Palmeiras e Fluminense

Há 9 jogos o Palmeiras não ganha. Já festejavam o título, agora sentem saudades de Jorginho, o interino que a 700 mil por mês entregou o time a Muricy, na ponta da tabela.

E o Fluminense? No ritmo em que vai, acaba no G-4. (Pena que faltem poucos jogos). Fred não fez gol, mas quando a torcida já se desesperava, nos descontos, o time marcou duas vezes, ganhou e está na final. Alguém pode ganhar desse time?

Cesare Battisti no limite

Depois de longa exibição de Cultura inútil, envergonhado pela contradição, o Supremo confessa, sem constrangimento: “Só o presidente da República fala sobre extradição”.

A sessão terminou às 8:15 da noite, mas já estava decidido há meses, antes mesmo de começar: só o presidente da República tem PODERES para determinar a extradição. É um caso de política internacional, de cumprimento ou descumprimento de Tratados, que só o presidente pode assinar, ficava tão claro, que perguntei aqui várias vezes: “O que o Supremo está fazendo tentando entrar numa “propriedade” que não lhe pertence?”

Escrevi sempre sobre o assunto, não fui CONTRA ou a FAVOR da extradição. Na mente e no coração considerava que era um “CRIME POLÍTICO”, e que a Itália não cumpriria as condições que teriam que ser exigidas pelo Brasil, no caso do pedido de extradição fosse como a Itália desejava, ou melhor, impunha ao Brasil, exibindo uma série de medidas RETALIATÓRIAS, caso o Brasil negasse a extradição.

Chamei a atenção para a obsessão da Itália por esse caso, a partir de determinado momento. Battisti ficou 10 anos na França, ali pertinho, podiam resolver pelo celular, a Itália não se incomodou. A partir da vinda de Battisti para o Brasil, o “furor extraditório” da Itália se manifestou, não só pelo pedido mas também pelas represálias que anunciou, caso o Brasil decidisse com independência.

1- Impediremos a entrada do Brasil no G-8. 2- Boicotaremos produtos brasileiros na Itália. 3- O Ministro da Justiça do Brasil só disse “asnices”. E foram por aí. Sem falar na autorização da contratação do advogado mais caro do Brasil. E a ida do embaixador da Itália no Brasil a todas as sessões do Supremo para constranger os Ministros.

Na verdade, o processo ganhou vida própria e importância, a partir do pedido de vista do Ministro Marco Aurélio. E seu voto foi de tal maneira extraordinário, que mesmo os que ao concordavam, se ressentiam só com a idéia de contestá-lo.

Mas pelo que órgãos de comunicação anunciavam e adivinhavam, o ponto final seria ontem com o voto final e inquestionável (?) de Sua Excelência Gilmar Mendes. Seria “o herói da sessão, ditaria as regras que o presidente da República teria que cumprir”.

Mas como Gilmar Mendes tem vida dupla, seu voto também teve e ele acabou soterrado pela avalanche de bobagens que alinhou em quase 4 horas de “parlatório”.

Foi uma sessão “tempestuosa”, que palavra. Soberbo, longo e praticando o exercício do troglotismo, Gilmar só parava para beber água, e olhar em volta, já gozando ou festejando o triunfo que não veio. Pois o grande e simples herói de ontem, foi o Ministro Eros Grau.

Quando começou a falar, com 3 ou 4 laudas na mão, contrariou imediatamente as 100 ou 200, lidas anteriormente pelo relator Cesar Peluso, e ontem mesmo pelo Ministro Gilmar Mendes. Arrasou de tal maneira com o relator e com o presidente, que começaram o exercício exorcista de INTERPRETAR O VOTO DE EROS GRAU. Até que este, cansado daquilo tudo, afirmou: “Parem de tentar interpretar o meu voto. Estou aqui e quem sabe COMO EU VOTEI SOU EU”.

E diante da insistência dos que pretendiam “ganhar” seu voto, exclamou: “Já que não se pode discutir nada aqui no Supremo dominado pela paixão”, liquidou: “Voto com o Ministro Marco Aurélio, Carmem Lúcia, Ayres Brito e Joaquim Barbosa, somos 5 contra 4”.

Aí, vendo que havia PERDIDO junto com o relator, (que tentava provar que Eros Grau votara exatamente como ele, no que foi refutado pelo próprio) Gilmar Mendes, AMUADO, não queria proclamar o resultado. Com verve, sarcasmo e gozação, Marco Aurélio fustigou Gilmar Mendes: “Presidente, podemos realizar um simpósio para definir o resultado do julgamento”.

O presidente disse algumas bobagens sussurradas e encerrou a sessão. Estava consumada a perda de tempo. Sessões e mais sessões para confirmar aquilo que o professor de Coimbra, o maior Constitucionalista de Portugal, Gomes Canotilho, já dissera: “No Brasil o Supremo se mete em tudo, na Europa isso causa espanto”. Ninguém discordou.

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PS- A grande vítima jornalística foi O Globo. Na pressa, não se incomodou com a contradição. E a manchete ficou assim: “STF aprova extraditar Battisti, mas deixa decisão para Lula”. Ha! Ha! Ha!

PS2- A Folha, também sem entender nada, fugiu da definição, deu apenas uma linha na Primeira, sem definição: “Lula tentará manter Battisti no país”. Guttemberg ficaria orgulhoso.

Serra pode não ser presidenciável agora. Pretende ficar na vida pública até os 80 anos. Em 2010 estará com 68, mais 4 de governador, seria candidato a presidente com 72, sairia com 80

Embora quase todos, nos mais diversos partidos, considerem José Serra candidato certíssimo à sucessão de 2010, isso pode não acontecer. A obsessão de Serra, que jamais trabalhou na vida, é continuar sem trabalhar. E isso só pode acontecer se ficar mais alguns anos ocupando cargos públicos.

O raciocínio (?) de Serra é o seguinte. 1- Se disputar a presidência em 2010 e perder (perderá), sua carreira acabou. 2- Estará então com 68 anos, fazer o quê? 3- Se em 2010 for reeleito governador (será), deixará o cargo com 72 anos.

4- Disputará então a presidência da República. 5- Digamos que se eleja, e como não existe a menor possibilidade de voltarmos ao mandato único, sem reeeleição, Serra ficará mais 4 anos. 6- Sairá então com os citados 80 anos, e ficará como o “patriarca” do Brasil, que era o objetivo de FHC. Foi traído pela ambição, pela arrogância e pela doação do patrimônio nacional.

FHC e Serra que se detestam “intimamente”, têm muitos traços em comum, principalmente esse de não trabalharem. FHC foi professor, atraído pelas “menininhas”, que não aprenderam nada, nem ele tinha o que ensinar. (Ainda “escreveu” um livro em parceria, nem vou falar sobre isso, o Millor já disse tudo que precisava ser dito).

Em 1964, com 22 anos, estava quase saindo da Faculdade, precisava trabalhar. Veio o golpe de 1964, fugiu para o Chile, veranear era melhor do que lutar. (FHC nem precisou fazer coisa alguma, a ditadura não se incomodou com ele. Como não tinha o que fazer, e muitos amigos estavam no Chile, ia para lá. Depois, em 1978, foi suplente do senador Montoro, começava a carreira “democrática”, sem voto, sem povo, sem urna. Mas isso já é outra história).

José Serra voltava para o Brasil 15 anos depois, no limite dos 40 anos. Protegido por empresários que não podendo chegar pessoalmente ao Planalto, apostavam em nomes, Serra viveu sem trabalhar até 1983. Montoro eleito governador de São Paulo, nomeou Serra secretário. Era o primeiro cargo público, que maravilha viver. Aí não parou mais, só que perdia seguidamente quando concorria a cargos que precisavam do voto popular.

Apressado, Serra deixou a secretaria, candidato ao importantíssimo lugar de prefeito da capital. Perdeu, ninguém o conhecia. Os amigos poderosos colocaram-no novamente numa secretaria. Insistente e péssimo analista, voltou a se candidatar a prefeito, o que esperava? Foi fragorosamente derrotado. Aí o governador já era Orestes Quércia, que não queria nada com Serra.

Ficou vagando, sentia que o fim chegaria antes do princípio, o que fazer? Depois de derrotado duas vezes, se elegeu deputado federal, financiado pela Febraban, e por muitos bancos. Reeleito, participou da Constituinte, que promulgaria a Constituição de 1988.  Sem maior destaque, e sem que se soubesse como vivia.

Aí, inesperadamente foi procurado por grandes empresários de SP, que pretendiam financiá-lo para disputar o Senado. Desde que o suplente fosse “o pai da Fiesp”, Klabin Segall.

Antes e depois, foi 5 vezes lembrado (e descartado) para Ministro da Fazenda de vários presidentes. Mas foi com o amigo (?) FHC que sua carreira ministerial deslanchou. Primeiro no Planejamento, depois na Saúde, com o suplente se divertindo com o mandato de senador.

Em 1994, surpreendentemente, FHC é candidato a presidente. Mas compreendendo que não ganharia de Lula, reduziu o mandato de 5 para 4 anos. Ganhou e se vingou, prolongando a permanência no Planalto de 4 para 8 anos.  Comprando a prorrogação ou reeeleição, com dinheiro amealhado pelo amigo Sérgio Motta. (Sócio de Golbery em negócios escusos).

Aí, com o patrocínio dos mais reacionários empresários de SP, (quase todos são) foi prefeito, candidato derrotado a presidente em 2002, governador em 2006, o mandato acaba em 2010.  O primeiro grito pela PRIVATIZAÇÃO DA VALE, foi dado por José Serra, por ordem desses empresários. Depois da Vale, foi todo o resto (com prioridade para os bancos) do patrimônio nacional.

Por tudo isso, por ser um homem que se dizia, “o arauto da transição entre o CAPITALISMO e o SOCIALISMO”, e que passou a ser um dos mais reacionários homens públicos, é o que eu disse ontem, “tenho medo de Serra presidente”. (Idem, idem para Dona Dilma e Ciro Gomes).

Com essa rápida passagem e ligeira documentação de sua vida, José Serra é a grande incógnita da sucessão de 2010. Há 10 dias dei uma nota sumária sobre o que Serra pensava (?) do próprio futuro. Agora vou mais fundo.

Serra não dá como definitiva a candidatura a presidente em 2010. Está atentamente monitorado na trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, incógnita maior ainda do que o governador.

Serra tem medo de Lula, e acha que o presidente ainda não deu o lance vencedor para 2010. Enquanto Lula não se decidir, Serra também não se decide. Esse é o panorama sucessório visto da ponte de 2010.

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PS- Lula leva vantagem sobre Serra em matéria de tempo para resolver. Se não conseguir uma das três opções com as quais está jogando, pode ficar no Planalto até á eleição, sem qualquer impedimento.

PS2- Para Serra as coisas são e serão diferentes. Em 31 de março (vá lá, mais dois ou três dias) de 2010, sua decisão será pública e definitiva, sem fazer qualquer pronunciamento. Se deixar o governo de SP, é candidato a presidente. Se continuar no cargo, disputará a reeleição. Falta pouco tempo.

O patinho feio no lago dos cisnes

Carlos Chagas

Reúnem-se  domingo a convenções municipais  do PT,  para o início da   escolha dos novos integrantes dos Diretórios Estaduais e, depois, do  Nacional. O mais forte candidato à presidência do partido é o ex-senador José Eduardo Dutra, de Sergipe, mas,  com todo o respeito,  ele  parece o patinho feio posto  no lago  dos cisnes.

Mais se acentuará na legenda a preocupação com o poder e sua preservação, em detrimento das  lutas  ideológicas do passado, pela  melhoria das condições de vida do trabalhador e da afirmação da soberania nacional.

De José Dirceu a José Genoíno e a João Paulo Cunha, só para citar alguns dos prováveis  novos dirigentes,  estão todos  mais ligados na obrigação de eleger  Dilma Rousseff do que na  apresentação de um roteiro de reformas capazes de exprimir um passo adiante no desenvolvimento social do país.  Curvam-se às determinações do primeiro-companheiro, do neoliberalismo econômico à  imposição da candidata, tudo  sem um mínimo  debate interno.  Comportam-se como amigos do rei, empenhados em prestar-lhe vassalagem em vez de conduzi-lo de volta  aos caminhos um dia  percorridos em favor das verdadeiras mudanças sociais, políticas e econômicas  do país.

É uma pena, mas o PT de hoje tornou-se  pálida versão do partido que se propunha construir um novo  Brasil.

Último esforço

Por  coincidência no mesmo fim de semana, enquanto acontece a  reunião do PT, em São Paulo, o PMDB estará promovendo amplo encontro,   em Curitiba. Não propriamente todo o PMDB, porque seus dirigentes nacionais vão boicotar, infensos à iniciativa do  governador Roberto Requião cujo objetivo é   sensibilizar as bases partidárias em favor do lançamento de uma candidatura própria à presidência da República. Um dos oradores será o ex-presidente Paes de Andrade, que prestará homenagem ao dr. Ulysses Guimarães e,  mesmo à revelia do governador, lançará o nome dele como candidato.

Fica óbvia a divisão entre a cúpula nacional do PMDB, já comprometida com a candidatura Dilma Rousseff, e as bases, pelo jeito empenhadas em não perder a condição de maior partido do país. O objetivo da reunião de Curitiba é levar à realização de  uma convenção nacional capaz de solucionar o impasse.

Ano da marcha-a-ré

Como ano que vem é de eleições, quer dizer, de bondades, 2009 passará à crônica como ano de maldades. Melhor para o governo e as elites praticá-las de uma vez, confiando em que a curta memória nacional esquecerá rápido o mal.

Só esta semana, decidiu-se que o plenário da Câmara não aprovará a decisão da Comissão de Constituição e Justiça, extinguindo o abominável fator previdenciário, aquele que fez escolher a cada ano o valor real das aposentadorias.  Da mesma forma, os deputados não votarão o projeto aprovado no Senado, dando a todos os aposentados o mesmo reajuste daqueles que recebem o salário mínimo. É a segunda consagração do nivelamento por baixo de todos os que pararam de trabalhar.

Ao mesmo tempo, aumenta-se o IPTU em até 60%, para ao ano que vem. Sem falar que a nova lei do Inquilinato está para ser sancionada pelo presidente Lula, acabando com o direito de ponto para pequenos e médios empresários e autorizando os proprietários a despejar em quinze dias os locatários, caso disponham de melhores contratos.

Será que o eleitorado se lembrará disso, daqui a um ano?

O filme do Serra

Andam as oposições em paroxismo por conta da pré-estréia do filme sobre a vida do Lula, onde  os seus erros são omitidos e as suas virtudes, exaltadas. Trata-se de mais um capítulo da campanha sucessória, sem dúvidas, mas censurá-lo seria um ato de truculência, além de uma burrice. A liberdade de expressão do pensamento e de imagem é constitucional.

Se quiserem mesmo neutralizar os efeitos de “O Filho do Brasil” melhor seria que os tucanos contratassem um cineasta e produzissem uma película sobre José Serra. Poderia ser “O Filho do Palmeiras”, ou coisa parecida.  E se não pensaram, anos atrás, em fazer um filme sobre Fernando Henrique Cardoso, certamente foi pela falta de um mocinho no  presumível roteiro.   Com todo o respeito, só haveria bandidos…

Palanque voador

Razão tinha mesmo mestre Gilberto Freire, para quem o Brasil era o país de possibilidades tão impossíveis que qualquer dia o Carnaval acabaria caindo na Sexta-Feira Santa.

Além do presidente Lula, estão confirmadas as presenças de Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva em Copenhague, no começo de dezembro, para a Conferência Mundial do Meio Ambiente. Com mais um jeitinho Aécio Neves e Ciro Gomes estarão presentes, quer dizer, o palanque eleitoral brasileiro sairá dos trópicos para o frio, transferindo-se para a Dinamarca.

Só Heloísa Helena não irá, por haver-se decidido a apoiar Marina Silva. O PSOL se aliará ao PV, com Heloísa disputando o Senado por Alagoas.

Negócios da China

Durante séculos era moda aventureiros, especuladores e banqueiros viajarem para a China, lá realizando negócios capazes de enriquecê-los em quinze minutos. Negócios da China, que corriam por conta do imperialismo explícito e exacerbado, às custas do  sacrificado povo chinês.

Pois as coisas mudaram e agora é a China que faz negócios especialíssimos no resto do mundo, tornando-se a segunda economia do planeta e em vias de virar a primeira.  Não dá para os neoliberais acusarem o comunismo, que prevalece pela  metade naquele país. O tiro poderia sair pela culatra e a moda pegar.

Assim, culpam a política monetária de Pequim, porque enquanto o dólar cai, o yuen permanece imóvel, facilitando as  exportações chinesas. Afinal, a mão de obra, lá, é baratíssima. Um operário recebe o equivalente a 25 dólares por mês. Um engenheiro, 40 dólares. O milagre é que esses ordenados bastam para todos morarem, comerem, vestirem-se e até pouparem. Pelo jeito, nossas elites intentam fazer  meio milagre: reduzir os vencimentos dos assalariados para que nossos produtos possam competir lá fora…

Extradição de Battisti, impunidade de Gilmar Mendes

Hoje, quando o presidente do Supremo abriu a sessão na qual seria o principal personagem, oito ministros já haviam votado. Quatro a FAVOR da extradição, quatro CONTRA.

Foram sessões atípicas, com a intimidação do próprio governo da Itália, cujo presidente chegou a escrever carta ao presidente Lula. (Coisa rara: meus parabéns a Lula, que esteve na Itália e se recusou a conversar sobre o assunto com o primeiro-ministro Berlusconi).

Nas semanas que antecederam o voto de Gilmar Mendes, já se sabia que na sua hora, três coisas aconteceriam. 1- Seu voto seria longo, cansativo e monótono. 2- O presidente, pelo vazio do seu voto, seria desanimador. 3- Gilmar Mendes ficaria a FAVOR da extradição.

As duas premissas iniciais, confirmadas. E depois de 3 horas e 24 minutos, Gilmar Mendes disse as palavras que não terão a menor importância: “VOTO A FAVOR DA EXTRADIÇÃO”. Mais do que presidente do STF, Gilmar é o campeão mundial do óbvio, ou melhor, do ÓBVIO ULULANTE, como pretendia Nelson Rodrigues.

M-a-m-o-g-r-a-f-i-a difícil de entender, admitir, acreditar

Médicos e cientistas não se sabe bem de onde, com que títulos e credenciais, derrubam de uma vez só, tudo aquilo no qual as mulheres eram ensinadas a ter como “para raio” ou defesa contra o imprevisto: O EXAME PRÉVIO DEPOIS DOS 40 ANOS.

Agora, “permitem” o exame depois dos 50 ou 60 anos e apenas uma vez. Também condenam o exame que as mulheres costumam fazer com as mãos, num exercício de detectar qualquer caroço ou suposto tumor.

E ainda agridem o bom senso e o que estava mais ou menos acertado: “O exame prévio, permite que o câncer seja curado, desde que no início”. Excetuado o câncer do pâncreas.

Num tempo naturalmente bem distante, não se falava nem em câncer. Minha avó repetia sempre, quase se conversava sobre o assunto: “Essa palavra não pode ser pronunciada”. Era o câncer.

Agora tenho procurado esclarecer a questão, com médicos respeitados. Eles mesmos estão surpreendidos. E mulheres de todas as classes, idades e relacionamento, estão assustadas e mais do que isso, perplexas: O QUE FAZER?

O MEDO da ditadura, a obsessão de combatê-la. O MEDO de ditadores civis (como Serra, Dilma e Ciro), como combatê-los depois de ELEITOS?

Lógico, falo de Serra, Dilma e Ciro. Têm formação e convicção draconiana, dominadora, não suportam diálogo, controvérsia, debate. Mandam, e quem não obedecer terá que sofrer as consequências. Por isso afirmei que, com os três, qualquer um deles no Planalto, a democracia brasileira estará em perigo.

Tenho medo desses democratas autoritários que colocam sempre a segunda palavra na frente da primeira. E não tenho o menor constrangimento de dizer que tenho medo. Quem diz, “não tenho medo de nada”, é um irresponsável ou um mentiroso.

O normal é ter medo, a grandeza está em resistir a ele, saber que está no limite da perseguição, que tudo pode acontecer, o Poder nefasto e torturador tem o “direito da força” e pode fazer o que quiser. Isso dá um medo terrível, irreprimível, irresistível.

Por causa do comportamento desses três que pretendem chegar e dominar o Planalto, tenho medo pelo passado deles e obviamente pelo futuro do país. A glória deles é o Poder, se conseguirem conquistá-lo, assustarão milhões. Todos me perguntam: “Nesse caso, em quem votar?”.

Nas inúmeras vezes que fui levado preso para o Codi-Doi, ia apavorado. Mas por dentro. Quem olhasse a minha fisionomia, mirasse meus olhos, poderia dizer ou perguntar: “Esse homem não tem medo?”. Eu só era preso de madrugada, assustador. Depois melhorei a constatação: “Eles só prendem os que resistem, de madrugada e de preferência com temporal”.

Quem prendia, por ordem dos militares, era a polícia civil. Mas nos carros, sempre me diziam: “Não gostamos de trazer prisioneiros ao CODI, entregamos e vamos embora”. Aqueles oficiais de no mínimo 1,80m  (chamados de “Catarinas”) me gozavam: “O senhor escreve contra nós mas está sempre aqui”. Mal sabiam eles, que eu escrevia menos de 1 por cento do que desejava, a censura devorava tudo.

Esse antro de terror ficava na Barão de Mesquita, foi IDÉIA de Orlando Geisel, (irmão de Ernesto) que queria tanto ser “presidente”, não conseguiu. Foi montado numa parte da antiga Polícia do Exército. Inicialmente se chamava CODI-DOI. Surpreendentemente mudou de nome, inverteram as palavras, passou a ser DOI-CODI. Ninguém conseguiu explicar.

Numa daquelas madrugadas de choros, gritos e lamentos, fui levado mais uma vez para lá. Eram duas da manhã, quando chegou o comandante dessa “Universidade do Terror”, seu nome era Fiúza de Castro. (O filho, o pai foi um homem digno, quase Ministro da Guerra, ainda se chamava assim).

De paletó esporte, sorumbático, que palavra, disse se referindo a mim: “Eu gosto tanto quando senhor escreve sobre esportes, por que tem que se meter na vida dos governos?”. Ele se julgava governo, e legítimo.

Voltou a fingir que dormitava, até que um capitão, nunca soube o seu nome, perguntou: “Coronel, por que esta unidade mudou de nome?”. E Fiúza de Castro, às gargalhadas, “trocamos de nome porque DOI primeiro”. Pouco depois, no Almanaque ele era o número 1 para general. Ninguém queria promovê-lo, o candidato forte era o número 2. Fizeram então o seguinte. Promoveram Fiúza de Castro, foi nomeado Comandante da polícia Militar, agregava. E promoveram o número 2. (Naquela época a Polícia Militar era comandada por um general da ativa).

Aquele antro vivia (?) cheio de jovens de 19, 20, 21 anos, todos de classe média. Eram presos, levados para lá, torturados imediatamente, tiravam “informações”, quando chegava o pistolão, eles soltavam. Uma noite, na minha casa, o general Cordeiro de Farias contava para José Aparecido, Oscar Pedroso Horta, (Ministro da Justiça de Jânio) o grande advogado Evaristinho, o que sofrera pra tirar o filho de um amigo desse CODI ou DOI.

Cordeiro, (que na FEB já era general, Castelo Branco ainda Tenente-Coronel) contava: “Quando fui governador de Pernambuco, (pelo voto direto) fiz grandes amigos civis. Um deles teve a filha de 20 anos levada para lá, me telefonou desesperado. Levei mais de um dia para localizá-la, já havia sido torturada”.

(Foi lá que assassinaram o bravo Rubem Paiva. Foi preso por causa de revelações irresponsáveis, todos os telefones eram gravados. Levado para a Aeronáutica, começaram a torturá-lo. Gostavam muito de amarrar o prisioneiro num jipe, e “passear” com ele por aqueles caminhos cheios de pedras, ninguém resiste. Já estava agonizante, foi levado para a Barão de Mesquita, onde morreu horas depois. Montaram então a farsa: “estavam levando o prisioneiro num jipe, pela Quinta da Boavista, quando foram atacados”. Inacreditável, nenhum órgão publicou coisa alguma. (Nós tentamos, a muralha da censura nos soterrou).

Foram vezes incontáveis, a mesma rotina do medo, meu e deles. Pois como eu era um nome nacional, eles se compraziam antecipadamente no prazer de me torturar, como aconteceu com tantos. E se eu não resistisse à tortura e morresse? Foi o que aconteceu com o jornalista Wladimir Herzog, assassinado em São Paulo, na sucursal do DOI, que lá se chamava OPERAÇÃO OBAN.

***

PS- Comecei a falar em MEDO da ditadura, mas lutar contra ela basta (basta?) ter disposição, coragem e determinação. O EXÍLIO é uma satisfação, como disse Darcy Ribeiro: “Nunca me diverti tanto como no exílio, visitei países que jamais conheceria, não gastei um tostão”.

PS2- Mas como respeitar e deixar de combater Dona Dilma, Serra ou Ciro, se chegarem ao Planalto? Aí, estarão LEGITIMADOS por essa representatividade falsa, mas que será necessário renovar, revolucionar ou renovolucionar. Sei que irei combatê-los, haja o que houver. Mas nesse HAJA O QUE HOUVER, como ultrapassar o tempo?

PS3- Ia contar outras OPORTUNIDADES de MEDO quase PÂNICO, são tantas, fica para outra vez. De preferência sem nenhum dos três no Poder.

Unidos contra o povo

Carlos Chagas

Existem momentos em que situação e oposição se unem. Quando? Quando é para ficar contra o povo. Brada aos céus assistir o presidente Lula e o governador José Serra de mãos dadas,  pressionando suas bases parlamentares para, na Câmara, rejeitarem projeto já aprovado no Senado, estendendo a todos os aposentados os níveis de reajuste daqueles que recebem o salário mínimo.

Quer dizer, se é para impedir gastos que beneficiariam milhões dos que pararam de trabalhar, estão juntos. A alegação é de que a Previdência Social iria à falência, levando o atual governo a despender seis bilhões ano que vem, e o futuro governo a enfrentar a multiplicação da despesa nos anos seguintes.

Importa menos aos dois que desde o governo Fernando Henrique vem sendo reduzido o valor das aposentadorias de quantos recebem  mais do que o salário mínimo, ainda que tenham descontado para isso.  Há sete anos, por exemplo, um cidadão aposentado  fazia jus a cinco salários mínimos. Hoje, recebe apenas dois. Continuando as coisas como vão, por força desse abominável fator previdenciário, logo todos estarão nivelados por baixo.

Outra solução para esses algozes da população seria chamarem o Herodes, convencendo-o a terminar  sua trajetória  mandando matar os velhinhos, depois de ter feito o mesmo com os bebês. Afinal, os aposentados apenas consomem.

Recursos, não faz muito, a administração Lula encontrou para liberar mais de cem bilhões de reais para os bancos falidos e as indústrias em dificuldades. Para fazer justiça aos aposentados, não encontra. Vale o mesmo para o período José Serra, se ele vencer a eleição. Mas será a mesma coisa se Dilma Rousseff chegar em primeiro lugar.

Convenhamos, trata-se de  canibalismo explícito. Uma evidência a mais de que, contra o povo, as elites se unem.

O pior é que ele tem razão

Em entrevista concedida em  agosto e  apenas agora divulgada pelo “El País”, de Madri, o ex-presidente Fernando Henrique sustenta haver muito pouca diferença entre o seu passado governo e o governo do presidente Lula. O pior é que ele tem razão, tanto nos fatos quanto nas intenções.

Circula nos corredores do Congresso que o Palácio do Planalto aproveitará a consolidação das leis sociais para impor mais uma maldade. Seria permitido às empresas parcelar em doze vezes o décimo terceiro salário e as férias remuneradas. Com o passar dos anos, esses dois benefícios desapareceriam, dada a queda permanente do poder aquisitivo dos salários.

Perde tempo quem acreditar que PT, PMDB e penduricalhos se oporiam à malandragem. Muito menos o PSDB e o DEM. Acontece com os partidos o mesmo verificado entre os governantes: unem-se contra o povo…

Mil formas de dar emprego

Getúlio Vargas encontrava-se no zênite do poder, depois da decretação do Estado Novo. Foi procurado por um antigo colega da Faculdade de Direito, naqueles dias em péssima situação financeira, atrás de um emprego. O ditador o recebeu com alegria e carinho, mas pediu-lhe para  voltar no dia seguinte, até para tomarem o café da manhã.  Na oportunidade, conversaram sobre os tempos de estudante e nada do emprego.  Espantou-se o comensal quando recebeu outro convite, para outro café da manhã. E assim aconteceu,  sem que Getúlio abordasse o pedido. No quarto dia,  o espantado colega tomou-se de coragem e cobrou o emprego. Recebeu a resposta  final: “Quando souberem que você tomou o café da manhã a semana inteira com o presidente da República, não faltarão convites…”

O resto eu faço

Outra de Getúlio Vargas: todas as manhãs, quando não chovia, ele  deixava o Palácio Guanabara, onde morava, indo a pé até o Palácio do Catete, onde trabalhava. Na confluência da rua Paissandu com a praia do Flamengo, encontrava sempre um grupo de empresários que conversavam antes de ir para o trabalho e o saudavam com grande respeito.  Acostumou-se com os cumprimentos e um dia perguntou a um deles se não desejava nada do governo. O esperto interlocutor respondeu que não. Nem empregos, nem empréstimos do Banco do Brasil. Contentar-se-ia se o presidente, toda vez que passasse pelo grupo, se dirigisse a ele pelo nome, dando bom dia. Getúlio não entendeu e o empresário completou: “O resto eu faço sozinho…”

Belluzzo falou demais, em Cuba, falou de menos

Já disse e repito: o economista Belluzzo, como economista obteve muito menos repercussão do que como presidente do Palmeiras. E nesta condição, foi grosseiro, violento, indesculpável, não podia dizer do árbitro 1 por cento do que disse. Embora o árbitro tenha errado mesmo.

Em 1987, seminário sobre
“dívida” externa, ficou calado

Nesse ano, realizou-se em Cuba o mais importante debate sobre a dependência dos países por causa da “dívida que não deviam”. Da América do Sul e Central, eram 4 mil (isso mesmo) convidados. Do Brasil incluíam o sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, já candidato a presidente, e mais 61 pessoas de diversos partidos. Belluzzo e este repórter, entre os 62 do Brasil. Só falaram: Luiz Carlos Prestes e este repórter. Belluzzo ninguém conhecia, ainda não era presidente do Palmeiras.

Denúncias e acusações, ao vivo, do diretor do BC, ao Ministro Mantega

No mesmo dia em que o Diretor de Política Monetária do Banco Central, Mário Torós, deu entrevista sensacional ao “Valor Econômico”, postei aqui: “Está querendo deixar o cargo, será atendido”. Era o óbvio, três dias depois já não era mais do BC. Nada surpreendente.

O surpreendente é que nada tenha acontecido. Foi ele que fez contato com o jornal econômico, é evidente, queria fazer as revelações. O que acontece nos bastidores dos governos, (de todos os países) é sempre muito mais atrativo e interessante, do que aquilo que aparece nas manchetes e nas Primeiras. Só que o que foi dito pelo diretor do BC, era importante demais.

Dizer que o “Ministro da Fazenda, no auge da crise, entregou ao mercado, informações estratégicas”, é fantástico. Impossível saber quanto valiam essas “informações estratégicas” em apenas um dia de jogatina. E as informações, entregues ao mercado de ações, tinham um preço. Ao mercado de câmbio, pode ser até 100 vezes maior.

Ermírio de Moraes não sai
das manchetes negativas

Num espaço de 13 dias, o proprietário da Votorantim foi citado três vezes, em todas, de forma desabonadora.

1- “Assinou um cheque de três milhões de dólares para  a campanha de Collor”. E disse ao então presidente Sarney: “Não posso ser candidato a presidente, estou apoiando o candidato Fernando Collor”.

2- O diretor do BC garantiu: “As informações é que o grupo Votorantim caminhava para a falência”. E o Ministro Mantega, (que liberou “informações estratégicas”) tentava salvá-lo.

3- Pouco tempo depois, o Banco do Brasil, subordinado ao Ministério da Fazenda e por ordens do próprio Ministro, “comprava 49 por cento das ações do Banco Votorantim”.

Era um banquinho, o BB pagou 17 BILHÕES, (Nossa Senhora) esqueceu que Ermírio de Moraes passou a vida criticando os bancos. (Tudo farsa e falsidade. Se fosse verdade, merecia elogios, principalmente nesta República de banqueiros).

No mesmo dia, este repórter criticou duramente a operação, nem preciso ressalvar: a Tribuna foi o ÚNICO jornal a condenar a operação.

Burla ao Precatório – Crise da Representatividade Política

Prezado Jornalista Hélio Fernandes:

A denominada “PEC do calote”, Projeto de Emenda à Constituição 351/09, foi aprovada, em primeiro turno, na Câmara dos Deputados em 04/11/09.

A proposta, originária do Senado Federal (PEC 12/06, relator Senador Renan Calheiros, PMDB/AL), cria o regime especial que possibilita os Estados, o Distrito Federal e os Municípios em mora na quitação do precatório (condenação judicial contra o Poder Público) pagá-lo em até 15 anos.

No dia 10/11/2009, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados destinada a proferir parecer à referida PEC, em reunião ordinária, aprovou, por unanimidade, a redação para o segundo turno de votação da matéria pelo plenário da Câmara dos Deputados, conforme proposta apresentada pelo relator Deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

A PEC em questão é mais um símbolo da crise de representatividade política no País, na medida em que os membros do Poder Legislativo, que deveriam representar a vontade dos eleitores, na verdade advogam interesses contrários, beneficiando o poder público devedor, distorcendo o adágio popular, que fica assim: “devo, não nego e não pago enquanto puder”.

Esta lamentável postura, que põe em xeque as instituições públicas, conta também com a participação dos Poderes Executivo (o inadimplente) e Judiciário, representado na hipótese pelo STF, que, mesmo sabendo do não cumprimento das decisões judiciais, firmou jurisprudência contrária à intervenção nos Estados e Municípios inadimplentes (artigos 34, VI e 35, IV, da Constituição Federal), além de autorizar o seqüestro de verba pública somente nos casos de não observância da ordem cronológica do pagamento. Como exigir o cumprimento da ordem cronológica do precatório se este não é pago?

Com efeito, o não pagamento de precatório constitui violação ao Estado Democrático de Direito, uma vez que a sentença passada em julgado é um direito individual, previsto no artigo 5º, XXXVI da Constituição.

Na República, os poderes constituídos (Legislativo, Executivo e Judiciário) têm suas competências definidas na Constituição, funcionando de forma independente e harmoniosa entre si (art. 2º da Constituição), a fim de assegurar a manutenção das instituições e da ordem social.

É perigoso para a democracia quando um Poder (o Executivo) retarda o cumprimento da decisão do Judiciário. Ou quando o Legislativo, casuisticamente, cria nova norma jurídica como forma de burlar o adimplemento da condenação judicial, depois de esgotados todos os recursos. Como, então, exigir do povo o cumprimento de qualquer dever?

Por outro lado, incentivar a compensação de créditos de precatórios para pagamento de débitos inscritos na Dívida Ativa favorecerá a ampliação de um mercado perverso de cessão de créditos, em que os titulares dos direitos sofrem deságio sobre os valores a serem recebidos, o que favorece apenas as instituições de crédito especializadas e capitalizadas. Aqui reside, talvez, o lado mais perverso e obscuro da aludida PEC.

Portanto, a mencionada PEC não só atenta contra o Estado Democrático de Direito (art. 1º), como também contra as cláusulas pétreas da separação dos poderes e dos direitos e garantias individuais, previstos no artigo 60, § 4o, III e IV, da Constituição Federal.

Atenciosamente.

Jorge Rubem Folena de Oliveira
Presidente da Comissão Permanente de Direito Constitucional do Instituto dos Advogados Brasileiros

Comentário de Helio Fernandes
Como sempre, Folena, você acertou no alvo. O precatório não pago, é por si só, um abuso, uma vergonha, e a constatação de que os Três Poderes, segundo a Constituição, “harmônicos e independentes entre si”, são cada vez mais, “desarmônicos” e “hostis”, vá lá, entre si. Não se entendem, não se respeitam, se hostilizam, estabelecendo até hierarquia, quando na verdade, não é isso que está na Constituição. E como tudo no Brasil, vem em linha reta da dependência, da fragilidade e da falta de credibilidade da representatividade.

No seu livro, “Presença na Política”, Gilberto Amado, (escritor, acadêmico, deputado e embaixador) fez observação preciosa: “Antes de 1930, a eleição era falsa, mas a representatividade verdadeira. Depois de 1930, a eleição passou a ser verdadeira, mas a representatividade é falsa”.

Infelizmente Gilberto Amado não viveu o suficiente para perceber que sua observação era perfeita para aquele momento. Mas não resistiria nem resistiu mesmo a duas ditaduras que destruíram a representatividade, acabaram com a eleição, não só no período do autoritarismo, mas depois, na chamada e mentirosa REDEMOCRATIZAÇÃO. Como um país pode ser democratizado se jamais teve DEMOCRACIA?

Na questão dos precatórios, um fato surpreendente: a União não deve nada, as dívidas se concentram nos estados e municípios. Por quê? São os estados e municípios que “elegem” os membros da Câmara e do Senado, então, votam sempre para favorecer a eles mesmos, de forma absurda, vergonhosa e criminosa.

Tenho pedido e gritado tantas vezes pela REFORMA POLÍTICA e logicamente ELEITORAL, que fico até com vergonha de insistir. Mas também insisto no resultado: não haverá REFORMA ALGUMA, os Três Poderes continuarão se desentendendo, cada vez mais inconstitucionais, DESARMÔNICOS e DEPENDENTES de uma representatividade sem povo, sem voto e sem urna.

Que independência pode ter o Legislativo, se o Executivo tem líderes nas duas “casas”, esses líderes RESOLVEM tudo? E como a Constituição pode ser respeitada, se o único órgão capaz de interpretá-la, o Supremo, se mete em tudo, até mesmo no que não devia?

(Eu já fiz essa observação há tempos. Mas agora ela é reforçada pelo constitucionalista Gomes Canotilho, professor de Coimbra, o maior constitucionalista de Portugal. Uma vez conversei longamente com ele, no escritório do doutor Marcio André Mendes da Costa, que fez doutorado em Coimbra. Para minha tranquilidade e satisfação, me disse: “O senhor me deu uma visão única e que eu não conhecia, da História do Brasil”.)

O elogio podia até ser irreal e passageiro, a descrença na representatividade, verdadeira e permanente. Mas como dar autenticidade a essa representatividade se as cúpulas são sempre as mesmas, e os resultados, desastrosos? Como acreditar em alguma coisa, se o senhor Michel Temer ACUMULA a presidência do PMDB com a presidência da Câmara?

E mesmo sem ter sido eleito em 2006, já sabe que presidirá a Câmara em 2011? Dona Thatcher eleita para quatro mandatos, foi derrubada (pelo próprio partido) no inicio do quarto mandato. Tony Blair, tido e havido como a maior revelação do Partido Trabalhista da Grã-Bretanha, cumpriu o primeiro mandato, saiu no segundo quando mandou tropas para o Iraque, ajudando o execrado e reacionário Bush filho.

O assunto é de enorme gravidade, e foi a própria “base” que identificou-a como “PEC do calote”. Além disso expõe a falsidade, a falta de credibilidade e irrealidade da situação brasileira, nos mais diversos setores. Mas o que esperavam os senhores parlamentares de uma PEC cujo relator é o senhor Eduardo Cunha, um dos maiores lobistas do Brasil?

(Acusado nominalmente pelos senadores Artur Virgilio e José Agripino, quando votaram a CPMF). Não me orgulho, mas uma juíza brava e brilhante acabou de me inocentar num processo movido por esse lobista. Litigante de má fé, sem nenhuma fé nas instituições.

***

PS- E nem adianta pedir uma CPI para tudo que Jorge Folena arrolou, pois já houve a CPI dos precatórios. Presidida por Bernardo Cabral e com Roberto Requião como relator. Fizeram um trabalho tão completo, que o então secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, aplicou elevadas multas nos acusados.

“Quem dará habeas-corpus ao Supremo?”

Carlos Chagas

Prever a sentença de juízes é sempre arriscado, para não dizer perigoso.  Quanto mais de ministros do Supremo Tribunal Federal. Mesmo assim, vamos em frente: o presidente da mais alta corte nacional de justiça, Gilmar Mendes, deverá desempatar, amanhã, a questão Cesare Batisti, hoje com quatro votos pela sua expulsão e quatro pela sua permanência no Brasil, como asilado político.

Com todo o respeito, a previsão é de o meritíssimo decida pelo envio do réu para seu país de origem, a Itália, onde  foi por três vezes condenado à prisão perpétua, como assassino.

Podemos estar próximos de uma nova crise entre os poderes,  porque a tendência no Executivo é de concessão de asilo político ao indigitado ex-terrorista. Foi o que deixou claro o ministro da Justiça, Tarso Genro,  em sua intervenção  inicial.  A Constituição determina que a palavra final caiba ao presidente da República,  mesmo depois do pronunciamento do Judiciário. Gilmar Mendes já  deu sinais de inconformismo, lembrando que sentenças judiciais são para ser cumpridas, não contestadas. Dias atrás ganhou a queda de braço com o Legislativo, mesmo depois de a mesa do Senado haver protelado por uma semana a ordem para afastar o senador Expedito Júnior. Agora, o confronto seria mais agudo, em se tratando de hipotéticas divergências entre os chefes do Executivo e do Judiciário. A dúvida acabaria no próprio Supremo, ao qual cabe dirimir impasses constitucionais.

Nunca será demais lembrar que  Floriano Peixoto, no exercício da presidência da República, mandou prender cinco deputados,  contrariando a Constituição de 1891. Quando Rui Barbosa impetrou habeas-corpus para eles, junto ao STF, perguntaram ao marechal-de-ferro o que aconteceria caso a medida fosse concedida. Resposta: “e quem dará habeas-corpus ao Supremo?” O episódio encerrou-se com a não concessão do  recurso pela maioria dos ministros e com a partida de Rui Barbosa para o exílio, na Inglaterra…

Calma, Dona Dilma

Em Copenhague, onde se encontra chefiando a delegação brasileira às preliminares da Conferência Mundial  do Clima,  Dilma Rousseff  voltou a avançar o sinal. Declarou que o Brasil vai influenciar o voto de países ainda hesitantes a assumir compromissos maiores para a redução da emissão de gás carbônico por suas indústrias. Referiu-se de forma explícita aos Estados Unidos e à China, as duas maiores economias do planeta e até agora infensos a sacrificar seu desenvolvimento em favos do meio ambiente.

Não deixa de ser uma pretensão exagerada, daquelas que se deve tratar em sigilo para obter algum sucesso. Tornando pública a intenção, a candidata só fez acirrar os ânimos em Washington e Pekim. Como ficariam as duas potências caso voltassem atrás em sua determinação de não aceitar o acordo que sucederá o protocolo de Kioto, que também não assinaram? Engoliriam a versão de haver recuado por pressão de um país do Terceiro Mundo?

Geração e transmissão em  xeque

Insiste o presidente Lula em que seu governo superou os problemas de geração  e transmissão de energia por conta de investimentos feitos nos últimos sete anos. Assim, para ele, o apagão da semana passada teve pouco a ver com aquele verificado em 2001, no governo Fernando Henrique.

Mesmo esperando até agora um diagnóstico sobre as causas de metade do país ter ficado horas sem energia, o chefe do governo dá mostras de pretender levar a sucessão do ano que vem para um plebiscito entre a administração dele e do sociólogo. Para quem ficou  no escuro,  tanto faz. Os prejuízos foram igualmente abomináveis para todo mundo. E quanto à afirmação de que não haverá racionamento, hoje,  como houve ontem, é bom tomar cuidado. Mais geração e mais transmissão não  fariam  mal  a ninguém.

A sombra do continuísmo

Uma sombra continua a rondar as instituições. Em  pesquisa recente feita em Minas,  a Vox Populi incluiu pergunta espontânea a respeito de quem seria votado para presidente, sem indicar nenhum candidato aos consultados.  Deu Lula, com  13%, seguido de Aécio Neves, com 12%.  Caso Dilma Rousseff  permaneça atrás, não faltarão companheiros para ressuscitar a tese do terceiro mandato ou da prorrogação de todos, por dois anos, a pretexto da coincidência das eleições nacionais e estaduais com as eleições  municipais. “Se nós quiséssemos…” – como disse o presidente Lula ao vice-presidente José Alencar, a temperatura ficaria agitada.

Flumifred surpreendente

Para os que cobraram o fato deste repórter ter dito que o time já estava rebaixado, tudo a ver. Alguns falaram até na 18º rodada, quando falei no rebaixamento. Não quero fugir da cobrança, acho que todos têm o direito e a obrigação.

Mas, por favor, o Fluminense (brigando entre o patrocinador e o presidente que ainda pode sofrer o impeachment) precisava ganhar todos os jogos e não é que ganhou mesmo? Desculpem, até o papa já pediu desculpas. Agora torço para que o Fluminense ganhe os três jogos que faltam. E na verdade, agora só precisa vender dois.

Referendo para a volta do Estado da Guanabara

O brilhante José Carlos Werneck, fez a proposta dessa consulta popular e democrática. O “presidente” Geisel acabou com a Guanabara, porque era sempre oposicionista, mesmo quando foi capital. Isso ele não suportava.

Dividir estados
em vez de juntar

Os EUA, têm 50 estados e um Distrito Federal, (Washington DC, sem eleição), nós temos 26 e um Distrito Federal. (Com eleição).

Os EUA têm 9 milhões e 100 mil quilômetros quadrados, nós quase a mesma coisa, 8 milhões e 500 mil. Então por que praticamente a metade dos estados? Dividiram o Mato Grosso, criaram Tocantins, só vantagens, nenhum ponto negativo. Deixem o povo decidir, pelo menos uma vez.

Dona Dilma falar sobre o apagão? De maneira alguma, é melhor o Lobão

A oposição (?) obteve uma vitória apenas no susto. E não significa nada. Bastou falar em convocar Dona Dilma para falar sobre a escuridão da semana passada, e logo intimaram o ministro de Minas e Energia.

“Ele é um dos nossos”

Lobão vai amanhã mesmo à Comissão de Assuntos Econômicos. Mas quem foi que disse, “o caso do apagão está encerrado, não se fala mais nisso?”. Foi o próprio Ministro? Foi, mas o que fazer? E precisa blindar Dona Dilma.

Lobão: quase demitido

Como tem que deixar o cargo no final de março, Lula, que ia demitir o Ministro, fez as contas, tem que aturá-lo apenas 4 meses e 10 dias, deixou que ficasse. A propósito: governador não pode ser. Dona Roseana, derrotada, quer ser reeeleita. Não respeitam nem a linguagem. Tem que ir buscar um novo mandato, lógico, com Edinho 30 como suplente. Que República.

Serra, Dilma e Ciro Gomes: perigo para a democracia

Os três têm em comum a capacidade de assustarem, e de não terem convicções. O atual governador de São Paulo perdeu duas eleições seguidas para prefeito de São Paulo. Aprendeu. Foi candidato ao Senado, lógico, eleito, tendo como suplente e financiador, o então “pai da Fiesp”.

Serra “pilantrópico”
e não filantrópico

Quem estabeleceu essa diferença foi o senador Ornelas. Serra senador, mas não estava lá, fazia incursões por vários ministérios. Em 2002 candidato a presidente, queriam retirar sua candidatura, reagiu: “Estou com 60 anos, minha vez é agora”. Está com 67, vai disputar com 68. E já admite ficar mais 4 anos como governador, concorrer a presidente com 72 anos.

Ciro liderava em 2002

Parecia um vencedor. Aparecia na frente nas pesquisas, inesperadamente começou a fazer tanta bobagem, que desapareceu. Teve um momento de “intuição genial”, voltou ao jogo com a simples mudança de domicílio.

Dona Dilma,
“olha aqui, minha filha”

Não será eleita, da mesma forma que Serra. Se sair mesmo candidata, será sua primeira eleição. Não há dúvida que é dura, sem respeito pela verdade, autoritária. Mas não tem energia.

Esportivas, observadas e comentadas

Cada vez mais perto:
Flandrade, Fladriano, Flakovic

Não interessa se alguns mais exigentes, dizem que o time está ganhando sem jogar bem. O importante é estar ali, “colado”. E quem está jogando bem nesse Brasileirão?

Divertida a encenação do árbitro no gol que o Náutico não marcou. O auxiliar assinalou o impedimento, o árbitro foi consultá-lo, depois fez conferência com o “quarto árbitro”, ouviu até o auxiliar do outro lado, distante. Esse árbitro está anos atrasado. Antigamente teria sido realmente gol, a bola que vinha do adversário estaria “limpa”. Mudou, os dois jogadores do Náutico, impossibilitados de chutarem.

As meninas do vôlei,
perdem para a Itália

Algum dia tinham que serem derrotadas. Depois de 43 jogos sem derrota, o que fazer? Não há dúvida, fizeram partida ruim, mesmo assim foram vices. Deram satisfação às meninas da Itália, era visível a alegria de ganhar da maior seleção do mundo, a brasileira. Ave, César, os que vão perder te saúdam. Uma vez.

Flu, vencedor e alegre,
desmente matemático Tristão

São 10 jogos sem derrota. E em cada jogo Fred marcou 1 gol, o que significa: o Flufred já entra em campo vencendo por 1 a 0. Gol invisível mas que se materializa. E que assombro essa torcida. Ontem, 52 mil pagaram entrada.

O Botafogo continua
fugindo dele mesmo

Quando vai jogar para sair definitivamente da série B, o time despenca, sofre, não sabe ganhar. Não está rebaixado. Mas agora a situação ficou escalafobética. Sport, Náutico e Santo André, já na série B. Flu, Bota e Atlético, (Paraná), desses três, dois escaparão.

Luxemburgo, senador sem
povo e quase eliminado

Dizem que vai para o Internacional, que será candidato a senador, que seu prestígio, intocado. Mas “raspou” no rebaixamento, está com 45 pontos, o limite. Sorte tem o clube que for enfrentar esse Santos.

Master Mil de Paris: um vencedor
milagroso, um coadjuvante perigoso

Dos quatro que ganham tudo, sobrou apenas Djokovic, tinha que ser o vencedor, ainda não chegou a hora dos outros. Dos quatro, dois não foram derrotados por ele. Sua vitória sobre o bravo Nadal, já anunciada nos três jogos do espanhol. Ganhou penando, sofrendo, sem saber como ganhava. Irreconhecível.

Contra o sérvio, duplo 6/2, não podia fazer mais do que isso. No quinto, sexto, sétimo e oitavo games, Nadal perdeu 4 sem acertar uma bola sequer. 4 games a zero.

Antes, haviam jogado 19 vezes, 14 vitórias de Nadal, antes da contusão. Ele mesmo disse: “Depois da minha volta, a melhor atuação foi contra Tsonga”. Um duplo 7/5, sem muita vibração.

Monfils, admirável. Ganhou o segundo set, perdeu o terceiro no tiebreak, na última bola de um jogo para ele inesquecível.

São Paulo, único
que depende de si mesmo

Com 62 pontos, se ganhar os três jogos que faltam vai a 71, ninguém pode alcançá-lo. O Flamengo pode ir a 69, o Palmeiras a 68, o Internacional 65. Imaginem um mata-mata com esses quatro. Sou contra os “pontos corridos”, mesmo sabendo que a Globo defende a mesma coisa.

120 anos de República, mais vices que assumiram do que presidentes “eleitos”. Nenhum presidente estadista, embora dois estadistas não presidentes

Começando com o lugar comum: “Parece que foi ontem”. Na verdade, os 120 anos contados a partir daquela trágica madrugada, mas tudo teve inicio em 1860 quando foi lançado o jornal diário, “A República”. Em Itu, não a do ditador Getulio Vargas , mas do interior de São Paulo, que tinha então mais ou menos mil habitantes.

Exatamente a população do Serro, do grande Teófilo Ottoni, (“o senador do povo”) cujo jornal, “A Sentinela do Serro”, ganhara projeção nacional, precisamente pelo fato dele ser um dos “Propagandistas da República”, que com os Abolicionistas, movimentavam o país. Que geração aquela, que teve a impressão fugaz de que chegara ao Poder em 1889. Foram marginalizados e preteridos na mesma madrugada.

A República surgiu sem povo, na escuridão de uma madrugada cheia de contradição, com dois marechais obcecados pelo Poder, que ultrapassaram todos os civis. Aristides Lobo, já Ministro da Justiça, (não podem prescindir dos civis) deu entrevista ao “Jornal do Comércio”, então o maior jornal do país. Perguntado como o povo recebera a República, respondeu, foi a manchete do jornal do dia 18: “O povo não participou de nada. Soube de tudo, BESTIALIZADO”. Deliberadamente, o grande jornalista usou essa palavra, em vez de BESTIFICADO.

A Constituinte levou 100 dias, foi rápido. Marcaram a eleição para o dia 25 de fevereiro. Articularam a candidatura de Prudente de Moraes, presidente do Senado. Lúcido, esclarecido, bem-informado, recusou sempre, até com veemência: “A República não resiste à minha candidatura”. E não aceitou mesmo.

Deodoro foi candidato único. Votaram 242 parlamentares, Deodoro teve 152 votos, Prudente que não era candidato, recebeu 90. É lógico que se fosse candidato, venceria, mas ele sabia: não tomaria posse. O presidente “eleito” foi introduzido no plenário, algumas palmas, marcaram a eleição do Vice presidente para 1 hora depois.

Candidato único: Almirante Wandenkolk, Ministro da Marinha do próprio Deodoro. Muitos parlamentares, decepcionados, foram embora. Votaram 181. O candidato único teve apenas 29 votos, o vencedor com 152 votos, foi o marechal Floriano Peixoto, “que não era candidato”. Levado ao plenário, foi consagrado, e mais importante: mantido como Ministro da Guerra, apesar do presidente Deodoro já ter se retirado.

O desacerto era visível, a República sossobrava, foi salva porque tiveram a intuição do perigo, e colocaram na Constituição, a sua manutenção como cláusula pétrea. Mas de que adiantava, essa República deprimida, desajustada, desviada dos seus verdadeiros objetivos?

8 meses e 8 dias, ninguém governou. Deodoro era o presidente, mandava pouco, Floriano era o vice, tinha carisma, prepotência e força. No dia 3 de novembro de 1891, desesperado, desinformado e induzido por maus conselheiros, Deodoro resolveu jogar tudo para o alto. Fechou o Congresso, o Supremo, prendeu Ministros, militares, juízes, acreditava que assim, governaria. Só que não pôde atingir, nem levemente, o homem que era a causa do seu desconforto, e da impossibilidade de governar: Floriano.

O vice-presidente-Ministro-da-Guerra, não fez um movimento, não apareceu em lugar algum, não sofreu baixa no seu Poder, se divertia com isso. Deodoro surpreendentemente teve seu Poder diminuído.

E no dia 22 de novembro, recebeu um emissário do Vice, simples e sumário: “Amanhã, o vice assumirá a presidência”. Então, engendraram, que palavra, a farsa da RENÚNCIA. Por que o mesmo homem que dera o golpe no dia 3 iria RENUNCIAR no dia 23? Desesperado, no dia 3 tentou assumir o Poder de fato. Não conseguiu, aceitou a DEMISSÃO, 20 dias depois. Essa foi a República quase dois anos depois de IMPLANTADA e não PROMULGADA, como ensinam aos meninos de todas as gerações. E continuarão a ensinar, perdão, a enganar.

Essa é a República que completa 120 anos. Quase ignorada, desprestigiada, desorientada, muitas vezes interrompida mas com o sonho do Poder ininterrupto. Com duas ditaduras cruéis e violentas, e quase com o mesmo número de presidentes eleitos (?) e de vices que assumiram.

***

PS- Nesses 120 anos, nenhum presidente estadista. Apesar de estadistas que não foram presidente, como Rui Barbosa e Osvaldo Aranha.

PS2- O que na verdade não é o pior dos nossos males. Os EUA, completando 220 anos de República, têm apenas 4 presidentes estadistas. Nenhum golpe a não ser de bastidores, mas contraíram o hábito do assassinato. Mataram vários presidentes, e depois passaram a se antecipar, assassinaram até cidadãos que poderiam chegar à presidência.

Honestidade intransigente: “nós não sabemos!”

Carlos Chagas

Continua válida a   informação passada ao presidente Lula, à ministra Dilma Rousseff  e ao ministro Edison Lobão,  desde quarta-feira, pela área técnica do ministério de Minas e Energia, pela  Eletrobrás,  Itaipu, Furnas e sucedâneos: “nós não sabemos”.

Pelo menos, foram e permanecem honestos, até ontem, os encarregados de apurar as causas do apagão da noite de terça-feira.   Está  em aberto a razão do acidente, apesar do esforço feito desde o primeiro dia para detectar  porque metade do país ficou às escuras durante muitas horas. A primeira tentativa foi  restabelecer a distribuição de energia, que acabou dando certo. Logo depois, abriu-se a investigação, envolvendo tecnocratas de alta  responsabilidade,  auxiliares, pequenos funcionários e  peões.

Até agora, nada. Poderiam, Dilma e Lobão, ter evitado a infelicidade do “caso encerrado”, porque enquanto não se souber porque,  fica tudo em aberto. Não deveria, a candidata, ter acrescentado que “racionamento, nunca mais”. Garantia de novos desligamentos de energia não há, enquanto não se conhecer o motivo da interrupção. Fenômenos climáticos, raios, insuficiência de produção, bobeada de algum plantonista, sabotagem, fadiga nas linhas de transmissão, carência de investimentos no setor,  desígnios dos deuses – tudo pode ter acontecido.

O que não dá para aceitar é a euforia e a presunção dos donos do poder, minimizando o apagão. Ou daqui a pouco vão fazer crer que ele não aconteceu, que tudo não passou de histeria coletiva?

120 anos atrás

Transcorreram ontem 120 anos da Proclamação da República, quando  o Exército deixou os quartéis, no Rio,  para exigir a substituição do primeiro-ministro Ouro Preto    e,  em menos de uma hora,  acabou extinguindo a Monarquia.

Caberiam numa kombi, se já  existissem kombis,  os republicanos empenhados em mudar o regime antes que D. Pedro II morresse.  Senão aloprados, eram sonhadores, mesmo sabendo da popularidade do monarca e da completa falta de entusiasmo da sociedade  e das lideranças políticas para implantar a República. Havia boatos a respeito de o primeiro-ministro pretender recriar a Guarda Nacional e extinguir o Exército, que desde a Guerra do Paraguai incomodava os donos do poder como novo ator no palco  nacional. Avisado, em Petrópolis, de que alguns corpos de tropa se tinham rebelado, pretendendo derrubar o Gabinete, o Imperador chegou a concordar, cogitando convidar Silveira Martins para chefiar um novo governo. Só que velho líder gaúcho não pode ser encontrado, estava viajando de navio, de Porto Alegre ao Rio. E era  desafeto, por conta de uma saia, do marechal Deodoro da Fonseca, líder militar posto na reserva por divergências com o governo civil. De madrugada, majores e capitães dos regimentos rebelados foram buscá-lo em casa, acometido de  febre e  dispnéia, porque precisavam de um comandante conhecido pela tropa. Para encurtar a história, ele entrou a cavalo no ministério, apenas para depor Ouro Preto. Saudou os soldados gritando “Viva o Imperador!”, quando todos gritavam  “Viva Deodoro!”.  No segundo andar, foi humilhado pelo arrogante visconde. Queixou-se dos  sacrifícios feitos pelo Exército nos pântanos do Paraguai e ouviu do primeiro-ministro  que “maior sacrifício ele estava fazendo ao ouvir as baboseiras de Vossa Excelência”.  Mandou prender todo mundo quando Benjamin Constant, recém-chegado, lembrou  a oportunidade  para se proclamar a República, “que seria governada por um ditador, no caso, o próprio marechal”. Seus  olhos arregalaram,  a febre passou  e,  ao descer, montando de novo o cavalo baio, Deodoro gritou “Viva a República!”. Povo não havia, porque o sol acabava de nascer.

De novo em cena

Chegou dos Estados Unidos o ex-ministro Mangabeira Unger, que semanas atrás estava por aqui, reunindo-se com líderes regionais do PMDB e insistindo na necessidade de o partido lançar candidato próprio à sucessão presidencial. Vai participar da reunião do próximo domingo em Curitiba, promovida pelo governador Roberto Requião, visando sensibilizar lideranças e bases peemedebistas para a hipótese.

Sem pretender criticar o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff,  Mangabeira dispõe de um programa para o futuro, que levará à reunião.

O empobrecimento da Petrobras, e o enriquecimento de alguns, que desde a época de Geisel, (e até antes) ganhavam faustosamente. E esses chegaram até Dona Dilma e Don Mantega

Quando abriram o testamento-herança do “presidente” Geisel, espanto assombroso: ele deixava, comprovado, 20 milhões de dólares. Amigos, parceiros, familiares e apaniguados, inteiramente surpreendidos. De onde viria essa importância? E como “presidente” tão austero acumulara esse dinheiro?

Na época procurei investigar, e como nenhum órgão de comunicação publicou qualquer coisa, fiquei sozinho.  Primeira constatação: naquela época, digamos a partir de 1974, quando o general foi agraciado, que palavra, com a “presidência” da República, o Brasil COMPRAVA anualmente, 20 BILHÕES de DÓLARES de petróleo.

Decodificando os números, chegamos ao seguinte: 10 por cento de 20 BILHÕES, dá 2 BILHÕES. 1 por cento de 20 BILHÕES, não passa de 200 MILHÕES. 0,1 por cento desses 200 MILHÕES, e chegamos aos 20 MILHÕES da herança-testamento. Irrisório.

Não vamos desenterrar, ressuscitar ou crucificar o general (sem aspas) e o “presidente” (com aspas e paetês), por causa dessa “bobagem”. Informantes do repórter: “Helio, a comissão do mercado, geralmente é de 3 por cento. Portanto, o “Presidente”, em vez de 20 milhões deveria ter deixado 600 MILHÕES. É um benemérito.

Era a fase pobre da Petrobras, ninguém imaginava que a empresa chegasse ao poderio que chegou. Vivíamos ainda na fase do americano Mister Link, que passara muito tempo no Brasil, por conta de Juracy Magalhães. (Não esqueçam, presidente da Vale do Rio Doce e depois, da Petrobras. Esse Mister Link gravou a frase mais arruinada do mundo: “Não há petróleo no Brasil”).

“Presidente”, Geisel nomeou logo para a Petrobras, quem? Shigeaki Ueki. Esse não teve a generosidade do próprio Geisel, em vez dos 3 por cento do mercado, deve ter cobrado mais. Quando Geisel precisou favorecer alguém com a presidência da Petrobras, (vá lá, por acordo político), deu a Shigeaki Ueki, o ministério de Minas e Energia. Como hierarquicamente, a Petrobras é subordinada a esse ministério, digamos que a comissão era dividida, sem hostilidades.

Aí, os filhos de Shigeaki Ueki já haviam crescido, e “gerenciavam” os poços de petróleo do Texas. Conservadores, ganhavam (o verbo é esse ou pode ser mudado para roubaram?) com o petróleo, investiam no petróleo.

Hoje, no Texas, a família Ueki é petroliferamente, mais poderosa do que a família Bush.

Aí o Brasil foi descobrindo petróleo nos mais diversos lugares, lógico, o dinheiro gasto com a compra do produto diminuindo. A partir dos anos 90, já se falava na AUTOSUFICIÊNCIA em matéria de produção de petróleo. Mas ainda deu para enriquecer muito Joel Renó, muito Galvão, muito Sérgio Machado, já na Era Lula. São mais de 300 faturando.

Perseguido, preterido, discriminado, defendia intransigentemente a Petrobras, eles explodiam de gargalhadas. Veio o governo FHC, a 9478, que só eu combati, depois veio o governador Requião, na sua fase progressista, que durou pouco. Mas durou. O Procurador Geral do Estado do Paraná entrou com uma Adin, o presidente do Supremo era Nelson Jobin, como o povo brasileiro podia ganhar alguma coisa? Perdemos de 7 a 4.

Aí, muita gente continuou ganhando dinheiro (por fora, caixa 2, caixa 3), era tanto, e o desperdício da Petrobras, caso de policia. O “proprietário” da Comunicação e seus 142 ASSESSORES, que prodígio. Mas não deixaram de ganhar comissão, mudaram de setor. Como a Petrobras COMPRA, necessariamente por ano mais ou menos 200 BILHÕES de material, vejam quantos são enriquecidos à custa do povo?

E chegamos á fase pré-sal, ainda faltam uns 10 anos, mas todos querem enriquecer antes, consideram que no próprio nome está o PRÉ. Surgiram também os que não participavam das grandes jogadas, se satisfaziam com o recebimento mensal (nada a ver com o mensalão), os CONSELHEIROS e os 6 MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO. Não eram tacadas homéricas mas dava para viver faustosamente.

Tratarei disso amanhã, segunda-feira, nem a CPI tratou disso. Aliás a CPI foi morrendo, nem os chamados oposicionistas tinham noção dos números. Não estavam preparados para o GIGANTISMO DA CORRUPÇÃO.

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PS- Por causa da Petrobras, Geisel teve que brigar com o general Euler Bentes Monteiro. Este chegou a general com 48 anos, inédito. Como só podia ficar 12 anos como general (ou 4 como 4 estrelas), foi pra casa com 60 anos, mocíssimo. Geisel prometeu nomeá-lo presidente da empresa.

PS2- Acontece que para essa nomeação, pelo menos naquela época, era imprescindível o aval de grupos nacionais e multinacionais. Como não conheciam o general, ele não foi nomeado. Em 1979, se lançou candidato a “presidente”, contra Figueiredo. Pura vingança, não tinha chance. Mas juntou uma equipe boa. Que queria me levar. Eu disse um NÃO retumbante, perguntei: “Que confiança ele merece?”.