Candidatura de Temer à reeleição atrapalha Meirelles, que atrapalha Temer…

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Os dois se odeiam, mas é preciso manter as aparências

Marina Dias
Estadão

A disposição de Michel Temer em discutir sua reeleição asfixiou os planos do ministro Henrique Meirelles (Fazenda) para disputar a sucessão presidencial em outubro. O chefe da equipe econômica de Temer abriu negociações para se lançar ao Palácio do Planalto pelo MDB como nome do governo, mas a sombra de uma possível candidatura do presidente ameaça interditar esse caminho.

Sem apoio de seu partido, o PSD, Meirelles poderia se filiar à sigla de Temer, mas viu seus prazos se estreitarem — ele precisa deixar o cargo até abril se quiser concorrer às eleições — quando o presidente se convenceu de que não tem nada a perder caso seja ele próprio o candidato que defenderá o legado de seu governo até outubro.

APOIO DO PLANALTO – Se há dois meses o ministro discutia mencionar ou não Temer no programa de sua legenda na TV — e acabou por não fazê-lo, por medo de ser ainda mais contaminado pela impopularidade do presidente —, hoje Meirelles tem no apoio do Planalto a única alternativa para tentar fazer deslanchar sua candidatura.

O ministro e o presidente patinam nas pesquisas, ambos com entre 1% e 2% das intenções de voto segundo o Datafolha, e viram naufragar o discurso de que a melhora dos índices econômicos seria sentida pela população a partir do início deste ano.

POPULARIDADE – Em um primeiro momento, Temer acreditava que esses números poderiam impulsionar sua popularidade a pelo menos dois dígitos, enquanto Meirelles apostava neles para melhorar seu desempenho nas pesquisas para a sucessão presidencial.

Mesmo sem os resultados — o ministro já fala em percepção da melhora na economia somente no fim do ano —, Temer e seus principais auxiliares entoaram o discurso de que o prazo para decidir o rumo do Planalto nas eleições é maio, o que inviabilizaria o cronograma de Meirelles.

Aliados do presidente, porém, afirmam que seu desejo é apenas “se redimir” de um governo tão impopular — 70% das pessoas consideram sua gestão ruim ou péssima, segundo o Datafolha —, mas que seus anseios eleitorais não devem chegar até maio.

UMA SAÍDA – Ainda de acordo com esses assessores, o presidente busca uma saída diante do medo de ficar isolado no processo, visto que o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin (SP), mantém distância segura de Temer desde que os tucanos entregaram os cargos no primeiro escalão do governo.

A Folha apurou que o próprio Meirelles conversou com o presidente sobre os prazos e indicou que colocar o mês de maio como limite para a decisão pode ser tardio “para quem quer que seja o candidato do governo”.

ALIANÇAS – O ministro teme que, em três meses, as articulações para as alianças estaduais no MDB já estejam muito avançadas e possam prejudicar novos acordos que mirem a chapa presidencial.

À Folha, o presidente do MDB, Romero Jucá (RR), disse que Meirelles é “muito bem-vindo” no partido e que ele seria um “grande quadro” lançado ao Planalto.

Pressionado pelo calendário e por Temer, o ministro da Fazenda pretende atravessar fevereiro com a mesma estratégia adotada até agora: entrevistas de caráter mais político e aproximação com o eleitorado evangélico.

ALCKMIN E MAIA – Meirelles vai ainda reforçar a ideia de que Alckmin e o também presidenciável e chefe da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não defenderão o governo como ele.

A ambos, no entanto, não interessa ser carimbado como o candidato de Temer, cujo apoio nas eleições é rejeitado por 87% das pessoas.

Maia chegou a conversar com Meirelles sobre uma possível migração do ministro para o DEM, mas há cerca de três meses tem articulado voo solo mirando o Planalto.

CONVERSAÇÕES – Nas últimas semanas, além de PP e Solidariedade, o presidente da Câmara discutiu apoio a sua possível candidatura com integrantes de PR, PRB e PHS, mas ainda apresenta patamar bem tímido nas pesquisas —1%.

Para tentar melhorar seu desempenho e poder contar com o apoio efetivo de parte da base de Temer, Maia vai investir na mudança de agenda e focar em medidas de segurança, saúde e educação.

Aliados dizem que, para se apresentar como alternativa a Alckmin no espectro de centro-direita, o deputado precisa ir além do discurso de que tem o apoio do mercado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É engraçado… De repente, estão descobrindo que Temer é candidato à reeleição, conforme diz a matéria, que precisa de tradução simultânea, pois é baseada em aparências, que sempre enganam. Rodrigo Maia não é candidato a presidente, mas a deputado. Ele quer ser o “dono” do DEM e suas articulações visam a melhorar a candidatura do pai a governador do Rio de Janeiro. Na verdade, o DEM de Maia age como mosca de padaria – pousa em todos os doces. No final, vai apoiar alguém que tenha chances, não importa se Temer, Meirelles e Alckmin, porque isso também depende do quem dá mais… Na verdade, ainda está tudo no ar. O fato é que Temer odeia Meirelles e quer impedir a candidatura dele. E Meirelles odeia Temer e idem, idem. Depois, voltaremos ao assunto. (C.N.)  

Entenda por que a União não pode intervir em instituições e órgãos estaduais

Resultado de imagem para constituição chargesJorge Béja

O debate sobre a constitucionalidade (ou inconstitucionalidade) do decreto de intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro, com a nomeação de interventor e sem o afastamento do governador, pode ser resolvido e demonstrado de maneira simples, descomplicada e com resposta certa na própria Constituição Federal. No artigo 34 está a resposta: “A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:”.

Basta. Se lê e se vê que a intervenção da União é nos Estados, e não em órgãos, instituições, serviços e/ou outro ente do Estado. É a pessoa jurídica de Direito Público Interno — o Estado Federado — o alvo da intervenção.

COMO UM TODO – A Carta Federativa não faz fracionamento, nem leva à possibilidade de se entender que pessoa ou ente diverso do Estado possa sofrer intervenção federal. A União intervém é no Estado, no Estado como um todo. No Estado inteiro. E quando o decreto nomeia interventor, a consequência é o afastamento do governador do Estado que sofreu a intervenção da União.

Não fosse assim, o caput (a cabeça) do artigo 34 da Constituição Federal teria outra redação, tal como, à guisa de exemplo: “A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal e nem nas entidades e instituições àqueles pertencentes, exceto para:”.

Bom, aí a Constituição estaria claramente autorizando a intervenção federal no setor de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, como aconteceu hoje, sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018. Aí está a resposta simples, de fácil compreensão, sendo a única hermenêutica para demonstrar a inconstitucionalidade do decreto que Temer assinou ao decretar a intervenção na Segurança Pública do ERJ, quando a letra da Constituição Federal fala em “intervenção no Estado”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Dr. Béja está inteiramente com a razão. O governo federal não pode intervir em órgão estadual sem destituir o governador. Mas o texto dá margem a uma suposta dubiedade, existe um clamor público pela intervenção e o Planalto está aproveitando a oportunidade para colocar na rua a campanha de Temer pela reeleiçãoJá chegou ao STF a primeira ação judicial contra a intervenção no Rio de Janeiro. O advogado Carlos Alexandre Klomfahs alega que não houve consulta ao Conselhos da República, nem da Defesa Nacional, que são órgãos de assessoramento ao presidente. A relatora será a ministra Rosa Weber. Na forma da lei, o Supremo terá de suspender a intervenção mitigada(C.N.)

Rodrigo Maia mandou o ministro da Justiça calar a boca na reunião do Alvorada

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Jardim engoliu o insulto de Maia em plena reunião

Andreza Matais e Naira Trindade
Estadão

O clima esquentou nesta madrugada durante a reunião no Palácio da Alvorada em que se decidiu decretar a intervenção no Rio. Segundo relatos de mais de uma fonte, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), estava muito nervoso e teria mandado Torquato calar a boca num dos momentos mais tensos da discussão dizendo que ele não teria moral para falar de segurança pública.

Procurado, Maia disse que não cometeria tamanha indelicadeza e contou sua versão. “Ele quis se meter numa conversa minha com o (Raul) Jungmann. Eu disse: – Não se mete. Você até agora não ratificou o que disse no ano passado, então deixa eu discutir aqui com o Jungmann.”

DECLARAÇÃO ANTIGA – Maia se refere à declaração de Torquato que causou polêmica no ano passado de que o alto comando das polícias no Rio é sócio do crime organizado com a anuência de deputados estaduais. “Todo mundo sabe que o comando da segurança no Rio é acertado com deputado estadual e o crime organizado”, afirmou em outubro.

O governo está insatisfeito com o ministro da Justiça, Torquato Jardim, e fala com cada vez mais frequência em exonerá-lo do cargo. Quando assumiu a pasta, Jardim declarou que não entendia nada de segurança pública. “Minha experiência na segurança pública foi ter duas tias e eu próprio assaltados”, disse no dia da posse, em maio de 2017. O ministro é especialista em direito eleitoral.

NA CONTA DELE – Agora, quando o governo chegou ao extremo de ter que intervir na segurança pública do Rio, interlocutores do presidente Temer querem creditar na conta de Torquato a responsabilidade pela situação de descontrole, especialmente nas fronteiras, porta aberta para drogas e armas no País.

Um dos problemas é que a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), subordinada ao Ministério da Justiça, nos últimos anos se resumiu a Força Nacional de Segurança. Especialistas dizem que a política nacional de segurança não existe porque o órgão que era para ser de formulação perdeu esse foco e passou a ser de execução.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Tradução simultânea: Rodrigo Maia é folgado e Torquato Jardim faz jus ao sobrenome e é frouxo. (C.N.)

Com decreto de intervenção no Rio, Maia diz que fica mais difícil votar a reforma

Adiar a reforma causará “desconforto”, alega Maia

Bernardo Caram, Fernanda Calgaro e Fernanda Vivas
G1 Brasília

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta sexta-feira, dia 16, que “fica difícil” votar a reforma da Previdência na próxima semana, como estava inicialmente previsto, se o decreto de intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro estiver na pauta do Congresso. O presidente Michel Temer decidiu na noite desta quinta-feira, dia 15, que iria decretar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.

A decisão foi tomada numa reunião de emergência e teve a concordância do governador do estado, Luiz Fernando Pezão (PMDB). Maia também estava na reunião. “Minha opinião é que o decreto, se publicado hoje, será votado na Câmara na segunda e terça e no Senado terça e quarta-feira. Se está na pauta a votação de um decreto que veda a tramitação constitucional, você está dizendo que na próxima semana fica difícil votar qualquer emenda constitucional, inclusive a da Previdência”, disse.

PAUTA DE FEVEREIRO – No entanto, ele afirmou que também é “difícil” adiar o início da discussão da reforma da Previdência para março. Ele reiterou que a última semana de fevereiro é o momento para se tentar votar a proposta. “Essa é uma pauta de fevereiro, eu tenho trabalhado que seja possível [votar neste mês]”, afirmou. “Acho difícil [jogar para março]. Acho que a última semana de fevereiro é o limite para constituir votos para votar a Previdência”, frisou.

Para ele, haverá um certo “desconforto” entre os parlamentares empurrar a reforma para março por se tratar de um ano eleitoral. Questionado se o decreto era uma “cortina de fumaça” para evitar colocar em votação a reforma da Previdência diante da falta de votos para aprová-la, Maia negou que a intervenção tenha a ver com isso. “Esse é um decreto de tamanha força, é uma decisão de tamanha força e tamanho risco e que eu tenho certeza que ninguém, nem o presidente da República, poderia colocar esse tema para tirar outro de discussão […] Eu não tenho dúvida nenhuma de que não há relação entre uma coisa e outra”, afirmou.

“Não posso exigir que deputados, num ano eleitoral, já entrando março ou abril, você introduza um debate onde 60% é contra e 27% a favor (da reforma da Previdência)”, disse Maia. O presidente da Câmara, acrescentou ainda que “ou a gente vai votar em fevereiro com todas as restrições, que vão ser mais difíceis, ou vota em fevereiro”.

MEDIDA “DURA” – “Eu disse ao presidente [Temer] que é decisão muito contundente, muito dura, para momento extremo”, afirmou o deputado. Maia ponderou que se trata de uma “ação excepcional” e que há uma “clareza da falência do sistema de segurança”.

“Se espera que ela [intervenção] possa, num breve espaço curto de tempo, gerar resultados, porque sabemos que ela é a ultima opção”, afirmou. “Como é tudo uma novidade, agora a gente vai ter que dar um passo atrás do outro”, completou Maia. O presidente da Câmara citou ainda que no Rio de Janeiro há um “descontrole nos presídios, nas comunidades, nos bairros, crime organizado, tráfico de droga”.

Sobre a tramitação da votação do decreto, Maia explicou que será primeiro votado na Câmara e depois no Senado. No caso da Câmara, ele prevê que a sessão de votação seja convocada para segunda-feira à noite. Para ser aprovada a intervenção, basta maioria simples no plenário, que precisará ter quórum de pelo menos 257 deputados presentes. Depois, vai para o Senado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSe Maia já estava com a reforma pronta para ser engavetada, agora, com o decreto de intervenção federal na pauta do Congresso, é que jogará de vez a toalha em relação à proposta. Repetiu várias vezes que a questão estava desgastada e a sua impopularidade só causaria prejuízos para a imagem dos parlamentares, inclusive a sua. Mesmo contra a intervenção, Maia vai usar a justificativa que embolou o meio de campo e que este mês já não se falará mais em votação da reforma. Nem em mês nenhum. (M.C.)

Haverá panelaço quando Temer aparecer hoje em cadeia nacional na TV?

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Temer aparece pela primeira vez na cadeia nacional

Andréia Sadi, Bernardo Caram e Guilherme Mazui
G1, Brasília

O presidente Michel Temer se reuniu na tarde desta sexta-feira (dia 16), no Palácio do Planalto, com o general Walter Souza Braga Neto, interventor no Rio de Janeiro. O encontro aconteceu após a assinatura do decreto de intervenção federal no estado. Temer também chamou para a reunião os ministros Sérgio Etchegoyen (Segurança Institucional) e Raul Jungmann (Defesa), além do comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas.

O presidente irá ao Rio de Janeiro neste sábado. O objetivo é dar visibilidade à ação do governo federal. Antes, nesta sexta, gravará no Palácio da Alvorada um pronunciamento para a cadeia de rádio e TV. O pronunciamento será exibido às 20h30.

SUSPENSÃO – O presidente Michel Temer disse nesta sexta-feira (16) que vai cessar a intervenção federal no Rio de Janeiro no período em que for votada a reforma da Previdência.

“Ajustamos ontem [quinta, 15] à noite, com participação muito expressiva do presidente Rodrigo Maia e do presidente Eunício Oliveira a continuidade da tramitação da reforma da Previdência, que é uma medida também extremamente importante para o futuro do país. Quando ela estiver para ser votada, segundo avaliação das casas legislativas, eu farei cessar a intervenção. No instante que se verifique, segundo critérios das casas legislativas, que há condições para votação, reitero, farei cessar a intervenção”, disse.

Durante a intervenção, a Constituição Federal não pode ser alterada e a reforma da Previdência em andamento na Câmara é uma proposta de emenda à Constituição (PEC). A reforma só será aprovada na Câmara se tiver o apoio de ao menos 308 deputados em dois turnos de votação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Haverá panelaço quando Temer aparecer na cadeia nacional? Esta é a grande dúvida. (C.N.)

Procuradoria pede manutenção da prisão de Paulo Maluf em regime fechado

Defesa não apresentou argumentos convincentes

Deu no O Globo

A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu, nesta quinta-feira, dia 15, que o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), preso em dezembro, continue a cumprir a pena em regime fechado. A defesa do deputado enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) agravamos regimentais, com o objetivo de modificar algum entendimento da Corte, que determinou a prisão por crime de lavagem de dinheiro.

Maluf foi condenado a sete anos, nove meses e dez dias de reclusão e ao pagamento de multa, por ter desviado dinheiro público para o exterior. A defesa do parlamentar pede o reexame de duas decisões que negaram habeas corpus ao deputado: a condenação em regime fechado, decidida pela 1° Turma do STF, e a decisão do ministro relator da ação, Edson Fachin, de determinar o cumprimento imediato da pena.

SEM FUNDAMENTOS – No documento enviado pela PGR, a procurador-geral da República, Raquel Dodge, afirma que a defesa não apresentou nenhum argumento que justificasse esse tipo de revisão e que as alegações da defesa nos agravos não encontram fundamentos jurídicos na lei vigente e nem respaldo na jurisprudência do STF.

“De acordo com a Súmula 606 do STF, ‘é incabível habeas corpus contra decisão do Plenário ou de Turma do Supremo Tribunal Federal'”, salienta Dodge, na peça. O Código Penal estabelece prazo de seis anos para a prescrição do crime de lavagem de dinheiro cometido por pessoas com mais de 70 anos, a contar da data da interrupção do crime. Segundo a PGR, no caso de Maluf, o crime foi cometido até 2006 e o prazo prescricional foi reiniciado duas vezes.

Na primeira, no recebimento da denúncia, em 29 de setembro de 2011, e na segunda, na condenação, em 23 de maio de 2017. “Não transcorreram mais de seis anos entre o término da prática do crime e o recebimento da denúncia, nem entre esta data (último marco) e o acórdão condenatório (marco seguinte)”, detalhou a PGR no documento enviado ao Supremo.

O CASO – De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), recebida pelo STF em setembro de 2011, Paulo Maluf, seus parentes e empresários teriam desviado grandes quantias para o exterior, a maior parte proveniente das obras de construção da antiga avenida Água Espraiada (atual Avenida Jornalista Roberto Marinho), em São Paulo.

A via foi construída quando Maluf era prefeito da capital (entre 1993 e 1996), pelo consórcio formado pelas construtoras Mendes Júnior e OAS. Na denúncia, o MPF afirma que a obra foi superfaturada, com custo final de R$ 796 milhões. Parte do dinheiro teria sido enviado ao exterior por meio de doleiros, retornando ao Brasil como investimentos na Eucatex, empresa da família Maluf, usada para lavar o dinheiro.

TRF-4 nega pedido de Palocci para depor de novo sobre o destino das propinas

Palocci alegou que iria  apresentar “novos fatos”

Dimitrius Dantas
O Globo

O desembargador João Pedro Gebran Neto, relator dos processos da Lava-Jato na segunda instância, negou o pedido de novo interrogatório feito pelo ex-ministro Antonio Palocci. Palocci queria ser ouvido de novo no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) para apresentar novos fatos sobre os temas investigados no processo em que já foi condenado a 12 anos por lavagem de dinheiro e corrupção por vantagens indevidas recebidas pela Odebrecht.

MOMENTO “PREMATURO” – A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, rejeitou a negociação para que o ex-ministro da Fazenda firmasse acordo de colaboração premiada. Com a decisão do relator da Lava-Jato no TRF-4, Palocci perde mais uma possibilidade de redução de suas penas. De acordo com o ex-ministro, os fatos só não foram declarados antes porque julgou o momento prematuro em razão de tratativas sobre acordo de delação premiada.

O ex-petista queria esclarecer temas como a formação e financiamento da Sete Brasil, conversas que participou para organizar o esquema de propina, além de atos, vantagens indevidas recebidas, indicação da origem e destino das propinas, além de elementos de prova sobre suas declarações. Segundo o desembargador, no entanto, não há como conceder o pedido de Palocci.

MPF – “O momento processual atual não é para que o apelante venha prestar colaboração com Justiça, vez que esta oportunidade se deu durante toda a tramitação perante o juízo singular (primeira instância)”, escreveu Gebran Neto. O desembargador afirmou que, caso Palocci tenha interesse em tratar de um acordo de colaboração premiada, os assuntos devem ser tratados com o Ministério Público Federal.

Gebran reclamou da estratégia de pedidos de reinterrogados após a primeira condenação, quando réus da Lava-Jato decidem colaborar em troca de benefícios. “Ora, estas informações não tem qualquer utilidade neste processo, porque não podem ser usadas como prova. Se há fatos a serem revelados, devem ser prestadas as informações perante a autoridade policial ou o Ministério Público Federal”, determinou.

“PACTO DE SANGUE” – Desde setembro de 2017, o ex-ministro mudou sua postura e mudou o discurso sobre a corrupção durante os governos Lula e Dilma. Em interrogatório ao juiz Sérgio Moro, Palocci afirmou que o PT tinha um “pacto de sangue” com a Odebrecht.

“O Emílio (Odebrecht) abordou (Lula) no final de 2010, não foi pra oferecer alguma coisa, doutor (Moro), foi pra fazer um pacto, que eu chamei de pacto de sangue. Envolvia um presente pessoal que era um sítio, envolvia o prédio de um museu pago pela empresa, envolvia palestras pagas a R$ 200 mil, fora impostos, combinadas com a Odebrecht. E envolvia uma reserva de R$ 300 milhões”, afirmou Palocci à época.

LAVA JATO – Palocci ocupou as pastas da Fazenda no governo de Lula, e da Casa Civil na gestão de Dilma Rousseff (PT). O ex-ministro foi preso na 35ª fase da operação Lava Jato, batizada de Omertà e deflagrada no dia 26 de setembro de 2016. Está detido na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba.

Palocci também é réu em outro processo que apura se a Odebrecht pagou propina por meio da compra do terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula e do apartamento vizinho ao do ex-presidente em São Bernardo, no ABC Paulista. Entre os réus desta ação, estão o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht e Roberto Teixeira, um dos advogados de Lula.

Subdiretor da PF diz que acionar STF em caso de interferência é ‘imperativo legal’

Ricas garante que a investigação de Temer vai avançar 

Bela Megale
O Globo

Horas depois de um ofício assinado por delegados do Grupo de Inquéritos Especiais da Polícia Federal questionar interferência nas investigações no processo cujo alvo é o presidente Michel Temer, o número 2 da PF, Eugênio Ricas, divulgou um memorando na qual destaca ser prerrogativa da função do delegado reportar ao Supremo Tribunal Federal (STF) qualquer tentativa de intervenção em apurações em curso. E que essa medida antecede à gestão de Fernando Segovia, atual diretor-geral da instituição. Ele afirmou que várias ações concretas estão sendo tomadas para que as ações avancem, “doa a quem doer” e pediu “obediência estrita” dos agentes. 

CREDIBILIDADE – Ricas, que é diretor de investigação e Combate ao Crime Organizado, afirmou no documento que a carta dos delegados já foi encaminhada a Segovia e ressaltou, diante do questionamento sobre a atuação do diretor-geral no inquérito, que a Polícia Federal goza de “enorme credibilidade junto à sociedade brasileira em razão da imparcialidade e qualidade técnica das investigações”, acrescentando que  os dispositivos legais citados no documento encaminhado a ele são um “imperativo legal” dos investigadores e que devem ser acionados em caso de interferência nas investigações

O delegado ressaltou também o papel da Diretoria de Combate ao Crime Organizado (Dicor) no funcionamento das investigações e deixou a Diretoria à disposição para qualquer necessidade, reafirmando o compromisso da Dicor em disponibilizar os “meios necessários à atuação de todas as Coordenação que lhe são subordinadas”. Por fim, Ricas ainda cobrou “obediência estrita aos normativos que regulamentam a atuação desse GINQ (Grupo Especial de Inquéritos da PF)”.

Em um dos itens do documento, Ricas lembra que o número de delegados à disposição do grupo especial de inquéritos ‘praticamente dobrou’, além da aquisição de equipamentos modernos, reforma do ambiente de trabalho, treinamento para qualificação de pessoal.

CLIMA TENSO – O clima dentro da Polícia Federal ficou tão ruim com as declarações do diretor-geral que em uma reunião na última quarta-feira, dia 14, entre os delegados que atuam em investigações especiais chegou-se a cogitar a hipótese de pedir até mesmo a prisão do chefe da instituição, caso as interferências se confirmassem. O documento produzido ao final desta reunião não faz referência direta ao risco de prisão, mas cita o artigo que trata de “medidas cautelares diversas da prisão”.

Num texto duro, os delegados listam os crimes que podem configurar eventual intromissão. “Uma vez que sejam concretizadas ações que configurem tipos previstos no ordenamento penal, dentre eles prevaricação, advocacia administrativa, coação no processo, obstrução de investigação de organização criminosa, os fatos serão devidamente apresentados ao respectivo ministro relator, mediante a competente representação, pleiteando-se pela obtenção das medidas cautelares cabíveis, nos termos do artigo 319 do Código de Processo Penal”, diz o texto.

Manifesto das esquerdas propõe combate à corrupção e omite apoio a Lula

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As esquerdas enfim começam se descolar de Lula

Catia Seabra
Folha

Por intermédio de suas fundações, cinco partidos de centro-esquerda lançam na próxima terça-feira (20), em Brasília, o manifesto “Unidade para Reconstruir o Brasil”. Com dez páginas, o documento não defende, explicitamente, o direito de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre as tarefas imediatas, o texto prega a “garantia da realização das eleições de 2018, com pleno respeito à soberania popular; e não a proposta casuística do parlamentarismo e do semipresidencialismo”. Ou seja, o manifesto não cita, textualmente, o direito de Lula concorrer à Presidência.

APENAS UMA VEZ – O nome do ex-presidente aparece uma única vez, quando se diz que estão sendo eliminadas ou mitigadas conquistas de natureza patriótica alcançadas nos governos Getúlio Vargas e João Goulart, “bem como o acervo de realizações do ciclo progressista de 2003-2016, dos governos Lula e Dilma”.

Já na apresentação do manifesto, as fundações signatárias fazem questão de frisar que essa não é a consolidação de uma aliança eleitoral entre os partidos aos quais estão vinculadas.

“Independentemente das estratégias e táticas eleitorais do conjunto das legendas progressistas, uma base programática convergente pode facilitar o diálogo que construa a união de amplas forças políticas, sociais, econômicas e cultural”.

CINCO PARTIDOS – Assinado pelas fundações vinculadas ao PT, PDT, PSB, PSOL e PC do B, o documento defende o “Estado nacional forte”, indutor do crescimento econômico com fortalecimento da Petrobras e BNDES.

No capítulo da segurança pública, propõe um pacto federativo para definição de competências no combate à violência e “uma revisão completa da política atual de combate ao tráfico de drogas, patrocinando um amplo debate sobre os limites da legislação relativa ao consumo de entorpecentes e os efeitos desastrosos da chamada ‘guerra às drogas’”.

Ao sugerir modernização e robustecimento das Forças Armadas, o documento assinala, porém, como seu objetivo “o cumprimento de sua missão constitucional e exclusiva defesa da soberania nacional”.

REFORMAS – O texto propõe também reformas política, tributária, penitenciária, penal e do Judiciário, bem como a regulamentação da mídia.

Citando avanços dos governos Vargas e Jango, o manifesto afirma que, mais uma vez, o Brasil “se depara com uma encruzilhada”.

“Ou o país se reencontra com o caminho da democracia, da soberania nacional, do desenvolvimento e do progresso social; ou seguirá na rota, que lhe impôs o governo Temer, do entreguismo, do autoritarismo e do corte crescente dos direitos do povo e da classe trabalhadora”.

ORDEM NEOCOLONIAL – Segundo o texto, é necessário “vigorosamente, repelir a tentativa das grandes potências capitalistas de subordinarem o nosso país aos ditames de uma ordem neocolonial”.

O documento lembra que “oito meses separam o país das eleições de 2018”, afirma “haver forte desalento na sociedade” e lista cinco tarefas imediatas. Entre elas, a garantia destas eleições; defesa da soberania nacional e “defesa do patrimônio público, combate à corrupção com os instrumentos do Estado Democrático de Direito e a implementação das reformas estruturais democráticas”.

No capítulo das “diretrizes para um novo projeto nacional de desenvolvimento”, o documento prega “um Estado nacional forte, portador de um projeto para a Nação, refratário à concepção oportunista e omissa do Estado mínimo neoliberal”.

MAIS INVESTIMENTOS – Produto de uma série de reuniões iniciadas no ano passado, o documento afirma ser “imperativo elevar a taxa de investimentos públicos e privados”. Segundo o manifesto, o “reaquecimento da economia e a sua retomada requerem ações simultâneas de política econômica”. “O indispensável papel dos bancos públicos, em especial do BNDES, como base do financiamento de longo prazo que deve ser restaurado; os spreads bancários devem ser reduzidos e o consumo popular incentivado”, diz.

O manifesto acrescenta ser “decisivo o papel das estatais, especialmente da Petrobras”. “Impõe-se, igualmente, uma nova política macroeconômica que supere o longo ciclo de juros elevadíssimos e câmbio apreciado”.

O manifesto ressalta a “urgência de se efetivar a reforma tributária progressiva que tribute mais os detentores de fortunas, as riquezas e rendas elevadas”. Os presidentes de fundações enfatizam que esse é o início de um debate. “Tal como a realidade vem demonstrando não será fácil, mas o Brasil — com a união e a luta das forças progressistas da nação, do povo e da classe trabalhadora — vencerá uma vez mais”.

Intervenção do “constitucionalista” Temer no RJ é absurdamente inconstitucional

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Jorge Béja

Essa “intervenção” é à la Temer. Não encontra amparo na Constituição Federal, que exige o afastamento do governador, passando a ser substituído pelo interventor. Ou Pezão é afastado e o interventor assume, ou Pezão fica e essa “intervenção” é inconstitucional, não tem validade jurídica e as ordens expedidas pelo “interventor fictício” nem precisam ser respeitadas e obedecidas.

Que barbaridade! Tudo que vem de Temer é temerário. Com Temer tudo dá errado. E ainda dizem que ele seria constitucionalista!!! Não é. Trata-se apenas de um oportunista. Foi indiciado em dois inquéritos policiais que culminaram por Temer ser denunciado ao Supremo Tribunal Federal por graves crimes de lesa-pátria (fora o inquérito do caso dos portos, ainda em andamento, apesar do esforço de Segovia para abafar o caso). E as duas denúncias só não foi processadas pelo STF porque a Câmara dos Deputados recusou, quando consultada a se manifestar.

Aliás, sobre o depoimento do delegado Fernando Segovia, diretor-geral da Polícia Federal, que será feito diretamente ao ministro Luis Roberto Barroso, em audiência marcada para esta segunda-feira, dia 19, o caso será abordado e explicado em artigo a ser publicado aqui na “Tribuna da Internet”, por causa da sua importância e ineditismo na história do Supremo, tão grave que é a situação.

Declarações de Segovia aprofundaram o clima de tensão na Polícia Federal

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Charge do Iotti (Zero Hora)

Rubens Valente
Folha

A crise que atinge o comando da Polícia Federal ocorre no momento em que o diretor-geral, Fernando Segovia, luta para resgatar o apoio que recebeu de delegados da PF na época da posse, em novembro. Com as declarações dadas à Reuters na sexta (9), Segovia viu a adesão ao seu nome rapidamente diminuir entre os colegas. Delegados que até poucos dias atrás defendiam Segovia agora pedem sua saída.

Na entrevista, ele criticou o inquérito sobre o presidente Michel Temer na área dos portos e, na avaliação dos colegas, não teria defendido, com a ênfase que esperavam, a autonomia do delegado responsável pelo caso.

MOMENTO DELICADO – As declarações coincidem com um momento delicado na PF, que é uma discussão interna determinada por Segovia para uma reestruturação administrativa do órgão.

A proposta preliminar distribuída às entidades representativas de delegados, peritos, agentes, papiloscopistas e escrivães, prevê subordinação dos outros cargos ao delegado e criação de um novo cargo na PF, de nível médio, para guarda de fronteiras e tarefas administrativas.

Esses dois pontos provocaram uma reação negativa das outras categorias. Agentes consideram que o cargo de nível médio vai, a médio prazo, ser usado pelos delegados para esvaziar a categoria, bastando que não se abra mais concursos públicos para agentes.

COMANDO ÚNICO – “Os agentes acham que têm que comandar uma parte da polícia e nós não concordamos com isso porque entendemos que o comando é único e tem que ter hierarquia e disciplina”, disse o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Edvandir de Paiva.

Segovia ainda encontra maior apoio não entre seus colegas delegados, mas sim nos ocupantes dos outros cargos. Isso porque ele começou a chamá-los para conversas internas sobre o plano de reestruturação, o que foi considerado um avanço em relação à gestão anterior, segundo policiais ouvidos pela Folha.

Mesmo assim, no dia seguinte às declarações de Segovia todas as categorias emitiram notas condenando a fala do diretor-geral.

CONTORNOS DE CRISE – Nesta semana, os problemas gerados pelas declarações ganharam contornos de crise de autoridade e de disciplina interna.

Em um episódio inédito na história recente da PF, revelado pelo Painel, um grupo de delegados da unidade destinada a casos de foro privilegiado no STF dirigiu ofício ao diretor-geral ameaçando recorrer a pedidos de “medidas cautelares”, que incluem pedidos de prisão, se forem “concretizadas ações” que configurem crimes, como “prevaricação, advocacia administrativa, coação no curso do processo e obstrução de investigação de organização criminosa”. Segundo o ofício, os delegados não admitirão “qualquer ato que atente contra a autonomia funcional de seus integrantes”.

A resposta foi dada, também por ofício, pelo chefe da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado, ao qual o grupo está vinculado, Eugênio Ricas. Ele escreveu que é um “imperativo legal” que os delegados denunciem eventuais pressões e ingerências nas investigações e que a direção-geral está aumentando o apoio logístico e de pessoal na unidade.

Temer decreta hoje a intervenção para entregar ao Exército a segurança no Rio

Ao intervir, Temer comprou briga com Rodrigo Maia

Maria Lima
O Globo

Atendendo a um apelo do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, que admitiu não ter mais controle da situação, o presidente Michel Temer decidiu decretar a intervenção federal na segurança pública do estado do Rio. O decreto, que o presidente assina nesta sexta-feira, dia 16, dá poderes totais para o general Braga Netto, chefe do Comando Militar do Leste, sobre todas as forças de segurança do estado, incluindo as Polícias Militar e Civil, e o autoriza a tomar as medidas que achar necessárias para conter a ação do crime organizado no Rio.

Pelo artigo 60 da Constituição, enquanto o decreto de intervenção estiver em vigor, o Congresso Nacional não pode aprovar qualquer mudança na Constituição, o que significa a suspensão da articulação para votação da reforma da Previdência. O presidente do Congresso, Eunício Oliveira, deverá convocar uma sessão do Congresso 24 horas após a publicação do decreto para que ele seja votado.

A intervenção é prevista no artigo 34 da Constituição, segundo o qual “a União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para manter a integridade nacional…” 

“ASSUNTO GRAVE” – Passava das 22 horas desta quinta-feira, dia 15, quando Michel Temer ligou para Eunício pedindo que fosse ao Jaburu, e já avisando que tinha “um assunto muito grave para resolver”. O assunto grave era a intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. “É uma medida muito forte e o interventor fará o que for preciso para retomar o controle da segurança no Rio”, explicou Temer.

Quando Eunício chegou já encontrou quase boa parte do ministério reunido. Estavam lá, além do governador Pezão, o ministro da Defesa, Raul Jungman; o ministro da Justiça Torquato Jardim, o ministro da Secretaria Geral de Governo Moreira Franco, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, o ministro do Planejamento Dyogo Oliveira, e o general chefe do GSI, Sérgio Etchegoyen. A decisão fora tomada a tarde, no Rio, em uma reunião de Jungman, Moreira, e Pezão, sem a presença do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que só chegou a reunião no Jaburu praticamente junto com Eunício.

MAIA “EXCLUÍDO” – Muito nervoso e irritado, segundo os presentes, Maia disse que não ia se meter porque a decisão havia sido tomada sem que ele fosse consultado. Disse que era contra a intervenção, reclamou muito de ter sido excluído na reunião da tarde no Rio e afirmou que discordava da medida.

“Por uma questão de vaidade pessoal, não vou ficar contra mas também não vou opinar”, desabafou Rodrigo Maia, com a voz entrecortada, segundo relato dos presentes. Diante da reação de Rodrigo Maia, Temer disse então que iria suspender a intervenção e tudo que já tinha sido planejado. Nesse momento Pezão fez um apelo muito forte a Rodrigo: “Rodrigo, não dá mais, o Rio está em estado de calamidade na segurança, não temos saída e não podemos adiar nem mais um dia!”, disse.

Além de Pezão, coube então ao ministro da Defesa, Raul Jungmann, “acalmar” e convencer Rodrigo Maia. O deputado foi avisado de que ele seria responsabilizado publicamente pela crise na segurança do Estado e acabou cedendo.

NOVO MINISTÉRIO – No mesmo encontro, Temer bateu o martelo sobre a decisão de criar o Ministério da Segurança Pública. A proposta partiu do presidente do Senado. Não se trata de uma ideia nova, mas foi desengavetada agora pelo Palácio do Planalto, na tentativa de emplacar uma agenda popular, a sete meses e meio das eleições.

Pesquisas encomendadas pelo Planalto mostram que a segurança é uma das principais preocupações da população, ao lado da saúde. Na avaliação de auxiliares de Temer, a iniciativa de decretar a intervenção na segurança pública do Rio e criar um ministério para cuidar da área passa a imagem de que o governo federal não está inerte e age para enfrentar o problema, embora a competência seja nesse setor seja dos Estados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Mais um capítulo da novela da reeleição de Temer, que sonha em marcar pontos junto ao eleitorado. É uma intervenção estranha e pela metade, porque Pezão continua no governo. O resultado será a desmoralização do Exército, que não tem condição de cuidar da segurança usando recrutas. Quem continuará atuando será a PM. Nada mudará e os eleitores não votarão em Temer. (C.N.)

Marun afirma que reforma será discutida na Câmara mesmo sem os 308 votos

Marun diz ter “confiança redobrada” na aprovação

Bernardo Caram
G1 Brasília

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou nesta quinta-feira, dia 15, que a discussão no plenário da Câmara da proposta de reforma da Previdência será iniciada na terça-feira, dia 20, mesmo se o governo não tiver votos suficientes para a aprovação. “Tenho convicção de que, independentemente dos votos que tivermos na segunda-feira, a discussão se inicia na terça”, afirmou o ministro.

NEGOCIAÇÕES – O ministro voltou a dizer que o governo está disposto a fazer ajustes no texto, desde que as mudanças resultem em mais votos em plenário. Segundo ele, o governo está negociando com agentes penitenciários e com servidores públicos que ingressaram na carreira antes de 2003. 

Por se tratar de uma alteração na Constituição, a reforma só será aprovada na Câmara se tiver o apoio de ao menos 308 deputados em dois turnos de votação. Hoje, de acordo com Marun, que é responsável pela articulação política do Palácio do Planalto, ainda faltam 40 votos para a aprovação. “Nós temos consciência de que precisamos da semana que vem para buscarmos os votos que ainda faltam para aprovação”, afirmou. Na próxima segunda-feira, data inicialmente marcada para a votação do texto, o projeto não estará em pauta. Está prevista apenas uma reunião do presidente Michel Temer com líderes partidários para traçar estratégias para a votação.

“CONFIANÇA REDOBRADA” – Marun se reuniu nesta quinta-feira com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para discutir o tema da Previdência. Após o encontro, ele afirmou que está com a “confiança redobrada” na aprovação do texto, mas disse que há resistências ao projeto em todos os partidos. “Nós temos resistência ainda em todas a bancadas. Nós não podemos apontar para uma, apontar para outra. Em todas as bancadas, nós temos uma confortável maioria em todas elas, mas ainda temos resistência”, afirmou.

Na entrevista, o ministro reconheceu que o presidente Michel Temer avalia criar um ministério para cuidar de segurança pública. “O presidente ficou chocado com algumas situações de violência extrema em alguns pontos do Brasil nos últimos dias, mas é uma discussão que não tem ainda uma conclusão, mas ele é que estimula nesse momento a existência dessa discussão”, disse.

MOEDA DE TROCA – “Ele (Temer) entende que o governo deve avaliar sim a possibilidade de criar um ministério e avançar nessa situação”, ressaltou. Marun ponderou que o possível desmembramento do Ministério da Justiça e a criação de uma nova pasta não teria relação com a acomodação de aliados na esplanada dos ministérios e a busca por apoio no Congresso.

“A eventual criação de um ministério da Segurança Pública nada tem a ver com Previdência. Não vai ser utilizado no sentido político de busca de votos”, afirmou, antes de afirmar que uma possível mudança do ministério que comanda a Polícia Federal é uma questão de “segundo plano”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMarun insiste com o discurso otimista sobre a aprovação da reforma. Sabe que o Planalto não terá os 308 votos necessários em ano eleitoral, com um tema polêmico e impopular. Maia inclusive já prepara o engavetamento da proposta e faz de tudo para que a culpa pela não aprovação recaia sobre os parlamentares ou sobre ele mesmo. Lideranças políticas agem da mesma forma e não querem as legendas associadas à questão. Por fim, a criação de uma nova pasta para tratar da segurança pública parece piada. Os confrontos que eclodem pelo país são antigos e um novo ministério será apenas para servir de cabide de empregos e última moeda de troca de possíveis votos para a reforma. (M.C.)

No rumo da estrada da saudade, junto com Luiz Vieira e seu parceiro Max Gold

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Luiz Vieira, um compositor de raro talento

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O radialista, cantor e compositor pernambucano Luiz Rattes Vieira Filho, na letra de “Estrada da Saudade”, em parceria com Max Gold, retrata o sofrimento que a gente sente quando perde um amor. A música foi gravada por Heleninha Costa, em 1957, pela Copacabana.

ESTRADA DA SAUDADE
Max Gold e Luiz Vieira

Pra onde vai essa estrada seu moço
Queira por favor, dizer
Meu amor foi ontem nela moço
E não voltou pra me ver

Pelo jeito não duvido não
Até sinto e posso ver
Que essa estrada termina
Onde se começa a padecer

Quem me dera que amanhã
Eu visse a saudade nela encostar
E que ela como eu sentisse
Como dói e faz penar
Ninguém pode se acostumar

Existe uma fonte altamente confiável que desmonta o tal “déficit da Previdência”

Pressione os parlamentares contra a reforma da Previdência

Esta é a mensagem dos Auditores Fiscais ao país

Guilherme Almeida

Esta nota poderia ter o título de “Safadeza do Governo!”, porque o Planalto insiste em reformar a Previdência, mas não apresenta estudos que demonstrem exatamente o que está ocorrendo. Se você está interessado no assunto, existe uma fonte de informação, altamente confiável, que nos ajuda a entender o que está acontecendo e desmonta o assunto “déficit da Previdência”.

Trata-se da Associação Nacional dos Auditores Fiscais do Brasil, formada pelos maiores especialistas do país e que já lançou diversos livros sobre a Previdência Social no Brasil

ENTRE NO SITE – Para entender o que realmente está acontecendo com a Previdência Social brasileir, basta acessar o site da Associação Nacional dos Auditores Fiscais do Brasilhttps://www.anfip.org.br/

Na barra azul escuro, acessa o terceiro título, “Publicações”; para nessas publicações clicar em “Livros”; na página 4 dos “Livros”, podem ser lidos o 4º e o 5º livros: “01/06/16 Desmistificando o Deficit da Previdência” e “01/06/16 Previdência Social – Contribuição ao Debate”.

É importante para se ver como é que o povo é tratado e logrado. Todos deveriam ler e divulgar a quem possa se interessar pelo assunto.

UM PARÁGRAFO – Deixo aqui o exemplo de um parágrafo copiado do livro:
“O malfadado déficit da Previdência Social nada mais é do que uma falácia, criada para esconder a responsabilidade do Estado por suas incessantes políticas de renúncias fiscais, desonerações e desvinculações de receitas, além de sua ineficiência na cobrança de dívidas ativas”.

Sonhando com a reeleição, Temer inventa a intervenção do Exército na segurança

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Carge do Lane (chargesdolane.blogspot.com)

Carlos Newton

Na quarta-feira de cinzas, depois de desfilar na Sapucaí com a cabeça enfeitada e a faixa presidencial recheada de dólares, o presidente Michel Temer promoveu uma reunião de emergência no Palácio da Alvorada, com ministros e os comandantes das Forças Armadas. O objetivo era discutir o gravíssimo problema da segurança pública, que no Brasil significa estatísticas de guerra civil, com baixas diárias de ambos os lados.

Segundo o noticiário oficial do Planalto, foram convocados Eliseu Padilha, da Casa Civil; Torquato Jardim, da Justiça e Segurança Pública; Raul Jungmann, da Defesa; Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência; Sergio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional; e Gustavo Rocha, Subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência. Mas a repórter Andréia Sadi, da GloboNews, também participaram os comandantes da Marinha, Eduardo Bacellar Leal Ferreira; do Exército, Eduardo Villas Bôas; e da Aeronáutica, Nivaldo Luiz Rossato.

REUNIÃO IMPROFÍCUA – Como dizia o célebre governador Benedito Valadares, reunião com mais de três participantes é só para constar a dar notícia na imprensa. O sábio político mineiro recomendava que só se deve fazer reunião ampla quando o assunto já estiver decidido antes pelos três participantes.

No caso da reunião de Temer no Planalto, não havia nada resolvido, estava tudo no ar e nenhum dos participantes tinha algo a dizer. E a ideia genial foi entregar ao Exército o comando das forças de segurança, para produzir uma divulgação positiva que melhore a popularidade de Temer, porque o Planalto continua sonhando com a reeleição do presidente, mas a candidatura dele não decola.

E a tendência é de a popularidade de Temer piorar, porque neste sábado o personagem presidencial vai desfilar novamente e será a grande atração da Noite das Campeãs.

A SOLUÇÃO – A solução do problema da segurança parece ser bastante conhecida. É preciso ter um governo sério e responsável, que elimine todos os gastos supérfluos da administração pública, incluindo mordomias, penduricalhos, cartões corporativos, carros chapa-branca, viagens de jatinho e tudo o mais.

Falta um governo que faça uma auditoria da Previdência Social, para realizar uma reforma justa, que não favoreça castas privilegiadas, e promova uma outra auditoria na dívida pública, para desafogar os cofres do Tesouro.

Falta um governo que faça uma reforma trabalhista que proíba a pejotização, para que os trabalhadores brasileiros de maiores salários descontem para a Previdência e paguem Imposto de Renda como os outros cidadãos, sem se fingirem de pessoas jurídicas para sonegar tributos.

TIPO ULYSSES – Precisamos de um governo como preconizava Ulysses Guimarães, que não roube nem deixe roubar, para poder investir em educação e saúde, fazendo também obras de infraestrutura que beneficiem o desenvolvimento e a criação de empregos.  

Que lembre de Darcy Ribeiro e construa mais escolas do que presídios, mas que tenha penas rigorosas para os criminosos e transforme as penitenciárias em unidades produtivas, para que os detentos trabalhem e possam se ressocializar.

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P.S 1 –
Infelizmente, a reunião realizada no Planalto não discutiu nenhum desses itens, que são importantes para melhorar as condições da segurança pública. Contra a vontade dos comandantes militares, Temer acabou criando o factóide de entregar o comando da segurança ao Exército, que vai fingir que manda e a PM vai fingir que obedece. E nada mudará.

P.S 2 – Dizem que já surgiram 20 pré-candidatos à Presidência. Será que existe algum (ou alguma) que seja capaz de defender essas teses simples e de real interesse público, para melhorar a situação do país? Se houver, pode contar com nosso voto. (C.N.)

Beija-Flor e Tuiuti voaram nas asas da arte e representaram a revolta popular

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Temer foi personificado entre plumas, paetês e dólares

Pedro do Coutto

Nas noites deslumbrantes das escolas de samba, a Beija-Flor, várias vezes campeã, este ano uniu a beleza da arte ao protesto marcado pela revolta popular com a corrupção, a falta de segurança, a catástrofe na saúde. Em matéria de protesto, o Paraíso de Tuiuti acrescentou a existência da escravidão, 130 anos depois da Lei Áurea, e também o desemprego e a reforma trabalhista que levantou uma série de dúvidas quanto aos contratos de trabalho. A Tuiuti exibiu até uma alegoria inspirada nas carteiras de trabalho. Com isso conseguiu focar o desemprego, que tantos males sociais acarreta, um deles voltado para a redução da receita do INSS.

Incrível como a escravidão resiste ao tempo. Tanto assim que não fosse uma liminar da ministra Rosa Weber, estaria valendo a famosa e sinistra Portaria do Ministério do Trabalho.

ARTE POPULAR – As noites de domingo e segunda-feira foram belíssimas e sintetizaram o encontro entre artistas que traduzem em cores, imagens e figuras, com milhares de integrantes do espetáculo legítimos representantes da manifestação de arte popular. 

A partir de 63, quando o Salgueiro foi vitorioso com o tema Chica da Silva, setores intelectuais se uniram com as classes de menor renda. O desfile das escolas de samba ganhava uma nova dimensão. foram responsáveis pelo espetáculo na época Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues, Maria Augusta e alguém que começava a se interessar pelo samba, suas imagens, ritmos e enredos. Esse alguém chamava-se Joãozinho Trinta. Pamplona, Arlindo Rodrigues e Joãozinho 30 já voaram para a eternidade. Apenas Rosa Magalhães responsável pelo desfile da Portela continua entre nós. Ótimo, porque ela terá ainda muitas outras oportunidades de encantar o povo com seu toque de arte.

REVOLTA POPULAR – Mas eu disse que além do voo através das nuvens da beleza estética, Beija-Flor e Tuiuti representaram a revolta brasileira contra a corrupção, falta de segurança, com os crimes de sangue e roubo, com a falta de emprego e enfraquecimento do valor do trabalho. Principalmente, a Beija- Flor, no campeonato mais uma vez conquistado, sintetizou o que vai na mente e no coração de todos nós. A onda gigante do protesto significou a possibilidade de o povo manifestar-se diretamente contra os males que intoxicam o país. A Beija-Flor e a Tuiuti falaram por todos nós.

A imagem e a montagem do rato gigantesco, tendo ao fundo uma cópia do Edifício da Petrobrás no Rio, calaram fundo na consciência coletiva atingida por uma série de assaltos ao patrimônio público registrada a partir de 2003. Estávamos então no governo Lula, primeiro mandato, cujas circunstâncias que envolveram a Petrobrás e o BNDES avolumaram-se no segundo período.  No governo Dilma Rousseff, a atmosfera de corrupção não foi diluída pela então presidente. E não está sendo combatida sequer em suas ocasiões primárias pelo governo Michel Temer. Pelo contrário.

POLÍTICA SUJA – Michel Temer torna-se, na História do Brasil, o presidente contra o qual o Supremo Tribunal Federal, por sua vontade, levaria a dois julgamentos por corrupção.Não só isso. Existe um terceiro capítulo – o caso do Porto de Santos investigado pela Polícia Federal. Investigação na qual o diretor Fernando Segóvia foi personagem de um palpite infeliz, para lembrar a obra de Noel Rosa.

A Beija-Flor e a Tuiuti viveram no Sambódromo de Ocar Niemeyer um momento tão eterno quanto a figura do arquiteto. Niemeyer, com a Catedral de Brasília levou as mãos ao céu num feitio de oração. Linda imagem a figura que criou.

Com a Beija-Flor e a Tuiuti, a população ergueu aos céus as mãos do trabalho humano à espera de um milagre que possa retirar o Brasil da escuridão em que se encontra. Foi um ponto de luz nas trevas da esperança. Como dizia Nelson Rodrigues, glória eterna às duas escolas. Foram ao encontro da alma brasileira.

 

Pressionado pela Globo, Huck desiste definitivamente de disputar a eleição

Charge do Amarildo (amarildo.com.br)

Igor Gielow
Folha

O apresentador Luciano Huck manteve sua decisão de não concorrer à Presidência este ano. Ele deve fazer o anúncio formal nesta sexta-feira, dia 16. A manutenção da desistência foi adiantada pelo site “O Antagonista” na tarde desta quinta-feira e confirmada por sua assessoria.

Nas últimas semanas, a condenação por corrupção em segunda instância e virtual inelegibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recolocaram o nome do apresentador da Rede Globo no jogo. A análise de números de perfil do eleitor permitia antever que boa parte de quem vota no petista poderia ser abocanhada por Huck. Além disso, o fraco desempenho e os diversos problemas de largada na pré-campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) animou aliados do tucano a especular mais firmemente sobre o apoio a Huck.

CONSELHOS DE FHC – As conversas chegaram ao DEM, que depois fez questão de negar e defender candidatura própria, e ao PSD de Gilberto Kassab. Antes do Carnaval, ele havia feito uma nova rodada de conversas com seus conselheiros, em especial o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que é o mentor intelectual da hipótese Huck. FHC ponderou sobre as dificuldades da campanha, mas manteve o estímulo ao apresentador se lançar.

O ex-presidente foi duramente criticado por setores de seu partido que viram no apoio uma constatação de pouca viabilidade eleitoral do governador paulista, que ainda enfrentará prévias com o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio. Pressionado pela Rede Globo a se definir, já que a emissora teme a já corrente associação entre uma candidatura do apresentador e seu nome, Huck prometera dar uma resposta depois do feriado.

NA BALANÇA – Segundo interlocutores do apresentador, a Globo foi central para a tomada de decisão. No horizonte próximo de Huck está o espaço hoje ocupado aos domingos por Fausto Silva, o maior salário de TV aberta brasileiro. Além disso, uma eventual candidatura iria obrigar a mulher de Huck, a apresentadora Angélica, a também deixar de ter vínculos com a emissora.

Além da questão da perda de fontes de renda, pesou na decisão o óbvio escrutínio a que Huck seria submetido na campanha. No feriado, emergiu o fato de que ele usou uma linha do BNDES para comprar seu jatinho em 2013, caso em que não havia irregularidade formal apontada. O que deixava seus aliados mais preocupados, contudo, era a associação de Huck com o empresário Alexandre Accioly, amigo íntimo e ex-sócio dele em uma rede de academias. Accioly, muito próximo do senador Aécio Neves (PSDB-MG), já é investigado pela Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –  O possível término deste impasse sobre a candidatura de Huck surge com novidade para alguns . Porém, desde o ano passado, o jornalista Carlos Newton, nesta Tribuna, já apontava com exclusividade certeira o desfecho desta novela com o apresentador.  Em seus artigos, destacou, com antecedência, que “a candidatura de Huck tinha dois objetivos, que nada tinham a ver com a sucessão – ele queria se projetar na mídia e forçar a TV Globo a manter sua mulher no ar, porque a emissora decidiu acabar com o programa semanal `Estrelas´ e com o quadro `Video Game´ no diário`Vídeo Show´, ambos apresentados por Angélica. Huck se lançou candidato para pressionar a TV Globo, mas deu tudo errado. Perdeu prestígio com a cúpula da emissora, que ameaçou colocar Márcio Garcia no `Caldeirão´. Ele medrou e obedeceu. Não há possibilidade de continuar com a encenação.”. Luciano protelou a decisão além do permitido e por pouco não se queimou no próprio caldeirão diante suas sucessivas tentativas e indecisão. (M.C.)

Tribunal suspende depoimento que Lula daria no dia 20 na Operação Zelotes

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Lula e o filho Luís Cláudio foram intimados a depor

Gabriel Palma
TV Globo, Brasília

O desembargador Néviton Guedes, do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), atendeu a um pedido da defesa e suspendeu nesta quinta-feira (15) o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva previsto para o próximo dia 20 em Brasília. A defesa de Lula quer que todas as cerca de 80 testemunhas arroladas no processo sejam ouvidas antes de o ex-presidente prestar depoimento.

O juiz da 10ª Vara da Justiça Federal, Vallisney de Souza, determinou o cumprimento da suspensão. Não há nova data marcada para o interrogatório.

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA – Lula seria ouvido pela 10ª Vara no processo em que é réu por suposto tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa na compra de caças suecos pelo governo Dilma Rousseff. As suspeitas são investigadas no âmbito da Operação Zelotes.

Também são réus neste processo, e seriam ouvidos no mesmo dia, Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente, Mauro Marcondes e Cristina Mautoni.

ENTENDA O CASO – A denúncia do Ministério Público Federal que deu origem à ação penal aberta pela Justiça é resultado de investigações sobre a compra pelo governo federal de 36 caças suecos e sobre a aprovação, no Congresso, de uma medida provisória que envolveu incentivos fiscais a montadoras.

De acordo com o MPF, os crimes teriam sido praticados entre 2013 e 2015, quando Lula, como ex-presidente, teria participado de um esquema para beneficiar empresas junto ao governo Dilma.

Desde o início das investigações, a defesa de Lula nega as acusações. Diz que o ex-presidente “não teve qualquer atuação, sozinho ou com outros denunciados, no processo de escolha e compra desses caças pelo Brasil”. Em depoimentos prestados à Justiça de Brasília, o atual comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Nivaldo Luiz Rossatto, e o ex-comandante Juniti Saito também negaram a suposta influência por parte do ex-presidente.