Presidente do Bahia: “Renato Gaúcho é um vencedor”

Precisa domar e dominar as palavras. Se dissesse, “Renato Gaúcho é famoso, por isso foi contratado”, estaria bem perto da realidade. Vencedor? Quando e onde?

Ficou oscilando entre Vasco e Fluminense, servindo a Eurico Miranda, e isso não tem nada a ver com vencedor. Ou se submetendo ao jogo do patrocinador contra o presidente do Fluminense, outro Eurico Miranda do futebol.

Não queria sair do Rio, ficou esperando, sobrava o Botafogo, que nunca se interessou por ele. Cheguei a escrever: “Renato Gaúcho vai acabar no Ipatinga”. Nenhuma depreciação, é que lá não tem praia. Na Bahia tem muita, que não faz do treinador um vencedor. Mas é um marqueteiro nato.

Temer: se lançou vice de Dona Dilma, mas quer mesmo apoiar Serra, medo de Quércia

Deputado sem voto, mas que desde já se julga presidente da Câmara em 2011, (e a eleição de 2010, não vale nada?) teve sua caminhada sorrateira e isolada, embalançada por uma proposta-sujeição-estarrecimento: a vice-presidência da República.

Mal se elegendo para a Câmara (com exceção da última, quando ficou como suplente e assumiu) ficou sempre como deputado. Por causa da burrice brasileira de fazer “coincidir” todas as eleições, e não querer arriscar o único cargo com alguma chance.

No seu eterno malabarismo, Lula aproveitou o fato de Dona Dilma precisar de alguém de São Paulo, para especular com seu nome como vice. Depois que fez a jogada, Lula ria até sozinho, pois Temer passou recibo, aceitou correndo.

Agora, sempre se contradizendo, Lula explicou, “o PMDB tem muitos nomes para vice”, e citou três deles. O que irritou Temer. A luta deste é com Quércia, que se elege e reelege presidente do partido em São Paulo. Se Lula quer que Serra ganhe a eleição, está agindo muito bem. Se quer favorecer Dona Dilma, (se ela for candidata), por que não convida Quércia para vice? Estaria atingindo Serra.

Novas investigações da polícia vazam nomes de senadores, deputados e autoridades que até prova em contrário nada devem. A quem serve a precipitada e ilegal divulgação?

Causou surpresa  a divulgação pela imprensa de que a Polícia Federal, atendendo  solicitação do Ministério Público Federal, iria aprofundar as investigações da chamada “Operação Castelo de Areia”, envolvendo supostas transferências de recursos da construtora Camargo Correa para senadores, deputados federais, secretários de estado, conselheiros de Tribunais de Contas e graduados funcionários do governo federal (ao todo, mais 18 investigados). Os nomes de todos eles foram divulgados pelos principais jornais, emissoras de rádio e de TV e internet, como se já fossem indiciados, senão culpados por algo que nem eles sabem de que se trata.

Segundo noticiado pela “Folha de S. Paulo”, “a Polícia Federal deflagrou a operação em março passado, a princípio com o objetivo de apurar crimes financeiros que teriam sido cometidos por executivos da empreiteira, em conjunto com doleiros. Porém, o relatório final do caso concluído pela PF em novembro levou a Procuradoria  da República em São Paulo a preparar 18 representações a outros órgãos com a indicação de provas ou indícios que podem resultar em novos inquéritos ou processos penais”.

Como não há prova alguma contra essas pessoas, nem procedimento administrativo, nem inquérito, nem processo penal e muito menos condenação, pergunta-se, a que título e com que poderes, pode um servidor público remunerado pelos cofres públicos, antecipar e vazar tão comprometedoras suspeitas contra cidadãos que têm profissão, qualificação, família e nome a preservar e que de um jeito ou de outro terão suas biografias, irremediavelmente, comprometidas por tão avassaladoras e destruidoras suspeitas?

Desde quando indícios ainda não investigados justificam que se enodoe o currículo  de outros servidores públicos, em nome da pretensa defesa da moralidade pública e da probidade administrativa? Isso não se chama abuso, atitude arbitrária, violação criminosa da intimidade e da privacidade do cidadão, como acentuou outro dia o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, em controvertido julgamento de reclamação proposta pelo jornal “O Estado de S. Paulo” contra teratológica e preocupante censura judiciária PRÉVIA?

Aqui está se condenando a afoiteza e a leviandade do vazamento de informação por SERVIDOR PÚBLICO e referente a um procedimento investigativo ainda  interno e que, por sua incipiência e falta de fundamentação, jamais poderia ter sido levado ao conhecimento da imprensa para divulgação.

Aliás, nesse caso, até agora,  se crime há a investigar é o do funcionário público que, por razões estranhas, vazou informação sigilosa, descumprindo seu dever funcional. Isso é crime e precisa ser também combatido.

Por isso mesmo, como entre os possíveis futuros investigados, estão senadores da república, deputados federais, secretários de Estado, conselheiros de tribunais de contas, diretores de estatais federais e estaduais, aguarda-se,  para se pôr fim  a esses rotineiros  desvios funcionais, que o presidente da Câmara, deputado Michel Temer, uma das principais vítimas,  o presidente do Senado, José Sarney, o governador do Estado  de São Paulo, José Serra, e outras autoridades, requeiram imediatas explicações acerca dessas denúncias veiculadas pela Imprensa ao ministro da Justiça, Tarso Genro, ao Diretor-Superintendente da Polícia Federal, em Brasília, e ao Procurador-Geral da República. Por certo, a grave ocorrência poderá ser também  examinada pelo Conselho Nacional do Ministério Público, em Brasília.

Se as autoridades acima mencionadas nada fizerem agora, estejam certos de que o comprometedor silêncio será interpretado como covardia, temor, reconhecimento de possível culpa e o que mais encorajará a prática de futuros vazamentos por parte desse funcionário que não respeita a lei e nem os direitos e garantias fundamentais dos cidadãos e que, por isso mesmo, deveria ser excluído da Administração Pública, a bem do serviço público.

O jornal “O Estado de S. Paulo”, de 13 de dezembro de 2009, comentou o ilegal  procedimento do servidor “vazador” da informação, sob o título “O “ópio” do Ministério Público”, enfatizando que “no limite, o que está em jogo não são apenas as salvaguardas de figurões dos negócios e da política. Trata-se do respeito à incolumidade das pessoas comuns ANTES QUE SEJAM DECLARADAS RÉS EM UM PROCESSO”.

* * *

PS- A reprovável conduta desse servidor, diminuiu a admiração e o respeito que a população aprendeu a dedicar ao Ministério Público e à Polícia Federal, por conta dos inestimáveis serviços que têm prestado ao país, com funções e atribuições mais expressivas asseguradas pela Constituição Federal de 1988, a “Constituição Cidadã”.

A reação de temer: incidente ou acidente?

Carlos Chagas

Sem nenhuma referência à família Sarney, o  Maranhão parece não fazer bem ao presidente Lula. Foi lá, semana passada, que ele soltou a língua e utilizou mais de uma vez aquele substantivo de cinco letras significando matéria orgânica.  Pegou mal, apesar de sabujos e sociólogos sustentarem ter sido o chefe do governo autêntico como um torneiro-mecânico. Afinal, estava num palanque, não na frente  de um torno.

De qualquer forma, foi também no Maranhão que o Lula atropelou não apenas o vernáculo, mas o PMDB. De caso pensado, anunciou a intenção de decidir quem será o vice de Dilma Rousseff a partir de uma lista tríplice de peemedebistas, não aceitando a indicação de um só.

Ora, o “um só” tem nome e endereço na lista telefônica de São Paulo: chama-se Michel Temer, presidente da Câmara e presidente licenciado do PMDB. Mesmo sem muita certeza de querer partir para a aventura petista, o deputado sentiu-se ofendido e agora reagiu.

Na convenção paulista do partido, domingo,   deu força a Orestes Quércia, que oscila entre apoiar José Serra ou a candidatura própria do governador Roberto Requião. Também referiu-se explicitamente à lista tríplice, acentuando “não  ter sido uma fala feliz do presidente da República”. Acrescentou que o PMDB jamais diria ao PT o que fazer, em nome da soberania interna. E jogou sobre os ombros do Lula a responsabilidade sobre o suposto lançamento de seu nome, ao dizer  que ele, Temer, poderia ser o vice. Sua resposta, na época,  foi mais  mineira do que paulista: “Vamos primeiro fechar a aliança e depois verificar qual o nome que soma melhor para a candidata”.

O presidente da Câmara anda irritado, a partir de denúncias de que estaria entre os beneficiados pelo mensalão do governador José Roberto Arruda, de Brasília. Por isso reagiu à lista tríplice do presidente Lula e até acrescentou pimenta no prato já condimentado de sua irritação.  Prometeu levar à convenção do PMDB, em junho, a proposta da candidatura própria do governador Roberto Requião, da mesma forma como não descartou uma aliança com os tucanos de José Serra.  Em suma, haverá que aguardar para saber se estamos diante de um pequeno incidente de percurso no processo sucessório ou de um acidente de razoáveis proporções.

Malandros de lá e de cá

Instalou-se na noite de segunda-feira, em Brasília, a Conferência Nacional de Comunicação, patrocinada pelo governo. Setores mais à esquerda da mídia oficial estão propondo o que chamam de controle social dos meios de comunicação, alguma coisa um tanto  confusa que se exerceria através de conselhos compostos pelo próprio  governo, em condições de cheirar a censura prévia.

No reverso da medalha, os barões da grande imprensa, a começar  pela eletrônica, tomados de arrogância e de medo, decidiram boicotar a Conferência. Com a Abert e a ANJ à frente, não comparecerão, deixando espaço vazio para aventuras retóricas mais capazes de fazer fumaça do que fogo.

De parte a parte, prevalece o radicalismo. Bem como a prática de enxugar gelo. Entre os temas que certamente não serão debatidos esta semana está o da desmedida propaganda do governo nos meios de comunicação. Saídas dos cofres das empresas estatais e da administração direta, fortunas são dirigidas, todos os meses, para televisões, rádios, jornais, revistas e sucedâneos. Seria apenas para os leitores, ouvintes e telespectadores abastecerem seus carros nos postos da Petrobrás? Para  abrirem contas no Banco do Brasil e na Caixa Econômica? Ou para obterem a boa vontade dos noticiários e comentários da mídia que nada tem a ver com consumo de gasolina ou investimentos financeiros?

O curioso nessas operações é que   as empresas  agora pretendendo  sabotar a Conferência Nacional de Comunicação não reclamam do dinheiro que abastece seus caixas. Pelo contrário, até exigem mais.  Muito menos o governo desperta para o desperdício. Numa palavra: malandros há,  lá e  cá.

Chamuscado mas não queimado

Salvo milagre ou inusitado, o governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, encontra-se garantido em seu mandato. Não terá seu impeachment decretado pela Câmara Legislativa ou, muito menos, será posto para fora através de ação penal a tramitar na Justiça. Neste caso, porque bons advogados e prolongados recursos fariam qualquer processo estender-se até muito depois de 31 de dezembro de 2010. No primeiro, porque pelo menos dezesseis dos vinte e quatro  deputados distritais pertencem à copa e  cozinha do governador.

Como a indignação pública  da população local tende a esvaziar-se, melhor será a população conformar-se em que, no máximo, poderá votar melhor no próximo outubro, ao contrário de como  votou naquele mês,  em 2006.

Murro em ponta de faca

Prepara-se o presidente Lula para daqui a poucas horas, em Copenhague, dar mais alguns murros em ponta de faca. Se tiver sido alertado, leva em sua bagagem algumas luvas de ferro.   Porque não conseguirá mudar a tendência dos países ricos de eximirem-se das causas do aquecimento global e, muito mais, de contribuírem para melhorar o meio ambiente através de recursos de seus tesouros.

Não deixa de ser chocante verificar que Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, China, Japão e outros utilizaram, há pouco mais de  um ano,  trilhões de dólares para salvar seus bancos falidos. Salvaram o sistema financeiro mundial, o mesmo que já volta às práticas anteriores de exploração e especulação contra suas populações e, em especial, contra os países pobres e em desenvolvimento.

Mas reservar recursos para salvar o planeta, de jeito nenhum. Cada um que cuide de si, deixando de seguir-lhes o  exemplo centenário e ainda praticado, de devastar o meio ambiente. Não há Obama que dê jeito, até porque, além de não poder, não quer. Melhor atuar para que a Amazônia seja transformada num imenso jardim botânico. E às nossas custas, até que um dia, no futuro, antes de o planeta explodir, eles tenham internacionalizado a região…

1 Bilhão de Lula para Eike Batista

Emigdio Varela, Sete Lagoas, Minas
Jornalista, acabei de ver sua revelação de que o BNDES deu 1 bilhão para o senhor Eike Batista. Como o senhor mesmo diz sempre que ele é muito rico, o que vai fazer com esse dinheiro? Prefiro até mesmo o Bolsa-Família. Desculpe e obrigado.

Resposta de Helio Fernandes
Na informação ao banco oficial, está dito: “Estou construindo uma termoelétrica a carvão, esse dinheiro irá complementar o que já investi”. Termoelétrica alimentada a carvão é uma desgraça para o meio ambiente. E exatamente no momento em que lutam (lutam mesmo?) para limpar a atmosfera, o presidente resolve “dar tanto dinheiro para contrariar o que afirma?”.

Não era mais saudável, não traria mais desenvolvimento e progresso, investir esse bilhão E TODO O RESTO em infraestrutura?

Em Copenhague, as potências enganam a humanidade. Lula finge total credibilidade e dá 1 BILHÃO a Eike Batista

Fora as chuvas e vendavais terríveis, que empobrecem mais ainda os já pobres, o grande assunto do momento é a reunião de 196 países fingindo que pretendem acabar com a contaminação da atmosfera.

EUA e China, os dois maiores poluidores, fogem de qualquer responsabilidade, mentem desaforadamente: “Concordamos em diminuir a poluição em 2020, o que falta é dinheiro”.

Com a redução (o fim jamais haverá) da poluição, os mais beneficiados serão precisamente as grandes potências. Reconheço, com 77 países (o G-77) decidindo, não sai acordo.

Para as necessidades dos bancos, seguradoras, imobiliárias e outros setores que só “pensam em fabricar lucros”, existem TRILHÕES de dólares. Para melhorar a vida de BILHÕES de pessoas, não sobrou coisa alguma.

Lula faz encenação, grita, engana. Mas o BNDES, por ordem direta dele, acabou de dar 1 BILHÃO ao “empresário” Eike Batista. Disso, quanto ele vai destinar para Madonna?

Roberto Dinamite, mais econômico do que o economista Belluzzo

O Vasco pagava, na Série B, 280 mil ao treinador Dorival Junior. Mudando de série, quis elevação de patamar, pediu 380 mil, o Vasco disse que era muito. Contratou Mancini por 120.

O economista que disse que vinha para reformar a cúpula esportiva, desandou e só fez bobagem e tolice, incluindo o palavreado. Pagou 700 mil ao Muricy, não ganhou o título ou a vaga na Libertadores.

Também não reformou nada na cúpula. E esqueceu de Havelange, Brunoro, Bernardinho, Bebeto de Freitas, José Roberto Guimarães e outros. Excluída a parte do dinheiro, Belluzzo tem todo o perfil de Ricardo Teixeira, Márcio Braga (este sem a exclusão financeira), Blater, e mais e mais.

Pão de Açúcar: “Lugar de Abílio Diniz feliz”

Depois de comprar os menores, devorou um grande, sem despender um tostão. Agora, se comprar o que sobrou na praça, o slogan vira realidade. Que maravilha viver.

Por que Lula
tanto elogia Aécio?

Não é por amizade, não é a palavra preferida do presidente. Menos ainda por gratidão, Lula acha que não deve nada a ninguém. Por cautela? Não brinquemos com coisa séria. É que Lula não tem dúvida: entre Dona Dilma, (quer dizer, ele mesmo) e Serra, não tem como perder.

O suicida Temer
em fim de carreira

O presidente da Câmara, que não rouba mas não é muito brilhante, está convencido que será “o vice de Dona Dilma”. Não será, pelo fato muito simples de que ela também corre o risco de não ser. A vantagem de Michel Temer vice, é o fim de carreira de um inútil para a coletividade.

Ricupero, grande personagem,
falou com o microfone aberto

Excelente figura, isolado e desprestigiado, “traído” pela Globo, não sabia que falava para o mundo. Disse o que não devia. Agora entrevistado pelo jornalista Marcone Formiga, afirmou: “As esquerdas perderam terreno na Itália por causa do assassinato de Aldo Moro”.

Perdão, embaixador, mas como admirador devo retificar: colocar o ladrão Berlusconi no Poder, não é perder terreno e sim enganar a coletividade. Aliás, Berlusconi não é apenas ladrão, mas também cínico, sem caráter, sem ética, sem oral e sem dignidade. Antes de falar, embaixador, olhe o microfone ou limpe a própria voz.

Bachelet-Luiz Inácio, a transferência de voto?

Ela fez realmente um bom governo no Chile. Sai com mais de 80 por cento de aprovação popular. Mas errou na escolha do candidato. Sofreu pressão do partido, teve que optar por Eduardo Frei. Este já foi presidente, período ruim para o país, e lógico, para o povo. Época de miséria, de desemprego, sem investimento. Agora, jogará tudo no segundo turno, tomara que ganhe, mesmo com Frei.

Lula assustado
com o resultado

O presidente brasileiro, que pelas pesquisas (que pesquisas?) tem quase o mesmo índice de aprovação, acompanhou a apuração. Quando não estava perto, perguntava sempre: “Como está a apuração?”, nem precisava dizer que era no Chile.

Preocupadíssimo, se disser, hoje, que transfere sua popularidade, será mera afirmação eleitoral. O Eduardo Frei de Lula é mulher. E ao contrário do Chile, o presidente daqui comanda tudo, “seu” partido, se pudesse fazer pressão, seria para “diminuir o prejuízo” e mudar de candidata. Lula não quer outra coisa, está difícil.

Dona Bachelet tenta um cargo no exterior, depois de deixar o governo. Nem é inédita: já sugeri a presidência da ONU para Lula, ficou entusiasmado. Mas se recusa a confessar, “não quero o sexto mandato, a terceira eleição”.

Murdoch, o gangster da comunicação

Não é o único, mas hoje é o mais importante. Mesmo comparado com os “jornalistas” dos grandes órgãos do mundo inteiro. E fez uma descoberta que tem que ser levada a sério: “A internet nasceu errada, sendo usada de graça, deviam cobrar pelo serviço prestado”. Não há dúvida que está certíssimo.

Anunciou então: “Vou entregar toda manhã, pela internet, em casa, o mesmo jornal que vendo nas bancas, por um preço menor”. E garante que o próprio comprador será favorecido junto com outros setores.

Agora, completando e concretizando a idéia e a descoberta, afirma usando porta-vozes: “A partir de 1º de fevereiro estarei entregando um jornal pela internet, cobrando menos de 1 dólar”. Deve ser bom negócio ou Murdoch não teria decidido tão rapidamente.

Aécio, infatigável

Vem fazendo o possível e o impossível para mostrar ao PSDB, que não existe sucessão sem candidato e sem campanha. Primeiro fez proposta das prévias, o partido não aceitou, ora direis, ouvir estrelas. Depois pediu pressa para o candidato. Nenhum sucesso.

Agora, confidenciou (publicamente) ao presidente Lula, “vou disputar o senado”. Pode dizer o que quiser. Como já foi reeeleito, tem que sair de qualquer maneira. Então se diz candidato, pode mudar, vantagem que Serra não tem.

Mitterrand e Allende, 6 eleições não seguidas. Lula sozinho, 5 eleições seguidas e ainda quer a sexta

Ezequiel Camargo
Desculpe, mas como você não se incomoda que discordem do que escreve, uma correção, ou melhor, duas. Mitterrand também disputou três eleições seguidas na França. E Salvador Allende a mesma coisa no Chile.

Comentário de Helio Fernandes
Não me incomodo mesmo, desde que seja para corrigir e não para “descorrigir”. Mitterrand realmente disputou três eleições, mas não seguidas. E só perdeu duas. A primeira em 1958, contra De Gaulle. Era o início da eleição dos presidentes. Antes, o Primeiro-Ministro é que disputava o voto popular.

Mitterrand, socialista, respeitava De Gaulle por causa do seu comportamento na guerra. Obrigado pelas esquerdas, (De Gaulle era tão conservador quanto Churchill) disputou. No primeiro turno teve 42 por cento contra 46 do adversário. No segundo, 44 contra 56.

Em 1965, reeleição de De Gaulle, Mitterrand não aceitou disputar. De Gaulle renunciou em 1968/69, nova eleição para presidente, Mitterrand outra vez não quis concorrer, Pompidou ganhou sozinho, completando o mandato até 1974.

Em 1974, Mitterrand disputou a segunda eleição, perdeu para Giscard d’Estaing. Como o mandato era de 7 anos, (agora é de 5) em 1981 enfrentou e ganhou do mesmo d’Estaing, só que este estava no Poder. Em 1988 ganhou de Chirac. Em 1994 já se preparava para mais uma vitória em 1995, quando surgiu o câncer, esse é invencível. Chirac venceu sem adversário respeitável.

Salvador Allende disputou a presidência do Chile três vezes não seguidas, ganhou na terceira. Perdeu a primeira em 1958, cumprimentou o adversário, se retirou. Não ganhou em 1962, idem, idem. O Partido queria lançá-lo em 1966, recusou sem qualquer forma de conversa, foi se candidatar a terceira vez em 1970. Ganhou, tomou posse, mas por pouco tempo. Assassinaram Allende, destruíram o belo Palácio de La Moneda, implantaram ditadura cruel, selvagem e sanguinária. O belo campo do Estádio Nacional que eu tanto conheci, transformado em campo de tortura.

(Tudo comandado pelos EUA, igual às ditaduras da América do Sul e Central, que marcaram uma Era. Há um filme maravilhoso de Costa-Gavras, (“Missing”), com Jack Lemmon num papel admirável. Conta tudo o que aconteceu, os prisioneiros no Estádio Nacional, americanos perseguindo e assassinando americanos).

Como você vê, Ezequiel, nem uma linha do que citou corresponde à verdade. Em homenagem à tua ânsia pela informação correta, vou fazer um esforço de memória e contar o que se aproxima do que você escreveu.

O único cidadão do mundo ocidental, que disputou a presidência, (nos EUA) três vezes, não seguidas e perdeu todas, foi o pastor William Jennings Bryan. Como pastor dominava multidões, mas não conseguia conquistar o voto deles. (Perdeu três e não ganhou nenhuma).

Perdeu em 1896 para McKinley, nova derrota para ele em 1900. Com McKinley assassinado em 1901, assumiu o vice Theodore Roosevelt. O pastor era muito amigo de Theodore, não disputou com ele em 1904. Em 1908 voltou a concorrer, perdeu para Taft. Abandonou a política, voltou a “pregar publicamente, não sendo seguido”.

Travou então um famoso duelo de oratória com o maior advogado americano de todos os tempos, Clarence Darrow. Empolgaram os Estados Unidos de ponta a ponta, numa época de comunicação precaríssima. Mas isso é outra história.

* * *

PS- No mundo ocidental, o único cidadão que disputou 5 eleições, S-E-G-U-I-D-A-S, é Luiz Inácio Lula da Silva. Insatisfeito, sonha com a sexta, ainda S-E-G-U-I-D-A. Se vai conseguir ou não, é a incógnita. De 2010.

PS2- A sexta eleição, em 2010, é a obsessão-obstinação de Luiz Inácio Lula da Silva. Está tentando desobstruir o caminho. Se conseguir disputar, ganha de qualquer um. Isso não é elogio, não é contra ou a favor, é análise pura.

PS3- A minha conclusão é tão verdadeira, que o próprio Serra só pretende se definir na hora certa. Ou seja, no momento da desincompatibilização. Se Lula for candidato, Serra continuará governador.

Até o Ano Novo, tudo velho

Carlos Chagas

José Serra e Aécio Neves não decidirão quem será o candidato tucano, muito menos informarão sobre a hipótese de  uma chapa-pura.

Dilma Rousseff não definirá nem assistirá o presidente Lula definindo quem será seu candidato a vice, saído ou não dos quadros do PMDB.

Ciro Gomes não anunciará se disputa a presidência da República ou o governo de São Paulo.

Roberto Requião não iniciará seu périplo pelos diretórios  regionais do PMDB para reforçar a proposta da candidatura própria.

O Congresso não votará a reforma política, sequer  a reforma tributária.

O Supremo Tribunal Federal não terá oportunidade de pronunciar-se outra vez sobre a extradição de Cesare Battisti para a Itália, porque o presidente Lula nada decidirá  a respeito.

A Câmara Legislativa de Brasília não avançará na decisão pelo impeachment ou a absolvição  do governador José Roberto Arruda.

O ministro Guido Mantega não reagirá diante dos números do IBGE que o desmentiram abertamente a respeito do crescimento do Produto Interno Bruto.

O presidente Lula não dispensará os dezenove ministros que são candidatos às eleições do ano que vem, deixando-os na expectativa da desincompatibilização futura.

Ora bolas, de hoje até  o início de janeiro não acontecerá nada na política nacional. Fica tudo como está, salvo se Papai Noel dispuser de planos  surpreendentes, daqueles que continuamos ignorando.

Vem, assim, a pergunta que não quer calar: para que escrevermos sobre política nos próximos quinze dias,  se assunto não haverá antes do Ano Novo? Só que tem um problema adicional: e do Ano Novo até o Carnaval, alguém se animará a tomar iniciativas políticas de vulto?

Metralhadora na torre da igreja

De vez em quando o vento levanta certas páginas da História que desmancham versões  tidas como eternas. Remexendo papéis velhos e lembranças mais antigas ainda, deparei-me com cópia  de uma reportagem onde,  nos idos de 1961, este que vos escreve exaltava o patriotismo do  Cardeal-Arcebispo de Porto Alegre, D. Vicente Sherer, de saudosa memória.

Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul, havia levantado a bandeira da legalidade quando os três ministros militares, no  Rio,  lançaram  manifesto contra a posse do  vice-presidente João Goulart, depois da renúncia de Jânio Quadros.  Expediram ordem para a prisão de Jango, assim que pisasse em território nacional e mostravam-se dispostos a esmagar pelas armas a resistência de Brizola. Até ordens para o bombardeio aéreo do palácio Piratini tinham sido dadas.

O comandante do III Exército, general Machado Lopes, era uma incógnita. Permanecia fechado no quartel,  proibindo a tropa de sair, fosse para coonestar o golpe, fosse para, como foi depois, aderir ao respeito à Constituição.

Na dúvida, o governador mandou cercar a sede do governo com sacos de areia, instalando metralhadoras no perímetro  e disposto  a resistir até o fim, mesmo sabendo que dois ou três tanques em quinze minutos reduziriam a resistência a pó.

Um dos oficiais da Brigada Militar alertou para o fato de que estavam expostos a ataques de aviões de caça da FAB, se eles  cumprissem a determinação do bombardeio, felizmente logo depois impedido pela ação dos sargentos da Base Aérea de Canoas, que desarmaram as aeronaves.

Naquela hora, porém, ninguém sabia de nada, e Brizola aceitou o conselho para instalarem as duas únicas  metralhadoras Ponto Cinqüenta que a Brigada possuía, no alto da torre da Catedral Metropolitana, bem ao lado do Piratini. Era muito pouco em termos de revide, mas o máximo que poderiam fazer. Sugeriu-se que fossem pedir licença a D. Vicente Sherer, que não deu. Brizola conhecia o prelado de tertúlias variadas e ordenou que as Ponto Cinqüenta fossem instaladas de qualquer maneira, como foram.

O cardeal exasperou-se, alegou a invasão de solo sagrado e partiu para tirar satisfações com o governador. Como as entradas do palácio do governo estivessem cercadas pelos sacos de areia, ficou do lado de fora, exigindo uma audiência. Maliciosamente, Brizola  recomendou aos  auxiliares para não o deixarem entrar.

Entrado em anos, D. Sherer não aguentou ficar de pé na calçada, sentando-se no meio-fio  recostado num poste. A imprensa logo percebeu sua presença, servindo-se os fotógrafos com flagrantes de toda espécie, sem que os repórteres fizessem  muito caso do cenho fechado e da cara emburrada do cardeal, que pouco depois se retirou. Foram buscar explicações com o governador, que matreiramente disse  não ter percebido D. Sherer do lado de fora, mas que   havia sido informado de ter vindo o prelado  solidarizar-se com  a campanha da legalidade. Foi o que os jornais de Porto Alegre publicaram no dia seguinte, com amplas fotografias “da adesão da Igreja à resistência do governador pela posse de João Goulart”, quando,  na realidade, ele tinha ido protestar contra as metralhadoras instaladas na torre da catedral.

Pois é.  Anos depois, conversando com Brizola sobre a magnífica  tomada de posição do cardeal, ouvi dele a versão real e um comentário: “Não foi nada do que vocês divulgaram, mas eu não tinha motivo algum para desmentir…”

O Ministro da Fazenda pensava (?) que o Brasil estava crescendo. Vem o IBGE, desmonta o sonho de Mantega. Lula, impávido, altivo e altaneiro, parte para o sexto mandato, perdão, o terceiro

Lula não quer saber de ideologia. Considera que o povo não tem o menor interesse pelo fato. Eleito por ser de esquerda, está praticamente na extrema-direita, só falta ser convocado pelo Dunga nessa posição.

Hoje, ninguém se diverte tanto no Brasil quanto o presidente. Perdeu em 1989, 1994, sabia que perderia em 1998, mas não deu a vaga para ninguém. Sabia que quem fosse candidato em 1998, mesmo que perdesse, repetiria a candidatura em 2002.

Então, ficou ele mesmo, teve a sorte colossal: o “candidato” que apareceu foi Suplicy, que não é levado a sério nem de fora nem de dentro do PT. Em 2002, Lula repetiu as outras candidaturas, finalmente venceu, ei-lo presidente para sempre. (No seu entendimento).

Só que agora o tempo está passando, Lula tenta de tudo, só que não encontra a solução. PSDB e DEM, ditos de oposição, tentam ajudá-lo, PT e PMDB, chamados de base partidária, procuram prejudicá-lo, não conseguem.

Ideologia sustentável

A China comunista-socialista-capitalista, (hoje vivendo uma imprevisível união entre militares no Poder e a ascendente classe média bem alta) criou um regime com um PIB que cresce10 por cento ao ano. Se crescer “só” 8 por cento, (como está previsto para o final de 2009) “produz” mais 15 milhões de desempregados. (Exclusiva)

PIB intocável

Por outro lado, a China, que preocupava o mundo com seu desenvolvimento astronômico, agora preocupa por causa da redução desse mesmo crescimento. Com as importações diminuindo visivelmente, as outras potências, surpreendidas, se perguntam: “O que faremos?”

Lula “prorrogável”

O PSDB, de forma inconsciente, deu uma ajuda poderosa ao possível terceiro mandato de Lula. Os “líderes” desse partido que esteve 8 anos no Poder e desperdiçou, desbaratou e diminuiu o patrimônio nacional, anuncia: “Vamos manter e ampliar o Bolsa-Família”.

Unanimidade na sobrevivência

Ora, como esse é o carro-chefe e a alavanca manejada pelo presidente Lula, por que substituí-lo? Não seria mais lúcido mantê-lo, principalmente quando se sabe que o PT-PT não tem candidato, seja homem ou mulher?

Diga ao povo que FICO

Isso não é sugestão ou convicção: é apenas constatação, trazida a público pelo maior partido dito de oposição.

Mais eleição

Não existe democracia sem Congresso. Por outro lado, Congresso sem voto, sem povo, sem urna, não tem a menor representatividade, é falsidade, farsa, falcatrua. Pois é isso que pretendem impor com o chamado VOTO DE LISTA. Se como está não existe autenticidade, imaginem piorando.

Povo, urna, voto

Dizem para “justificar”, que é preciso fortalecer os partidos. Como fortalecer o que não existe? Há mais de 1 ano escrevi relação de 10 itens político-eleitorais que precisavam adotar. Entre esses, o fim dos suplentes, a adoção do Voto Distrital, a redução dos mandatos, (de deputados e senadores) e duração menor. 400 deputados e 54 senadores, mais do que suficiente.

Incógnita

Rato raivoso, roeu roupa rei Roma, reinando revoltado retrospecto ruim, rancoroso, redondamente ruinoso. (13 palavras lembram quem no Brasil?)

Espanto

O próprio Lula está surpreendido com a repercussão que conquistou no exterior. E isso ocorreu muito antes do presidente Obama dizer, “esse é o cara”. Já antes, Lula desmanchara as previsões pessimistas de FHC.

Consagração

A fala de FHC: “Sem conhecer nenhuma língua, provinciano, Lula presidente, nem poderá ir no exterior”. Fracasso total da análise do ex-presidente; Agora é a revista “Newsweek” (edição latino-americana) que emplaca Lula na capa, explicando: “Lula colocou o Brasil no mapa das potências globais”.  FHC morre de inveja e ciúme. (Com tanta “cobertura”, Lula pode se contradizer em matéria de Arruda no plano interno e de Zelaya no externo. Por que defende o governador e tenta salvar o de Honduras, morto e enterrado?)

Quando Mônica Azambuja separou de Henrique Eduardo Alves, desvendou tantos escândalos, que voltou o lugar comum: “Ex-mulher é para sempre”. Fizeram acordo, ele recuperou o tempo perdido, ela também. Agora, ela já perguntou afirmando: “Vai voltar tudo?”. É que no escândalo da capital (ou a capital do escândalo?) ele e Eduardo Cunha (Ki-dupla, parece sorvete da Kibon) citadíssimos, como se defenderem?

O presidente se desmente planejadamente. E não é de hije. Desde Sarney, faz declarações hostis, a segunda sempre desmentindo a primeira e à espera do conteúdo da terceira.

* * *

PS- Lula não faz confidência a ninguém, quando fala, é para tumultuar ou dificultar o entendimento. Segundo informes de boa fonte, Lula nunca se divertiu tanto, quando viu o “IBGE com apenas 24 horas de diferença, desmentir o SEU ministro da Fazenda”.

PS2- Muitos Ministros da Fazenda, alguns com mais Poder como Ministros do Planejamento, nos últimos 53 anos cuidaram mais da geografia bancária pessoal do que da coisa pública. Mas eram importantes nos dois sentidos.

Arruda: desfiliação em vez de expulsão. Nenhum impeachment por falta de número. Ignorado pelo Tribunal Superior Eleitoral, continuará no cargo, mesmo fora do DEM?

De cronômetro na mão, o governador de Brasília pautou suas decisões. Tinha três pontos de partida e ao mesmo tempo, três obstáculos importantes. 1- O que o TSE resolveria. 2- A velocidade do DEM. 3- O impeachment. Invertendo as posições para a análise do seu comportamento.

Sabia que não sofreria nem sofrerá impeachment. Para tirá-lo do governo, precisam de 16 votos contra ele. A Câmara Distrital tem 24 deputados, que, segundo alguns, sem critério e sem constrangimento, podem votar, mesmo em causa própria. Sobrariam então 15 parlamentares, o impeachment, impossível.

Mesmo que os 9 mais do que acusados, comprometidos, não tivessem direito a voto, estaríamos novamente com 15 votos, sem impeachment.

Assim, mesmo expulso ou desfiliado, Arruda continuaria no cargo. Sabendo que a sucessão 2010 (em todos os níveis) pode não ser normal ou constitucional, o governador esperaria, mas no cargo.

Convencido de que pelo impeachment não o afastarão do cargo, se fixou na decisão do TSE. Acreditava que o mais alto tribunal eleitoral determinaria ao DEM, que não tomasse nenhuma posição contra o governador, a não ser depois da decisão da Justiça ou da Câmara Distrital. Fulminado pela Ministra Carmem Lúcia, ficou pendurado e imprensado no DEM, dependendo de iniciativa do partido ou dele, pessoalmente.

Muito amigo do presidente do DEM, (até quando irá o mandato do “meu garoto” Maia?) ia sendo informado por ele. Na quinta-feira, às 3 da tarde, o filho de Cesar Maia informou ao governador: “O partido não quer esperar mais e já tem número para expulsá-lo, pode ser a qualquer momento”.

Diante disso, com a declaração já preparada, Arruda se desfiliou, ou em linguagem que não precisa ser interpretada: abandonou o partido que ia abandoná-lo. Só que o DEM tem montanhas de razões para expulsá-lo, enquanto Arruda não tem nenhuma para justificar a saída.

Já candidato à reeeleição pelo DEM, por que Arruda se desfiliou, ficou sem legenda, sabendo que teria que estar ou entrar num partido até 30 de setembro, que já passou? Arruda sabe disso, de calendário ele entende e muito bem.

Em 2001, ia ser cassado, renunciou para continuar elegível, tinha confiança nos seus cálculos e conclusões. Em 2002 foi eleito deputado federal, em 2006 governador. Já se preparava para continuar, apesar de ter dito uma semana antes da posse, almoçando no Rio: “Em 2010 deixo o cargo, sou contra a reeeleição”.

Lançou o próprio nome, embora tivesse acordo firmado com o empresário mais rico de Brasília, Paulo Otávio: “Você será meu vice agora, e meu sucessor em 2010”. Quer dizer, rompeu unilateralmente o combinado.

Nisso tudo, na prática da corrupção aberta e ostensiva, na desfiliação para não ser expulso, apenas uma surpresa e das maiores: “Ficarei no cargo até o fim do mandato, e NÃO ME CANDITAREI MAIS COM ESSAS REGRAS ELEITORAIS”. Ha! Ha! Ha!

Que regras Arruda espera? Mais favorecidas para ele, impossível. Em 2001, ficou apenas 1 ano fora do jogo, beneficiado pelo que existia. Agora, o fato (ou as regras) vai a favor dele, novamente.

A mais urgente e competente das reformas é a POLÍTICA-ELEITORAL-PARTIDÁRIA. Só que não haverá nunca, ela terá que ser feita pela cúpula dos partidos, e nessa cúpula não conheço nenhum suicida.

Com “essas regras”, os Arruda pularão de partido, de cargos, de desfiliação em desfiliação para não serem cassados. Já revelei (e não vou repetir) 10 itens que precisam de modificação, ou a representatividade, (Deus me perdoe a afirmação) será ainda mais degradada do que já está, se isso é possível.

Todos os partidos foram pródigos em mensalão, o que discutem é a prioridade de cada um. Pelas datas, a impressão é de que o do PSDB veio primeiro, mas o do PT foi muito mais amplo e devastador. O do DEM, aparentemente atinge só Arruda, o do PMDB é tão abrangente, que chega aos 27 estados e um Distrito Federal.

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PS- O PMDB é o partido “laite” ou o do apagão da Ética. Sem esquecer que o único DISCURSO PELA ÉTICA, foi pronunciado por Pedro Simon, historicamente do MDB e do PMDB.

PS2- Algumas vozes de Brasília, sussurram: “Pode haver uma Constituinte que cuide da reforma partidária”. Essas vozes não estão distantes do Planalto-Alvorada. E Lula, toda noite antes de dormir, pede a Deus, “por favor me mande essa Constituinte”.

PS3- Com mais fervor do que Lula no pedido divino, só o Bradesco: CONSEGUIU empréstimo de 342 milhões no BNDES para comprar uma parte da Vale. Paga juros de 4 por cento ao ano. EMPRESTA a 234 por ano. Isso também será incluído como CRIME HEDIONDO?

A relatividade do Direito

Carlos Chagas

Acima e além das filigranas jurídicas adotadas para manter a censura ao “Estado de S. Paulo”, o Supremo Tribunal Federal  consagrou a concepção de seu presidente, Gilmar Mendes, de que não há direitos absolutos. No caso, o da liberdade de expressão do pensamento que a Constituição estabelece, mas valendo a interpretação para tudo o mais.

Muita gente  sustenta ser  aqui que mora o perigo, porque se devem ser consideradas relativas as maiores conquistas da Humanidade, haverá que concordar com Nietsche e aceitar que “se Deus é morto, tudo será permitido”.

O pronunciamento  da mais alta corte nacional de justiça acaba de derrogar a Constituição-cidadã de que falava Ulysses Guimarães. Deixou claro que qualquer juiz ou tribunal é livre para garrotear a liberdade.

A decisão de quinta-feira ultrapassou os limites do entendimento    de  que a ação do “Estadão”  contra a  censura era inócua, sem fundamento, já que o Tribunal de Justiça de Brasília não havia contrariado o acórdão do Supremo que extinguiu a Lei de Imprensa.  Não se tratou de questão técnica porque, no fundo, houve o reconhecimento de mérito, apesar da negativa. Prevaleceu o direito de censura. Saiu pelo ralo o dogma de que os abusos ao exercício da liberdade de imprensa devem ser duramente punidos, mas a posteriori, quer dizer, depois de praticados. Impedir a divulgação de algo que poderia contrariar a lei nos remete aos tempos da ditadura, qualquer que ela tenha sido. Voltamos aos tempos de D. João VI, D. Pedro I, Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Epitácio Pessoa, Getúlio Vargas e  os generais-presidentes que depois  ocuparam o poder – todos responsáveis por agressões ao direito de informar e opinar.  Direito que a partir de agora o Supremo Tribunal Federal considera relativo, jamais absoluto.

Conforme o ministro Celso de Mello, voto derrotado na decisão recente, trata-se de visão autoritária que por meio do poder geral da cautela, justifica a prática da censura.

Se a moda pega…

Tão grave quanto o principal foi o acessório. Falamos da completa falta de indignação, no Congresso, para a agressão ao vernáculo praticada pelo presidente Lula em praça pública, no Maranhão.   Sua Excelência usou por duas vezes a palavra de cinco letras que significa matéria orgânica. Disse estar tirando o povo dela.

Pedimos licença para não repetir o substantivo, apesar de a maior parte da imprensa, por malícia ou falta de educação, haver impresso mil vezes a referência presidencial.

A pergunta que se faz é se a moda pega. Se na sala de aula a professora dirigir-se a seus alunos afirmando o desejo de tirá-los da própria. Ou para onde  o padre e o pastor, em seus sermões, mandarão o capeta? Quem sabe o juiz, em suas sentenças, também recomendará ao réu  o mesmo destino explícito?

Como nenhum deputado  ou senador protestou, fica, com todo o respeito, a suposição de estarem mergulhados nela…

Nunca é demais alertar

Vale repetir o alerta de ontem: é bom tomar cuidado com a proposta da  convocação de uma constituinte exclusiva para, ano que vem, para  aprovar a reforma política. Alega-se que o Congresso jamais cumprirá essa tarefa, porque deputados e senadores pensam em seu futuro, infensos a aprovar mudanças capazes de prejudicar suas carreiras. Assim, seriam eleitos “constituintes” para a tarefa específica,  comprometidos a ficar depois alijados da vida pública, no mínimo por dez anos. Altruísmo para ninguém botar defeito, mas profundamente perigoso.

Ninguém garante que no bojo da reforma política algum companheiro disposto ao sacrifício venha a propor a coincidência de mandatos municipais, estaduais e federais em 2014. Trata-se de uma reforma até justificável, não fosse  um detalhe: os atuais mandatos seriam prorrogados por dois anos.   Inclusive o dele…

Organizações para pegar dinheiro

O senador Mozarildo Cavalcanti, do PTB de Roraima, sugeriu singular mudança de siglas. Em vez de ONGs as organizações não governamentais deveriam apresentar-se como OPPDGs, ou seja, organizações para pegar dinheiro do governo. Disse que em seu estado existem centenas delas,  pretensamente para cuidar dos índios,  a maioria tomando dinheiro do governo para não fazer nada.

Sem acordo ação trabalhista se distância da celeridade

Roberto Monteiro Pinho

No dia 07 (segunda-feira) entrou em curso a 3ª etapa do Meta 2, da “Semana Nacional pela Conciliação do Conselho Nacional de Justiça” (CNJ), é bom salientar que os dados anteriores não são alvissareiros, refletem tão somente pouco acima da média dos acordos que normalmente são realizados em todo judiciário brasileiro, com exceção na Justiça do Trabalho, aonde desde a exclusão da representação paritária em 2000, as taxas de acordos vem sendo reduzidas gradativamente. Em 2007 foram 96.492 acordos, em 2008, 130.848, este ano de 2009 espera-se mais, levando em conta a observação acima. O Programa Nacional de Conciliação para avançar precisa de ingredientes mais agressivos quanto à conduta de magistrados, que ao longo do ano, evitam interceder a favor da conciliação, preferindo ir para a sentença da lide, como forma de valorização da sua atividade, escusando o interesse dos demandantes que anseiam por uma justiça célere, até porque justiça lenta não é justiça, é uma ingratidão estatal.

O fato é que o processo trabalhista se tornou cientifico, seu conteúdo, após decorrida as fases de conhecimento e da primeira etapa do Tribunal voltando para a execução, acaba se transformando em grande parte em aberratio júris, inúmeros são os incidentes, que surgem por desmandos e interpretações de texto de lei por parte da magistratura do trabalho, abrindo brechas para recursos que levam meses e ate anos para serem julgados. De forma geral deparamos com alto grau de litigiosidade da sociedade, que cresce econômica e demograficamente, e intensifica e multiplica as relações sociais, conseqüentemente não pode o Judiciário entregar a tempo e a hora o produto solicitado.São questões por exemplo, na execução com a penhora de valor, e insurge o executado para que este seja de forma menos gravosa (art. 620 do CPC), limitando o valor em até 30% do saldo da reclamada. Por outro está se tornando bastante comum às avaliações realizadas por serventuários desqualificados para este fim, avaliando bens imóveis fora da realidade de mercado, o que propicia ao arrematante o enriquecimento sem causa, e quando dada ciência do fato, o juiz mantém a penhora e leva o bem a Hasta Pública.

Julgar e administrar a justiça não são nem exercício de poder do magistrado, nem um ato de favor. O fato é que o ato de julgar é um serviço público, o magistrado é um servidor público remunerado para entregar um produto: a justiça. É da competência do juiz interpretar as leis, nos conflitos a ele submetido pelas partes que buscam no Poder Judiciário uma solução.Ele interpreta àquele conflito fático-jurídico e pode por fim á causa dando uma sentença seja homologatória de acordo ou de definição da lide, esta tem força de lei. Função e atribuição são semelhantes.Um juiz tem poderes de intimar pessoas em processos, mandar prender, soltar, (com excessão o trabalhista) requisitar informações perante órgãos públicos, mandar publicar atos, enfim, são vários poderes, todos os do Poder Judiciário para se chegar ao final da lide(controvérsia), dessa forma a sociedade espera do magistrado a parcimônia e habilidade para promover a conciliação, uma dos pontos mais brilhantes do processo.Convém lembrar que está em curso o  PL 1987/07, de autoria do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que reúne em único texto o teor de toda a legislação material trabalhista brasileira, num total de 206 leis referentes à C.L.T., e revoga 195 dessas leis, e neste texto é que podem ser incluídas as questões de fundo de punição aos magistrados, que causarem prejuízo as partes.

Diante do alto número de processos existentes no país, juristas e integrantes do judiciário vem sugerindo a adoção em grade escala dos meios alternativos para solução dos conflitos. O mestre Kazuo Watanabe alerta que “só contendo a litigiosidade teremos uma justiça mais ampla no Brasil. Evitar assim de chegar ao Judiciário”, acompanhando a tese (inclusive defendida pelo Ministério da Justiça), de que um programa de conciliação pré-judicial coordenada da primeira, ocorrendo nas empresas, associações, agências reguladoras, comunidades, estimulando um modelo permanente de conciliação, recomenda aos Tribunais de Justiça, Tribunais Regionais Federais e Tribunais Regionais do Trabalho a realização de estudos e de ações tendentes a dar continuidade ao Movimento pela Conciliação. Para atender este reclamo da sociedade, o CNJ trouxe através da Recomendação n° 8 /2007, a obrigatoriedade dos Tribunais de Justiça, Tribunais Regionais Federais e Tribunais Regionais do Trabalho a realização de estudos e de ações tendentes a dar continuidade ao Movimento pela Conciliação.

O perigo para Patrícia Amorim

Eleita para presidir o Flamengo, “recebe” como herança maldita, essa dívida de 333 milhões, parece dízima periódica. Mas é a realidade. Márcio Braga fica no cargo até dia 21, tudo pode acontecer.

Como revelei ontem com exclusividade, têm que dar, i-m-e-d-i-a-t-a-m-e-n-t-e, um cheque de 3 milhões, por compromissos assumidos, sem conhecimento e sem autorização de qualquer órgão (ou pessoa) do clube.

Patrícia Amorim não sabia de nada, não disseram a ela a razão do pagamento, só falaram, DEPOIS DA ELEIÇÃO, (é lógico, com o título esperavam ganhar a eleição), que era COMPROMISSO. Sem autorização válida e legítima, não existe compromisso.

Interpretando o presidente Lula

Ele quis dizer que o povo vive na merda? Nesses “seus” 7 anos ou essa merda vinha de antes?

Copenhague, que merda

Os interesses colossais que se enfrentam na Dinamarca, deixam a impressão: não chegarão a nenhum resultado. Já escolheram a data para que o povo respire melhor: 2020.

Alguns desses dirigentes, chegarão até lá? E não falo no Poder e sim sentindo o bater do coração. Segundo Lula, “que merda”.

O Ministro da Fazenda,
desinformado em 24 horas

Na quarta-feira, usou na televisão e rádio, uma cadeia, (essa palavra, quando se fala em transformar o corrupto em criminoso hediondo, que merda) para explicar: “O Brasil cresceu no último trimestre”. No dia seguinte o IBGE publicava estudo, mostrando que “o país caiu nesse trimestre”.

O IBGE fez estudos de madrugada para publicar no dia seguinte? Ou todos têm do Ministro a mesma impressão que tem a opinião pública? E ele pode ser definido pela palavra-chave de Lula e pela qual demonstra indisfarçável admiração.

Lula, dignidade, realidade, credibilidade, respeitabilidade, responsabilidade: “tem que passar para CRIME HEDIONDO atos de CORRUPÇÃO, e CORRUPTO, punido para valer”. Mas é isso mesmo que o presidente quer?

Lula tem um espantoso senso de oportunidade. E o que pode e não pode fazer ou dizer, sem que seja atingido como uma espécie de boomerang. Não livra adversários ou correligionários, conhece o limite de tudo, é assombrosamente perspicaz, que palavra, mas Lula merece. Diante de tanta esperteza, para que estudar? Chegou muito mais longe do que tantos, sem depender da Fundação Ford, ou perder dias e dias estudando, noites e noites se preparando, se ele já trazia tudo com ele mesmo?

Acreditava no destino, estão aí as 5 (cinco) eleições que disputou, perdendo três seguidas, qualquer um teria desistido. Mas ele sabia, pressentia, adivinhava, insistia, algum dia chegaria lá.

É o mesmo espírito que não o abandona na busca do sexto mandato, a vitória três vezes, empatando com a derrota que o atingiu também três vezes. E continua jogando, como se o auge da política fosse Las Vegas e o pano verde, e não Firenze e o Príncipe. É possível que não conheça os dois modelos, mas é um vitorioso.

Acontece que Lula se empolgou com o contraditório como se fosse um magistrado, mas o que pratica e exibe é apenas a contradição. Ou diz que “não sabia de nada”, como no seu próprio mensalão, ou exagera no mensalão dos outros. Pode até se julgar com a isenção de um magistrado, condenando o mensalão dos outros, não esquecendo o dele mesmo.

Mas não é nada disso, Lula joga com todas as diversidades ou desigualdades, confia na vantagem que as pesquisas lhe dão numa classe que não exige muitas explicações, se consome e se conforma com o bolsa-família.

Como acreditar que o presidente quer mesmo que a corrupção seja crime hediondo, se há uma semana, ele, publicamente, “condenava o Tribunal de Contas por julgar exageradamente”? Se o TCU não julgar, como mudar a corrupção de patamar?

Lula mandou para o Congresso, o primeiro projeto para condenar mais severamente a corrupção, seja a sua, (do PT), a dos correligionários (do PMDB) ou dos adversários (do DEM).

Lula tem certeza absoluta que os acusados por ele, não irão se tranformar em réus, num julgamento que depende deles mesmos. Alguns acreditam que está fazendo figuração para impressionar o Supremo, que decidirá o destino dos “40 do mensalão”. Ou seja, os que desesperadamente fazem pressão sobre ele. Dependem da última eleição de suas vidas, a de 2010.

Falam até que a glorificação de José Dirceu nas fotos e nos fatos da eleição dentro do PT, motivaram a exorbitância do presidente. Só não seria mesmo exorbitância, pois essa tentativa (?) de punir de verdade a corrupção e os corruptos, atingiria de forma fulminante, não apenas amigos e inimigos, mas principalmente as empreiteiras.

Estas financiam todas as campanhas, sem restrição ou sem favorecimento. Ontem mesmo, já no fim da tarde, Pedro Simon fez um “DISCURSO PELA ÉTICA”, (um dos poucos que pode fazer) e terminava citando um estudo da Fundação Getulio Vargas sobre o superfaturamento dessas empresas que fazem todas as obras, desde o município até à União.

E o senador do Rio Grande do Sul, terminava assombrado, desta forma: “A corrupção leva por ano do dinheiro público, 100 BILHÕES DO SUPERFATURAMENTO PARA A CORRUPÇÃO”. O presidente quer mesmo que esses CORRUPTOS sejam considerados CRIMINOSOS HEDIONDOS?

Parece mais uma jogada com múltiplas e, como se trata de dinheiro roubado, multiplicadas entradas e saídas. Entrou e saiu das meias e das cuecas do PT, para as meias e cuecas do DEM. Como não têm muitos Valérios ou Dudas com criatividades novas, até os personagens são os mesmos.

* * *

PS – Quando se trata do Lula versão 2009/2010, as interpretações são cada vez mais complicadas. E tumultuadas. E insensatas. E incompreensíveis. E turbulentas. E nada transparentes.

PS2- Transparência existe nestes dois personagens: Celso Mello e Josaphat Marinho. O primeiro citando o segundo: “O governo responsável, precisa cada vez mais da fiscalização do cidadão”.

Apelo ao cavalo

Carlos Chagas

No escândalo do mensalão de Brasília o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera. As decisões continuam sendo tomadas pelo chefe da quadrilha, o governador José Roberto Arruda. Diante das manifestações de estudantes e sindicalistas pela cassação de seu mandato, primeiro organizou uma caravana de funcionários municipais e de gorilas contratados nos botequins para enfrentarem com slogans e empurrões os grupos adversos. Depois, como na quarta-feira, mobilizou a Polícia Militar, com cavalaria à frente, para espancar mais de dois mil e quinhentos jovens  em atitude de protesto. Foi uma cena digna daquele clássico dos anos trinta, a “Carga da Brigada Ligeira”.

Alguns  ingênuos supõem que mais alguns dias de agitação nas ruas terminarão  por levar os policiais militares a caírem em si e até das montarias, cruzando os braços e negando-se a agredir a população. A última vez que isso aconteceu foi em 1917, em Petrogrado. A tropa a serviço do governador é a mais bem paga de todos os estados, só deve obediência ao seu pagador e continuará investindo sobre a multidão.

Sendo assim, diante de tamanha e tão abominável comportamento, só nos resta apelar aos cavalos para que reajam em nome dos mais elementares princípios humanitários. Neguem-se, os eqüinos, a ceder à imposição das esporas, permanecendo imóveis quando soarem as determinações de avançar e atacar. Pode ser a solução, pelo jeito a única em condições de sensibilizar o presidente Lula a intervir no Distrito Federal, ou a Justiça a punir mais essa leva de ladravazes e  bandidos.

Mais histrionice

Pode parecer brincadeira, mas não é. O presidente Lula anunciou estar enviando ao Congresso mais um projeto de lei transformando em crimes hediondos os atos de corrupção explícita por parte de agentes públicos, contra o erário.   Pelo menos dezesseis projetos iguais ou parecidos encontram-se  nas gavetas da Câmara, sem previsão de votação. Até porque, pouco adiantará a lei determinar penas mais duras para quantos recebem comissões e propinas arrancados de contratos superfaturados de prestação de serviços públicos para irrigar bolsos, bolsas, meias e cuecas de governantes safados.

Quando  a nação espera atitudes veementes do governo federal, seu chefe dá de ombros, evita discutir a intervenção em Brasília e descarrega sua frivolidade nos ombros do Congresso. Mesmo que por milagre o projeto venha a ser aprovado rapidamente, resultará no quê? Na mesma impunidade das quadrilhas formadas cada vez com mais vigor à sombra das administrações municipais, estaduais e federal. O Judiciário carrega sua parcela de culpa, pela morosidade e até a inação, mas, na presente situação, é do Executivo que se devem cobrar providências.

Não demora muito e o palácio do Planalto encaminhará ao Legislativo proposta nos seguintes termos: “Todo brasileiro é obrigado a ser honesto. Revogam-se as disposições em contrário.”

Plebiscito e prorrogação

Mais uma nuvem negra adensa-se no horizonte. Em recente périplo pela Ucrânia, o presidente Lula manifestou-se favorável à convocação de um plebiscito e de uma constituinte exclusiva para  votar a reforma política.

Tem azeitona nessa empada, senão levada ao forno pela ingenuidade do primeiro-companheiro, ao menos por parte dos  malandros de sempre, autores da proposta. Porque não terá limites  uma constituinte exclusiva funcionando ano que vem, em pleno processo eleitoral, com poderes para mudar tudo o que bem entender. Não faltará um  energúmeno para propor a prorrogação de todos os mandatos por dois anos, até que as modificações institucionais se acomodem.

A divulgação dos altos índices de rejeição da candidata Dilma Rousseff começou a gerar armações variadas, todas objetivando a permanência do poder nas mãos de seus atuais detentores. Entre tantos absurdos, um deles acabará prevalecendo, quando menos se esperar.

A festa neoliberal

Ataca outra vez a equipe econômica,  anunciando a destinação de mais 80 bilhões de reais para o BNDES emprestar a investimentos ditos produtivos.  Além disso, haverá a renúncia fiscal de 3,2 bilhões da arrecadação para estimular a venda de computadores no varejo. Ganha a indústria de informática, até mais do que outras, mas a pergunta que se faz é quando o governo vai olhar para o cidadão comum, aquele que paga impostos cada vez mais altos. Porque renúncias fiscais vão beneficiar  os mesmos de sempre, assim como as operações do BNDES continuarão passando ao largo dos assalariados,  proibidos de declarar a própria falência e jamais socorridos pelos condutores da política econômica.

Mantega, Meirelles e companhia permanecem no comando de fato da nação, ao tempo em que o presidente da República viaja e colhe os louros da estratégia responsável por fazer a festa das elites.