Teses dos generais que apoiam Bolsonaro mostram influência da geopolítica

Generais

Em alta, Augusto Heleno, Oswaldo Ferreira e Aléssio Souto

Marcelo Godoy
Estadão

As monografias na Escola de Comando e Estado-Maior dos generais que acompanham Jair Bolsonaro mostram a influência da geopolítica na formação desses oficiais. Aléssio Ribeiro Souto estudou novas tecnologias que deviam ser desenvolvidas no País. Seu trabalho defende obrigar as empresa beneficiadas por medidas governamentais a investir em pesquisa científica. Pede a concessão de benefícios para que empresas possam “penetrar no mercado internacional” e a criação de centros integrados de empresas, universidades e governo. “É imperioso considerar Ciência e Tecnologia mais uma expressão do Poder Nacional”, escreveu.

Oswaldo de Jesus Ferreira dedicou-se a estudar a matriz energética da América Latina. Preocupado em aproveitar melhor os recursos hídricos e evitar “desflorestamentos”, ele defendeu em 1991 a necessidade de o País ampliar a exploração de petróleo em águas profundas. Augusto Heleno Ribeiro Pereira escreveu sobre a Guerra do Chaco, entre a Bolívia e o Paraguai, e a influência estrangeira no conflito.

RELAÇÕES DE PODER – Um ponto em comum une os trabalhos: a análise de como os processos políticos e as características geográficas influenciam as relações de poder entre as nações e a sociedade. São todos ligados à geopolítica pensada por generais como Carlos de Meira Matos e Golbery do Coutto e Silva.

Não é à toa que o general Aléssio concluía então que, entre as estratégias necessárias para desenvolver tecnologias de ponta no País, estava a de “mobilizar a vontade nacional”. Não dizia, em sua tese, como. Hoje o staff de Bolsonaro já sabe o jeito de fazer isso: por meio das redes sociais.

Datafolha: Bolsonaro tem 49% dos votos e Haddad aparece com 36%

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Marco Grillo
O Globo

A primeira pesquisa de intenção de votos divulgada após o início do segundo turno mostra que o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, tem 58% dos votos válidos, enquanto Fernando Haddad (PT) aparece com 42%. Na contagem dos votos totais, Bolsonaro tem 49%, enquanto Haddad tem 36%. Brancos e nulos somam 8%, e 6% não souberam responder. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Nos recortes regionais, o candidato do PSL vence no Sudeste (55% a 32%), no Sul (60% a 26%), Centro-Oeste (59% a 27%) e Norte (51% a 40%). Já no Nordeste, a vantagem é de Haddad: 52% a 32%. Os números levam em consideração os votos totais.

VOTO FEMININO – Entre as mulheres, há um empate técnico entre os dois candidatos: Bolsonaro tem 42%, enquanto Haddad aparece com 39%. Já no eleitorado masculino, o candidato do PSL tem ampla vantagem: 57% a 33%.

O Datafolha ouviu 3.235 entrevistados em 227 municípios nesta quarta-feira. O nível de confiança é de 95%, e o levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-00214/2018.

Haddad e Bolsonaro estão revendo rumos para respeitar a democracia

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Merval Pereira
O Globo

A recomposição dos projetos dos candidatos Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, provocada por uma entrevista do Jornal Nacional de segunda-feira, além da boa notícia de que os dois abandonaram publicamente projetos de cunho autoritário, reafirma o peso da opinião pública numa sociedade democrática.

A procura pelos dois candidatos de um eleitor que, no primeiro turno, recusou os extremos que representam, tem mais que o objetivo de obter novos votos. Mostra que entenderam que, mesmo em situações de conflito exacerbado, a sociedade busca caminhos democráticos para resolver suas questões.

CONSTITUINTE – Resta saber se os dois candidatos seguirão nesse caminho, não deixando dúvidas sobre seus compromissos com a democracia e a Constituição de 1988. O candidato petista havia anunciado, feito o acordo eleitoral com o PC do B, que o PT incluiu em seu programa de governo a convocação de uma Assembléia Constituinte exclusiva.

Quando aconteceram as manifestações de rua de 2013, acuada pelo vigor dos protestos, a então presidente Dilma foi à televisão anunciar, entre outras medidas que nunca saíram do discurso, como um pacto nacional pela responsabilidade fiscal, a convocação de um plebiscito para a realização de uma reforma política através de uma Constituinte exclusiva.

Não colocou em prática, por impossibilidade legal no caso da Constituinte, nenhum dos pactos, e acabou impedida de continuar na presidência justamente pela irresponsabilidade fiscal que patrocinou.

CASO DE CHÁVEZ – A convocação de uma Constituinte foi o primeiro passo do então recém-eleito Hugo Chávez, na Venezuela, para avançar sobre os demais poderes, ampliando a força do Executivo.

A “Constituição da República Bolivariana da Venezuela”, promulgada em 1999, primeiro dos 14 anos de governo de Chavez, é considerada o ponto de partida do chavismo.

Também o entorno do presidenciável Jair Bolsonaro andou fazendo propostas que não se coadunam com um ambiente democrático. O vice, General Mourão, sugeriu que uma nova Constituição poderia ser feita por um grupo de notáveis, sem precisar do voto popular, bastando ser referendada numa eleição posterior. Não existe tal possibilidade, e o mais parecido com isso foi a Comissão Arinos, formada por notáveis que propuseram ao Congresso um novo texto, como base para a nova Constituição a ser promulgada em 1988. Mesmo composta de “notáveis” e tendo suas vantagens, as propostas da Comissão foram solenemente ignoradas pelo presidente da Constituinte Ulysses Guimarães.

AUTOGOLPE – Também a referência à possibilidade de um autogolpe foi rejeitada por Bolsonaro, assim como Haddad rejeitou a afirmação do ex-ministro José Dirceu de que, vencida a eleição, o PT “tomaria o poder”. Mourão e Dirceu falavam da mesma coisa, de extremos opostos.

Os dois candidatos se curvaram à ordem constitucional e prometeram, diante da audiência do Jornal Nacional, a obedecerem a Constituição, que não permite que se use a democracia para atentar contra ela. A questão é saber o alcance e a seriedade desses compromissos.

O ex-presidente Lula fez a Carta aos Brasileiros em 2002 para garantir que manteria a política econômica então em vigor, e respeitaria o equilíbrio fiscal. Cumpriu a promessa durante seu primeiro mandato, mas, quando se sentiu forte, deu início à guinada em direção à “nova matriz econômica” de Guido Mantega que, aprofundada por Dilma, deu nessa enorme recessão de que ainda não nos livramos, com um déficit fiscal gigantesco.

CONTINUIDADE – O programa do PT é a continuidade da política econômica que nos levou onde estamos, e mais a reafirmação de controles sociais de diversos setores, até mesmo do Judiciário, passando pelos meios de comunicação, que sempre tentaram e não conseguiram, pela reação contrária da opinião pública.

Será preciso que Haddad, se não pode fazer a autocrítica necessária ao PT, abra mão desse dirigismo do Estado para que seu compromisso com a democracia possa ser levado a sério.

Também Jair Bolsonaro tem que desestimular seus seguidores, se não tem controle sobre eles como diz, a usar a violência para atingir seus objetivos de maior segurança pública e preservação dos valores conservadores. Esses objetivos não podem prescindir da proteção aos direitos humanos, e a maioria não pode submeter as minorias a suas convicções.  

Defesa diz que não há fato novo que justifique prisão de Marconi Perillo

Deu na Veja

A defesa de Marconi Perillo (PSDB) diz que não há fato novo que justifique sua prisão, determinada nesta terça-feira, 10, pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) – ele é investigado pela Polícia Federal na Operação Cash Delivery sob suspeita de recebimento de propina da Odebrecht em campanhas eleitorais.

Segundo seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, ele foi preso enquanto prestava depoimento. De acordo com ele, o “Tribunal Regional da Primeira Região já concedeu duas liminares para determinar a liberdade de duas outras pessoas presas nessa mesma operação” e que o decreto de prisão se assemelha a outro pedido de prisão já revogado. Alega, portanto, que “não há absolutamente nenhum fato novo que justifique o decreto”.

CONTEMPORANIEDADE– Em outro trecho, a defesa afirma que “uma prisão por fatos supostamente ocorridos em 2010 e 2014, na palavra isolada dos delatores, afronta pacífica jurisprudência do Supremo, que não admite prisão por fatos que não tenham contemporaneidade”. Acrescenta, ainda, que “esta nova prisão constitui uma forma de descumprimento indireto dos fundamentos das decisões de liberdade concedidas a outros investigados”.

Perillo renunciou ao cargo de governador do estado para concorrer ao Senado nas eleições deste domingo, 7. O tucano ficou em 5º lugar na disputa, com 7,55% dos votos válidos (416 613 votos). Os dois senadores eleitos foram Vanderlan (PP), com 31,35% dos votos válidos (1 729 637 votos), e o candidato do PRP, Jorge Kajuru, crítico do ex-governador, que teve 28,23% dos votos válidos (1 557 415 votos).

IMUNIDADE – Segundo a Lei 4.737, de 1965, o Código Eleitoral prevê a imunidade eleitoral, que garante ao candidato o direito ao pleno exercício da democracia, impedindo que ele seja afastado da disputa eleitoral por prisão ou detenção que possa ser posteriormente revista.

Por determinação, nenhuma prisão pode ser determinada 15 dias antes e até 2 dias depois das eleições.

 

Bolsonaro precisa afastar Paulo Guedes, para que ele prove sua inocência

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Paulo Guedes deu enormes prejuízos a fundos de pensão

Francisco Bendl

O eleitor de Jair Bolsonaro não pode agir como os petistas, que endeusavam seus parlamentares e membros do Executivo. Se o economista Paulo Guedes tem contra si processos que o colocam como corrupto, Bolsonaro deve imediatamente afastá-lo, sob pena de o PSL se transformar no PT da direita!

Precisa ser investigada a fundo a tal denúncia contra aquele que seria o ministro da Fazenda de Bolsonaro, pois o futuro presidente tem a obrigação de ter uma equipe acima de qualquer suspeita. A diferença de Bolsonaro para Lula e PT deve ser a famosa e decantada transparência, algo que jamais vimos por parte da quadrilha petista, que virou uma gigantesca organização criminosa.

DAS DUAS, UMA – Se Paulo Guedes não está envolvido, que então espere as investigações terminarem, para voltar com os louros da glória, porque inocente. Agora, se for culpado e Bolsonaro o afastou logo de início, palmas para o deputado, que evitará naturais e graves desgastes.

Bolsonaro não poderá jamais aceitar qualquer dúvida sobre seu staff que traga à lembrança os 33 anos de corrupção, roubos e explorações que padecemos, e que foi a razão principal da sua eleição, a honestidade!

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Perfeito o raciocínio de Francisco Bendl. O futuro presidente tem de agir como Itamar Franco, que afastou Henrique Hargreaves, seu chefe da Casa Civil e amigo de infância. Houve a investigação, Hargreaves foi inocentado e Itamar mandou colocar um tapete vermelho para recebê-lo de volta no Planalto. Quanto a Guedes, as provas contra ele são abundantes. Bolsonaro precisa aproveitar e se livrar deste intruso. (C.N.)

Ministério de Bolsonaro terá ‘quatro ou cinco’ generais, anuncia Bebianno

O presidente do PSL, Gustavo Bebianno Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo

Bebianno critica o Centrão, que deu apoio a Alckmin

Jussara Soares e Marco Grillo
O Globo

Um dos principais conselheiros de Jair Bolsonaro , o presidente do PSL , Gustavo Bebianno , afirmou que o presidenciável terá “quatro ou cinco” generais nos 15 ministérios que vão compor a estrutura de seu governo em caso de vitória no segundo turno. Bebianno recebeu O Globo na casa do empresário Paulo Marinho, eleito suplente de senador na chapa de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). O local, na Zona Sul do Rio, se transformou em ponto de encontro de integrantes da campanha e em estúdio de gravação dos programas para o horário eleitoral da televisão. Bebianno conta ainda que Bolsonaro não deve participar de atos de campanha de candidatos a governador que estão disputando o segundo turno e insiste em pôr em dúvida a confiabilidade das urnas eletrônicas, garantida pelo TSE.

Qual é a estratégia no segundo turno?
Do outro lado, temos uma quadrilha criminosa que assaltou o Brasil. Vamos lembrar a população brasileira quem é o PT e os riscos que o partido impõe à democracia. O Jair Bolsonaro está há 30 anos na vida pública sendo eleito da forma correta. Ele prova mais uma vez agora seu potencial dentro do universo democrático. Em momento algum, ele acenou com qualquer tipo de ruptura futura.

Quando o general Mourão cita a possibilidade de autogolpe, não é uma ruptura?
Fazendo um exercício mental, o general Mourão desenvolveu uma tese analisando o caos a que o Brasil chegou. Falando em tese, ele foi infeliz, porque foi mal interpretado. Em momento algum, isso foi cogitado.

Como vão negociar os apoios?
Todo apoio será feito de forma suprapartidária, com quem tenhamos um mínimo de afinidade ideológica.

Que apoios já vieram?
Temos recebido diversos acenos, como do João Doria, que declarou que apoiará Jair Bolsonaro. Todo apoio é bem-vindo. Agora é o Brasil contra o PT. É o verde e amarelo contra o vermelho. É o vermelho da corrupção, do aparelhamento do Estado, da ineficiência, do desfazimento da família brasileira. Do outro lado, o verde e amarelo, as nossas riquezas, um país livre como sempre foi.

Vão dobrar a aposta no antipetismo? Na televisão, redes sociais e discursos?
Triplicar a aposta, com tudo junto. Teremos igualdade de tempo de TV.

O Bolsonaro vai subir em algum palanque pelos estados?
Acredito que não, até por conta do próprio estado físico. Nossa recomendação, por questões de segurança e saúde, é que ele se exponha o mínimo possível. Ele sofreu um atentado político e ouso dizer que haverá outros.

É um receio ou há ameaça concreta?
Até um tempo atrás, era receio. Antes da facada, alguns alertas e informes chegavam. Agora existem outras ameaças e informes. Nossa atenção é máxima.

Com essa preocupação, qual é a chance de ele ir às ruas no segundo turno?
Se depender dele, amanhã já está nas ruas. O Jair é a pessoa mais corajosa com quem eu já tive a oportunidade de conviver. É um homem que não foge de colocar em risco a própria vida.

Além do Paulo Guedes na Fazenda, que outros nomes estão certos nos ministérios?
O (deputado) Onyx (Lorenzoni) será o chefe da Casa Civil. Um general para a Defesa, possivelmente o general (Augusto) Heleno ou quem ele indicar. Estamos falando de um general também para a infraestrutura.

Ele falou em 15 ministérios. Quantos generais?
A escolha não é por ser ou não das Forças Armadas, mas pela competência e desenvoltura que o capitão imagina que a pessoa vá ter. Pelo desenho de hoje, são uns quatro ou cinco (generais).

Com um presidente capitão e vários generais, quanto o eventual governo será militar e quanto será civil?
Será, acima de tudo, um governo democrático, comprometido com a Constituição, as instituições e o equilíbrio de forças.

Vão procurar o Alckmin?
Não vamos procurar ninguém. Até por que o Geraldo Alckmin vendeu a própria alma. Ele sentou-se com o que há de pior na política. O PR nos procurou insistentemente. O PR é constituído de animais políticos muito experientes, que já tinham enxergado o fenômeno que ia acontecer. Ofereceram fundo partidário, tempo de TV, mas o Jair queria o Magno Malta como vice. Quando ele (Malta) decidiu que não viria mais, o Valdemar (Costa Neto) sentou conosco e abriu uma listinha para dizer o que queria. O Jair sorriu, apertou a mão dele e disse: “Não temos o que conversar.” Ele (Valdemar) ficou possesso.

E se o Alckmin ligar?
Aí vamos conversar. A última palavra é sempre do Jair.

O PSL pôs em dúvida o resultado da eleição presidencial, mas nunca teve um desempenho eleitoral tão expressivo. Não é incoerente questionar só um resultado?
Não tem incoerência nenhuma. Essa avalanche de votos poderia ter ido um pouco mais além. Esse é um ponto de interrogação. O Brasil não pode continuar com este tipo de dúvida por parte de ninguém. O processo eleitoral precisa ter a garantia de transparência e ser passível de checagem.

Mas são vocês que colocam em dúvida.
Há denúncias que foram feitas com registro de ocorrência, houve vários casos em que a polícia foi chamada. Estamos compilando todas as informações e, evidentemente, aquilo que parecer bobagem, vamos deixar de lado.

Um eleitor do PT foi assassinado em Salvador em uma discussão política. Vão se posicionar?
É muito triste a situação do Brasil, que vive esse tipo de clima. Mas quem vem colocando gasolina no incêndio? É o PT. A vida humana é o bem mais precioso que podemos ter. É um absurdo esse tipo de fato, da mesma forma que Jair Bolsonaro foi vítima de um atentado politico e à democracia. Lamentamos essa vítima (de Salvador), como lamentamos os mais de 60 mil homicídios que todo ano há no Brasil.

Bolsonaro imita Collor e diz que vai caçar “os marajás” do serviço público

‘Vamos acabar com a farra dos marajás’, diz Bolsonaro Foto: Domingos Peixoto/ Agência O GLOBO

Bolsonaro quer acelerar a reforma da Previdência

Jussara Soares

O candidato a presidente do PSL, Jair Bolsonaro, retomou, nesta terça-feira, o mote de Fernando Collor na campanha pela disputa pelo Planalto em 1989 e prometeu “acabar com a farra dos marajás”. A declaração do capitão do Exército refere-se a sua proposta de eliminar a incorporação de salários de cargos comissionados para o funcionalismo público. Essa seria uma das medidas para uma reforma da Previdência a ser apresentada por um eventual governo.

— Tem muitos locais no Brasil que o servidor público tem um salário x e tem um cargo em comissão. Depois de oito a dez anos, ele incorpora o salário. E depois de oito ou dez, ele incorpora de novo. Vamos acabar com essa farra de marajás — disse o presidenciável, sem detalhar a proposta.

PREVIDÊNCIA – Bolsonaro afirmou que, se for eleito, vai procurar a equipe do governo Michel Temer responsável pela Reforma da Previdência para apresentar a sua proposta. Segundo ele, o ato seria “um grande passo.”

— Não podemos é passar para o ano que vem sem fazer a reforma da Previdência — disse Bolsonaro, afirmando que vai apresentar uma proposta que tenha aceitação do parlamento.  — A proposta do Temer como está, se bem que ela mudou dia após dia, dificilmente será aprovada — disse.

Bolsonaro conversou com a imprensa por cerca de dez minutos no final da tarde desta terça-feira, após passar o dia gravando programas para o horário eleitoral que se inicia na próxima sexta-feira.

ATOS VIOLENTOS – O capitão do Exército comentou também sobre atos de violência que estão sendo cometidos por apoiadores de sua candidatura e disse que “não tem como controlar” a sua militância. Na segunda-feira, um mestre de capoeira baiano, após declarar voto no PT, foi atacado com 12 facadas em Salvador, na Bahia, por um homem que vestia uma camiseta de Bolsonaro. Questionado sobre como vê esses atos, o candidato respondeu: “o que tenho com isso?”

— Essa pergunta não tem que ser invertida? Quem levou a facada fui eu. Agora um cara com uma camisa minha comete lá um excesso, o que eu tenho com isso? Peço ao pessoal que não pratique isso, mas não tenho controle. São milhões e milhões de pessoas que me apoiam. A violência vem do outro lado, a intolerância vem do outro lado. Eu sou a prova, graças a Deus, viva disso daí — disse o candidato. Para ele, esses são episódios isolados: —  (O clima) não está tão bélico assim não. Está um clima acirrado, está havendo uma disputa, mas são casos isolados.

PLANO DE GOVERNO – Questionado se usará o segundo turno para detalhar o seu plano de governo, Bolsonaro disse que não tem por que fazer isso na disputa com Fernando Haddad (PT).

— (O plano) já está esclarecido. Entre mim e Haddad não tem que falar em plano de governo. Primeiro que ele é um fantoche, toda decisão que ele tem que tomar tem que ir para Curitiba conversar com o presidiário —  atacou Bolsonaro.

O capitão do exército citou um vídeo em que Haddad teria dito que subiria a rampa do Palácio do Planalto com Lula. O vídeo que circula nas redes sociais é falso.

PRESIDIÁRIO – “Como é que fica o Brasil perante o mundo elegendo o cara que pede benção para presidiário, que tem uma infinidade de processos contra ele. Imagine os derrotados do PT ocupando ministérios. Quem vai ser o ministro da Defesa? O João Pedro Stédile? Quem vai ser o chefe da Casa Civil? José Dirceu? Será que nós queremos isso para o Brasil?

O candidato do PSL, que terminou a votação do primeiro turno com 46,03% dos votos, já teria sido procurado por dois presidenciáveis. Ele, no entanto, não divulgou os nomes. O DEM também já estaria em negociação para apoiá-lo. O DEM é o partido do deputado federal Onyx Lorenzoni, responsável pela articulação política de Bolsonaro. Nesta quinta-feira, a campanha prepara uma reunião com parlamentares de diversos partidos para oficializar apoios para o segundo turno.

Wagner, do PT, quer formar “frente democrática” com Ciro, Marina e FHC

Givaldo Barbosa

Wagner está em São Paulo para articular a “frente”

Bernardo Mello Franco
O Globo

Jaques Wagner era o preferido de Lula para concorrer ao Planalto. Recusou a tarefa, elegeu-se senador pela Bahia e agora desembarcou em São Paulo para ajudar Fernando Haddad. O ex-ministro tenta costurar uma “frente democrática” contra o bolsonarismo. Quer unir Ciro Gomes, Marina Silva e Fernando Henrique Cardoso no palanque do PT. “Temos que procurar todos os que estão na política e têm responsabilidade com o país”, diz.

Wagner faz elogios a FHC, que já descartou a hipótese de apoiar o capitão. “A construção do país é tijolo por tijolo, ninguém faz nada sozinho. O Fernando deu uma bela contribuição ao Brasil. Nós aprendemos a responsabilidade fiscal com ele”, afaga. “É uma coincidência negativa da História que, em vez de ficarem juntos, PT e PSDB tenham polarizado um com o outro. Foram as melhores forças que surgiram no período democrático”.

NOVO DISCURSO – Para ampliar a aliança, o ex-ministro defende uma guinada no discurso do PT. Pede que o partido adote tom mais conciliador e reconheça erros do passado. “Acho que nunca é demais a gente fazer autocrítica”, diz. Ele considera que o candidato agora deve ser menos Lula e mais Haddad.

“Não precisamos inventar a roda. No primeiro turno, ficou claro que o Haddad era o candidato do Lula. Agora temos que mostrar quem ele é: um professor bem formado, que já foi prefeito de São Paulo e recebeu prêmios de boa gestão”, sustenta.

VERDE E AMARELO – Wagner também defende o uso do verde e amarelo na campanha, no lugar do vermelho do PT: “A bandeira do Brasil é de todos nós. A gente não pode entregar graciosamente para eles o que é um símbolo do país”.

O senador eleito diz acreditar numa virada. “Não acho que seja uma missão impossível. Tem cada vez mais gente incomodada com o discurso da truculência. Segundo turno não é escolha, é o menos ruim. Não dá para comparar o Bolsonaro com o Haddad”, argumenta.

Ele acusa o capitão de investir no discurso de ódio e na disseminação de “baixarias”. “O Bolsonaro é um cara inteligente, mas usa sua inteligência para o mal. Ele acaba liderando monstros que não tinham coragem de externar o preconceito”, critica. “Eu, que sou judeu, posso falar isso. As coisas começam assim”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSonhar ainda não é proibido, mas tudo tem limites. A iniciativa de Jaques Wagner foi manchete da primeira página de O Globo, mas deve ser mais uma Piada do Ano. (C.N.) 

Decepção! Guedes, o guru de Bolsonaro, é um pilantra da melhor qualidade

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Paulo Guedes deu grandes golpes nos fundos de pensão

Fábio Fabrini
Folha

O MPF (Ministério Público Federal) em Brasília investiga o economista Paulo Guedes, guru de Jair Bolsonaro (PSL), sob suspeita de se associar a executivos ligados ao PT e ao MDB para praticar fraudes em negócios com fundos de pensão de estatais. Em seis anos, ele captou ao menos R$ 1 bilhão dessas entidades. Guedes é o escolhido para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual governo Bolsonaro. Um procedimento investigativo criminal, instaurado no dia 2, apura se o economista cometeu diversos crimes, inclusive gestão fraudulenta  Ele é investigado por suposta emissão e negociação de títulos sem lastros ou garantias ao negociar, obter e investir recursos de sete fundos.

Entre as entidades estão Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Funcef (Caixa) e Postalis (Correios), além do BNDESPar —braço de investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

PT E MDB – As transações foram feitas a partir de 2009 com executivos indicados pelos dois partidos adversários da chapa Bolsonaro, os quais são investigados atualmente por desvio de recursos dos fundos. Procurado, Guedes não respondeu à reportagem.

Para o MPF, há “relevantes indícios de que, entre fevereiro de 2009 e junho de 2013, diretores/gestores dos fundos de pensão e da sociedade por ações BNDESPar” se consorciaram “com o empresário Paulo Roberto Nunes Guedes, controlador do Grupo HSM”.

A intenção seria a de cometer “crimes de gestão fraudulenta ou temerária de instituições financeiras e emissão e negociação de títulos imobiliários sem lastros ou garantias”. Na época, a Previ era gerida por Sérgio Rosa, e o Petros, por Wagner Pinheiro —militantes históricos do PT, ligados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba e condenado pelo caso do tríplex. Já o Postalis estava sob o comando de Alexei Predtechensky, cujos padrinhos políticos eram do MDB.

OPERAÇÃO DA PF – A apuração foi instaurada pela força-tarefa da Operação Greenfield, que mira esquemas de pagamento de propina em fundos de pensão, com base em relatórios da Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar).

Conforme os documentos, obtidos pela Folha, a BR Educacional Gestora de Ativos, de Guedes, lançou em 2009 dois fundos de investimento que receberam, em seis anos, R$ 1 bilhão das entidades de previdência de estatais.

Um deles, o Fundo de Investimento em Participações (FIP) BR Educacional, obteve R$ 400 milhões entre 2009 e 2013 para projetos educacionais. A suspeita é que o negócio tenha sido aprovado sem análise adequada e gerado ganhos excessivos ao economista.

ALTO LUCRO – A gestora de ativos de Guedes recebeu na largada 1,75% sobre o valor total subscrito (o compromisso de investimento), e não sobre a cifra efetivamente aportada. Isso gerou, de imediato, despesas altas, de R$ 6,6 milhões, em seu favor.

No primeiro ano de aporte, o dinheiro aplicado pelos fundos de pensão (cerca de R$ 62 milhões) foi injetado em uma única empresa, a HSM Educacional S.A., que tinha Guedes como controlador. “Tanto a gestora do FIP quanto a empresa investida possuem em comum a participação de um mesmo sócio, a saber, Paulo Guedes”, pontua relatório da Previc.

Na sequência, a HSM Educacional adquiriu de um grupo argentino 100% de participação em outra companhia, a HSM do Brasil, cujas ações não eram negociadas em Bolsa e, por isso, foram precificadas por um laudo. Nessa operação, foram pagos R$ 16,5 milhões de ágio pelas ações, embora a empresa não estivesse em operação no país e fosse apenas uma marca.

SEDE NA ARGENTINA – “Cabe indagar o pagamento em montante considerável à empresa vendedora, com sede na Argentina”, diz a Previc.

O objetivo do empreendimento era obter lucros com projetos educacionais, entre eles a realização de eventos para estudantes e executivos, com palestrantes de grife. As empresas, porém, passaram a registrar prejuízos repetitivos após a injeção dos recursos dos fundos de pensão.

No caso da HSM Brasil, um dos itens que mais impactaram os resultados foi a remuneração de palestrantes, segundo a Previc. Em 2011 e 2012, esses gastos somaram R$ 11,9 milhões. Guedes rodava o país na época a palestrar em conferências promovidas pela HSM.

RASTO DO DINHEIRO – Os investigadores querem rastrear o dinheiro das palestras e saber quem o recebeu. As despesas com pessoal somaram outros R$ 23,1 milhões e estão na mira do MPF.

O fundo de investimentos manteve participação nas empresas até março de 2013, quando trocou as ações por fatia na Gaec Educação. Nessa operação, segundo a Previc, foi pago ágio de 1.118% pelas ações da Gaec. O órgão conclui que “o resultado líquido do investimento do FIP foi negativo em R$ 16 milhões [no projeto da HSM]”.

Na portaria que instaura a investigação, a Procuradoria requer à Polícia Federal que abra inquérito sobre o caso. Pede ainda apurações na CGU (Controladoria-Geral da União), no TCU (Tribunal de Contas da União) e na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

DEZ DIAS – O MPF fixou prazo de dez dias para que os fundos de pensão apresentem cópias dos documentos que embasaram o investimento do FIP BR Educacional. Além disso, o órgão determinou que eles apurem responsabilidades de gestores que deram causa aos aportes e a eventuais prejuízos.

Guedes não atendeu aos telefonemas da Folha nem respondeu a uma mensagem enviada pelo WhatsApp. A reportagem entrou em contato com sua secretária e lhe enviou um email com questionamentos às 16h14. Até a noite de terça-feira (9), não havia recebido resposta.

Rosa disse que saiu da Previ em 2010 e não se recorda de detalhes de investimentos específicos. Pinheiro, ex-Petros, e Alexej Predtechensky, ex-Postalis, não foram localizados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Uma coisa é certa: o candidato Jair Bolsonaro precisa se livrar de Paulo Guedes o mais rápida possível. A investigação da força tarefa – PF,  Ministério Público Federal e Receita – mostra que Guedes é um pilantra da melhor qualidade e merece ir fazer companhia a Lula. (C.N.)

Base aliada de Bolsonaro terá mais de 300 parlamentares, diz Lorenzoni

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Lorenzoni, o coordenador, é da bancada ruralista

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), um dos coordenadores da campanha de Jair Bolsonaro (PSL), está otimista em relação à base aliada que um possível governo do capitão reformado poderá ter no Congresso. Segundo ele, o candidato do PSL teria uma base superior a 300 deputados, caso seja eleito. Em julho, Onyx afirmou que Bolsonaro teria uma base de 112 parlamentares, de diversos partidos de centro e direita, incluindo DEM, PSDB e MDB. Agora, ele afirma que essa base mais que duplicou para cerca de 350 com a formalização do apoio das bancadas evangélica, rural e da segurança.

Ele acredita que essa proporção deva se manter na próxima legislatura, principalmente devido à eleição dos 52 deputados do PSL. “A conta está sendo feita. Estou indo na quinta-feira para o Rio de Janeiro para fazer a projeção dos novos”, disse.

CASA CIVIL? – O deputado gaúcho, da bancada ruralista, é um dos parlamentares cotados a assumir posições de destaque em um eventual governo de Bolsonaro, podendo ficar com a chefia da Casa Civil.

“Eu vou cumprir o papel que o presidente me der. Se ele me disser vá lá para Câmara, é o que eu vou ser”, disse.

“A luta política deixa mágoas profundas” (mas que poderiam ser evitadas)

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Antonio Rocha

Certa feita ouvi ou li o título acima e gravei. Desde então tenho acompanhado a assertiva e verifico, com tristeza, ser ela cada vez mais atual. Tenho 66 anos e constato que a atual eleição ganha disparada em matéria de intolerância partidária, ideológica e afins.

Noto que o Brasil está ficando dividido. Se antes a divisão era econômica, cultural, agora também é em outras áreas: laboral, educacional, familiar, religiosa e outras mais.

RADICALIZAÇÃO -Sou professor do Estado, na Baixada Fluminense e “acompanho” mais ou menos algumas famílias de colegas, alunos, funcionários e nunca presenciei, até então, o nível de raiva, discórdia e similares que vejo atualmente.

O mesmo presencio entre parentes e amigos virtuais em outros estados, nas chamadas redes sociais. Pessoas pedindo para serem cortadas/apagadas das listagens porque discordam da posição política do candidato que o outro defende.

Com frequência leio aqui na TI comentários dando a entender que todos ou quase todos os professores seguem o credo de Paulo Freire e são marxistas partidários. Não é verdade. O que esta eleição tem revelado é que os professores pensam muito diferentes entre si. Não há uma unanimidade ideológica/pedagógica.

SISTEMA WALDORF -De minha parte, esclareço que tenho simpatia pela Pedagogia Antroposófica, o sistema filosófico alemão de Rudolf Steiner chamado Waldorf. Com ingredientes do métodos inglês Summerhill e o português Escola da Ponte. As três aproximam-se da Pedagogia Zen-Budista.

Vou ilustrar o que escrevi o título. Uma determinada família da chamada classe média, na Baixada Fluminense, chegou às raias do radicalismo. O casal de idosos vota em Bolsonaro. A filha, o marido dela e a neta votam no PT. As provocações no Facebook foram tantas que mudaram de Estado (outros motivos contribuíram para a separação); bolsonaristas para um lado e lulistas para o outro. Não querem se ver, nem saber das respectivas caras.

TUDO PASSA – Budisticamente, eu então lembro que tudo passa, que tudo é impermanente, que tudo é ilusório. Mas pelo visto, a distância entre eles vai continuar, por causa da “mágoa” acima descrita. E sabemos que todos estes estados e estágios negativos fazem muito mal à saúde dos envolvidos.

Citei apenas um caso, mas conheço outros. Parece que é um carma negativo brabo do Brasil. Não estou defendendo nenhum dos dois lados da polêmica, mas sendo um seguidor da Filosofia Budista concordo com o Mestre Buda de que a razão, o equilíbrio, o discernimento está no meio, no centro. E as partes beligerantes devem sentar à mesa e conversar educadamente, sem paixões, assim a Nação ganha, caso contrário, todos perdemos.

“Quem sabe isso quer dizer amor?”, perguntava o poeta Márcio Borges

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Os sonhos não envelhecem, diz Márcio Borges

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O escritor, diretor do Museu do Clube da Esquina, poeta e letrista mineiro Márcio Hilton Fragoso Borges é, sem dúvida, um dos melhores letristas do nosso cancioneiro popular, criador da expressão “os sonhos não envelhecem”.

Na belíssima letra de “Quem Sabe Isto Quer Dizer Amor”, Márcio Borges tentar explicar como, através de atos e sentimentos, é possível amar e se sentir amado. “Falar da cor dos temporais, de céu azul, das flores de abril. Pensar além do bem e do mal, lembrar de coisas que ninguém viu” são coisas que só fazemos quando sentimos amor.

Entretanto, alguns professores de literatura acrescentam que a letra também se refere a todas as oportunidades que devemos buscar para que possamos ser felizes, ou seja, tornar nossos sonhos reais só depende unicamente de cada pessoa que, inclusive, pode transformar ”o ribeirão em braço de mar”, cujo significado é o estreitamento da relação, um conhecimento mais profundo do indivíduo: sua alma. A música foi gravada por Milton Nascimento no CD Pietá, em 2002, pela Warner.

QUEM SABE ISSO QUER DIZER AMOR
Lô Borges e Márcio Borges

Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo à frente do sol
Abrir a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira

Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois
Sinais de bem, desejos de cais
Pequenos fragmentos de luz

Falar da cor dos temporais
de céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem e do mal
Lembrar das coisas que ninguém viu
O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor
Estrada de fazer o sonho acontecer

Pensei no tempo e era tempo demais
Você olhou sorrindo pra mim
Me acenou um beijo de paz
Virou minha cabeça

Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar
Você vai ter que encontrar aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração bater mais forte só por você

O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor
Estrada de fazer o sonho acontecer

Falta apoio a Haddad para fortalecer a candidatura e enfrentar Bolsonaro

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Haddad já está sentindo o tamanho de seu problema

Carlos Newton

Ganhar apoio do PSOL, do PSTU e de outros nanicos de esquerda pouco significa para Fernando Haddad no segundo turno. Os partidos mais importantes para fortalecer a candidatura do PT são o PDT de Ciro Gomes e o PSB de Márcio França, que tenta se reeleger governador de São Paulo enfrentando o favoritismo do tucano João Doria. Mas o primeiro a tirar o corpo fora foi o PDT, que somente oficializa sua posição nesta quarta-feira, dia 10, mas Ciro Gomes e o presidente nacional Carlos Lupi já anunciaram que o apoio será crítico e sem empenho. Ou seja, os pedetistas não sairão às ruas para defender Haddad, o PT e Lula.

O PSB tomou caminho idêntico. A Comissão Executiva Nacional decidiu nesta terça-feira, dia 9, que o partido apoiará Haddad no segundo turno, mas os diretórios do Distrito Federal e de São Paulo estão liberados para se posicionarem de forma independente.

CONDIÇÃO – Ao anunciar a decisão, o presidente nacional Carlos Siqueira afirmou que o PSB cobrará de Haddad uma postura democrática e a formação de uma frente envolvendo, além de partidos políticos, instituições da sociedade civil.

“No momento difícil que vive o País, queremos que a candidatura se transforme em uma frente democrática. Não estamos apoiando o candidato do PT, mas sim quem vai liderar essa frente para defender a democracia”, ressalvou Siqueira, acrescentando que o PSB deverá ainda entregar a Haddad um documento com pautas programáticas.

Cheio de dedos, o dirigente do PSB chegou a dizer que o PT não pediu apoio formalmente. “Estamos nos posicionando porque é a obrigação de um partido que tem vida republicana”, explicou.

DESÂNIMO PRECOCE – As decisões do PSB e do PDT desanimaram ainda mais a cúpula petista. O apoio concreto desses partidos era considerado pelo PT como fundamental para impulsionar a candidatura de Haddad no segundo turno, dando uma demonstração de forças contra o adversário Jair Bolsonaro.

Haddad também esperava um apoio formal do governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que disputa a reeleição no segundo turno. Mas o candidato anunciou que prefere manter a neutralidade.

Em tradução simultânea, já se pode dizer que Jair Bolsonaro e o vice Hamilton Mourão podem chamar o alfaiate para fazer o terno da posse, no dia 1º de janeiro.

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P.S.
Este ano, 1º de janeiro cai numa terça-feira, depois de um feriado prolongado de três dias. O país vai acordar diferente, ainda em ritmo de festa, mas o dia seguinte será uma espécie de quarta-feira de cinzas, porque as pessoas vão perceber que tudo continua como antes. Se realmente quiser mudar as coisas, o governo Bolsonaro vai ter de se virar, enquanto
la nave va, sempre fellinianamente.  (C.N.)

Um forte sentimento de renovação irrompeu das urnas em 7 de outubro

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Charge do Adão (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Foi exatamente isso que ocorreu nas eleições de domingo, bastando dizer que a taxa de renovação na Câmara Federal alcançou 52%, um recorde na política brasileira. Tradicionalmente, esse índice oscilava em torno de 35%. Mas agora subiu, apesar dos recursos do Fundo Partidário terem sido distribuídos por aqueles que comandam as legendas. Isso significa a força do vento renovador. Sobretudo porque, não podendo competir com os caciques, os estreantes não tinham como aplicar muito dinheiro nas suas campanhas.

A propósito, foi a campanha de menor custo de todos os tempos, pois os candidatos trocaram as ruas e os redutos de votos pelas redes sociais.

RECORDE – O número de mensagens divulgadas pelas redes sociais por parte dos principais candidatos superou um total de 50 milhões de postagens. Bolsonaro bateu o recorde com 28 milhões de mensagens. Fernando Haddad, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles e Marina Silva produziram, cada um, postagens em torno de 5 milhões de textos e imagens.

Enquanto se aguarda o segundo turno, destacam-se os problemas que surgiram das pesquisas eleitorais, realizadas tanto pelo Ibope quanto pelo Datafolha e outros institutos. O que terá acontecido? As arrancadas nos dois últimos dias das eleições traduzem bem o sentido que escapou aos institutos.

Exemplos não faltam. O mais significativo refere-se a disputa no Rio de Janeiro. Pois os levantamentos apontavam um destaque para Eduardo Paes e Romário, enquanto Wilson Witzel (PSC) aparecia distante dos dois que dividiam o favoritismo. Mas o fato é que o ex-juíz passou de passagem para o primeiro posto, ultrapassando Eduardo Paes por larga margem. Romário conseguiu obter uma parcela mínima de votos.

RENOVAÇÃO – A matéria sobre a renovação da Câmara Federal, Valor de ontem, é de autoria de Raphael di Cunto. A que trata da impressionante chegada de Witzel, na Folha de São Paulo, é de Ítalo Nogueira.

O Ibope, o Datafolha e os outros institutos devem explicações à opinião pública. Principalmente quanto às modificações que se verificaram 48 horas antes das urnas.

O sistema político pós-regime militar morreu. E agora, o que vai acontecer?

Eleitora caminha sobre panfletos na Rocinha

Foto de Custodio Coimbra, de O Globo

Bernardo Mello Franco
O Globo

Nada será como antes. O furacão eleitoral levou o telhado e as paredes da casa que abrigava a política brasileira há três décadas. “O sistema partidário que nós conhecíamos morreu no aniversário de 30 anos da Constituição”, resume o cientista político Jairo Nicolau. Ele é um dos estudiosos que tentam entender as mudanças decretadas pela urna.

O eleitor resolveu apressar a morte do doente. Despejou o presidente do Senado, desempregou o líder de todos os governos e humilhou oligarquias que não desgrudavam do poder, como o clã Sarney. No Rio, deu uma surra nos filhos de Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Jorge Picciani e Roberto Jefferson. E um ex-juiz desconhecido até a semana passada virou favorito para conquistar o governo do estado.

RETROCESSO – Ao mesmo tempo, a eleição premiou o ultraconservadorismo, o discurso truculento e o fundamentalismo religioso. A bancada da bala engordou e promete ficar mais estridente. No Rio, o campeão de votos para a Câmara foi um subtenente do Exército que tomou emprestado o sobrenome Bolsonaro. Há dois anos, ele tentou se eleger vereador em Nova Iguaçu. Teve míseros 480 votos. Agora recebeu mais de 345 mil na garupa do capitão.

“Uma taxa de renovação alta não garante um Congresso melhor”, lembra o professor Jairo Nicolau. Ele também prevê dificuldades para a formação de maioria, seja quem for o presidente eleito. A Câmara já estava dividida entre 25 partidos. Agora terá 30, uma fragmentação sem paralelo no mundo.

EXAUSTÃO – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cujo partido sofreu um tombo histórico, concorda com o diagnóstico. “O sistema que nós montamos em 1988 está se exaurindo. Não sabemos ainda para que lado vai”, diz o tucano, que prevê “tempos de agitação” pela frente.

“A mudança na sociedade é muito rápida, e as instituições não correspondem mais às demandas das pessoas. Estamos virando uma página. O PSDB faz parte desta página. O que vai acontecer, eu não sei”, admite FH.

PSB decide apoiar Haddad, mas exige uma postura mais democrática

Siqueira explica que o apoio do PSB é condicional

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

Os integrantes da Executiva Nacional do PSB decidiram nesta terça-feira, 9, que a sigla apoiará oficialmente Fernando Haddad, do PT, no segundo turno da eleição presidencial. Os diretórios do Distrito Federal e de São Paulo, no entanto, foram liberados para se posicionarem de forma independente.

Ao anunciar a decisão, o presidente da sigla, Carlos Siqueira, afirmou, no entanto, que o partido cobrará de Haddad a formação de uma frente democrática envolvendo, além de partidos políticos, atores da sociedade civil.

FRENTE DEMOCRÁTICA – “No momento difícil que vive o País, queremos que a candidatura se transforme em uma frente democrática. Não estamos apoiando o candidato do PT, mas sim quem vai liderar essa frente para defender a democracia”, afirmou Siqueira.

O partido deverá ainda entregar a Haddad um documento com pautas programáticas. De acordo com o presidente do partido, o PT não pediu apoio formalmente. “Estamos nos posicionando porque é a obrigação de um partido que tem vida republicana”, disse.

O apoio do PSB era considerado pelo PT como fundamental para impulsionar a candidatura do partido no segundo turno e angariar forças contra o adversário, Jair Bolsonaro (PSL).

RECOMPOSIÇÃO – Na manhã desta terça, Haddad havia dito que é preciso fazer uma “recomposição de campo”. O ex-prefeito de São Paulo lembrou também do apoio do PDT e do PSOL e ressaltou que, neste momento, ninguém está discutindo a definição de cargos em um eventual governo.

Haddad, no entanto, também espera um apoio formal do governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que disputa a reeleição no segundo turno. O candidato afirmou que prefere manter a neutralidade.

A cúpula do partido acatou a vontade de França e do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, que também disputa a reeleição no segundo turno. Os dois estão em Estados onde Bolsonaro tem amplo apoio e uma declaração pública a favor de Haddad poderia prejudicá-los.

EXCEÇÕES – “Decidimos que São Paulo e o DF poderão examinar suas coligações e definir qual posição irão querer adotar. Temos confiança absoluta neles e eles precisam ter liberdade para conduzir suas candidaturas”, afirmou Siqueira.

Questionado sobre se um dos dois candidatos poderia acabar apoiando Bolsonaro, Siqueira repetiu que confia em seus correligionários. O PSB também disputa eleições regionais no Amapá, com João Capiberibe, e em Sergipe, com Valadares Filho.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG O apoio do PSB é do tipo “meia-bomba” e não vai adiantar nada. Depois voltaremos ao assunto. (C.N.) 

PSDB expulsa Alberto Goldman e Saulo de Castro por ‘infidelidade partidária’

Alberto Goldman

Alberto Goldman riu ao saber que tinha sido expulso

Deu em O Tempo
(estadão conteúdo)

Em meio a uma profunda crise interna, agravada pelo resultado do primeiro turno das eleições, o diretório municipal do PSDB em São Paulo decidiu nesta segunda-feira, 8, expulsar sumariamente do partido o ex-governador Alberto Goldman, o secretário estadual de Governo, Saulo de Castro, e outros 15 filiados por “infidelidade partidária” nas campanhas de João Doria ao governo paulista e de Geraldo Alckmin a presidente. Cabe recurso ao diretório estadual.

Por unanimidade, 12 membros da executiva municipal tucana, controlada por aliados de Doria, entenderam que Goldman e Saulo de Castro traíram o ex-prefeito da capital na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, conforme antecipou a Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo.

APOIO A SKAF – Crítico ferrenho de Doria desde a eleição à Prefeitura, em 2016, Goldman apoiou a candidatura de Paulo Skaf (MDB), que teve 21% dos votos e ficou fora do segundo turno. No debate da TV Globo, na semana passada, o ex-governador e aliado do senador José Serra (PSDB) foi com um adesivo de Skaf colado no peito e sentou-se ao lado dos apoiadores do emedebista.

Já Saulo de Castro, braço direito de Alckmin no governo do Estado, foi expulso por ter levado na noite de domingo (dia 7) o governador Márcio França (PSB), que disputa com Doria o segundo turno, a uma reunião com Geraldo Alckmin, o presidenciável tucano. Ele ainda teria usado um broche de França durante todo primeiro turno.

DEMISSÃO SUMÁRIA – “Foi uma decisão sumária porque nós achamos que o momento é grave e não podemos esperar que tais medidas se repitam no segundo turno”, disse o vereador João Jorge, presidente municipal do PSDB.

Entre os expulsos do partido está Flávio Beal, apoiador de Doria que fomentou o voto “Bolsodoria”, defendendo apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) já no primeiro turno.

Ao ser informado pela reportagem da decisão, Goldman disse que não conseguia conter a gargalhada. “Não tem ninguém com condição moral no PSDB de me expulsar de lugar nenhum”, afirmou. Saulo de Castro não comentou a expulsão.

NA EXECUTIVA – Hoje, Alckmin e Doria devem se encontrar na reunião da Executiva nacional do PSDB, em Brasília, na qual os tucanos farão uma avaliação das eleições e devem definir o posicionamento no segundo turno entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT). Uma ala ligada a Alckmin prega a neutralidade, enquanto Doria defende apoio ao capitão.

Nesta segunda-feira, o presidente estadual do PSL, Major Olímpio, que se elegeu senador, afirmou que Bolsonaro não vai subir em nenhum dos dois palanques em São Paulo e que ele “jamais apoiaria o PSDB” por causa do tratamento dado à polícia e pelos casos de corrupção.

NEUTRALIDADE – Para o general Roberto Sebastião Peternelli, que se elegeu deputado federal pelo PSL, a neutralidade é melhor porque evita atritos estaduais que poderiam afetar Bolsonaro na eleição presidencial.

O PT de Haddad e do candidato Luiz Marinho também deve ficar neutro em São Paulo. Já Skaf se reúne nesta terça-feira, 9, com a cúpula do MDB para decidir sobre possível apoio a França ou pela neutralidade. As informações são do jornal O Estado de S Paulo.

Ex-juiz Witzel ameaça dar voz de prisão a Paes se ele mentir no debate…

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Witzel se aborreceu e mandou Paes sair do armário

Lucas Altino
O Globo

Após o candidato do PSC ao governo do Rio, Wilson Witzel, acusar o candidato do DEM, Eduardo Paes, de disseminar fake news contra ele e ameaçar dar voz de prisão ao ex-prefeito ao vivo em um debate na TV, Paes subiu o tom contra o adversário e disse que ele precisa “aprender que governar não é um ato arbitrário”. O ex-prefeito negou a acusação e disse que seu adversário precisa ter “respeito às leis e regras, ao eleitor e à imprensa”. No vídeo, o ex-juiz não apresentou nenhuma prova. Ele também disse que não vai comentar a réplica de Paes, que afirmou:.

– É uma calúnia. Vou ouvir a calúnia dele, não vou dar voz de prisão a ele, e vou dizer que é uma mentira, não estou produzindo fake news. O ex-juiz vai ter que aprender que, quando estamos na vida pública, a gente é o tempo todo arguido sobre o que já fizemos. Não só pelos adversários, mas pela imprensa e população.

AUTORITARISMO – Paes afirmou ainda que “ser candidato não é igual estar numa sala de juiz e assinar coisas”. E acrescentou: “Ele (Witzel) vai ter que aprender que governar não é um ato arbitrário e de autoritarismo. Vi na nota dele sobre essa história da Marielle uma resposta ameaçadora inclusive para o jornal. Estamos vivendo um país livre, agora não pode mais questionar? Quer vir para um debate eleitoral e está achando que é o dono da verdade.

O candidato do DEM disse que vai “fazer muita pergunta” a Witzel nos debates, inclusive “sobre questões que não foram esclarecidas anteriormente”, mas não quis detalhar o quê.

Em transmissão ao vivo pelo Facebook na segunda-feira, o ex-juiz acusou o ex-prefeito de crime de injúria na internet: “Agora que eu só tenho um adversário, eu só posso imaginar – e como magistrado, eu fui juiz durante 17 anos, a gente tem uma capacidade bem superior ao que você imagina. Essas fake news que estão correndo hoje. Você (Paes) vai ser responsabilizado por todas, porque você e o seu grupo estão colocando isso na internet. Eu não tenho outro adversário, só você”.

VOZ DE PRISÃO – Witzel também chamou Paes para o debate e ameaçou dar voz de prisão a ele, caso fale mentiras ao vivo.

– E você saia do armário. Mostre a sua cara e vá nos debates falar essas mentiras, que você vai ver a resposta. Mas cuidado que o crime de injúria está sujeito à prisão em flagrante. Viu? Dá uma estudadinha e converse com seus advogados. Porque, se você falar mentira ao vivo, eu vou te dar voz de prisão. Vai ser o primeiro candidato a governador que vai ter voz de prisão ao vivo em um debate.

E completou em seguida: – Mas é um aviso que eu te dou. Cuidado com a sua língua. Cuidado porque você sabe que a sua língua é chicote do rabo.

CARTEIRADA – Na tarde desta terça-feira, Paes também postou um vídeo no Facebook, em que critica a ameaça de Witzel e afirma que “não vai funcionar carteirada” na campanha.

– Eu fiquei curioso, porque durante o primeiro turno, em duas oportunidades,  o candidato Romário chamou ele de ‘frouxo’, e eu não vi ele dando voz de prisão nenhuma. Depois, eu vi o candidato Indio o chamando de ‘mentiroso’, e também não vi ele dando voz de prisão nenhuma. Depois, foi o candidato Garotinho dizendo que Witzel ofereceu para ele favores na Justiça Federal. E mais uma vez eu não vi ele dando voz de prisão pra ninguém.

E ironizou: – Eu não entendi. Será que ele concordou com tudo que disseram? Ele não se sentiu injuriado? Nós estamos aqui para o debate eleitoral, nós vamos discutir proposta para nosso estado e falar, sim, das características de cada candidato. Aqui não vai funcionar carteirada, não!

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! O clima esquentou de vez, está parecendo Ultimate Fighting. Se saírem da mão, o juiz destrói Paes, que é um fracote. Vai ser engraçado. (C.N.)

Campanha de Bolsonaro soube aproveitar a internet e as redes sociais

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Charge do Edra (Arquivo Google)

Marco Aurelio Ruediger

Dois dias após a eleição que mudou o país, e que terá impacto global na sequência de eleições mundiais afetadas pelas redes sociais, a ressaca do maremoto político de 7 de outubro ainda é grande. Falamos em colunas anteriores tanto da polarização como do conteúdo simbólico e sociológico das redes sociais. Falamos, também, de sua gigantesca influência no ambiente político, pela construção de narrativas eficientes em tempo real. Alertamos ainda sobre bots e fake news, e das perturbações potenciais ao processo de escolhas públicas e de votação.

Acompanhando o Twitter, já durante o debate na quinta-feira (dia 4), verificamos que Bolsonaro, que sempre esteve na frente nas redes sociais até então, ampliou ainda mais sua vantagem frente aos demais concorrentes, atingindo médias equivalentes ou acima de 100 mil tuítes por hora. Ele não participou do debate na Globo. No horário, foi veiculada uma entrevista sua para a Record. Essa margem de crescimento se estabeleceu na última semana e durou até a votação no domingo.

PELO FACE – Observando o Facebook desde setembro, vemos outro quadro ainda mais revelador. Bolsonaro havia estabelecido uma muralha de engajamento e de atração de perfis em patamar imensamente maior que a soma dos outros candidatos. Esse domínio — que em gráfico aparenta um curioso formato do Pão de Açúcar —  teve um pico menor no dia 1º de outubro e outro maior no dia 4, na quinta. Houve um volume total de 13,9 milhões de interações nas publicações de Bolsonaro na rede, com seu ápice durante o debate, quando chegou a atrair 430 mil interações em média por postagem.

Suas inserções nas redes não se resumiram a essas duas plataformas. Tiveram impacto demolidor também nas listas de mobilizadores no WhatsApp, que selaram uma estratégia que prescindiu dos meios tradicionais de TV e da estrutura partidária. Isso muda completamente a forma de fazer campanha, gerar mobilização e engajamento.

Discurso Moralista – Claro, houve a mensagem e sem a correta envelopagem isso não seria possível. Ao construir um discurso moralista com base na questão da corrupção e da segurança pública como metatemas, Bolsonaro produziu sínteses que atingiram os brasileiros, a despeito de seu viés ultraconservador. A partir disso, abriu outras frentes por esse viés, trazendo a questão da Venezuela, da economia e do antipetismo, apresentando-se como o único capaz de higienizar a política e a vida pública.

Mas houve também o senso de timing. Com discurso construído desde 2014, intensificado em 2016, no impeachment, e turbinado em 2018 pelas redes, houve tempo para Bolsonaro consolidar e possibilitar conversões. Milhões delas.

CIRO SE ATRASOU – Outros, como Ciro Gomes, intensificaram sobremodo sua presença nas redes, mas tardiamente. Ciro logrou o segundo lugar virtual na busca de última hora de parte do eleitorado por uma terceira via, ainda assim muito distante, atingindo, antes do início da votação, a marca de 547 mil tuítes. Bolsonaro já estava em 1,5 milhão.

Para nossa surpresa, esse potencial impacto foi negligenciado por analistas e pelas campanhas. No caso de alguns analistas, percebe-se que erraram em suas previsões por desconsiderarem o impacto das redes.

Fixaram-se numa abordagem retrô, na qual o tempo de TV e estruturas partidárias tradicionais eram os fatores preponderantes da equação. Essas análises permearam a estratégia de várias campanhas, que buscaram por aí mudar seu destino na esperança que o tempo diferenciado de mídia seria definitivo para reverter o jogo. A esfinge não foi decifrada e os engoliu.

(Marco Aurelio Ruediger é chefe da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas)