Temer tenta uma maneira de se defender da denúncia sobre os Portos

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Desta vez, Temer não consegue achar uma saída

Andréia Sadi
G1 Brasília

O presidente Michel Temer avalia fazer um discurso para se defender de uma eventual terceira denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo o blog apurou, o presidente discute o assunto com auxiliares, ministros e advogados, que se dividem sobre o melhor momento para o pronunciamento.

O presidente, no entanto, já tem as linhas gerais do que quer falar para se defender das investigações envolvendo o decreto do setor de Portos.

Uma ala do governo quer que Temer espere que retorne ao Supremo Tribunal Federal (STF) a medida cautelar que está nas mãos do Ministério Público contendo toda a investigação da Operação Skala, que prendeu amigos do presidente.

A expectativa no Planalto é de que a PGR devolva o material nos próximos dias. Com a devolução, a PGR pode apresentar uma nova denúncia ou pedir novas diligências ao STF.

Uma outra ala defende que Temer se antecipe e já faça um “discurso vacina”, reafirmando que não cometeu irregularidades com o decreto dos Portos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A situação é muito difícil, porque a defesa de Temer se baseava no fato de que a empresa Rodrimar, ligada a ele, não teria sido beneficiada pelo Decreto dos Portos. Mas a estratégia da defesa foi desmentido pela própria Rodrimar, que enviou requerimento ao Ministério dos Tranportes pedindo renovação de sua concessão, com base justamente no Decreto dos Portos. Assim, a defesa de Temer foi demolida de uma hora para a outra. (C.N.)

Segunda Turma do STF libera Demóstenes para concorrer nas eleições

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Charge do Frank (A Notícia/PB)

Deu na Agência Brasil

Por 3 votos a 2, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou hoje (17) a decisão do ministro Dias Toffoli que suspendeu a inelegibilidade do ex-senador Demóstenes Torres. Com a decisão, Demóstenes poderá concorrer a um cargo eletivo nas eleições deste ano.

Pela decisão, Demóstenes está elegível porque a Corte anulou as provas criminais contra ele. Antes da decisão, Demóstenes não poderia participar das eleições até 2027, por ter perdido o mandato, conforme a Lei Complementar 64/1990, conhecida como Lei das Inelegibilidades.

FOI CASSADO – O ex-senador foi cassado em outubro de 2012 pelo plenário do Senado, sob a acusação de ter se colocado a serviço da organização criminosa supostamente comandada pelo empresário Carlos Cachoeira, conforme apontavam as investigações da Polícia Federal na Operação Monte Carlo.

Durante o julgamento, Toffoli afirmou que a resolução do Senado que cassou o mandato de Demóstenes foi baseada em provas nulas e não tem mais efeitos no mundo jurídico, inclusive para impedir sua candidatura com base na cassação. Apesar do entendimento, o ministro rejeitou o pedido do ex-senador para voltar ao mandato em função da impossibilidade de o Judiciário rever a decisão política da Casa.

SEM EFEITOS – “Para o mundo jurídico, aquela resolução não surte efeitos no patrimônio do cidadão Demóstenes Torres, quanto a sua capacidade eletiva em decorrência daquela resolução”, afirmou Toffoli.

O voto do relator foi acompanhado pelos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski. Celso de Mello e Edson Fachin rejeitaram o recurso por razões processuais.

Em abril do ano passado, a Segunda Turma concedeu um habeas corpus a Demóstenes e anulou escutas telefônicas que foram utilizadas para embasar o processo de cassação do parlamentar. Na ocasião, foi determinado também a reintegração do ex-senador ao Ministério Público de Goiás, no qual ingressou em 1987.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A generosidade de Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski chega a ser comovente. Não podem ver um pilantra punido, pois logo tratam de absolvê-lo. São ardorosos defensores da “recuperação” dos criminosos. Acham que, se forem soltos, os criminosos imediatamente se recuperam e podem ser reintegrados à sociedade que paga as suas contas. (C.P) 

PSB deve decidir oficialmente candidatura de Joaquim Barbosa nesta semana

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Siqueira está empolgado com Joaquim Barbosa

Valdo Cruz
G1 Brasília

Depois pontuar de 8% a 10% em pesquisa de intenção de voto do Instituto Datafolha divulgada neste domingo (15), o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa vai se reunir nesta semana com a cúpula do PSB para decidir oficialmente o lançamento de sua candidatura à Presidência da República. O encontro pode ser na quinta-feira (19).

Barbosa se filiou ao PSB, mas ainda não houve uma decisão oficial do partido pelo anúncio de sua candidatura. Havia resistências em alguns setores da legenda a seu nome, mas o presidente da sigla, Carlos Siqueira, avalia que estão sendo contornadas.

EMPOLGAÇÃO – “Vamos nos reunir nesta semana para ter uma definição”, disse Siqueira ao blog, comemorando a estreia do nome de Joaquim Barbosa nas pesquisas. “Sem lançamento de seu nome, ele já saiu com 8% a 10% na pesquisa Datafolha deste domingo”, destacou Siqueira.

Apesar das resistências internas, reservadamente líderes do PSB dizem que é preciso lançar oficialmente a candidatura de Joaquim Barbosa o mais rápido possível, provavelmente no mês de maio. É que a campanha deste ano será curta e, para reforçar o nome do ex-presidente do STF, seria preciso usar, na avaliação de integrantes do PSB, o período da pré-campanha.

Por unanimidade, Aécio agora é réu por corrupção e obstrução à Justiça

Aécio ainda é senador, mas será processado

Carolina Brígido e André de Souza
O Globo

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu, nesta terça-feira, denúncia contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por corrupção passiva e obstrução da Justiça. O parlamentar agora é réu em ação penal. Ele é acusado de receber propina de R$ 2 milhões da JBS e também de tentar atrapalhar as investigações da Lava-Jato. A decisão foi unânime no caso de corrupção passiva. No crime de obstrução, quatro dos cinco ministros foram favoráveis ao recebimento da denúncia.

— Há transcrições de conversas telefônicas das quais se extrai que estaria tentando influenciar na escolha de delegados da Polícia Federal para conduzir inquéritos alusivos à Operação Lava-Jato, buscando assegurar a impunidade de autoridades políticas investigadas. Surgem sinais da prática criminosa — disse o relator, Marco Aurélio.

FILMAGEM – O ministro Luís Roberto Barroso, primeiro a votar depois do relator, também foi favorável ao recebimento da denúncia. Ele destacou que a ação controlada da Polícia Federal filmou os repasses de dinheiro.

— Os indícios de corrupção são mais sólidos do que em relação à obstrução. Mas também há indícios suficientes — disse Barroso. — No mundo dos negócios lícitos, o pagamento de R$ 2 milhões em quatro parcelas de R$ 500 mil se faz com transferência bancária ou com cheque. Nos dias de hoje ninguém sai por aí com malas de dinheiro, a não que haja alguma coisa errada — afirmou.

Ele voltou a defender a suspensão de Aécio do mandato de senador, como chegou a ser feito no ano passado, mas não votou nesse sentido.

SEM FATO NOVO — Não vou encaminhar nesse sentido, porque tendo feito isso anteriormente, o plenário entendeu que a matéria deveria ser remetida ao Senado. E o Senado “cassou” a decisão da Turma. Como não há nenhum fato novo, em respeito à separação de poderes, não estou encaminhando nesse sentido — afirmou Barroso.

Também votaram na sessão desta terça-feira os ministros Luiz Fux, Rosa Weber e Alexandre de Moraes. Apenas Moraes votou contra o recebimento da denúncia quanto ao crime de obstrução da justiça. Para ele, essa prática só é configurada quando um investigado tenta atrapalhar investigações sobre crime organizado. E Aécio não foi denunciado por participação em organização criminosa.

— Em relação à acusação de corrupção passiva, entendo que o atual momento de recebimento da denúncia estão presentes os requisitos necessários. O conjunto probatório neste momento é suficiente para que seja recebida a denúncia — disse Moraes.

ATRAPALHAR – A denúncia da PGR apontou que Aécio tentou atrapalhar a Lava-Jato ao tentar selecionar os delegados da Polícia Federal (PF) que tratam da operação e ao pressionar pela troca do ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio, a quem a corporação estava subordinada. A PGR apontou ainda outra frente em que Aécio teria tentado atrapalhar a Lava-Jato: projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional. Ele teria articulado a anistia do crime de caixa dois, e a aprovação de projeto que trata do abuso de autoridade, como forma de constranger Judiciário e Ministério Público.

Marco Aurélio aceitou a denúncia quanto à pressão sobre PF, mas rejeitou quanto à atuação de Aécio no Senado. Segundo ele, isso seria criminalizar a atividade parlamentar. Mas houve maioria, com os votos de Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux, para aceitar integralmente a denúncia.

AÉCIO NEGA – Em nota, Aécio voltou a dizer que não cometeu crime. Também afirmou receber com serenidade a decisão da Primeira Turma e que está “confiante de que, agora, haja espaço para a apresentação e avaliação das provas da defesa”. Ele voltou a dizer que houve uma armadilha feita por “criminosos confessos”, ou seja, os delatores da JBS, em conluio com integrantes do Ministério Público. Atacou ainda a validade das provas obtidas e defendeu a não criminalização da atividade parlamentar.

“Não cometi crime algum. Minha prioridade será apresentar à Justiça todos os fatos que demonstram a absoluta correção dos meus atos e de meus familiares. Não tenho dúvida de que isso será demonstrado. A verdade há de prevalecer”, diz trecho da nota, acrescentando: “Não esmorecerei enquanto não provar minha inocência. Vou fazê-lo em respeito à minha vida pública, à minha família e aos milhares de brasileiros, e especialmente mineiros, que confiaram em mim durante 32 anos de mandatos consecutivos.”

“A operação Lava Jato não teve um caráter partidário”, diz Medina Osório

Medina Osório denunciou a operação Abafa

Lucas Ragazzi
O Tempo

Em entrevista a “O Tempo” e à rádio Super Notícia, o jurista Fábio Medina Osório, ex-ministro da Advocacia-Geral da União, defendeu a maior operação de combate à corrupção da história do Brasil e criticou a falta de compromisso do Executivo no enfrentamento da criminalidade.

Em 2016, você deixou a Advocacia Geral da União (AGU) fazendo declarações graves, dizendo que o governo Temer tentava barrar a operação Lava Jato. Você mantém essa opinião?
Naquele momento, fiz as declarações e houve uma correção de rumo pelo menos no que tange à AGU. O que aconteceu com a minha sucessora é que houve um encaminhamento das ações que estavam represadas no STF. Pelo que me consta, a AGU pelo menos se estabilizou. Não acompanhei depois de perto o estreitamento da atuação na Lava Jato entre a AGU e a força-tarefa, mas alcançaram as metas previstas. Mas havia um descompasso entre a agenda anticorrupção que se contemplava como necessária para o governo desempenhar e aquilo que o governo tinha como premissa, que era outorgar um combate à corrupção apenas para o Judiciário e para o MP. Politicamente, houve um equívoco do governo. Esse combate tem que estar no Executivo também, senão ele fica a reboque dos outros Poderes. Aí o Judiciário passa a comandar a agenda no país. O Executivo tem também instrumentos para combater a corrupção. Essa agenda anda a par e passo. É uma agenda que está junto da agenda econômica. Dizíamos isso para Temer. A agenda econômica e anticorrupção são complementares.

Que tipo de ação o governo formulou para tentar barrar a Lava Jato? E como um governo consegue atrapalhar as investigações de uma operação tão grande como a Lava Jato?
O governo na época não assumiu seu protagonismo no papel que a AGU pretendia desempenhar. Então, saímos com um conflito no mínimo político quanto à compreensão no papel da AGU. Agora, isso se reflete muito também no que diz respeito à agenda de corrupção do próprio governo. Basta notar que o desempenho desta atribuição na agenda do Brasil é conduzida por outras instituições, pelo MP, pelo Judiciário. Passam a comandar instituições do Executivo também, mas o governo deveria desempenhar de modo central as suas funções.

Isso acontece há mais tempo ou foi agravado durante governo Temer?
É uma questão histórica. Há uma omissão que vem se agravando. O Executivo vem se apequenando e outras entidades vêm assumindo esse protagonismo que deveria ser do Executivo. A Lava Jato é a maior operação de combate à corrupção e foi imprescindível para depurar as instituições, para trazer as vísceras da República. O próprio Executivo não conseguiu depurar suas mazelas, e ele tem instituições internas que poderiam ter feito esse combate. Foi necessário que instituições de controle externo atuassem com essa força.

Essas instituições não funcionam de forma proposital ou por falta de estrutura?
Penso que deve haver uma nova reflexão sobre a autonomia e a qualificação sobre os mecanismos e ferramentas de muitas atribuições do Executivo, e também a prevenção da corrupção. O fundamental é que pensemos que não é só o Judiciário nem o MP que são responsáveis pelo combate à corrupção e pela prevenção. Temos que dar autonomia às instituições internas do Executivo.

Seria o caso de mudar o modelo de escolha dos integrantes destas instituições internas? Passar de nomeações diretas para concursos?
Temos que avaliar os parâmetros de meritocracia, como estão funcionando efetivamente, a transparência no seu funcionamento, a fiscalização. Avaliar estas agências, o desempenho, fazer realmente um accountability e ter os controles funcionando. O que acredito é que a principal pauta que hoje deve orientar o governante é que a agenda econômica caminha com a agenda anticorrupção. Há inclusive um fenômeno mundial. Prisões de mandatários das nações têm sido constantes, já que o modelo anticorrupção tem sido aplicado mundo afora. Por que isso? Porque os investidores exigem segurança jurídica, e isso só com uma estabilidade política, sem denúncias.

Tivemos, recentemente, o episódio mais emblemático da Lava Jato, com a prisão e condenação de Lula. Partidos, movimentos e alguns juristas alegam ter havido excesso no julgamento. Qual a sua análise? Houve excesso?
Não sou advogado do processo. O que assisti foi o que a população também viu e penso que houve transparência neste transcorrer do julgamento. No meu modo de ver, não é correto debater esse tipo de julgamento com ataques espúrios às instituições. Um partido precisa respeitar as instituições e promover o debate jurídico e técnico. Se a condenação ocorreu, é preciso lutar técnica e juridicamente nos tribunais, por meio de recursos, e não dizer que a condenação é um golpe. Isso é inaceitável, assim como chamar o impeachment de golpe, com aquele governo usando sua estrutura para divulgar no mundo que o processo era um golpe, um absurdo. Dizer que só porque Lula sofreu a condenação nós não vivemos numa democracia é algo absurdo também.

Na sua opinião, há alguma seletividade na Justiça? Partidos e movimentos também reclamam deste viés.
A Lava Jato atingiu quem está no poder, mas também atingiu partidos de todos os matizes. Foi uma operação suprapartidária, afetou todos, a oposição, pegou PSDB, MDB, PP, pegou todos. Pegou o empresariado. Se há algo que se pode dizer é que a Lava Jato não teve um caráter partidário. Foi impessoal. Isso não significa que não houve erros, abusos ou equívocos, mas cada caso concreto tem que ser avaliado com muito cuidado. A Lava Jato veio para depurar, para ser uma referência. O conceito de força-tarefa, de integração interinstitucional, isso não equivale dizer que não possa ter havido inúmeras injustiças ou que as delações não venham a cair, que não precisemos aprimorar as ferramentas. Não dou um salvo conduto a tudo que foi feito.

Há movimentos de juízes, promotores aparecendo muito na mídia. Isso é bom para o país? Ter esses personagens famosos?
Precisamos diferenciar o MP do Judiciário. No MP, há uma liberdade de protagonismo. O MP é o advogado da sociedade. Ele defende sua casa, que é a sociedade. Então, o protagonismo do MP é natural, dentro dos limites. Agora, a magistratura é mais rígida, precisa ser observada. Tenho restrições neste caso, até para manifestações públicas dos magistrados, mas é uma opinião pessoal. Entendo que há sim uma exacerbação no Brasil que não se vê no resto do mundo. Antecipação de opiniões e tantos excessos como se vê aqui.

Pesquisa mostrou que Marina Silva também está na disputa

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Charge do Miguel (Charge Online)

Merval Pereira
O Globo

A ex-senadora Marina Silva surge como a grande beneficiária da saída do ex-presidente Lula da campanha presidencial na mais recente pesquisa do Datafolha. Está empatada tecnicamente na liderança com o deputado federal Jair Bolsonaro e à frente de políticos tradicionais com fortes estruturas partidárias, como Geraldo Alckmin do PSDB e Ciro Gomes do PDT. Esse quadro de momento reforça a ideia de que, nesta campanha presidencial, quem tem voto não tem estrutura partidária nem tempo de televisão, e quem as tem, não tem voto.

Marina classifica os seus 10 segundos de propaganda eleitoral em cada bloco diário como “mais do que insuficiente”, e atribui a divisão do fundo partidário e do tempo de televisão a um acordo dos grandes partidos “para que a sociedade brasileira não ouse mudar”.

DIALOGANDO – Mas, em seu estilo próprio, diz que “200 milhões de brasileiros são sempre maiores do que aqueles que se sentem donos do poder”. Ela conta que continua dialogando com diversos partidos, “mas com uma atitude de respeito”, porque considera que em uma eleição de dois turnos, é legítimo que os partidos queiram levar sua mensagem aos eleitores.

 “Conversar não significa necessariamente que fulano tem que desistir de seus projetos iniciais. A gente vai amadurecendo no processo, até o momento de formalizar alianças tem muito tempo pela frente”, diz ela. Embora reconheça que não é uma tarefa fácil, devido à fragmentação das candidaturas, Marina diz que “se a violência, a mentira, a assimetria dos meios para divulgar as mensagens, forem minimamente superadas, a sociedade pode fazer desta vez o que tentou em 2014 e não conseguiu, que é ter uma vitória para chamar de sua, e não das estruturas partidárias”. Nessa eleição e na anterior, em 2010, Marina teve cerca de 20 milhões de votos em cada uma, mas não foi para o segundo turno.

MAIOR INTERESSE – Ela acredita que se os grupos de polarização clássica da política brasileira, PT e PSDB, não se unirem em blocos à direita e à esquerda, “podemos ter novidades”. A exceção seria Bolsonaro, “uma direita radical”. Marina diz que sente em suas viagens pelo país “um interesse genuíno da sociedade em buscar uma nova governabilidade, que não seja o presidencialismo de coalizão, mas de proposição, que tenha uma visão da função do Estado não como provedor nem apenas regulador, mas um Estado que seja capaz de mobilizar os melhores meios de que dispomos, tanto na iniciativa privada quanto no próprio setor público, na academia”.

Essa seria, em sua visão, atitude contemporânea, “coerente com um mundo em crise de paradigmas”. Se o Brasil quer um novo ciclo de prosperidade, diz Marina, “vamos ter que fazer uma quebra no paradigma da velha política, da economia, sem que seja uma aventura”. Ela espera que o novo Congresso tenha uma mudança significativa, e diz que a sustentação desse pensamento será dada pela sociedade, que vai deixar para trás os grupos políticos como os de Sarney e Antonio Carlos Magalhães.

FUNDAMENTOS – A pré-candidata da Rede diz que “não precisa reinventar a roda” para fazer um plano de governo eficiente: “Recuperar os fundamentos da política macroeconômica do Plano Real e aprofundar a inclusão social, indo para os programas sociais de terceira geração com inclusão produtiva e com políticas sociais customizadas”.

Ela diz que o mundo sonha com a refundação do Brasil, e está disposto a investir aqui, mas ressalta que para apostar num novo ciclo de prosperidade é preciso “fazer com que esse país invista pesadamente em energia renovável, limpa, segura, diversificada. Buscar integrar o Brasil numa liderança global, nas cadeias produtivas globais, mas também nos debates, onde o Brasil perdeu o protagonismo na área de meio ambiente, sustentabilidade, direitos humanos”.

SÉCULO ERRADO – Na sua visão, o mundo está indo na direção do século XXI e nós estamos aqui discutindo temas do século XX.  “O maior produtor eólico no mundo é a China, os Estados Unidos, apesar de toda loucura do Trump, continuam na direção correta do desenvolvimento sustentável. O Brasil vai ter que investir pesadamente em educação, tecnologia, inovação e ser capaz de dialogar com os núcleos vivos da sociedade”.

Marina rebate a acusação freqüente de que está sumida da política. Ela cita: “Minhas posições são claras: quem se posicionou contra o foro privilegiado, contra a lei de abuso de autoridade, quem defende claramente a Lava Jato, quem foi que entrou com pedido de cassação do (Eduardo) Cunha e do Delcídio (do Amaral), quem foi que levou o Aécio (Neves) para a Comissão de Ética, quem foi que entrou no STF para que investigados não ficassem na linha sucessória, quem foi que defendeu o tempo todo a cassação da chapa Dilma-Temer e uma nova eleição? Quem foi contra a anistia do caixa dois?  

PSB encomenda pesquisa para saber a posição real de Joaquim Barbosa

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Mônica Bergamo
Folha

O PSB vai fazer uma pesquisa presidencial mostrando as fotos dos candidatos para os eleitores. O partido acredita que nem todos os potenciais simpatizantes de Joaquim Barbosa, que chegou a 10% no Datafolha, ligam o nome à figura do ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal). A imagem, imaginam, pode ajudar.

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, descarta a possibilidade de Barbosa ser vice na chapa de Geraldo Alckmin, como insinuou o governador de SP, Márcio França. “Se for candidato, será à Presidência. Nem mais, nem menos”, diz ele.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente ideia da direção do PSB. Além de haver eleitor que não liga o nome à figura, há também aqueles que nem sabem que Joaquim Barbosa é (ou pode ser) candidato. Justamente por isso, ele não aparece na pesquisa do voto espontâneo. Neste levantamento, que é o mais importante, ganham os indecisos, com 46%, mais 21% de votos brancos e nulos, Lula aparece com 13%, Bolsonaro com 11% e os 9% restantes espalhados pelos outros candidatos, mostrando que Marina, Ciro e Alckmin só pontuam mesmo quando a pesquisa é induzida, com o nome deles aparecendo. Este é o quadro real, até o presente momento. (C.N.)

Lula está fora, mas continua dentro da sucessão presidencial

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Bernardo Mello Franco
O Globo

Lula está barrado pela Lei da Ficha Limpa e, ao que tudo indica, não sairá tão cedo da cadeia. Mesmo assim, será uma peça central no xadrez da eleição. É o que indicam os números que o Datafolha divulgou no domingo.

Apesar da prisão, o ex-presidente continua a liderar a pesquisa com folga. Nos cenários em que aparece como candidato, ele tem mais que o dobro das intenções de voto do segundo colocado, o deputado Jair Bolsonaro (31% a 15%).

“NÃO VOTO” – Na ausência do petista, quem assume a dianteira é a soma de brancos, nulos e indecisos. O “não voto” chega a 27% dos entrevistados, um índice inédito a seis meses de uma sucessão presidencial. Isso reforça o alto grau de imprevisibilidade da disputa.

Sem Lula, para onde vão seus votos? Se a eleição fosse hoje, os maiores herdeiros seriam Marina Silva e Ciro Gomes. No entanto, é difícil dizer que eles dividirão o espólio em outubro. Por uma razão simples: até lá, o eleitor será apresentado ao candidato do ex-presidente.

Segundo o Datafolha, 30% dos brasileiros afirmam que votarão “com certeza” em quem o petista indicar. Outros 16% dizem que “talvez” o façam. Mesmo que continue preso, ele tem força para ser o grande cabo eleitoral da sucessão.

O HERDEIRO? – E quem será o candidato do homem? Marina tinha o perfil ideal para substituí-lo, mas fez questão de implodir as pontes com o petismo. Apoiou Aécio Neves, apoiou o impeachment e apoiou a prisão do ex-presidente. No momento, parece mais disposta a seduzir os tucanos desanimados com Geraldo Alckmin.

Ciro continua na fase de discutir a relação com os lulistas. Ontem ele disse que seu projeto “definitivamente não é o do PT”. Ao mesmo tempo, prometeu visitar o ex-presidente na cadeia. Suas declarações variam como biruta de aeroporto, e ninguém é capaz de saber o que ele dirá na próxima entrevista.

No front petista, os mais cotados para a disputa ainda têm desempenho de nanicos. Fernando Haddad aparece com 2%, e Jaques Wagner, com 1%. Numa eleição normal, bastaria uma declaração do padrinho para botá-los no jogo. Mas esta será uma eleição anormal. E se a prisão de Lula não for suficiente para barrar a transferência de votos, crescerá a pressão para mantê-lo incomunicável.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A pouca transparência da Datafolha acaba induzindo a erro os analistas. O total do “não voto” é de 67%, do quais 21% são brancos e nulos e 46% indecisos. É lamentável que as pesquisas escondam o levantamento mais importante, o voto espontâneo, no qual não se exibe lista e apenas se pergunta: “Em quem você pretende votar?”. (C.N.)

Quando os políticos eram estadistas, deixavam lições e não fortunas

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Ulysses enfrentava até os cães da ditadura

Sebastião Nery

Houve um tempo em que os líderes políticos se preocupavam em deixar lições e não fortunas. Esta história de Ulysses Guimarães e seu “exército” em Salvador, na Bahia, em 1978, é um exemplo de como se pode fazer política sem pensar sobretudo em dinheiro. Ninguém me contou. Eu vi. Estava lá. Às 19 horas de um sábado, em 1978, no “hall” do Hotel Praia-Mar, em Salvador, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Roberto Saturnino e Freitas Nobre receberam a visita de toda a direção do MDB da Bahia com a notícia nervosa:

– A Polícia Militar cercou a praça do Campo Grande e comunicou oficialmente ao partido que não vai permitir a reunião para lançamento das candidaturas da Oposição da Bahia ao Senado.

– Isto é ilegal, disse Ulysses. A portaria do Ministério da Justiça proíbe concentrações em praça pública, mas não em recinto fechado. A sede do partido é inviolável.

Ulysses esfregou as mãos na testa larga, desceu pelos olhos fechados, levantou-se:

– Vou entrar de qualquer jeito. Vamos entrar. É uma arbitrariedade sem limites.

EM FRENTE AO TEATRO – Em vários automóveis, saímos todos, políticos e jornalistas. Foi marcado encontro em frente ao Teatro Castro Alves, do outro lado da sede do MDB.

A praça era um capo de batalha: 500 homens de fuzil com baioneta calada, 28 caminhões-transporte, dezenas de patrulhas, lança-chamas, grossas cordas amarradas nos coqueiros em torno da praça. Ulysses olhou, meditou, comandou:

– Vamos rápido, sem conversar.

Avançou. Atrás dele, Tancredo, Saturnino e a mulher, Freitas Nobre, Rômulo Almeida, Newton Macedo Campos e Hermógenes Príncipe (os três candidatos do MDB ao Senado), deputados Nei Ferreira, Henrique Cardoso, Roque Aras, Clodoaldo Campos, Aristeu Nogueira, Tarsílo Vieira de Melo, Domingos Leonelli, vereador Marcello Cordeiro, Nestor Duarte Neto, eu e outros jornalistas. Uma cerca de fuzis e os soldados impávidos. Quando nos aproximamos, um oficial gritou:

– Parem! Parem!

Ulysses levantou os braços e gritou mais alto:

– Respeitem o presidente da Oposição!

FOMOS EM FRENTE – Ulysses meteu a mão no cano de um fuzil, jogou para o lado, atravessou. Tancredo meteu o braço em outro, passou. O grupo foi em frente. Três imensos cães pastores saltam sobre Ulysses, Freitas Nobre dá um ponta-pé na boca de um, Rômulo Almeida defende-se de outro. Chegamos todos à porta, entramos aos tombos e solavancos. Ulysses sobe à janela, ligam os alto-falantes para a praça:

– Soldados da minha Pátria! Baioneta não é voto, boca de cachorro não é urna!

E os cabelos brancos se iluminavam como os coqueiros ao vento.

Era o comício que não tinha sido planejado. 14 discursos e uma passeata. Graças à batalha de Itararé da Bahia.

Paulo Freire homenageado no maior congresso de educadores do mundo

Imagem relacionadaAntônio Gois
O Globo

No sábado passado, num grande salão de um hotel no meio de Times Square Garden, no coração de Nova York, educadores de vários países lotaram um evento em comemoração aos 50 anos de publicação de “Pedagogia do Oprimido”, obra mais vendida de Paulo Freire (1921-1997) no exterior. A homenagem aconteceu numa das sessões do encontro anual da Aera, a associação americana de pesquisadores em educação. Nenhum outro congresso no mundo reúne tantos especialistas na área.

O prestígio de Freire em instituições de ensino de ponta no exterior não surpreende. Há dois anos, um levantamento feito pelo projeto Open Syllabus nas bibliografias pedidas pelos professores em universidades de língua inglesa identificou que “Pedagogia do Oprimido” era o 99º livro mais estudado. Freire é o único brasileiro a ter uma obra citada entre as 100 mais relevantes por esse critério.

PARTICIPAÇÕES – A sessão de homenagem aos 50 anos de “Pedagogia do Oprimido” teve a participação da viúva do educador, Nita Freire, e de acadêmicos que conviveram com ele e foram importantes na divulgação de suas obras no exterior, como Donaldo Macedo (University of Massachusetts), Antonia Darder (Loyola Marymount University), Henry Giroux (McMaster University) e Peter McLaren (Chapman University).

Apesar de todo o prestígio no exterior, nos últimos anos Freire foi alvo no Brasil de movimentos como o Escola Sem Partido, que, entre outras críticas, acusam sua obra de levar à doutrinação em sala de aula. Simpatizantes do movimento chegaram a mobilizar seguidores e propuseram, por meio de um projeto popular com 20 mil assinaturas, a retirada do título de Patrono da Educação Brasileira, concedido por lei em 2012. A proposta não vingou.

VISÃO POLÍTICA – Como lembrado na sessão que o homenageou no sábado passado no encontro americano, ninguém discute que a obra de Paulo Freire tem forte componente político e que sua visão do papel do professor nunca foi a de alguém neutro e imparcial. Pelo contrário, Freire entendia que o professor, até por respeito aos alunos, não deveria ocultar seu posicionamento, “assumindo uma neutralidade que não existe”.

Este é um debate que continua atual no mundo todo. Num estudo publicado há dois anos no livro “The Political Classroom”, duas pesquisadoras da Universidade de Wisconsin, Diana Hess e Paula McAvoy, fizeram um estudo com professores e alunos em 35 escolas públicas nos Estados Unidos para entender como os temas políticos eram tratados. Uma das conclusões das autoras foi de que a questão que mais influenciava a qualidade da aula não era o fato de o professor ter exposto ou não sua opinião pessoal sobre o tema.

CONCLUSÃO – “Não há nada de errado no fato de as pessoas serem partidárias. O que seria um problema, e nós temos realmente uma boa evidência de nossa pesquisa sobre isso, é ensinar como se houvesse uma resposta definitiva a uma pergunta que deveria ser debatida como uma questão aberta de política pública”, afirmou Diana Hess numa entrevista de divulgação de seu livro.

Voltando à obra de Freire, seu entendimento de que o professor não deve pretender ser neutro não significa dar ao mestre o direito de impor uma visão de mundo, até porque ele tampouco entendia que o papel do professor era simplesmente transmitir conhecimento aos estudantes. Ele deixa isso claro na crítica ao que chamou de “educação bancária”, uma de suas ideias que mais influenciou educadores de todo o mundo.

Ninguém é obrigado a concordar com os pensamentos de Paulo Freire, e seus textos não precisam ser lidos como um conjunto de verdades a serem seguidas sem questionamento. Isso seria inclusive contraditório em relação às suas ideias. Mas reduzi-lo a um doutrinador marxista é desconhecer a importância de um dos mais influentes educadores do mundo.

STF decide se torna Aécio Neves réu por corrupção e obstrução de Justiça

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Renan Ramalho
G1, Brasília

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir nesta terça-feira (17) se recebe denúncia contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o torna réu por corrupção e obstrução de Justiça. A decisão caberá aos cinco ministros que compõem a Primeira Turma da Corte: Marco Aurélio Mello (relator do caso), Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Rosa Weber.

A sessão está marcada para as 14h, mas não será transmitida ao vivo pela TV Justiça – as sessões de turmas só podem ser acompanhadas de dentro do STF.

Se a maioria aceitar a denúncia, Aécio passa a responder ao processo penal na condição de réu e poderá contestar a acusação com novas provas. Só ao final da ação poderá ser considerado culpado ou inocente, num julgamento a ser realizado pelo mesmo colegiado.

PROPINA – Aécio foi acusado em junho do ano passado, em denúncia da Procuradoria Geral da República, de pedir propina de R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, dono da J&F, em troca de favores políticos; e também de tentar atrapalhar o andamento da Operação Lava Jato.

A defesa diz que o senador foi “vítima de uma situação forjada, arquitetada por criminosos confessos” e que “inexiste crime ou ilegalidade na conduta do senador”. Na conversa gravada com Joesley, Aécio diz que usaria o dinheiro para pagar advogados.

Junto com o parlamentar, são acusados pela PGR a irmã dele, Andréa Neves da Cunha, o primo Frederico Pacheco de Medeiros e Mendherson Souza Lima, ex-assessor parlamentar do senador Zezé Perrela (MDB-MG), todos por corrupção. A primeira teria pedido o dinheiro a Joesley e os outros dois teriam recebido e guardado quatro parcelas de R$ 500 mil em espécie.

OBSTRUÇÃO – Segundo a PGR, o senador também tentou embaraçar as investigações ao tentar aprovar nova lei contra abuso de autoridade com o suposto objetivo de punir juízes e procuradores; aprovar anistia a crimes de caixa 2 – doações não declaradas de campanha; e tentar interferir na escolha de delegados para conduzir investigações da Lava Jato.

Em entrevista a jornalistas nesta segunda (16), Aécio se disse vítima de um “enredo armado” pelos delatores da JBS. O parlamentar disse ainda que não houve uma investigação dos fatos e que, se as acusações tivessem sido apuradas, as denúncias se desmontariam como um “castelo de cartas”.

“Um enredo pré-determinado por um cidadão que recebeu benefícios. […] Foi uma construção feita pela defesa do senhor Joesley Batista, com membros do Ministério Público”, acrescentou o tucano, cuja defesa pediu acesso às provas já produzidas nas investigações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A gravação mostra um trêfego, boquirroto e desbocado parlamentar a pedir dinheiro a um grande empresário. Aécio Neves pode dar a explicação que bem entender, mas é isto que aparece na gravação. E foi ele quem ligou para o empresário. Além disso, Aécio é um homem muito rico, não precisa pedir dinheiro a ninguém. (C.N.)

“Tenho minha candidatura e não represento o PT”, diz Ciro Gomes em Minas

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“Estava nos EUA n prisão de Lula”, disse Ciro

Lucas Ragazzi
O Tempo

Em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, para participar de um almoço com empresários mineiros no evento Conexão Empresarial, o ex-ministro e pré-candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, rebateu as críticas de parte da esquerda por não ter participado do comício do ex-presidente Lula (PT) em São Bernardo do Campo (SP), quando o petista foi preso.

Ao contrário de outros candidatos ditos de esquerda, como Manuela D’Ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL), que estiveram no carro de som com o petista, Ciro Gomes se defendeu afirmando que não faz parte do PT e que tinha outras agendas para o dia.

NOS EUA – “Eu tinha palestras agendadas em Harvard. Quando ficamos sabendo da ordem de prisão, eu já estava em Boston (EUA). Mas, sinceramente, eu não tenho compromisso firmando algum de estar ou ter que estar lá. Com quem? Eu tenho a minha candidatura, é algo diferente, eu não represento o PT nessa disputa. Por que é que eu deveria estar lá? A quem eu devo esse gesto?”, questionou, concluindo que não assinou manifesto afirmando que uma eleição sem Lula seria “fraude” por não concordar com a expressão.

Apesar disso, Ciro confirmou o plano de visitar Lula na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. O ex-ministro afirmou que a visita seria pessoal e não trataria de política. “O Lula não é para mim uma figura que conheço pela TV e pelos jornais. É um velho camarada há mais de 30 anos, com quem eu convivo, muitas vezes discordando e na maioria das vezes concordando e a quem eu apoio. Não trocarei uma frase sobre política”.

BARBOSA NA DISPUTA – Tecnicamente empatados na pesquisa Datafolha divulgada no último domingo, Ciro também comentou sobre a pré-candidatura a presidente do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, que se filiou ao PSB no início de abril. Ciro Gomes se mostrou cético quanto aos números apresentados por Barbosa.

“É natural que ele chegue com notoriedade muito grande, porque pilotou durante quase um ano em tempo nobre da TV a novela do mensalão. Vamos ver que consistência ele vai ter na medida em que for exposto à fricção”, disse. Ciro afirma, porém, que o lugar ocupado por Barbosa já existia em cenários anteriores da corrida ao Planalto, referindo-se ao apresentador Luciano Huck.

O ex-ministro também disparou farpas contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ). “Eu não consigo visualizar Bolsonaro liderando pesquisa no Brasil, pode ser que eu esteja enganado. Não consigo visualizar pelo extenso despreparo, quando não a extensa boçalidade do candidato”, concluiu o pedetista.

 

 

 

 

Vai, vai, vai começar a brincadeira, tem charanga tocando a noite inteira…

Imagem relacionadaPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O compositor carioca Sidney Álvaro Miller Filho (1945-1980), na letra de “O Circo”, nos traz as lembranças dos sonhos infantis, repletos de ilusões e fantasias, onde a vida é mais alegre e colorida.  A música foi gravada no LP Sidney Miller, em 1967, pela Elenco.

O CIRCO
Sidney Miller

Vai, vai, vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem, vem ver o circo de verdade
Tem, tem, tem picadeiro de qualidade
Corre, corre, minha gente que é preciso ser esperto
Quem quiser que vá na frente, vê melhor quem vê de perto
Mas no meio da folia, noite alta, céu aberto
Sopra o vento que protesta, cai no teto, rompe a lona
Pra que a lua de carona também possa ver a festa

Bem me lembro o trapezista que mortal era seu salto
Balançando lá no alto parecia de brinquedo
Mas fazia tanto medo que o Zezinho do Trombone
De renome consagrado esquecia o próprio nome
E abraçava o microfone pra tocar o seu dobrado

Faço versos pro palhaço que na vida já foi tudo
Foi soldado, carpinteiro, seresteiro e vagabundo
Sem juízo e sem juízo fez feliz a todo mundo
Mas no fundo não sabia que em seu rosto coloria
Todo encanto do sorriso que seu povo não sorria

De chicote e cara feia domador fica mais forte
Meia volta, volta e meia, meia vida, meia morte
Terminando seu batente de repente a fera some
Domador que era valente noutras feras se consome
Seu amor indiferente, sua vida e sua fome

Fala o fole da sanfona, fala a flauta pequenina
Que o melhor vai vir agora que desponta a bailarina
Que o seu corpo é de senhora, que seu rosto é de menina
Quem chorava já não chora, quem cantava desafina
Porque a dança só termina quando a noite for embora
Vai, vai, vai terminar a brincadeira
Que a charanga tocou a noite inteira
Morre o circo, renasce na lembrança
Foi-se embora e eu ainda era criança

Morreu Paul Singer, um petista que jamais encobriu sua decepção com o PT

Resultado de imagem para paul singer no rodavivaDeu em O Tempo

Morreu na noite desta segunda-feira (16) o economista Paul Singer, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde a última madrugada. Professor de Economia da USP e da PUC-SP, foi um dos maiores símbolos da esquerda no Brasil, o austríaco fez parte do grupo que fundou o PT na década de 80. Filho de judeus, ele chegou no Brasil ainda criança, aos 8 anos, fugindo do nazismo.

Além da carreira acadêmica e dos vários livros publicados, Singer também fez carreira política. Ele foi secretário de Planejamento de São Paulo, na gestão da prefeita Luiza Erundina, em 1989. No governo Lula, esteve à frente da Secretaria Nacional de Economia Solidária. Viúvo, Singer deixa três filhos.

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PAUL SINGER E SUA RELAÇÃO COM O PT
José Henrique P. e Silva  (artigo escrito em 23 de abril de 2012)

O professor Paul Singer esteve hoje no Roda Viva (TV Cultura). Sem dúvida, é um dos principais intelectuais brasileiros e tem se dedicado intensamente à questão da economia solidária, que define como uma alternativa ao capitalismo. A entrevista só consolidou a imagem que possuo do prof. Singer: um intelectual crítico e humanista.

Singer não esconde de ninguém sua “decepção” com o PT, que ajudou a fundar. Para ele, o crescimento do PT, inevitável, o transformou numa máquina eleitoral e lhe tirou a utopia, tão necessária ás verdadeiras mudanças. Hoje, o partido precisaria de uma oposição (de esquerda) que lhe tirasse da posição cômoda.

O debate contou com participações expressivas como Maria Victória Benevides e Ricardo Antunes. O jornalista Marcelo Parada tocou em uma questão que me interessa especialmente: qual a visão do mundo política que estes setores emergentes trazem consigo? Trata-se de setores que vai endossar uma visão crítica da política ou vão se render ao consumismo? Infelizmente o tema não foi aprofundado.

Fica o respeito pelo professor… um humanista e um educador de primeira linha, que fez sua opção partidária, mas nunca perdeu sua autonomia intelectual. Certamente, um exemplo.

Quem sonha com intervenção militar estará iludido ao votar em Bolsonaro

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Charge do Cazo (blogdoafr.com)

Carlos Newton

A política é uma atividade movida a promessas, mentiras e ilusões. Nada tem de meritocracia, muito pelo contrário, qualquer um pode se eleger, não existem critérios bem definidos, conforme se constatou na eleição de Donald Trump, que representou um verdadeiro aborto da natureza, embora a adversária Hillary Clinton fosse muito fraca. Aqui no Brasil, aproxima-se mais uma eleição presidencial, em meio a uma crise política, econômica e social de muita gravidade, e ninguém sabe o que pode acontecer, porque o poder está acéfalo, o presidente Michel Temer não manda nada, está apenas esquentando a cadeira para o próximo ocupante.

Apesar da proibição legal, a campanha para presidente já nas ruas e uma considerável parcela do eleitorado defende abertamente uma intervenção militar, conforme se constata na liberdade editorial da internet, onde há grande número de sites e blogs destinados a propagar essa tese.

SÃO POUCOS – Os militaristas fazem muito barulho, mas são poucos e podem até ser recenseados, pois quase todos apoiam a candidatura do capitão reformado Jair Bolsonaro. Alimentam a falsa ilusão de que, caso eleito, o candidato do PSL poderá promover reformas profundas. E, se não conseguiu concretizá-las, terá forças para convocar as Forças Armadas.

“Isso não ecziste”, diria o padre Oscar Quevedo, com seu sotaque castelhano. É realmente um sonho maluco, pois a possibilidade de intervenção militar simplesmente não tem condições de se concretizar, conforme deixaram claro o juiz Sérgio Moro, o ministro Luís Roberto Barroso e o pré-candidato Ciro Gomes, ao fazerem palestras em Harvard num seminário conjunto organizado pelos estudantes brasileiros dessa universidade e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

MARXISMO MILITAR – Na confusa política brasileira, o mais interessante é que os defensores da intervenção militar são ferrenhos anticomunistas. Em seu furor uterino pelo capitalismo, eles não percebem que não há nada tão marxista quanto as organizações militares, que cultivam a meritocracia e as oportunidades iguais, nelas não há favorecimentos, todos têm idênticas chances de progressão profissional, recebem tratamento comum, são atendidos pelos mesmos médicos e hospitais. Ora, amigos, se esse sistema for transposto para a nação, estaremos em pleno marxismo, que maravilha viver, diria Vinicius de Moraes.

É impressionante que muitos militares não percebam esta realidade e se proclamem anticomunistas. Minha ironia não chega a tanto, caio na gargalhada quando leio críticas ao marxismo que partem de chefes militares, logo eles, que praticam as teorias comunistas (do bem comum) na caserna e em família, mas não conseguem racionalizar a realidade que os cerca, parecem analfabetos funcionais em termos ideológicos.

MARXISMO RELIGIOSO– Há duas semanas, ao trocar ideias com um amigo antimarxista de sólida formação cristã, eu lhe disse que todo militar e todo religioso é muito mais comunista do que capitalista. Ele ficou espantado e impressionado com minha observação, porque não há como refutá-la, a realidade dos fatos não admite dupla interpretação.

Na minha condição de defensor de um marxismo adaptado ao mundo de hoje (nada a ver com Stalin, Pol Pot, Fidel Castro, Mao Tsé Tung etc.), sonho com um sistema político-administrativo em que todas as crianças tenham as mesmas oportunidades em termos de ensino; a assistência médico-hospitalar seja igual para todos, sem planos de saúde; a meritocracia e a produtividade prevaleçam nos ambientes de trabalho; todas as famílias tenham direito a um teto sólido, protetor e salubre; os moradores de rua e excluídos sejam amparados pelo poder público; os criminosos trabalhem em colônias agrícolas e presídios-indústrias, para serem remunerados e se socializarem. Simples assim.

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P.S. 1 –
Na minha concepção, não haveria planejamento central, prevaleceria o livre empreendimento, com burocracia mínima e garantia do direito ao lucro.

P.S. 2  – Sonho também com bancos estatizados, que não visem ao lucro pelo lucro e não cobrem 450% ao ano quando o brasileiro atrasar o pagamento do cartão de crédito.  Em tradução simultânea, eu sonho com um misto de capitalismo e marxismo, que é justamente o sistema praticado nas instituições militares e religiosas. Mas quem se interessa? (C.N.)

Com base no Datafolha, Joaquim Barbosa decola para uma campanha viável

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Barbosa mostra que tem chances de se eleger

Pedro do Coutto

Foi o que aconteceu no final de semana e ontem, na segunda feira. O Datafolha de domingo, edição da Folha de São Paulo, colocou Joaquim Barbosa com boa penetração junto ao eleitorado. Ontem, reportagem de Maria Lima e Geralda Doca,  em O Globo, destacou o ex-presidente do STF como um fator de peso nas urnas de outubro. Este são os fatos, mas a decolagem efetiva vai depender do próprio Joaquim Barbosa apresentar-se como candidato escolhido pelo PSB. As duas matérias proporcionaram um rumo novo à campanha eleitoral e Joaquim Barbosa passa a ser uma alternativa na disputa pelo Palácio do Planalto.

Maria Lima e Geralda Doca comentam que Barbosa  apareceu na pesquisa do Datafolha à frente de Geraldo Alckmin e Ciro Gomes numa alternativa formulada para os quadros prováveis do embate e, portanto, do debate a ser travado até à chegada final nos dias 7 e 28 de outubro.

SEM CHANCES – O levantamento do Datafolha funcionou também para desestimular Henrique Meirelles, Flávio Rocha, Rodrigo Maia e Manoela D’Avila  em se colocar no panorama da sucessão. O mesmo se aplica a Paulo Rabelo de Castro, João Amoêdo etc. Mas esta é outra questão. O fato é que a manchete de página de O Globo sensibilizou parte pensante dos eleitores.

A base de Joaquim Barbosa foi estabelecida. O Globo fez com que ele decolasse. Era apenas uma distante promessa e passou a ser uma possibilidade. Ele traz consigo a batalha contra a corrupção, na linha que ele projetou no mensalão e Sérgio Moro seguiu no escândalo da Petrobrás.

GRANDE ELEITOR – Aliás, por falar em Sérgio Moro, pelo que se ouve nas ruas, o juiz federal pode se tornar o grande eleitor de 2018. Sua imagem é amplamente positiva e até sErve de exemplo de firmeza e integridade.

Com os episódios de domingo e segunda-feira, Joaquim Barbosa passa a ser procurado por seus correligionários do PSB e também de outros partidos que passaram a admitir aliança com ele. Agora o destino está traçado e o Datafolha mostrou a limitação de Jair Bolsonaro para o segundo turno. Nas simulações produzidas, ele perde para Marina Silva, Ciro Gomes e José Maria Alckmin. Alckmin, a 28 de outubro derrotaria Bolsonaro por 33 a 32. Faltou o Datafolha fazer a simulação entre Bolsonaro e Joaquim Barbosa. Mas o fato é que com o Datafolha e O Globo a estrada para o Planalto passou a ser mais movimentada.

DORIA E SKAF – Enquanto isso, em São Paulo, outra pesquisa do Datafolha, esta focalizando as eleições para o governo estadual, coloca João Doria e Paulo Skaf praticamente empatados. O ex-prefeito alcança 29 pontos e Skaf 31%.  O segundo turno em São Paulo parece restrito ao ex-prefeito da capital e ao presidente da Federação das Indústrias.

Luiz Marinho do PT, apoiado por Lula alcança apenas 7%. Fica atrás do novo governador Márcio França do PSB que se encontra com 8 pontos nas intenções de voto. O apoio de Lula não se fez sentir no lançamento de sua candidatura.

Coisas da política, que eternamente é marcada por contradições e ilusões.

A reportagem da Folha de São Paulo focalizado o quadro traçado pelo Datafolha é de autoria de Bruno Bogossian

 

Em mensagem aos petistas no acampamento, Lula insiste em que é inocente

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Gleisi Hoffmann leu a mensagem de Lula ao PT

Deu no Estadão

Em primeira manifestação desde que foi preso para início de cumprimento da pena de 12 anos e um mês, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que continua desafiando a Operação Lava Jato a provar o “crime que alegam” que ele cometeu. Em carta divulgada pelo PT e lida no acampamento montado no entorno da Polícia Federal, onde está detido há dez dias, o petista afirma que está “tranquilo, mas indignado”.

A “Carta do presidente Lula ao acampamento Lula Livre em Curitiba” foi tornada pública pelo PT e pela presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que no início da noite desta segunda-feira, 16, leu o documento aos apoiadores – acampados em vigília nas ruas do entorno da PF desde que ele foi preso, no dia 7.

NÃO HÁ PROVAS – “Continuo desafiando a Polícia Federal da Lava Jato, o Ministério Público da Lava Jato, o Moro e a segunda instância a provarem o crime que alegam que eu cometi”, registrou Lula. A carta teria sido ditada pelo petista e escrita pelo advogado.

“Continuo acreditando na Justiça e por isso estou tranquilo, mas indignado como todo inocente fica indignado quando é injustiçado “

O documento foi lido pela presidente do partido, que tenta visitar o ex-presidente no cárcere. “Eu tenho me comunicado com o presidente de forma escrita através do advogados porque não consegui visitá-lo”, disse Gleisi.

AGRADECIMENTO – Segundo ela, a carta foi escrita a pedido de Lula e entregue via advogados para ela para ser lida no acampamento.

“Eu ouvi o que vocês cantaram. Estou muito agradecido pela resistência e presença de vocês neste ato de solidariedade.”

Lula registra: “Tenho certeza que não está longe o dia em que a Justiça valerá a pena. Na hora em que ficar definido que quem cometeu crime seja punido. E que quem não cometeu seja absolvido”.

E encerra: “Grande abraço e muito obrigado. Luiz Inácio Lula da Silva”.

Barroso diz em Harvard que “golpe militar é um fantasma de que nos livramos”

Luís Roberto Barroso

Barroso fez questão de elogiar os militares brasileiros

Eduardo Graça
O Globo

Em evento na faculdade de Direito da Universidade de Harvard, hoje pela manhã, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso celebrou os 30 anos de Constituição no Brasil. Durante palestra, Barroso comentou sobre os temores de um golpe militar.

— Não tenho medo de uma ameaça militar. Precisamos falar de coisas boas sobre os militares. Fui um militante contra o regime militar, fui um oponente. E parte do Brasil que não foi um problema nestes últimos 30 anos, desde a Constituição, foram os militares. Eles pagaram um preço muito alto por estarem no poder por tanto tempo e duvido que queiram voltar para lá. Nós e eles aprendemos nossa lição. Golpe militar é um fantasma de que nos livramos.

CORRUPÇÃO – O ministro disse também estar otimista em relação ao combate a corrupção no país. “A corrupção sistêmica é um processo cumulativo, sempre esteve lá, não nasceu há dois, três ou dez anos. Ela é sistêmica com participação de membros do Congresso, do Executivo, dos setores privados, das estatais. Mas devemos estar orgulhosos. Provavelmente nenhum outro país no mundo teve a coragem de expor o problema e lidar com ele como estamos fazendo agora. Estou convencido de que nada será como antes no Brasil. É uma luta dura, que se ganha com tempo, e por pontos, não por nocaute, mas estou otimista” — disse.

Barroso também comentou a possibilidade de uma nova constituinte, um projeto que não defende. “Sou completamente contrário a uma nova Constituição agora. Tenho medo do que viria em seu lugar, se decidirmos nos livrar desta. Nossa Constituição não é a ideal, mas cumpriu seu papel na transição do país de um regime autoritário para a democracia”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não há dúvida de que fomos bem representados em Harvard, pois Luís Roberto Barroso, Sérgio Moro, Raquel Dodge e Ciro Gomes deram belos recados sobre a evolução da democracia brasileira, que sem dúvida está transcorrendo de forma positiva. (C.N.)

Raquel Dodge defende prisão após 2ª instância e restrição do foro privilegiado

Foto: (Mateus Bonomi/Agif/Estadão Conteúdo)

Procuradora mostra coerência nas suas teses

Renan Ramalho
G1, Brasília

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, voltou a defender nesta segunda-feira (16) a possibilidade de executar pena de prisão após condenação em segunda instância e a redução do foro privilegiado para políticos e autoridades nas cortes superiores. Durante palestra num congresso na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, ela disse que tais medidas reforçam a autoridade dos juízes de primeira instância e dos tribunais de segunda instância.

 “Nos acostumamos a um modelo em que a autoridade do juiz e do tribunal de segunda instância era muito fragilizada em um sistema de quatro instâncias. Ficava-se sempre aguardando a resposta de cortes superiores”, afirmou a procuradora para uma palestra formada de estudantes de Direito.

AUTORIDADE – “Esse sistema tem restabelecido, o que em qualquer pais é muito importante, a autoridade do Judiciário desde a primeira instância. É um fator que tem sido compreendido pela população como relevante, e acho que é muito essencial. Cada juiz precisa ter a autoridade da sua própria decisão garantida”, disse a procuradora-geral sobre a execução da pena”, completou Dodge.

Em 2016, a Procuradoria Geral da República (PGR) defendeu a possibilidade de prender um criminoso após a condenação em segunda instância, tese aprovada no Supremo Tribunal Federal (STF) por maioria de 6 votos a 5. No entanto, recentemente, cresceu a pressão sobre a Corte para rever essa possibilidade.

Defensores da prisão após segunda instância alegam que, de outro modo, réus com condições de pagar bons advogados podem arrastar o processo por meses e até décadas.

CASO DE LULA – Do outro lado, quem é contra esse entendimento afirma que ele fere a Constituição e a presunção de inocência. O caso de maior repercussão recente de um réu preso após condenação em segunda instância é do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na palestra, Dodge foi questionada se vê uma tendência em diminuir o alcance do foro privilegiado – no STF, já existem 8 votos a favor de mandar à primeira instância investigações de autoridades não relacionadas ao cargo; o julgamento será retomado no próximo dia 2 de maio.

“Não há qualquer sentido na existência do foro privilegiado”, disse Dodge em resposta a uma pergunta. Para ela, o foro privilegiado gerou um sistema em que há “apropriação de recursos públicos, corrupção generalizada e enraizada nas nossas estruturas de poder”.

MODELO OPOSTO – “Não só porque o foro especial define lugar especial para esses réus, mas também porque alimenta a ideia de que o juiz federal, de primeira instância, não tem credibilidade suficiente para julgar essas pessoas. O que temos que fazer é caminhar num modelo oposto”, defendeu a procuradora-geral.

Dodge falou ainda sobre os avanços na lei e na jurisprudência nos últimos anos que permitiram, segundo ela, o sucesso da Operação Lava Jato. Ao final, questionada sobre interferências políticas nas investigações, respondeu que a Constituição de 1988 trouxe garantias aos juízes e procuradores para protegê-los de pressões externas.

 “O modo como são recrutados, via concurso baseado no mérito, também imuniza. São mecanismos adotados em países mais democráticos do mundo. Criamos mesmos mecanismos e os adotamos. É preciso assumir com coragem esse papel e exercê-lo de acordo com as garantias que temos. Isso temos conseguido e nos últimos quatro anos o sucesso da lava jato demonstra que podem agir sem medo”, disse.