Com renda de R$ 30 mil, o ex-assessor Queiroz mora numa casa bem modesta…

Casa do ex-motorista de Flávio Bolsonaro,Fabrício Queiroz, que movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e o mesmo mês de 2017 Foto: Juliana Castro / Agência O Globo

A instalação de água da casa é feita com canos aparentes

Juliana Castro e Igor Mello
O Globo

Ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL) e citado em relatório do Coaf por conta da “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017, o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz mora em uma casa simples e sem pintura externa, em um beco no bairro da Taquara, na Zona Oeste do Rio.

Na viela onde Queiroz mora com a mulher, Márcia Aguiar, os imóveis são colados uns aos outros. No beco há varais improvisados do lado de fora das casas, fios emaranhados e canos aparentes. Na casa de Queiroz, um adesivo rasgado com as fotos do presidente eleito Jair Bolsonaro e de seu filho Carlos, vereador no Rio, está colado na fachada. No segundo andar, que tem a laje sem revestimento, tapetes secavam no parapeito ainda sem janela.

CASA DESERTA – No portão que dá acesso ao conjunto de aproximadamente 70 casas, distribuídas em uma rua mais larga e vielas, há um aviso de que a área é monitorada 24 horas. O Globo esteve na segunda-feira na residência de Queiroz, mas não encontrou nem ele e nem a mulher, Márcia. Vizinhos confirmaram que o casal vive na casa.

O relatório do Coaf que cita Queiroz foi anexado à Operação Furna da Onça, que prendeu deputados estaduais. O Ministério Público do Rio já tem procedimentos em curso, que correm sob sigilo, para investigar possíveis irregularidades cometidas por servidores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), com base no relatório do Coaf. O MP não esclarece se as movimentações financeiras de Queiroz estão sob investigação.

O Coaf elaborou relatórios a pedido do Ministério Público Federal. Os procuradores ressalvam que a identificação desse tipo de movimentação não configura um ilícito por si só.

PORTAS TRANCADAS – Na Alerj, a repercussão do caso alterou a rotina do gabinete de Flávio. Normalmente aberto ao público, o local passou boa parte da tarde com portas trancadas.

O relatório do Coaf cita que a conta de Queiroz recebeu repasses de oito funcionários e ex-funcionários do gabinete de Flávio. O Globo procurou duas delas ontem no local. Horas depois de um assessor afirmar que elas estavam presentes, o chefe de gabinete de Flávio, Miguel Angelo Braga, admitiu que elas não foram à Alerj por estarem tratando de suas defesas:

— Estão buscando informações para os esclarecimentos que já estão com data marcada para ser prestados (ao MP). Não estão aqui pelo assédio da imprensa. Não estão podendo vir pelo constrangimento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mistério aumenta. O casal Queiroz recebia mais de R$ 30 mil mensais. Juntos, marido e mulher estão no topo da pirâmide social brasileira. Mesmo assim, moram numa casa de classe média baixa, de pouco valor. Não dá para entender. Nem Freud explica, quanto mais Sherlock Holmes. (C.N.)

PF faz busca em imóveis de Aécio Neves, de dois senadores e três deputados

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PF está vasculhando o apartamento de Aécio em Ipanema

Luiz Fernando Motta
O Tempo

Agentes da Polícia Federal e do Ministério Público cumprem mandados de busca e apreensão em imóveis do senador Aécio Neves (PSDB) na manhã desta terça-feira (11), em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. A ação é um desdobramento da Lava Jato e é baseada em delações de Joesley Batista e Ricardo Saud, que relataram repasse de propina de quase R$ 110 milhões ao senador. Os políticos alvos da operação são três senadores – Aécio Neves (PSDB), Antônio Anastasia (PSBD), e Agripino Maia (DEM) – e três deputados – Cristiane Brasil (PTB), Benito da Gama (PTB), Paulinho da Força (Solidariedade).

De acordo com a Polícia Federal, a operação investiga o recebimento das vantagens indevidas entre os anos de 2014 e 2017, pelo grupo JBS, que teria efetuado o pagamento, inclusive para fins da campanha presidencial de 2014.

EM CINCO ESTADOS – Os policiais estão no apartamento de Aécio, na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, na Zona Sul do Rio. Há equipes também na casa da irmã do senador, Andréa Neves, em Copacabana. O primo dele, Frederico Pacheco, também seria alvo da operação. Há também cumprimento de mandados em endereços do senador Antônio Anastasia.

A operação acontece também em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Bahia e Rio Grande do Norte.

Em nota, a defesa do senador Aécio Neves diz que a medida é “desnecessária” e que o senador é “o maior interessado no esclarecimento de todos os fatos”.

DIZ A DEFESA – Confira na íntegra a nota assinada pelo advogado Alberto Zacharias Toron:

“O Senador Aécio Neves sempre esteve à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários que mostrarão a absoluta correção de todos os seus atos.

É preciso que se esclareça que os recursos referidos pelos delatores da JBS agora como propina são as contribuições eleitorais feitas à campanha do PSDB em 2014 e devidamente registradas na Justiça Eleitoral.

Somam-se a esses valores contribuições legais feitas a outros partidos políticos. A medida é, portanto, desnecessária já que o senador é o maior interessado no esclarecimento de todos os fatos.”

Existe algo em comum entre o futuro ministro Guedes e e o ex-assessor Queiroz

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Paulo Guedes até agora não prestou depoimento

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Queiroz está sumido com a “explicação plausível”

Carlos Newton

Procura-se desesperadamente o economista Paulo Guedes , futuro ministro da Economia, que está sendo esperado na Superintendência da Polícia Federal em Brasilia, para depor no inquérito que apura fraudes em investimentos dos maiores fundos de pensão do país. O depoimento já foi marcado duas vezes e Guedes continua se esquivando. Por que razão? Seus advogados garantem que os investimentos de Guedes deram lucro. Então, por que o economista não depõe logo perante a força-tarefa da Operação Greenfield e se livra das suspeitas?.

Da mesma forma, procura-se desesperadamente o subtenente Fabricio Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro e amigo íntimo do presidente eleito, que também precisa se explica perante as autoridades policiais.

MEIO DESLIGADO – No caso de Guedes, sua omissão é injustificável. Está morando em Brasília, nada impede que se apresente para depor, voluntariamente, como se espera de um cidadão de bem.  Nesta segunda-feira, conforme relato do repórter Marcello Corrêa, de O Globo, o futuro ministro, imerso em seus pensamentos, esqueceu a cerimônia de diplomação do presidente eleito.

Por volta das 15h30, o economista chegou ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde funciona o gabinete de transição. Entrou apressado. Questionado por jornalistas se não iria ao evento, que começaria logo a seguir, às 16 horas, deu meia-volta e disparou para o carro de onde acabara de desembarcar.

PERDIDO NO ESPAÇO – Quanto ao subtenente PM Fabrício Queiroz, não está sendo investigado nem tem obrigação de depor. No entanto, seu depoimento é muito mais ansiado do que o de Guedes. Os malfeitos do futuro ministro só atingem de raspão o presidente eleito, que pode (e até deve) se livrar dele com apenas um telefonema, como era o estilo mal educado do então presidente Lula.

Mas as armações financeiras do amigo Queiroz, companheiro de pescarias e churrascos, envolve diretamente Jair Bolsonaro e a primeira-dama Michelle. Tudo indica que a família aumentava a renda mediante repasse de parte dos salários dos funcionários dos gabinetes, e o esquema era comandado pelo subtenente que tomou Doril, digamos assim.

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P.S.
A opinião pública e o futuro ministro Sérgio Moro continuam aguardando a “explicação plausível” anunciada pelo deputado Flávio Bolsonaro.  Quanto mais tempo Queiroz seguir perdido no espaço, mais piora a constrangedora situação do clã Bolsonaro. (C.N.)

Por mera coincidência, Sérgio Moro vai ampliar e reforçar a estrutura do Coaf

O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro — Foto: Rafael Carvalho/governo de transição

Moro vai ampliar a capacidade de investigação do Coaf

José Carlos Werneck

Segundo reportagem do jornalista Breno Pires, do “O Estado de São Paulo”, divulgada no site Uol, o futuro ministro da Justiça Sergio Moro vai reforçar a estrutura do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), principal órgão responsável pela fiscalização dessa área no País, e agilizar o repasse de todas as informações e dados às autoridades de investigação.

O Coaf é vinculado atualmente ao Ministério da Fazenda, foi criado há 20 anos e agora ficará sob a responsabilidade de Sergio Moro, ex-juiz responsável pelos processos oriundos das investigações da Operação Lava Jato no Paraná.

LEONEL INDICADO – Moro indicou o auditor Roberto Leonel, chefe da área de investigação da Receita Federal em Curitiba, para comandar o Coaf a partir do próximo dia de 1º de janeiro. Foi o Coaf que identificou e informou ao Ministério Público Federal a “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017, em uma conta do então subtenente da PM Fabrício Queiroz, então assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, do PSL do Rio de Janeiro, filho mais velho do presidente eleito.

O relatório, divulgado pelo “O Estado de São Paulo” na última quinta-feira, revelou que uma das transações feitas pelo ex-assessor Fabrício José Carlos de Queiroz foi um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro. No sábado, Bolsonaro disse que o dinheiro foi pagamento parcial de um empréstimo que fizera a Queiroz, por volta de R$ 40 mil.

COAF PRÓ-ATIVO – A proposta de mudança do Coaf prevê a ampliação do quadro de funcionários, que hoje conta com apenas 37 servidores, e investimento em tecnologia. Um dos objetivos da reestruturação é que o órgão atue de forma mais “pró-ativa e ágil”.

Há duas formas principais de atuação do Coaf. Uma é quando uma autoridade pede a informação por causa de uma investigação em curso. Essa é a que representa a maior parte dos relatórios feitos atualmente pelo órgão.

O que o reforço na estrutura pode fortalecer é a segunda forma de atuação, quando o próprio Conselho identifica suspeitas, em seu trabalho de busca de dados, e encaminha espontaneamente para autoridades.

CASO QUEIROZ – Foi com base na atuação espontânea que o Coaf enviou aos investigadores que deflagraram a operação Furna da Onça, no Rio, o relatório sobre Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Segundo Antonio Ferreira, atual presidente do Coaf, apesar de a comunicação espontânea ter alto impacto, o órgão “não tem estrutura suficiente para estar mais perto das investigações, para que possa prospectar ainda mais esses tipos de crimes e levar aos investigadores”. “O que se espera é que o Coaf esteja mais próximo do investigador, que o trabalho dele possa estar mais conectado lá na base, no mundo operacional, que ele possa estar mais presente ali”, afirmou ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

Relatórios do Coaf com base em alertas de setores econômicos sobre transações financeiras, quando há indícios de lavagem de dinheiro, abastecem órgãos como Polícia Federal, Ministério Público, Tribunal de Contas da União, Controladoria-Geral da União, Receita Federal ePolícia Civil.

BLOQUEIO DE BENS – Em 2017, R$ 46 milhões foram bloqueados judicialmente após atuação do Coaf,  relacionada a investigações sobre lavagem de dinheiro e crimes investigados pela PF e pelo MPF.

Há 15 anos no órgão, sendo 11 como diretor de inteligência, Antonio Ferreira destaca como positivo que o novo governo coloque o combate ao crime como política de Estado. “Apesar de o DNA do órgão estar ligado à área econômica, o destinatário final é a parte penal”.

No Coaf e na equipe de transição, é unânime o entendimento de que a dinâmica de enfrentamento ao crime deve ser fortalecida e que é necessário focar no combate ao crime organizado e à lavagem, até como forma de prevenção. O diálogo tem sido constante entre a equipe atual e a que vai assumir em janeiro.

Se as despesas com os inativos subiram, é porque houve aposentadoria precoce

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               Charge do Nef (Jornal da Brasília)

Pedro do Coutto

O título desta matéria, a meu ver, reflete bem uma realidade que tem sido desfocada pelos integrantes das equipes econômicas que tratam de assuntos vinculados à reforma previdenciária. Reportagem de Marcelo Correa e Cássia Almeida focaliza o tema partindo de um trabalho de integrantes do Tesouro Nacional e também dos que se integram na equipe de transição liderada por Paulo Guedes.

O levantamento, feito de forma unilateral, sustenta que de 2015 a 2017 as despesas dos estados com pensionistas e aposentados subiu muito mais do que os encargos com os servidores que ainda estão na ativa.

COMPARAÇÃO – Ocorre que como ninguém pode ser nomeado aposentado ou pensionista, a situação exposta nessa matéria, publicada na edição de ontem de O Globo, obrigatoriamente tem de incluir a passagem de uma situação para outra. Assim a comparação com os desembolsos com educação e saúde não inclui o pagamento dos funcionários que continuam trabalhando.

É lógico, pois, que ocorreu foi grande número de aposentadorias motivado pelo temor da perda de direitos com a reforma previdenciária pela qual o governo Temer tanto defende. Nesse aspecto, o presidente Jair Bolsonaro tem sido mais cauteloso. Recentemente ele afirmou (saiu nos quatro grandes jornais do país) que não é possível prejudicar direitos consolidados.

A matéria de O Globo é acompanhada de um gráfico estatístico citando as despesas dos estados do país com o pagamento dos inativos.

14% POR MÊS –Como acontece no Rio de Janeiro, são Inativos que, continuam recolhendo 14% sobre seus vencimentos. Trata-se de um caso de cobrança adicional, porque, para conquistar a aposentadoria, os funcionários contribuíram ao longe de suas vidas.

O estudo em foco, incluindo a opinião de vários economistas, sustenta que o crescimento das despesas explica a dificuldade de obter recursos para investimentos.  Entretanto, as duas equipes chegaram à conclusão de que os problemas dos estados, em face da queda de consumo, decorre sobretudo da decadência do ICMS e do Fundo de Participação dos Estados no processo econômico que atingiu as duas receitas.

DIREITOS ADQUIRIDOS – Aí, sim, fica estabelecida uma realidade muito mais forte do que o pagamento com aposentadorias e pensões, setor impossível de receber qualquer corte, pois se trata de direitos adquiridos ao longo do tempo.

O documento foi também elaborado por Paulo Tafner e Armínio Fraga. E a questão colocada é muito simples. Grande número de funcionários se aposentou tão logo sua iniciativa coincidiu com as condições para a passagem da atividade para a aposentadoria em função das ameaças de perda dos direitos, que hoje ainda são assegurados aos inativos no serviço público federal.

Procuradoria repudia assassinatos de sem-terra e considera ‘contexto sombrio’

Trabalhadores sem-terra ocuparam Ministério da Fazenda nessa terça (23) reivindicando o debate sobre a reforma agrária e o refinanciamento do crédito rural para pequenos produtores

Os dois militantes foram executados durante o jantar 

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

A Procuradoria Geral da República (PGR) divulgou nota em conjunto com outros dois órgãos do Ministério Público Federal em que repudia os assassinatos de dois militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocorridos na noite de 8 de dezembro em Alhandra, na Paraíba. Para os órgãos, as mortes preocupam pelo atual “contexto sombrio de violência contra os movimentos sociais” no País.

A Polícia Civil trata o caso como execução. De acordo com testemunhas, criminosos encapuzados invadiram o acampamento Dom José Maria Pires e assassinaram Rodrigo Celestino e José Bernardo da Silva, conhecido como Orlando, que estavam jantando, a tiros.

TAMBÉM O IRMÃO – A PGR afirma que Orlando era irmão de Odilon da Silva, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), também assassinado, há nove anos, na Paraíba. Ambos eram irmãos de Osvaldo Bernardo, atual líder do MAB.

“Agora, quando se comemora dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, mais um irmão de Osvaldo é assassinado, fato que preocupa diante do contexto sombrio de violência contra os movimentos sociais e demonstra quão distante ainda estamos da efetivação dos direitos garantidos pela Declaração” – diz a nota da PGR.

Também assinam a nota a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) e a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão na Paraíba (PRDC/PB). Os órgãos prometem “compromisso com a proteção dos direitos humanos dos assentados” e afirmam que ajudarão os órgãos de investigação para que “a autoria do duplo assassinato seja esclarecida e os responsáveis punidos conforme a lei”.

Enquanto o ex-assessor não se explica, as especulações aumentam sem parar

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O ex-assessor precisa se explicar, o mais rápido possível

Felipe Moura Brasil
No Facebook

Prevalece no debate público brasileiro a preocupação de cada debatedor em ser o maior opositor ou defensor de um político, juiz, grupo ou corrente ideológica, e não a análise dos fatos disponíveis até cada momento e dos limites do que se pode concluir a partir deles, enquanto fatos novos ou ocultos não vêm à tona.

Que a militância dos partidos atue assim, dentro dos limites da lei, é do jogo. Mas a transformação da atividade jornalística e intelectual em megafone de interesses partidários, quando não de ranços e recalques pessoais, resultou nessa ‘futebolização’ do debate, onde se faz vista grossa para imoralidades ou ilegalidades cometidas por gente do seu “lado”, enquanto se acusa gente do outro de barbaridades sem indícios suficientes.

SEM INDÍCIOS – Nunca houve fatos disponíveis que permitissem a conclusão de que Jair Bolsonaro é um nazista (que dirá Hitler, que comandou o extermínio de milhões de judeus), como setores da imprensa e demais militantes pintavam o deputado; nem indícios suficientes para a conclusão de que havia cometido qualquer crime de corrupção, mesmo após toda a devassa feita na vida do líder constante das pesquisas que acabou eleito presidente.

Tampouco faltou, decerto, motivos para notar que Bolsonaro, como escrevi em 9 de agosto, não é a encarnação perfeita do conservadorismo, e que também, como ele próprio havia dito, não é santo.

O EX-ASSESSOR – Para as arquibancadas estremecerem, no entanto, bastou vir à tona um fato oculto e até o momento mal explicado sobre a identificação pelo Coaf de movimentação bancária – não exatamente dinheiro em conta – de 1 milhão e 200 mil reais de um ex-assessor de seu filho Flávio, o PM Fabrício Queiroz, que assinou um cheque de 24 mil reais para a futura primeira-dama Michelle, agora atribuído pelo presidente eleito, sem maiores detalhes, ao pagamento de uma “dívida pessoal” de Queiroz com ele – Bolsonaro -, que contou ainda ter feito o depósito na conta da esposa por “questão de mobilidade”, já que tem dificuldade para ir ao banco em razão da rotina de trabalho.

De um lado, no debate público, já começou a sessão “eu avisei”, na qual todas as análises erradas sobre o resultado da eleição e as rotulações descabidas feitas durante a corrida eleitoral supostamente se justificam a posteriori em razão do fato oculto revelado e ainda não esclarecido que nenhuma delas tinha levado em consideração.

PROIBIDO CRITICAR – De outro lado, com variações de grau, mas certamente em menor escala que a dos petistas quando alvos de investigação, já se recrimina na internet qualquer jornalista que, sem cravar conclusões antes da hora, divulga e apura as informações relativas ao caso, cobrando explicações de Jair, Michelle e Flávio, de quem, aliás, oito assessores fizeram depósitos na conta de Queiroz.

Neste domingo, Jair Bolsonaro disse que o ex-assessor do filho “tem que explicar” e, referindo-se a qualquer irregularidade, que “pode ser, pode não ser”. O presidente eleito ressaltou que as movimentações mais altas aconteceram com a mulher e as duas filhas de Queiroz, e sugeriu que os valores transferidos pelos demais assessores foram baixos:

“Um ao longo de um ano transferiu 800 reais, o outro transferiu 1.500 reais, poxa.”

EXPLICAÇÃO PLAUSÍVEL – Já Flávio Bolsonaro disse que falou com Queiroz e ouviu uma explicação plausível, mas que o ex-assessor terá de convencer não ele, mas o Ministério Público quando for chamado a depor.

Enquanto Queiroz não traz à tona sua explicação, as especulações sobre o caso obscuro ecoam aos quatro ventos. Na hipótese mais comprometedora para Jair Bolsonaro, ele teria comandado e se beneficiado para despesas pessoais de um esquema ilícito de coleta de taxas dos salários dos empregados em gabinetes de membros da família. As variações dessa hipótese, descendo em escala de comprometimento, seriam Flávio comandar o esquema sem conhecimento do pai, ou Queiroz comandá-lo sem conhecimento de Flávio nem de Jair.

Até o momento, apesar da margem para desconfianças, não é possível cravar qualquer conclusão. A não ser as de sempre: que todo culpado de ilicitude deve ser punido, seja quem for; e que a revelação de fatos ocultos não consagra a histeria, nem redime erros passados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGExcelente artigo do Felipe Moura Brasil, enviado pelo advogado João Amaury Belem. Realmente, o sumiço do subtenente Queiroz está cheirando muito mal. Esse pilantra precisa apresentar a “explicação plausível” o mais rápido possível. (C.N.)

Qualquer coisa que atinja os filhos de Bolsonaro respingará no seu governo

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

João Domingos
O Estado de S.Paulo

Pela composição da chapa presidencial, pelo resultado da eleição para a Câmara e para o Senado, e pela escolha de alguns ministros que tendem a se pautar pela ideologia ou mesmo pela fé religiosa, é bastante provável que o governo de Jair Bolsonaro venha a ter no mínimo três focos permanentes de tensão.

O principal deles, e desse não há como escapar, está na família do presidente eleito. Pela primeira vez na história recente do País, e é possível que em todo o período republicano, um presidente da República terá três filhos com mandato parlamentar: Eduardo, deputado, Flávio, senador, estes dois pelo PSL, e Carlos, vereador no Rio de Janeiro pelo PSC. Todos eles conselheiros do pai, ativos politicamente, e muito atuantes pelas redes sociais.

SERÁ NOTÍCIA – Qualquer opinião deles a respeito de seja lá o que for, qualquer articulação que fizerem, qualquer coisa que os atinja, respingará no governo e será notícia com destaque. Natural que seja assim, porque não há como desvincular o pai dos filhos sabendo-se que são tão unidos e que têm o pensamento praticamente igual.

Exemplos da grande repercussão de tudo o que envolve os filhos já há aos montes. Em abril o deputado Wadih Damous (PT-RJ) xingou o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, e disse que a solução para a Corte seria o seu fechamento, transformando-a em tribunal constitucional. O deputado Eduardo Bolsonaro disse em julho, numa palestra, no Paraná, que bastavam um cabo e um soldado para fechar o Supremo. O choque maior foi causado pela fala de Bolsonaro, pois ele vive a expectativa do poder. Damous já o perdeu.

ATO CONSENTIDO – Quando a disputa pelas presidências da Câmara e do Senado começar, qualquer coisa que Flávio Bolsonaro fizer no Senado, ou o irmão fizer na Câmara, será visto como um ato consentido do pai, o presidente da República, mesmo que nada tenha a ver com ele. Se por um lado Jair Bolsonaro pode dizer, como tem dito, que é um pai feliz por ter três filhos em cargos eletivos, por outro lado ele terá de aceitar que, pelas circunstâncias que envolvem o poder, os filhos são também um peso.

O segundo possível foco de tensão do governo de Bolsonaro estará no recém-criado Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Em primeiro lugar, porque é um ministério que atuará em áreas sensíveis da sociedade, envolvendo índios, minorias, direito das mulheres, comunidade LGBT e as novas siglas que a ela vão se interligando e direitos humanos. O ministério será um ímã para atrair a atenção dos grupos sociais mais organizados e engajados do País, levando-se em conta as opiniões conhecidas da futura ministra da pasta, a advogada e pastora Damares Alves.

OPINIÕES FIRMES – Ela já se disse contrária ao aborto, que ninguém nasce gay, que não é a política, mas a igreja evangélica que vai mudar a Nação, e que as feministas promovem uma guerra entre homens e mulheres. Não há dúvidas de que a polêmica vai se instalar nessa área. Para piorar, o Ministério Público abriu ação civil pública contra uma ONG de Damares por “dano moral coletivo decorrente de suas manifestações de caráter discriminatório à comunidade indígena” por causa da divulgação de um filme sobre infanticídio indígena feito pela organização. Os procuradores pedem que a ONG seja condenada a pagar R$ 1 milhão.

O terceiro possível foco de tensão no governo de Bolsonaro está no vice-presidente, o general Hamilton Mourão. Acostumado a falar o que pensa sobre tudo e sobre todos, da política externa à política trabalhista, da necessidade de aprovação da reforma da Previdência à privatização de estatais, o vice causa barulho. Mesmo que diga que perdem tempo os que acham que vão intrigá-lo com Bolsonaro, suas declarações sempre vão causar impacto.

O futuro do serviço público não parece nada promissor

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Charge do Tacho (Jornal NH)

Percival Puggina

Durante boa parte de nossa história, o serviço público e a política foram os destinos principais de quem buscasse uma feliz combinação de sustento familiar e relevo social. Mães zelosas ambicionavam ver os filhos empregados no setor público ou numa empresa estatal.

Passaram-se os anos, o Estado brasileiro cresceu e sua burocracia se sofisticou. Às centenas, surgiram empresas públicas e se multiplicaram os ministérios, as secretarias, os departamentos. Miríade de novos municípios, conforme iam sendo criados, reproduziam essa expansão na base da pirâmide do poder político. Todo o organismo estatal se agigantou, num fenômeno que lembra a divisão celular por mitose e meiose. Concursos públicos e cargos de confiança proveram novas, crescentes e permanentes possibilidades de acesso a vagas em posições detentoras do privilégio da estabilidade.

LUZES VERMELHAS – O serviço público se manteve, através das décadas, como um lugar que permitia a sobrevivência digna, sob proteção de regras que concediam segurança e remuneração por vezes acima do mercado de trabalho no setor privado da economia.

Há mais de 40 anos, porém, luzes vermelhas começaram a sinalizar a gradual aproximação de severas dificuldades. Os ombros dos carregadores não iriam suportar o peso daquele andor. A atividade se tornara campo fértil para atuação de grupos em que a demagogia política de uns turbinava a voracidade corporativa de outros.

A conta cada vez mais salgada das folhas de ativos, inativos e pensionistas foi reduzindo drasticamente a capacidade de pagamento e de investimento do setor público. A qualidade foi sumindo dos serviços prestados, as instalações se degradando e os vencimentos perdendo poder de compra. O problema aqui descrito passou a afetar a União, os estados e os municípios.

DEDOS E ANÉIS -Durante longos anos, porém, enquanto essa realidade tolhia os governos, a autonomia dos poderes permitiu que o custo da crise fosse circunscrito ao executivo. Os demais conseguiram preservar dedos e anéis.

Nestes dias, contemplamos o fim de um ciclo. Três anos de recessão e mais dois de baixíssimo crescimento do PIB completaram o estrago. Acabou. Medidas duríssimas já vêm sendo adotadas e precisarão ser ampliadas para pôr fim à crise fiscal e para que se restaure a confiança e a capacidade de investimento do setor privado e do setor público.

Então, com a experiência de quem trabalha há 55 anos, tendo atuado nos dois lados desse balcão, constato que o futuro do emprego público é nada promissor, exceto (e assim mesmo, talvez) em algumas limitadas e disputadíssimas carreiras de Estado.

PRODUZIR – Bem ao contrário do que hoje acontece como orientação pedagógica, é importante despertar, nos jovens, interesse por atividades produtivas e estimulá-los a buscar o merecimento indispensável à competitividade. Desenvolver a mente e o espírito, aderir a valores perenes, adquirir hábitos de leitura e de estudo continuado e fazer de si mesmo o melhor possível será sempre um caminho virtuoso de inserção ativa nas complexidades da vida social, política e econômica.

Em meio a elas, não convém a dispersão proporcionada pelas facilidades, nem o esmorecimento sugerido pelas dificuldades. O futuro, ou estará no setor privado da Economia, ou será um estuário de maus pressentimentos.

A experiência dos povos ensina que a crise pela qual estamos atravessando é parteira de novas e melhores possibilidades. E essa é a boa notícia que tenho a dar.

 

‘Não cabe a mim dar explicações sobre isso’, diz Moro sobre o ex-assessor

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Moro aguarda  explicações do assessor de R$ 1,2 milhão

Guilherme Mazui
G1 — Brasília

O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmou nesta segunda-feira (dia 10) que não cabe a ele dar explicações sobre as movimentações bancárias de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro, consideradas suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Flávio é filho do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e elegeu-se senador neste ano. Segundo o Coaf, um dos seus ex-assessores, Fabrício José de Carlos Queiroz, movimentou mais de R$ 1,23 milhão, entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017. Ainda de acordo com o Coaf, Queiroz depositou R$ 24 mil na conta da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

DISSE MORO – Na semana passada, ao ser questionado sobre o tema ao final de uma entrevista, Moro se retirou sem comentar o relatório do Coaf. Nesta segunda-feira, porém, falou sobre rapidamente sobre o caso.

“Fui nomeado para ser ministro da Justiça, não cabe a mim dar explicações sobre isso. O que existia no passado do ministro da Justiça opinando sobre esses casos concretos é inapropriado. […] O ministro da Justiça não é uma pessoa que deve ficar interferindo em casos concretos, e eu, na verdade, nem sou ainda ministro da Justiça. Então tiveram pessoas cobrando uma posição, mas, assim, as pessoas [citadas] que têm que prestar os esclarecimentos”, disse Moro.

De acordo com o futuro ministro da Justiça, o presidente eleito “já apresentou os esclarecimentos” sobre o assunto e, se o caso não for esclarecido, deve ser investigado.

“MOBILIDADE” – Na última semana, Bolsonaro disse que o dinheiro quitou uma dívida de Queiroz com ele próprio e foi depositado na conta da futura primeira-dama por “questão de mobilidade”, pois ele tem dificuldade para ir ao banco em razão da rotina de trabalho.

“Os fatos têm que ser esclarecidos, o presidente já apresentou os esclarecimentos, têm outras pessoas que precisam prestar os seus esclarecimentos, e os fatos, se não forem esclarecidos, têm que ser apurados. Eu não tenho como eu ficar assumindo esse papel”, afirmou o futuro ministro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sérgio Moro deu uma declaração curta e inquestionável. Ele nada tem a ver com o assunto, que depende agora de esclarecimentos do assessor amigo da família Bolsonaro e das demais pessoas envolvidas, que fizeram depósitos na conta dele. O problema é que o subtenente Queiroz está mais sumido do que caviar em mesa de pobre. Aliás, outro que desapareceu foi o economista Paulo Guedes, que é aguardado pela força-tarefa da Operação Greenfield, para prestar depoimento sobre negócios e negociatas. Vamos ver até quando vão os dois sumiços. (C.N.).

Desembargador Siro Darlan é suspeito de soltar presos mediante propinas

Desembargador Siro Darlan Foto: Rafael Moraes / Agência O Globo

Darlan alega que é “garantista” e segue a Constituição

Chico Otavio, Daniel Biasetto e Vera Araújo
O Globo

O desembargador Siro Darlan , presidente da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, é suspeito de soltar presos durante plantões judiciais em troca de propina. Darlan é alvo de inquérito no Superior Tribunal de Justiça ( STJ ), que apura a venda de sentenças no fórum da capital.

Em dois casos investigados, detentos teriam sido beneficiados por decisões de Darlan. Num deles, foi anexada a colaboração premiada de um dos envolvidos, que afirmou ter ouvido de um dos presos sobre o pagamento a um intermediário do magistrado: R$ 50 mil para ser solto. Inicialmente, segundo o delator, o lance foi de R$ 120 mil, mas caiu para menos da metade dividido em duas parcelas.

REPRESENTAÇÃO – Darlan é um magistrado controverso no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) pelas decisões recorrentes de dar liberdade a presos em plantões judiciais. Além dos inquéritos no STJ, também é alvo de uma representação na presidência do TJ-RJ, assinada pelos outros quatro desembargadores da 7º Câmara, e uma investigação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apurar faltas disciplinares.

Um dos inquéritos no STJ tem origem em Resende (RJ). Presidente do Sindicato do Comércio Varejista do município, o economista Ricardo Abbud foi preso em 2015 com mais 21 acusados de praticar irregularidades na Câmara dos Vereadores. O delator contou ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que, quando Abbud estava preso com ele, lhe relatou que seu pai, João Bosco de Azevedo, negociou “com pessoa interposta pelo desembargador Siro Darlan” a quantia de R$ 50 mil por sua liberdade.

O economista foi solto pelo plantão judiciário, ao qual Darlan foi designado, em 30 de outubro de 2015. No segundo dia em liberdade, ele foi ao Sindicato do Comércio Varejista de Resende, onde era presidente. Há indícios de que ele tenha ido destruir provas.

PRESO SOLTO – O outro caso apurado no inquérito é do preso Samyr Jorge João David, que responde a processos por tentativa de latrocínio, roubo e interceptação. A prisão dele foi decretada em junho de 2016. O advogado dele, Hugo Sant’Anna Onofre Alves impetrou dois habeas corpus em favor de Samyr: um pelo crime de tentativa de latrocínio e outro por roubo. Os dois pedidos teriam sido direcionados justamente para o plantão judiciário do desembargador investigado, que determinou a soltura do preso.

A liminar deferida por Darlan em 1º de outubro, no entanto, foi revogada pelo desembargador-relator Flávio Marcelo de Azevedo Horta Fernandes, que restabeleceu a prisão preventiva de Samyr em 4 de outubro de 2016. Fernandes ressaltou em sua decisão que o advogado do réu direcionou petições de habeas corpus no plantão de Darlan. Apesar da nova decisão pela prisão de Samyr, o juiz titular da 1ª Vara Criminal de Nilópolis, Alberto Fraga, informou que o réu já estava em liberdade em decorrência da liminar de Darlan.

GRAMPO – Numa interceptação telefônica autorizada, o advogado de Samyr — que em 2001 já respondeu pelo roubo de motocicleta — foi flagrado em conversa com Luís Eduardo Soares, ex-motorista de Darlan. Soares é conhecido no prédio das Câmaras Criminais como Mister Bean pela semelhança com o personagem do comediante inglês Rowan Atkinson.

Em 2005, Soares, então assessor de Darlan, foi preso em flagrante quando retirava 80 ingressos de cortesia na bilheteria de uma casa de shows, em nome da juíza titular da 1ª Vara da Infância e da Juventude e do Idoso da capital. Darlan pediu sua exoneração depois do incidente, mas continuou mantendo relações com o ex-assessor.

VOLUNTÁRIO – Até 2017, Darlan se voluntariava aos plantões. Cada noite trabalhada correspondia a dois dias de férias, mas no Superior Tribunal de Justiça está consolidada a ideia de que advogados dirigiam as petições para ele. Com uma série de escândalos até hoje impunes, o CNJ obrigou o TJ-RJ a acabar com o plantão voluntário e estabelecer uma escala anual com os 180 desembargadores.

Ao receber a notícia sobre o inquérito do STJ em que aparece como investigado, o desembargador Siro Darlan disse estar surpreso com a investigação. Ele afirmou que sabia da reclamação disciplinar instaurada no CNJ, justamente a respeito da suspeita de que Abbud teria pago a um suposto “intermediário” dele.

INTERPELAÇÃO  — “No caso do CNJ, eu interpelei judicialmente Abbud e seu pai, o Bosco, numa vara criminal. Eles negaram qualquer tipo de irregularidade contra a minha pessoa. Também processei o delator por danos morais, mas a juíza entendeu que não cabia a punição a alguém que estivesse colaborando com a Justiça. No caso de Abbud, eu apliquei medidas cautelares, porque não cabia sua prisão, uma vez que se tratava de crimes como fraude à licitação”.

Sobre a liberdade que concedeu a Samyr, Darlan disse que não se lembrar do caso. “Foram nos meus plantões mesmo? Não me recordo. Enfim, acho ótimo que me investiguem. Sou o primeiro interessado nisso. Há pessoas que não gostam de mim pelo fato de ser um juiz garantista, por seguir o que a Constituição Federal prevê”.

Novos governadores estão condenados a administrar situações de pré-falência

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Sebastião Nery

Ao ignorar o limite para as despesas de pessoal, os Estados brasileiros geraram a falta de liquidez do crescimento da dívida pública, bloqueando investimentos e atingindo a população na prestação de serviços públicos. Os novos governadores vão receber uma herança maldita: a crise fiscal, buscando urgência no ajuste das contas públicas. Adiar essa questão levará à insolvência muitas unidades federativas.

É gravíssima a situação fiscal na maioria dos Estados. Os governadores que assumirão o poder herdarão a falta de prudência das administrações passadas, elevação de despesas sem a contrapartida na capacidade de arrecadação.

REFORMAS PROFUNDAS – A carência de investimentos dos Estados está se refletindo na ausência de recursos nas áreas de educação, saúde, segurança pública e infraestrutura. O descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal gerou a dramática realidade. A alternativa é buscar disciplinada política fiscal, e reformas profundas.

Vai exigir coragem de estadistas, não temendo a impopularidade momentânea, implantando corajosa reforma no aparelho estatal para evitar o colapso dos serviços públicos. Um exemplo é a extrapolação das despesas com salários e aposentadorias que vem estourando o limite de gastos com pessoal.

Recente relatório do Tesouro Nacional atesta que essa questão vem se agravando, e 16 Estados podem vir a ser declarados insolventes. É um grande desafio para os novos governadores. Muitos dos seus antecessores desrespeitaram a Lei de Responsabilidade Fiscal que fixa o teto máximo de 60% da Receita Corrente Líquida para a folha de pessoal.

ACIMA DO LIMITE – O Tesouro Nacional constatou que em cinco Estados, o gasto com pessoal ultrapassou 75% da receita corrente líquida: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Acima de 60% da receita estão: Distrito Federal, Piauí, Tocantins, Mato Grosso, Acre, Sergipe, Paraíba, Roraima, Alagoas, Bahia, Paraná e Santa Catarina.

O alerta de Ana Carla Abrão Costa, ex-secretária da Fazenda de Goiás é oportuno: “Todos os Estados estão na mesma correnteza, com uma grande queda à frente na qual alguns já foram tragados. É trajetória insustentável. Se os Estados não fizerem ajustes, as despesas com pessoal vão consumir toda a receita, determinando o colapso dos serviços públicos”. O economista Raul Velloso na mesma direção lembra que a principal fonte de desequilíbrio está na folha de pagamento dos aposentados e inativos.

PREVIDÊNCIA – O Anuário Estatístico da Previdência Social traduz em números essa realidade: em Minas Gerais os servidores ativos são 217.034; os inativos e pensionistas, 319.043. No Rio Grande do Sul, os ativos são 117.934 e os inativos e pensionistas, 205.835. No Rio de Janeiro são ativos 215.265 contra 253.009 inativos e pensionistas. Em Santa Catarina, são ativos 65.112 e 66.557 inativos e pensionistas. Nos demais Estados, o número de servidores ativos ainda é maior com diferenças mínimas, mas tendente ao crescimento de inativos e pensionistas ao longo dos próximos anos.

Alguns governos estaduais esconderam a fragilidade das contas públicas pela maquiagem contábil. A finalidade era demonstrar que estavam nos limites fixados pela Lei de Responsabilidade Fiscal, para a política de gastos com pessoal. A artificialidade fiscal agora cobra o preço da falsificação dos números. Desequilíbrio orçamentário é caminho seguro para o insucesso de qualquer administração.

Interlocutores de Bolsonaro pedem “explicação convincente” sobre ex-assessor

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Flávio Bolsonaro coloca o pai em situação constrangedora

Gerson Camarotti
G1 Brasília

Integrantes do governo de transição e interlocutores do presidente eleito Jair Bolsonaro já não escondem mais a preocupação com os desdobramentos do caso da movimentação bancária atípica de Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), apontada em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O blog apurou que esse desconforto é maior principalmente entre os interlocutores da área militar do futuro governo. Para esse grupo, é necessária uma explicação convincente para encerrar o caso.

SILÊNCIO DE QUEIROZ – Há forte contrariedade com o silêncio prolongado de Fabrício Queiroz, que ainda não se pronunciou desde que o caso foi noticiado, na quinta-feira (dia 6). A percepção é que isso pode causar desgaste precoce na imagem do próprio Bolsonaro, que tem sido questionado constantemente pelo episódio.

“Uma coisa é a justificativa jurídica para o Ministério Público; outra coisa é uma resposta imediata para a sociedade. Caso contrário, haverá desgaste político”, disse ao Blog um integrante da equipe de transição.

De forma reservada, existe desconforto até mesmo com a resposta de Bolsonaro, que disse que os R$ 24 mil depositados por Fabrício na conta de sua esposa, Michelle Bolsonaro, eram pagamento de uma dívida.

EXIBIR OS REGISTROS – Segundo outro interlocutor, o presidente eleito deveria mostrar todos os registros bancários do dinheiro emprestado para Fabrício Queiroz ao longo dos anos. “Como tem o registro do Coaf do dinheiro de volta, é preciso mostrar o registro do dinheiro que foi para o ex-assessor”, ressaltou.

A avaliação dessa fonte é que quando a justificativa é simples, ela tem que ser imediata. “O tempo da política não permite demora para uma explicação que seja convincente”, reforçou esse interlocutor.

RACHA NO PSL – Outra preocupação na equipe de transição é com o racha na bancada do PSL, como mostrou recentemente o vazamento de conversas entre deputados eleitos pelo WhatsApp.

Isso porque já começa a dar um sinal externo de divisão, o que fragiliza muito a estratégia de governabilidade no Congresso da futura gestão. “É preciso que o próprio Bolsonaro assuma o comando”, resumiu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O deputado Flávio Bolsonaro disse que o ex-assessor Queiroz lhe deu “explicações plausíveis”, mas não mencionou quais foram. Ora, se existissem “explicações plausíveis”, é claro que já teriam sido divulgadas. O jeito é acusar o subtenente Queiroz de agiotagem, para não ficar patente que a família Bolsonaro cobrava “pedágio” de seus assessores, digamos assim, o que na verdade significa inclui vários crimes, inclusive lavagem de dinheiro. Conforme a “Tribuna da Internet” já revelou, a solução é inventar o “assessor agiota”. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Marcelo Odebrecht anexa novos documentos a processo contra filho de Lula

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Luís Cláudio, o filho caçula, está cada vez mais enrolado

Mônica Bergamo
Folha

Marcelo Odebrecht anexou novos e-mails ao processo sobre a relação da empreiteira com Luís Claudio Lula da Silva, o filho caçula do ex-presidente Lula. O conteúdo dos documentos reforça o que já foi delatado.

Em sua colaboração, o ex-executivo da empreiteira Alexandrino Alencar afirmou que Lula pediu ajuda para Luís Cláudio iniciar a carreira empresarial. Segundo ele, a empreiteira pagou um orientador para ajudá-lo a colocar de pé a empresa Touchdown Promoções e Eventos Esportivos, que organizava um campeonato de futebol americano.

A Odebrecht teria contratado também a empresa Concept para trabalhar no marketing da liga de futebol americano que o filho do ex-presidente queria criar no Brasil.

A defesa de Luís Claudio apresentou recibos que mostram que ele pagou pela contratação da Concept, o que esvaziaria as declarações do executivo.

VACINA– O presidente eleito, Jair Bolsonaro, comentou com parlamentares numa reunião na semana passada que “agora vão começar a bater nos meus filhos”, segundo um dos presentes.

A afirmação, feita dois dias antes da revelação de que um ex-assessor do deputado Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) movimentou R$ 1,2 milhão de forma atípica, foi interpretada posteriormente como uma tentativa de “vacina” diante do que explodiria pouco depois.

Prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, é preso por corrupção e formação de orcrim

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Neves recebia propina dos empresários do setor de transportes

Deu na Agência Brasil

Policiais civis e representantes do Ministério Público fazem, nesta segunda-feira (dia 10), operação em Niterói e prenderam o prefeito Rodrigo Neves, do PDT, sob a acusação de corrupção e formação de organização criminosa. De acordo com o Ministério Público Estadual (MPRJ), as empresas de ônibus pagavam propina aos agentes públicos da cidade.

De 2014 a 2018, segundo o MPRJ, foram desviados aproximadamente R$ 10,9 milhões dos cofres públicos para pagamentos ilegais. Além do prefeito, são alvos da ação o ex-secretário municipal de Obras Domício Mascarenhas de Andrade e três empresários do ramo de transporte público rodoviário.

MANDADOS – O Tribunal de Justiça expediu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra os acusados, que estão sendo cumpridos na manhã de hoje no gabinete do prefeito, nas sede de oito empresas de ônibus, nos escritórios dos consórcios Transoceânico e Transnit e no Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj).

A chamada Operação Alameda, um desdobramento da Operação Lava Jato, é resultado de acordo de colaboração premiada firmado pelo empresário Marcelo Traça com o Ministério Público Federal e do compartilhamento de provas, autorizado pelo Juízo da 7ª Vara Federal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGJá temos a Operação Lava Jato em versões  federal, estadual e municipal no âmbito do Executivo e do Legislativo. Aguarda-se o desdobramento para o Judiciário, para buscar os bandidos de toga, denunciados pela ex-desembargadora Eliana Calmon. (C.N.)

Moro pretende reforçar o Coaf, que flagrou o assessor do filho de Bolsonaro

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Resposta de Moro é fortalecer a fiscalização do Coaf

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

A equipe do futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, pretende reforçar a estrutura do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), principal órgão fiscalizador dessa área no Brasil, e tornar mais ágil o repasse de dados às instituições de investigação. Criado há 20 anos e vinculado atualmente ao Ministério da Fazenda, o Coaf ficará sob a responsabilidade do ex-juiz da operação Lava Jato no Paraná.

Moro indicou o auditor e chefe da área de investigação da Receita Federal em Curitiba, Roberto Leonel, para comandar o órgão a partir de 1.º de janeiro.

CASO BOLSONARO – Foi o Coaf que identificou e informou ao Ministério Público Federal (MPF) a “movimentação atípica” de R$ 1,2 milhão entre 2016 e 2017 em uma conta do então assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

O relatório, revelado pelo Estado na quinta-feira, apontou que uma das transações feitas pelo ex-assessor Fabrício José Carlos de Queiroz foi um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Ontem, Bolsonaro disse que o dinheiro foi um empréstimo para Queiroz.

A proposta de mudança do Coaf prevê a ampliação do quadro de funcionários – hoje com 37 pessoas – além de investimento em tecnologia. Um dos objetivos da reestruturação é que o órgão atue de forma mais “proativa e ágil”.

COMO FUNCIONA? – Há duas formas principais de atuação do Coaf. Uma é quando uma autoridade pede a informação por causa de uma investigação em curso. Essa é a que representa a maior parte dos relatórios feitos atualmente pelo órgão. O que o reforço na estrutura pode fortalecer é a segunda forma de atuação – quando o próprio conselho identifica suspeitas, em seu trabalho de busca de dados, e encaminha espontaneamente para autoridades.

Foi com base na atuação espontânea que o Coaf enviou aos investigadores que deflagraram a operação Furna da Onça, no Rio, o relatório sobre Queiroz.

Segundo o atual presidente do Coaf, Antônio Ferreira, apesar de a comunicação espontânea ter alto impacto, o órgão “não tem estrutura suficiente para estar mais perto das investigações, para que possa prospectar ainda mais esses tipos de crimes e levar aos investigadores”.

MAIS PRÓXIMO – “O que se espera é que o Coaf esteja mais próximo do investigador, que o trabalho dele possa estar mais conectado lá na base, no mundo operacional, que ele possa estar mais presente ali”, afirmou Ferreira ao jornal O Estado de São Paulo.

Relatórios do Coaf com base em alertas de setores econômicos sobre transações financeiras, quando há indícios de lavagem de dinheiro, abastecem órgãos como Polícia Federal, Ministério Público, Tribunal de Contas da União, Controladoria-Geral da União, Receita Federal e Polícia Civil. Em 2017, R$ 46 milhões foram bloqueados judicialmente após atuação do Coaf, relacionado a investigações sobre lavagem de dinheiro e crimes investigados pela PF e pelo MPF.

Há 15 anos no órgão, sendo 11 como diretor de inteligência, Ferreira destaca como positivo que o novo governo coloque o combate ao crime como política de Estado. “Apesar de o DNA do órgão estar ligado à área econômica, o destinatário final é a parte penal”, afirma Ferreira.

FOCO NO CRIME – No Coaf e na equipe de transição há o entendimento de que a dinâmica de enfrentamento ao crime deve ser fortalecida e que é necessário focar no combate ao crime organizado e à lavagem, até como forma de prevenção. O diálogo tem sido constante entre a equipe atual e a que vai assumir em janeiro.

Dentro da diretriz do novo ministério de aproximar os órgãos, a ideia é que o Coaf fique mais perto do investigador e vá além do envio de dados que o conselho considere suspeitos. Já existe no Coaf uma “sala de situação”, em que funcionários do órgão mantêm contato remotamente, por exemplo, com a força-tarefa da Lava Jato no Paraná. Uma das ideias em discussão é levar funcionários de outros órgãos para salas de situação na estrutura do Coaf.

A encantadora vida nômade dos grupos ciganos, na poesia de Raul Leôni

Resultado de imagem para raul leoniPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado e poeta Raul de Leôni (1895-1926), nascido em Petrópolis (RJ), expressa em versos a vida e os costumes dos “Ciganos”. Detalhe: guzla é um tipo de rabeca cigana, de uma corda só.

CIGANOS
Raul de Leôni

Lá vêm os saltimbancos, às dezenas
Levantando a poeira das estradas.
Vêm gemendo bizarras cantilenas,
No tumulto das danças agitadas.

Vêm num rancho faminto e libertino,
Almas estranhas, seres erradios,
Que tem na vida um único destino,
O Destino das aves e dos rios.

Ir mundo a mundo é o único programa,
A disciplina única do bando;
O cigano não crê, erra, não ama,
Se sofre, a sua dor chora cantando.

Nunca pararam desde que nasceram.
São da Espanha, da Pérsia ou da Tartária?
Eles mesmos não sabem; esqueceram
A sua antiga pátria originária…

Quando passam, aldeias, vilarinhos
Maldizem suas almas indefesas,
E a alegria que espalham nos caminhos
É talvez um excesso de tristezas…

Quando acampam de noite, é no relento,
Que vão sonhar seu Sonho aventureiro;
Seu teto é o vácuo azul do Firmamento,
Lar? o lar do cigano é o mundo inteiro.

Às vezes, em vigílias ambulantes,
A noite em fora, entre canções dalmatas,
Vão seguindo ao luar, vão delirantes,
Alados no langor das serenatas.

Gemem guzlas e vibram castanholas,
E este rumor de errantes cavatinas
Lembra coisas das terras espanholas,
Nas saudades das terras levantinas.

E, então, seus vultos tredos envolvidos
Em vestes rotas, sórdidas, imundas.
Vão passando por ermos esquecidos,
Como um grupo de sombras vagabundas.

Lá vem os saltimbancos, às dezenas,
Levantando a poeira das estradas,
Vêm gemendo bizarras cantilenas,
No tumulto das danças agitadas.

Povo sem Fé, sem Deus e sem Bandeira!
Todos o temem como horrível gente,
Mas ele na existência aventureira,
Ri-se do medo alheio, indiferente.

E, livres como o Vento e a Luz volante,
Sob a aparência de Infelicidade,
Realizam, na sua vida errante,
O poema da eterna Liberdade.

Luciano Huck diz que ainda falta a Jair Bolsonaro um programa de governo

Luciano Huck

Huck lamentou a prisão de Lula, mas considerou justa

Pedro do Coutto

Em entrevista a Eduardo Kattah e Gilberto Amendola, com grande destaque na edição de ontem de O Estado de São Paulo, o apresentador Luciano Huck afirmou que está faltando um projeto de governo e de país a Jair Bolsonaro, embora esteja cumprindo com suas declarações públicas o que prometeu na campanha eleitoral em matéria de combate a corrupção e rigor administrativo.

Mas está faltando um projeto de país, um plano definido de governo que abranja e se dirija aos diversos segmentos da sociedade brasileira. Pode se dizer, segundo penso, um projeto de nação que traga consigo uma nova etapa de desenvolvimento econômico e social.

EMPREGOS – É preciso haver um projeto que retome o nível de emprego para brasileiros e brasileiras. Porque, na minha opinião, sem emprego, como está acontecendo, não há condição da economia avançar. Afinal, o que sustenta a economia é o mercado de consumo, e o mercado de consumo só avança se os salários derem sustentação, o que quer dizer, não sejam tragados pela espiral inflacionária. Essa espiral pode não ser muito acentuada, mas incide sobre a renda do trabalho, que não tem avançado no país.

O apresentador da Rede Globo afirma que deve se dar um voto de confiança em Bolsonaro, sobretudo porque sua mensagem ética até agora tem se voltado para o combate a atividades ilegais no campo econômico e financeiro.  Para Luciano Huck, é fundamental que o governo que assume em janeiro tenha como propósito diminuir as desigualdades de renda que levam sombras a uma evolução da sociedade como um todo. O tema da desigualdade – ressaltou Huck – passou ao largo da campanha eleitoral. E combater a desigualdade de renda constitui uma etapa essencial, sem a qual o Brasil permanece caminhando de lado. Caminhando de lado significa praticamente não avançar no plano social.

REFORMA – Para Huck o sistema partidário necessita uma reforma e por isso tomou o gosto pela atividade política, não para benefício de si próprio, mas para uma evolução ética da Nação.

Quanto a educação, Huck lamentou o fato de ter sido rejeitado o professor Mozart Neves Ramos para o Ministério da Educação. A seu ver seria um avanço que talvez não seja possível com outro nome na Pasta.

O destaque que O Estado de São Paulo deu à matéria foi muito grande. Trata-se de matéria em página inteira com início inclusive na primeira página da edição.

EQUIPE ECONÔMICA – Outro aspecto abordado, inclusive com sensibilidade, reside na equipe econômica chefiada por Paulo Guedes. Como disse no início está faltando um plano econômico e social. Este plano é o desafio para o governo que assume o país a primeiro de Janeiro de 2019.

Huck colocou bem os pontos essenciais da questão. Está faltando sobretudo, penso eu, uma preocupação maior com as classes trabalhadoras que são tão importantes para o Brasil quanto as classes produtoras da indústria, comércio, do sistema bancário.

Para isentar Bolsonaro, o motorista de R$ 1,2 milhão vai confessar que é agiota

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Queiroz vai assumir a culpa e não sofrerá a menor punição

Carlos Newton

No recesso do lar, coloquei sobre a mesa o copo d’água, a bola de cristal, o barulho de Tarô, a cestinha de vime e os búzios, na tentativa de descobrir qual será a desculpa esfarrapada que o subtenente Fabrício Queiroz vai apresentar para preservar o que resta da imagem do clã Bolsonaro, depois que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) descobriu a movimentação atípica na conta do dublê de assessor, motorista e amigo íntimo da família presidencial, digamos assim.

Como se sabe, no caso não se pode usar o método policial francês de “chercher la femme” (procurar a mulher), porque pode aparecer na foto a Sra. Marluce Vieira Lima, mãe dos irmãos Geddel e Lúcio, que exploravam os funcionários de seus gabinetes, levando 80% dos salários deles. Reparem que o “modus faciendi” (estilo operacional) do clã Bolsonaro é o mesmo da famiglia Vieira Lima,, com o subtenente Queiroz atuando de executor e controlador do esquema. Mas há diferenças entre os dois casos.

SOB CONTROLE – No inquérito dos Vieira Lima, apareceu um delator, chamado Job Ribeiro Brandão, funcionário antigo da Câmara, que lá nunca trabalhou e só recebia 20% da remuneração. As provas materiais se “avolumaram” (nada a ver com as malas e caixas de dinheiro), a condenação de Geddel, Lúcio e da mãe Marluce é inevitável, inexoráxel, incontestável.

Já no caso dos Bolsonaro, ainda não surgiu nem irá surgir nenhum delator, porque a situação está sob controle. A explicação será dada pelo próprio subtenente, que trabalhava como motorista e recebia R$ 23 mil por mês, além dos salários da mulher e das duas filhas, uma delas funcionária da TV Globo. Para justificar o entra e sai de dinheiro vivo e transferências em sua conta, Queiroz vai confessar que atuava na Assembleia como agiota, explorando a dureza dos funcionários, dos gabinetes, que vão confirmar a informação.

E mais: Queiroz vai dizer que, para disfarçar e não levantar suspeitas, fingia passar dificuldades financeiras e chegava a pedir dinheiro emprestado a Bolsonaro e aos filhos, vejam a que ponto chega a criatividade dessa gente.

PASSE DE MÁGICA – E não mais do que de repente, diria Vinicius de Moraes, tudo estará resolvido. O clã Bolsonaro deixará de ser suspeito de enriquecimento ilícito por explorar os assessores, o subtenente Queiroz já está se aposentando na PM e responderá a processo por agiotagem, que é crime mixuruca (artigo 4º da lei 1.521/51, que prevê pena de detenção de seis meses a dois anos), não cumprirá um só dia de cadeia e o filme terá um final feliz.

Furiosos, os Bolsonaro vão se dizer enganados pelo velho amigo, as relações serão cortadas, nada de pescarias nem churrascos, fica cada um para o seu lado.

E todo mundo vai acreditar nessa história, porque é Natal e eu também estou esperando Papai Noel com uma mensagem do escritor Charles Dickens. Aliás, tenho impressão de que foi o próprio Dickens que bolou essa saída para o presidente eleito.