“10, nota 10”, o julgamento de hoje

A partir das 3 da tarde, a ansiedade de 1 ano estará decidida, num resultado que foi sempre polêmico e até não aceito. Os líderes decidiram: “Podemos divergir, mas aceitamos o resultado”. E foi o que aconteceu.

O julgamento, marcado para sempre pela criatividade de Carlos Imperial, (compositor, filho do presidente do Banco do então Distrito Federal) que “cantava” a nota, repetindo-a, o que ficou como uma espécie de porta-estandarte do espetáculo.

Emoção, angústia, sofrimento, às vezes até a última nota, numa diferença que dá a vitória, mas não a consagração.

(Às vezes o resultado se compara a um jogo de futebol, 1 a 0, e nos pênaltis, como aconteceu no Vasco-Fluminense, e pode se repetir logo mais no Flamengo-Botafogo, muita coisa para um dia só).

Sem falar no julgamento de Arruda, que não será hoje, de maneira alguma. Se fosse, concorreria em audiência com as Escolas e o futebol, que “honra” para o governador preso.

Lula-Paulo Octavio: diálogo inútil

Tolice e perda de tempo, no encontro dos dois, hoje. O governador-interino-entre-renunciante-e-com-medo-de-ser-destituído, não tem nada a falar ou a ouvir.

Lula está pensando (?) em qual afirmação repete ou confirma. 1 – “É preciso ter cuidado para não expor um governador eleito, como Arruda”. 2 – No dia seguinte: “Como é que um espetáculo de corrupção, como esse, continua em pleno Século XXI?”

Agnelo Queiroz, “governador”

Torce e reza pela INTERVENÇÃO. Acha que será INTERVENTOR. Com tanto tempo entre o PT e Ricardo Teixeira (como Ministro dos Esportes) não está contaminado?

O povão continua de fora

Carlos Chagas

Encerrado o Carnaval, esperar o quê das multidões? Jamais algum entusiasmo, mesmo pequeno, com relação ao processo sucessório presidencial e a preparação para as  demais eleições. O povão não está nem aí para o  longínquo mês de outubro.

Apesar de marcada para sábado a principal reunião comemorativa dos trinta anos do PT, é mínima a atenção nacional voltada para o pronunciamento que Dilma Rousseff fará. Até porque, pelas informações fluindo do partido, a candidata deverá  limitar-se a mais referências e elogios ao governo Lula e suas realizações. Teria cedido a primazia de abordar o futuro aos companheiros, tanto para não comprometer-se antes de ouvir os aliados, com o PMDB à frente, quanto porque faltam-lhe diretrizes concretas a respeito do que fazer, se eleita. Prefere aguardar um  pouco  mais para ver cristalizados seus propósitos. Sabe que pouco adiantará, nos palanques e nas telinhas, repetir que dará continuidade à obra do primeiro-companheiro. Tem consciência da necessidade de possuir sua própria plataforma, mas age corretamente ao ganhar um pouco mais de tempo.

Por tudo isso, eleições continuam tema restrito aos caciques partidários e à mídia. Mesmo os institutos de pesquisa parece que refluíram. Qualquer consulta feita nos últimos dias limitou-se a conhecer as preferências relativas à Mangueira, aos Unidos da Tijuca ou à Portela.

Cadeia merecida mas sofrida

Tudo na vida desperta seus contrários, demonstrava Hegel. Fogo e gelo, por exemplo. Bem  e mal. Dia e noite.

Ninguém  duvida de terem agido como deviam o Superior Tribunal de Justiça  e o Supremo Tribunal Federal. O governador José Roberto Arruda deveria  mesmo ter ido para a cadeia, tamanha a desfaçatez de, depois da roubalheira promovida em Brasília, ainda haver tentado corromper testemunhas.

É preciso, no entanto, olhar para o reverso da medalha. Poucos governantes passaram pelo que ele passa. Desceu  do céu para o inferno. De uma situação onde era reverenciado e  adulado, a outra onde sua maior regalia consiste em ficar quinze minutos diários ao sol. Do poder quase absoluto que detinha, passa à fragilidade integral.

Psicólogos e  psiquiatras conseguirão descrever com mais precisão e intensidade esse drama, mas a todos será dado  imaginar  o sentimento  do ser humano. Revolta? Auto-comiseração? Arrependimento? Perplexidade ou ímpetos de vingança? Cada um que se coloque no lugar do governador para  imaginar o que ele sente.

Cabral, operação carnaval

O governador do Estado do Rio, esperava que Lula viesse para o seu camarote. Frustradíssimo, o presidente não veio, receio de vaia, consequência da prisão de Arruda. Ficando sem diálogo, Cabral aumentou o desespero.

Já estava preocupado com a continuação pela Polícia Federal da “Operação Pandora II”, precisamente em cima dele. (Revelação aqui, de Pedro Cunha). Sem a conversa presidencial, o governador partiu para a ameaça e a intimidação: “Aqui, ou Dona Dilma me apóia ou não terá votos”. Há!Ha!Ha!

Serginho Cabralzinho Filhinho, se julga dono do eleitorado do Estado do Rio. Em 2006 foi eleito e carregado até o vencedor pelo agora inimigo Garotinho. (Também justificadamente apavorado com a “Operação Pandora II”). E só foi vencedor, no segundo turno, por causa de equívocos na campanha da juíza Denise Frossard.

Agora, haverá segundo turno, Cabral pode nem chegar. E se for, sabe que perde para os adversários unidos, apesar dele estar no Poder, que mobiliza com volúpia, produzindo o que se chama de ENRIQUECIMENTO ILÍCITO.

Admiração, entusiasmo, empolgação

Ninguém mais do que as Escolas de Samba merece essas três palavras. Não é apenas o “maior espetáculo do planeta” (todos reconhecem), é muito mais.

Nesta quarta-feira, com o Sambódromo em silêncio e esperança no julgamento, ganhe quem ganhar, a vitória é do povo, da coletividade, dos que assistem por duas noites e daqueles que trabalham o ano todo. Mas não é apenas suor, sacrifício e superação. É cultura, pesquisa, profundidade e uma ânsia enorme de saber e comunicar.

Quem ali, tinha ou tem qualquer intimidade com o “Dom Quixote” de Cervantes, que morreu há quase 500 anos, no mesmo dia da morte de Shakespeare, e da UNIFICAÇÃO DOS CALENDÁRIOS, pela decisão do Papa Gregório? Pois mostraram Dom Quixote sem uma falha, na integridade e verdadeira personalidade.

Para as Escolas, todas, de 1 a 10, nota mil.

Arruda será condenado por unanimidade, no mínimo, no mínimo, perderá de 10 a 1

É impossível dizer se o julgamento do plenário do Supremo, será amanhã ou mesmo esta semana. Não é um fato simples, não é apenas uma PRISÃO PREVENTIVA, que deve ser revogada ou confirmada. É tudo isso e muito mais do que isso.

É o VOTO do relator Fernando Gonçalves, que assombrado com as provas que viu nos autos, pela primeira vez na História, mandou prender um governador no cargo. Era apenas o início que empolgou o país inteiro.

Não ficou aí. A Comissão Especial do STJ, imediatamente examinou o voto do relator, tomou conhecimento das provas, ratificou a PRISÃO PREVENTIVA, por 12 a 2.

(Mesmo esses 2 concordavam, apenas achavam que a Assembléia devia ser consultada. Trivialidade e perda de tempo, com uma Assembléia tão ou mais desmoralizada do que o governador).

Mas há mais, em gravidade, importância e profundidade. Acreditando na rotina de IMPUNIDADE para seus clientes, advogados recorreram ao Supremo. E pelo hábito, costume e tradição, já festejavam a LIBERDADE de Arruda e a consequente VOLTA AO GOVERNO.

Acontece que pelo Ministro e também pelo que significava ARRUDA NOVAMENTE GOVERNADOR, seu voto foi ainda MAIS SENSACIONAL DO QUE A PRISÃO DO GOVERNADOR. Mantendo Arruda preso, o Ministro Marco Aurélio elevou o Supremo, ratificou o FATO NOVO do “começo do fim” da impunidade que a coletividade tanto espera e esperava.

Não se trata mais de revogar ou confirmar uma PRISÃO QUE ESTÁ TODA NO NOME: PREVENTIVA. Agora, o que está no centro dos acontecimentos, é o que o Procurador Geral da República, chamou maravilhosamente de C-O-N-T-A-M-I-N-A-Ç-Ã-O. E antes dos Ministros começarem a votar, terão que ouvir esse Procurador Geral, já terão recebido, lido e estudado seu parecer escrito.

Como já expliquei, o parecer do Procurador é OBRIGATÓRIO, os Ministros poderão desconhecê-lo, votar contra ele. Só que isso ocorre e acontece, até sem a menor repercussão. Não agora, quando a coletividade está pronta para usufruir da modificação de mentalidade, para a confirmação de que não há IMPUNIDADE nem IMUNIDADE para corruptos só porque exercem os cargos de governador. São criminosos INCOMUNS, como Arruda, que acumulam e repetem as mesmas falcatruas de antes.

Em três dias, o que chega ao STJ e ao STF de provas irrecusáveis, justifica até a prisão perpétua, que não existe na Constituição.

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PS – A única dúvida (DO PONTO DE VISTA MORAL, ÉTICO E ATÉ DE INTERPRETAÇÃO) recai sobre o Ministro-presidente. Por dois motivos.

PS2 – É fácil e público. 1 – Gilmar Mendes soltou Daniel Dantas, qual a diferença a favor dele? 2 – Há uma tese (chamada às vezes de jurisprudência) que diz: “Em caso de Habeas-Corpus, o Presidente do Supremo não vota”.

PS3 – De qualquer forma, sem a ÉTICA, 10 A 1. Com a interpretação “rombuda”, 10 a 0. Fora desse resultado, Arruda pode trocar a sala pela cela, ser hóspede da PAPUDA.

Marquês do Sapucaí: morreu desconhecido, hoje é a rua mais popular do Rio Capital

Foi a terceira rua aberta no centro. Levou seu nome, um dos homens mais cultos do Império. Como Sócrates, sabia tudo. Foi o preceptor (como se dizia na época) de Dom Pedro II. Ensinou a ele História, Ciências Sociais e línguas. (Dom Pedro chegou a falar 11 idiomas, incluindo o russo, por causa de uma namorada que era de lá).

Tinha enorme admiração pelo Marquês, cujo título foi dado por ele. Quando Sapucaí morreu, Dom Pedro deixou o belo Palácio da Quinta da Boa Vista, ficou a noite toda no velório. Chorou várias vezes, extraordinário personagem que era, mais Republicano do que muitos que o derrubaram.

A primeira rua do centro foi a Lavradio (em homenagem ao Barão), onde há 60 anos se instalou a Tribuna da Imprensa. A segunda foi a Santa Luzia, aberta por Dom João VI. Um sobrinho precisava com urgência operar um dos olhos. Só podia ser na Santa Casa, a liteira não podia passar, o menino tinha de ser carregado. Foi salvo, Dom JoãoVI mandou abrir a rua até a Santa Casa. E como reverência a Santa Luzia, Padroeira das Vistas, deu seu nome à rua.

Contrariando a Natureza

Carlos Chagas

Falta aguardar as fotografias da noite de ontem,  no Rio, porque  nos flagrantes  de sábado, em Recife, e de domingo, em Salvador, ficou clara a pobreza de espírito que começa a marcar a sucessão presidencial. Assistindo a passagem dos blocos pernambucanos e baianos em  camarotes distintos, mas bem próximos, Dilma Rousseff e José  Serra demonstraram como não se deve iniciar uma campanha. Desnudaram-se, no bom sentido, comparecendo aos destaques do Carnaval não porque fossem carnavalescos ou tradicionais adeptos dos festejos populares, mas, simplesmente, para aparecer e  amealhar votos. Desengonçados até para sorrir e abanar para a multidão, imagine-se quando ensaiaram alguns passos de samba no mesmo lugar.  Quer dizer, para ser eleitos, vale tudo, a começar pela demagogia. Viajaram para ver e ser  vistos em  constrangedoras aparições que pouca semelhança tiveram com a imagem de cada um. Porque Dilma sempre foi  mulher de poucas expansões, conhecida pela rispidez de suas  atuações administrativas. E Serra, sempre fechado  e de poucas palavras, como explicar as forçadas  efusões carnavalescas.

Melhor teriam feito a candidata e o candidato se tivessem permanecido em Brasília e em São Paulo, redigindo planos  e programas ou reunindo-se com assessores de campanha. Ou até descansando. Cederam a  travestidos e ingênuos conselhos de marqueteiros empenhados em fazer da sucessão  um carnaval descabido.     Contrariaram a natureza das coisas, uma péssima antecipação de como poderá, um deles no palácio do Planalto, continuar tentando fazer o mesmo.

Contradições

Verdadeira saraivada de exaltações à independência federativa seguiram-se à  iniciativa do Procurador Geral da República, pedindo a intervenção federal em Brasília.  Desde advogados de renome a ministros e ex-ministros de tribunais superiores, direta ou indiretamente começaram a pronunciar-se contra a medida. Tem azeitona nessa empada, porque do jeito que as coisas estão,  reconhecem todos que seria  abominável deixar  o governo do Distrito Federal em mãos da quadrilha representada pelo Executivo e o Legislativo locais. Sem a intervenção, o governo  passaria ao  Tribunal de Justiça. É esse o objetivo dos que se opõem à drástica iniciativa? Proporcionar todo o poder ao Judiciário? E, de tabela, evitar que o presidente Lula se torne ainda mais forte,  pois seria ele a designar o interventor?

Brasília está institucionalmente em frangalhos, mas interesses particulares, por mais legítimos que possam parecer, superam a causa pública. Porque para recuperar a dignidade da capital federal, só mesmo a intervenção, com o natural afastamento de todos os envolvidos na lambança recente. Até da Câmara Legislativa, com suas raras exceções.

Torneio medíocre, na Bahia, queriam fantasiar de ABERTO

O tênis tem uma hierarquia que começa no Grand Slam (chamado de Aberto), passa pelo Master Mil, Top 500, termina nesse que foi jogado no Brasil.

Depois, só o Challenger, praticamente para desconhecidos. Na Costa do Sauípe, os brasileiros foram sendo eliminados, da classificação em diante. Vencedor: Ferrero, da Espanha, em fim de carreira, no limite entre o segundo e o terceiro time. O resultado da final, confirma: 6/1 e 6/0. Precisa mais?

A prisão de um governador no cargo, como Arruda, não é um fato inédito

Roberto de Barros Benévolo:
“Os que pensam que a prisão do Arruda foi inédita, por ser a primeira vez em que um governador é preso no exercício do mandato, têm memória curta. Em 1º de abril de 1964, o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, foi preso, deposto e confinado em Fernando de Noronha, onde permaneceu durante nove meses.”

Comentário de Helio Fernandes:
No meu caso, Benévolo, em todas as oportunidades, ressaltei, registrei e ressalvei, que o fato era e é inédito, excluídas as ditaduras.

Muitos, como você, citaram 1964, quando o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, e o governador de Sergipe, Seixas Dória, foram presos, depostos e seqüestrados.

Além de conhecer História, como conheço, outro fato importantíssimo. Mais tarde, quando cheguei a Fernando de Noronha, ainda encontrei traços da passagem e permanência dos dois governadores por lá.

(Embora eles tivessem sido violentados como só podia e pode acontecer numa ditadura, minha situação e meu sequestro-confinamento, completamente diferente: eu não ocupava cargo algum. E escrevi sobre o “presidente” morto, tudo o que escrevia durante os quase três anos em que ele esteve no Poder, surrupiado do povo e entregue arbitrariamente a ele.

Isso durou toda a ditadura, cumpri apenas a minha obrigação de jornalista. Ou como pregou o sábio e bravo Apóstolo Paulo: “COMBATI O BOM COMBATE”. Coisa que os ditadores golpistas, travestidos de democratas, não costumam fazer ou repetir).

1964 também não foi inédito, Benévolo, as ditaduras se completam, se comparam, conseguem ser iguais, ao mesmo tempo, arbitrárias, violentas, cruéis e selvagens. O ditador Getúlio Vargas, em 1937, resolveu aumentar seus Poderes, governar discricionariamente, fechando o Congresso, os tribunais, prendendo quem resistisse.

Era o tenebroso “Estado Novo”, igual ao regime implantado em 1964. Que não respeitava ninguém, prendiam com o mesmo excesso de autoridade, torturavam com as mesmas armas, se julgavam eternos no Poder. Nisso, 1964 e 1937 se copiavam na fraude, na farsa, na usurpação.

Vargas precisava do apoio dos 21 governadores, mandou ao mesmo tempo consultá-los e intimidá-los. 18 CONCORDARAM, 2 RESISTIRAM e o outro saiu do cargo, mas se “ACERTOU” com Vargas. Lima Cavalcanti (do mesmo Pernambuco de Arraes) foi para a Europa, só voltou em 1945.

Flores da Cunha, do Rio Grande do Sul, não aceitou as promessas do grande amigo e candidato a ditador, se exilou no Uruguai, depois, preso por 2 anos.

Juracy Magalhães humilhou a Bahia, fez carreira milagrosa nessa ditadura e ainda viveu bastante para ser general, ministro e embaixador na outra, de 1964.

É a chamada longevidade ditatorial.

 ***

PS – Mas não podemos deixar de incluir os casos do Maranhão e da Paraíba. Não houve prisão dos dois governadores “cassados” pelo TSE. Este acertou em tirá-los dos cargos. Mas errou espantosamente ao CONSAGRAR os derrotados, que pertencem ao mesmo sistema CONTAMINADO.

PS2 – Se o TSE, depois de CASSAR os dois governadores, convocasse eleições diretas, seria aplaudido pela decisão DEMOCRÁTICA.

Hoje, segunda, os cassinos não abrem

Na Bovespa, carnaval. Em Wall Street, nada de carnaval, é feriado, “dia do Presidente”.

Lamento de Arruda

“Não sou corrupto, apenas não tenho sorte. Por que meu relator não foi o Ministro Gilmar Mendes?”

Do advogado bilionário

“Meu cliente quarta-feira estará em casa. Nunca vi violência igual contra alguém eleito pelo povo”, disse a um amigo, ninguém tocou no caso de Daniel Dantas. Afinal ele jamais foi eleito, também nunca se candidatou.

O shakespereano Paulo Octavio

Ser ou não ser governador? Nem ele nem seu partido sabem. Esperança do DF: que hoje haja intervenção. Determinação pessoal do vice em exercício, diante dos rumores: “Se eu ficar no governo, sem possibilidade de disputar o cargo em outubro, RENUNCIO”.

Perguntas sem resposta

Carlos Chagas

Tudo são dúvidas, na crise da roubalheira de Brasília.  Quanto tempo levará o Supremo Tribunal Federal para decidir se o governador José Roberto Arruda fica preso ou deve ser libertado?

O plenário da mais alta corte nacional de justiça irá  pronunciar-se   quarta-feira,  sobre o habeas-corpus negado  liminarmente na sexta-feira passada?

Ou a decisão será tomada a conta-gotas, no prazo de trinta dias estabelecido  em  lei, mantendo-se assim Arruda atrás das grades?

Caso libertado, e quando libertado, o governador licenciado  reassumirá suas funções, como seria de seu Direito?

A renúncia de Arruda seria objeto de negociações de seus  advogados com o Supremo, condição essencial para ele  poder ir para casa?  E se o indigitado governador fincar pé e decidir em definitivo que não renuncia, ficará preso até o final de seu mandato? Ou reassumirá?

O vice-governador em exercício, Paulo Octávio, terá seus diversos pedidos de impeachment considerados pela Câmara Legislativa ou, como aconteceu com José Roberto Arruda, a maioria dos deputados distritais fará corpo mole, não apreciando ou até rejeitando  o impedimento?

Terá o Superior Tribunal de Justiça mecanismos legais e vontade política para afastar Paulo  Octávio, como afastou Arruda?   Nesse caso, assumiria o presidente da Câmara Legislativa, outro aliado  do governador? E o Supremo Tribunal Federal, instância definitiva, receberia novos pedidos de habeas-corpus?

Quanto à decretação de intervenção federal em Brasília, endossada pelo presidente Lula através da ação do Procurador Geral da República, seria negada de pronto pelo presidente do Supremo Tribunal Federal? Ou ganharia o plenário, arrastando-se a decisão  por  diversas semanas?

No caso de concedida a intervenção federal, quem o presidente Lula indicaria ao Congresso, obrigado  a pronunciar-se? O ex-deputado Sigmaringa Seixas,o ex-ministro do Supremo, Sepúlveda Pertence ou o ministro da Defesa, Nelson Jobim? Nenhum deles, mas um candidato  a  interventor ainda desconhecido? E se o Congresso negasse a designação   e a própria intervenção?

Se aprovada por deputados e senadores em sessão conjunta, enquanto durasse a intervenção, provavelmente até 31 de dezembro, estaria o Congresso impedido de alterar a Constituição? Existem propostas julgadas imprescindíveis,  na pauta dos trabalhos parlamentares?

No  meio dessa confusão, haverá tranqüilidade política para a realização das eleições de outubro? Ou… (cala-te, boca)

Exageros

Não deixa de ser meio ridícula essa presença maciça dos candidatos à presidência da República em  camarotes, palanques e asfaltos diversos, em diversas capitais do  pais, sob o pretexto de brincarem o Carnaval. De Recife a Salvador, do Rio de Janeiro a São Paulo, José Serra, Dilma Rousseff, Ciro Gomes e até Marina Silva desdobram-se em saudar e confraternizar com a  multidão, ensaiando passinhos descoordenados e apresentando-se meio fantasiados, com chapéus de cangaceiro e sucedâneos.

Bem fez o presidente Lula em cancelar sua presença  nos desfiles e permanecer entocaiado no palácio da Alvorada. Isso se não tiver  cedido à tentação de, à última hora, aparecer para desnecessariamente testar sua popularidade. Não precisa, a menos que o   Sambódromo carioca tenha decidido fazer as vezes do Maracanã de Nelson Rodrigues, que vaiava até minuto de silêncio.

Mas os candidatos,  aqui para nós,  deveriam  ter permanecido em cone de sombra, quem sabe dando os últimos retoques a seus ainda desconhecidos planos e programas de governo. Adianta pouco dizer que o brasileiro é  diferente, que adora quanto seus ídolos misturam-se aos blocos, escolas de samba e sucedâneos. Porque não é. Pelo menos no Carnaval, o eleitor deveria ser deixado em paz.

Santos: num time de meninos, Giovani, 38, ganha o jogo

No segundo tempo, foi até bom de assistir. O time da Vila dominava, não fazia gol e perdia de 1 a 0. Os meninos, Neymar, Robinho, Paulo Henrique, André, faziam o torcedor vibrar. Mas foi o veterano Giovani, que movimentou o placar e virou o jogo. Participou da jogada do primeiro gol e fez o segundo. Maravilha, o Santos líder total.

Maria Elisa, legítima e justa Rainha da Praia

Perdeu o primeiro set, por equívoco do árbitro. Larissa deu quatro toques, o árbitro decidiu como se fosse volei de quadra, o primeiro não conta. E ainda deu cartão vermelho para a dupla adversária de Larissa. No todo, quatro pontos.

Maria Elisa reagiu, ganhou os outros dois. Ano passado foi vice, agora campeã. Larissa é excelente jogadora, mas arrogante e prepotente, sempre, nos lábios, um sorriso depreciativo. Ou pelo menos parecendo.

A Globonews compra
tudo e não passa

Para os concorrentes não comprarem, fica com tudo e acaba não tendo horário. Top-500 de Roterdã: vi a semifinal do russo Yousny com o sérvio Djokovic, no sábado, vitória do russo (Band Sport). A Net foi passar essa semifinal domingo, enquanto a Band Sport já passava a final. Resultado: o Sportv interrompeu a semi, e se incorporou à Band Sport, exibindo a final.

O russo desistiu,
o finlândes campeão

Yousny vinha de três partidas diárias de quase 3 horas cada. Estava visivelmente exausto. (Na véspera, venceu Djokovic em dois tiebreaks). É muita coisa, esforço exagerado. Não há o que fazer.

Fred derrotou o Fluminense, perdendo gols, simulando faltas

Primeiro tempo horrível, podia não ter sido jogado. O segundo muito melhor, com gols não sendo marcados.  Os dois times chutando mal, mas não como Fred. Se o Dunga viu o jogo, Fred que não seria convocado, aí não será mesmo. Quantos gols perdeu?

E as faltas simuladas? É “mestre” nisso. Até os companheiros condenam. Numa oportunidade, podia marcar, preferiu se jogar no chão, não fez o gol e ainda levou cartão.

11 penaltis, 10 chutados com perfeição, os goleiros nem esboçaram defesa. O 11º jogado com violência na trave pelo jovem Alan, dando a vitória sem brilho para o Vasco, a derrota merecida para o Fluminense.

Lamentei pelo Alan, não merecia isso.

Arruda viu o jogo

Com televisão a cabo, pôde assistir o jogo. Tem telefone, mas não pode usar.Também, para quem iria ligar? Numa televisão ouvi, “Arruda está deprimido”. Queriam que estivesse como? Foi senador, jogou fora, Governador, quase vice de Serra, novamente destruiu o futuro, queriam que estivesse feliz? A culpa é dele, só percebe agora.

Ninguém visita Arruda, nem os caríssimos advogados. Sábado e hoje, nenhum personagem político, familiar ou causídico, quebrou o ostracismo

O governador (ainda?) José Roberto Arruda, não imaginava que sua vida pudesse inesperadamente ser “atravessada” (termo carnavalesco) ao mesmo tempo pelo ostracismo e pela repercussão nacional. Ele é o homem do dia, o personagem que todos querem apedrejar e ninguém aparece para defender.

“A mão que afaga e a mesma que apedreja”, continua eterna e consagrando o poeta popular. Mas na realidade se transforma numa verdade lancinante, que o próprio Arruda não consegue entender. Por que me abandonaram?, pergunta o governador, triste, abatido, constrangido, sabendo que seu destino não tem volta ou reviravolta.

Os jornais, rádios e televisões, que se serviram dele e a quem serviu publicitária e servilmente, só procuram atingi-lo, denegri-lo, diminuí-lo, destruí-lo, carregá-lo para o fundo do poço. Relacionam então os privilégios que lhe foram concedidos, destacando e incluindo a televisão a cabo.

E nessa televisão a cabo vão passando episódios de sua vida atormentada e tumultuada. Isolado, trancafiado, abandonado, é obrigado a ver e a comparar episódios, que agora, exibidos maldosamente, se assemelham prodigiosamente. Na prisão, vê, revê e compara com o que a televisão a cabo vai mostrando. E relembra a fraude no painel do Senado, para piorar, com a cumplicidade criminosa e nada saudosa de ACM-Corleone.

Tudo começou (e Arruda vai revendo e lembrando) com ele na tribuna do Senado, NEGANDO COM VEEMÊNCIA, qualquer violação do painel. Mas a evidência é tão grande, os apartes condenatórios e indefensáveis levam o então senador ao choro e à confissão. Com o complemento: A RENÚNCIA PARA NÃO SER CASSADO.

A tevê a cabo, interrompe a exibição, para mostrar novas contradições e condenações, mas apenas teóricas.

Arruda tenta impedir o choro de antes e de anos, está tão amargurado que não sai uma lágrima. Os olhos estão secos, o coração insensível, dá a impressão de que nada se repetirá. Não resta a possibilidade de renúncia para preservar o futuro. Se conseguir abandonar a vida pública, mantendo a liberdade para a atividade privada, já está considerando dádiva de Deus.

O segundo episódio, o do SUBORNO GRAVADO, EXIBIDO COM SOM E IMAGEM, correu o Brasil todo, e a defesa de Arruda não comoveu ninguém. “Sou inocente, meus adversários não deixam de me perseguir”.

Ninguém acreditou, passou à intimidação dos correligionários do DEM, baseado no que o Procurador Geral da República chamaria de CONTAMINAÇÃO. Só que os CONTAMINADOS reagiram. Arruda desmentiu, “não era nada disso que eu queria dizer”.

Os sinais negativos para Arruda e seu grupo foram se acumulando, com o protesto e a revolta (e não apenas da capital) dos mais diversos grupos. O processo continuava, 8 deputados distritais foram cassados, golpe duro na CONTAMINAÇAO política. E legalmente o processo andava, mas nem todos percebiam.

E muito menos alguém acreditava, que um governador no cargo pudesse INAUGURAR A GALERIA HISTÓRICA dos que dariam à opinião pública a impressão (pelo menos a impressão) de que a IMPUNIDADE E A IMUNIDADE ESTAVAM SENDO GOLPEADAS MORTALMENTE.

Agora, todos os louvores ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). O Ministério Público pediu a PRISÃO DE ARRUDA, o relator Fernando Gonçalves ATENDEU, (que os jornalões e televisões dizem, DECRETOU) a Comissão Especial de 14 Ministros, confirmou a decisão do relator, Arruda foi preso.

E o relator Marco Aurélio Mello, um dos mais importantes Ministros do Supremo, confirma a prisão, consagra o STJ, e afirma que se baseou fundamentalmente no julgado e decidido pelo relator e a Comissão Especial do STJ.

Até quarta ou quinta-feira, Arruda continuará preso, E o Supremo, com o voto dos outros 9 Ministros (dois Ministros já têm posições definidas) só poderá libertar Arruda, com uma reviravolta, que será na certa CONDENADA pela opinião pública.

Mesmo presidido por Gilmar Mendes, o Supremo Tribunal Federal deve respeito a ele mesmo.

PS – Dizem que o Supremo JULGARÁ e LEGISLARÁ. Libertará Arruda, mas IMPEDIRÁ SUA POSSE, CONSIDERARÁ SEU MANDATO ENCERRADO.

PS2 – Se isso acontecer, será bem recebido por todos. ATÉ PELO INSTÁVEL E INSENSATO PRESIDENTE LULA. O processo CONTRA ARRUDA continuará na Justiça comum, apenas para definir sua situação futura.

PS3 – A vida pública? Encerrada para sempre. A esperança é de ganhar a LIBERDADE. ABSOLVIÇÃO? Não obterá de maneira alguma. A não ser como já aconteceu: CASSADO, PERDENDO OS DIREITOS POLÍTICOS, MAS SEM RESTRIÇÃO À LIBERDADE.

Rainha da Praia

É um torneio interessantíssimo por causa do regulamento. Jogam o ano todo juntas, passam a se enfrentarem. Ana Elisa, vice ano passado, já está na final, este domingo. Pode escolher uma parceira para a dupla, menos sua companheira do ano todo.

A outra finalista é Larissa, que impediu que a Carolchegasse à final. Agora, a espectativa da escolha. De qualquer maneira, um grande jogo em Ipanema.

Tênis: Roterdã-Costa do Sauípe

Na Holanda, ATP 500, 3 jogadores do primeiro time, o resto do segundo. 500 pontos e 500 mil dólares pela vitória.

Na Costa do Sauipe, ninguém do primeiro time, 2 do segundo, os outros do terceiro. É um Torneio 250, com esse número de pontos ao vencedor, e o prêmio designado pelos organizadores. Só não pode ser menor do que 40 mil dólares para o campeão.

O governador Arruda, que vivia fantasiado de democrata, no carnaval põe roupa de prisioneiro. Lula, que na quinta, pedia “respeito com Arruda”, na sexta, diz: “Como isso acontece no Século XXI?

A situação de Brasília é de muita complicação, desculpe, de CONTAMINAÇÃO. (Royalties para o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel). Não se trata de saber se Arruda é corrupto, e preso antes do carnaval, passa a ser livre e acima de qualquer suspeita, depois dessa festa, que será ainda mais satisfatória para o cidadão-contribuinte-eleitor.

Não é apenas a prisão inédita mas não injustificada ou injusta de um governador corrupto, mas as questões subseqüentes, complicadas, entrelaçadas, que terão que ser resolvidas, T-O-D-A-S, pelo mesmo Supremo Tribunal, uma atrás da outra.

Arruda deve continuar preso (a partir de quarta ou quinta) ou deve ser libertado pelo plenário do Supremo? São os Ministros que decidem.

Libertado (hipótese), assume o governo? Afinal foi eleito para isso. São os ministros que decidem.

Se Arruda não PODE ASSUMIR, Paulo Octavio, vice eleito para substituir o efetivo, continuará no cargo, ou terá que deixá-lo? São os ministros que decidem.

IMPEDIDOS Arruda e Paulo Octavio, continuará a derrubada em cascata ou com efeito dominó? São os ministros que decidem.

Essas quatro questões enumeradas, de uma certa maneira já foram colocadas perante o TSE, que na sua composição tem três Ministros do Supremo. Esse importante TSE, nos casos examinados, acertou 50 por cento, errou os outros 50 por cento. Afastou do cargo os governadores eleitos, mas considerados corruptos. Só que entregou os governos aos derrotados, que além do mais, PARTICIPAVAM do mesmo jogo insano.

Espero que nas quatro questões que coloquei, o Supremo, completo, acerte 100 por cento. Mesmo porque, da DECISAO DO SUPREMO NÃO CABE RECURSO PARA QUALQUER ORGÃO, NEM PARA OS 11 MINISTROS QUE VOTARAM, POR UNANIMIDADE OU MAIORIA SIMPLES.

(Precisamos chamar atenção para a MULTIFACETADA e quase incompreensível votação do Supremo, nos últimos e mais importantes casos, SURPREENDENTEMENTE, NÃO HOUVE MAIORIA. Isso mesmo: com um número IMPAR de Ministros, não encontraram a METADE MAIS UM DESSES MINISTROS).

Além do mais, um fato da maior importância, ainda não levantado por nenhum dos comentaristas, mais arrogantes do que competentes: o plenário do Supremo não pode VOTAR QUESTÃO ALGUMA, sem o parecer do Procurador Geral da República.

Podem até votar contra ele, não levar em consideração o que escrever ou falar, mas têm que lê-lo ou ouvi-lo. E o Procurador de agora, Roberto Gurgel, está no centro dos acontecimentos, de forma POLÍTICA ou LEGAL. (Constitucional).

Foi o Procurador Geral que levantou a questão tumultuada, complicada, mas que agradou à opinião pública, da INTERVENÇÃO. É a parte com mais CONSEQUENCIAS DIVISÓRIAS, de todo esse processo. E Roberto Gurgel, altamente competente, estará no plenário, divergindo ou convergindo dos Ministros. Não me lembro de votação que prometa ser tão acintosamente dividida como essa.

Outra questão que terá o Procurador Geral como parte importantíssima, é a da CONTAMINAÇÃO. Foi o próprio Roberto Gurgel, que DESCOBRIU a palavra, e com ela, ROTULOU o processo de INVALIDAR, EM MASSA, todos que DIRETA ou INDIRETAMENTE conhecem tudo o que aconteceu, mesmo não roubando, são partes criminosas.

Alguns desses, estão há anos no palanque das decisões, mesmo sem ocuparem cargos. Mas jamais denunciaram qualquer caso, se tornaram CÚMPLICES por omissão, ou vá lá, silêncio culposo, como cidadãos descuidados, sabem e sempre souberam  de tudo, mas não DENUNCIARAM NADA A NENHUMA AUTORIDADE.

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PS – Se for aprovada a tese da CONTAMINAÇÃO, o presidente Lula terá que mudar de posição mais uma vez. pois todos os nomes que indicar para interventor, estarão CONTAMINADOS. Dos 6 nomes citados ou aventados, dois (Roriz e seu suplente Gim Argello) não podem nem aparecer na lista. Os outros quatro, participam de tudo, vá lá, menos da corrupção. Mas não poderiam fazer coisa alguma em matéria de LIMPEZA.

PS2 – Acho que esse assunto Arruda-Brasília-intervenção-contaminação-posse-não-posse, continuará durante todo o carnaval.

PS3 – Para examinar a liminar a respeito do Habeas-Corpus pedido pelo Governador, já votaram DOIS MINISTROS. Marco Aurélio NEGOU, Gilmar Mendes CONCEDERÁ. Não é possível que o ínclito e ilustre presidente do Supremo, considere Arruda MAIS CORRUPTO, do que Daniel Dantas. Nesse caso, a jurisprudência condena.

A intervenção vai demorar

Carlos Chagas

Custou mas foi  adotada pelo governo a única solução eficaz para superar a crise da roubalheira em Brasília: a intervenção federal. Coube ao Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, sustentar a medida diante de um presidente Lula indeciso, mas, afinal, atropelado pela iniciativa do Superior Tribunal de Justiça. O Executivo não  poderia ficar de braços cruzados, aparentando inércia.

Pela Constituição, o pedido precisa  passar pelo Supremo Tribunal Federal e, depois, pelo Congresso. Só então o presidente da República nomeia o interventor.

Pela gravidade dos acontecimentos, com um governador preso por decisão da Justiça, a intervenção federal já deveria ter sido aprovada, mas, como estamos no Brasil, vai demorar. Importa menos saber se a prisão de José Roberto Arruda aconteceu às vésperas do Carnaval, quando tudo se interrompe. Não poderia ser assim, no caso do mensalão do DEM e sua seqüência. Afinal, o domicílio dos ministros do Supremo é Brasília, assim como o local de trabalho de deputados e senadores. Como os  meretíssimos estão  fora,  e os parlamentares, mais  ainda, fica tudo adiado.  Falta aos presidentes do STF, do Senado e da Câmara, coragem para convocar todo mundo. O mais provável é que Gilmar Mendes, José Sarney e Michel Temer também se tenham ausentado ou, no mínimo, estarem de malas prontas.

Fim da impunidade?

Muita gente acha emblemática a decisão do Superior Tribunal de Justiça, mandando o governador José Roberto Arruda para a cadeia. Os otimistas celebram a decisão como uma espécie de marco em nossa história política porque, a partir de agora, todos os corruptos acertarão contas com o Judiciário.

Infelizmente, não é bem assim. O episódio Arruda pode ter sido uma exceção. Junto com montes de políticos e administradores corruptos que passeiam sua impunidade pelo país encontram-se, também, legiões de empresários tão culpados quanto eles. Aqueles que super-faturam o preço de obras e encomendas públicas, distribuindo parte do roubo por prefeituras, governos estaduais,  ministérios e sucedâneos.

Tratou-se de um bom começo, mas longe de equiparar o Brasil com países como o Japão e os Estados Unidos, onde quem rouba vai para atrás das grades.

Democracia no PMDB

O sol parece estar nascendo no horizonte do PMDB. O presidente do partido, Michel Temer, vem  recomendando a todos os diretórios estaduais que abram as portas para as diversas correntes posicionadas em torno da sucessão presidencial. Traduzindo: que recebam com as devidas honras Dilma Rousseff, se a candidata manifestar o desejo de ser recebida, assim como José Serra, Marina Silva, Ciro Gomes e, também,  o correligionário Roberto Requião.

A iniciativa do parlamentar paulista deve-se ao fato de que, nos diretórios estaduais, vinham prevalecendo  tendências e idiossincrasias. Importa menos se a direção nacional do PMDB inclina-se por Dilma Rousseff. Nem por isso os companheiros nos estados devem ignorar ou até hostilizar Roberto Requião ou qualquer outro  candidato.  Até porque, só em junho o partido formalizará  sua posição. O leque deve ficar aberto antes da convenção nacional. Depois, tomada a decisão, a unidade se tornará palavra de ordem.

Falcão

A idade nos faz menos irascíveis e mais tolerantes. Talvez mais injustos. Mas é preciso evitar conceitos estratificados. Morreu  Armando Falcão. Não haverá que esconder, bem como condenar,  o fato de ter sido   ministro da Justiça da ditadura. Agiu  de forma radical, cerceando direitos políticos e até sustentando a censura. Ficou  marcado.

No entanto, é bom lembrar que também foi ministro da Justiça de Juscelino Kubitschek. Como deputado, defendeu o respeito à Constituição quando da tentativa de golpe contra a posse de JK. Era, como parlamentar, uma das fontes mais pródigas do jornalismo  político. Informava como poucos, e sempre com precisão. Talvez por isso, quando mudou de lado, tenha preferido o “nada a declarar”, chavão que marcou a fase final de sua carreira.

A prisão do governador do DF

Edson Khair

A recente prisão efetuada pela polícia federal do governador José Roberto Arruda determinada pelo STJ que acatou o pedido de prisão, feito pelo procurador geral da República é fato virgem na história do Brasil.

Quando o pedido da prisão foi acolhido pelo ministro Fernando Gonçalves relator do inquerito contra  Arruda classificando o ministro de organização criminosa o bando do governador do DF. Tal fato politico é indiscutivél avanço das instituições democráticas  no processo brasileiro de aprimoramento da democracia.

Sim, os politicos ladrões e não são poucos causam grande retrocesso na luta pela ainda distante democracia no país. A após a queda da ditadura militar , a excesão do presidente Itamar Franco, desde de Collor de Mello até o atual do presidente Lula todos o seus governos estiveram e ainda estão comprometidos com quadrilhas organizadas em torno de seus governos.

O atual caracterizou-se sobretudo pelo escândalo do mensalão.
O chefe da casa civil de Lula, José Dirceu foi denunciado pelo procurador geral da República Antônio Fernando de Suoza como chefe da quadrilha do mensalão. Tal denúncia aguarda decisão do STF.

Assim, a oligarquia cabocla segue seu curso histórico de saque dos cofres públicos. Elegeu se um presidente ex-operário, grande parte dos intelectuais teve orgarmos pseudos ideológicos. Estava salvo o Brasil, segundo tais paspalhos. Não foi o que ocorreu. O PT no passado grande esperança de mudanças no Brasil é hoje o que se vê. Quadrilhas de pelegos sindicais aparelhando o estado caracteriza o atual processo politico nacional.

É triste, sobretudo porque Lula que sempre combateu os pelegos oriundos do varguismo introduziu na cena nacional os pelegos multinacionais. Seu governo feito para os banqueiros nacionais e internacionais, assistencialista, deixou intocados os principais problemas  seculares tais como; como a educação, a saúde, o transporte liquidado em outros governos com a extinção da malha ferroviária iniciada na dcada de sessenta e finalmente extinta pelos governos militares.

Portanto, o Judiciário brasileiro tão atacado atualmente com muita razão em linguagem popular finalmente parece ter feito um gol de placa.