Se Neymar não puder jogar, nem por isso deixaremos de confiar no time

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Marcação implacável anula (e machuca) o craque

Pedro do Coutto

No meio da tarde de ontem, terça-feira, surgiram notícias de que Neymar sentiu o tornozelo e não pode treinar mais do que 15 minutos. Se não jogar contra a Costa Rica alguém vai substituí-lo, e nem por isso, devemos deixar de torcer e confiar em nosso time. Futebol é assim. Em 62,  jogamos sem Pelé e conquistamos a Taça do Mundo com Amarildo entrando em seu lugar. Me lembro bem da manchete do jornal Última Hora que ajudou a manter entusiasmo e confiança. O jornal não existe mais, mas a manchete valeu: “Pelé: Venceremos com Amarildo”. E vencemos.

Agora a grande estrela é Neymar e ele se a contusão de mantiver não deverá entrar em campo. Que fazer? Confiar naquele que o substituirá. O futebol brasileiro possui muitos craques. Mas ninguém ganha sozinho. Futebol é conjunto. Temos Gabriel Jesus, William para citar esses dois exemplos.

TRANQUILIDADE – Temos que nos inspirar na entrevista do zagueiro Tiago Silva aos jornalistas Ciro Campos e Leandro Silveira, edição de ontem de O Estado de São Paulo. Disse ele: “Temos, com a experiência que acumulamos, que manter a tranquilidade e buscar a vitória confiando em nós mesmos”.

De fato, digo eu, a tranquilidade é fundamental no futebol. Sobretudo na Copa da Rússia, pois esquemas táticos defensivos têm atrapalhado o pleno desempenho das seleções consideradas favoritas para os primeiros postos. Não há partida fácil em Copa do Mundo.

 E os jogos são sempre difíceis, o que não surpreende, uma vez que de quatro em quatro anos um maior número de seleções absorve novos conceitos, principalmente quanto à defesa.

AULAS NA TV – Há que se levar em conta a transmissão direta de confrontos importantes pela televisão. Os responsáveis pela formação das seleções vão absorvendo cada vez técnicas mais apuradas à base da ocupação dos espaços do campo. Recordo, por exemplo, que a seleção de 50 era excepcional do meio pra frente, mas não tinha cobertura na defesa. O meio campo com Bauer, Danilo e Jair não voltava para cobrir os espaços quando éramos atacados pelas extremas.

Foi a falta de cobertura que descortinou a estrada de Gighia pela qual o Uruguai chegou a vitória.

Em 82 o mesmo sucedeu com a seleção de Zico, Sócrates e Falcão, uma atuação belíssima do meio pra frente e um desempenho muito fraco no universo defensivo. Perdemos por 3 X 2 com três gols do italiano Paulo Rossi.

OCUPAR ESPAÇOS – Falei em evolução do caráter defensivo à  base da permanente ocupação dos espaços. Basta lembrar as partidas pela conquista da Taça da Europa, com destaque para o Real Madri de Cristiano Ronaldo, quando a equipe atacava e quando também empenhava em defender. Os grandes times europeus desenvolvem grande velocidade. Todos atacam e todos defendem. As partidas foram belíssimas.

Voltando à Seleção de Ouro, vamos aguardar sua atuação na manhã de sexta-feira com Neymar ou sem ele. Futebol é conjunto, não é uma disputa individual. Vamos em frente.

Segunda Turma confirma para o dia 26 o julgamento da libertação de Lula

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

José Carlos Werneck 

O ministro Ricardo Lewandowski, presidente da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, confirmou que o julgamento do pedido de liberdade para Lula, apresentado pelos advogados dele, será na próxima terça-feira, dia 26. O pedido de efeito suspensivo da execução da pena, se aceito, possibilitará que o ex-presidente aguarde em liberdade o julgamento dos recursos impetrados nas instâncias superiores. Os advogados também requerem que seja suspensa a inelegibilidade gerada com a condenação na segunda instância da Justiça.

Como anunciamos aqui na Tribuna da Internet, na semana passada, o Ministro Edson Fachin, relator dos processos da Lava Jato no STF, remeteu o processo para julgamento pela Segunda Turma do tribunal, mas a confirmação do dia ainda dependia do presidente da Turma, Ricardo Lewandowski.

SEGUNDA INSTÂNCIA – Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês, em regime inicialmente fechado, e encontra-se detido desde abril na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. O ex-presidente sofreu condenação em segunda instância, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A prisão foi decretada porque Lula recebeu condenação no Tribunal Regional Federal da Quarta Região, por ter recebido da OAS um triplex em Guarujá, em troca de contratos firmados entre a construtora e a Petrobras.

Desde o começo das investigações, Lula nega a acusação, afirmando que o imóvel não é dele e que nada recebeu em troca, nem favoreceu quem quer que seja, e seus advogados alegam que o Ministério Público não apresentou provas.

O PEDIDO – Na semana anterior, a defesa de Lula pediu a suspensão da prisão para que ele aguardasse em liberdade o julgamento dos recursos protocolados nas instâncias superiores.

Nesses pedidos, os advogados reafirmam argumentos já apresentados ao próprio TRF-4 e que apontam supostas irregularidades no processo, como incompetência de Sérgio Moro para analisar o caso, falta de imparcialidade no julgamento e de isenção por parte dos procuradores do Ministério Público.

A defesa ainda alega que a liberdade do ex presidente “não causará nenhum dano à Justiça Pública ou à sociedade” e que a manutenção dele na cadeia causa “lesão grave de difícil reparação”.

Contra o regimento, deputados tentam retirar apoio para criar CPI das Delações

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Maia quer tirar o dele da reta, como se dizia antigamente

Bruno Góes
O Globo

Receosos com a repercussão negativa que a CPI das Delações pode causar, 25 deputados protocolaram pedido para a retirada de assinatura em documento apresentado para a criação da comissão. No dia 30 de maio, o pedido para a instalação de uma CPI com o objetivo de investigar “possíveis manipulações” em delações premiadas foi entregue com 190 assinaturas. Segundo a assessoria técnica da Câmara, não é possível pedir a retirada de assinatura para a criação de CPI, pois o regimento interno da Casa não permite.

O pedido de abertura da CPI está na mesa de Rodrigo Maia. Há uma semana, o presidente da Câmara disse que a comissão não seria usada como instrumento de pressão contra a Operação Lava-Jato.

HÁ DÚVIDAS — Na verdade, a CPI pode nem ser instalada, por falta de objetividade. “Nós temos que avaliar, porque CPI precisa de fato determinado. Se a CPI tiver um fato determinado, ela pode ser instalada. E, se ela for instalada, ela vai cumprir um objetivo. Ela não será (instalada) analisando qualquer caso. A Câmara não será um instrumento para pressionar para cá ou para lá os advogados” — disse o presidente da Câmara.

Tentaram retirar as assinaturas, nesta terça-feira, os deputados Goulart (PSD-SP), Laura Carneiro (DEM-RJ), Evair Vieira de Melo (PP-ES), Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), Flaviano Melo (MDB-AC), Luis Carlos Heinze (PP-RS), Giovani Cherini (PP-RS), José Rocha (PR-BA), Osmar Terra (MDB-RS), Darcísio Perondi (MDB-RS), Covatti Filho (PP-RS), Vitor Valim (PROS-CE), Rogério Rosso (PSD-DF), Gonzaga Patriota (PSB-PE), Carlos Henrique Gaguim (DEM-TO), Valdir Colatto (MDB-SC), Rôney Nemer (PP-DF), Toninho Wandscheer (PROS-PR), Alceu Moreira (MDB-RS), Jerônimo Goergen (PP-RS), Jhonatan de Jesus (PRB-RR), Jose Stédile (PSB-RS), Júlio Delgado (PSB-MG), Augusto Carvalho (SD-DF) e Rogério Peninha Mendonça (MDB-SC).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A CPI fracassou antes mesmo de ser formada. O objetivo é inviabilizar a Lava Jato, sob argumento de que é preciso “descriminalizar a política”. A CPI seria apenas um passo, porque a meta final é o projeto de anistia à corrupção política, mais um sonho que não se realizará, embora esteja sendo acalentado no Planalto e no Congresso, simultaneamente. Em 2016, Rodrigo Maia tentou aprovar a anistia ao Caixa 2, numa sessão noturna de  segunda-feira. Não conseguiu. E agora também não conseguir a anistia à corrupção. (C.N.)

Ex-tucano, Alvaro Dias é considerado entrave para crescimento de Alckmin

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Alvaro Dias não aceita se tornar vice de Alckmin

Cristiane Jungblut
O Globo

Companheiro de partido do pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, durante mais de uma década, o presidenciável do Podemos, senador Alvaro Dias, tornou-se, nesta eleição, um dos principais obstáculos ao projeto de poder tucano. Com 4% das intenções de voto no último Datafolha, Dias virou uma barreira para o crescimento de Alckmin nos estados de Sul e Sudeste, onde o PSDB costuma ter um bom desempenho.

Estagnado nas pesquisas — registrou 7% no último Datafolha —, Alckmin decidiu intensificar agendas de campanha no Sul para reconquistar o território perdido. Ontem, ele disse que precisar ser “mais conhecido” no país. O tucano já esteve no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Ele deve voltar a Florianópolis hoje.

SANGRIA NO SUL – Integrantes da campanha do PSDB admitem que os votos perdidos pelo crescimento de Dias estão fazendo falta no Sul e em São Paulo. Para estancar a sangria, os tucanos tentaram, há alguns meses, demover o Podemos de manter a candidatura de Dias a presidente. Emissários de Alckmin ofereceram à direção do partido secretarias no governo de São Paulo, mas o plano de cooptação não deu certo.

A relação entre Dias e a campanha de Alckmin passou a ser tensa desde então. Embora tenha pregado a união de partidos em torno de um candidato de centro, o senador do Podemos não pensa em associar seu projeto eleitoral ao tucano.

Parlamentares do PSDB do Paraná, como o deputado Luiz Carlos Hauly, já avisaram ao comando que farão campanha para Alckmin, mas que não podem sair criticando Dias nem fazer campanha contra ele. Alguns tucanos ainda sonham que, na convergência dos partidos de centro, Dias volte a se aliar ao PSDB — o próprio senador, no entanto, tem descartado essa possibilidade em conversas com aliados.

DISSIDENTE – Alvaro Dias já foi líder do PSDB no Senado, mas deixou o partido, em 2016, depois de muito desgaste e de bater de frente com as posições da sigla, especialmente no processo do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele criticava a decisão do comando do partido de apoiar apenas a saída de Dilma, aceitando até mesmo a participação no governo de Michel Temer, que era vice e assumiu a Presidência com o afastamento da petista. Nas disputas internas, Alvaro também viu seus planos no Paraná serem preteridos pelo projeto do ex-governador Beto Richa (PSDB), aliado de Aécio.

Ciente do estrago que está fazendo na base eleitoral do PSDB no Sul e Sudeste, Dias diz que “ninguém é dono dos votos” e, por isso, trabalha para crescer até mesmo em São Paulo, terra do pré-candidato tucano. Para superar o impacto da candidatura de Dias, além das viagens, Alckmin quer intensificar as alianças com os partidos de médio porte, como o PSD, de Gilberto Kassab.

JANTAR COM KASSAB – Na noite de domingo, Alckmin jantou com a cúpula do PSD, em São Paulo, na residência de Kassab, ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. O encontro contou com as presenças do coordenador político da campanha de Alckmin, o ex-governador de Goiás Marconi Perillo, e do candidato do PSDB ao governo de São Paulo, João Doria, além do ex-senador Jorge Bornhausen, ex-DEM e ligado a Kassab.

Segundo Bornhausen, as conversas estão muito bem encaminhadas. No encontro, Alckmin repetiu ter o apoio de pelo menos quatro partidos, já incluindo aí o PSD e o PTB, de Roberto Jefferson. O PV e o PPS completariam a lista de apoios. Além disso, Alckmin teve uma reunião para definir os próximos passos com o seu núcleo de campanha, composto por Perillo e os tucanos José Aníbal, que foi senador e deputado, e Pimenta da Veiga, ex-ministro do governo de Fernando Henrique Cardoso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Alckmin alardeia que já “fechou” com os quatro partidos, mas é “menas verdade”, como diria o Lula. Os partidos negociam, mas só fecham se o candidato tucano subir nas pesquisas. O clima é este. (C.N.)

Aliados de Temer acham que ele poderá ser preso assim que deixar o governo

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Temer tem um encontro marcado com os federais

Denise Rothenburg
Correio Braziliense

Assim como o PT coloca o ex-presidente Lula como vítima de perseguição política, o MDB se prepara para usar o mesmo expediente em relação ao presidente Michel Temer. O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, por exemplo, tem dito que há irresponsabilidades por parte de procuradores e juízes de primeira instância e que, diante disso, teme que o presidente possa ser preso a partir de janeiro, quando terminar o mandato.

Para um ministro dizer isso é sinal de que o receio, realmente, é grande. A diferença entre a estratégia do PT e do MDB é que os petistas fazem reuniões, comícios, vão para a tribuna da Câmara e do Senado defender Lula.

Já os emedebistas não têm feito o menor esforço em defesa do presidente Temer. E, num ano eleitoral, não ele encontra muitos aliados dispostos a fazê-lo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O risco de Temer ser preso nos primeiros dias de janeiro realmente é muito grande, porque as acusações contra ele são abundantes e as provas (testemunhais e materiais) também se acumulam. Além das duas denúncias iniciais, que foram bloqueadas pela Câmara dos Deputados, caminha velozmente a terceira denúncia, sobre as ilegalidades cometidas para beneficiar empresas no Porto de Santos. O grupo Libra, um dos favorecidos por ele há décadas, já está negociando delação premiada.  (C.N.)  

Perillo, coordenador da campanha de Alckmin, tenta fazer aliança com o MDB

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Perillo acha que apoio do MDB fará Alckmin decolar

Daniela Lima 
Folha/Painel

O time de Geraldo Alckmin (PSDB) fez um gesto oficial ao partido de Michel Temer. Alçado à coordenação política da campanha do tucano ao Planalto, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB-GO) marcou um encontro com o presidente nacional do MDB, Romero Jucá (RR). A conversa está pré-agendada para esta quinta-feira (21). A pessoas próximas, Perillo defendeu pragmatismo nessa etapa da disputa: além de valioso tempo de TV, o MDB tem cerca de mil prefeitos, capilaridade nada desprezível.

Se os acenos do tucanato ao MDB ganharem corpo, a situação de Henrique Meirelles, hoje pré-candidato do partido de Temer ao Planalto, tende a se agravar. O ex-ministro da Fazenda tenta calibrar o discurso, mas a patinada da economia acabou inflando ala que não vê vantagem em mantê-lo no pleito. Meirelles e Temer assistiram ao jogo de estreia da seleção brasileira, no domingo (17), na residência oficial do presidente, em Brasília.

ATAQUES AO LÍDER – A campanha de Alckmin intensificou ataques a Jair Bolsonaro nas redes sociais, mas também começou a apontar inconsistências de outros rivais. Um vídeo de eleitores do Ceará declarando que jamais votariam em Ciro Gomes (PDT) para presidente foi repassado com entusiasmo no tucanato.

MORRE PELA BOCA – Ao chamar o vereador Fernando Holiday (DEM-SP) de “capitãozinho do mato” em entrevista à rádio Joven Pan, Ciro ampliou a aversão de ala do DEM ao seu nome e ainda inflamou os ânimos do MBL, grupo que infiltrou militantes em diversos partidos para disputar a eleição deste ano.

Integrantes do movimento que estão no DEM não descartam deixar a sigla caso haja acordo com o pedetista. Eles lembram que a Justiça considera justa causa para debandada a “mudança substancial ou o desvio reiterado do programa partidário”.

COM O MBL – A senadora Ana Amélia (PP-RS), que subiu o tom de seus pronunciamentos com a proximidade da eleição, se somou ao grupo de parlamentares ligados ao MBL.

Com isso, poderá participar de eventos, além de garantir um espaço cativo nas páginas do Movimento Brasil Livre na internet.

VENDER CARO – O PT promete jogar duro para 1) impedir uma aliança entre o PSB e Ciro Gomes e 2) amarrar a sigla ao seu projeto. A ordem é não ceder a acertos só nos estados.

A joia da coroa dos pessebistas – o apoio do PT à reeleição do governador Paulo Câmara (PSB-PE) – só será entregue se a discussão envolver uma coligação em torno de Lula, hoje preso.

Ansiedade ou descontrole? Desequilíbrio depois do gol suíço é preocupante

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O time se perdeu no segundo tempo contra a Suíça

Almir Leite, Ciro Campos e Leandro Silveira
Estadão

A estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo ficou marcada por um aspecto preocupante: o desequilíbrio dos jogadores. Depois do gol da Suíça, o que se viu foi um time excessivamente ansioso, apressado, buscando voltar a ter a vantagem no placar a todo custo. O comportamento teve como consequência o temor de que os atletas não estejam fortalecidos emocionalmente. Não foi por isso que o Brasil apenas empatou com a Suíça. O time jogou mal. Neymar não funcionou e a marcação errou no gol do rival.

Na Copa de 2014, um dos fatores para o fracasso do Brasil foi o descontrole emocional dos atletas. Mais uma vez esse descontrole não pode explicar a surra de 7 a 1 para a Alemanha, Naquele dia no Mineirão, o Brasil também jogou muito mal.

LADO EMOCIONAL – Atuando em casa quatro anos atrás, a pressão pelo título foi imensa e isso, somado a circunstâncias como a má preparação, acabou por minar psicologicamente a equipe de Felipão.

Quatro anos se passaram, o grupo foi renovado e a comissão técnica pensa de maneira diferente da anterior – Tite, por exemplo, abriu mão da presença de um psicólogo na comissão. Porém, o comportamento demonstrado no segundo tempo contra os suíços na Rússia deixou no ar a impressão de que esse fantasma não foi totalmente exorcizado. Mesmo porque dos jogadores atuais se cobra a conquista da taça como uma resposta ao fracasso do 7 a 1.

O psicólogo do esporte João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista de Psicologia do Esporte, considera que há risco, sim, de o grupo repetir o desequilíbrio que marcou o elenco de 2014. E cita como um dos motivos não haver um trabalho de longo prazo nessa área na seleção – no próprio futebol brasileiro, diz, menos de 30% dos clubes profissionais contam com esse recurso.

SEM UM LÍDER – Há outros três fatores que podem levar o time de Tite a se abalar. “Não existe um líder efetivo dentro do elenco, e isso levou o treinador a estabelecer o rodízio de capitães. Também há a falta de experiência do próprio técnico – a primeira grande competição internacional que ele disputa é a Copa. Além disso, essa seleção não foi testada em situação de adversidade”, afirmou Cozac ao Estado.

Esses fatores, de acordo com o psicólogo, “sugerem” que a seleção brasileira possa ser derrotada pelo descontrole emocional. “Contra a Suíça, o time levou um gol que era o do empate e naufragou emocionalmente.”

Para o psicólogo, a falta de um capitão fixo é ruim, pois os grupos precisam de uma “referência”. Cozac entende que Tite não encontrou um grande líder. Ao optar pelo revezamento, busca “dividir responsabilidades”, mas não vê isso como ideal.

TEMPO CURTO – Ele diz compreender Tite por não ter buscado ajuda de um psicólogo, alegando que o tempo para trabalhar é curto na Copa. Mas alerta que a opção de levar familiares e amigos dos atletas para perto deles não serve para compensar a falta do trabalho de um profissional da área.

“Não levar psicólogo do esporte, optando por levar a família, não é a mesma coisa. Família é importante e a proximidade é algo bom, mas não substitui o trabalho científico”.

Tite e os atletas reconhecem que o aspecto emocional pesou na estreia. “A ansiedade bateu forte”, admitiu o treinador. “Sabemos da responsabilidade que carregamos”, acrescentou Gabriel Jesus.

EXCESSO DE CONFIANÇA – Na seleção, todos atribuem a dificuldade em manter a concentração e o foco à estreia e ao excesso de confiança com que a equipe chegou para a disputa. “A gente criou uma expectativa muito grande nas pessoas, e em nós mesmos, sobre jogar bem, sobre ganhar”, disse o zagueiro Miranda.

O problema é que o Brasil, mesmo sem empolgar, fazia partida correta e tinha o domínio do jogo até a Suíça empatar. A partir daquele momento, a precipitação ao buscar as jogadas ficou clara. Mesmo considerando-se que os europeus estavam bem armados, ficou a impressão de que o time não estava preparado para agir em situação adversa. “Temos de ter calma. Todo mundo espera o Brasil vencendo, mas precisa analisar o jogo. Eles chegaram uma vez e marcaram”, diz Casemiro.

Os jogadores evitam fazer ligação com 2014 e apostam que, já a partir do jogo de sexta, contra a Costa Rica, em São Petersburgo, a força mental apresentada em momentos de dificuldade nas Eliminatórias e nos últimos jogos que precederam o Mundial estará de volta.

NERVOSISMO – “Por ser uma estreia, tinha todo um nervosismo”, disse o goleiro Alisson sobre o confronto com a Suíça. “Quem sabe agora vamos poder encarar as coisas com mais naturalidade na disputa. A equipe sabe o que rendeu na estreia e o que poderia ter feito melhor.”

Há jogadores que consideram até ser perda de tempo questionar o equilíbrio psicológico da equipe. “Temos de nos manter mentalmente fortes”, afirma Willian, um dos remanescentes de 2014. “A gente sabe que algumas seleções grandes iniciaram perdendo. E nosso pensamento é jogo a jogo”, indica Miranda.

Luiz Estevão organizava visitas e tinha espécie de escritório na prisão

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Luiz Estevão, considerado o “dono” da Papuda

Ana Maria Campos e Walder Galvão
Correio Braziliense

Deflagrada pela Polícia Civil no Centro de Detenção Provisória (CDP), durante a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, no último domingo, a Operação Bastilha derrubou a cúpula do sistema penitenciário do Distrito Federal. A descoberta, por policiais civis da Divisão de Repressão a Facções (Difac), de regalias dadas ao senador cassado Luiz Estevão provocou a exoneração do subsecretário do Sistema Penitenciário do DF (Sesipe), o delegado aposentado Osmar Mendonça de Souza, e do diretor do CDP, o agente policial de custódia José Mundim Júnior.

Os investigadores da Polícia Civil tentam agora identificar como diversos itens que seriam de Luiz Estevão entraram na Papuda. Apontado pelos delegados como um dos “donos do presídio”, o empresário, condenado a mais de 26 anos de prisão, é influente e capaz de organizar visitas fora das regras definidas pela Vara de Execuções Penais. Estevão também mantinha uma espécie de escritório pessoal na cadeia.

GRUPO OK – Durante as buscas, os policiais encontraram pilhas de documentos relacionados às empresas de Estevão, o que demonstra que, de dentro da cadeia, o empresário continua comandando os negócios do seu grupo OK.

Além dessas regalias, Estevão dispõe de uma cela maior que as demais e a divide apenas com um outro preso, o ex-poderoso ministro do governo Lula José Dirceu, condenado a 30 anos e nove meses de prisão, por corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, em processo da Operação Lava-Jato.

Segundo a apuração policial, pelo menos sete presos, da ala de idosos, deveriam ocupar o local em que estão alojados Estevão e Dirceu, os dois presos mais ilustres do Distrito Federal.

APREENSÕES – A Operação Bastilha resultou na apreensão de cinco pen-drives, que estavam com o senador cassado, e de diversos documentos dele e do ex-ministro Geddel Vieira de Lima. A Polícia Civil não informou se Estevão dispunha de um computador para ter acesso ao conteúdo das mídias.

Outro ponto que chamou a atenção dos policiais foi um caderno de anotações de José Dirceu. Em uma das páginas, o ex-ministro teria registrado um favor que pediria a Estevão: instruções para que uma criança ou adolescente, que o petista se referiu como “menor”, não identificado pelos investigadores, entrasse no CDP.

Apesar dos itens encontrados nas celas, Estevão, em um primeiro momento, não deve sofrer qualquer tipo de punição.

INVESTIGAÇÃO – “Vai ser apurado se eles cometeram algum crime e se algum agente teria facilitado a entrada dos materiais”, explica um dos delegados à frente do caso, o diretor da Difac, Thiago Boeing. Ao investigador, Estevão se mostrou tranquilo e teria dito que os itens sempre estiveram no lugar, antes da chegada dele.

A operação ocorreu em sigilo da própria Sesipe, responsável por fiscalizar o presídio. De acordo com o delegado, a suspeita de que agentes penitenciários pudessem participar do esquema criminoso fez com que a investigação ocorresse em segredo. “Nesse primeiro inquérito, há integrantes indiciados. Dessa forma, não poderíamos cumprir uma medida lá dentro, sem atrapalhar as investigações”, explica. Agora, a apuração policial deve prosseguir para apontar quem facilitava os privilégios no local.

SOLITÁRIA – No início de 2017, mais privilégios de Estevão derrubaram outra cúpula. Daquela vez, a da direção do Centro de Detenção Provisória (CDP).

Vistoria feita pela Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), em 26 de janeiro, encontrou chocolate, cápsulas de café, cafeteira elétrica e massa de macarrão importada na cela do ex-parlamentar. À época, Estevão foi transferido para a solitária por 10 dias.

Bolsonaro começa a podar o neoliberalismo exacerbado de Paulo Guedes

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Bolsonaro já sabe que o hiperliberalismo é uma fria

Leonencio Nossa
Estadão

 É uma difícil troca de gênero econômico. O deputado e pré-candidato ao Palácio do Planalto Jair Bolsonaro (PSL-RJ) tenta afastar-se da imagem de um polêmico sindicalista militar que defende políticas estatizantes e aderir a ideias ultraliberais do economista Paulo Guedes.

Nas últimas semanas, o presidenciável tem recorrido a um kit de bordões privatizantes e de enxugamento do Estado, sem concordar, no entanto, com a venda da Petrobrás, dos bancos federais e uma reforma imediata da Previdência. Propõe a redução de gastos e impostos, mas avisa que não aceita que o “bebê”, como chama as Forças Armadas, sofra contingenciamento.

HUMILDADE – O ex-capitão do Exército chegou ao topo das pesquisas com um discurso radical em temas como segurança pública e sexualidade. Na economia, ele adianta que busca ajuda de especialistas com “humildade”, numa estratégia de escapar de críticas. Não disfarça, porém, que é contra o extremismo econômico de seu conselheiro.

“Ele (Guedes) tem, às vezes, um excelente plano e bota na mesa. Mas eu digo: ‘Doutor Paulo, nota dez. Mas isso passa na Câmara e no Senado? Se não cortar aqui, pode ser um excelente plano, mas não vai para a frente”, diz o parlamentar. “Na questão política, ele me ouve. Assim como eu ouço ele na economia. Essa conjunção está dando certo. Estamos namorando.”

DIVERGÊNCIAS – Antes de Bolsonaro, Guedes elaborou o plano de governo de Guilherme Afif Domingos, candidato à Presidência em 1989 pelo Partido Liberal. No posto de principal assessor econômico do pré-candidato, ele atraiu holofotes na defesa de propostas que batem de frente com os discursos e a trajetória de quase três décadas de Bolsonaro na Câmara.

As divergências ficam explícitas num dos debates mais acalorados do cenário econômico atual. O pré-candidato não compartilha com o economista a ideia de redução de subsídios. A proposta é um fantasma, por exemplo, para setores como o agronegócio, que em 2017 obteve renúncia fiscal que chegou a R$ 23,8 bilhões.

Em busca de apoio dos ruralistas, o pré-candidato ressalta que é contra a privatização do Banco do Brasil, órgão de fomento do setor.

CALMA NA PRIVATIZAÇÃO – “Se privatizar, como fica o financiamento do setor produtivo rural? Alguns falam, não é só ele (Guedes): ‘Vamos privatizar essas estatais que vão dar dezenas de bilhões’. Mas quem me garante que a dívida interna vai voltar ao patamar que estava?”, questiona. “Se der um problema, ninguém vai culpar a equipe econômica, vai dar porrada no comandante”, ressalta. “É preciso avaliar o paciente. Vai deixar o dedo e amputar o corpo?”

Como todo namoro, não há compromisso de casamento. Bolsonaro e Guedes têm mantido contatos quase semanais no Rio de Janeiro, telefonemas e mensagens diárias no WhatsApp. Procurado nas duas últimas semanas, o economista não retornou os contatos.

PACOTÃO – O pré-candidato do nanico PSL diz que pretende apresentar um “pacotão” de medidas para destravar a economia. A ideia é fazer uma varredura de projetos em tramitação há anos na Câmara e no Senado. Entre elas está a redução da estrutura do Ministério Público e da Justiça do Trabalho. “Não vou mostrar o pacotão agora para não levar pancada por aí”, afirma. “Ninguém vai ser penalizado”, afirma. “Geralmente, pacotão é aumento de imposto. O nosso é diferente.”

O conjunto de medidas econômicas que a equipe de Bolsonaro prepara tem diretrizes liberais, mas o nome remete ao “Pacotão” do general Ernesto Geisel, que, em abril de 1977, fez mudanças nas regras eleitorais e fechou o Congresso por duas semanas. Para convencer o mercado, Bolsonaro diz que o discurso de fechar o Legislativo ficou no passado, quando era um deputado iniciante, recém-saído do Exército.

DESEMPREGO – Acostumado a disparar na presidente cassada Dilma Rousseff, o pré-candidato começou a ter lições sobre outra mulher da política. A ex-primeira ministra britânica Margaret Thatcher é um exemplo do modelo econômico de Guedes. “A Inglaterra acabou com as subjetividades e reduziu a carga tributária”, diz Bolsonaro. Ele, no entanto, evita falar dos efeitos colaterais das mudanças de Thatcher, que fez cortes drásticos na área social e aumentou o desemprego.

Análises e ideias do economista começam a aparecer nas falas e nos discursos de Jair Bolsonaro. “O pessoal da economia que está comigo disse que vai ter que reduzir a carga tributária”, afirma o pré-candidato. “A minha opinião de leigo é que você pode diminuir a sonegação e aumentar a arrecadação, porque nós ultrapassamos a Curva de Laffer há muito tempo. OK?”, diz, debochando de um termo de alta complexidade para os leigos. A teoria mede o limite de crescimento da arrecadação em relação ao da carga tributária.

AÇÕES SOCIAIS – Bolsonaro diz que a queda de tributos e uma fiscalização mais eficiente garantem as receitas para implantar ações sociais. Ele é econômico ao falar de política monetária, limitando-se a dizer que o Banco Central deve ser “independente politicamente”, como, aliás, propõe Guedes. “Não é fácil discutir esse assunto, cara. Não tem a fórmula mágica.”

E emenda com relatos que sugerem aproximações por parte dos setores financeiro e empresarial à sua campanha: “Temos independência para trabalhar. É comum em reuniões que faço alguém falar: ‘Vamos ajudar financeiramente a campanha’. Eu digo: ‘Não aceito’”, conta. “Tem cara que fatura mais de um bilhão por ano. Não quero dever nada para ninguém. Ou chego (ao poder) de forma independente ou não chego.”

O pré-candidato afirma que não pretende cortar programas sociais como o Bolsa Família. “É combater a fraude, não é acabar. O que puder inserir esse pessoal no mercado de trabalho, vamos inserir. No meu entender, ficará 40%, que você deve bancar, porque os caras estão condenados a morrer de fome.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito interessante e importante o artigo de Leonencio Nossa. Mostra que Bolsonaro não vai ser um desastre nos debates, pelo contrário. A matéria só traz um equívoco, ao dizer que Bolsonaro vai “aderir” às teses de Guedes. Na verdade, o candidato está “adaptando e podando” o ideário hiperliberalista de seu guru econômico, que pode até ser descartado do Ministério da Fazenda. Bolsonaro já tem outros gurus, que usam fardas e tentam colocá-lo no caminho certo. (C.N.)

Juiz nega pedido do filho de Lula e mantém depoimentos da Operação Zelotes

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Camila Bomfim
TV Globo, Brasília

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, negou nesta segunda-feira (18) pedido da defesa de Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para adiar a data do depoimento dele, marcado para o próximo dia 29. O depoimento será prestado no processo da Operação Zelotes que apura irregularidades na compra de caças suecos durante o governo Dilma Rousseff.

Lula é réu no processo, junto com o filho, pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

ACUSAÇÕES – A denúncia do Ministério Público Federal que deu origem à ação penal aberta pela Justiça é resultado de investigações sobre compra pelo governo federal de 36 caças suecos e sobre a aprovação no Congresso de uma medida provisória que envolveu incentivos fiscais a montadoras.

De acordo com o Ministério Público Federal, os crimes teriam sido praticados entre 2013 e 2015, quando Lula, como ex-presidente, teria participado de um esquema para beneficiar empresas junto ao governo Dilma.

DEPOIMENTOS – Além de Luis Cláudio, que será ouvido no dia 29, o juiz também colherá os depoimentos de Lula e dos lobistas Mauro Marcondes e Cristina Mautoni, também réus no processo. O depoimento dos últimos três está marcado para a manhã de quinta-feira, dia 21.

O depoimento de Lula será por meio de videoconferência, uma vez que o ex-presidente está preso, por causa de outro processo, o caso do triplex em Guarujá (SP). Ele foi condenado em duas instâncias da Justiça a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Pessoalmente, eu gostaria de conhecer as provas contra Lula no caso da compra dos caças suecos. E aproveito para indagar por que não foram incriminados o então ministro da Aeronáutica e os oficiais que participaram da suposta negociada. Como dizia o genial humorista Paulo Silvino, perguntar não ofende. (C.N.)

Centrais contratam investigado na Lava Jato para liberar R$ 500 milhões 

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Tiago Cedraz é filho de um ex-presidente do TCU

Vinícius Sassine
O Globo

A influência do Solidariedade foi determinante na composição do grupo de trabalho montado dentro do ministério para tentar efetivar de vez os repasses das contribuições sindicais retidas na Caixa. A Força Sindical indicou o advogado Tiago Cedraz para representá-la no grupo. Ele é secretário de Assuntos Jurídicos do Solidariedade. Um sócio de Tiago no escritório mantido em Brasília, o advogado Bruno de Carvalho Galiano, também passou a contribuir formalmente com o grupo que deve decidir os rumos do bolo de R$ 500 milhões que pode engordar o caixa das centrais. Ele foi nomeado como representante da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). Bruno é filiado ao Solidariedade na Bahia desde fevereiro de 2016.

Tiago é investigado na Operação Lava-Jato, juntamente com o pai, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz, e com o presidente do tribunal, ministro Raimundo Carreiro. O inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) investiga suposto pagamento de propina para que a empreiteira UTC obtivesse ganhos em processo em curso no TCU, que trata de obras da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ). A PF concluiu o relatório das investigações em junho de 2017. Apontou indícios de corrupção passiva envolvendo os três — pai, filho e presidente do TCU. Eles negam as acusações.

DOZE REUNIÕES – Representantes das sete centrais, do Ministério do Trabalho e da Caixa já fizeram 12 reuniões na pasta. Fontes do governo ouvidas pela reportagem relatam uma posição de protagonismo de Tiago e do sócio nas discussões.

Em outubro do ano passado, as sete centrais sindicais, o Ministério do Trabalho e a Caixa assinaram um acordo, mediado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), para permitir que as entidades recebessem os resíduos de contribuições sindicais. A advogada-geral da União, Grace Mendonça, no entanto, se recusou a assinar o termo, por entender que existia uma “incerteza” sobre a “correta distribuição” de recursos com destinação ainda não identificada.

No último dia 6, o site do Globo publicou reportagem sobre riscos e fragilidades identificadas pela CGU no acordo mediado pelo MPT. Entre esses riscos estão a falta de critérios para definir os valores a serem repassados, a ausência de análise do impacto no Tesouro e no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e a possibilidade de pagamentos duplicados a entidades. Após a reportagem procurar o MPT, o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, decidiu no mesmo dia acabar com o acordo.

ADVOGADOS DEFENDEM – Em nota, os advogados Tiago Cedraz e Bruno Galiano afirmaram que uma denúncia das centrais sindicais ao MPT apontou a “apropriação indevida” de recursos da contribuição sindical pela União. Os dois foram os autores da denúncia, segundo eles. As audiências de mediação foram “devidamente gravadas e registradas em ata”, conforme a nota.

Tiago e Bruno dizem não enxergar qualquer impedimento para atuar em processos de restituição de contribuições sindicais. “O grupo de trabalho não é órgão público tampouco integra a estrutura do Ministério do Trabalho. A atuação dos advogados jamais teve cunho partidário”, finaliza a nota.

“COMPETENTE” – A Força Sindical defendeu a indicação de Tiago Cedraz para o grupo que discutiu os rumos da restituição da contribuição sindical. “Ele defende os interesses de todas as centrais no Judiciário há dez anos. É advogado da Força Sindical para todo o Judiciário em Brasília. Extremamente competente e conhecedor do assunto, Tiago é o advogado que desenvolveu a tese acerca do desvio pela União dos recursos oriundos da contribuição sindical que deveriam ser destinados às centrais e às demais entidades sindicais”.

Em entrevista ao GLOBO, o presidente da CGTB, Ubiraci Dantas, o Bira, afirmou que não partiu da direção da central a escolha do sócio de Tiago para representá-la nas discussões sobre o futuro do dinheiro:

— Alguém falou: “Tem um advogado aqui para te indicar.” Não foi uma escolha da gente. Ele (o sócio de Tiago) não participa em nada na central. Alguém que estava na reunião disse: “Podemos colocar um advogado nosso?” A indicação ocorreu no meio desse bolo geral.

E o poeta passeia sobre ti, suavemente, num fim de tarde de domingo

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Mauro Mota, sempre inspirado

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, jornalista, professor, memorialista, cronista, ensaísta e poeta pernambucano Mauro Ramos da Mota e Albuquerque(1911-1984), no poema “Rua Morta”, sente um cheiro não dos jardins abandonados, mas dos cabelos das moças de outras épocas.

RUA MORTA
Mauro Mota

Longa rua distante de subúrbio,
velha e comprida rua não violada pelos prefeitos,
passo sobre ti suavemente neste fim de tarde de domingo.

Sinto-te o coração pulsando oculto sob as areias.
O sangue circula na copa imensa dos flamboyants.

Tropeço nos passos perdidos há muito nestas areias,
onde as pedras não vieram ainda sepultá-los.
Passos de homens que jamais voltarão.

Ó velhos chalés de 1830,
eterniza-se entre as paredes o eco das vozes de invisíveis habitantes.
Mãos de sombras femininas abrem de leve janelas no oitão.

Há um cheiro de jasmins e resedás
que não vem dos jardins abandonados,
mas dos cabelos dos fantasmas das moças de outrora.

Indiciamento do ex-procurador Marcelo Miller é uma agressão ao bom senso

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Miller é ganancioso e amoral, mas não cometeu crime

Carlos Newton

O Direito é uma importantíssima ciência social, que se baseia na lógica e na razoabilidade. Para ser exercido e manter o equilíbrio nas relações da sociedade, o Direito precisa obedecer a normas rígidas que precisam ser respeitadas por todos, inclusive pelas autoridades, mas nem sempre isso acontece. Aqui no Brasil, há autoridades que insistem em criar suas próprias normas, como o notório ministro Marco Aurélio Mello, que recentemente anunciou que não se sentia obrigado a cumprir a jurisprudência do Supremo que permite o cumprimento da pena de prisão após condenação em segunda instância, com funciona na quase totalidade dos países-membro das Nações Unidas.

Em apenas um dos 193 países da ONU, esta norma moralizante não é cumprida, e Marco Aurélio Mello, junto com outros quatro ministros do STF, tenta fazer com que o Brasil se torne o segundo país ase mostrar penalmente irracional.

ABUSO DE PODER – Estas manifestações a favor de retardar ao máximo a prisão dos réus penais não tem base na razoabilidade, porque apenas 0,62% das condenações em segunda instância são revistas pelo Superior Tribunal de Justiça. E o retardamento (em todos os sentidos) só beneficia os réus poderosos, porque aqui no Brasil os pés rapados podem ser presos e julgados arbitrariamente, e ninguém se preocupa com eles.

O mais incrível é que, do s onze ministros de Supremo, pelo menos cinco são fervorosos adeptos desse retrocesso – Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Celso de Mello, enquanto Rosa Weber se equilibra em cima do muro. Parece que estamos vivendo no Teatro do Absurdo.

NOVA REALIDADE – Se o julgamento a ser efetuado dia 26 pela Segunda Turma decidir pela liberdade a Lula, este país poderá entrar em uma nova situação, altamente negativa. E ninguém sabe o que poderá acontecer.

Este retrocesso em direção à impunidade significará um absurdo abuso de autoridade, porque será cometido em flagrante desrespeito à lógica e à razoabilidade. Ao que parece, estes dois pré-requisitos jurídicos estão meio fora de moda.

Basta conferir a base jurídica do indiciamento do ex-procurador federal Marcelo Miller, do empresário Joesley Batista, do executivo Francisco de Assis, e das advogadas Fernanda Tórtima e Esther Flesch, que trabalhavam para a J&F.

CONTRADIÇÕES EM SÉRIE – A decisão do delegado federal Cleyber Malta Lopes, responsável pelo indiciamento, exibe contradições aterradoras e que não resistem a uma lufada de bom senso. De início, ele informa ao Supremo que haveria indícios suficientes de que Joesley, Assis, Fernanda e Esther corromperam Marcelo Miller para obter ajuda no acordo de delação premiada da J&F.

Mais adiante, Cleyber Malta Lopes muda de idéia e afirma que os elementos indicam que Marcelo Miller não interferiu na produção de provas descritas em planilhas de pagamentos entregues. E acrescenta que também não foram encontrados elementos de que o então procurador “tenha interferido ou orientado as gravações espontâneas realizadas por Joesley Batista e Ricardo Saud antes das ações controladas autorizadas pela Justiça”.

Caramba! O delegado federal acaba de inventar a figura de um servidor público que se corrompeu, mas não praticou a corrupção. Genial! (ou Bestial!, como dizem os portugueses.

ATO AMORAL – O comportamento do procurador Marcelo Miller é abjeto, amoral e decepcionante. Deixou-se envolver pela ganância e jogou no lixo sua carreira.

Mas acontece que ele pediu exoneração, antes de começar a trabalhar no escritório de advocacia. Não teve nem tinha sob sua atribuição nenhum inquérito, processo ou investigação relativo à J&F, suas controladas ou pessoas ligadas a elas.

Por fim, Miller afirma que nunca recebeu qualquer valor pela atividade preparatória que exerceu antes de sua exoneração, até porque seu contrato inviabilizava receber qualquer valor atrelado a notas fiscais emitidas pelo escritório.

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P.S. –
Ganância e idiotice não recomendam ninguém, mas não configuram crimes nas leis de nenhum país do mundo. Alguém precisa informar esta realidade ao delegado Malta Lopes, que deveria estar perseguindo criminosos de verdade, mas parece estar vivendo no mundo da lua. (C.N.)

Seleção precisa atuar mais livre, leve e solta do que jogou contra a Suíça

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Charge do Thiago (Arquivo Google)


Pedro do Coutto

Em plena era da Copa do Mundo, o pensamento da torcida brasileira, penso eu, volta-se para o treinador Tite, no sentido de que altere o esquema tático rígido quanto a forma de jogar e libere a equipe para se movimentar mais rapidamente e assim encontrar espaços destinados a levá-la à vitória. A partida contra a Suíça deve servir de exemplo para as modificações que se fazem necessárias, liberando mais a criatividade com a bola do que seguir esquemas táticos que terminam inibindo a seleção.

Contra a Suíça, amarramos muito as jogadas em torno de Neymar e esquecemos que futebol é o conjunto que abre os caminhos para o êxito. Há tempo para Tite rever sua visão de jogo e assim fazer com que o futebol brasileiro se reencontre consigo mesmo, recuperando a magia no trato com a bola que representa sua principal característica.

JOGO FECHADO – As partidas disputadas até aqui vêm destacando a rigidez de esquemas táticos que praticamente igualam as equipes dentro das limitações impostas pelos treinadores. Os resultados de domingo e ontem são uma prova disso. O futebol brasileiro necessita de espaço para se afirmar e, com isso, destacar a criatividade capaz de fazer as diferenças e romper esquemas defensivos, como aconteceu domingo contra a Suíça.

Eu pretendia escrever hoje a respeito da entrevista do Secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, à repórter Maeli Prado, focalizando os benefícios fiscais que nos últimos anos atingiram 393 bilhões de reais. Mas estamos em tempo de futebol. Essa entrevista fica para depois.

Nos treinos desta semana o técnico Tite inevitavelmente terá que colocar em pauta as trocas em demasiado de passos curtos, modalidade que facilita a marcação adversária e, na prática, diminui o campo de jogo, o que nos desfavorece na medida em que acabamos por marcar a nós mesmos. Isso de um lado.

NEYMAR ERRANDO – De outro lado, a atuação precisa se libertar do jogo centralizado em Neymar, maneira pela qual os adversários encontram mais facilidade para marcá-lo. E não só isso: Neymar, apesar de sua grande habilidade com a bola não precisa aplicar dribles em exagerada sequência, estilo que o coloca inclusive no alvo predileto dos choques e faltas. Por falar em faltas, delas abusou o time suíço, inclusive segurando-o duas vezes pela camisa, exemplo típico do antifutebol.

Tite provavelmente dirá a Neymar que ele necessita soltar mais a bola e não prendê-la a seus pés, porque isso termina afunilando a movimentação ofensiva do escrete e ampliando a distância até a meta adversária. Porque uma coisa é partir em sequência direta para o campo de ataque e outra é desviar-se de um lado para outro, o que evidentemente aumenta a dificuldade para o ataque concluir as jogadas.

QUESTÃO LÓGICA – Parece óbvio, mas como dizia Nelson Rodrigues, só os profetas enxergam o óbvio e o humor do artista não influi para encobrir a predominância da observação lógica.

Finalmente, vamos aguardar, com confiança e entusiasmo as alterações que se impõem, não na escalação da equipe mas quanto a forma de jogar e dominar a bola nos diversos obstáculos com que vamos nos deparar. As dificuldades são coisas do futebol, mas superá-las é a missão do selecionado de ouro que necessita voar mais livre e leve em busca das vitórias.

E, se Deus quiser, estaremos no rumo do hexacampeonato.

Busca nas celas de Dirceu, Estevão e Geddel derruba a direção da Papuda

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Estevão, agora barbudo, foi apanhado em flagrante

Fábio Fabrini
Folha

A varredura nas celas do ex-senador Luiz Estêvão (MDB-DF) e dos ex-ministros Geddel Vieira Lima (MDB-BA) e José Dirceu (PT-SP), na Penitenciária da Papuda, derrubou integrantes da cúpula do sistema prisional em Brasília. Em nota divulgada nesta segunda (18), a Secretaria da Segurança Pública do Distrito Federal informou que, “considerando o cumprimento do mandado de busca e apreensão” no Centro de Detenção Provisória (CDP) da Papuda, durante o qual foram encontrados “diversos itens proibidos”, decidiu afastar preventivamente de suas funções o diretor da unidade, José Mundim Júnior, e o subsecretário do Sistema Penitenciário, Osmar Mendonça de Souza.

Os dois vão ficar fora de seus cargos ao menos até a conclusão de investigações sobre o envolvimento de agentes públicos na concessão de privilégios aos políticos presos no CDP.

ATÉ TESOURA – Na tarde de domingo (17), a Polícia Civil do DF apreendeu chocolates, pendrives e uma tesoura, atribuídos a Estêvão, na cela que ele divide com Dirceu.

Os policiais investigam um suposto esquema de favorecimento, envolvendo agentes públicos, aos três internos. Há informações, segundo os investigadores, de que Estêvão atua como o “dono do presídio”.

No local, também foi encontrada uma anotação na qual Dirceu registraria a necessidade de autorização do ex-senador para conseguir burlar horário de visitações na Papuda.

TODOS CALAM – Na cela de Geddel, ocupada por ele e mais de dez presos, foram encontradas anotações, que ainda serão analisadas.

Os advogados de Estêvão, Marcelo Bessa, e de Dirceu, Roberto Podval, informaram que não se manifestariam. O criminalista Gamil Föppel, que defende Geddel, ainda não se pronunciou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEstevão não somente é o “dono” da Papuda, como também comanda de dentro do presídio a gestão do grupo empresarial OK, de sua propriedade, conforme revelou aqui na TI o comentarista José Antonio Perez Jr., direto de Brasília. (C.N.)

Projeto nacional é a grande bola fora do Brasil, analisa Edney Cielici Dias

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Charge do Duke (dukechargista.com)

Edney Cielici Dias
Poder360

O labirinto em que o país se encontra tem diversas faces de desilusão e o futebol é mais uma delas. Hoje a seleção brasileira estreia na Copa com a maior indiferença dos brasileiros –53% não têm interesse pelo evento, percentual bastante superior aos verificados, por exemplo, nos meses de junho em 1994 (20%) e 2014 (36%), segundo o Datafolha.

A ligação com a seleção brasileira é, para o bem ou para o mal, um indicador de pertencimento, de identidade com a nação. Na 6ª feira (14.jun), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli tocou o problema em outra perspectiva: nenhum candidato a presidente da República apresentou, até o momento, um “projeto de nação”.

PATRIOTADA – O que liga a seleção brasileira ao “projeto de nação”? Trata-se de algo sério ou estamos resvalando na patriotada?

A relação fria dos brasileiros é, sim, manifestação de um problema maior. Coincidentemente, a série dos dados do Datafolha corresponde a pontos críticos do enfraquecimento do “projeto de nação”.

O sonho de Brasil grande, de orgulho nacional de potência emergente, sepultou-se no início dos anos 1980, com o ocaso melancólico da agenda desenvolvimentista dos governos militares. O renascimento democrático significou administrar crises econômicas e demandas sociais historicamente reprimidas.

ESTABILIDADE – O Plano Real, de 1994, e seus desdobramentos propiciaram a necessária estabilidade de preços, mas em um contexto desfavorável à qualificação produtiva. O arranjo macroeconômico se consolidou com juros elevados, câmbio cronicamente sobrevalorizado, ampla abertura a fluxos de capitais e baixa abertura comercial.

Ocorreu, de fato, uma abertura econômica perversa, restrita aos fluxos de capitais, em contraposição ao que seria um papel mais ativo do Brasil no comércio e de participação nas cadeias mundiais de produção.

O brasileiro com renda mais alta se internacionalizou com o real forte e a liberdade de enviar seus recursos ao exterior e repatriá-los. As desvalorizações cíclicas do real, por sua vez, possibilitam oportunidades de especulações fáceis da elite duty free.

CONFIGURAÇÃO – O período de retomada do crescimento nos governos Lula não alterou essa configuração institucional. A expansão se deu com o combustível de exportação de produtos de baixa complexidade produtiva, paralelamente a importantes políticas de renda, em especial a valorização do salário mínimo.

A emergência da crise, no final do 1º mandato de Dilma, voltou a explicitar fragilidades de um país em processo de desindustrialização e de baixa produtividade. Salientou também a imemorial parcialidade do Estado brasileiro, pleno de vieses e atrasos, e uma Justiça que, em seu elitismo e lentidão, sinaliza que o crime compensa.

Em certo sentido, é fácil entender o que se passa nesta Copa. Os brasileiros têm graves problemas a resolver no seu dia-a-dia e não há clima para festa.

ANTIPATIA – Há também uma certa antipatia. Os craques da seleção são tão internacionalizados como a elite nacional: alta renda, residência no exterior, capacidade fugir dos problemas da terrinha. A CBF é tão impopular e sem credibilidade como o vergonhoso governo federal. Natural o distanciamento, a despeito da qualidade do time dirigido por Tite.

A ideia de nação, essencial na conformação das economias capitalistas, é semelhante à de um barco em que as diversas classes e interesses convivem por objetivos comuns. A presente situação do Brasil é, no entanto, a de uma nau de insensatos.

O tal “projeto de nação” é, nessa imagem, uma rota de navegação capaz de pacificar os tripulantes, de fazer o país singrar rumo ao desenvolvimento. É ingênuo, no entanto, esperar um projeto de nação coerente por parte de candidatos. Isso não correu em eleições passadas.

DESINFORMAÇÃO – Projetos implicam explicitar conflitos, apará-los, qualificar o debate. O quadro eleitoral tende, mais uma vez, a chafurdar na desinformação. Proposições coerentes dos candidatos devem, assim, ser provocadas pela sociedade civil.

Quais as políticas produtivas e de emprego? Como resgatar a segurança pública? O pode ser feito para melhorar o acesso à Justiça e torná-la eficiente? Como melhorar a educação? Qual a agenda social e de resgate da cidadania? Como preservar nosso ambiente?

Muitas perguntas devem ser respondidas no projeto de nação. Ele é necessário. Assim como também é saborear a vida e – por que não? – o futebol. É preciso navegar para além do terror, dos ódios, da canalhice, da xaropada. Sejamos felizes, enfim.

(artigo enviado por João Amaury Belem)

PF indicia ex-procurador Marcelo Miller e Joesley Batista por corrupção

Dos três, somente Wesley (à esquerda) escapou da PF

Andréia Sadi e Mariana Oliveira
G1 Brasília

A Polícia Federal indiciou o ex-procurador da República Marcelo Miller por corrupção passiva e o empresário Joesley Batista, por corrupção ativa. Também foram indiciados, por corrupção ativa, o ex-executivo da J&F Francisco de Assis e as advogadas Fernanda Tórtima e Esther Flesch, que trabalhavam para a empresa. O blog busca contato com todos os indiciados – leia ao final deste texto nota do advogado de Joesley Batista.

O indiciamento aconteceu no âmbito do processo que apura se Joesley Batista, Francisco de Assis e as advogadas tentaram corromper Miller enquanto ele atuava no Ministério Público.

COM FACHIN – O relatório da PF foi enviado ao ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, e à presidente do tribunal, Cármen Lúcia. No ano passado, a Procuradoria Geral da República rescindiu acordos de delação premiada com executivos da J&F por suposta omissão de informações nos depoimentos. Os delatores negam. Na prática, os acordos foram suspensos. Isso porque a rescisão definitiva depende de validação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que ainda não aconteceu.

Para o delegado Cleyber Malta Lopes, responsável pelo caso, há indícios suficientes de que Joesley Batista, Francisco de Assis, Fernanda Tórtima e Esther Flesch corromperam Marcelo Miller para obter ajuda no acordo de delação premiada de executivos da J&F.

O delegado da PF concluiu, ainda, que houve omissão por parte de Joesley Batista e de Francisco de Assis “sobre a real extensão dos atos praticados por Marcello Miller e a relação ilícita entre Miller e os investigados”.

SEM PROVAS – Os delatores querem que o acordo seja mantido. Afirmam, de modo geral, que não tinham conhecimento de que Miller ainda estava vinculado à Procuradoria e sustentam que não tentaram omitir informações à PGR.

No relatório, Cleyber Lopes afirmou ao STF que os elementos indicam que Marcello Miller não interferiu na produção de provas descritas em planilhas de pagamentos entregues.

Lopes acrescenta, ainda, que não foram encontrados elementos de que o então procurador “tenha interferido ou orientado as gravações espontâneas realizadas por Joesley Batista e Ricardo Saud antes das ações controladas autorizadas pela Justiça”. O delegado da PF frisou, também, não haver elementos de envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal.

DELAÇÃO DA J&F – As delações foram validadas pelo ministro Luiz Edson Fachin em maio de 2017. Desde o início, pontos do acordo geraram críticas, uma vez que, à época, foi concedida aos delatores imunidade penal, ou seja, a impossibilidade de serem denunciados ou responderem a processos na Justiça.

Posteriormente, com a suspensão dos acordos pela PGR, os delatores foram denunciados pelo Ministério Público.

As delações originaram a Operação Patmos, deflagrada em maio de 2017 para coletar indícios de supostos repasses ilegais da J&F ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), que chegou a ser afastado do mandato, e ao presidente Michel Temer.

NO PORÃO DO JABURU – Joesley Batista gravou uma conversa com o presidente na qual, segundo a Procuradoria-geral da República, eles trataram sobre a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (MDB-RJ) para que ele não fechasse acordo de delação premiada. Temer nega.

Em ação controlada, a Polícia Federal gravou um auxiliar do presidente, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR), saindo de restaurante com uma mala com R$ 500 mil após recebê-la de um executivo da J&F – Ricardo Saud.

As acusações da J&F viraram denúncia formal da Procuradoria contra Aécio, que virou réu em ação penal no STF, e duas denúncias contra Temer, que teve os processos suspensos por decisão da Câmara.

No dia 26 de junho, é bom ficar de olho na Segunda Turma do Supremo

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Charge do Piovan (Arquivo Google)

José Carlos Werneck

No próximo dia 26 deste mês, quando a seleção da Argentina enfrenta a Nigéria, a Dinamarca disputa com a França e a Austrália joga contra o Peru, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal julgará o pedido de liberdade de Lula.

Isso só acontece porque o ministro Edson Fachin, relator dos processos da Operação Lava Jato no Tribunal, decidiu remeter à Segunda Turma o novo pedido da defesa de Lula para que o ex-presidente deixe a prisão até que os recursos contra sua condenação sejam julgados. Edson Fachin quer que o pedido de liberdade de Lula seja apreciado, em 26 de junho, a critério do ministro Ricardo Lewandowski, que preside aquela Turma.

HÁ RISCOS – Os outros integrantes da Segunda Turma, além de Ricardo Lewandowski e Edson Fachin, são os ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

Edson Fachin já havia negado, no mês passado, um pedido da defesa para que o ex-presidente saísse da prisão. Naquela ocasião, a decisão, feita em julgamento virtual, foi unânime. Não obstante o entendimento, os ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Celso de Mello são declaradamente contra a possibilidade de que réus condenados em segunda instância sejam presos para o início do cumprimento de pena.

Portanto, teoricamente há risco de Lula ser libertado, embora pedido semelhante, que havia sido protocolado pelos advogados de Lula no Superior Tribunal de Justiça, já tenha sido negado liminarmente pelo ministro Félix Fischer, relator da Lava Jato no STJ.

CONFIO NO STF – Lula encontra-se detido na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 7 de abril. O ex-presidente foi condenado a doze anos e um mês de prisão por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no caso do tríplex do Guarujá. Com o fim do processo em segunda instância, seus advogados ingressaram com recurso especial no STJ e recurso extraordinário no STF contra a condenação. A vice-presidência do TRF4 ainda estuda a possibilidade desses recursos serem admissíveis junto aos tribunais superiores.

O meu e-mail está cheio de mensagens de leitores, preocupados com a possibilidade de que no momento em,que os torcedores de todo o País estiverem preocupados com a Copa do Mundo, a Segunda Turma do STF goleie a Lava Jato e decepcione a torcida do bem.

Como eu confio no Supremo Tribunal Federal, respondo a todos eles que a nossa mais alta Corte de Justiça não decepcionará a Nação e não frustrará as esperanças de seus jurisdicionados.

Polícia apreende pendrives e anotações na cela de Geddel e Luiz Estevão

Ex-senador Luiz Estevão chega para depoimento na 10ª Vara Federal, em Brasília, nesta quarta (Foto: TV Globo/Reprodução)

Luiz Estevão tentou jogar os pendrives na privada

Mara Puljiz
TV Globo

A Polícia Civil do Distrito Federal fez buscas, neste domingo (17), na cela que abriga o ex-senador Luiz Estevão e o ex-ministro da Articulação Política do governo Michel Temer, Geddel Vieira Lima (MDB-BA). Os dois dividem um alojamento com outros presos no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Segundo a polícia, as buscas foram autorizadas pela Justiça e motivadas pela denúncia, feita por um detento, de que os políticos estariam recebendo “regalias” na prisão. Barras de chocolate, anotações que seriam de Geddel e pelo menos cinco pendrives – supostamente, de Luiz Estevão – foram apreendidos.

SEM SABER… – À TV Globo, o advogado de Geddel Vieira Lima disse que “estranha, mais uma vez, a defesa técnica não saber da operação antes da imprensa”. A defesa de Luiz Estevão também disse desconhecer as buscas, e não quis se pronunciar.

De acordo com a Polícia Civil, durante as buscas, Estevão tentou se livrar de um pendrive jogando o dispositivo na privada. O aparelho foi recuperado e passará por perícia.

Além do conteúdo dos itens apreendidos, os investigadores querem descobrir quem facilitou a entrada dos alimentos e das mídias.

VISTORIA – A ação foi realizada pela Coordenação de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da Polícia Civil do DF e pela Promotoria de Execução Penal do Ministério Público do DF. Até a noite deste domingo, nenhum dos órgãos tinha detalhado as possíveis medidas a serem tomadas com base no material encontrado.

A suspeita de regalias na cela ocupada por Luiz Estevão não é inédita. Em março de 2017, uma inspeção encontrou itens proibidos nas dependências compartilhadas pelo ex-senador. A lista incluía chocolate, cafeteira elétrica, cápsulas de café e até macarrão importado. E o diretor de presídio foi exonerado após denúncia de regalias para ex-senador Luiz Estevão

O político também é acusado pelo MP do DF de financiar a reforma do bloco onde cumpre pena no Complexo da Papuda. Pelo menos três ex-gestores da Papuda também são listados no processo por, supostamente, terem sido coniventes com o empreendimento.

Operador preso pela PF acusa Ronaldo Nogueira, ex-ministro do Trabalho

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Ex-ministro alega esta sendo caluniado


Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Preso preventivamente na Operação Registro Espúrio e apontado como um dos principais operadores do PTB e da União Geral dos Trabalhadores (UGT) no Ministério do Trabalho, o ex-servidor da pasta Renato Araújo Júnior disse, em depoimento à Polícia Federal, que era um mero “cumpridor de ordens” no esquema de fraudes na concessão de registros sindicais.

Araújo Júnior apontou que pode apresentar informações sobre o que chamou de “envolvimento” do ex-ministro Ronaldo Nogueira (PTB-RS), que deixou o cargo em dezembro para reassumir mandato de deputado. Ele não foi alvo da operação.

CENTRAL SINDICAL – A menção a Nogueira ocorreu no contexto em que Renato falava que recebeu diversos pedidos da UGT para registros de entidades vinculadas à central sindical, “muitas vezes sem os requisitos necessários” e que esses “pedidos eram, na verdade, ordens veladas”, vindas do presidente da UGT, Ricardo Patah, e de outros nomes relacionados à central sindical.

Araújo Júnior afirmou que Patah é ligado ao ex-ministro e que fazia pedidos a Nogueira. O ex-servidor declarou à PF que “futuramente, depois de tomar conhecimento acerca do teor dos autos, pretende prestar informações sobre o envolvimento de Ronaldo Nogueira nos fatos; que esclarece que os ‘pedidos’ (da UGT) eram direcionados não somente ao declarante, mas também a Renata Frias Pimentel, Leonardo Cabral, Carlos Lacerda e ao próprio ministro Ronaldo Nogueira; que futuramente pode declinar a participação de alguns deles nas fraudes sindicais”.

NA PAPUDA – O depoimento é de 31 de maio e foi o segundo prestado pelo ex-servidor, que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda. Ele encerrou a fala afirmando que “deseja que fique consignado o seu interesse em colaborar amplamente no curso da investigação, prestando novos depoimentos se necessário”.

Ao Estadão, o ex-ministro Ronaldo Nogueira “refutou com indignação” a menção ao nome dele e afirmou que exonerou Renato Araújo Júnior no ano passado, quando soube que o Ministério Público Federal na primeira instância havia aberto uma investigação sobre fraudes em registros sindicais. Nogueira negou a afirmação do ex-servidor de que recebia pedidos de Patah e disse que a relação que tinha com dirigentes de centrais sindicais era institucional.

“Graças a Deus, o único patrimônio que tenho é minha honra e meu nome. Não há qualquer possibilidade de se afirmar que o ministro fez qualquer pedido a ele. Defendo o aprofundamento das investigações.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO ex-ministro pode se defender à vontade, não vai adiantar nada. O ministério do Trabalho era um dos focos de corrupção desde sempre. Por isso, o Brasil é recordista mundial em sindicatos. E o ministro Edson Fachin está pronto para recriar a contribuição anual obrigatória, para fazer a festa dos pelegos. Fachin parecia ser  uma coisa, agora parece ser outra. (C.N.)