Um belíssimo julgamento

José Carlos Werneck

Ao negar por sete votos a um, o pedido do Procurador-Geral da República, para a Intervenção Federal no Distrito Federal, os ministros do Supremo Tribunal Federal deram, todos eles, os que votaram contra e o único que votou favoravelmente, uma demonstração inequívoca do respeito que devotam às instituições democráticas e à independência dos Poderes da República.

Eu que gostaria que o pedido do procurador Roberto Gurgel fosse aceito e a Intervenção viesse a ser consumada, não posso deixar de reconhecer, que NENHUM dos votantes agiu politicamente ou se deixou levar por quaisquer motivações, que não fosse a da não ingerência em outros poderes e a preservação da plenitude democrática que o País vive desde a eleição de Tancredo Neves.

Assisti, atentamente, ao julgamento do princípio ao fim e não pude deixar de observar que a todos os votantes, repugnavam os fatos que motivaram o pedido, mas acima de tudo estavam preocupados, em não arranhar minimamente a ordem constitucional

O presidente do Tribunal e relator do processo, ministro Cezar Peluso proferiu um voto muito bem fundamentado, deixando claro, que embora reconhecesse os fatos vergonhosos protagonizados pelo governador afastado e seus aliados políticos, que atualmente e às vésperas das eleições, as razões para o pedido de Intervenção Federal, não mais subsistiam. Foi acompanhado pelos ministros Dias Toffoli, Carmem Lúcia e Ricardo Lewandowski.

Em seguida votou o ministro Carlos Ayres Britto, favorável, ao pedido, que fez uma brilhante e detalhada fundamentação de suas razões e que durante sua exposição recebeu apartes de vários colegas, destacando-se as observações do ministro Marco Aurélio, sempre pertinente e conhecedor profundo de nossa realidade política.

Depois votaram os ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio e o decano do Tribunal, ministro Celso de Mello, eminente jurista, que em seu longo e fundamentadíssimo voto, apresentou as razões que o levavam a acompanhar o relator.

Enfim, foi um julgamento que honrou as tradições do Supremo Tribunal Federal, porque não se afastou, por um só instante, dos princípios que devem nortear a aplicação do Direito e dar aos jurisdicionados, as garantias que necessitam para usufruírem da plenitude democrática, que o Brasil vive atualmente. E isso é muito importante, ainda mais em vésperas de eleições gerais.

Agora o grande pedido de Intervenção para afastar todos os corruptos, incompetentes e desonestos está nas mãos do eleitor, que terá a grande oportunidade, em outubro próximo, de banir de vez esses maus políticos do cenário nacional.

Brasil-Holanda

Amanhã, quase o passaporte para a final. Acho que Gana pode ganhar do Uruguai, e não perderemos para Gana. Tudo presunção ou vontade que aconteça. Como também espero que a Argentina chegue à final, para uma grande partida.

Assisti Brasil-Holanda em Dortmund-74. Não fui aos EUA em 1994, lá existem muitos fusos horários, era preciso viajar 7 horas diariamente, e eu gostava de assistir jogos todos os dias.

Na Alemanha perdemos melancolicamente, como perderíamos a disputa do terceiro lugar em Munich, para a Polônia por 1 a 0, com um gol do carequinha (mas grande jogador) Lato. Ficamos em quarto.

A Holanda de 74 e 78, inteiramente diferente da seleção de hoje. Acredito que não perderemos. E lógico, tudo pode ser registrado no placar, até mesmo derrota do Brasil.

Liminar para Garotinho, honra o TSE, destrói a conspiração de cabralzinho. O atual governador tem medo de quem o elegeu, não quer enfrentá-lo de modo algum

O TSE fulminou o TRE. Este, há 15 dias tornou o ex-governador inelegível. Depois do julgamento estar em 3 a 3, o presidente do TRE, num voto inconsciente, incongruente e onisciente, que palavras, desempatou condenando Garotinho e favorecendo cabralzinho.

A repercussão foi terrível, não pelo que significou para o ex-governador e sim pelo que favoreceu o atual, acusado de enriquecimento ilícito, E as provas VISÍVEIS desse enriquecimento, estão no patrimônio enorme e indiscutível, acumulado pelo senhor cabralzinho,que jamais trabalhou na vida.

De onde vieram esses recursos? Que proporcionaram vida mansa no dia a dia da cidade, e um descanso tranqüilo e reconfortante, no fim de semana? Nos lugares mais agradáveis, incluindo lancha para navegação de turismo familiar.

Nada disso é sigiloso, consta de um dossiê que foi preparado, avalizado e distribuído pelo então amigo de cabralzinho, o ex-governador (Nossa Senhora) Marcello Alencar e filhos. Está tudo ali, Cabralzinho não podia nem ser registrado como candidato, já não tinha ficha-limpa.

Os três julgamentos sobre a candidatura Garotinho (dois no TRE e um no TSE) são rigorosamente contrastantes, conflitantes, hostis entre eles.

O primeiro, surpreendente, não tinha qualquer base, provocou enorme repercussão negativa e gerou dois recursos: o primeiro para o próprio TRE, e o segundo, simultâneo, para o TSE.

O recurso para o TRE, vergonha total e absoluta. Os três membros que votaram a favor de Garotinho, não resistiram à cabala e à conspiração, votaram contra o ex-governador. Desfizeram seus votos, deram um tiro no pé, mas atingiram a cabeça.

Imediatamente veio a liminar do TSE, que determinou com todas as palavras fulgurantes: “O ex-governador pode disputar eleição até o julgamento do mérito, que acontecerá no próprio TSE”.

O prejuízo para o candidato já foi de tal monta, que é impossível saber o que acontecerá com sua campanha. Faltam 3 meses para a eleição, cabralzinho, além de usar toda a força do Poder para se promover, não se envergonha nem se constrange de eliminar os adversários.

***

PS – Cabralzinho conhece a força política e eleitoral do ex-amigo, pois foi eleito por ele. Antes, sem o aval de Garotinho, cabralzinho foi duas vezes candidato a prefeito do Rio-capital e perdeu, “sin pena ni gloria”, como gostam de dizer os argentinos.

PS2 – Agora, rompidos, mesmo no Poder, o atual governador não queria nem quer enfrentar o ex-governador.

PS3 – Se continuar inelegível, se confirmar a desistência por falta de tempo e prejuízos irreparáveis à campanha, os eleitores do Rio e do Estado do Rio, devem votar em Gabeira, já que Wagner Montes não admite concorrer.

PS4 – A campanha de Gabeira está contaminada pela presença de Cesar Maia e outros. Mas não tem a contaminação do cabeça de chapa. Coisa que se vê a olho nu, está inscrita e escrita no próprio nome: Sergio Cabral Filho.

Enfim, Serra se decidiu: vai concorrer como se não tivesse companheiro de chapa

Mauro Albernaz:
“Jornalista, estamos chegando em cima da eleição, e o ex-governador de São Paulo continua sem encontrar ninguém para compor a chapa. Agora, falam em Álvaro Dias e Índio da Costa. Gostaria de saber: ele pode disputar a eleição sozinho na chapa, sem mais ninguém?”

Comentário de Helio Fernandes:
Poder, pode, Mauro. Mas seria rigorosamente inédito na História da República. O vice, teoricamente (e até eleitoralmente) é um reforço para o candidato, geralmente é um nome prestigioso, que acrescenta votos. Se o candidato recusa esse fator favorável, digamos, o prejuízo (?) seria dele.

Temos que levar em consideração que Dona Dilma também deixou a chapa vazia. Colocando um cidadão como Temer, que não tem voto, prestígio ou credibilidade, a candidata do presidente Lula, foi como se dissesse à opinião pública: “Não preciso de ninguém, (lógico, só de Lula) para ganhar a eleição”. (Mas terá um vice falso, que assumirá em qualquer circunstância).

Se o governador de São Paulo não preenchesse a chapa, estaria criando um grave problema para o país, talvez fosse a sua intenção. Em caso de impedimento eventual, o presidente da Câmara teria que assumir. Só essa possibilidade já transformaria num incêndio devastador a escolha do presidente da Câmara.

E numa eleição não apenas circunstancial, mas por todo o tempo que sobrar o mandato, aí o país não resistirá. A única tranquilidade, essa indiscutível: Serra jamais será presidente. Tanto faz que tenha vice ou concorra sozinho. O vice de Serra, antecipadamente. Estará praticando haraquiri. Político e eleitoral.

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PS – Esta nota já estava escrita, ontem, quando surgiu a notícia de que a convenção nacional do DEM indicara novo vice na chapa de Serra, o deputado federal Indio da Costa, do Rio de Janeiro, ligado a Cesar Maia.

PS2 – Como poucos o conhecem, as agências de notícias logo esclareceram que Antônio Pedro de Siqueira Indio da Costa tem 39 anos e é formado em Direito pela Universidade Cândido Mendes. Foi vereador no Rio de Janeiro de 1997 a 2005. Além do DEM, ele teve uma passagem pelo PTB. Na Câmara deste 2006, o deputado é membro da Comissão de Constituição e Justiça, da Comissão de Defesa do Consumidor e da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

PS3 – Por incrível que pareça, não tive de mudar uma só linha na nota que já havia redigido. É como se Serra estivesse concorrendo sem vice. Tanto tempo de escolha, tanta briga, tanto desgaste, para quê? Para nada, como dizia o poeta pernambucano Ascenso Ferreira. Aliás, Marco Maciel teria sido uma escolha muito mais acertada. Tem seus defeitos, uma trajetória ligada aos militares (como Sarney), mas pelo menos já foi vice por 8 anos e jamais pairou sobre ele qualquer suspeita de enriquecimento ilícito.

Convenção do PRB

O partido se reuniu para apoiar Dona Dilma, que estava exultante. Juntaram 126 militantes, uma perda de tempo. Bastava declaração da única força política e eleitoral do partido: José Alencar, não por ser vice, mas por ser quem é.

Candidato sem voto

Clésio Andrade começou como vice-governador de Minas, lógico, sem disputar nada, no primeiro mandato de Aécio Neves. Em 2006, tornou-se suplente do senador Eliseu Resende, de mais de 80 anos. Essa suplência vai até 2014.

Para reforçar a esperança, acumulará suplências. É o segundo de Fernando Pimentel, que pode até ganhar. Uma das vagas no Senado em Minas é do Aécio, a outra ficará com Itamar ou Pimentel.

Tucanos e democratas acabam de demonstrar que, no Brasil, o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera.

Carlos Chagas

Depois da recusa de Aécio Neves de concorrer à vice-presidência da República na chapa de José Serra, o PSDB perdeu tempo precioso ficando  de braços cruzados, até que no fim de semana, numa jogada infantil, sem consultar seu  principal  aliado, o DEM, lançou o senador Alvaro Dias para vice de Serra.

Não era o candidato ideal, mas daria para o gasto, ex-governador  do Paraná, senador por três legislaturas e líder da oposição. Mas os democratas sentiram-se humilhados e ofendidos por não terem  sido  consultados e  ameaçaram  retirar-se da candidatura Serra.

Numa prova de inexplicável fraqueza, o  próprio Serra aceitou recuar e sacrificar Alvaro Dias, com o qual  já  se comprometera.  Deixou aos democratas a tarefa de indicar o candidato a vice.

Pois dentro da estratégia de jogar barro no ventilador, assim como  haviam feito os tucanos, os democratas acabam de oficializar o seu candidato, por sinal já aceito por Serra e  companheiros: trata-se do deputado Indio da Costa, do Rio de Janeiro.

Com todo o respeito, alguém já ouviu falar de Indio da Costa como líder nacional?  Quantos  votos ou que tipo de apoio trará para Serra? Pode ser um jovem e promissor deputado, mas ainda sem estrutura nem estatura para o cargo, quando o lugar de vice, não sendo de Aécio Neves, deveria ser oferecido para alguém com qualidades políticas menores, mas parecidas.

Pelo   jeito,  tanto os democratas quanto os tucanos estão   considerando perdida a batalha contra Dilma  Rousseff. Jogam no quanto pior, melhor. Não  será com Indio da Costa que chegarão a lugar algum, vale repetir, com todo o respeito ao indicado.

Já imaginaram se, por hipótese remota, José Serra viesse a ser eleito e adoecesse? O presidente do  Brasil se chamaria Indio da Costa…

Agora, é com a Justiça Eleitoral

Esgotou-se ontem o prazo para a realização das convenções partidárias destinadas a indicar os candidatos às eleições de outubro. A partir de hoje ficará de fora quem não tiver sido indicado pelo respectivo partido para concorrer à Câmara dos Deputados, ao Senado, às Assembléias Legislativas, governos estaduais e presidência da República.

Caberá à Justiça Eleitoral apreciar cada um dos milhares de pedidos de registro dos candidatos para decidir, à luz da legislação, se poderão disputar as eleições. Os tribunais regionais e o Tribunal Superior Eleitoral deverão manifestar-se em função da  recém-aprovada lei da ficha limpa, rejeitando as candidaturas de quantos cidadãos tiverem sido condenados por sentenças exaradas por juízos colegiados.

Cada caso será um caso, aguardando-se também a manifestação relativa àqueles que tiverem renunciado a antigos mandatos como forma de evitar a cassação pelas respectivas câmaras.  Haverá recursos para  as instâncias eleitorais superiores, esperando-se que até o dia da eleição as pendências estejam resolvidas.

Importa passar da teoria à prática: terá a lei da ficha limpa caído do céu, da noite para o dia, banido da prática política  de uma vez todos os bandidos, vigaristas e criminosos historicamente abrigados atrás de mandatos? Ou os que no exercício das representações populares praticaram atos delituosos?

Nem pensar. A nova lei constituiu um avanço, mas, apenas, o primeiro passo com que se inicia uma longa marcha. Condenados em primeira instância poderão safar-se. Também os sentenciados por tribunais, mas sem a respectiva pena transitada em julgado. Mesmo assim trata-se de  um começo promissor.

Pressões de toda ordem

Enquanto presidiu os Estados Unidos, John Kennedy costumava comentar a impossibilidade de governar sem pressões. Contestava políticos, sociólogos e filósofos que sustentavam dever os governantes agir à margem dos múltiplos e conflitantes interesses de grupos sociais dispostos ao seu redor. Governar é administrar pressões, dizia, com a ressalva de que as decisões deveriam estar voltadas para o bem-comum.

O presidente Lula deveria estar bem consciente dessa lição, depois de oito anos de governo. Ainda agora, descasca um pepino de vastas proporções. Em agosto aposenta-se por limite de idade o ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal. Será preciso nomear o seu sucessor, de preferência o melhor jurista de reputação ilibada e alto saber. O diabo é que as pressões sucedem-se sobre o Lula como as ondas do mar batendo na praia, mesmo sem conotações malsãs.

O ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, é hábil conselheiro presidencial  e tem um candidato. O atual ministro da Justiça, outro. O ministro das Defesa e ex-presidente do Supremo, Nelson Jobim, um terceiro. O ex-presidente José Sarney, um quarto. Sem esquecer o Superior Tribunal de Justiça e a maioria dos atuais integrantes do Supremo  Tribunal Federal, com mais dois.  O PT também dispõe de uma preferência.

Qualquer solução que o presidente Lula escolher determinará amuos e ressentimentos, mas fazer o quê? Impor imperialmente o novo ministro, sem ouvir ninguém, será um risco. Esperar consenso ao seu redor, um sonho. Imaginar eleição para a mais alta corte nacional de justiça, um pesadelo. John  Kennedy tinha razão.

Cobranças

Não voam em céu de brigadeiro as relações entre o Brasil e a França. Apesar   das promessas do ministro Nelson Jobim, da Defesa, e do próprio presidente Lula, o presidente Nicolas Sarkozy anda desconfiado de não sair até o final do ano a assinatura do contrato para a venda dos 36 aviões de caça franceses à Força Aérea Brasileira. Menos pelas centenas de milhões que precisaríamos gastar, mais pela pressão dos Estados Unidos contra a operação, a verdade é que as negociações com Paris estão paralisadas. Até para satisfação de nossos pilotos…

Candidatura Garotinho soma votos para Dilma

Pedro do Coutto

Mais um fato indiretamente contrário a José Serra na campanha pela sucessão presidencial. A liminar do ministro do Tribunal Superior Eleitoral Marcelo Ribeiro, suspendendo a decisão do TRE, permite a candidatura de Anthony Garotinho ao governo do Rio de Janeiro que, sem dúvida, soma votos para Dilma Rousseff. Se prevalecesse o entendimento do Tribunal Regional, a ex-chefe da Casa Civil contaria apenas com uma base política no estado: a do governador Sérgio Cabral. Agora, conta com duas: a de Sérgio e a de Garotinho. E Fernando Gabeira está apoiando ao mesmo tempo – fato inédito – José Serra e Marina Silva.

A mais recente pesquisa do Ibope apontou 41 pontos para o atual chefe do executivo, 24 por cento para o ex-governador. Gabeira em terceiro com doze. Cabral é, sem dúvida, o favorito, porém com 24 pontos Anthony Mateus reúne em trono de si um potencial superior a dois milhões de sufrágios. Parcela nada desprezível para a candidata do presidente Lula.

Não fosse a interpretação – aliás correta – do ministro Marcelo Ribeiro, esses votos iriam para quem? Pode-se admitir que uma parte para o governador atual, outra parte poderia se perder no vazio. Fosse qual fosse a transferência parcial, muito melhor para Rousseff a transferência total para si. O estado do Rio de Janeiro possui 11, 4 milhões de eleitores, o que coloca na posição de terceiro maior colégio país. Dois milhões de votos é uma fração imensa, podendo inclusive tornar-se decisiva se projetada na sucessão presidencial.

Mas não é só isso. É preciso considerar a perspectiva, nada impossível, de Garotinho crescer mais na campanha carioca e fluminense, Dispõe de bases populares sólidas – caso contrário não teria 24 por cento e vocação direcionada para campanhas eleitorais. Pode conduzir as eleições no Rio de Janeiro para o segundo turno, desfecho entre ele e Cabral, já que Fernando Gabeira, fraco com 12 pontos nas pesquisas, encontrará dificuldade de conquistar o eleitorado ao lado de José Serra ou ao lado de Marina Silva, e muito mais ainda ao lado de ambos como o Arlequim de Goldoni, peça exibida no Teatro Ginástico, tempos atrás, tradução de Millôr Fernandes.

A candidatura Garotinho vai até às urnas. Dificilmente o TSE julgará o mérito da ação até outubro. O ex-ministro José Dirceu – constato – tinha razão ao prever que Dilma Rousseff teria mesmo os dois palanques estaduais. O que certamente não agrada a Sérgio Cabral, mas agrada ao Palácio do Planalto.

Um outro assunto. O Jornal da Band anunciou na noite de terça-feira o resultado da pesquisa concluída no final da semana passada pelo Vox Populi. Coincide integralmente com a do Ibope: 40 para Dilma, 35 para Serra, 8 para Marina. Na quarta-feira, o melhor comentário foi do repórter Daniel Bramati, O Estado de São Paulo. Contém um dado importante de análise: a redução do número de eleitores indecisos e daqueles que dizem que vão anular o voto.

À medida em que declinam as duas frações, avança o índice de Dilma, como o Ibope também havia assinalado. Caiu de 19 para 16 por cento. Vai descer ainda mais e, acredito, parar em 6 ou 7 pontos. Serra não está absorvendo estes votos. Tenho a impressão de que vai estagnar e permanecer praticamente no mesmo percentual de 2002 quando perdeu para Lula. Vamos conferir.

PS – Hoje, divulga-se que Garotinho teria desistido da disputa pelo governo e seria candidato apenas a deputado federal. Mas seu partido, o PR, continuará apoiando Dilma Rousseff.

Wimbledon: surpresa, mas não zebra

Federer foi mais uma vez eliminado, o que vem acontecendo com frequência. Os que diziam, “é o melhor de todos os tempos”, estão compreendendo agora que isso não existe. No quarto set, 6º game, (3/3), o tcheco Berdych fez duas duplas faltas seguidas e ganhou o ponto. Federer tinha que perder.

Os 4 primeiros no topo

Isso é quase inédito. Nadal, Federer, Murray e Djokovic, jogaram hoje (não entre eles), para ver quais seriam os semifinalistas.

Mais ou menos 1 hora antes de entrar na quadra, Nadal não sabia se jogaria, nenhuma confiança nos joelhos. Resolveu jogar, no primeiro set quase desistiu, chegou a estar perdendo de 5 a 0, Soderling fechou o set facilmente.

A partir daí, Nadal botou a alma, a garra e o coração na raquete, ganhou de forma indiscutível, com 6 a 1 no último set. Vejamos como estará depois de amanhã, sexta-feira, na semifinal. Tem que colocar o adversário ajoelhado, sofrendo com os próprios joelhos.

“O vice sou eu”

Rodrigo Maia, que estimulou e aumentou a crise do PSDB, não tem coragem de definir a questão, mas o título destas notas representa sua conclusão. E relaciona as condições que os outros não têm, segundo sua apreciação.

1 – Presidente do DEM. 2 – Filho de Cesar Maia, ninguém pode ser, nem agora nem no futuro. 3 – Comandando os eventos do governo do pai, a vice é mais um evento. 4 – Está dando grande demonstração de grandeza. 5 – Como Serra não ganhará mesmo, deixará a vida pública bem moço, ao mesmo tempo que o pai perde para o Senado.

Dilma na TV: 35%
a mais do que Serra

Basta somar o tempo dos partidos coligados, o total é esse mesmo. Mas tempo a mais não significa vantagem, desde que o tempo não seja bem usado.

Idem, idem, se o tempo na televisão fosse maior para Serra. Em matéria de desperdício, Serra e Dilma se equivalem.

Televisão na televisão
para presidenciáveis

Esse tempo pago pelo cidadão (o horário de rádio e televisão é pago, e muito bem pago), não devia existir. Mas já que existe, deveria ser usado exclusivamente pelos candidatos a presidente, que é a eleição maior.

Os partidos que não lançassem candidatos a presidente, não teriam tempo. Se tivessem candidatos, o-b-r-i-g-a-t-o-r-i-a-m-e-n-t-e, poderiam repassar tempo para os candidatos a outros cargos. Mas quem vai modificar as coisas? As cúpulas partidárias, que preferem como está? Que República.

Declaração de Serra
sobre o seu vice

“Meu vice tem que passar pelo crivo dos partidos, o que inclui o PTB”. Certíssimo. O presidente do PTB é Roberto Jefferson, um dos políticos brasileiros mais competentes (a palavra exata é essa, competência não inclui ética). E foi ele quem anunciou o nome de Álvaro Dias para vice. Só o próprio Serra poderia ter dito a ele.

Saiba como Roberto Marinho se apossou da TV Paulista, em plena ditadura, passando para trás 673 acionistas, dados como “mortos ou desaparecidos”. (Entre eles, Ermírio de Moraes e o palhaço Arrelia).

Este blog recebeu grande número de comentários sobre a matéria “Favorecimento da Justiça brasileira à TV Globo deverá ser denunciado à ONU, OEA e até ao Tribunal Internacional Penal de Haia”, publicada dia 18 de junho.

O artigo tratava da falsificação de documentos e de outros golpes aplicados por Roberto Marinho, em pleno regime militar, para usurpar o controle da TV Paulista (hoje, TV Globo de São Paulo, responsável por mais de 50% do faturamento da rede).

Depois do fim da ditadura, os herdeiros dos antigos donos da emissora entraram na justiça, com uma Ação Declaratória de Inexistência de Ato Jurídico, porque a família Marinho não dispõe de nenhum documento que comprove ter adquirido a televisão.

Entre dezenas de comentários sobre o artigo, selecionamos apenas dois, para serem respondidos agora por Helio Fernandes, de forma a esclarecer melhor a espantosa situação, que demonstra a que ponto chegava o poder de Roberto Marinho durante a ditadura.

Sílvio da Rocha Corrêa:
“Helio, infelizmente, muito infelizmente, até o dia de hoje, as Organizações Globo se situam acima da lei de nosso país. Muitos elementos da justiça e diversas autoridades são omissas e covardes quanto a esse… câncer da sociedade brasileira.”

Nilson Alves da Silva:
“Com justa razão, o jurista Oscar Dias Correia, ex-ministro do Supremo e ex-ministro da Justiça, tinha pavor de advogar no Rio de Janeiro. Dizia ele: “Na Justiça do Rio, tudo é possível”. É justamente o que se comprova no caso desse processo contra a TV Globo. E eu que acreditava que só em Brasília a Justiça era dada a atos de ilegalidade.”

Comentário de Helio Fernandes:
O processo está na iminência de ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça. Como já publiquei aqui, o relator dessa ação, que tem cerca de 4 mil páginas, é o ministro-presidente da 4ª Turma do STJ, João Otavio de Noronha, que atua no tribunal desde dezembro de 2002.

Os interessados (Organização Globo, seus sócios, áulicos e admiradores) tentam de todas as formas esconder esse processo, cuja tramitação nenhum jornal acompanha, exceto a Tribuna da Imprensa. A Folha de S. Paulo chegou a publicar uma excelente matéria, de meia página, mas “teve que esquecer o assunto”, porque a família Frias é sócia da família Marinho no jornal Valor Econômico. E o Estadão fez apenas uma pequena matéria, mas logo jogou o assunto para debaixo do tapete.

Apesar desse extraordinário esforço para “esconder, esfriar e esquecer” o processo, a questão já se tornou um segredo de Polichinelo, que todos conhecem. Mas vale a pena relembrar agora, as vésperas do julgamento decisivo, como se passou esse revelador capítulo da trajetória de Roberto Marinho, que infelizmente não consta do volumoso livro de sua “biografia”.

Em meio às manobras para “abafar” o caso, em 2002 o então deputado Afanasio Jazadji (PFL) conseguiu quebrar o bloqueio e denunciou no plenário da Assembléia Legislativa de São Paulo a fraude praticada por Roberto Marinho contra os 673 acionistas minoritários da antiga TV Paulista, em 1975.

“Em uma operação totalmente irregular, o empresário conseguiu transferir para o próprio nome 48% do capital da emissora, para declarar-se único dono da empresa”, destacou Jazadji, classificando de escandalosas as manobras de Marinho, que. para efeito de recadastramento societário, considerou “MORTOS OU DESAPARECIDOS” os 673 acionistas minoritários, alegando que tal procedimento havia sido determinado pelo Dentel, órgão do Ministério das Comunicações.

Na época, apenas a Tribuna da Imprensa publicou o discurso do deputado, denunciando “um abuso societário cometido contra direitos intransferíveis e intocáveis de acionistas que nada mais deviam à empresa, pois suas ações já estavam totalmente integralizadas”.

Jazadji assinalou que “muitos acionistas eram pessoas famosas e que facilmente poderiam ser encontradas, como o palhaço Arrelia ou o empresário José Ermírio de Moraes, que foram dados como mortos ou desaparecidos”.

O deputado do PFL paulista enfatizou que, apesar do Dentel ter realmente solicitado que se regularizasse a situação de acionistas considerados mortos ou não localizados, “o órgão público jamais poderia autorizar o confisco das ações, dissimulado de subscrição por valor unitário de Cr$ 1,00 (hum cruzeiro) por ação, transferidas para o nome de Roberto Marinho, em Assembléia Geral Extraordinária por ele próprio presidida”.

A lista completa com os nomes de todos os acionistas, fornecida pelo deputado, foi transcrita no Diário Oficial de São Paulo. E Jazadji disse que essa relação não podia sequer ser questionada, já que fora apresentada à Justiça pelos próprios advogados que defendem Roberto Marinho, na ação movida contra ele pelos herdeiros dos sócios majoritários da TV Paulista.

Nesse processo, que correu na 41ª Vara Cível do Rio de Janeiro e está no STJ, os herdeiros reclamam que também teriam sido lesados pelo empresário, em 1964, quando Marinho “comprou” de Victor Costa Jr. 52% das ações da TV Paulista, para transformá-la em TV Globo de São Paulo, embora o “vendedor” não fosse o verdadeiro dono da emissora, pois apenas tinha poder de gestão e não era detentor de nenhuma ação, seja ordinária ou preferencial.

Afanasio Jazadji acredita que os acionistas têm direito a receber bonificações milionárias por conta da valorização da empresa, uma vez que as ações são propriedades que não poderiam ter sido simplesmente usurpadas por Marinho, não importa o argumento usado como justificativa.

Na verdade, a tomada do controle da TV Globo de São Paulo por Marinho foi feita em dois lances. Originalmente, a TV Paulista era uma sociedade anônima, cujos sócios majoritários eram quatro membros da família Ortiz Monteiro, com 52% das ações. O resto estava pulverizado entre 673 acionistas minoritários.

A concessão fora ganha em 1952 pelo deputado Oswaldo Hernany Ortiz Monteiro, que criou a Rádio e Televisão Paulista para explorar a concessão. Mas três anos depois, a empresa não ia bem, e Ortiz Monteiro tentou transferir o controle acionário para o executivo Victor Costa, que passara a geri-la. No contrato, porém, havia uma cláusula pétrea: para assumir efetivamente o controle acionário da emissora, Victor Costa teria de conseguir previamente a transferência da concessão do canal para seu nome junto às autoridades federais. Caso contrário, perderia o direito a controlar a emissora.

Como o executivo morreu quatro anos depois, sem regularizar a situação, a transferência do controle acionário jamais se concretizou. E com a morte dele em 1959, seu filho Victor Costa Júnior passou a gerir a emissora. Em 1964, apresentando-se como sucessor do pai, negociou com Roberto Marinho o controle da televisão, assinalando no contrato ser “único herdeiro das ações da TV Paulista” que pertenceriam a seu falecido pai.

Como Victor Costa pai nunca detivera de fato ou de direito as ações da emissora, elas nem constaram da lista de seus bens no inventário. Ou seja, seu filho, Victor Costa Júnior, negociou com Marinho o que não possuía, e a regularização da titularidade da concessão junto ao governo federal foi sendo adiada, porque Marinho não tinha condições de transferir a concessão, já que “comprara” ações de quem não podia ter vendido, pois jamais fora proprietário delas.

Resultado: foi preciso “esquentar” a transação, através de uma série de procurações e substabelecimentos que se estendiam de 1953 a 1975, com a família Ortiz Monteiro dando plenos poderes a um funcionário da TV Globo, Luis Eduardo Borgerth, para negociar as ações. De posse desses documentos, (que depois se comprovaria na perícia serem todos falsos e fraudulentos) Borgerth então pôde passar ilegalmente os 52% do controle para Marinho.

Restavam os 48% de ações ainda de posse dos 673 acionistas minoritários, entre os quais se misturavam figuras anônimas a nomes de tradicionais famílias paulistas como Bueno Vidigal, Trussardi e Ermírio de Moraes. Os acionistas foram convocados por Roberto Marinho para uma Assembleia Geral Extraordinária, através de um pequeno anúncio, em letras miúdas, publicado no Diário Oficial de São Paulo.

Ninguém compareceu, como seria de se esperar. Mas a Assembleia, presidida por Roberto Marinho, decidiu que as ações dos ausentes seriam incorporadas ao patrimônio do sócio controlador (o próprio Marinho), ao preço simbólico de CR$ 1,00 (um cruzeiro) cada, a pretexto de ressarcir um empréstimo que Marinho teria feito à empresa.

De acordo com o deputado Afanasio Jazadji, integravam essa lista alguns dos mais conhecidos cidadãos de São Paulo: José Ermirio de Moraes (ex-senador e empresário emérito), Antonio Silvio Cunha Bueno, Cincinato Braga, Waldemar Seyssel (o palhaço Arrelia), Paulo Taufik Camasmie, Ângelo Fanganiello, Oscar Americano de Caldas Filho, Amador Bueno de Campos Gatti, Constantino Ricardo Vaz Guimarães, Bento do Amaral Gurgel, Samuel Klabin, Abraão Jacob Fafer, Guerino Nigro, Cláudio de Souza Novaes, José Pillon, Brasílio Rossetti, Francisco Rossi, Eduardo Salem, Rubens Salem, Alfredo Savelli, Rafael Noschese, Oswaldo Scatena, Oswaldo Schimidt, Christiano Altenfelder Silva, Vicente Amato Sobrinho, Edgard Pinto de Souza, René de Castro Thiollier, Paulo e Romeu Trussardi, Sylvio Bueno Vidigal e muitos outros.

Assim, por meio de sucessivos golpes, que incluíram a falsificação de documentos e a ardilosa convocação de acionistas, que foram dados coletivamente como “mortos e desaparecidos”, Roberto Marinho tornou-se proprietário da TV Paulista e fechou o capital da empresa, tendo os três filhos (Roberto Irineu, José Roberto e João Roberto) como únicos sócios.

denuncia o deputado Afanasio Jazadji que a operação foi irregular, porque ignorou os direitos de propriedade dos acionistas, além, é claro, do próprio modo como Marinho tomou posse das ações majoritárias da TV, assumindo a concessão federal sem estar de posse de nenhum documento válido que comprovasse ter adquirido o controle da empresa.

Outra circunstância agravante foi a falta de cumprimento das leis específicas. Como se sabe, qualquer negociação de controle acionário de emissora de TV tem que ser PREVIAMENTE APROVADA pelo governo federal. Marinho, no entanto, jamais solicitou essa autorização prévia, e ficou 12 anos ilegalmente com a emissora no ar, sem ter assumido a concessão, que continuava no nome dos antigos donos.

Pior: depois de 12 anos dessa atuação irregular, a regularização da concessão foi feita inteiramente à margem da lei, tendo sido assinada por uma funcionária do Ministério das Comunicações que não tinha poderes para fazê-lo. E foi assim que Roberto Marinho enfim conseguiu usurpar a TV Paulista, transformando-a em TV Globo de São Paulo, em plena ditadura militar.

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PS – Antes que me esqueça: em 30 de junho de 1976, para simular de vez a transferência do controle acionário da TV Paulista (naquela data já TV Globo de São Paulo), a Assembleia Geral Extraordinária fantasma presidida por Roberto Marinho teve oficialmente o “comparecimento” de três dos quatro acionistas controladores da emissora, que JÁ TINHAM MORRIDO ENTRE 1962 E 1964. OS falecidos participaram da Assembleia ou foram representados com procuração “específica”, e assim foi “regularizada” a desapropriação das ações de 673 acionistas minoritários (48% do capital) e dos majoritários (52% das ações). Tudo na mais completa ilegalidade e imoralidade, mas suficiente para que o governo militar baixasse portaria, reconhecendo o apossamento do canal 5 da TV Paulista por Marinho.

PS2 – Mesmo com essa abundância de provas, nos dois primeiros julgamentos, na Justiça do Rio de Janeiro, os resultados foram favoráveis à família Marinho, mediante fraude, leniência e favorecimento, exclusivamente isso. Na forma da lei, com base no que está nos autos, as sentenças teriam sido totalmente desfavoráveis à TV Globo.

PS3 – Mas acontece que a Globo está sendo defendida pela família ZVEITER, que manda e desmanda na Justiça do Estado do Rio, e conseguiu que o processo fosse julgado como uma AÇÃO ANULATÓRIA, para declará-lo “PRESCRITO” por TRANSCURSO DE PRAZO.

PS4 – Foi um monumental erro jurídico, porque um dos fundamentos mais importantes no processo é justamente a forma da ação. Assim, AÇÃO ANULATÓRIA é uma coisa, AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE ATO JURÍDICO é outra completamente diferente, com uma peculiaridade essencial: a primeira prescreve, a segunda, não.

PS5 – No processo contra a TV Globo, em nenhum momento se fala em AÇÃO ANULATÓRIA. O que existe é, única e exclusivamente, uma AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE ATO JURÍDICO. Assim, como pôde a Justiça estadual julgar uma ação declaratória como se fosse ação anulatória, um erro que nem mesmo o mais iniciante acadêmico de Direito ousaria cometer.

PS6 – Agora, vamos aguardar a decisão do STJ, para saber se ainda há juízes em Nuremberg, perdão, em Brasília.

Estrilo sem sentido lógico

Carlos Chagas

Há um cheiro de chantagem nessa história da escolha do candidato à vice-presidência na chapa de José Serra. O DEM realiza hoje sua convenção e até ontem pairava no ar a hipótese de o partido não apoiar o ex-governador de São Paulo por conta da indicação ainda não formalizada de  Álvaro Dias, do PSDB do Paraná. Se os Democratas aceitavam Aécio Neves e a chapa-pura dos tucanos, por que rejeitam o senador paranaense? Acresce não terem um nome de prestígio  para apresentar.

A pergunta que se fazia ontem era a respeito da alternativa do DEM, caso desembarque da candidatura Serra. Farão o quê, os antigos integrantes do PFL e da Arena? Lançar candidato ao palácio do Planalto  não podem, porque não possuem, pelo menos em termos eleitorais.

Parece inócuo ficar ameaçando o PSDB com a perda  dos minutos  que  cederiam a Serra  na propaganda eleitoral gratuita. Não apoiando o candidato, o tempo de rádio e televisão deixaria de  valer alguma coisa. Além, é claro, de o DEM perder a chance de integrar o governo Serra, na hipótese hoje mais distante  de o candidato  sair vencedor.

Em suma, um estrilo sem sentido lógico, que só faz desmoralizar a oposição e inflar ainda mais o balão de Dilma Rousseff.

De que investimentos ela falou?

A um grupo de artistas em São Paulo, na noite de segunda-feira, Dilma Rousseff  prometeu que, se eleita, reduzirá a zero os impostos sobre investimentos. Melhor teria feito se guardasse o anúncio para uma platéia de empresários, mas, mesmo assim, é  bom tomar cuidado.

Porque os investimentos privados, quando nacionais, são feitos com maioria de recursos do próprio governo, ou seja, do BNDES. O problema é que a maior parte dos investimentos realizados no Brasil são externos. O resultado seria maior favorecimento ao capital estrangeiro, já tão beneficiado  desde os tempos do sociólogo. Logo surgiria alguém sugerindo as mesmas facilidades para o capital-motel, aquele que chega de tarde, passa a noite e vai embora de manhã depois de haver estuprado um pouquinho mais nossa economia. Não faltariam vozes, até  no Banco Central, a confundir  a especulação com  o investimento. E sem pagar impostos de espécie alguma, como já pagam tão pouco,  o Brasil se tornaria o  grande  paraíso da especulação, superior até às ilhas  de Tonga-Bonga ou Songa-Monga…

O nome disso é censura

Não há como deixar de meter nossa colher política na panela do  futebol. Decidiu a Fifa “controlar” as imagens produzidas pela televisão da África do Sul e exibidas no mundo inteiro, até nos telões situados nos estádios onde se realiza a copa do mundo. O argumento é de evitar  críticas a erros de juizes e bandeirinhas, logo expostos através da tecnologia eletrônica. Assim, bolas que entram  e não são vistas  pelos juízes, ou gols em impedimento, deixam de ser apresentados.  Prevalece o erro, claro que de boa fé, ainda que não se possa afastar a hipótese de vigarices.

Em linguagem universal, isso se chama censura. Cerceamento à liberdade de informação.

Enfim, um refrigério

O presidente Lula compareceu  à livraria Cultura,  na noite de ontem, em São Paulo, para prestigiar Aloísio Mercadante, que lançava um livro analisando e elogiando  o governo atual. Já não era sem tempo. Os companheiros paulistas vinham-se queixando do distanciamento do Lula  da campanha de seu líder no Senado, candidato meio desconfortável ao palácio dos Bandeirantes.   Nas pesquisas, os índices de Geraldo Alckmin superam de muito os dados ao candidato do PT, ainda que as esperanças petistas  se baseiem numa espécie de colagem entre Lula, Dilma e Mercadante.  Pode ser, mas a premissa assenta-se no engajamento ostensivo do presidente e da candidata nos esforços do senador.   Mesmo sem precisar ler o livro. 

Serra: queda no Ibope e problemas com o vice

Pedro do Coutto

Efetivamente o panorama da campanha pela sucessão presidencial não está nada bom para José Serra. A mais recente pesquisa do Ibope, divulgada em junho, no espaço de três semanas, assinalou que ele perdeu 2 pontos e Dilma subiu 3. Estavam empatados em 37%. Agora, ela tem 40 e o ex-governador 35. Esta tendência declinante vem se verificando há vários meses. Serra não conseguiu freá-la. A estratégia que adotou não funciona. Impossível alguém que se afirma de oposição elogiar o governo que tem outra candidata. Mas não é este, apenas, o complicador para o tucano. Ocorre neste momento – como a Folha de São Paulo revelou na edição de domingo – uma divergência com o DEM em torno do candidato a vice presidente.

Para o ex-prefeito Cesar Maia, que está no DEM, partido presidido por seu filho Rodrigo Maia, não faz sentido uma chapa presidencial constituída por uma legenda só. O senador Álvaro Dias também é do PSDB. Desde a redemocratização de 45, lembrou Cesar, fato assim nunca se verificou. Com dois do mesmo partido, a escolha não agrega. Pelo contrário, dilui o peso da chapa. É verdade.

E, além disso, acentua uma falta de unidade entre as correntes que a compõem. Do outro lado, Dilma Roussef, do PT, tem como vice Michel Temer, do PMDB. Não houve problema algum para fechar o acordo. Exatamente o contrário do que está ocorrendo entre o PSDB, DEM, PPS e o PTB. Até que o PTB, de Roberto Jeferson, e o PPS de Roberto Freire, aceitaram Álvaro Dias. Mas o DEM não. Surpreende a concordância do PPS porque a indicação melhor para vice, a do ex-presidente Itamar Franco, que teria apoio de Aécio neves, foi rejeitada por Serra.

Agravando ainda mais a situação de José Serra, para quem analisa política com equilíbrio e sobretudo realismo, está claro que uma vitória do ex governador paulista não interessa ao ex governador mineiro.
Com a reeleição permanecendo, o êxito de Serra representaria uma distância de oito anos, a partir de hoje, para a candidatura presidencial de Aécio. Ao passo que a eleição de Roussef reduz sua meta para um espaço de quatro anos. Derrotado Serra, em 2014 a oposição não encontra outro nome, além de Neves, para representá-la nas urnas. Coisas de política, título da coluna de Carlos Castelo Branco no Jornal do Brasil.

Mas existe ainda uma terceira face do problema. É que a controvérsia em torno do candidato a vice está passando à opinião pública, portanto ao eleitorado, a sensação de que José Serra está necessitando de reforços políticos que, sozinho, não chega à vitória. Clima oposto envolve a candidata do presidente Lula. Ansiedade do lado do PSDB, euforia no Palácio do Planalto.

Luis Inácio da Silva tinha razão quando desmontou o esquema de Ciro Gomes, conduzindo-o para São Paulo na certeza de que ele não seria necessário até o desfecho de outubro. O ex governador do Ceará, inclusive, não pode reclamar do PSB, seu partido. A partir do instante em que aceitou transferir seu domicílio eleitoral para o Jardim Europa, tacitamente manifestou sua desistência de disputar a presidência. Isso porque, para disputar a presidência, não precisava transferir-se do Ceará. Deveria ter percebido a manobra e não a identificou. Cometeu um erro enorme. Não tem volta.

Na eleição de 20067, alcançou 600 mil votos para deputado, onze por cento do eleitorado cearense. Agora, descartado, terá que apoiar Dilma Roussef. Pois ela apóia a reeleição de seu irmão, Cid Gomes para o governo do Ceará.
Páginas da vida.

A Espanha dominou, ganhou, passou. Portugal endeusado, dominado, eliminado

A secular BIPOLARIDADE que dominou o mundo durante muito tempo, não chegou ao futebol em 80 anos. Houve também BIPOLARIDADE França-Inglaterra, Alemanha-França, Inglaterra-Alemanha, mas todos chegaram ao futebol. É bem verdade que França e Inglaterra, mediocremente, apenas quando jogavam em casa.

Hoje, no primeiro tempo, nada a ver ou comentar, o clima era de 0 a 0. E foram para o vestiário sem gol para qualquer lado. Mas na volta, que domínio da Espanha até os 17 minutos, quando saiu o primeiro gol. Foi um, podiam ter sido vários. E exibição não só em matéria de gols, mas de controle total do jogo.

A bola ia de um lado ao outro nos pés dos jogadores da Espanha, com precisão, elegância, tranquilidade, segurança, e dando a impressão de que o adversário (?) não os assustava em nada.

Aos 35 minutos todos pareciam perguntar o que eu já perguntara no primeiro jogo (Costa do Marfim) e no terceiro (Brasil), “onde está Cristiano Ronaldo”? Não estava em lugar algum, e o treinador Carlos Queiroz não tinha coragem de transferi-lo para um lugar mais adequado, o banco fora do campo.

Nenhuma reação dos portugueses, a seleção parecia envaidecida de perder apenas por 1 a 0. Quando a Espanha fez o seu gol, comentaristas (vários), diziam: “È o primeiro gol sofrido por Portugal”. Mas não lembraram que em 4 jogos, Portugal só fez gols contra a Coreia do Norte, o que não chega a representar uma façanha.

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PS – A expulsão não alterou nada. Além de justíssima, foi aos 43 minutos. Portugal já estava entregue à própria incapacidade, ou se quiserem, desespero.

PS2 – No segundo tempo, Casilae, goleiro da Espanha, não fez uma só defesa. Eduardo, de Portugal, fez pelo menos 4, dificílimas,

PS3 – A Fifa já “premiou” como o melhor, Cristiano Ronaldo, que não pegou na bola. Tem que escolher no jogo de hoje, o goleiro Eduardo, que saiu de campo chorando.

PS4 – Portugal entrou na Copa aplaudidíssimo, como a grande atração. Saiu vaiado, e provando que falta muito, ou falta a seleção de 1966.

Paraguai-Japão, a primeira decisão nos pênaltis

Foi o segundo jogo a ir para a prorrogação, o primeiro a ser decidido nos pênaltis. Mas foi tudo muito “japonês”, sem qualquer restrição, apenas constatação.

O Paraguai bateu 5 pênaltis irrepreensíveis, vencedor. O Japão jogou na trave, eliminado. Não foi zebra e sim surpresa, como seria com a vitória do Japão. Ninguém esperava um dos dois chegando até as quartas. Mas mereceram.

Zebras em Wimbledon

Foram duas das grandes, masculina e feminina. Um jogador de Taiwan, Yen-Hsun Lu, sem ranking, ganhou de Roddick, ex-número 1 e atual número 7. E a jovem Pironkova (Bulgária), sem nenhum título e número 82 da classificação, eliminou quem? Apenas a número 2, Venus Williams, que já foi campeã 5 vezes aí mesmo em Londres.

Meia hora depois a irmã Serena passava à semifinal, derrotando Na Li. Não foi zebra, pois a chinesa é ótima jogadora, 12ª do mundo, deve ficar entre as 10. Serena é a número 1, continuará sendo.

No masculino, os 4 primeiros, Nadal, Federer, Murray e Djokovic, continuam. Grande adversário de Nadal: os joelhos, já fraquejando.

Covardia da UnB contra Azevedo

Vicente Limongi Netto:
“Repudio matéria covarde, infame e revanchista elaborada pela agência UnB e publicada no Jornal de Brasília, com acusações ao ex-reitor José Carlos Azevedo, que já não está entre nós e, portanto, não pode se defender das acusações dos seus decaídos detratores.

Azevedo entregou a seus sucessores uma Universidade de Brasília rica, digna e respeitada. Hoje o país e o mundo conhecem uma UnB desmoralizada, afundando em greves e dívidas. O melancólico texto do Jornal de Brasília trata Azevedo apenas como capitão-de-mar-e-guerra. Antiga tolice em forma de surrado clichê, vendida pelos seus incompetentes, recalcados e rancorosos desafetos.

Azevedo trabalhava, não perdia tempo com insanos. Tinha 3 mestrados e 1 doutorado, livros publicados e centenas de artigos sobre educação, publicados em jornais e revistas brasileiros e estrangeiros. Mesmo morto, José Carlos Azevedo é infinitamente maior e mais qualificado intelectualmente do seus medíocres críticos e algozes”

Comentário de Helio Fernandes:
Indignidade maior e inigualável, é essa de insultar alguém por causa da profissão. Conheci o Reitor, extraordinária figura, fui apresentado a ele pelo jornalista, professor da própria UnB, e depois senador, sempre meu grande amigo, Pompeu de Souza. Sempre que ia a Brasília, (hoje, mais raramente) ia tomar café com o Reitor.

Você está coberto de razão, Limongi. Ninguém se lembrava que ele era militar, e sua carreira civil teve a mesma grandeza. Além de todos os defeitos, Brasília tem esse, de não reconhecer as qualidades e os valores das pessoas, “reconhecendo” apenas a vestimenta.

Em 1978, os melhores jogadores da Argentina foram Videla e Massera

Wil e Antonio Mello:
“Helio, desculpe, mas em 1978 a Argentina foi campeã, jogando contra o Brasil e empatando de 0 a 0.”

Comentário de Helio Fernandes:
Obrigado aos dois e a outros que se manifestaram de diversas formas. Do ponto de vista do fato sem interpretação, estão certíssimos. Só que eu estava na Argentina. (Uma das minhas 9 Copas, a última foi em 1998. Quando voltei da França, não renovei meu passaporte, decidi não viajar mais).

Assisti aquele indolor, insosso e inodoro 0 a 0, que não foi o que me revoltou. O que me fez protestar violentamente (está nos arquivos) foi a intervenção dos ditadores (general Videla e Almirante Massera) no jogo seguinte com o Peru. Precisavam ganhar por 4 gols de diferença, fizeram 6. Hoje não há mais isso, a Fifa marca os jogos decisivos para a mesma hora.

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PS – Não fosse a invasão dos vestiários, (hoje já contada e cantada em prosa e verso), a Argentina não teria chegado à final, o Brasil sim.

PS2 – Por isso não considero a Argentina campeão de 1978, que não foi mesmo.

PS3 – Também nas relações dos melhores “jogadores” de todos os tempos, faço questão de colocar o general e o almirante.

PS4 – De qualquer maneira, obrigadíssimo.

O gênio da TV Globo

O “Jornal Nacional” de ontem, inovou completamente. Como escolhem sempre o melhor jogador, resolveram consolidar a retirada (da Laguna em 1864 ou de Dunquerque em 1940, que praticamente salvou a Inglaterra?) e premiaram “O Grupo”. (Como são muito cultos, homenagearam Mary McCarthy, autora da peça, do livro e do filme com esse título).

Com isso se aproximavam do Dunga, quase iam escolhendo ele. Ha!Ha!Ha!

Apesar da conspiração da Globo, da CBF, dos patrocinadores, das intrigas do assessor de coudelaria, da arrogância e improvisação do Dunga, o Brasil está quase na final

O Caderno de Esportes da Folha, é enganado docemente pelo chamado “assessor de coudelaria”. Dá como fonte, sempre, isto: “Alguém que circula junto da seleção”. Ha!Ha!Ha! Ora, ele está praticamente proibido de entrar lá, e Ricardo Teixeira nem se fala. Portanto, não tem nem informação.

Há mais ou menos 1 ano e meio, a Globo queira derrubar Dunga, não servia aos interesses da Organização e não ganhava. Montaram então um programa “Bem, Amigos”, sem informação mas com o objetivo de retirar Dunga e colocar Muricy Ramalho. Só que a partir de um jogo em Brasília, a seleção começou a ganhar tudo, como demitir o treinador?

Muricy Ramalho, que estava no programa “Bem, Amigos”, acreditou em tudo, vibrava como novo treinador. Se preparou para o dia do grande evento ou acontecimento. Como nada acontecia, foi cobrar do Galvão Bueno. Este, que cumpria ordens, ficou contemporizando, que palavra, até que Muricy compreendeu que tudo era armação, e deu um telefonema ao mesmo tempo duro e amargo, se desligando de tudo.

Dunga, que viu e gravou o programa, alertado, foi rebuscar e não era nada difícil comprovar. De posse das informações, Dunga se concentrou em ganhar, tinha certeza de que “não se mexe em time que está ganhando”. No caso, não era no time e sim no treinador, mas o lugar-comum tinha toda razão de ser.

Ganhou a Copa das Confederações, venceu a Argentina em Rosario, (terra do Veron), o Uruguai também lá mesmo. Nas eliminatórias para a Copa, vinha mal, se recuperou, ficou classificado em primeiro lugar. Era a glória, e para um homem com a formação do Dunga, “que guarda ódio no freezer”, (royalties para Tancredo Neves), o futuro se desenhava maravilhosamente positivo.

A Organização Globo e a CBF continuavam esperando, acreditavam que ainda havia tempo para derrapagem. Só que o tempo-limite era a viagem para a África do Sul. Depois, como demitir um treinador em plena competição-maior, que é a Copa?

Antes da viagem veio a convocação dos 23 jogadores, a polêmica maior e inadiável. O país estava dividido, a CBF e a Organização, nem se fala. Antes dessa convocação, a grande pergunta: “E se Kaká se machucar?” Tinha sentido, vinha atuando pouco no Real Madri, um ano praticamente de inatividade.

Só que na hora de anunciar os nomes, a doença de Kaká passara de eventualidade para realidade. A pubalgia, chata, de cura lenta e dolorosa, não estava mais sozinha, surgiram dores nos músculos. Havia um clamor pela ida de Ronaldinho Gaúcho e Ganso, substitutos mais do que naturais.

Dunga não ligou para nada, levou 10 volantes, dos quais 8 dispensáveis, mas não fez concessões. Naquele momento, o treinador era absoluto e insubstituível. Dunga sabia disso e exerceu seu Poder, não apenas contra os jornalistas, mas principalmente atingindo e restringindo a força dos patrocinadores, que ao mesmo tempo fazem a fortuna da Globo e da CBF.

Ricardo Teixeira sabe que é poderoso mas ATINGÍVEL. Malandríssimo (escapou até da CPI que o indiciou), não queria ser visto por Dunga. A Organização, também poderosa, mas INATINGÍVEL, num gesto irresponsável, tentou derrubar Dunga, não conseguiu.

Estávamos em plena Copa, faltavam apenas 4 jogos, a seleção passara da primeira fase, só muita exigência dos patrocinadores levaria a Globo a esse haraquiri.

Antes da decisão definitiva, a Globo, entusiasta da pesquisa, fez uma interna. E como os resultados eram todos favoráveis a Dunga, levantou bandeira branca, anunciou oficial e ditatorialmente: “O episódio está encerrado, COMO SEMPRE TORCEREMOS PELA SELEÇÃO”. Era a confissão de que NÃO TORCIAM.

Depois desse “Adeus às Armas” da Globo, veio o primeiro jogo sem Kaká e Robinho. Como se previa, ou melhor, se sabia, não havia substitutos. Qualquer um que entrasse não passaria, como não passou, de remendo. A sorte: o adversário (?) dominado pela pretensão, a vaidade e a autoidolatria (leia-se, Cristiano Ronaldo), conseguiu um chatíssimo 0 a 0.

Esse resultado insuportável ressuscitou o insuperável assessor de coudelaria, que voltou a aparecer como informante sem informação. Mas espalhava para todos os lados: “O clima na concentração é impressionante, ninguém se dá com ninguém, todos querem a vaga do outro”. Como pode saber, se não vai à concentração?

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PS – Apesar de tudo isso, a seleção do Brasil avança, altiva, impávida e altaneira. Foi facílimo, como tinha que ser. No gol de Robinho, ficou claro: Ramires tem lugar garantido.

PS2 – A Holanda nas quartas e Gana ou Uruguai, na semifinal, nem problema ou preocupação. Como já deixei claro, quero essa final com a Argentina, por dois motivos importantes.

PS3 – Em 80 anos de Copa, nunca houve um título disputado entre essas duas potências, que juntas já ganharam 7 mundiais.

PS4 – Em 1974, na Alemanha, no dia do enterro do presidente Perón, o Brasil derrotou a Argentina, mas não foi campeão.

PS5 – Em 1990, na Itália, a Argentina ganhou do Brasil por 1 a 0, (o famoso gol de Caniggia, num passe esticado de Maradona), mas não ganhou o título.

PS7 – Está na hora de serem finalistas.

1966 e 2010: o gol a favor da Inglaterra e contra a Inglaterra

Em 1966, eu estava em Wembley, vi magnificamente o gol de Hurst. Minha visão era excelente, só podia ser prejudicada pela presença da Rainha, que estava na mesma tribuna. Mas como não me deslumbrava com a nobreza, olhei bem o gol e fiquei satisfeito com minha conclusão: a bola não entrara.

Terminado o jogo, sozinho como estava, andei uns 600 metros em terra batida, peguei o metrô até o meu hotel, o Grosvenor House, no Hyde Park, (onde toda manhã corria 6 ou 7 quilômetros, já estava diminuindo meu percurso diário). Só parava para assistir os mitingueiros, que num caixote, aproveitavam a manhã para falar contra o governo.

Na portaria mesmo, um espetáculo que via pela primeira vez: televisões com câmaras lentas, ou melhor, lentíssimas, “paravam” o lance, a bola ficava mais do que visível e tive a felicidade de compreender e confessar o que escrevi de lá mesmo: A BOA ENTROU.

Mas em Wembley, por que tive a “CERTEZA” de que a bola não entrara? A tribuna onde eu estava, dava a impressão exata de ser uma réplica do Teatro da Opera de Paris, e tinha muito mais clima, seja futebolístico ou não.

Anteontem, aqui, não havia o “clima” de 1966, mas a visão da televisão, a mesma que tive em Londres, na repetição do gol de Hurst.

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PS – Agora, muita gente garante: “Nunca mais alguém EXPLICARÁ se foi gol ou não”. E quem precisa de EXPLICAÇÃO para alguma coisa.

PS2 – Dois meses depois eu era CASSADO, destruíam IMEDIATAMENTE o meu futuro pessoal e plantavam o FIM DA TRIBUNA DA IMPRENSA.

PS3 – Só porque eu combatia a ditadura e o jornal não dava trégua aos ditadores?

PS4 – E quem explicava ditadura e ditadores?

Fichas-sujas: são 5 mil ou muito mais?

Alberto Mozer:
“Jornalista, vi nos jornais que existem 5 mil candidatos que foram tornados inelegíveis pelo fato de terem participado de irregularidades. São tantos assim. E o Tribunal de Contas pode determinar inelegibilidades?”

Comentário de Helio Fernandes:
Olha, Alberto, acredito que 5 mil devem representar 20 por cento dos que ficarão inelegíveis por causa da ficha-suja. Nem sei bem qual é o total. Mas você, que acompanha a vida pública brasileira, não deve ficar surpreendido.

Quanto à legitimidade do TCU tornar cidadãos inelegíveis, não pode, é lógico. Mas tem provas para apontar esse número (ou mais) ao TSE, que julgará todos i-m-e-d-i-a-t-a-m-e-n-t-e, como a manda a lei agora aprovada.

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PS – Além do mais, Alberto, a opinião pública nacional está entusiasmada com a nova legislação, pelo seu aspecto ético e moral, e não pelo constitucional. Na interpretação rígida da Constituição, a lei condenando os fichas-sujas, não poderia ser aprovada.

PS1 – Mas quantas vezes esses ladrões públicos infringiram a Constituição, desperdiçando o dinheiro do cidadão-contribuinte-eleitor? Assim, fica tudo resolvido.

PS3 – A lei eliminando da política esses desonestos, teve como ponto de partida um movimento com 1 MILHÃO E 600 MIL ASSINATURAS. Não é o suficiente?