No dia 28, vamos conferir se Minas ainda é o espelho da política brasileira

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Afonso Arinos conseguiu definir Minas Gerais

Merval Pereira
O Globo

O resultado da eleição presidencial em Minas Gerais continua sendo o espelho do resultado final da eleição do Brasil. Desta vez não foi diferente. Bolsonaro teve 48,31% em Minas e 46% no país. Haddad teve 27,65% em Minas e 29% no país. O presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro identificou essa coincidência depois de muitos anos de pesquisa, assim como José Perigault, um dos fundadores do Ibope, descobriu certa vez que o Méier era a representação do Rio de Janeiro.

Hoje creio que já não seja, devido ao deslocamento geográfico da população do Rio por questões de segurança e alteração de padrão de vida, entre outras.

DIVERSAS REGIÕES – Minas continua espelhando o Brasil porque contém em seu território representação das diversas regiões, que já havia sido detectada por um mineiro ilustre, Afonso Arinos de Mello Franco, que explicou em linguagem poética o que os números frios das urnas definem:

“As suas terras tocam os climas do norte. Participa dos climas úmidos e florescentes da orla litorânea. A oeste, da civilização do couro. Ao sul, confina com a riqueza paulista. Daí a sua posição histórica, que é um imperativo geográfico, econômico, étnico”.

Isso porque Minas tem sua parte Nordeste na região do Vale do Jequitinhonha, e por isso faz parte da Sudene; ao mesmo tempo, é a segunda economia do país (disputando com o Rio), tem uma região fortemente industrializada, grande influência paulista na divisa com São Paulo; Juiz de Fora é muito ligada ao Rio de Janeiro; e o Estado tem no agronegócio uma parte influente de sua economia.

COMPARAÇÕES – Em alguns casos, o resultado local foi praticamente igual ao nacional. E quando isso não acontece, é certo que a tendência fica definida nas urnas mineiras: em 2006 Lula teve 50,80% (48,6% no país), contra 40,6% (41,6% no país) de Alckmin. Em 1989, Collor teve 36,1% em Minas (30,5% no país) contra 23,1% (17,2%) de Lula.

Em 2014, o mineiro Aécio Neves, achando que a eleição estava ganha no Estado que governara nos últimos anos, não deu prioridade à campanha por lá e acabou perdendo para Dilma, uma mineira extraviada cuja mineiridade era colocada em dúvida pelos mineiros, tanto que na eleição de agora ficou em quinto lugar na disputa pelo Senado, enterrando a lenda de que o impeachment foi um golpe.

Dilma teve no país 41,59% no primeiro turno e 43,48% em Minas, enquanto Aécio teve 39,75% em Minas e 33,45% no país.

BOLSONARO – As primeiras pesquisas divulgadas no segundo turno mostram um crescimento de Bolsonaro, na mesma direção do candidato que o apóia ao governo de Minas, Romeu Zema, do Novo. Segundo o Instituto Paraná, Bolsonaro está com 69,6% dos votos em Minas, no mesmo patamar de Zema, que estaria com 73% dos votos. Amanhã o Ibope divulga sua primeira pesquisa de intenção de votos no segundo turno. A pesquisa do DataFolha, divulgada na quarta-feira, deu 58% para Bolsonaro e 42% para Haddad.

INTELECTUAL STALINISTA – O editor José Mario Pereira, da Top Books, lendo a coluna de ontem, onde relembrei o estranho elogio ao intelectual Stalin feito por Fernando Haddad quando era ministro da Educação, lembrou-se de Molotov, outro intelectual soviético stalinista.

Molotov foi ministro das Relações Exteriores da União Soviética, responsável pelo acordo de não agressão com a Alemanha nazista conhecido por Tratado Molotov-Ribbentrop, e dá nome ao coquetel molotov, bomba caseira assim chamada até hoje, utilizada por guerrilheiros.

A frase famosa do então ministro da Educação Fernando Haddad, confrontado sobre a adoção pelo MEC de um livro que considerava os erros de português aceitáveis, por se tratar da linguagem espontânea do brasileiro, e insinuando que os que reclamavam eram nazistas, disse que havia uma diferença entre Hitler e Stalin. “Ambos fuzilavam os seus inimigos, mas Stalin lia os livros antes de fuzilá-los”.

DEVER DE OFÍCIO – José Mario concorda que Stalin era um bom leitor, estudou em seminário e lia Homero em grego. Mas ressalta que quem lia mesmo todos os livros de poetas e escritores que foram mandados para a Sibéria, ou foram mortos, era o Molotov. Talvez por dever de ofício.

“Encontraram na casa dele muitas obras de autores perseguidos pelo regime, lidos e anotados. Em seguida, fazia um relatório e a partir daí estava selada a sorte dos escritores e poetas da época”. As informações estão no livro “A lanterna mágica de Molotov”, de Rachel Polonsky.

CORREÇÃO – Errei na coluna de ontem ao afirmar que o dono do bar em que ocorreu o assassinato do mestre de capoeira Moa do Katendê confirmou a versão do assassino, de que a discussão que resultou no crime não foi de cunho político. Peço desculpas aos leitores.

Pesquisa mostra Bolsonaro em alta e revela rejeição recorde a Haddad

53% dizem que não votam em Haddad de jeito nenhum

Deu no Diário do Poder

Pesquisa realizada no sábado (13) e domingo (14) em todo o País pelo instituto FSB, contratada pelo Banco BTG Pactual, confirma o favoritismo de Jair Bolsonaro (PSL) na disputa pela presidência da República, com 51% das intenções de voto na modalidade estimulada, representando 59% dos votos válidos, contra 35% para Fernando Haddad (41% dos votos válidos).

O levantamento revela uma mudança substantiva do eleitor: chega a 53% a rejeição ao candidato do PT, indicada pelos entrevistados afirmando que não votariam nele “de jeito nenhum”. Nesse quesito, Bolsonaro tem rejeição bem inferior: 38%.

Foram entrevistados dois mil eleitores por telefone em todo o País, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, segundo o instituto FSB Pesquisa. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral(TSE) sob nº BR-07950/2018.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nada de novo no front ocidental, diria o escritor Erich Maria Remarque. Bolsonaro emagreceu 15 quilos e precisa fazer um terno novo para tomar posse. A eleição está decidida desde que Bolsonaro foi esfaqueado. Mas quem morreu politicamente foi Lula, por septicemia eleitoral, vitimado pelas bactérias da ficha suja. (C.N.) 

Gestão Haddad pagou R$ 245 milhões em contratos sob suspeita na Lava Jato

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Haddad só contratava empreiteiras aliadas ao PT 

Fabio Leite
Estadão

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad,  pagou durante sua gestão como prefeito de São Paulo R$ 245 milhões a empreiteiras envolvidas na Lava Jato por obras incluídas nos mesmos contratos do túnel que, agora, ele diz ter suspendido por “indícios de superfaturamento” há cinco anos. Os negócios também são investigados por suspeita de cartel, admitido no ano passado pela Odebrecht ao Ministério Público paulista.

Dados da Prefeitura obtidos pelo Estado mostram que os valores foram repassados pela gestão petista (2013-2016) para os quatro consórcios encarregados de executar o prolongamento da Avenida Roberto Marinho, na zona sul da capital. Os lotes são liderados pelas empresas OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão.

KASSAB CONTRATOU – Os contratos foram assinados em 2011 pelo ex-prefeito e atual ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), com valor original de R$ 1,98 bilhão. A construção do túnel de 2,4 km até a Rodovia dos Imigrantes está distribuída nos quatro lotes, junto com outras obras viárias, quatro mil moradias populares e trechos de um parque linear. Até deixar a Prefeitura, em dezembro de 2012, Kassab já havia pago R$ 105 milhões às empreiteiras. O túnel, porém, ainda estava na fase de instalação do canteiro de obra.

Em fevereiro de 2013, segundo mês de mandato, Haddad decidiu suspender a execução do túnel e manter as demais obras previstas nos mesmos contratos. À época, alegou falta de recursos e inversão de prioridade em uma nota pública de esclarecimento. Não mencionou nenhuma suspeita de irregularidade na obra suspensa e disse que pretendia retomar o projeto. Naquele momento, a Lava Jato ainda não havia sido deflagrada.

PRIORIDADE – “Ao invés do túnel, vamos priorizar todas essas obras e quando vendermos mais Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção), sobretudo na região do Jabaquara, você pode retomar a ideia de fazer o túnel, que já está licitado e licenciado. Não está havendo um cancelamento, apenas uma inversão de prioridade”, disse Haddad na ocasião.

De fato, o túnel nunca saiu do papel, mas as demais obras previstas nos mesmos contratos foram tocadas adiante pela gestão do petista – depois pela administração João Doria e agora pela gestão Bruno Covas, ambos do PSDB. Entre as obras concluídas estão o viaduto da Avenida Lino Moraes Leme, entregue em março deste ano, e 430 habitações de interesse social.

A maior parte das obras foi executada pelo consórcio liderado pela OAS, que recebeu R$ 221,9 milhões nos quatro anos da gestão Haddad. Odebrecht e Andrade Gutierrez, que têm a maioria dos seus contratos vinculados ao túnel suspenso, receberam R$ 5 milhões e R$ 5,4 milhões, respectivamente. Já o consórcio da Queiroz Galvão recebeu R$ 12,4 milhões.

NOVA VERSÃO – Foi somente após as acusações de caixa dois para a campanha de 2012 feitas por delatores da Odebrecht e da UTC – parceiras no contrato do túnel da Roberto Marinho – que o presidenciável petista mudou publicamente o discurso sobre a obra. Primeiro, em sua defesa, começou a dizer que estava sofrendo “retaliações” dos executivos porque “contrariou os principais interesses das empresas” ao suspender a construção do túnel.

Depois, já durante a campanha ao Palácio do Planalto e após ser alvo de duas ações (civil e eleitoral) e uma denúncia criminal pelo suposto recebimento de R$ 2,6 milhões de caixa 2 da UTC, Haddad passou a afirmar que suspendeu a obra do túnel por “indícios de superfaturamento” que teriam sido repassados a ele por um secretário. Apesar da afirmação, o petista não solicitou nenhuma investigação ao Ministério Público nem à Controladoria-Geral do Município (CGM), criada por ele em 2013 para combater corrupção na Prefeitura.

SUPERFATURAMENTO – “A Odebrecht e a UTC tiveram o túnel da Roberto Marinho suspenso no meu segundo mês de mandato. Eu tinha exatos 44 dias à frente da Prefeitura de São Paulo quando suspendi uma obra por indícios de superfaturamento. Essas duas empresas resolveram me retaliar e, sem apresentar nenhuma prova, foram ao Ministério Público denunciar o que seria um pagamento de despesas de campanha que não provaram até agora”, afirmou o petista ao ser entrevistado no Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 14 de setembro.

No fim do ano passado, a Odebrecht assinou o primeiro de uma série de acordos de colaboração com o Ministério Público de São Paulo no qual afirmou que todos os contratos de obras do chamado Sistema Viário Metropolitano, incluindo os lotes do túnel da Roberto Marinho, foram alvo de cartel das empreiteiras, que combinaram os preços previamente.

PAULO PRETO – Segundo a Promotoria, o esquema foi coordenado pelo engenheiro Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa (2007-2010), e também teve participação do ex-secretário municipal de Infraestrutura e braço direito de Kassab no ministério, Elton Santa Fé Zacarias.

Ambos teriam cobrado 5% de propina sobre o valor dos contratos. Assim como Kassab, eles são alvo de ação de improbidade por enriquecimento ilícito, mas negam as acusações.

Olavo faz incitação à violência; convoco meus concidadãos a repudiá-lo

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Carvalho é o porta-voz do radicalismo

Caetano Veloso
Folha

Olavo de Carvalho sugere em texto que, caso Bolsonaro se eleja, imediatamente à sua posse seus opositores sejam não apenas derrotados mas totalmente destruídos enquanto grupos, organizações e até indivíduos. Ele diz que os que consideram Bolsonaro uma ameaça à democracia não estão lutando para vencer uma eleição e sim “pela sobrevivência política, social e até física”. Isso é anúncio de autoritarismo matador.

Bolsonaro já disse que a ditadura matou pouco, já apareceu usando tripé de câmera como fuzil a metralhar petistas, já louvou o torturador e assassino coronel Brilhante Ustra. Quando atacado a faca por um maníaco, todos os outros concorrentes à presidência condenaram veementemente o atentado e seu autor; quando um eleitor seu matou um artista baiano que declarara voto no PT, Bolsonaro disse que não tinha nada a ver com isso.

Escalada da violência – Esse texto de Olavo anuncia uma escalada de ações violentas e conclama seus seguidores a perpetrá-las tão logo Bolsonaro chegue (se ele chegar) ao Alvorada.

É evidente que todo cidadão brasileiro que mereça esse nome –seja ele Fernando Henrique Cardoso, Roberto Carlos, Roberto Schwartz, Suzana Vieira, Chico Buarque, Luiz Tenório de Oliveira Lima, Letícia Sabatela, Fernando Haddad, Zezé de Camargo, Miriam Leitão ou ACM Neto– deve agir contra a possibilidade de eleição de Bolsonaro. A não ser que este desautorize publicamente o texto de Olavo. Único modo, aliás, de dar credibilidade a suas tentativas de amenizar o sentido de seus antigos brados.

FAKE NEWS – Olavo, o sub-Heidegger do nosso sub-Hitler (ou sub-Spengler do nosso sub-Goebels), diz que petistas, artistas, mídia, professores, jornalistas e intelectuais apelam a recursos ilícitos e imorais para obter vitória. No entanto, acabo de ler um texto em letras grandes, produzido pelos correligionários do capitão, que diz: “O PT QUEBRA IMAGENS, ESFREGA O CRUCIFIXO NOS ÓRGÃOS GENITAIS, URINAM (sic) NA BÍBLIA E AGORA QUER APOIO CATÓLICO“.

Deve ser a milionésima fake news expedida pela campanha bolsonarista. Olavo é figura histórica da antiesquerda. Catequizou gerações de jovens brasileiros a um anticomunismo delirante e ressentido.

ISLAMISMO – Faz décadas uma jovem conhecida minha tinha se convertido ao islamismo através dos ensinamentos de Olavo, seu carismático professor. A força dos parágrafos de Fritjof Schuon, autor que li fascinado, devem ter chegado com beleza aos ouvidos da moça, através das explanações brilhantes de Olavo. Mas desconfio de que o que o animava não era a beleza do Islã, sua tradição, sua riqueza espiritual. O que o entusiasmava eram as teocracias tardias que o desfiguram.

Olavo hoje posa nos EUA segurando arma pesada. Quão útil será sua cruzada para a indústria armamentista? É-se inocente útil mesmo quando se torna paranoicamente suspicaz. Para ele, o que há na aventura da modernidade é necessariamente o mal.

AO SEU LADO – Intelectual erudito e mente insana, nem sabe que eu só sei de um caso de artista que masturbava-se com um crucifixo (ele o declarou em entrevista na TV) –e era justamente um que hoje aparece ao seu lado.

Eu nunca fui petista. Nunca fui comunista. Odeio ter ouvido de Dirceu que o caso não é de ganhar eleição mas de tomar o poder. Meu pai me ensinou a ser anti-stalinista e, vendo a discrepância entre a vida real dos trabalhadores e os planos das “vanguardas” políticas, aprendi a ser anti-leninista (diante das filas para ver a múmia de Lenin em Moscou, reafirmou-se meu desprezo: detesto o mais ínfimo resquício de culto à personalidade que ronda Lula). Mas farei o que me for possível para vencer o crescimento da desigualdade e, acima de tudo, defenderei os direitos da pessoa humana.

Considero o texto de Olavo incitação à violência. Convoco meus concidadãos a repudiá-lo. Ou vamos fingir que o candidato dele já venceu a eleição e, por isso, pode mandar matar quem não votou nele? Respeitarei como presidente quem quer que se eleja. Mas exijo dele que exiba compromisso com os direitos da pessoa humana e, como os outros cidadãos, rejeite o que foi sugerido por Olavo de Carvalho.

Veja por que Jair Bolsonaro não deve comparecer aos debates com Haddad

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Ilustração reproduzida do Youtube

José Carlos Werneck

Qualquer debate, ou qualquer competição, só é válido e justo quando os participantes estão nas mesmas condições de que seu adversário ou concorrente. É por essa razão que, em todo debate existem regras pré-estabelecidas, que devem ser rigorosamente obedecidas pelos que comparecem ao evento.

Por isso os candidatos dispõe de igual tempo para perguntas e respostas. Para a réplica e tréplica. Para o direito de resposta. Etc. e etc. Tudo igualzinho que para todos os debatedores possam expor, em iguais condições, suas ideias e propostas.

SEM VANTAGEM – São regras que devem ser obedecidas e observadas devidamente, para que nenhum candidato leve vantagem sobre o outro. E é muito bom que seja assim.

Portanto, o candidato Jair Bolsonaro só deveria comparecer aos debates, se seu oponente, o ex-prefeito de São Paulo e professor Fernando Haddad, tivesse levado uma facada igualzinha a que ele levou. E consequentemente estivesse nas mesmíssimas condições de saúde do que seu adversário. Com bolsa de colostomia e tudo o mais que Bolsonaro é obrigado a portar, por força da tentativa de homicídio que sofreu na cidade mineira de Juiz de Fora, em 6 de setembro.

SEM SOLIDARIEDADE – Assim, da forma como Haddad pretende que sejam agora realizados os debates, com Bolsonaro ainda em recuperação, o evento vira “gopi”, como dizem os correligionários políticos do ilustre professor Fernando Haddad. Num arroubo de arrogância e total ausência de solidariedade humana, que não deveriam faltar num intelectual respeitável, Haddad afirmou, na tentativa de humilhar seu oponente, que estava disposto a debater com ele na enfermaria.

Esse tipo de declaração é algo realmente lamentável e constrangedor.

No Dia do Mestre, um poema de Cora Coralina homenageia os professores

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Site Poemas & Canções
Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1880-1985), nasceu em Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica, conforme este belo poema “Elevar”, que publicamos hoje para homenagear o Dia do Mestre.


ELEVAR
 

Cora Coralina

Professor, “sois o sal da terra e a luz do mundo”.
Sem vós tudo seria baço e a terra escura.
Professor, faze de tua cadeira,
a cátedra de um mestre.
Se souberes elevar teu magistério,
ele te elevará à magnificência.
Tu és um jovem, sê, com o tempo e competência,
um excelente mestre.

Meu jovem Professor, quem mais ensina e quem mais aprende?
O professor ou o aluno?
De quem maior responsabilidade na classe,
do professor ou do aluno?
Professor, sê um mestre. Há uma diferença sutil
entre este e aquele.
Este leciona e vai prestes a outros afazeres.
Aquele mestreia e ajuda seus discípulos.
O professor tem uma tabela a que se apega.
O mestre excede a qualquer tabela e é sempre um mestre.
Feliz é o professor que aprende ensinando.
A criatura humana pode ter qualidades e faculdades.
Podemos aperfeiçoar as duas.
A mais importante faculdade de quem ensina
é a sua ascendência sobre a classe
Ascendência é uma irradiação magnética, dominadora
que se impõe sem palavras ou gestos,
sem criar atritos, ordem e aproveitamento.
É uma força sensível que emana da personalidade
e a faz querida e respeitada, aceita.
Pode ser consciente, pode ser desenvolvida na escola,
no lar, no trabalho e na sociedade.
Um poder condutor sobre o auditório, filhos, dependentes, alunos.
É tranquila e atuante. É um alto comando obscuro
e sempre presente. É a marca dos líderes.

A estrada da vida é uma reta marcada de encruzilhadas.
Caminhos certos e errados, encontros e desencontros
do começo ao fim.

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
O melhor professor nem sempre é o de mais saber,
é sim aquele que, modesto, tem a faculdade de transferir
e manter o respeito e a disciplina da classe.

Organização Globo tenta demolir o ficha-limpa Witzel e eleger o ficha suja Paes

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Carlos Nuzman e Paes enriqueceram na Olimpíada

Carlos Newton

A campanha para governador do Rio de Janeiro está cada vez mais emocionante. Os dois candidatos (Wilson Witzel, do PSC, e Eduardo Paes, do DEM) deixaram as propostas de lado e a campanha descambou totalmente para a baixaria. O mais interessante, porém, é o apoio flagrante da Organização Globo, que usa todas as suas armas – jornais, TVs e rádios – na tentativa de destruir a imagem do ex-juiz Wilson Witzel, que tem ficha-limpa e uma carreira vitoriosa em concursos públicos.

PAES É FICHA-SUJA – O grupo empresarial dos irmão Marinho quer eleger Eduardo Paes, que é um tremendo ficha-suja e somente conseguiu ser candidato com uma liminar no TSE, depois de condenado pelo TRE estadual. Ou seja, Paes conquistou exatamente  o que Lula da Silva pretendia – ser candidato sub judice.

Junto com o Pedro Paulo, seu secretário da Casa Civil, Paes foi condenado em dezembro de 2017 por abuso de poder político-econômico e conduta vedada a agente público. Foi decisão unânime do TRE.

LIMINAR SALVADORA – Paes e Paulo, que fazem uma espécie de dupla Batman e Robin na política estadual (mas ninguém sabe quem é o Batman e quem é o Robin), conseguiram em maio uma liminar do ministro Jorge Mussi, em decisão monocrática provisória que desconheceu a Lei da Ficha Limpa.

Pedro Paulo foi eleito deputado federal pelo DEM, mas perderá o mandato se o TSE confirmar a decisão unânime do TRE. O mesmo acontecerá com Paes, caso derrote Witzel, o que parece altamente improvável, embora não se possa desprezar o poderio da Vênus Platinada.

E a situação agora se complicou, porque a delação da Odebrecht acaba de revelar que um dos maiores legados da Olimpíada foram as propinas recebidas por Eduardo Paes e seu secretário de Obras, Alexandre Pinto, que depôs na Justiça Federal e acusou o então prefeito de chefiar o esquema de corrupção.

ODEBRECHT CONFIRMA – Muitas empreiteiras estão envolvidas no esquema de Paes. Reportagem do Estadão, publicada na última sexta-feira, dia 12, mostra que o homem forte do Departamento de Propinas da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, declarou em delação premiada que a empreiteira baiana repassou propinas de R$ 15 milhões ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB) e está tudo registrado na planilha da empresa, na qual Paes é apelidado de “Nervosinho”.

Na verdade, Paes é um dos poucos líderes da quadrilha do MDB do Rio de Janeiro que continuam à solta, enquanto Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Jorge Picciani e muitos outros já estão até cumprindo pena.

IRMÃOS MARINHO – Esta opção preferencial pelo ficha-suja Eduardo Paes depõe contra a nova postura jornalística dos irmãos Marinho, que alegam praticar “jornalismo independente” desde que, em 31 de agosto de 2013, renegaram o passado de Roberto Marinho e publicaram editorial considerando um erro o apoio que o patriarca global deu à ditadura militar.

Quando se pensava que as coisas estivessem melhorando na  Organização Globo, constata-se que nada mudou. Entre apoiar um homem honrado como Wilson Witzel, os irmãos Marinho rasgam a fantasia e se aliam a Eduardo Paes, fazendo um papel tão lamentável quanto o comportamento de Roberto Marinho em 1964. E assim la nave va, cada vez mais fellinianamente.

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P.S. –
Eduardo Paes deixou a prefeitura falida e destruiu o sistema previdenciário municipal. Suas obras principais (Museu do Amanhã, Trenzinho VLT e Cidade das Artes, que herdou de Cesar Maia), dão um prejuízo absurdo à Municipalidade, e o prefeito Marcelo Crivella precisa convocar uma entrevista coletiva, ao lado do secretário da Fazenda, para denunciar a real dimensão do legado de Eduardo Paes e Pedro Paulo. Mas é claro esse tipo de denúncia a Organização Globo jamais divulgará. (C.N.)

Totalmente desmoralizados, Ibope e Datafolha preparam novas pesquisas

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Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Léo Simonini
O Tempo

Ibope e Datafolha, dois dos principais institutos de pesquisas do país, irão divulgar mais um levantamento nesta semana, tanto da disputa presidencial entre Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), quanto da estadual, entre Antonio Anastasia (PSDB) e Romeu Zema (Novo). Para a disputa pelo Palácio do Planalto, o Ibope divulga novos números nesta segunda-feira (15), onde serão entrevistadas 2506 pessoas de todo o Brasil.

A pesquisa foi contratada pela rede Globo e pelo Estadão. Para as disputas de governadores, o instituto divulga o resultado na quarta-feira (17), quando serão ouvidas cerca de 1,5 mil pessoas em cada Estado.

Também na quarta-feira 17 o Datafolha mostra os dois resultados, tanto para presidente, quanto para governador. Serão 9128 entrevistados no Brasil, enquanto que para o cargo de governador serão cerca de 1,5 mil eleitores ouvidos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os institutos de pesquisa – todos eles, incluindo Vox Populi, Paraná, MDA etc. – estão completamente desmoralizados pela imprecisão de seus resultados no primeiro turno. Vamos acompanhar como se comportarão agora, já quase na metade do segundo tempo. Aliás, será que existe alguém que ainda confie em pesquisa eleitoral? (C.N.)

Fernando Haddad espera que FHC formalize apoio à sua candidatura

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FHC diz que não apoia Bolsonaro, de jeito nenhum

Alessandro Giannini
O Globo

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad,  disse neste domingo, em São Paulo, que espera obter apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que declarou neutralidade, mas admitiu a possibilidade de apoiar o concorrente petista. Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, publicada neste domingo, FH disse existir um muro entre ele e Bolsonaro, e que, por enquanto, havia uma porta a ser aberta na direção de Haddad.

—  Se depender de mim, essa porta vai ser aberta em nome da democracia — disse o candidato, que mantém uma relação cordial com Cardoso, além de terem amigos em comum.

DEMOCRACIA EM JOGO —“Independentemente de o PSDB ser oposição ou situação no próximo governo, o mais importante hoje é garantir as liberdades democráticas, que estão em risco em nosso país, como ele mesmo reconhece na entrevista”, disse. 

Haddad também comentou a campanha de Bolsonaro na TV e no rádio, que aponta o PT e seus principais líderes como defensores dos regimes de Cuba e Venezuela:

— Olha, o PT nunca violou um princípio democrático enquanto esteve no comando do governo. O Estado democrático de Direito era e continua sendo um princípio basilar nosso. O meu adversário, ao contrário, defendeu tortura, a morte de 30 mil pessoas durante a ditadura, chamou Dom Paulo Evaristo Arns de vagabundo e charlatão. E está tudo registrado.

OLAVO DE CARVALHO – O candidato petista também comentou um tuíte publicado pelo filósofo Olavo de Carvalho, e republicado por um dos filhos de Bolsonaro, dizendo que o candidato do PT defendia o incesto. Carvalho apagou a publicação logo em seguida. 

—  Já disseram que sou dono de uma Ferrari e que meu relógio, presente da minha família quando me formei, custa R$ 400 mil reais —  disse —  Onde essa loucura vai parar?

Haddad também atacou Bolsonaro por espalhar “mentiras” na internet sobre sua religiosidade. E incluiu a imprensa no desabafo:  “Não entendo por que razão a imprensa não está denunciando isso”.

Guedes quer baixar o imposto de importação e destruir a indústria brasileira

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Guedes é um apátrida que não se interessa pelo Brasil

Daniela Lima
Folha/Painel

O presidente do DEM, ACM Neto, quer manter distância pública de Jair Bolsonaro (PSL), mas avisou a aliados que sua estrutura na Bahia vai trabalhar e pedir votos para o candidato. Prefeito de Salvador, ACM Neto disse optar pelo capitão da reserva contra o PT, mas afirmou que não se envolveria pessoalmente na eleição. Ele, porém, tem falado com apoiadores do presidenciável para acompanhar os passos da campanha e já na semana passada admitiu colocar o bloco na rua para ajudar no Nordeste.

A pessoas próximas, ACM Neto disse que não está disposto a fazer campanha em suas redes sociais, mas que derrotar o PT é fundamental para sua estratégia política no estado, governado por petistas há mais de uma década.

ACENDA O FAROL – Executivos de emissoras de televisão disseram a interlocutores que um dos pleitos que farão ao próximo governo é a proibição do pagamento de bonificações por volume, espécie de bônus a agências que emplaquem publicidades na grade de programação. A TV Globo é adepta da prática.

O PT vai explorar contradições de Bolsonaro em relação a questões sociais. Neste domingo (14), Haddad terá um encontro com pessoas com deficiência, em SP. O capitão reformado e seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) votaram contra um inciso da lei que criou o Estatuto da Pessoa com Deficiência, em 2015.

APOIO A HADDAD – O grupo de advogados intitulado “Prerrogativas” lança nesta segunda (15) manifesto pluripartidário em apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT). O documento afirma que a união se dá em torno da defesa da democracia, que está acima de “interesses individuais, corporativos e partidários”. Os organizadores recolheram, até a noite de sexta-feira (dia 12), cerca de 500 adesões ao manifesto.

O candidato ao governo do RN, Carlos Eduardo (PDT), deve ser no máximo advertido pela sigla por ter declarado apoio a Bolsonaro. Ele disputa o segundo turno contra Fátima Bezerra (PT).

Um pedetista justifica: o partido não pode obrigá-lo a se suicidar eleitoralmente para preservar o PT.

FINS E MEIOS – A equipe que ajuda o guru econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, a estruturar as ideias para a área incluiu como medida a ser tomada nos 100 primeiros dias de um eventual governo a redução drástica de tarifas aplicadas ao mercado externo.

A proposta tem como guia relatório técnico da Secretaria de Assuntos Estratégicos do governo Temer de março deste ano. O estudo simula a redução da tarifa para a importação de produtos de 57 setores de bens comercializáveis.

O relatório da SAE estima que haveria redução geral de no mínimo 5% no patamar dos preços. Por outro lado, “as firmas menos competitivas tendem a não sobreviver, o que leva os trabalhadores a migrarem para outros setores da economia”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ao invés de incentivar a indústria brasileira, o gênio do mal Paulo Guedes quer baixar o imposto de importação (IPI) para abrir empregos na China e em outros países. Os generais que assessoram Bolsonaro precisam enquadrar esse entreguista, que pretende vender o Brasil por 30 dinheiros. (C.N.)

“Bolsonaro fomenta violência e estupro”, declara Haddad à agência France Press

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Haddad investe na “demonização” de seu adversário

Deu no Correio Braziliense

O candidato à presidência, Fernando Haddad, acusou neste sábado (14/10) seu adversário de ultradireita, Jair Bolsonaro, favorito nas pesquisas, de fomentar a violência e a cultura do estupro. “Meu adversário fomenta violência, inclusive a cultura do estupro, ele chegou a dizer para uma colega do parlamento que não a estuprava porque não o merecia. Você quer uma sinalização mais violenta do que essa em relação à sociedade?”, alertou Haddad em uma entrevista exclusiva à agência France Press em São Paulo.

Bolsonaro, que obteve no primeiro turno 46% dos votos, contra 29% de Haddad, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), propõe liberalizar o porte de armas para combater a criminalidade, um dos temas mais controversos da campanha.

HADDAD CRITICA – Para Haddad,  escolhido do ex-presidente Lula para substituí-lo na corrida à presidência enquanto cumpre pena de prisão em Curitiba, trata-se de uma resposta com limitações. “Ninguém suporta bandidagem. A questão é que as propostas do Bolsonaro, que são pouquíssimas, inclusive na área em que ele se diz especialista, não vão resolver”, disse o ex-prefeito de São Paulo, de 55 anos.

“Armar a população não vai resolver. Quem tem que prestar o serviço de segurança publica é o Estado. E, se o Estado não está prestando o serviço corretamente, nós temos que adequar o serviço. A minha proposta é que o governo federal, que hoje cuida pouco da segurança, passe a cuidar e a assumir parte das responsabilidades, sobretudo em relação ao crime organizado”, acrescentou.

CONFIANÇA – Haddad, que é professor de Ciência Política e Políticas Públicas, acredita que Bolsonaro perderá a eleição e que ele encontrará canais de diálogo com o Legislativo. “Um professor tem muita mais chance de abrir um diálogo do que alguém como meu adversário, que nunca vi chamar ninguém para dialogar, que nunca aprovou nada relevante em 28 anos de mandato”, afirmou. Haddad ressaltou que Bolsonaro “sempre incitou a violência”. “Imagina uma pessoa que tem como herói um dos maiores torturadores do continente. Essa pessoa é que lidera as pesquisas, mas vai perder”, declarou.

O candidato do PT criticou ainda a forma como Bolsonaro, conhecido por sua retórica misógina, homofóbica e racista, faz campanha, sobretudo por meio do aplicativo de mensagens Whatsapp. “Acho que o que predominou foi a mentira, não foi o Whatsapp. Se ele tivesse usado o Whatsapp para falar a verdade eu não teria nenhum problema com a campanha dele. O problema é que nós já entramos com não sei quantas ações judiciais para tirar do ar os vídeos que a campanha dele produz falando mentiras a respeito de mim e da minha vice (Manuela d’Ávila). O trabalho de desfazer uma mentira é muito maior do que de falar a verdade”, reclama.

“Não sei de onde vem tanto dinheiro para tanta mensagem de Whatsapp, porque ele não declara os custos disso, dando a impressão de que é tudo voluntário”, questiona.

“ERROS” DO PT – Outra estratégia eleitoral de Bolsonaro é vincular Haddad à perpetuação da corrupção, já que o PT foi um dos partidos mais atingidos pela operação Lava-Jato. Haddad reconheceu que seu partido cometeu “erros” quando esteve no poder, mas lembrou que nesses treze anos de governo Lula e Dilma fortaleceram os órgãos de combate à corrupção que permitiram à polícia e à justiça avançar nas investigações.

“Se você perguntar qual foi o governo que mais equipou o Estado para combater a corrupção, foi o nosso. Nosso governo não botou nada para baixo do tapete”.

“Eu compartilho a mesma visão da sociedade de que a corrupção é uma coisa intolerável, mas Bolsonaro em 28 anos no Congresso federal não fez nada, em área nenhuma. Ele só grita contra as coisas, mas o que ele propõe não tem consistência nenhuma”, disse.

Bolsonaro ironiza Haddad e diz que só aceita debate ‘sem interferência de Lula’

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Bolsonaro diz que Haddad será “ventríloquo” de Lula 

Correio Braziliense
(Agência Estado)

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, disse que concorda em ir a debates com seu adversário, Fernando Haddad (PT), mas desde que não haja “interferência externa”, referindo-se à suposta influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de Fernando Haddad (PT).

“Se for debate só eu e ele (Haddad), sem interferência externa (de Lula), eu topo comparecer. Estou pronto para debater; tem de ser sem participação de terceiros”, ironizou, em meio a uma gravação de programas eleitoral na casa do empresário Paulo Marinho, no Jardim botânico, bairro da zona sul do Rio.

O fato de Bolsonaro não confirmar a participação em debates — o capitão reformado já disse que avalia não ir a nenhum, como estratégia para vencer — tem sido uma das maiores críticas feitas por Haddad a ele. No sábado pela manhã, o petista voltou a falar sobre o tema: “Quem não tem propostas, não tem o que debater”, afirmou, antes de encontro com coletivos culturais na Cohab Raposo Tavares, na zona oeste da capital paulista.

VENTRÍLOQUO – Bolsonaro tem rebatido as críticas dizendo que não vale a pena debater com Haddad porque não é ele quem toma as decisões. O militar chamou Haddad de “ventríloquo de Lula” (em aparente confusão, pois ele deveria querer dizer que Lula é o ventríloquo de Haddad) e disse que o adversário não escolherá os ministros caso seja eleito.

 “Quem vai escalar time de ministros será o Lula. Não adianta (ele) ter boas propostas se vai ter indicação política”, continuou. “O mais importante é ter independência para escalar um time de ministros componentes.”

Continência – Questionado sobre essas falas do candidato do PSL, Haddad respondeu que “quem bate continência para americano não tem moral para falar nada”, em referência a uma ocasião em que, em viagem aos Estados Unidos, Bolsonaro bateu continência à bandeira norte-americana.

Haddad ainda tenta encontrar uma estratégia para enfrentar Bolsonaro

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Agora, as duas campanhas usam o verdade e amarelo

Sérgio Roxo
O Globo

Na primeira semana antes do segundo turno, o candidato petista Fernando Haddad não conseguiu fechar as alianças da pretendida “frente democrática” e deixou de lado as agendas de rua que vinha fazendo, passando a se dedicar a reuniões com o comando da campanha em busca de uma estratégia para superar a vantagem de Bolsonaro, e às gravações para o horário eleitoral. O programa agora é diário e tem cinco minutos de duração, quase o dobro do primeiro turno. Serão 13 até a disputa eleitoral, além das inserções exibidas ao longo da programação.

Numa estratégia desenhada para ser implantada de forma casada com a adesão de integrantes de outras correntes políticas, a campanha trocou as cores principais do material de campanha, reduzindo o vermelho e aumentado o verde, o amarelo e o azul. O slogan passou a ser “Brasil para Todos” em substituição ao “Brasil Feliz de Novo”, que remetia aos anos Lula. O líder petista, que está preso em Curitiba, também perdeu destaque na campanha.

DUAS SEMANAS – O PT terá agora apenas duas semanas para tentar reverter a situação. Pesquisa Datafolha divulgada na última quarta-feira mostrou Bolsonaro com 58% dos votos válidos, e Haddad com 42%. A aposta será toda nos ataques duros ao capitão reformado, que começaram a ser adotados pelo presidenciável petista em entrevistas e no horário eleitoral.

A ideia é ligá-lo aos episódios de violência registrados nos últimos dias e destacar o medo no eleitor de um eventual governo da candidato do PSL. Declarações do adversário contra o Bolsa Família e direitos dos trabalhadores também serão exploradas.

Nesta segunda-feira, o candidato deve aproveitar o Dia do Professor e fazer uma agenda com representantes da categoria em São Paulo. Faz parte da estratégia destacar a vida de Haddad como professor. Até assumir a candidatura, ele dava aulas no Insper, em São Paulo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAté agora, a nova estratégia se resumiu em colocar o verde e amarelo na campanha, reduzir a onipresença de Lula e chamar Bolsonaro para um debate.  Apenas isso, e é muito pouco para derrotar o capitão. (C.N.)

Vice de Bolsonaro está proibido de dar entrevistas e prepara-se para casar

General Antônio Hamilton Mourão em entrevista no dia da eleição
Foto: Ailton Freitas / Ailton Freitas

Última declaração foi sobre o “braqueamento da raça”

Jussara Soares
O Globo

Na quinta-feira, o presidenciável Jair Bolsonaro se reuniu pela primeira vez com a bancada eleita de seu partido, o PSL, no Rio de Janeiro. Cinquenta dos 52 deputados federais compareceram. Uma ausência, porém, foi sentida: a do candidato a vice de Bolsonaro, general Antonio Hamilton Mourão (PRTB).

Antes onipresente, Mourão sumiu após o primeiro turno. Antes solícito, esquivou-se de entrevistas. Sua última declaração foi no dia da eleição, quando admitiu ter errado ao dizer que o neto era bonito e contribuía para o “branqueamento da raça”.

A PEDIDOS – O sumiço é um pedido da equipe da campanha. A capacidade de Mourão de colecionar polêmicas com suas declarações preocupava o entorno de Bolsonaro.

Mourão sempre ignorou a fama de falastrão. Disse que foi justamente a clareza com que expõe suas ideias que o aproximou de Bolsonaro na política.

— Ele sempre soube dos meus posicionamentos – diz o general de 65 anos, assinalando que suas palestras de cerca de 45 minutos só agora começaram a ser criticadas. Em suas explanações, fala desde a formação do povo brasileiro até ao fato do neto de 10 anos estudar filosofia na escola. Foi em ambientes favoráveis que ele afirmou que o brasileiro herdou a “indolência” do índio e a “malandragem” do negro, e que lares apenas com “mães e avós” são “fábricas de desajustados.”

— Quando eu não era candidato ninguém dava bola para isso. Agora passou a ter repercussão – disse Mourão antes de sumir.

13º SALÁRIO – A declaração mais delicada de Mourão, que gerou uma reprimenda pública de Bolsonaro, foi uma crítica ao 13º salário. Mas, ao contrário de Bolsonaro, Mourão não se sente perseguido pela imprensa.

— Eu não fico chateado, porque creio na liberdade de imprensa, entendo como um valor. A mídia é feita para os governados, não para os governantes. Os governantes têm que estar sob pressão – diz. – Você vai apanhar sempre. Sei que estou suscetível a críticas.

Foi justamente após uma declaração polêmica que Mourão recebeu o convite de Bolsonaro para entrar na política, no fim de 2017. Na oportunidade, ele havia perdido o cargo de secretário de Economia e Finanças do Exército por defender a possibilidade da intervenção militar caso o Judiciário não conseguisse resolver “o problema político”.

VELHOS AMIGOS – Bolsonaro e Mourão se conheceram em 1986, quando eram tenentes no 8° Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista, no Rio. Em setembro daquele ano, Bolsonaro foi preso por 15 dias após publicar um artigo na revista “Veja” protestando contra os baixos salários. A convivência na Vila Militar, onde ambos moravam,foi curta. Em 1988, Bolsonaro foi eleito vereador.

— Sempre tivemos uma boa relação. Éramos uma dupla de amigos no Exército – contou Mourão.

É essa dupla de amigos que Mourão garante que os dois vão reeditar – e não uma versão verde oliva de Dilma Rousseff e Michel Temer.

VAI CASAR – O fato de ser um general e estar subordinado a um capitão, posição inferior na hierarquia militar, não será uma questão.

— Isso não tem problema – afirma Mourão, cuja patente alta o blinda de ser questionado por outros integrantes da campanha.

O único assunto que Mourão se recusa a comentar é seu casamento com uma tenente-coronel do Exército, de 42 anos, marcado para depois das eleições. “Isso é particular. Eu sou viúvo. A pessoa com quem eu convivo é divorciada. Nada mais natural que a gente se case” – resumiu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não somente o vice foi proibido de dar declarações por Bolsonaro, mas também o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, teve de ficar calado. Guedes revelou um furor uterino pelas privatizações e foi contido pela camisa-de-força dos generais que hoje cercam Bolsonaro para impedi-lo de fazer besteiras. (C.N.)

Advogado acusa Jungmann de crimes contra quem denunciou fraude nas urnas

Jugmann não apura denúncias e ameaça o eleitor

Jorge Béja

Sem convicção, sem certeza e cheio de desconfiança, mesmo assim adotemos como verdadeira a afirmação de que “a urna eletrônica é segura, não permite fraudes e é inviolável”. Ainda assim, se o eleitor a denuncia com provas que conseguiu obter –e não uma denúncia vazia e oportunista – neste caso as autoridades estão obrigadas a instaurar procedimento, no mínimo investigativo, com a convocação do eleitor (ou eleitores) para comprovar a denúncia.

O fato é gravíssimo e as autoridades não podem cruzar os braços. E tratando-se do pior e mais hediondo e abominável crime eleitoral, por ludibriar a boa-fé e a inocência de todo o povo brasileiro e de mais de 147 milhões de eleitores, as autoridades têm o indeclinável dever de acolher o(s) denunciante(s), tratá-los condignamente, por sua coragem, por seu civismo e por seu patriotismo de se expor(em) por uma causa justa e que precisa, inegavelmente, de imediata apuração.

MAS NA PRÁTICA… – Mas parece que as coisas não são assim. Circula na internet um vídeo de pouco mais de 5 minutos, em que o advogado Adão Paiani, com voz firme e demonstrando segurança, convicção e lastreamento fático e jurídico no que está afirmando, anuncia ele que deu entrada no dia 11 de outubro com uma representação criminal na Procuradoria-Geral da República contra o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, pela prática dos crimes de prevaricação, constrangimento ilegal, ameaça e abuso de autoridade.

Isto porque, segundo o advogado, o ministro vem intimidando os cidadãos que denunciam irregularidades que comprometem a lisura da urna eletrônica, como ficou constatado no primeiro turno, diz o advogado. No final deste breve artigo, o endereço do vídeo para ser acessado e ver e ouvir o que fala o doutor Paiane.

TEM TODA RAZÃO – Não conheço o referido advogado. Mas como cidadão, eleitor e também advogado, dou razão ao doutor Adão PaianI. Se há denúncia de irregularidade, a postura da autoridade pública não pode ser a de ameaçar o(s) denunciante(s), e sim chamá-lo(s) e ouvi-lo(s), formalmente, para que traga(m) as provas, e sempre e sempre com a presença do Ministério Público Eleitoral, facultado ao denunciante, arguente ou queixoso – não importa o nome jurídico que lhe seja emprestado – a ampla defesa, o mais transparente e abrangente contraditório e a produção de todas as provas, que conseguiu obter e as que faltam produzir, visto tratar-se de tema intrincado, complexo, e sujeito a todo tipo de trapaça, como ocorre com tudo aquilo que diz respeito à informática e a modernidade do mundo virtual. Afinal de contas, é a Democracia que está em causa. E se procedente a denúncia, somos mais de 200 milhões de vitimados.

SEM IMPUTAÇÃO – E se a denúncia ou queixa não proceder, os eleitores (o eleitor) que reclamaram, se queixaram e se sentiram enganados pelo que, solitariamente, constataram na cabine diante daquela pequena telinha da urna eletrônica, a eles nenhuma imputação criminal pode ser feita. Mas não seria, em tese, denunciação caluniosa? Claro que não.

Ainda que não reste comprovada a denúncia, a denunciação foi corajosa e jamais caluniosa, mesmo porque inexiste sujeito passivo para tal eventual imputação, que seria desarrazoada. Amedrontadora é a posição do ministro contra quem o referido advogado representou criminalmente pelos crimes de constrangimento ilegal, prevaricação, ameaça e abuso de autoridade. Em todas as eleições, gerais ou não, a festa é do povo. E só ao povo pertence. Povo-eleitor.

E se parte do destinatário da festa denúncia de irregularidade (no caso, gravíssima), a denúncia é tão importante quanto o voto. E se muitas são as denúncias de igual sentido, como anuncia o doutor Adão Paiani, aí mesmo é que a gravidade se agiganta e compromete toda a Democracia e a confiança do eleitor. E assim estaremos diante de uma desgraça nacional.

Legado olímpico: Eduardo Paes levou R$ 15 milhões em propina da Olimpíada

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O maior legado foi para os bolsos de Eduardo Paes

Deu em O Dia
(Estadão Conteúdo)

O homem forte do Departamento de Propinas da Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, declarou em delação premiada perante a Procuradoria-Geral da República que o grupo empresarial repassou mais de R$ 15 milhões ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB), o ‘Nervosinho’, ‘ante seu interesse na facilitação de contratos relativos às Olimpíadas de 2016’. As solicitações teriam sido feitas em 2012.

“Dessa quantia, R$ 11 milhões foram repassados no Brasil e outros R$ 5 milhões por meio de contas no exterior. O colaborador apresenta documentos que, em tese, corroboram essas informações prestadas, havendo, em seus relatos, menção a Leonel Brizola Neto e Cristiane Brasil como possíveis destinatários dos valores”, relata o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão de 4 de abril que mandou investigar Eduardo Paes.

OUTRAS DELAÇÕES – O Estadão teve acesso a despachos do ministro Fachin, assinados eletronicamente no dia 4 de abril. Além de Benedicto Júnior, o ex-prefeito do Rio foi delatado pelos executivos da Odebrecht Leandro Andrade Azevedo e Luiz Eduardo da Rocha Soares.

Segundo Leandro André Azevedo, o ex-prefeito do Rio também teria negociado repasse de R$ 3 milhões da Odebrecht para a campanha a deputado federal de Pedro Paulo (PMDB) em 2010. O delator citou o sistema Drousys, a rede de comunicação interna, uma espécie de intranet, dos funcionários do “departamento da propina” da Odebrecht.

“Essas somas seriam da ordem de R$ 3 milhões, tendo a transação sido facilitada por Eduardo Paes, ex-prefeito do município do Rio de Janeiro, por meio de contato com o diretor Benedicto Júnior. Afirma-se, nesse contexto, que, no sistema ‘Drousys’, há referência a diversos pagamentos a “Nervosinho”, suposto apelido de Eduardo Paes”, narra Fachin na decisão que mandou investigar os peemedebistas.

PAES NEGA – Procurado pelo DIA, Eduardo Paes afirmou que “é absurda e mentirosa a acusação de que teria recebido vantagens indevidas por obras relacionadas aos Jogos Olímpicos.” Confira a nota na íntegra.

Eduardo Paes afirma que é absurda e mentirosa a acusação de que teria recebido vantagens indevidas por obras relacionadas aos Jogos Olímpicos. Ele nega veementemente que tenha aceitado propina para facilitar ou beneficiar os interesses da empresa Odebrecht. E reitera que jamais aceitou qualquer contrapartida, de qualquer natureza, pela realização de obras ou projetos conduzidos no seu governo. Paes ressalta que nunca teve contas no exterior e que todos os recursos recebidos em sua campanha de reeleição foram devidamente declarados à Justiça Eleitoral.

PLANILHAS CONFIRMAM – Em anexos aos termos de declaração, segundo o ministro do Supremo, o delator Leandro Andrade Azevedo apresenta as planilhas de que constariam os pagamentos e e-mails em que reuniões teriam sido agendas e solicitações de pagamentos foram feitas.

Em 2016, Pedro Paulo foi o candidato de Eduardo Paes à Prefeitura do Rio. O peemedebista foi derrotado no primeiro turno.

Dois anos antes, em 2014, Pedro Paulo teria recebido R$ 300 mil, ‘de maneira oculta, para a campanha à prefeitura’, segundo Benedicto Júnior. O pedido foi intermediado por Eduardo Paes e haveria registro no Sistema “Drousys” de pagamentos a “Nervosinho”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO GLOBO
Está engraçada a eleição no Rio de Janeiro. A toda-poderosa Organização Globo está atacando por todos os lados o ex-juiz Wilson Witzel, que é o candidato ficha limpa, e enaltecendo o ex-prefeito Eduardo Paes, o candidato ficha-suja. A manipulação dos fatos é evidente e vamos voltar ao assunto, é claro. (C.N.)

 

Haddad tem semana perdida em busca de alianças para o segundo turno

Campanha petista adota cautela em conversas com tucanos para evitar novo revés à campanha de Haddad
Foto: Givaldo Barbosa / Agência O Globo

Haddad não conseguiu formar a “frente democrática”

Sérgio Roxo
O Globo

A primeira das três semanas que terá para tentar reverter a vantagem de 18 milhões de votos de Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno da disputa presidencial foi praticamente perdida para o candidato do PT, Fernando Haddad. A estratégia de construir uma frente democrática, para indicar ao eleitor que a candidatura não representa apenas o petismo, ainda parece distante. Apesar das movimentações, o presidenciável não conseguiu anunciar nenhuma adesão de peso até agora.

Na noite de domingo, logo após ter a passagem confirmada para a etapa final da eleição, Haddad anunciou o plano de “reunir os democratas do Brasil” contra o candidato do PSL. A avaliação dos petistas naquele momento era que não haveria dificuldade para conseguir apoio efetivo do candidato do PDT, Ciro Gomes, terceiro colocado no primeiro turno.

APOIO DE CIRO – Pelo plano traçado, Ciro não apenas declararia adesão ao candidato petista como seria incorporado ao comando da campanha, com voz ativa para definir os rumos no segundo turno. Aliados de Haddad especulavam até que ministério o pedetista ocuparia num eventual governo do ex-prefeito de São Paulo.

Mas a decisão na última quarta-feira do PDT de anunciar apenas um “apoio crítico” jogou um balde de água na estratégia. Em seguida, foi divulgado que Ciro passaria uma semana na Europa, inviabilizando qualquer chance de o pedetista mergulhar na campanha imediatamente. Ciro tem apenas criticado Bolsonaro. Ontem, no Twitter, escreveu: “Bolsonaro é a promessa certa de uma crise.”

A busca para atrair o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) só aconteceria após o apoio de Ciro. E a viagem do terceiro colocado na eleição presidencial deve alterar os planos.

APOIO DE FHC – Em entrevista, Haddad disse que ele o tucano estão se aproximando. Os dois mantêm boa relação, apesar das diferenças partidárias. Quando o petista era prefeito, ele se encontrou com o ex-presidente e os dois chegaram a ir juntos ao Theatro Municipal assistir a uma ópera.

A avaliação entre os petistas é que, depois do balde de água fria despejado por Ciro, o movimento em direção a Fernando Henrique precisa ser bastante calculado para que não ocorra um novo revés, que poderia enterrar definitivamente o sonho da frente democrática. Em entrevista ao Globo, o senador eleito Jaques Wagner, que assumiu a coordenação política da campanha, falou também em tentar atrair Marina Silva (Rede).

Sem mais o que apresentar, Haddad tem enfatizado que conseguiu o apoio do “Esquerda Pra Valer”, um grupo de tucanos que não conta com participação de nenhuma liderança expressiva do PSDB. O petista tem se fiado à promessa de que os integrantes da corrente buscarão figuras históricas do partido.

APOIO DO PSB – Dos candidatos que disputaram a eleição, apenas Guilherme Boulos (PSOL), décimo colocado na corrida pelo Palácio do Planalto, com 617 mil votos, se reuniu com o presidenciável petista para reafirmar apoio. Entre os partidos, o PSB, que havia ficado neutro no primeiro turno da disputa, declarou apoio a Haddad, mas os dois principais candidatos da legenda que disputam o segundo turno da eleição para governador, Márcio França, em São Paulo, e Rodrigo Rollemberg, no Distrito Federal, foram autorizados a ficar neutros.

Na quarta-feira pela manhã, Haddad anunciou que receberia os governadores do PSB que gostariam de anunciar alianças. Só Paulo Câmara (PE) e Ricardo Coutinho (PB), que já haviam declarado apoio ao presidenciável petista no primeiro turno, apareceram.

Se houver reformas, o novo governo pode conseguir estabilizar a economia

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Charge do Genildo (Arquivo Google)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Pelos cenários traçados por Carlos Thadeu Filho, economista sênior do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), se o futuro presidente conseguir reformar o regime previdenciário e o sistema tributário na primeira parte de seu mandato, poderá manter, tranquilamente, o teto que limita o aumento de gastos públicos até 2021. Será um desgaste a menos. Também não terá de se preocupar com a inflação e os juros, já que o teto dos gastos funciona como uma âncora para o Banco Central. Ao limitar o crescimento das despesas pela inflação do ano anterior, o teto indica ao BC que não há risco de deterioração fiscal.

Por mais apoio popular e do Congresso que o próximo presidente da República venha a ter, é certo que ele lidará com inflação e juros maiores. O tamanho do custo de vida e da taxa básica (Selic) dependerá, porém, das políticas que serão adotadas na economia. No cenário base projetado por Thadeu Filho, em que toda a base da atual política macroeconômica será mantida, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará em 4,6% e a Selic saltará dos atuais 6,5% para 8,5% ao ano. Nada que não seja controlável.

É PROIBIDO ERRAR – O importante, ressalta o economista, é que não se cometam erros, que o futuro presidente não embarque em aventuras. O mercado financeiro está acreditando que é mais seguro seguir com Jair Bolsonaro no comando do país, mesmo ele não tendo sido testado em nenhum cargo administrativo.

Apesar de rejeitado pelos donos do dinheiro, Fernando Haddad tem a plena consciência de que, com a inflação sob controle e os juros baixos, poderá retomar as políticas sociais executadas durante os governo de Lula, que engrossaram o mercado de consumo em quase 50 milhões de pessoas.

Diante de tantas expectativas, é importantíssimo que Bolsonaro e Haddad aproveitem as próximas três semanas para explicitarem o que pretendem fazer na economia. Até agora, nenhum dos dois teve a preocupação de mostrar aos eleitores os programas de governo para fazer o país crescer novamente, gerar empregos e distribuir renda. A renovação no Congresso é um sinal eloquente de que ninguém aguenta mais todas as mazelas que se arrastam desde 2014, quando o Brasil mergulhou na mais severa recessão da história.