Haddad, Manuela e Gleisi vão participar de “debate paralelo” na internet

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Os dois “vices” ficaram de  fora do debate na TV Band

Deu no Correio Braziliense
(Agência Estado)

Como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso, o PT confirmou que fará uma transmissão paralela pela internet durante o debate entre candidatos à Presidência da TV Band, na noite desta quinta-feira (9/8). O chamado “Debate com Lula”, sem o ex-presidente, reunirá o candidato a vice, Fernando Haddad, a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB) — escolhida para ser vice na chapa após a Justiça Eleitoral definir a situação de Lula na disputa —, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e o coordenador da campanha, José Sergio Gabrielli.

O “debate” paralelo começará às 22h, no mesmo horário da programação da emissora de TV. O PT avaliou que um programa pelas redes sociais daria mais exposição a Haddad e Manuela do que se os dois fossem ao debate na TV como convidados.

A estratégia do partido é vincular diretamente os candidatos à imagem de Lula, preso em Curitiba desde 7 de abril.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Começam a aparecer as contraindicações da insistência em colocar Lula como candidato, mesmo estando atrás da grades e inelegível. Como Haddad é candidato a vice, ficará excluído dos debates em todas as emissoras. Ou seja, a estratégia de Lula se vitimizar e bancar o coitadinho realmente pode não dar certo. (C.N.)

Quinta Turma do STJ nega outro recurso que pedia a libertação de Lula

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Parecer de Felix Fischer foi aprovado por unanimidade

José Carlos Werneck

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça indeferiu outro recurso dos advogados de Lula para suspender os efeitos da condenação do ex-presidente, no processo do triplex de Guarujá. Igual solicitação havia sido negada em 11 de junho pelo ministro Felix Fischer, relator da Lava Jato no tribunal. O ex-presidente está preso desde abril na sede da Polícia Federal em Curitiba, depois de condenação pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região à pena de 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-presidente tem

A decisão da Quinta Turma do STJ é do dia 2 de agosto e negou, por unanimidade, recurso da defesa do ex-presidente contra decisão individual do ministro Félix Fischer, relator da Lava Jato na Corte, do dia 11 de junho.

Votaram pela não concessão do recurso, além do relator, os ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Jorge Muss e Joel Ilan Paciornik.

MESMO PEDIDO – A expectativa dos advogados do ex-presidente, que fez o mesmo pedido ao STJ e ao Supremo Tribunal Federal, é de que Lula possa aguardar, em liberdade, o julgamento de recursos interpostos nas instâncias superiores.

Eles argumentam que há irregularidades no processo e, por isso, protocolaram no STJ e no STF pedidos de suspensão do cumprimento da pena pelo ex-presidente.

Entenda por que a perspectiva da dívida pública está cada vez mais sombria

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Mathias Erdtmann
Especial para a Tribuna

Existem alguns mitos acerca da dívida dos países, que decorrem, em geral, de considerar as finanças dos países como análogas a pequenas organizações (uma família, uma padaria, etc). Na verdade, as coisas são muito mais complicadas que isso.

Para entender um pouco mais do assunto, dois pesquisadores patrocinados pelo Fundo Monetário Internacional (o famigerado FMI), Zettelmeyer e Sturzenegger, (vou abreviar os nomes para Z&S), gastaram um bocado de tempo avaliando o débito e o calote soberanos, sobretudo de países recorrentes, como os da América Latina. 

CALOTES LATINOS – Alguns fatos levantados: (1) Existem tipos de calotes; (2) Efeitos sistêmicos levam a proliferação de calotes em países “irmãos”; (3) Existe um efeito cíclico, ou período de recorrência de calotes. (4) Os efeitos dos calotes são a redução do influxo de capitais estrangeiros, queda do PIB, e o aumento das exportações; (5) Os efeitos desaparecem completamente após 3 anos do calote, com exceção das exportações que se mantém em alta por um período maior.

Quanto aos tipos de calotes, temos o calote por via inflacionária, por congelamento/tabelamento/precificação artificial, por moratória dos juros, por “corte de cabelo” (expressão que denomina quando o país unilateralmente dá um percentual do valor de face para quitação/renovação da dívida).

Como brasileiros conhecemos (ou devíamos conhecer) todas estas variedades, afinal de conta, tivemos 8 calotes desde a independência (na classificação de Z&S). Isso significa que temos um calote a cada 24 anos, em média.  O último calote classificado por Z&S foi a moratória dos juros de Sarney (estou arriscando aqui, mas acho que não contaram a hiperinflação de Collor por ter sido uma recaída do Sarney ou por ter sido paga com gordas compensações nos famigerados títulos Brady, no governo FHC).

HÁ 31 ANOS – Desta forma, ficou contabilizado como último calote o ano de 1987, e estamos ultrapassando largamente o tempo médio entre calotes, pois passamos 31 anos sem dar calotes. Neste ínterim, Argentina (2005), Equador (2010) e Uruguai (2003) fizeram reestruturações (calote estilo “cortes de cabelo”). Nós estávamos na “marolinha”, e não entramos neste barco.

Depois, desde 2013/2014, já com sinais de sofrimento, dois anos após o tempo médio entre calotes, a economia começa a se arrastar. Assim passaram cinco anos, com promessa de tudo ficar melhor daqui a mais uns 3 ou 4 ou 8 ou 20. Dois ou três anos de sofrimento para “zerar” o contador não parecem mais tão ruim.

Por isso o tema do calote, em seus mais diversos sabores, surge. Quem não fala dele negligencia ou tangencia o fato de que, ignorar o espectro do calote tornará ele mais real que nunca. Se a escolha do método não for consciente, será inconsciente, em uma espiral de maluquices modelo Collor.

500 BILHÕES – Este ano, a dívida produzirá algo como 500 bilhões de Reais de custo, somente em juros (alguns técnicos, como a Dra. Fatorelli e Ciro Gomes, gostam de contabilizar a amortização, por culpa do próprio governo, que se recusa a separar as rubricas na contabilidade oficial), contra 117 bilhões de reais destinados à educação.

Falar que esta dívida é um direito de muitos, em suas previdências, fundos de renda fixa, investimentos (e, segundo Miriam Leitão, em menor grau, aos bancos) é bobagem. O direito se dissolve pela realidade factual de que o pagamento é impossível. Todos que compram a dívida sabem, a priori, os riscos envolvidos em emprestar dinheiro ao Governo Brasileiro e podem sim ter a perda de seu principal. Quem não gosta, deveria deixar o rentismo financeiro e avançar para a economia física, produzindo algo do tripé econômico brasileiro: comida, casa ou energia. Claro que isto também apresenta riscos. Toda propriedade é risco (ou roubo, como diriam alguns).

ZERAR O DÉFICIT – Já procuro há um bom tempo, sem encontrar, um país do mundo que tenha reduzido a dívida pagando-a com a fórmula proposta pela Miriam Leitão (“zerando o déficit”, teto de gastos, austeridade e outras técnicas desaceleradoras).

O uso sensato do recurso público é uma obrigação, e certamente o país melhora com isso, mas colocar a austeridade social e de investimentos a todo custo como bandeira supondo que, sem nenhum precedente, ela vai resolver a dívida, é contraproducente.

Além disso, manter as operações compromissadas em 1,1 trilhão (20% da dívida interna), ao custo de 71 bilhões ao ano, pagos sim aos bancos, para que eles não tenham esse caixa “parado”, que, caso contrário, teriam que oferecer ao público com spreads menores, com uma justificativa absurda de reduzir liquidez no país de menor base monetária circulante do mundo, passa longe do uso sensato.

CULPA DOS BANCOS – Para mim, isto mostra que, ao menos 20% da dívida e/ou culpa, é sim dos bancos. De todos os cinco bancos. Mas em nenhum momento comenta-se de mexer nas operações compromissadas para ajudar a zerar o déficit.

 Quanto aos países desenvolvidos, temos que a hiperinflação alemã foi uma forma de zerar a dívida de perdedor da primeira grande guerra. A Libra esterlina, historicamente seu próprio lastro por conter 8 gramas de ouro, hoje vale 33 miligramas de ouro (240 vezes menos), decorrente do centenário processo de calote por inflação.

Há doze anos atrás, em 2006, eu pagava de aluguel, na moradia estudantil na universidade alemã onde trabalhei, 150 euros por mês. Este ano, conheci uma pessoa que irá nas mesmas condições, pagando 300 euros por mês de aluguel. Inflação de 100% em doze anos. A estatística oficial é de 20% de inflação neste mesmo período. Os alemães, aversos à sutileza, aprenderam a serem sutis com os ingleses. Este método inflacionário é o mais sutil corte de cabelo, sobretudo se for ao longo de muito tempo, a conta gotas, e é aplicado pelas economias desenvolvidas, que já aprenderam a cortar o cabelo aos poucos, civilizadamente.

Não vejo escapatória, qualquer que seja o próximo mandatário, de usar algumas das técnicas, mais drásticas ou sutis, de calote. Claro que, palavreando bem, dá pra chamar de outra coisa, mas aí é só oratória sobre moratória.

Ou o PT vence a eleição presidencial ou Lula dependerá de Ciro Gomes

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Charge do Kacio (Arquivo Google)

Jânio de Freitas
Folha

Mais um risco. Ou o PT vence a eleição presidencial ou Lula dependerá de Ciro Gomes —por ele rejeitado na hipótese de uma aliança fortíssima— para não ser dado como responsável pela entrega do país à direita mais do que retrógrada. Tal risco está perceptível na perplexidade dos possíveis eleitores anticonservadorismo e, mais ainda, na dos petistas.

Se Lula e o PT cedo se convenceram de um difuso propósito de impedir-lhes a volta ao poder, faltou que se preparassem para essa adversidade. Não faz diferença se assim foi porque Lula não imaginasse a dureza do obstáculo judicial ante seus recursos. Ou tenha usado a ideia de candidatura como possível razão para tirá-lo da cadeia. Ou que outro motivo o fez bloquear caminhos diferentes.

CONFUSA DIVISÃO – O resultado é a confusa divisão da hierarquia do PT em obedientes passivos e diferentes linhagens de insatisfação. Na ocasião mais inconveniente.

A proposta de ter Ciro Gomes como vice de Lula e o plano frustrado de Jaques Wagner, desejoso de ser o vice de Ciro, são dois dos vários exemplos das alternativas surgidas na cúpula do PT e recusadas por Lula.

Em torno desses insucessos esteve sempre o desconhecimento do que seria, ou deveria ser, a tática formulada por Lula para levar o PT ao êxito eleitoral. As várias sugestões abortadas comprovam o desconhecimento.

A situação dramática que Lula vive na Lava Jato faz com que as insatisfações e apreensões fiquem guardadas em seu território no partido. Mas os reflexos, sob formas que começam no pasmo e não se sabe onde terminam, estão bem à vista. Ao que levam ou não levam, e aonde levam Lula, têm 60 dias para mostrar.

VARIADAS

1 – Geraldo Alckmin e o PSDB continuam desnudando-se. Seu apoio a Fernando Collor para o governo alagoano é voltar à campanha pelo impeachment do então presidente. Mas, agora, do outro lado. E não por excesso de desejo de poder. É falta de outra coisa.

2 – Como mostrado por Mônica Bergamo, ainda rola por aí processo sobre a gravação ilegal, divulgada também ilegalmente por Sergio Moro, de telefonemas entre Marisa Letícia da Silva e outros parentes de Lula. Com tão óbvios culpados, não há o que esperar do processo senão o mais impróprio.

3 – Corrupção bem-sucedida, no grupo de Sérgio Cabral, é a do seu secretário de Saúde, Sérgio Côrtes. Suas aventuras enriquecedoras começaram muito antes do governo Cabral, incluíram até um atentado com feição de mera artimanha, e não causaram problema algum ao autor. Por associação a Cabral, Côrtes ficou preso pouco tempo: Gilmar Mendes soltou-o. Vive em sua valiosa cobertura na Lagoa Rodrigo de Freitas, sem trabalho remunerado, e os gastos de sua mulher criam espantos jornalísticos pelos montantes aqui e no exterior. Côrtes pediu à Justiça autorização para dar atendimento médico a presos. E a Justiça não suspeitou.

4 – Juan Manuel Santos transmitiu o governo da Colômbia sob duras críticas. Fez, no entanto, o que por mais de meio século pareceu impossível: a dissolução das Farc, o movimento que começou como guerrilha libertária, apoderou-se de vasto território e se ligou ao tráfico. Mas Santos fez um governo também de combate à pobreza e ao desemprego. Imperdoável, claro.

5 – Nos carnavais ainda cantam o sucesso de Blecaute: “Chegou o general da banda, chegou (bis) / Mourão, mourão, vara madura que não cai / mourão, mourão, mourão, cutuca por baixo que ele cai”.

Investigação sobre funcionária-fantasma de Serra ignorou pontos fundamentais

Givaldo Barbosa

Serra disse que sua funcionária “trabalhava em casa”

Guilherme Amado
 O Globo

A Procuradoria-Geral da República se baseou em cinco e-mails curtos — somados, não dão uma página de texto —, enviados durante 10 meses por Margrit Dutra a José Serra ou a pessoas ligadas ao senador, como prova para afirmar que ela não era funcionária-fantasma do gabinete do senador tucano. Raquel Dodge pediu o arquivamento da investigação.

Para tentar provar que trabalhava, Margrit enviou 11 e-mails com material que encaminhou para Serra e para funcionários dele. Entretanto, apenas cinco foram enviados antes de O Globo publicar, em 18 de fevereiro de 2016, que Margrit registrava o ponto e ia embora, sem trabalhar.

PROJETO DE LEI – Nenhum dos e-mails trata, por exemplo, do trecho de um projeto de lei que Serra e Margrit dizem que ela escreveu.

Outra falha da investigação é não perceber que as regras de presença de servidores no Senado, enviadas pelo gabinete de Serra, são de 2017, portanto de um ano após se saber que ela era fantasma.

Ao depor por escrito, José Serra, bem como a funcionária do gabinete que testemunhou nos autos, alteraram a versão dita ao Globo na ocasião, sobre onde Margrit trabalharia.

TRABALHO CASEIRO – Em fevereiro de 2016, Serra disse que Margrit trabalhava em casa — prática vedada pelo Senado. No depoimento, Serra mudou a versão e disse que ela trabalhava na biblioteca e em outras dependências do Senado.

A propósito, a prova dos nove não foi requerida por Raquel Dodge: pedir as imagens das câmeras de segurança. O hábito de Margrit era registrar o ponto na Chapelaria e, de lá mesmo, ir embora.

Ações de ressarcimento por ato doloso de improbidade não prescrevem mais

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Charge do Nani (nanihumor.com)

José Carlos Werneck

O plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu, nesta quarta-feira, que são imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário em casos de prática dolosa de ato de improbidade administrativa. Na sessão anterior, ocorrida na quinta-feira, dia 2 de agosto, havia maioria em sentido da prescrição, mas Luiz Fux e Luís Roberto Barroso procederam à revisão de seus votos.

Para fins de repercussão geral fixou-se a seguinte tese: “São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato doloso tipificado na lei de improbidade administrativa.”

MAIORIA CONTRA – A decisão, em placar apertado de 6 votos a 5, se deu nos termos do voto divergente do ministro Edson Fachin.

O julgamento teve início na semana passada e já havia maioria em sentido contrário, pela prescritibilidade desse tipo de ação. Na sessão desta quinta, por sua vez, após longos debates, os ministros Fux e Barroso reviram seus votos, revertendo a decisão, que decidirá 999 casos sobrestados, que aguardavam a definição do Supremo.

O tribunal se pronunciou em julgamento de recurso do Ministério Público de São Paulo contra decisão em que o TJSP reconheceu a prescrição. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado, a lei 8.429/92 que trata da improbidade administrativa, dispõe que a ação disciplinar prescreve em cinco anos quanto às infrações puníveis com demissão, contados a partir da data em que o fato se tornou conhecido.

MP INSISTIU – Para o MP, porém, a ação de ressarcimento deve ser imprescritível, por força do art. 37, § 5º, da Constituição Federal, que dispõe que “a lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento”.

Em sessão anterior, o relator, ministro Alexandre de Moraes, votou pelo desprovimento do Recurso Extraordinário, sustentando que, conforme previsto no art. 37, § 4º, os prazos e prescrição são estabelecidos por lei. Os ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux, Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski acompanharam, inicialmente, o voto de Moraes.

Mas o ministro Fachin entendeu que a ação de ressarcimento é imprescritível, no que foi acompanhado pela ministra Rosa Weber, e a tese acabou prevalecendo.

Após o dia 15, pesquisas não podem simular cenários com Haddad e sem Lula?

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Charge do Newton Silva

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

Até o momento, com a perspectiva de que a candidatura de Lula seja barrada na Justiça Eleitoral, as pesquisas têm simulado pelo menos dois cenários – com e sem o candidato do PT. Mas especialistas em Justiça Eleitoral questionam a possibilidade de o nome do ex-prefeito Fernando Haddad constar em pesquisas eleitorais a partir do dia 15 de agosto, quando o PT deve solicitar o registro da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado na Lava Jato, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Isso porque a Justiça Eleitoral exige que, a partir desse período, institutos de pesquisas coloquem os nomes de todos os candidatos que tenham requerido o registro na Justiça Eleitoral, o que não permitiria a apresentação de cenários sem Lula e com  Haddad.

DOIS CENÁRIOS – Até o momento, com a perspectiva de que a candidatura de Lula seja barrada na Justiça Eleitoral, as pesquisas têm simulado pelo menos dois cenários: um com o ex-presidente e outro com seu provável substituto, o ex-prefeito Fernando Haddad. A partir do dia 15, no entanto, essa situação abre margem para que adversários ou o Ministério Público questionem o expediente, avaliam especialistas consultados pelo Broadcast Político.

O cenário sem Lula e com Haddad, com base nesse entendimento, só poderia voltar às pesquisas quando houver a substituição do candidato. Até lá, as empresas terão que avaliar a capacidade de transferência de votos de Lula com perguntas específicas ao eleitor, afirmam.

A resolução do TSE sobre pesquisas diz que “a partir das publicações dos editais de registro de candidatos, os nomes de todos os candidatos cujo registro tenha sido requerido deverão constar da lista apresentada aos entrevistados durante a realização das pesquisas”. A lei não proíbe expressamente a inclusão de nomes que não são candidatos, mas obriga a presença de todos os registrados no TSE.

SEM CONFUNDIR – Para a advogada Marilda Silveira, especialista em Direito Eleitoral, o objetivo da pesquisa eleitoral é definir um cenário para o eleitor, e não confundi-lo. Um candidato não registrado após o prazo, argumenta, não poderia estar nas sondagens, embora a lei não proíba a possibilidade explicitamente.

“Não há vedação para que eles façam a pesquisa incluindo o nome de outros políticos. Mas também é bastante sustentável a tese de que não se pode cogitar outros nomes a partir do momento em que os registros já estão definidos e os candidatos já estão colocados na mesa. A lei define o que é candidato e candidato é quem pediu o registro de candidatura”, comenta Marilda.

Para ela, se Haddad for colocado em pesquisas, o TSE poderá ser provocado. “Certamente, se alguém tentar fazer uma pesquisa com alguém que não é candidato, será judicializado. Difícil que algum candidato conteste, porque para eles é interessante avaliar o cenário, mas o Ministério Público pode questionar.”

SEM CHANCES – O professor de Direito Constitucional Daniel Falcão, da Universidade de São Paulo (USP) e do IDP (Instituto de Direito Público), é enfático ao afirmar que uma pesquisa não pode ir a campo com um nome que não solicitou o registro da Justiça Eleitoral como candidato.

“Não vejo essa possibilidade. Não tem nada na lei proibindo, mas está implicitamente claro que só candidatos devem ser colocados”, afirma. Ele lembra que o impasse é inédito porque esta é a primeira eleição presidencial em que um candidato “sabidamente inelegível” é registrado com a estratégia para substituí-lo expressada publicamente.

O que está autorizado, diz o professor, é o instituto de pesquisa apresentar a chapa registrada no TSE, com o nome do candidato e do vice juntos.

LULA/HADDAD – No caso do PT, poderia ser colocado ao eleitor a opção “Lula/Haddad”, já que o ex-prefeito será registrado inicialmente como vice de Lula. Essa estratégia, no entanto, não conseguiria levantar a capacidade de transferência de votos do ex-presidente.

O advogado eleitoral Gustavo Guedes concorda que os institutos não poderão, a partido do registro das candidaturas, colocar um cenário sem o ex-presidente Lula, que deverá ser candidato até ter sua condição avaliada pela Justiça.

“Não recomendaria um questionário completo com o Fernando Haddad e sem o Lula”, diz. A saída para os institutos de pesquisa, aponta, é fazer uma pergunta específica citando a possibilidade de Lula não ser candidato e questionando ao eleitor qual é a intenção de voto nessa situação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Era só o que faltava, querer regular as pesquisas… Na verdade, os institutos de pesquisa podem fazer o que bem entenderem, porque tudo o que a lei não proíbe, sem dúvida, é permitido. O resto é uma boa conversa fiada. (C.N.)

Sei que ainda há juízes em Berlim, mas tenho dúvida se existem em Brasília

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Charge do Bessinha (site Conversa Afiada)

Carlos Newton

Na manhã desta quarta-feira, a Tribuna da Internet protestava contra a notícia de que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se preparavam para aprovar um reajuste de 16,38% em seus próprios salários. Defendíamos a tese de que é hora de iniciar um esforço de redução das desigualdades sociais, e o Supremo poderia dar o exemplo, mantendo o teto atual, de R$ 33,7 mil, e propondo a elevação dos salários dos servidores menos qualificados, para começar a diminuir a distância abissal entre os maiores e os menores salários do serviço público, um fato que rebaixa o nível de civilização existente no país.

Dos onze integrantes do Supremo, apenas quatro votaram contra o reajuste para R$ 39,3 mil, que são turbinados pelo auxílio-moradia e outros penduricalhos – Cármen Lúcia, Celso de Mello, Rosa Weber e Edson Fachin. Os demais ministros – Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Alexandre de Moraes, todos votaram a favor.

ATÉ OS RICAÇOS – Notem que justamente os ministros mais ricos é que votaram a favor do reajuste, como o empresário e fazendeiro Gilmar Mendes; o jurista Luís Roberto Barroso, que já enricara na advocacia antes de chegar ao Supremo; o surpreendente Marco Aurélio Mello, que tem um apartamento hollywoodiano no Rio de Janeiro, cujo condomínio oferece aos moradores mesmo um campo de golfe particular; e até Dias Toffoli, o ministro da inexplicável mesada de R$ 100 mil.

Essa atitude da maioria absoluta dos ministros do Supremo revela uma insensibilidade grotesca e bizarra, que justifica muito bem o fato de Brasília ter o apelido de “Ilha da Fantasia”. Realmente, a elite funcional que vive por lá se julga merecedora de todos os privilégios e considera como “gentalha” os demais brasileiros, os otários que pagam os impostos que sustentam as mordomias da Côrte, numa cidade onde os antigos prédios públicos se transformaram em suntuosos palácios, como Planalto, Alvorada, Burity, Itamaraty, Justiça, Supremo, Jaburu, TCU, STJ, TSE, Procuradoria da República e tantos outros prédios públicos luxuosos, que se transformaram em monumentos à suntuosidade de seus eventuais locatários, porque todos pertencem ao povo, embora os  chamados populares estejam proibidos de frequentá-los.

IMPACTO PROFUNDO – Os insensíveis ministros do Supremo, que têm casa, comida, jatinhos, sala VIP, carros blindados, motoristas e seguranças de graça, tudo pago pelo contribuinte, nem se importaram com o impacto profundo do aumento que pretendem conceder aos próprios salários. Sabem que o reajuste vai percorrer o país como um tsunami, elevando os vencimentos dos três Poderes nos níveis federal, estadual e municipal, ou seja, ajudando de quebrar o país.

A insensibilidade e a arrogância dos magistrados faz lembrar a antiga lenda germânica do moleiro ameaçado pelo rei, que responde acreditar que ainda havia juízes em Berlim. No nosso caso, tenho dúvidas se ainda há juízes em Brasília, embora Cármen Lúcia, Celso de Mello, Rosa Weber e Edson Fachin tenham votado contra o reajuste.

É que também esses quatro ministros deixam a desejar, porque assistem à progressiva desmoralização da Justiça e dos outros Poderes, sem se manifestarem com a veemência que se faz necessária. E a omissão, qualquer advogado sabe, pode ser até criminosa.

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P.S.
Alguém pode alegar que os jornalistas “pessoas jurídicas” são iguais aos magistrados e a imprensa também está contaminada. Realmente, é verdade. Mas deixo claro que não tenho nada a ver com isso. Como se dizia antigamente, quem quiser que segure sua pemba, em todos os sentidos. (C.N.)

Na janela de Adalgisa Nery, o farol da Ilha Rasa brilhava como a vida

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Adalgisa, retratada pelo amigo Portinari

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A jornalista e poeta carioca Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira (1905-1980), mais conhecida como Adalgisa Nery pelo casamento com o pintor Ismael Nery, no “Poema ao Farol da Ilha Rasa” fala sobre o aviso e a vigilância que as cores emitidas pelo farol tinham na sua vida.

POEMA AO FAROL DA ILHA RASA
Adalgisa Nery

O aviso da vida
Passa a noite inteira dentro do meu quarto
Piscando o olho.
Diz que vigia o meu sono
Lá da escuridão dos mares
E que me pajeia até o sol chegar.
Por isso grita em cores
Sobre meu corpo adormecido ou
Dividindo em compassos coloridos
As minhas longas insônias.
Branco
Vermelho
Branco
Vermelho
O farol é como a vida
Nunca me disse: Verde.

Alvaro Dias defende eleição na magistratura para escolher os ministros do STF

Alvaro Dias

Alvaro Dias deu uma dentro, como se dizia antigamente

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O candidato do Podemos à Presidência, Alvaro Dias, defendeu na noite desta quarta-feira (8) em São Paulo mudança no modelo de escolha de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na proposta de Dias, uma eleição seria feita pela magistratura e os seis mais bem colocados formariam uma lista. Desta relação, o presidente escolheria um nome, que seria sabatinado pelo Senado

O senador paranaense esclareceu ainda que não procurou o juiz federal Sergio Moro, nome que Dias defende que seja nomeado ministro da Justiça em um eventual governo dele.

“Não o procurei pessoalmente porque acho que seria deselegante”, afirmou a jornalistas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente proposta de Alvaro Dias, que marcou um ponto em relação ao candidato Jair Bolsonaro (PSL), que disse pretender nomear mais onze ministros para o Supremo, mas sua ideia pegou tão mal que ele teve de desistir. (C.N.)

Voto feminino tem indefinição elevada, que deve cair no final da campanha

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Charge do Thiago (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Os jornais e as emissoras de televisão têm assinalado um elevado grau de indefinição da eleitoras no que se relaciona com a sucessão presidencial. Com base em pesquisas tanto do Ibope quanto do Datafolha, essa indefinição está na altura de 80%, muito maior que a indefinição registrada pelos eleitores masculinos até agora. Ontem mesmo , em sua coluna em O Globo, o jornalista Zuenir Ventura focaliza o tema. O fenômeno merece um estudo e uma observação mais transparente.

A diferença da disposição dos homens e das mulheres em relação ao voto constitui um fato inédito ao longo de mais de 50 anos de campanhas eleitorais. Surpresa? Sim, porque se a indefinição se mantiver, será a primeira vez que ela marca um pleito desde 1945 até hoje. Podem perguntar ao diretor do Datafolha, Mauro Paulino, e ao presidente do Ibope, Carlos Alberto Montenegro, se há precedente, se numa eleição as mulheres se abstiveram muito mais que os homens.

SEM REPRESENTAÇÃO – A indecisão que está preocupando as mulheres decorre do fato de não se sentirem ainda representada através da voz dos candidatos e mesmo das candidatas envolvidas no processo político. Um dado importante, acho eu, que deveria ser objeto de uma pesquisa destinada a esclarecer os dirigentes partidários. O resultado, mais amplo possível poderá balizar as mensagens políticas, indo ao encontro das reivindicações da população feminina de modo geral.

Trata-se de ouvir a voz das eleitoras e Incorporar os anseios às plataforma das diversas legendas do país. São 35 partidos e 52% do eleitorado brasileiro. Em consequência, a diferença de eleitoras em relação aos eleitores vai de 52 a 48%. É hora, portanto de os partidos, através das campanhas de seus candidatos, fazerem se representar no universo do voto.

UMA SURPRESA – Para mim, é uma surpresa a indefinição que vem sendo destacada, porque até hoje acompanhando eleições verifiquei que nunca houve divergência entre o eleitorado masculino e o feminino no cômputo final dos votos. As diferenças ocorrem entre as classes sociais contrapondo as de maior renda e as de menor remuneração.

Inclusive as pesquisas eleitorais, todas elas, partem da divisão do eleitorado com base nos segmentos econômicos da sociedade. Por isso, vale destacar que os candidatos ou candidatas dos grupos de renda mais alta tendem a decidir mais prontamente quais as suas preferências.

As classes pobres custam mais a se decidir, por esse fato é que ocorrem mudanças nas pesquisas eleitorais, de acordo com o estágio das campanhas. Às vezes, um candidato de maior força nas classes média e alta larga na frente,, enquanto os candidatos de preferência dos outros grupos sociais crescem no final do processo – em muitos casos, na véspera das urnas. Trata-se de uma corrida de longa distância, daí as mutações que vez por outra acontecem.

OUTROS EXEMPLOS – Há casos, entretanto, em que o candidato preferido pelas classes de renda mais alta consegue penetrar de alguma forma mais sensível nos outros grupos. Caso, por exemplo, de Fernando Henrique Cardoso nas sucessões de 1994 e 1998. No outro lado do avesso, podemos citar Lula em 2002, quando arrebatou o eleitorado de menor renda e conseguiu sensibilizar uma fração do outro lado do espelho.

As considerações que faço sobre o voto estão restritas às eleições majoritárias. Porque nas disputas proporcionais, como é o caso dos deputados federais e estaduais, a lógica da divisão por classe torna-se pouco nítida. Isso porque existe a questão dos redutos eleitorais sobre os quais muitos candidatos detêm o controle, à base de atendimentos comunitários. Esses atendimentos, na verdade, preenchem vazios deixados pelas administrações estaduais e regionais. Não se pode exigir de quem tem recursos mínimos para viver uma capacidade de escolha que não se baseie numa ação paroquial.

Vamos, assim, para mais um desfecho dos muitos que tenho assistido ao longo do tempo de 1945 até hoje.  No final da ópera vamos conferir o voto colocado nas urnas sem distinção de sexo. O nexo entre os diferentes lados, tenho certeza, surgirá nos resultados finais de mais essa eleição.

Insensíveis à crise, ministros do STF reajustam os próprios salários em 16,38%

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Ricardo Corrêa
O Tempo

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aprovaram nesta quarta-feira um reajuste de 16,38% em seus próprios salários. O tema estava incluído na proposta orçamentária do Judiciário para 2019 que ainda precisa passar por votação no Congresso. Com o reajuste, o salário de um ministro do STF passaria de R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil. O impacto, porém, não ficaria apenas nos bolsos dos 11 ministros que compõem a Corte.

Como o salário dos integrantes do Supremo é hoje, por lei, o teto do funcionalismo e base para a remuneração de diversos setores públicos, isso irá pesar bastante para os cofres públicos. A mudança elevará salários de deputados, senadores, juízes, desembargadores, procuradores e promotores em todo o país, por exemplo.

A votação de ontem no STF terminou em 7 a 4. Votaram contra a proposta que incluía o reajuste os ministros Cármen Lúcia, Celso de Mello, Rosa Weber e Edson Fachin. Porém, eles foram vencidos por Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello, Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Alexandre de Moraes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É um indignidade, uma insensibilidade. Se o Congresso aprovar, o efeito cascata vai acabar de quebrar a União, os Estados e os Municípios. São juízes, mas têm vocação para julgar quando estão certos ou errados. Não servem nem para apitar jogo de futebol. (C.N.)

Ex-secretário-geral denuncia esquema de corrupção no Ministério da Integração

Ribeiro diz que o ministro é conivente com a corrupção

Patrick Camporez
O Globo

Ex-número 2 do Ministério da Integração Nacional, o doutor em Economia Monetária Financeira Mário Ribeiro, recebeu O Globo na noite de terça-feira para falar pela primeira vez de seu pedido de exoneração da pasta comandada pelo ministro Antônio de Pádua. O ex-secretário executivo, que pediu exoneração no dia 20 de julho após denunciar um suposto “sistema paralelo de licitações de Tecnologia da Informação” instalado no ministério, acusa o ministro Antônio de Pádua de ser “omisso” e de “acobertar” irregularidades.

Quando o senhor percebeu que existia um “sistema paralelo” no Ministério da Integração?
Nessa compulsão de atas que a Diretoria de Gestão Interna tem, eles contrataram uma empresa chamada RSX, que tinha sido uma empresa objeto de matérias com problemas no INSS. Contrataram, e eu não sabia, nem o ministro. Não tinha nenhum registro no Sistema Eletrônico de Informação do ministério sobre essa contratação.

A RSX foi contratada “por baixo dos panos”?
Foi isso que aconteceu. E pior. A habilitação da RSX foi feita muito rápida. Me chamou a atenção porque não estava no sistema eletrônico. O sistema eletrônico dirige ao secretário (no caso, eu) a autorização para contratar. Aí eu vou ratificar o procedimento. Mas não tinha nada para mim.

Como funciona esse “sistema paralelo” denunciado pelo senhor à CGU?
O perigo é muito grande na área de TI. A linguagem é sofisticada, você tem inovações permanentes. Às vezes você compra gato por lebre. Porque resolveram fazer o sistema paralelo? Porque quando eu cheguei lá no ministério nós estávamos num contingenciamento enorme, com dificuldade de pagar o carro pipa para levar água no Nordeste. Não aceitava gasto desnecessário, por isso resolveram fazer tudo pelas minhas costas. Certa vez eu disse: “Reinaldo (Reynaldo Aben-Athar), da área de licitações), fica feio o que você está fazendo. Se você visitar o Ministério da Fazenda e o da Integração Nacional, este último é quase um Palácio, é tudo novo”. Muita coisa comprada no MI é de forma suspeita. Logo vi que havia uma compulsão por atas. Eles geram demandas para isto.

O senhor notou uma compulsão por atas em áreas que não eram relevantes naquele contexto?
Isso. Não eram relevantes. O novo gestor da área de TI me disse: “Secretario, tá cheio de quinquilharia aí. O que a gente precisa mesmo, não tem”. E ele disse isso na oitiva no TCU também. Eu disse a ele e ao Geraldo (Oliveira, diretor de gestão interna do MI e responsável por licitações de TI): “Por que vocês fizeram isso sem conversar comigo?”. O Geraldo respondeu: “Isso não é da sua alçada”. Como assim, R$ 4 milhões não eram minha alçada? Existe um decreto da presidente Dilma, que está em vigor até hoje, e quem delega na área de custeio entre um milhão e dez milhões é o Secretário Executivo. De 10 milhões em diante é ministro. Abaixo de um milhão, é diretor. Ele disse que aquilo era investimento e não precisava pedir minha autorização. Eu disse: “Que maluquice você está me dizendo? Esse argumento é pior para você”.

A RSX foi o início de tudo?
Quando você puxa o fio da RSX, vem tudo. A Lava Jato foi assim, descobre uma ilegalidade e vem mais um monte. Aquilo não foi uma coisa episódica. Há um esquema, uma estrutura paralela de gastos fora do sistema eletrônico de informações.

O ministro Pádua atuou para proteger os funcionários investigados?
Vamos deixar bem claro. O ministro foi omisso. A natureza jurídica do comportamento dele cabe à área jurídica dizer. Porque desde o começo eu mando meus despachos ao gabinete do ministro. Aliás, mais omisso que o ministro foi o chefe de gabinete, o Canuto, que hoje é o secretário executivo.

Por que o senhor acha que ele foi omisso?
Porque os documentos das irregularidades, quando eu faço um despacho dizendo que não autorizava ou que estava equivocado o processo, eu encaminho cópia ao ministro. E se o ministro não acessa o SEI, quem acessa é o chefe de gabinete. Essa é uma função regimental deles, cuidar dos processos. Então o Canuto tinha conhecimento de tudo isso. Até porque eu avisei o Canuto pelo telefone.

Chegou a falar pessoalmente com o ministro?
Falei com o ministro e com o Canuto, alertei diversas vezes.

O que o senhor falou para o ministro?
Falei para ele o seguinte: Que o Reinaldo precisava ser afastado. Porque eu tinha chamado a CGU, o TCU já estava vindo, já tinha passado um ofício. Enquanto eu dizia ao ministro que me sentia traído porque eles fizeram essa operação fora do SEI, e eu imagino o seguinte: Será que não tem uma operação de R$ 10, 20 milhões aí? Eu não sei. Porque na hora que você lança a ata, não precisa ter a dotação orçamentária ainda. Mas você já pode fazer negociata. Que foi o que eles fizeram. Virou caso de polícia.

Qual foi a gota d’água para o senhor pedir exoneração?
Eu estava dando crédito ao ministro Pádua. Até que eu disse que tinha que afastar as pessoas que agiram de forma irregular e ele não publicou meu decreto. A pessoa não podia ficar no cargo porque ela ia adulterar, fraudar se não fosse afastada. Nesse sistema paralelo, dois funcionários (pelo menos) estavam aproveitando atas de 2016, atas que já iam acabar. Atas geradas em 2017 sem que eu soubesse. Eu avisei ao Pádua.

Porque o senhor acha que esse sistema paralelo escolheu a área de TI para atuar?
Porque são complexos, são complexos. É mais fácil você comprar um sofá.

Houve desvio de dinheiro?
Isso aí tem que ser investigado. Eu não posso ser leviano e sair fazendo uma conclusão de natureza jurídica. Eu quero dizer que quando a CGU faz a investigação pode notar que existem questões de natureza penal, não somente cível. No exemplo da RSX, não se chegou a materializar o dano ao erário porque a ordem bancária voltou com um ato meu suspendendo o pagamento.

Esse contrato com a RSX é de R$ 3,3 milhões por um software. Eles justificaram a necessidade dele?
Não. Inclusive tem uma parte aí que é custeio. Até pelo argumento do Geraldo o contrato deveria ir para mim. Estavam mentindo.

Eles mentiram em relação ao contrato?
Ocultaram o contrato da RSX, ocultaram um contrato de mobiliário que eles fizeram. Ocultaram as atas que geraram. Por isso tive que pedir o afastamento, em medida cautelar, pois o secretário executivo age com a CGU. E eu não entendo o piti do ministro. Eu já chamei a CGU antes. A própria CGU disse que o defeito é estrutural.

Por que o senhor decidiu levar à CGU?
Se uma pessoa faz transitar algo sem meu conhecimento e autorização, assina um contrato de forma escondida, isso não está certo. Identifiquei um contrato falso, fraudando. Isso tem todos os indícios de ser um indício penal. E o pagamento foi feito em poucas horas. O TCU na conversa me disse que foi a transação mais rápida de TI da Esplanada.

Com a RSX?
Isso. Essa foi a transação mais rápida. Foi contratar e pagar. E outra coisa, receber o software. Se não me equivoco, para receber você dá um aceite provisório. O aceite definitivo demora um tempo. Tá lá no SEI, eles dão o aceite provisório às 10h20. Aí tem que chamar os técnicos para verificar. E imediatamente eles pagaram, né. E às 10h21 eles dão o aceite definitivo.

O fato de o senhor denunciar e pedir exoneração gerou algum tipo de perseguição?
Vou ser sincero. Não foi bem recebido. Foi dito como se eu não tivesse estrutura psicológica para administrar. Não foi isso. Eu não tenho a estrutura moral para poder ficar nisso aí. Sou professor universitário. Vivo no meu padrão de professor. Todas as declarações do meu imposto de renda estão no RH. O Pádua me decepcionou. Ora, eu pedi exoneração porque ele não tomou providência. O que tem que ser investigado é porque ele não tomou providência. Na minha alçada eu fiz o que era possível.

O senhor acha que a manutenção desses funcionários pode ser uma maneira de ocultar prova?
É um risco, né, manter essa pessoa cujo comportamento gerou atos sem autorização minha. A omissão é dolosa. Mas para mim isso virou caso de polícia. Geraldo está fazendo assédio em cima de funcionários, dizendo que ficou mais forte, ameaçando: “Você conhece a 8.112 (lei que rege a atuação dos servidores públicos), não”. Está se aproveitando.

Ele está certo que não vai ser punido, no seu ponto de vista?
Veja só. Eu afastei o Geraldo e devolvi ele para o RH. Aí o ministro o mantém e passa a pagar mais a ele. Porra, o crime compensa. No Mistério da Integração o crime compensa.

PT entra com Mandado de Segurança para garantir Lula em debate da Band

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

José Carlos Werneck

Com o argumento de que existem “restrições impostas” ao candidato Lula, que “desconstroem a própria democracia brasileira e o direito da população brasileira de escolher livremente o próximo Presidente da República”, o PT entrou, na manhã desta quarta-feira, com um mandado de segurança no Tribunal Regional Federal da 4a Região, reiterando o pedido para que Lula participe do primeiro debate entre presidenciáveis,na TV Bandeirantes nesta quinta-feira.

Diz o partido que estão prejudicando “a isonomia entre os candidatos, deixando o povo alijado de ouvir, ao menos, as propostas”, o que significa “suprimir a própria participação popular do próximo pleito eleitoral”.

OS PEDIDOS – Além da participação presencial do ex-presidente no estúdio da emissora, em São Paulo, ou através de video conferência, os advogados do PT sugerem a participação de Lula por “meio de vídeos previamente gravados” na cela em que se encontra preso ou em outro local da sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Como se sabe, Lula encontra-se preso desde 7 de abril, cumprindo pena de 12 anos de prisão por condenação no processo do tríplex do Guarujá em que foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Por força da Lei da Ficha Limpa,o ex-presidente está inelegível, mas sua defesa tentará reverter esta situação no Tribunal Superior Eleitoral, por ocasião do registro de sua candidatura, em 15 de agosto.

Depois da oficialização de Lula como candidato do PT ao presidência da República, o partido já havia reforçado o pedido para a presença de Lula na última segunda-feira , o que foi negado, horas depois, pelo TRF-4 em decisão da juíza Bianca Georgia Cruz Arenhart, que substituía o desembargador João Pedro Gebran Neto, relator do processo.

MANDADO DE SEGURANÇA – A magistrada é o alvo do mandado de segurança. No entender dos advogados do partido, a juíza produziu “uma decisão judicial ilegal”. O documento, assinado pelo ex-ministro Eugênio Aragão e demais advogados que defendem o PT na área eleitoral, solicita que outro desembargador do TRF-4 analise o caso. Assim, deverá ser apreciado pela desembargadora Claudia Cristina Cristofani, da 4a Seção doTRF-4 e não há prazo para que isso aconteça.

No pedido, os advogados sustentam que o debate é um “evento essencial para a campanha eleitoral”, em que existe “a possibilidade de mostrar suas propostas para o eleitorado e, ao fim e ao cabo, dar a ele condições de decidir qual o plano de país que quer”.

Eles afirmam, no pedido, que Lula, como candidato, tem “o direito e o dever de participar da campanha eleitoral nacional”. E o “primeiro caso concreto que já bate à porta é o debate entre os Candidatos”, promovido pela TV Bandeirantes no próximo dia 9 de agosto de 2018, ou seja, daqui a menos de 48 horas.

Fachin aceita que a defesa de Lula desista de requerer que ele seja elegível

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Fachin “engoliu” a desculpa dos advogados de Lula

José Carlos Werneck

O ministro Luiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, aceitou, hoje, a desistência dos advogados de Lula de pedir também a elegibilidade dele, junto com o pedido de libertaação. A solicitação, feita na última segunda-feira, objetiva evitar a manifestação do tribunal, decidindo se Lula poderá ser candidato nas próximas eleições, já que ele se encontra incurso na Lei da Ficha Limpa.

Assim procedendo, os advogados ganharam tempo evitaram “queimar” uma instância, pois caso os ministros do Supremo entendessem que Lula não poderia ser candidato, não haveria possibilidade de recurso ao TSE, porque a decisão do Supremo, como última instância judicial, encerraria o caso.

FICHA LIMPA – Lula está incurso na Lei da Ficha Limpa, que impede candidatura de quem tenha sido condenado por órgão colegiado, como é o seu caso, mas mesmo assim ele foi oficializado, no domingo, como candidato do PT na disputa à Presidência da República. Segundo os advogados, a defesa fará agora um aprofundamento sobre fatos novos que eventualmente possam ser colocados no recurso sobre a candidatura.

A defesa reiterou a Fachin, relator dos processos da Lava Jato no STF, que, no pedido inicial, solicitou somente a suspensão da execução provisória da pena, não entrando na discussão sobre direitos políticos.

Seus advogados entendem que, as referências à inelegibilidade foram “laterais” e incluídas em razão de o pedido ter sido baseado na lei sobre esse tema.

Petistas querem que partido mostre só Lula, e não Haddad, no programa de TV

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Haddad ficará escondido por trás da máscara de Lula

Mônica Bergamo
Folha

O formato do programa eleitoral do PT, que irá ao ar a partir do dia 31, já gera divergências no partido. O grupo que resistia à indicação de Fernando Haddad como vice acha que as primeiras propagandas devem mostrar exclusivamente a imagem de Lula. Só assim, argumentam os favoráveis à tese, a legenda evitará que a candidatura do ex-presidente seja esvaziada antes da hora —ou seja, antes de setembro, prazo final para a substituição dele na cabeça da chapa. 

Enquanto isso, a vida segue. Mesmo sem a participação de Lula no debate, a TV Bandeirantes deu ao PT sete credenciais para que convidados do partido ocupem lugares na plateia. E Haddad, que pretendia participar do debate, foi convidado para dar entrevista ao programa “Canal Livre”, da Band, no dia 19. Ele já tinha sido chamado por coordenar o programa do petista.

ALA JOVEM – A confirmação da chapa Haddad-Manuela D’Ávila (PCdoB) gerou preocupação no PSOL. Os dois teriam boa inserção no eleitorado jovem, universitário e de esquerda —justamente o campo em que o presidenciável do partido, Guilherme Boulos, poderia crescer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
E o PSOL, surgido das entranhas do PT no episódio da expulsão de parlamentares que votaram a reforma da Previdência em 2003 e que ganhou força em 2005 com a choradeira dos deputados refratários ao mensalão, agora ficou num impasse, com uma candidatura própria radical, que remete o partido a uma esquerda envelhecida e ultrapassada, para sepultar os sonhos de crescimento da bancada do partido. (C.N.)

Vice de Ciro também defende venda de armas e se opõe a alterar lei do aborto

A senadora Kátia Abreu (PDT-TO), candidata a vice na chapa de Ciro Gomes

Kátia Abreu diz que só os criminosos estão armados

Gustavo Uribe
Folha

A candidata a vice-presidente de Ciro Gomes (PDT), senadora Kátia Abreu (PDT-TO), defende a facilitação do porte de armas diante do atual cenário de violência, sobretudo no campo. Para ela, o ideal seria que o governo desarmasse os criminosos. “Só não acho justo alguém ficar armado até os dentes e a população totalmente abandonada”, disse à Folha. No seu gabinete, ainda tem pendurado o retrato da amiga Dilma Rousseff. “Não acabou o mandato dela ainda. Fica até trocar pelo do Ciro.” 

Por que entrar em uma campanha com apenas uma aliança e pouco tempo de televisão?
“Mesmo antes de ser vice, já tinha decidido votar no Ciro. O que mais me admira nele é que tem um perfil com autoridade, que não significa autoritário. Não é para que ninguém tema ou obedeça, mas um presidente tem de ter autoridade moral. E acho interessante ele ser do Nordeste. O Brasil é muito desigual e ele conhece isso de perto.

Então, o PT erra ao ter uma chapa que só representa Sul e Sudeste?
“Não chega a ser um erro, não gostaria de classificar como um erro, mas não seria a minha opção votar em uma chapa puro-sangue do Sul do país. Com todo respeito às duas regiões, que são maravilhosas, e nada contra candidatos de Sul ou Sudeste. Neste momento, o Brasil está precisando de quem conhece a vida dos mais pobres.

Ciro buscava um vice de Sul e Sudeste, mas acabou escolhendo do Norte. O que a sra. agrega à candidatura? 
Em vários aspectos, não só na questão regional. Tenho muito orgulho de representar Norte, Nordeste e Centro-Oeste. E também o setor agropecuário. Sei como vivem não só produtores do agronegócio, mas também assentamentos da reforma agrária, os quilombolas e a agricultura familiar.

O temperamento explosivo prejudica o Ciro?
Ciro não é briguento, é brigão. Um lutador, é diferente. Ele sabe impor o que acredita de verdade. Eu acuso o golpe para mim porque eu sou um pouco parecida. Sou tão veemente no que acredito que até às vezes parece que estou brigando, mas é a forma que a gente tem de se expressar. A gente tenta corrigir, mas não significa agressividade, significa obstinação.

A senadora Ana Amélia (vice do tucano Geraldo Alckmin) seria uma boa vice-presidente? 
Seria, eu até trocaria ela de lugar para ser a candidata a presidente. Ela é melhor que o candidato. Eu gosto dele, já votei nele uma vez, não é nenhum ataque pessoal, ele é uma pessoa correta. É uma questão circunstancial.

Apoiaria ela se ela fosse candidata a presidente? 
Se não fosse o Ciro, talvez. Se o Ciro não fosse candidato, quem sabe.

Como pecuarista, a sra. defende a posse de armas nas zonas rurais?
Defendo o uso de armas em casa, rural e urbano. Eu não sou contra, diante da violência que estamos vivendo hoje. Todo mundo sabe que os fazendeiros estão desarmados. Hoje, há ataques até nos assentamentos. A minha pergunta é: isso é justo? Colocar os produtores à mercê. Estão roubando arame, material de trabalho, machado e foice, pneu de trator. Então, não quero uma guerra no campo nem uma batalha civil no país. Sou contra a violência, eu sou a favor do diálogo, sou a favor da paz. Mas não acho justo que os bandidos se armem cada vez mais. O governo brasileiro não faz absolutamente nada e as pessoas se sentem impotentes.

Então, a sra. é favorável à facilitação do porte de armas? 
Eu sou, não para ficar andando na rua, nos bares, restaurantes, trabalho. Mas se a pessoa se sentir segura. Eu moro em uma chácara, por exemplo. Eu tenho um guarda armado, mas e as pessoas que não podem? Não, meu guarda não é armado. Meu guarda é desarmado por causa de custo, inclusive. Agora, você imagina como eu durmo à noite? Eu tenho medo.

Mas isso não pode aumentar a violência? 
Nos EUA e em todos os países onde é permitido o porte de armas, não se tem números dizendo que isso aumenta ou diminui a violência. Eu só acho que a população hoje se for consultada, ela toda não quer ficar desarmada. Não porque quer brigar, mas porque quer defender a sua própria família. Então, temos uma opção ótima, que eu concordo em número, gênero e grau. Combater de verdade a violência, combater a marginalidade, desarmar os bandidos. Aí sou a favor de desarmar todo mundo. Só não acho justo alguém ficar armado até os dentes e a população totalmente abandonada. Há 46 municípios no Tocantins que não têm um PM. Tenho 50 cidades sem um delegado. O que eu digo para essas pessoas? A maioria usa uma faca de cozinha no quarto com medo. Quantas pessoas não me dizem isso? Acho que é um assunto muito polêmico, que é difícil dizer eu sou a favor ou sou contra. Só acho que não está ajustado. Acho que tem alguma coisa errada nisso.

É favorável à legalização do aborto? Todas as mulheres e homens do Brasil são contra o aborto. Ninguém é feliz com o aborto. A legislação apresenta três quesitos: o risco de vida da mãe, o estupro e o anencéfalo. Eu quero fazer um registro que o anencéfalo eu votei contra.

A mãe tem de dar à luz ao anencéfalo? 
Acho que sim.

E em outros pontos? 
Não gostaria de entrar em um tema muito pessoal. É o Congresso que tem de decidir, é representante do povo. Sou cristã e, do ponto de vista dos meus princípios, não gostaria de modificar a lei, mas não estou aqui para jogar pedra em ninguém e as pessoas merecem apoio em qualquer circunstância.

A sra. já foi do DEM e hoje está no PDT. Como se define politicamente? 
Sou democrata, uma pessoa de centro e acredito no mercado, mas meu coração ainda está aqui dentro batendo.

 

Na barafunda eleitoral, notícias políticas do Golfo das Alagoas

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Graciliano Ramos queria criar o Golfo das Alagoas…

Bernardo Mello Franco
O Globo

Graciliano Ramos, o grande escritor alagoano, tinha uma tese sobre a geografia e o destino das nações. Ele dizia que todos as potências mundiais contavam com um golfo em seu território. “Procure depois os países que não têm golfo. São todos sem importância, como é o caso do Brasil”, condenava. Para superar essa limitação, o autor de “Vidas Secas” sugeria a seguinte medida: cavar um buraco no lugar da sua terra natal. O oceano avançaria sobre todo o estado, formando o Golfo das Alagoas.

A ideia de Graciliano nunca foi adiante. Os alagoanos continuaram no mesmo lugar, governados pela mesma elite política. Em 2018, ela se dividirá em alianças que resumem a grande barafunda nacional.

ALCKMIN E COLLOR – O tucano Geraldo Alckmin entregou seu palanque a Fernando Collor, que será candidato a governador. O presidenciável costuma repetir que quem enriquece na política é ladrão. O ex-presidente é réu na Lava-Jato, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.

A aliança já produziu uma baixa. O ex-governador Teotônio Vilela Filho, dono do PSDB alagoano, avisou que não participará da campanha. “Meus correligionários sabem que não voto em Collor em nenhuma hipótese”, justificou-se. Alckmin não se importou. Topa tudo pelo tempo de TV do centrão.

RENAN E COLLOR – O PT fechou negócio com Renan Filho, o primogênito de Renan Calheiros. O senador apoiou o impeachment e pertence ao MDB de Michel Temer. Ao pedir votos, defende Lula e faz discurso de oposição.

O ex-presidente não guarda mágoas. Em visita recente ao estado, usou sua popularidade para turbinar o aliado. “Renan sempre nos ajudou a votar tudo para melhorar a vida do povo brasileiro”, elogiou.

Antes de se consagrar como escritor, Graciliano foi prefeito de Palmeira dos Índios, no agreste alagoano. Numa carta famosa, resumiu o funcionamento da política local: “Para os cargos de administração municipal, escolhem de preferência os imbecis e os gatunos”. “Tenho na cabeça uns parafusos de menos, mas não sou imbecil, não dou para o ofício e qualquer dia renuncio”, acrescentou. Ele cumpriu a promessa após dois anos no cargo.

Os sentimentos do poste, que se sujeita a ser um ectoplasma de si mesmo

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Charge do Genildo (Arquivo Google)

Ruy Castro
Folha

Oscar Wilde se queixava de que as pessoas viviam dizendo pelas suas costas as verdades mais terríveis e absolutas a seu respeito. Bem, isso foi naquele tempo. Hoje, dizem-se as mesmas verdades pela frente e em letra de forma, e ninguém mais se ofende. Chamar alguém de poste, por exemplo.

Deixou de ser desaforo classificar de poste uma pessoa que é escolhida para ocupar o lugar de outra, na ausência temporária desta, e não só por ser leal e confiável, mas principalmente por ser passiva, anódina, irrelevante — ou seja, incapaz de ofuscar o titular. É como receber um atestado de desadmiração vindo dos seus próprios pares.

AUTOESTIMA? – Tento me colocar na pele de uma pessoa escalada para esta triste função. Como se sentirá ao saber que é isso —que não tem personalidade ou vontade própria— que seus companheiros pensam dela? A que níveis sua ausência de autoestima terá chegado para aceitar o papel de ectoplasma de si mesma e, ainda assim, estar pronta a desocupar o banquinho assim que for solicitada? Terá havido um dia em que essa pessoa alimentou objetivos pessoais e lutou por eles? 

Um poste, como se sabe, é feito para sustentar uma lâmpada, mas esta só se acende ou apaga a partir de comandos emanados de uma usina longe ou perto dali. No caso do poste humano, some-se a isto o fato de que, ao abrir a boca, ele só poderá emitir palavras e pensamentos elaborados na cabeça do titular, como na velha arte do ventriloquismo.

Nos anos 30 e 40, havia ventríloquos famosos, como o americano Edgar Bergen, pai da estrela Candice Bergen, e o brasileiro Baptista Junior, pai das cantoras Linda e Dircinha Baptista. A diferença é que seus bonecos eram de pau.T

Um dia, inevitavelmente, o poste passa a acreditar que gera sua própria energia e se volta contra seu mentor. É a sua única chance de recuperar o autorrespeito e superar a humilhante condição a que o reduziram.