valor? Portanto, premonitoriamente estariam antecipando procurações para que um seu representante em 5 de dezembro de 1964  (um mês depois da transação de 9 de novembro de 1964, repita-se, com Victor Costa Junior), promovesse nova venda e dessa vez por apenas Cr$ 60.396,00, ou seja, TRINTA E CINCO DÓLARES, para socorrer os compradores “inocentes”?

A hora do murro na mesa

Carlos Chagas

Ou Dilma Rousseff dá um murro na mesa, já, ou assumirá o governo pela metade, ou menos, no primeiro dia de janeiro. Tornaram-se atrevidos os urubus que  até agora voavam  sobre a Granja do Torto: dos  vôos rasantes passaram a descer nos  jardins,   a quebrar vidraças com seus bicos afiados e a ocupar  os cantos obscuros das salas de reunião.

Perderam a compostura os partidos da base oficial e até as legendas que ficaram de fora da candidatura vitoriosa. Da imposição de manterem os ministérios de  que dispõem no governo Lula, passaram a exigir novas pastas, formalizando a criação de blocos parlamentares destinados a chantagear a presidente eleita.

A pretexto de disputar a presidência da Câmara, PMDB, PR, PSC e até o PP, que não apoiou Dilma,  e o PTB, que apoiou Serra, movimentam-se para lotear ministérios e impor ministros. Do outro lado, PT, PDT e PC do B não querem outra coisa,  enquanto o PSB imagina-se em condições de agir sozinho, mas com as mesmas intenções.

Quando das eleições em outubro, não houve um só eleitor que tivesse votado para presidente da República levando os partidos em consideração. Tratados como apêndices desimportantes,  meros penduricalhos incômodos, os líderes  políticos em nada influíram no resultado.  Agora, ameaçam com a sombra de impasses legislativos e rejeições de projetos de interesse do palácio do Planalto caso não se vejam contemplados na repartição do pão a que não tem direito.

A hora é de a nova presidente botar as quadrilhas para correr, pela força de seus mais de 50 milhões de votos, compondo o ministério que  mais se adaptar a seus planos e projetos, mesmo aproveitando figuras partidárias de capacidade reconhecida. Fora daí, será um péssimo começo.

OS MINISTROS DELES E OS MINISTROS DELA

Enquanto se arrasta a novela da formação da nova equipe de governo,  emerge esse  critério que seria cômico se não fosse trágico, apesar de não constituir novidade: existem ministérios  que são da presidente da República e ministérios que são dos partidos que a apóiam ou chantageiam,  Admite-se que no parlamentarismo seja assim, mas no presidencialismo a prática configura uma aberração. Para não falar em sinal de fraqueza do Poder Executivo.

Como a moda é essa  desde a posse do presidente Lula, não há como Dilma Rousseff livrar-se  sem dar o acima referido murro na mesa e deixar claro que quem manda é ela. Por enquanto, inexistem sinais dessa manifestação de vontade e de poder, apesar de condições não lhe faltarem. O que o país assiste é   a impertinência dos partidos,   reivindicando pastas pelo número   e não pela qualidade dos eventuais indicados. O PMDB tem seis ministérios na atual administração e exige no mínimo permanecer como está. O PT tem dezenove e mantém a goela aberta. O PSB cresceu nas eleições  e quer mais, além dos dois que possui. O PDT, com um, está atrás de dois. E assim por diante.

O instrumento de pressão dos partidos vem da  maioria de que o governo precisa dispor no Congresso, quer dizer, com todo o respeito, assistimos um ato explícito de vigarice: sem ministérios não haverá apoio parlamentar para os projetos de  necessidade do novo governo.

Por conta dessa situação, vale repetir, que não é nova, divide-se o ministério em duas categorias:  dos ministros indicados pelos partidos e dos ministros da  quota pessoal da presidência  da República,  como se não fossem todos da  livre escolha de seu titular.   Um abominável loteamento do poder público.

Passando da teoria à prática, o que se ouve em Brasília é que estariam excluídos  da cobiça das legendas governistas a chefia da Casa Civil, a Secretaria Geral da presidência da República, o Gabinete de Segurança Institucional e os ministérios da Fazenda, Defesa,  Relações Exteriores,  Educação e  Saúde, além do Banco Central.

Existem, assim, os ministérios deles e os ministérios dela, em menor número, ainda que a presidente  possa selecionar entre as indicações partidárias os nomes de sua preferência.

ABUSO DE PODER

Impossível fugir da evidência de que o Congresso é o retrato da sociedade.  Nem melhor nem pior do que ela. Justifica-se,  assim, a presença de alguns luminares,  tanto quanto de certos lambões, nos extremos.   Da mesma forma, surge clara no meio da massa majoritária  a explicação de porque o Tiririca foi o deputado mais votado do país: porque o eleitorado, quer dizer, a sociedade, quis assim.

Ontem, tanto na Câmara quanto no Senado, crescia  a indignação  por conta da perseguição movida contra o singelo vitorioso por parte do Ministério Público e até do Poder Judiciário.  Não tinham nada que submeter o Tiririca a um exame de alfabetização, que por sinal ele cumpriu, mas, pior ainda, à  segunda época,  exigindo que faça uma redação,   como exigência para ser  diplomado. Não deveria, o novo deputado, submeter-se a essa nova humilhação, exigida pelo promotor Maurício Ribeiro Lopes. A situação lembra os tempos em que,  nos Estados Unidos, para evitar os votos da raça negra, exigiam de seus integrantes que resolvessem problemas de álgebra, condição para receberem o  título de eleitor…

O CAMINHO NATURAL

Os elogios da semana vão para o presidente do Superior Tribunal Militar, Carlos Alberto Soares,  por haver promovido a liberação para o público dos autos do processo que levou Dilma Rousseff e mais 70 pessoas à prisão, nos idos de 1969. Mesmo discutindo-se a argumentação anterior do ministro, de não  liberar o material durante a campanha eleitoral, pelo perigo de sua utilização política, prevaleceu  na última terça-feira o dispositivo constitucional da liberdade de acesso à documentação processual. Por dez votos a um, o plenário da mais antiga corte nacional de justiça seguiu a orientação de seu presidente.    Saber que acusações a ditadura impôs  à presidente eleita é direito de todos.

Insensibilidade é a causa do corredor da morte na saúde

Pedro do Coutto

Sem dúvida fantástica, tanto pela ideia, quanto pela pesquisa e conteúdo, a reportagem de Daniel Brunet, O Globo, manchete principal da edição de 16, sobre a insensibilidade repugnante que envolve as ações da Saúde Pública no Rio de janeiro. Causa principal do corredor da morte que o repórter classifica como a pior e mais forte imagem para definir o que se passa nos hospitais do estado, especialmente na fila de espera pelo acesso aos Centros de Tratamento Intensivo. Em mais de oito casos diários fatais, véspera da tragédia continuada corredor da morte como aquele que, nos EUA, separa os condenados de sua execução. A diferença, entretanto, é essencial: os presos sentenciados cometeram crimes, os pacientes cariocas e fluminenses crime algum cometeram.

Criminosos são os que, por ação ou omissão continuada, lhes negam o direito ao atendimento. Não é gratuito. Os atingidos por doenças graves e males súbitos pagam impostos. O Globo, anunciou Brunet, vai prosseguir na série. Espera-se que o médico Sergio Cortes, secretário de Saúde, não fique em silêncio. Sua posição é desconfortável. Ainda por cima, como jornais publicaram, embora pareça incrível, ele teve seu nome cogitado para substituir José Gomes Temporão no ministério. No ministério da Saúde.

O problema, gravíssimo, não é só do Rio de janeiro. É do país. Há décadas que os jornais, rádios e emissoras de televisão ressaltam o panorama trágico que envolve os sistemas de atendimento público. Uma vergonha, como costuma afirmar Boris Casoy. Uma vergonha que, diante da repetição diária das falhas, não se tenha tomado providências concretas. Está faltando sobretudo respeito à dignidade humana. O atendimento eficaz, pelo que estou informado, proporcionado pelo Hospital Miguel Couto, que aliás é municipal, constitui uma exceção. A regra é horrível.

Daniel Brunet acentuou que a média de óbitos, em vez de baixar, aumentou 32% nos últimos anos no estado do Rio de Janeiro, portanto ao longo do governo Sergio Cabral. Os dados são irretorquíveis. O levantamento foi fornecido pela própria Central de Regulação de Leitos nos CTI. Um órgão oficial da Secretaria de Saúde, cuja direção não deve ter suportado a política de falta de investimentos produtivos. A omissão, a política do deixa para depois, que eu resolvo. Aliás uma posição rotineira no Brasil.

O déficit (diário) é de 510 leitos. À Secretaria (de Saúde) anunciou a O Globo mais 234 apenas e mesmo assim até o ano que vem. No final de setembro, 200 pacientes encontravam-se na fila por uma vaga. Resultado: muitos desistiram. De espera. Talvez tenham desistido de viver. A desatenção social atingiu o auge. Mas nos filmes da campanha eleitoral estava tudo funcionando perfeitamente. Uma ilusão. Some-se a todo esse descalabro a incidência de diagnósticos errados agravando substancialmente o panorama envolto pelas sombras da desilusão e da morte.

Porém são realizados os simpósios, os seminários de sempre, os painéis ilustrados, tendo como convidados o governador e o ministro da Saúde. Copos de couro elegantes com lápis bem apontados, blocos de papel de qualidade, belos slides a cores, copos d’água gelados, cafés preparados servidos com biscoitos. Fala-se como sempre sobre o nada, a respeito do que será feito proximamente. Nada disso interessa. O essencial é construir algo concreto, uma nova realidade no atendimento à população. Ela paga indiretamente por tudo isso e vota também. E morre em consequência da falta de resposta a seu grito desesperado. A inércia é demais.

Brasil-Argentina: nem amistoso, nem justo ou com resultado merecido. Futebol é isso?

Helio Fernandes

Essa palavra jamais poderá ser utilizada em qualquer competição entre os dois países. Mas não precisava nem precisa de hostilidade. Até reconheço que para marcar um jogador como Neymar, tem que ser com violência, derrubada, empurrão e inamistosidade.

Nas primeiras 4 bolas, Neymar foi jogado quase fora de campo, o árbitro não marcou coisa alguma. Precisamente na quinta bola, avançando, Neymar sofreu nova falta, mas como era fora da área, o árbitro marcou. E essa rotina se repetiu, ficou uma espécie de recado para os próximos 10 anos de Neymar: “Dentro da área podem bater à vontade, fora, o recurso será punido, reprimido, impedido”.

Podia ter sido melhor o jogo, mas o Brasil e a Argentina, não colaboraram. Agradável, satisfatória e positiva, a volta de Ronaldinho Gaúcho, 73 minutos de movimentação até brilhante, ia fazendo um gol de calcanhar. Mostrou a bobagem de não ter sido convocado para a última Copa. Da mesma forma como será difícil para a próxima, com mais 4 anos, não na certidão de idade, mas na resistência física.

Na Argentina, a estrela é sempre Messi, mas bem longe do que ele faz no Barcelona. Só que aos 47 minutos, ele pega uma bola e derrota o Brasil. (Messi está cada vez mais parecido com Dustin Hoffman, no filme que o revelou, “A Primeira Noite de um Homem”. Poderíamos mudar para o primeiro gol de um craque, não revelado na seleção).

***

PS – Esse jogo, que parecia que ia terminar empatado, mas terminou com o gol surpreendente, não atinge o trabalho de Mano Menezes.

PS2 – Não há dúvida que vitória é vitória, a derrota do Brasil, mesmo nessas circunstâncias, será manchete no mundo inteiro.

PS3 – Só perderá, em repercussão, para o noivado do príncipe-herdeiro da Grã-Bretanha. Ocupará um cargo, onde “o rei reina, mas não governa”. Como o futebol do Brasil, hoje em Doha.

O futuro do ministério Dilma, ainda assombrado por Lula. Mas com vetos a Mercadante, Palocci, confirmação de Mantega, incerteza no BNDES, disputa na Saúde. Com Dirceu vigiando e fiscalizando tudo.

Helio Fernandes

Em 1994, Mercadante foi candidato a vice do presidenciável franco favorito, Luiz Inácio Lula da Silva. Perderam, ficou sem mandato. Deputado em 1998, senador em 2002, novamente franco favorito para Ministro da Fazenda, logo depois da posse como senador.

Só que Lula já começava a “filosofia” de não deixar ninguém crescer perto dele. Mercadante não foi chamado para nada, ficou um tempão no (8 anos), só conseguiu mesmo ser “líder irrevogável”, desprezado e humilhado pelo próprio amigo Lula.

Agora, derrotado para governador, (revelei isso aqui, 6 meses antes da eleição, nunca tive dúvida dessa vitória, Alckmin é mediocríssimo, mas vitorioso), Mercadante não recebeu nenhuma ajuda de Lula.

Novamente esperava ser Ministro da Fazenda, (que péssimo analista de si mesmo), Dona Dilma mostrou logo a preferência por Mantega, que o próprio Lula confirmou levando-o para o G-20, e deixando que falasse, sempre ao seu lado.

***

O FUTURO DE MERCADANTE

Não tendo lugar na Fazenda, Mercadante pensou (?) no BNDES. Mas Luciano Coutinho (presidente desse banco), que se julgava favorito para Ministro da Fazenda, tenta se garantir no cargo em que já está. O BNDES não tem Ministro no título, mas tem um caixa que nenhum ministério possui.

Então, Mercadante adoraria receber convite para movimentar os BILHÕES da Avenida Chile. (Que Carlos Lessa, em poucos meses, revelou e denunciou que enriqueciam muita gente).

***

O FUTURO DO BNDES

Desejadíssimo, todos querem presidi-lo. Em janeiro, Belluzzo, presidente do Palmeiras, espalhava que fora convidado (ou sondado, vá lá) para presidente do Banco Central ou do BNDES, quando chegasse a desincompatibilização.

Nenhum dos dois cargos vagou. Belluzzo ficou sem nada e com o destino contra. Não sobrou para ele, teve que operar o coração, se licenciou da presidência do clube, a eleição é em janeiro, não é candidato.

O BNDES continua “alternativa”, nada desprezível, mas cobiça para quem não conseguiu outra coisa.

***

O FUTURO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Antonio Palocci gozou 4 anos (os primeiros de Lula) de extraordinário fulgor. Veio do interior de São Paulo, prefeito cheio de irregularidades, acusado abertamente de corrupto. Mas se firmou, o mais comum era Lula dizer e repetir: “Fico esperando o Palocci me dar SINAL VERDE para baixar os juros”. Era o apogeu, não resistiu a mais irregularidades e à dança das vestais, na casa oficial.

Acreditou demasiadamente no prestígio, denunciado por um caseiro, foi surpreendentemente demitido pelo amigo Lula. Mais grave ainda, denunciado, julgado pelo Supremo, derrotado pelo humilde caseiro. O Supremo foi misericordioso, podia ter sido massacrado.

Acreditando que estava recuperado por ter sido incorporado à campanha de Dilma, pensou (?) na Casa Civil ou no Ministério da Fazenda. Quando publicaram, Lula retumbou: “Palocci, não”. Agora disputa com Mercadante o Ministério da Saúde, diz que é médico, (como ACM-Corleone, ninguém acredita) nem precisa. Está aí o Serra, o derrotadíssimo presidenciável. Mas Mercadante também quer a Saúde.

***

O FUTURO DA CASA CIVIL

É sem dúvida, como cargo, o mais importante. Está sempre no centro dos acontecimento, pode até ajudar o presidente, seja quem for, a dizer, “eu não sabia de nada”. Não foi por acaso que Dirceu acumulou tanta força e Poder. E foi de lá que Dona Dilma voou para a Presidência.

Mas reconheçamos: Dirceu seria estorvo e angústia para Lula, Dona Dilma nenhum susto ou surpresa desagradável. (Pelo menos até agora, 43 dias antes da posse, tempo que pode ser prorrogado mais um pouco.)

Sempre achei e proclamei (embora não o conheça) que a Casa Civil fosse para Paulo Bernardo, Ministro do Planejamento. Tem o perfil para o cargo, principalmente num governo que tem tudo para ser polêmico. (Mais vantagem que não precisava: a mulher se elegeu senadora pelo eleitoralmente complicado Paraná),

***

O FUTURO DA PETROBRAS

Sem favor algum, Sergio Gabrielli é um dos personagens mais subservientes do governo Lula. Que está acabando, mas parece que não para o presidente desse órgão-potência. Convenhamos e reconheçamos: mediocríssimo e com 142 cargos na própria Petrobras mais importantes do que o dele, só poderia se manter mesmo com a bajulação e com o “sim, senhor”, dito com humildade em qualquer oportunidade.

Curiosamente, os partidos da “base” não reivindicam a presidência, e sim um dos 8 cargos de alta projeção na Petrobras. Dois desses, “ninguém tasca”. Já estão há muito tempo com protegidos de senadores, Que não admitem mudanças. São adeptos do lobismo do carreirista cheio de acusações não respondidas, Michel Temer: “No preenchimento dos cargos, é melhor continuar tudo como está”. Sem o menor constrangimento, diz isso numa cadeia, que palavra, de televisão.

***

O FUTURO DO PRÉ-SAL

Com essa “hierarquia subalterna”, a presidência da Petrobras deve ir (ou ficar) com alguém do segundo ou terceiro time. Os grandes partidos não reivindicarão esse cargo, talvez aceitem como complementação. Dessa forma, o domínio do Pré-Sal provocará luta muito maior. E como essa riqueza pertence realmente ao futuro, não pode ser considerada prioritária para o PT ou PMDB.

***

PS – A formação do ministério não termina aí, a contagem de Dona Dilma é bem possível que chegue a 37. Que foi o número que Lula teve que preencher, com nomes estapafúrdios.

PS2 – Enquanto o sistema político do país, for dominado pelo BIPARTIDARISMO-PLURIPARTIDÁRIO, é difícil organizar uma equipe com menos Ministros.

PS3 – Nada do que está dito aqui, é “invenção”, e sim informação, hoje com poucos riscos.

PS4 – Mas até o dia 1º de janeiro de 2011, (a posse), os partidos (todos os 10) perderão cargos, trocarão nomes, não brigarão com a realidade. A realidade desses partidos (principalmente o PMDB) é a recompensa generosa, e não a ocupação perigosa (do Poder).

José Dirceu, a “incógnita” verdadeira

Helio Fernandes

Alain Touraine perdeu tempo, veio ao Brasil exibir sua fama e gastar palavras, principalmente essa que utilizou em Dona Dilma. Se fosse mesmo o “gênio” no qual acreditam, teria chamado atenção para o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu.

Todos se preocupam com ele. Não digo correligionários e adversários, pois ninguém sabe quem está de um lado ou do outro. Só para resumir ou simplificar: a preocupação geral é com ele, estejam de que lado estiverem. José Dirceu só tem um lado, o dele, que ninguém consegue definir. Se conseguissem, que maravilha viver.

***

A INCÓGNITA DILMA

Paulo Sólon: “Ainda bem que Dona Dilma é uma INCÓGNITA. Justamente por ser desconhecida (usando o termo em português) é que desperta o meu interesse. Gosto de ver uma ex-guerrilheira, bastante imprevisível, ocupando o máximo cargo da nação.
O “sociólogo” francês já deveria saber que quem é incógnito é capaz das maiores realizações, justamente por ser imprevisível. O sociólogo francês não conhece Dona Dilma, assim como aqui ninguém tinha ouvido falar em Sarcozy.”

Comentário de Helio Fernandes:
Perfeito, Sólon. Como eu disse, estranhando a bobagem do sociólogo, ele veio de tão longe, podia ter ficado em silêncio. Quanto a Sarcozy, é conhecido por ser de extrema direita assustado. E pela mulher, que todos conheciam.

***

DILMA DE PLANTÃO

Emerson 57: “Hoje não temos nenhum “Companheiro” de plantão, o que temos é uma presidente eleita pelo povo, com maioria de onze milhões de votos. O resto é golpe. Abraço”.

Comentário de Helio Fernandes:
Não há dúvida de que você está coberto de razão. Quem quiser faça como muita gente. Não votou na Dilma, não acredita que ela faça um bom governo. Só que isso é futuro. O passado e o presente estão nas tuas palavras, não podem ser desmentidos.

Tribunal de Contas da União tornou INIDÔNEAS, firmas que faziam transportes dos Correios. Falta a protegida de Erenice Guerra.

Helio Fernandes

As empresas Skymaster Airlines, Beta Brazilian Express Transportes Aéreos e a Aeropostal Brasil Transporte Aéreo, envolvidas no escândalo do mensalão, julgadas pelo TCU foram consideradas INIDÔNEAS.

Agora, estão impedidas de participar de qualquer licitação de empresas públicas. Por quanto tempo? 5 anos, no mínimo. Como transportavam (não transportarão mais) correspondências dos Correios, esse mercado ficou menor.

O Tribunal de Contas não perdoou: comunicou o fato aos Ministérios das Comunicações e Planejamento, à Procuradoria Geral da República e à Advocacia Geral da União.

O valor dos contratos sob suspeita mantidos pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) chega a R$ 349,7 milhões. Dos 15 contratos em que foram detectadas irregularidades, quatro foram firmados com dispensa de licitação. Um deles, no valor de R$ 19,6 milhões, foi assinado em maio entre os Correios e a Master Top Linhas Aéreas (MTA), empresa que foi pivô da queda da ex-ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, e do ex-diretor de Operações dos Correios. Eduardo Artur Rodrigues Silva.

O presidente dos Correios, David José de Matos, disse que vai manter os quatro contratos em vigência com a MTA, no valor de R$ 59,8 milhões. A justificativa é que os contratos são legais, firmados, segundo ele, por meio de pregão eletrônico. Uma das contratações dispensou a licitação por se tratar de um caso de “emergência ou calamidade pública, caracterizada a urgência de atendimento”, como argumentaram os Correios. A MTA foi contratada sem licitação para fazer transporte aéreo de cargas em seis diferentes trechos, até novembro deste ano. Agora, o contrato será investigado pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Picciani sem mandato, sem cargo, sem saúde

Helio Fernandes

Jorge Picciani não está numa boa fase. Não quis seguir a minha análise , “não tem nenhuma chance de ser senador ganhando de Crivella e Lindberg”, ficou sem emprego. Riquíssimo, explorando trabalho escravo, saindo financeiramente do “zero ao infinito”, e sem saber quem é Arthur Koestler.

Agora está no Hospital Samaritano, operado da bexiga, custará a ter alta. Conforme informei antes da eleição, iria para o TCE (tem o perfil desse cargo), na vaga de Aluizio Gama, que se aproxima da compulsória.

Cabralzinho não foi visitá-lo, e jornalões que sempre se serviram dele, fizeram a piada. “Será Ministro de Minas e Energia”. Ha!Ha!Ha! Tem minas realmente, falta credibilidade.

Obama descontrolado

Helio Fernandes

Depois de derrotadíssimo nas eleições gerais, exatamente no dia em que completava 2 anos de presidente (4 de novembro), sentiu a derrota. E achou que precisava fazer alguma coisa de grande repercussão.

Fez. Mas inteiramente reprovado, nas urnas e no exame da decisão. Afirmou espetacularmente que irá RETIRAR AS TROPAS DO AFEGANISTÃO. O compromisso repercutiu negativamente, não conseguirá retirar. E, surpreendentemente, o país inteiro apelava para isso, agora quer o contrário. E principalmente, querem “SAIR VITORIOSOS”, o que só conseguirão (no condicional) dentro de 20 anos.

O Afeganistão luta a vida inteira e não perde. Com a ajuda dos próprios americanos, resistiram anos e anos aos soviéticos. Estes estavam no apogeu militar, mas não saíram vitoriosos.

***

URSS, RÚSSIA E EUA

A União Soviética virou novamente Rússia, o Afeganistão estava lá “posto em sossego”, foi atacado pelo país amigo e protetor, resiste há anos e anos. Os americanos, histéricos e hipócritas, retumbam: “Só podemos sair do Afeganistão, como saímos do Vietnam, “V-I-T-O-R-I-O-S-O-S“. Ha!Ha!Ha” Acreditam mesmo nisso ou referendam apenas a farsa?

***

OBAMA CONHECE MITTERRAND?

Devia conhecer de nome e de história. Eleito em 1981, reeleito em 1988, em 1990 perdeu a maioria no Congresso. Não se irritou nem se descontrolou. Fez acordo com a oposição liderada pelo medíocre Chirac, incorporaram à História da França a palavra COABITAÇÃO. Um presidente de esquerda, um primeiro-ministro de direita. Não demorou, recuperou a maioria, demitiu Chirac, governou sozinho.

Conversa com leitores-comentaristas sobre Copa de 2014 e Olimpíada de 2016

Carlos Sandes Ehlers: “A grande incógnita será: e depois da Copa-2014 e Olimpíada-2016, o que vai acontecer? Estranho o tamanho do gasto com dinheiro público via BNDES, dinheiro que daria para resolver vários problemas da cidade, contudo, simplesmente, vai ser aplicado em obras desnecessárias. Enfim, a cidade do Rio de Janeiro não merecia isso. Por outro lado, estamos ficando para trás na EDUCAÇÃO e SAÚDE, itens esses fundamentais ao qualquer desenvolvimento humano e social.”

Comentário de Helio Fernandes:

Muita gente fica “orgulhosa” só por causa da Copa e da Olimpíada serem no Brasil. Mas quem vai ganhar fortuna são os homens da FIFA, Ricardo Teixeira, os empreiteiros  e alguns (até jornalistas) que adoram bater palmas para os poderosos.

Por enquanto, o lugar comum prevalece: constroem “elefantes brancos”, depois abandonados, como os dos Jogos Pan-americanos.

***

Valentim: Caro Helio , dê um tempo nessa ameaça mortífera cogitada no estádio do Corinthians , porque em São Paulo consta que a Petrobrás retirará os dutos do local. Quanto ao resto do assunto é com o Mestre.”

Comentário de Helio Fernandes:

Não quis falar sobre isso, Valentim, mas já sabia. A Petrobras, amedrontada com as primeiras notícias, garantiu a retirada dos dutos. E revelou até quanto gastará: 120 milhões.

Falta os Procuradores federais e os “responsáveis” pelo BNDES, explicarem: “Como emprestarão dinheiro ao Corinthians e à Odebrecht? Como garantir a construção de um estádio que não pertence ao Corinthians?

Lula, Dilma e o mercado

Carlos Chagas

Dividem-se as opiniões, através dos séculos. Ora o mercado é a própria natureza das coisas, com a irrevogável lei da oferta e da procura. Fora da competição não há salvação. Existem  períodos,  no entanto, em que o mercado não passa de um clube de poucos e poderosos malandros,  ditos investidores e empreendedores, mas, no fundo,  vigaristas empenhados em fazer apenas  do lucro a razão de o planeta girar em torno do sol.

Desde os tempos de líder sindical  que o Lula mostrou-se um dedicado cultor do mercado. Jamais sustentou a revolução, talvez nem o ideal reformista.  Acoplou-se à política dos resultados. Arrancar o máximo dos patrões, mas reconhecendo e  desejando pleno sucesso ao mercado,  ou seja, aceitando a busca do lucro  como fim e a desigualdade entre os cidadãos  como consequência.

Ministra das Minas e Energia e chefe da Casa Civil, até  como candidata, Dilma Rousseff  aceitou sem discutir a política adotada pelo Lula na  presidência  da República, isto é, de submissão ao mercado. Jamais contestou a estratégia liderada por Antônio Palocci, Guido Mantega e Henrique Meirelles, por sua vez seguidores do neoliberalismo mercadológico de Fernando Henrique Cardoso. Como  chefe do governo,  Dilma optará  pelo mercado, mesmo salpicado de assistencialismo?  Ou atentará para o fato de que,  livre para todo tipo de excessos, o mercado criou  impasses capazes de levar nossa economia para o buraco, extinguindo o período de euforia dos últimos anos?

Continuar aceitando a ditadura do lucro  poderá ser fatal,  mas impor para valer  a intervenção do poder público na economia despertará indignação,  ira  e perplexidade por parte dos   manipuladores do mercado.

O EXEMPLO DA CARNE QUE É FRACA

Passando da teoria à prática, na seqüência da nota anterior, vale  um  exemplo simples do nó  que a nova presidente precisará desatar. O Brasil tornou-se o maior  exportador  de carne bovina do  planeta. O  bife brasileiro é disputado lá fora, a procura aumenta, os preços sobem e nossos fazendeiros multiplicam a produção para exportar e lucrar.  O resultado é a diminuição da carne  no  mercado interno e o conseqüente aumento no preço, da ordem de 30% ou mais,  só nos últimos dois meses, em nome da lei da oferta e da procura.

Sofre a população brasileira. Fazer o quê? Cruzar os braços e concluir que o mercado é assim mesmo, bom para poucos, ruim para muitos?  Subsidiar o consumo entre nós seria um sacrilégio.   Reduzir  ou taxar as exportações, uma  agressão ao próprio, quer dizer, ao mercado.

Sempre haverá o reverso da medalha, ou seja, os estrangeiros poderão reduzir suas importações,  o preço internacional  poderá cair, mas,  nessa hora, em nome do mercado,  os  produtores não exigirão subsídios?  Fecha-se o círculo em que Dilma Rousseff  ficará presa, pois a carne é apenas um detalhe.

DUAS CATEGORIAS DISTINTAS

Na hora em que se protesta contra o trancamento dos arquivos da ditadura, seria bom que algum historiador ou aluno de doutorado em ciência política se dedicasse a  identificar,  entre as vítimas da truculência anterior, quantos optaram pela  luta armada apenas para restabelecer a democracia entre nós e quantos praticavam a guerrilha visando estabelecer outra ditadura, no caso, do  proletariado.  Porque a divisão, à época encoberta e até  sigilosa,  serviria para definir muita gente hoje galgando ou já incrustada no poder. Não  que muitos não possam ter mudado. Ninguém  é obrigado a  aferrar-se  a concepções do passado. Mas muita gente se surpreenderia, caso a pesquisa fosse feita…

ELA JÁ SABE

Dilma Rousseff está de novo em Brasília para uma profusão de rodadas de conversas, debates, consultas e entendimentos visando a formação de seu programa de governo e, em especial, de seu  ministério. Essa é a versão oficial, mas há quem suponha que, desde seu  retorno  da Coréia,  a presidente eleita já compôs a equipe e definiu as linhas base de sua administração.  Apenas, guarda umas e outras para o travesseiro, preservando-se do desgaste de agradar uns poucos e desagradar muitos.

Claro que retificações poderão ser feitas até quinze minutos antes do anúncio, geradas por fatores variados, mas arrisca-se a passar por bobo quem supuser que Dilma ainda não sabe quem será o seu chefe da Casa Civil, seu ministro da Fazenda, seu ministro da Defesa e seu chanceler.  E muitos outros ministros. Fala-se da cristalização das escolhas a partir da volta da Coréia, tanto pelas sucessivas horas de conversa da presidente eleita com o presidente Lula quanto  do tempo de que ela dispôs para meditar,  em Seul e nos deslocamentos, sem estar cercada do enxame de assessores e de bicões dispostos  ao seu redor.