“Os odores do Haiti”

Quem publicou artigo com esse título foi José Sarney. Depois da Polícia Federal revelar que o grupo do senador “levava propina”, acreditei que seu artigo viesse com o título: “Os odores do Maranhão”. Os do Haiti têm o tom da tragédia, os do Maranhão, da farsa.

Zelaya-Celso Amorim

Foi assinado acordo entre Honduras e República Dominicana. Motivo: no dia 27, depois de amanhã, ele deixa a embaixada do Brasil, onde está “veraneando há quase 3 meses”. O acordo não saiu antes, porque o chanceler do Brasil queria que Zelaya ficasse na embaixada.

Esse Celso Amorim é o mesmo que presidiu a Embrafilme, nos anos 80. Nada parecido antes.

Os temporais atingem Serra?

As manchetes de todos os jornais (e da Internet) mostram que todo dia morre gente em São Paulo, por causa dos temporais. (Nada parecido com o Haiti). Muitos querem saber: isso atinge eleitoralmente a candidatura Serra? É possivel, é possivel, ele mesmo assustado.

Troca igualmente desvantajosa

Antonio Palocci, poderoso Ministro da Fazenda que foi demitido sem qualquer protesto, acaba de comunicar a amigos, que não disputará o governo de SP, coordenará a campanha de Dona Dilma.

Quer dizer, deixará de concorrer a um cargo sem a menor possibilidade de vencer. Em troca da volta a Ministro da Fazenda do governo de Dona Dilma, governo que não existirá.

Almir Barbassa, “financista” da Petrobras

Foi multado três vezes  pela CVM. Tem que pagar (pelo conjunto da obra) mais de 500 mil. Só que continua invicto. Quem pagou tudo foi a própria empresa. Ué, não é ele que cuida das finanças da empresa?

Empreiteiras associadas

Uma empreiteira, isolada e desacompanhada, já é um risco. Imaginem agora, que estão se juntando. Quem terá cacife para pagar as comissões? Bom mesmo é São Paulo, que chama as rodovias de MARGINAL. Homenagem a elas, que vem desde Ademar de Barros, consagradas por Paulo Maluf.

Obama-Wall Street

“Estou preparado para enfrentar a guerra contra os derivativos”. (Leia-se, jogatina). Depois do lobismo, essa é uma guerra que nenhum presidente venceu. Sem falar do Afeganistão, o novo Vietnã, e o repetido iraque.

Continuo apostando em mudanças nos 8 anos de Obama. Embora os EUA estejam na sua pior crise desde a “Guerra Fria”. 14 milhões de desempregados e uma população apavorada e restringindo suas compras, não é brincadeira.

Flamengo, dentro e fora do campo

Podia ter ganho facilmente, se complicou. Vencia por 1 a 0, Adriano jogou duas bolas seguidas na trave. E Wagner Love perdeu um gol feito, marcaria os outros dois. O arbitro inventou um pênalti para o Bangu, que pressionou e quase empata nos 10 minutos finais.

Um pouco mais tarde, na ESPN, Patrícia Amorim deu magnífica entrevista, entusiasmou. Articulada, convicta e compenetrada, mostrou a sorte do clube ao elegê-la. 40 anos, 4 filhos, vereadora, campeã carioca, brasileira e sul-americana de natação, respondeu tranquilamente, quando perguntaram, “não é muita coisa?”. O grande problema que não parece assustá-la: a dívida de 333 milhões deixada pelo tabelião que nunca trabalhou na vida.

Tenis: Del Potro, numero 4, eliminado

Mas que partida: 4 horas e 48 minutos, 46 games, 5 sets, só mesmo no ultimo game se soube quem era o vencedor (Marin Cilic).

Nadal passou por Karlovic, em 40 games, 3 horas e 4 sets. Mas teve que “assistir” o adversário marcar 36 aces, média de 9 por set. Amanhã Nadal e Murray se enfrentam, vai embora mais um dos 5 ranqueados.

Fim de carreira

54 senadoras acabam o mandato agora em 2010. Digamos que 27 se reelejam, o que farão os outros 27? Os que são da “base”, esperam a vitória de Dona Dilma, Ha! Ha! Ha! Os da “oposição”, acreditam que seus futuros como derrotados estão na vitória de Serra. Ha! Ha! Ha!

Início de carreira

Como há muito tempo digo que não acredito nela ou nele, muitos me perguntam, em quem acredito ou em quem votarei. Por enquanto em ninguém, o jogo para valer ainda não começou.

Só começará quando Lula “desencarnar” da continuação ou continuidade. E ele, para se transformar em presidenciável, pode se manter no cargo, a desincompatibilização não o atinge.

Por enquanto, pela seriedade, responsabilidade, ética e dignidade, escolheria Dona Marina, como escolhi Heloisa Helena em 2006, mas não votei.

O mesmo agora, ninguém se elege sem partido. Coisa que não diria há dois anos, mas digo hoje, conscientemente: votaria em Carlos Minc.

O atual prefeito de Paris, durante muitos anos vereador da capital, respondia aos que perguntavam porque não fazia carreira: “Quero ficar em Paris, é a minha cidade e a razão de viver”. Acabou prefeito, uma revelação.

Carlos Minc a mesma coisa. Dizia, “não quero sair do Rio”. Depois da fase da guerrilha, cumpriu a palavra. Ficou várias vezes como deputado estadual e secretário, até que foi chamado para Ministro. Em Brasília, ninguém conhecia Minc, achavam que Lula não sabia o que fazia.

Logo, logo Ministros, deputados e senadores, compreendiam quem era Minc e porque Lula o nomeara. O presidente faz escolhas medíocres, mas às vezes acerta. Minc mostrou coragem fora do comum, não fez concessões, brigou pelas coisas nas quais acreditava. Com tudo isso, não ganhou um milímetro de espaço eleitoral. Por causa da falência ou inexistência de partidos.

* * *

PS – Voltamos à República velha, à Revolução, (golpe), baseada na frase conceito: “É preciso acabar com o privilégio odioso, dos ocupantes do Catete (na época) escolherem seus sucessores”.

PS 2 – Vargas, que aparentemente era o chefe dessa revolução (golpe), não indicou ninguém, ficou ele mesmo 15 anos. Depois desses 15 anos ditatoriais, sempre houve golpe, vencido ou vencedor.

PS 3 – Finalmente, com tanta exploração eleitoral e política, FHC trilhou uma nova linha: a REEELEIÇÃO para quem estava no Poder, ele mesmo. Tentou continuar, não deu, Lula foi seu “herdeiro”. Ficou 8 anos e também tenta continuar. Que República.

Sempre contra Dilma

Nilsa Monteiro
“Helio, por que você não gosta da Chefe da Casa Civil? Nunca li uma nota tua a favor dela. E não perde oportunidade de criticá-la. Poderia explicar?”

Comentário de Helio Fernandes
Pessoalmente, nada contra ela. Jamais estive perto, portanto não a conheço nem por telefone. Mas como candidata a presidente, Deus me livre, tanto quanto peço para me livrar de José Serra. Se ela chegar a presidente, será a pré-ditadura, a entronização (isso mesmo) do autoritarismo. E o terrorismo de “esquerda” ficará ainda mais poderoso.

Hipocrisia tripla

Não gosto de baixaria, mas falsidade provoca a mesma reação. Exemplo: a foto que saiu em todos os jornais, de Lula, Serra e Dilma, juntos e se esbaldando, que palavra, de tanto rir.

Lula e Serra, tudo bem, um é presidente, inaugurando obra em São Paulo, terra de Serra. E Dona Dilma, o que fazia ali? Campanha eleitoral, claro, embora ainda não seja candidata. E se for, terá o protesto (velado, lógico) do próprio partido. Que não reconhece nela, uma petista.

“Não tenho nada com isso”

Lula chamou Sergio Guerra, presidente do PSDB, de “babaca”. Chulo, mas planejado. Pediram a FHC para responder, respondeu, “de maneira alguma”. É a tradicional falta de coragem do “sociólogo”. Depois, para se justificar, explicou: “É isso que ele quer, eleição plebiscitária, aproveitando o poder”

Usineiros não são mais heróis?

Ano passado Lula disse que eram, nunca foram. Quando o produto líquido (álcool) estava mais valorizado, produziam. Houve inversão no mercado, o sólido (açúcar) paga muito melhor, mudaram, são capitalistas.

Podiam ser progressistas ou reacionários, desde Gilberto Freire se sabe que a segunda espécie é maioria absoluta. Em vez de recomendar “não abasteçam os carros com álcool”, devia reler o autor pernambucano do qual o senhor tanto gostava.

Cartórios não deviam produzir milionários

Desde os tempos do Diário de Notícias, defendia: os cartórios deviam pertencer aos governos estaduais e municipais. Minha justificativa: os governos criam obrigações para o cidadão, e o produto dessa exigência vai para particulares, que enriquecem sem trabalhar.

Agora descobrem que “quase 8 mil desses cartórios estão irregulares”. São todos, deviam pertencer ao próprio estado e município. Aí, ficariam regulares.

Lembranças do volei de 1994

No jogo de ontem, entre o time carioca e o paulista, o Sportv teve a boa idéia de passar um vídeo da primeira grande conquista, que imortalizou a “geração de prata”.

William e Bernardinho, na quadra, 16 anos depois, técnicos e se enfrentando. William, craquíssimo como jogador, generosamente: “Bernardinho é o melhor treinador do mundo”. Não exagerou.

Sempre as Williams

Serena já ganhou três jogos, agora às 11 horas (do Brasil), Vênus venceu a terceira. Sofreu bastante no tiebreak. Se ganharem mais dois jogos, se enfrentarão na semifinal. E uma delas será mais uma vez finalista.

Todos contra Dona Dilma, dentro e fora do governo. Mas por que ficariam a favor? Ela mesma se encarrega de negar, confundir ou irritar “amigos”

Até as pedras da rua sabem, (Rui Barbosa) que Palocci vai comandar a campanha dela. Sem esse “alento” negativo já estava difícil, adivinhem como ficou? Palocci foi denunciado por corrupção quando prefeito, demitido violentamente pelo próprio Lula, fulminado pelo Supremo na questão da denúncia do caseiro, puxa, não tem nenhum ponto positivo? Entao, por que ele?

Lula apreensivo

O próprio presidente tem perguntado não tão discretamente: “O que esse Jobim vai querer depois da desincompatibilização?”. A situação do Ministro piorou depois que ele “vazou” o relatório sobre os caças.

Não foi Lula que nomeou “esse Jobim”? Acreditem: com todo o descaramento, sem constrangimento ou arrependimento, sobrou para ele uma cadeira de deputado. Aceita. Quer ficar no jogo. Sempre tido como morto, ressuscitou quatro vezes.

Lula,personalidade, vá lá,
mas ESTADISTA, é exagero

Pela movimentação e relacionamento com as maiores figuras do mundo, Lula poderia ganhar mesmo o prêmio que ganhou. Mas surpresa que está no título: ESTADISTA?

Paulo Bernardo, sem votos
mas com prestígio no governo

Já está resolvido: no final de março, início de abril, deixará o Planejamento, mudará para a Casa Civil. Explicação: não disputará nenhum cargo em outubro.

Mas não é dedicação e sim falta de votos. Em 2006, ele e a mulher tentaram tudo no Paraná, não conseguiram nada. Em 2010, “repeteco”, que se mantém. Com a expectativa de mais 4 anos, se Dona Dilma se eleger. Até agora, só quem tinha garantia, eram os terroristas de “esquerda”. Bernardo é “direitíssima”, mas não atrapalha.

Desespero

O Ministro do Trabalho, olha para o calendário com extrema preocupação. Deixará o cargo, para quê? Carlos Lupi não quer ser deputado, talvez se elegesse. Com Brizola, foi duas vezes candidato ao senado, onde está o mandato?

O presidente Lula, que gosta tanto de dizer, “eu não sabia de nada”, sabe tudo sobre a insuficiência de “sua” candidata. Na verdade, só é candidata dele mesmo e dos terroristas de “esquerda” que até pouco tempo não tinham muita afinidade com o presidente.

Agora dominam tudo, e é preciso compreender: jogam a sobrevivência. Estão no meio dos 60 de idade, se não ganharem com ela, perdem o último trem para Berlim. Lula tem certeza que impõe Dona Dilma ao PT e até mesmo à base, mas com protestos gerais. Só que todos acovardados.

* * *

PS – Em suma: em matéria sucessória, não há suma. Ao contrário dos terroristas de “esquerda”, Lula não desiste da continuação. Não esconde que se conseguir o terceiro mandato, sua permanência no Poder, será i-n-i-n-t-e-r-r-u-p-t-a.

PS 2 – Se não conseguir o terceiro, e se Dona Dilma não ganhar (não ganha mesmo) não perderá uma noite de sono. E não precisará tomar Kawa-Kawa, como FHC. Tranquilo, dormirá o sono dos injustos.

No reino da baixaria

Carlos Chagas

Estarrecido, ninguém ficou. Nem mesmo chocado. Faz muito que o singular vocabulário político do presidente Lula ultrapassa as  regras mínimas do vernáculo. Não vamos repetir os  anteriores substantivos e adjetivos pronunciados por Sua Excelência ao longo de seus improvisos, bastando  ficar no mais recente. Para ele, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, é um “babaca”.

Como o senador por Pernambuco havia, um dia antes, chamado Dilma Rousseff de “mentirosa”, se não ficam elas por elas, é quase isso, ainda que o tucano tenha sido mais parcimonioso em sua baixaria.

É assim que se vai desenvolver a campanha sucessória. Pode ser que José Serra pretenda poupar-se, mas se falam por ele companheiros menos educados, dá no mesmo.

Essas coisas costumam pegar mais do que sarampo. Ainda estamos em janeiro e a exacerbação de conceitos traduz a insegurança daqueles que os emitem. Porque nem Sérgio Guerra tem certeza do sucesso da  candidatura do governador de São Paulo, nem o presidente Lula arrisca imaginar a vitória de sua candidata. Sendo assim, a  reação dos dois grupos em choque torna-se lamentável, porém inevitável: esperam vencer a eleição menos pelas qualidades e o programa de seus indicados, mais pela virulência com que expõem o adversário.

Nem sempre foi assim, mas na maioria dos casos, foi. Quem não se lembra de que Jânio Quadros agitava,  nos palanques, um bambu com um rato morto pendurado na ponta, dizendo tratar-se de Ademar de Barros. Ou que este, de seu turno, balançava o corpo de um gambá, com as mesmas intenções. Na primeira eleição direta depois do regime militar, Fernando Collor anunciava que  Luiz Inácio da Silva confiscaria a poupança da classe média,  ao tempo em que mandava vestir de mendigos uns tantos correligionários para percorrerem as portarias de luxuosos prédios de apartamento em Copacabana, Ipanema e Leblon, alardeando estarem escolhendo para onde se mudariam  depois da expulsão de todos os proprietários, com a posse do Lula. O primeiro-companheiro, por sua vez, acusava o adversário de farsante e de marionete de usineiros e industriais. Fernando Henrique, faça-lhe justiça, foi mais moderado em suas duas campanhas, mas o Lula bateu firme, abaixo da linha da cintura.

Pelo jeito, vamos assistir a  um vídeo-tape dos piores momentos de sucessivas disputas eleitorais anteriores,  ignorados até agora o programa de   Dilma Rousseff  e os planos de governo de José Serra…

Reaberta a crise

A crise do governo com o PMDB foi reaberta pelo presidente Lula ao insistir em receber do partido uma lista tríplice de  possíveis candidatos a companheiro de chapa de  Dilma Rousseff,  em vez da indicação única do deputado Michel Temer.  A exigência foi transmitida à imprensa por dois  ministros,  menos de um dia depois de  dirigentes  do PMDB decidirem antecipar a convenção que reelegerá Michel Temer para presidente do partido, como forma de reforçar seu nome e  mostrar que mandam.

Parece briga de cabo de guerra entre o  Juquinha e o Zezinho.

Para o presidente Lula, é inadmissível essa “imposição dos aliados” porque, afinal, diz ele, será Dilma Rousseff a escolher o candidato a vice. Trata-se, sem dúvida, de uma ficção, porque todo  mundo sabe que ela apenas  cumpre ordens. O primeiro-companheiro gostaria de um peemedebista  com densidade eleitoral, capaz de agregar votos, predicado de que Temer carece. Um nome “mais competitivo” seria o ideal para o governo, mas o perigo, se a insistência na lista tríplice continuar, é de o PMDB rachar e favorecer, já na convenção de 6 de fevereiro, a candidatura própria do partido, no caso,  Roberto Requião. Pelo menos quinze diretórios estaduais estariam dispostos a reafirmar a indicação do governador do Paraná para a próxima e decisiva  convenção de junho.

Só intervenção federal resolve

Desmoralizou o que restava das instituições democráticas a  manobra dos aliados do governador José Roberto Arruda na Câmara Legislativa de Brasília. Deputados governistas extinguiram a CPI que investigaria a roubalheira por eles mesmo praticada, depois que um juiz determinou o afastamento dos envolvidos na tarefa de investigar as denúncias.  Sequer o pivô da lambança, o ex-secretário e cineasta  Durval Barbosa será mais ouvido, primeiro passo para a elucidação do escândalo.

A intervenção federal seria a única forma de restabelecimento da ética na capital federal, mas o presidente Lula nega-se a admitir a hipótese, mesmo constitucionalmente possível e  justificável.

Enquanto isso o governador Arruda continua no cargo, sem que mesmo os pedidos de seu impeachment tramitem na Câmara Legislativa.  Apesar de ninguém desejar a volta ao passado, há quem se refira à indignação geral com apenas uma pergunta: “já imaginaram o que teria feito o general Ernesto Geisel diante de tudo isso?”

Ficam todos até o último dia?

Uma questão envolve Brasília, depois da primeira reunião ministerial do ano. Será que todos os ministros que são candidatos às eleições de outubro cumprirão  a ordem do presidente Lula para  permanecerem  em seus postos até o limite máximo para as desincompatibilizações, dia 4 de abril? Muitos necessitariam mergulhar bem antes nas preliminares das campanhas para governador. Estão perdendo tempo enquanto as diversas forças estaduais aumentam as cobranças e aguardam as definições.

Desde que nenhum ministro ouse descumprir a fala do trono, o resultado poderá ser lamentável para a administração federal. Porque mesmo continuando ministros, estarão dando de ombros para suas tarefas formais.  Estarão nos  estados.  Os ministros das  Comunicações, Helio Costa, e dos Transportes, Alfredo Nascimento,  sequer compareceram à reunião do ministério. Pensam muito mais nas campanhas em Minas e no Amazonas. É possível que um ou outro mais rebelde formalize o afastamento, mas afastados, mesmo, desde já,  estarão quase todos os candidatos.

Volume das dívidas é quase o da massa de salários

Pedro do Coutto

Se, como o Jornal do Comércio publicou na edição de 19 de janeiro, a dívida média dos brasileiros é de 2732 reais per capita, o endividamento total, multiplicando-se o per capita pelo número de habitantes, passa de 500 bilhões para uma massa de salários em torno de 700 bilhões de reais. Para calcular a massa salarial, pode-se multiplicar a receita do FGTS no ano passado, de 47 bilhões, por 12,5 vezes, já que os empregadores recolhem ao Fundo de Garantia 8 por cento de suas folhas de vencimentos. Mas existem os funcionários públicos estatutários que não têm FGTS. Mas recebem salários, é claro. Calculemos algo em torno de 100 bilhões por ano. Chegamos assim a um cálculo razoável que conduz aproximadamente a 700 bilhões. Assim, as dívidas representam 70 por cento (mais de dois terços) da massa de salários. O problema é saber como os que fazem dívidas conseguem arcar com o peso dos juros cobrados pelos bancos e pelo comércio. Tem que haver uma explicação lógica. Só pode estar no giro dos créditos, produzindo uma moeda escritural paralelamente ao papel moeda circulante. Inclusive porque o consumo encontra-se aquecido no país. No caso do crédito bancário pessoal os juros médios são de 5,1 por cento ao mês. A taxa de inflação levantada pelo IBGE para o ano passado foi de 4,3 por cento. Logo os juros mensais cobrados pela rede bancária são praticamente 12 vezes maiores que o índice inflacionário. É só fazer as contas. A Selic, através da qual o governo remunera os bancos pelo giro da dívida interna que atinge 1 trilhão e 400 bilhões, é de 8,75 por cento ao ano. Pelo saldo devedor nos cheques especiais o mercado paga 8,79 por cento, ao mês.

Um mistério o fato de a população suportar o peso das taxas de juros. A explicação pode ser difícil. Mas tem que se encontrar em algum plano concreto. Inclusive os reajustes salariais nem de longe acompanham os juros cobrados. Os do comércio, na verdade, acompanham os dos bancos. A tradução só pode estar na elasticidade do crédito, embora diminuída em sua flexibilidade pelo crédito consignado através do desconto em folha. Neste caso, os juros podem ser de 2 por cento ao mês. Mas, mesmo assim, passam de 24 por cento ao ano, em face dos montantes, superando em várias vezes os reajustes de vencimentos. O salário mínimo, no governo Lula, vem superando a inflação oficial. Só ele, os demais salários empatam. Mesmo assim, suas revisões anuais ficam muito distantes da cobrança dos juros. Tudo isso faz do Brasil, nosso país, algo singular. Os dados a respeito do endividamento publicados pelo Jornal do Comércio são insuspeitos. São do Banco Central. O consumo, inclusive, vem avançando na mesma proporção do crescimento das dívidas. A inadimplência mantém-se baixa. Os brasileiros são bons pagadores.

A roda da economia continua em circulação e o prestígio do governo Lula é crescente. Logo, o endividamento não é uma preocupação marcante para a população. Sempre surge uma perspectiva. Talvez esta perspectiva seja a capacidade de o endividamento ser absorvida não por uma pessoa, média per capita teórica do Banco Central, mas sim por unidade familiar. Seja como for é notável o seu volume que, inclusive, se ajusta ao índice de bem estar da população. A grande maioria está satisfeita com os padrões obtidos e com a vida que leva. Apesar de tudo. Inclusive da violência urbana que coloca sob ameaça todos os que se deslocam para o trabalho e para o lazer nas grandes cidades. Há trinta anos atrás, o então ministro Delfim Neto anunciou o milagre brasileiro. Aqui está ele visível e sensível nos dias de hoje. Eis aí um tema interessante.

Por que Eletrobras subiu 10 por cento?

O índice Bovespa ficou rodando entre 65 mil alto e 66 baixo. Como é que a empresa que tem Edson Lobão pode subir isso que está no título? Hoje, no final, algumas ações subiram. Três construtoras, (Tenda, Gafisa e Rossi), Petrobras, algumas telefônicas que caíram muito, muitas zero a zero. Usiminas subiu 3 por cento, nenhuma explicação.

O dólar se mantém, fechou em 1,82 médio. Bovespa em 66 mil cravados, faltando o leilão.

Obama: discurso de mais de 1 hora

O presidente americano dominou inteiramente os que ouviram seu pronunciamento. Empolgou, fez as pessoas chorarem e quase que imediatamente, rirem, mas ele continuava imperturbável.

Consideraram logo depois, especialistas e até não partidários de Obama, que fora seu mais envolvente discurso depois da eleição. Para mim, além do conteúdo, o que me conquistou, foi a capacidade de improvisação em alta velocidade, sem qualquer pausa para reabastecimento.

Graças a Deus, esse Obama foi o que apoiei na campanha e acreditei que não decepcionaria.

Um ano duríssimo, lobismo desenfreado, a guerra do Afeganistão cada vez mais violenta, mas Obama tem tudo para tirar os Estados unidos da condição de eminente IMPÉRIO ROMANO.

O elevador da Bovespa

Hoje, sexta-feira, às 13 horas, repetiam a quarta e a quinta, (ontem): TODAS as ações em baixa, “nenhumazinha” em alta. As maiores quedas, na casa de 7 por cento: Bradesco, Gol, Pão de Açúcar, AmBev, (vício) Embraer, Usiminas. Todas as telefônicas em baixa. Menores quedas: Banco do Brasil e Cemig.

Com meia hora de pregão, o índice estava em 65 mil e 800. Foi a 62.200, voltou para a casa de 65 mil, menos 0,50%.

O dólar em alta desde a abertura. Neste momento, em 1,82 alto, mais 1,45%. Ainda há muita jogatina embora seja sexta-feira.

Eduardo Braga, PMDB, gostaria de ser vice

O Amazonas é muito longe, mas vem fazendo carreira sem derrota. Duas vezes governador, se não lembrarem dele, vai para o senado. A outra vaga ainda não tem vencedor nem derrotado. Artur Virgílio pode (e deveria) voltar.

E no Maranhão?

Dona Roseana, fazendo prevalecer o sobrenome, perdeu, mas está no governo. Péssima nas pesquisas, será mais uma a disputar a REEELEIÇÃO, sem ter sido ELEITA. É a nova ordem imposta e vigorando.