Uma serenata dos bons tempos, que fez sucesso com Vicente Celestino

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Site Poemas & Canções

O instrumentista, cantor e compositor carioca Cândido das Neves (1899-1934), apelidado por Índio, na letra lírica de “Dileta”, faz uma serenata para a sua amada. Este tango-canção foi gravado por Vicente Celestino, em 1932, pela Columbia.

DILETA
Cândido das Neves

Nesta noite prateada,
Minha terna e doce amada,
A chamar-te insinua,
Nos acordes desta lira,
Que de amor geme e suspira,
Ante o arvor meigo da lua.

No rendado da neblina,
Mais parece uma cortina,
De uma festa de noivado,
A lua é a noiva bela,
Recostada na janela,
De um palácio constelado.

Desperta,
Vem matar o meu desejo,
A minh’alma vaga incerta,
A procura do teu beijo,
Dileta,
Tu, formosa, e eu, poeta,
Quero por nos tristes versos meus,
As linhas dos beijos teus. 

Reforma da Previdência tem projeto complexo, confuso e com várias contradições

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Charge do Mariano (Charge Online)

Pedro do Coutto

O anteprojeto de reforma da Previdência Social, elaborado pela equipe do Ministro Paulo Guedes, a meu ver, é complexo, confuso e repleto de contradições. Basta examinar com atenção a reportagem de Geralda Doca e Marcelo Correa, em O Globo, para se chegar a essa conclusão. Por exemplo. A idade mínima foi fixada em 62 anos para mulheres e 65 para os homens. O texto diz no seu início que as regras serão as mesmas para os servidores públicos e para o setor privado, neste caso na esfera do INSS.

Porém, em outro trecho da reportagem está afirmado que haverá, no caso dos funcionários uma idade mínima de 56 anos para mulheres e 60 anos para os homens.

CONTRADIÇÕES – Não entendi bem. Pois em um trecho está sustentada a tese da igualdade, mas na prática são diferentes as exigências para os celetistas e as que se referem ao funcionalismo. O Globo acentuou, na edição de ontem, que a transição será de 12 anos tanto para os trabalhadores do setor privado quanto para os servidores públicos. As contradições não acabam aí. Existem várias outras que, numa hora acentua a igualdade, em outra informa diferença dos critérios e das exigências para o funcionalismo e o setor privado. É preciso uma explicação.

Aliás, a matéria como foi publicada nos jornais, exige uma tradução. Parece até um labirinto marcado por objetivos menos aparentes. Um desses objetivos é o de conduzir os assalariados de renda mais alta para os planos de previdência privada, nos quais está colocada a aposentadoria integral pelos seus participantes. Assunto para o Itaú, Bradesco, Santander. Quando falo em renda mais alta, tacitamente acentuo que os assalariados de renda mais baixa não poderão assumir planos de previdência a médio e longo prazo.

DEBATE PÚBLICO – O assunto será aberto a opinião pública no próximo dia 20, quarta-feira. Pelo que se observa o número de emendas ao projeto de emenda constitucional será muito grande, pois além dos equívocos colocados inevitavelmente haverá pressões tanto de celetistas quanto de funcionários.

E A TRANSIÇÃO? – Vale acentuar a importância da matéria escrita por Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo, também na edição de ontem. A reportagem revela que até 2020, portanto num espaço de tempo curto, 9 em 10 servidores poderão se aposentar com o salário integral. É o que se entende quando se focaliza o tempo de transição, tanto para os funcionários quanto para os celetistas.

Temos assim um longo caminho pela frente, sobretudo porque a complexidade do que foi noticiado pela imprensa impede que matéria de tal importância possa ser votada pelo Congresso até o mês de maio. Com a divulgação de pontos esclarecidos nas linhas do documento do Executivo, chega-se a conclusão que a equipe do Ministro Paulo Guedes terá que rever seu próprio trabalho. Não se tem certeza do que foi elaborado até agora.

As sombras que marcam o anteprojeto não são produto do economês. Qualquer um ao ler as reportagens vai fazer as mesmas perguntas sobre as contradições publicadas.

É hora de decidir: ou Bolsonaro se livra dos filhos ou não conseguirá governar

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Bolsonaro precisa entender que governar significa estar sozinho

Carlos Newton

Há muitos assuntos importantes em pauta, como a briga entre os militares e a Igreja, a reforma da Previdência, o acobertamento da importância da dívida pública, a falência de estados e municípios, mas a prioridade deve ser a crise interna do governo. Como dizia Gonzaguinha, não dá mais para segurar. Ou Bolsonaro se livra da influência dos três filhos e passa a ouvir o núcleo duro do Planalto (vice Hamilton Mourão e ministros Augusto Heleno, Santos Cruz e Onyx Lorenzoni) ou não conseguirá governar e levará este país a uma encruzilhada sinistra.

Nenhum governante pode colocar sua família no poder. Não existe isso, jamais se viu isso, não se pode admitir isso. Nem mesmo os imperadores devem correr esse risco, é preferível que sejam aconselhados por assessores externos, basta ver o que está acontecendo na Arábia Saudita.

INSEGURANÇA – A eleição de Bolsonaro ocorreu num clima de união e esperança, mas o próprio presidente estava colocando tudo a perder. Sua opção preferencial pelos filhos era um equívoco grotesco, uma jogada arriscadíssima, porque estava semeando a insegurança institucional, como acertadamente Rodrigo Maia advertiu, ao criticar esse “governo familiar”.

A fritura do ministro Gustavo Bebianno, para atender aos interesses do filho preferido, foi um erro grotesco, bizarro e patético. Como argumentaram o vice Hamilton Mourão e o presidente da Câmara, Bebianno é um excelente quadro, não é nenhum alpinista social. Todos só têm elogios à sua atuação, por isso o núcleo duro do Planalto se uniu em sua defesa.

Bebianno é um advogado de renome, que era associado ao escritório de Sergio Bermudes, um dos mais importantes do país.  Carlos Bolsonaro pensou que poderia demiti-lo com um simples faniquito, mas não é assim que a banda toca. Os militares apoiaram Bolsonaro, estão tocando o governo dele, mas não aceitam injustiças.

BEBIANNO NÃO ERROU – O núcleo duro do Planalto sabe que Bebianno foi coordenado da campanha, dedicou-se por inteiro à eleição de Bolsonaro e assumiu interinamente a presidência do PSL, sem maior envolvimento com o partido. 

Havia verbas disponíveis do Fundo Eleitoral que foram requisitadas pelos diretórios de Minas Gerais e Pernambuco. No caso, Bebianno apenas assinou a liberação, não conhecia nem jamais tinha ouvido falar nos candidatos beneficiados nem tinha o menor controle sobre a utilização final dos recursos, porque isso era responsabilidade dos Diretórios estaduais.

Ouvir o “conselho” do filho e forçar a demissão de Bebianno foi um erro brutal de Bolsonaro, porque Carlos disse ao pai que o ministro tinha mentido, ao afirmar que havia falado com o presidente. Mas Bebianno realmente tinha mandado mensagens a Bolsonaro através do WhatsApp, não era mentira.

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P.S. 1 –
Ontem à noite, o jornal do SBT revelou que Benianno será demitido segunda-feira. Será mais um erro, mas pode se transformar em acerto, caso o presidente se livre mesmo da perniciosa influência dos filhos e passe a governar consultando apenas os assessores que ele próprio nomeou, porque tem confiança neles.

P.S. 2 – Nessa investigação da Polícia Federal sobre Bebianno quem vai se lascar é o presidente do PSL, Luciano Bivar, que é uma espécie de “dono do partido” e contratou a empresa do próprio filho por R$ 250 mil. O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro, também vai dançar. (C.N.)

Oito executivos da Vale já estão presos, só falta prender os membros da direção

Policiais levam ao MP documentos apreendidos durante operação — Foto: Carlos Amaral/G1

Além das prisões, houve também  busca e apreensão de documentos

Flávia Cristini e Marina Borges
G1 e TV Globo

O Ministério Público de Minas Gerais afirma que os oito funcionários da Vale presos na manhã desta sexta-feira (15) tinham pleno conhecimento da situação de instabilidade da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão e tinham o dever de fazer a evacuação de risco para que vidas fossem poupadas. As alegações constam no pedido de prisão feito à Justiça.

A operação que apura a responsabilidade criminal pelo rompimento ocorreu em Minas Gerais, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A tragédia no dia 25 de janeiro tem 166 mortes confirmadas e 147 pessoas desaparecidas.

ERA OBRIGAÇÃO – “Tinham pleno conhecimento da situação de instabilidade da barragem B1 e tinham poder/dever, cada qual dentro de suas atribuições orgânicas, de adotar providências para a estabilização da estrutura e/ou evacuação da área de risco”, alegou o Ministério Público no requerimento à Justiça.

Para juiz Rodrigo Heleno Chaves, que determinou a prisão, há nos autos “fundadas razões de autoria do crime de homicídio qualificado pelo investigados”. A decisão é da 2ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Brumadinho.

“Constato que, aparentemente, no primeiro semestre de 2018, os funcionários da Vale ora representados tinham conhecimento da situação precária da barragem. […] Ao que parece os funcionários da Vale assumiram o risco de produzir o resultado”, diz trecho da decisão.

DIZ ENGENHEIRO – O juiz cita que o engenheiro da TÜV SÜD Makoto Namba, preso em 29 de janeiro e liberado posteriormente, assinou a declaração de estabilidade da barragem e já havia constatado que, dificilmente, seria possível atestar a estabilidade dela. Argumenta também que, mesmo diante de elementos de situação de emergência, funcionários da Vale não acionaram o Plano de Ações Emergenciais.

Com base em elementos colhidos em investigação, incluindo depoimentos, as alegações do Ministério Público foram pela incriminação de Alexandre de Paula Campanha, gerente-executivo da Geotecnia Corporativa da Vale; Artur Bastos Ribeiro e Cristina Heloíza da Silva Malheiros, integrantes da Gerência de Geotecnia; Felipe Figueiredo Rocha, Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo e Hélio Márcio Lopes da Cerqueira, do setor de Gestão de Riscos Geotécnicos; Joaquim Pedro de Toledo, gerente-executivo da Geotecnia Operacional da Vale; e Renzo Albieri Guimarães Carvalho, da Gerência de Geotecnia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Ministério Público e a Polícia já pegaram os peixes menores. Com base no depoimento deles, haverá a inevitável prisão do presidente e dos diretores envolvidos nessa tragédia, que já se sabe que poderia ter sido evitada. (C.N.)

Bolsonaro recebe Bebiano e marca uma nova conversa para segunda-feira

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Bebianno disse à TV Globo que ainda vai conversar com Bolsonaro

José Carlos Werneck

Excelente reportagem das jornalistas Fernanda Ruas e Gioconda Brasil, da TV Globo, relata que, em uma entrevista exclusiva concedida à emissora, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República afirmou que conversará com Bolsonaro.

Bebiano vem sofrendo uma forte pressão dentro do Palácio do Planalto, após ser alvo de pesadas críticas de Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente. O ministro disse, hoje, que não há “crise nenhuma” no governo, mas afirmou que não sabe se permanecerá no cargo.

SEM CRISE – Ao deixar o Palácio do Planalto para almoçar, Bebianno foi questionado pela reportagem da TV Globo sobre o problema e respondeu: “Para mim, não tem crise nenhuma”.

Bebiano, que estava acompanhado pela deputada Joice Hasselmann, do PSL de São Paulo, afirmou que não sabe se permanecerá como titular da pasta. “Estou aqui, não estou?”, ressaltou ao ser perguntado sobre o assunto.

À tarde, Bolsonaro apareceu de surpresa no Planalto e se reuniu com Bebianno, o vice Hamilton Aragão e os ministros Onyx Lorenzoni e Santos Cruz. Depois, os dois passaram alguns minutos sozinhos e Bolsonaro marcou nova conversa para segunda-feira, quando será decidido se o ministro fica ou sai.

Presidente nacional do PSL contratou empresa de filho na eleição por R$ 250 mil

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Bivar teve as suas contas aprovados com “ressalvas” pelo TRE

Fabio Serapião
Estadão

O deputado federal Luciano Bivar (PE), presidente nacional do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, gastou R$ 250 mil provenientes do fundo eleitoral para contratar a empresa de um dos seus filhos durante a eleição de 2018. Sediada em Jaboatão dos Guararapes (PE), cidade a cerca de 20 quilômetros do Recife, a Nox Entretenimentos está registrada em nome de Cristiano de Petribu Bivar. Foi o segundo maior gasto da campanha dele.

A contratação está na mira da Procuradoria Eleitoral de Pernambuco. Em parecer sobre a prestação de contas de Bivar, o procurador Francisco Machado Teixeira se posicionou pela aprovação com ressalvas das contas e citou a necessidade de se investigar o possível “desvio de finalidade” no gasto destinado à empresa do filho do deputado.

INVESTIGAÇÃO – “Foram realizadas despesas com fornecedores de campanha que possuem relação de parentesco com o prestador de contas, o que pode indicar desvio de finalidade. O Ministério Público Eleitoral informa que extrairá cópia dos autos para investigação dos fatos”, afirma o documento da Procuradoria Eleitoral sobre a prestação de contas de Bivar ao qual o Estado teve acesso.

À época da contratação, a distribuição dos valores recebidos via fundo eleitoral para os candidatos do PSL, conforme ata do partido registrada na Justiça Eleitoral, era de responsabilidade do atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Ele presidiu o PSL durante a campanha eleitoral.

O ministro trava uma disputa com o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, e há dúvidas sobre sua permanência no cargo. A crise esquentou depois de suspeitas de irregularidades no uso do dinheiro do Fundo Partidário e de Carlos chamá-lo de mentiroso por Bebianno ter afirmado que conversou com o presidente sobre o tema.

PRODUÇÃO DE VÍDEO – O Estado tentou contato com a Nox Entretenimentos. De acordo com as notas fiscais, a empresa teria prestado serviços de produção de vídeo para a campanha de Bivar. O telefone registrado pela empresa na Receita Federal é o mesmo do escritório de advocacia Rueda e Rueda, no Recife, que não explicou se divide o espaço com a Nox nem qual sua ligação com a família Bivar.

Um dos sócios do escritório de advocacia é Antonio Rueda, presidente do diretório do PSL de Pernambuco no período eleitoral. Outra empresa em que Cristiano Bivar é sócio, a Mitra Participações, aluga salas para o diretório do PSL no Recife.

DONO DO PARTIDO – Bivar é presidente do PSL desde 1998 e, atualmente, ocupa o cargo de segundo-vice-presidente da Câmara. O parlamentar deixou o comando da sigla apenas durante a eleição a pedido de Bolsonaro para dar lugar a Bebianno. Ele foi um dos parlamentares que mais receberam valores do fundo eleitoral. Dos R$ 9,2 milhões recebidos pelo PSL, a campanha do deputado amealhou R$ 1,8 milhão, o que representa 19,5% do total.

Na prestação de contas de campanha, a empresa do filho de Bivar aparece na segunda colocação entre as empresas que mais receberam. Em primeiro lugar está a Vidal Assessoria e Gráfica Ltda., de Luis Alfredo Vidal Nunes da Silva, que é vogal (dirigente com direito a voto) do PSL de Pernambuco, como revelou o Estado nesta quinta-feira, 14.

ILEGAL OU IMORAL? – Advogados ouvidos pela reportagem disseram não haver proibição legal na contratação de empresas de familiares com dinheiro do Fundo Partidário, mas afirmaram que a citação a um possível “desvio de finalidade” significa que a Procuradoria Eleitoral vai investigar se os serviços foram efetivamente prestados e a preços de acordo com o mercado.

Bivar afirmou, via assessoria, que a contratação da Nox Entretenimentos se “deveu ao fato de ela ter oferecido o menor preço para produzir os vídeos da campanha” e que “há contrato, notas fiscais, tudo perfeitamente legalizado”. Sobre as salas em que fica a sede do PSL em Pernambuco, o deputado disse que “o aluguel é em forma de comodato e que, na verdade, ele empresta a sala para o partido, sem custo”.

DIZ O FILHO – O filho do presidente do PSL, também por meio da assessoria do deputado, declarou que sua empresa foi contratada por vários candidatos e que, no caso de seu pai, prestou serviços de produção de vídeos, jingles e decoração do comitê. Cristiano Bivar afirmou ainda que, para desempenhar essa função, também pagou “o projeto arquitetônico, som, palco, projetor, gerador de energia, diesel, mobiliário e as gravações para o programa gratuito de TV”.

A Nox Entretenimentos, por e-mail, disse que o serviço foi efetivamente prestado e a preço de mercado. “Inexiste impeditivo legal na contratação. Tendo inclusive as contas do candidato sido aprovadas sem ressalva pelos órgãos competentes”, afirmou a empresa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bivar é o dono do PSL. As notas fiscais existem, não é ilegalidade, mas se for feita investigação profunda, se verá que é tudo mais falso do que uma nota de três dólares. É Bivar quem deve ser o principal investigado no PSL, e não apenas Bebianno, que foi um presidente factóide do partido e liberava as verbas solicitadas pelos Diretórios estaduais. Na época, ele era responsável pela campanha de Bolsonaro e tinha mais o que fazer. Jamais devia ter aceitado ser “presidente do partido”. Errou e está pagando pelos erros, pois sua imagem está manchada para sempre, embora tenha conseguido continuar como ministro. (C.N.)

Candidatas laranjas receberam R$ 15 milhões de verba pública em 14 partidos

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A candidata Lourdes Paixão vai ser interrogada pela PF

João Pedro Pitombo e Guilherme Garcia
Folha

​Candidata a deputada estadual pelo Acre, Sônia de Fátima Silva Alves (DEM) é um fenômeno às avessas. Ela recebeu R$ 279,6 mil para fazer campanha, contratou 72 fornecedores e saiu das urnas com apenas seis votos. Assim como Sônia, outros candidatos com votações pífias receberam ao menos R$ 15 milhões em dinheiro público dos fundos partidário e eleitoral.

A Folha cruzou dados da Justiça Eleitoral e descobriu 53 candidatos que receberam mais de R$ 100 mil para financiar suas campanhas, mas saíram das urnas com menos de mil votos. Os candidatos pertencem a 14 diferentes partidos, mas com predomínio do Pros, PRB, PR, PSD e MDB.

COTA FEMININA – Dos 53 candidatos, 49 eram mulheres —o que reforça a suspeita de que as postulantes a cargos eletivos sejam apenas laranjas, como os casos revelados pela Folha nos últimos dias envolvendo o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro.

Isso porque a lei eleitoral obriga que pelo menos 30% dos recursos dos fundos partidário e eleitoral sejam investidos em candidaturas femininas, levando a manobras para atingir a cota, com a criação de postulantes de fachada.

Os casos são semelhantes ao de Maria de Lourdes Paixão, secretária administrativa do PSL de Pernambuco e que recebeu R$ 400 mil para a campanha, mas teve apenas 273 votos, conforme mostrado pela Folha.

CRISE NO PSL – A revelação pelo jornal deste caso e de outras candidatas laranjas do PSL também em Minas Gerais provocou uma crise no governo Bolsonaro, com bate-boca e desgaste do ministro Gustavo Bebianno, que presidiu a sigla no ano passado. A Polícia Federal abriu investigação sobre as suspeitas, e Bolsonaro passou a esperar um pedido de demissão de Bebianno.

O Pros teve 13 candidatas com menos de mil votos que receberam mais de R$ 100 mil. Em quatro destas candidaturas, os recursos vieram do diretório nacional do PT, partido ao qual o Pros aliou-se nacionalmente.

Foi o caso da candidata a deputada Marcele Rebello (Pros-RJ), assessora do deputado federal Felipe Bornier (Pros), atual secretário de Esportes do governo Wilson Witzel (PSC). Ela recebeu R$ 287,5 mil do diretório nacional do PT e terminou a eleição com 88 votos. Do total recebido, R$ 62,7 mil foram repassados para a Cotton Brasil Publicidade, empresa que presta serviço ao mandato de Felipe Bornier na Câmara.

VOTOS PARA BURNIER – Em movimento semelhante, a candidata Amanda Novaes (Pros-RJ) recebeu R$ 287,5 mil do PT. Em suas redes sociais, contudo, não fez campanha para si mesma: pediu votos apenas para o deputado Felipe Bornier.

Saiu das urnas com 200 votos. Também receberam recursos do diretório petista Valdilene Diniz (Pros-PE), com repasse de R$ 200 mil e 37 votos, e Tatiane da Mateira (Pros-MS), com R$ 150 mil e 96 votos.

Outras nove candidatas do Pros receberam vultosos recursos do próprio partido que não se refletiram nas urnas. É o caso de Débora Ribeiro (Pros-CE), candidata a deputada estadual e cunhada do deputado federal Vaidon Oliveira (Pros-CE), que recebeu R$ 274 mil para a campanha.

122 CONTRATADOS – Com o dinheiro, Débora Ribeiro contratou 122 pessoas, que receberam entre R$ 300 e R$ 10 mil durante a campanha. Teve apenas 47 votos. Nenhum deles veio de Sobral (CE), cidade onde mora a maioria dos funcionários que Débora supostamente contratou. Em compensação, seu cunhado Vaidon Oliveira teve 3.020 votos na cidade.

Um dos contratados da campanha de Débora foi Jorgelandio Mesquita, dono de uma pizzaria em Sobral. À Folha ele diz que não prestou serviço para nenhuma campanha, mas recebeu o dinheiro de um serviço feito por seu pai, que é motorista.

“Ele fez transporte de eleitores no dia da votação”, afirmou Mesquita, que diz nunca ter ouvido falar na candidatura de Débora Ribeiro.

NO PIAUÍ – Situação semelhante aconteceu no Piauí, onde a candidata deputada estadual Tamires Vasconcelos (PR) recebeu R$ 370 mil do fundo eleitoral, gastou 99% dos recursos e saiu das urnas com 44 votos —cada voto custou em média R$ 9.000.

Ela é atendente do Detran na cidade de Regeneração (PI) e revendedora de vasilhas plásticas Tupperware. Não fez campanha em suas redes sociais: enquanto os demais candidatos pediam votos, ela anunciava promoções de jarras e garrafas plásticas em suas redes. Teve apenas cinco votos na própria cidade.

Em contrapartida, o presidente estadual do partido, Fábio Xavier (PR), foi o deputado estadual mais votado em Regeneração, com 2.300 votos.

REPASSES– Em outros estados, candidatas repassaram parte dos milhares de reais que receberam para fornecedores que costumam prestar serviços para deputados que disputavam a reeleição.

Candidata a deputada federal Tida do Brejinho (PSD-AL) recebeu R$ 450 mil e teve 233 votos. Seu segundo maior fornecedor, com repasse de R$ 100 mil, foi Claudemir Lins França, advogado do deputado federal Marx Beltrão (PSD), reeleito com 139 mil votos.

Em outros casos, o dinheiro é diretamente repassado para o candidato mais forte. Sônia de Fátima Silva Alves (DEM), do Acre, repassou 16% do que arrecadou para a campanha do deputado federal Alan Rick (DEM). Ela foi, em 2018, a dona do voto mais caro do Brasil: recebeu R$ 279,6 mil e foi escolhida nas urnas por seis pessoas, ou seja, cada voto custou cerca de R$ 46 mil para os cofres públicos. Além do repasse a Alan Rick, a candidata contratou 72 fornecedores, a maioria deles pessoas físicas, com repasses que chegam a R$ 10 mil para cada.

SEM EXPERTISE – Também foram registrados casos de prestadoras de serviços cuja expertise não têm relação com os serviços prestados na campanha.

Adriana Moura (Pros-AM), que recebeu R$ 117 mil do partido e teve 77 votos, contratou a firma de Fátima Santiago de Melo Oliveira, tesoureira do Solidariedade no estado. A empresa, registrada na Receita Federal como de manutenção de computadores, foi contratada para fornecimento de alimentação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Interessante notar que a Folha conseguiu levantar todas essas irregularidades que passam despercebidas pela Justiça Eleitoral, que é de uma incompetência sesquipedal, como dizia o general João Figueiredo. (C.N.)

Justiça quebra sigilo bancário do escritório de Antonio Mariz, advogado de Temer

O advogado Antônio Claudio Mariz, durante reunião na CCJ Foto: Givaldo Barbosa/Agência O Globo/10-07-2017

Procurado, Antonio Mariz não quis dar entrevista à imprensa

Ana Clara Costa
O Globo

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Criminal de Brasília, autorizou a quebra de sigilo bancário do escritório do criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira, assim como de 15 empresas do grupo J&F, entre elas a JBS, a Vigor e a JBJ Agropecuária. Mariz defende o ex-presidente Michel Temer. O pedido foi deferido em 15 de janeiro deste ano e o afastamento de sigilo engloba o período de julho de 2016 a novembro de 2018, no caso da banca de Mariz, e de janeiro de 2008 a novembro de 2018, no caso das empresas dos irmãos Batista.

Além de advogar para Temer — de graça, segundo o próprio criminalista — Mariz atuou em casos de grande repercussão. Defendeu o jornalista Pimenta Neves, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e Suzane Von Richthofen. Mariz também foi secretário de Segurança do Estado de São Paulo e presidiu a Ordem dos Advogados do Brasil em duas gestões.

OPERAÇÃO DA PF – O pedido de afastamento de sigilo foi feito pela Procuradoria-Geral da República no âmbito da Operação Cui Bono, que investiga se o ex-presidente Michel Temer, cliente de Mariz, teria avalizado a compra do silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro pelo empresário Joesley Batista.

A conclusão da Polícia Federal, em seu relatório, foi de que Temer teria praticado o crime de obstrução de Justiça para impedir que Cunha e Funaro revelassem o esquema de corrupção da Caixa Econômica Federal. A Procuradoria-Geral da República denunciou o ex-presidente por dar aval ao pagamento de propina a Cunha e Funaro em 2017, mas a denúncia foi barrada pela Câmara dos Deputados.

PRECEDENTE – A quebra de sigilo de Mariz não é a primeira entre as operações recentes de combate à corrupção. Em 2015, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra de sigilos fiscal e bancário de dois escritórios de advocacia para apurar a origem dos honorários recebidos pela defesa de um deputado federal investigado pela Lava-Jato, João Pizzolatti (PP-SC).

Em delação premiada, o doleiro Alberto Yousseff disse ter pago R$ 560 mil com dinheiro da empreiteira Queiroz Galvão para custear os honorários dos advogados de Pizzolatti.

Procurado, o advogado de Temer afirmou que não se pronunciaria por desconhecer o processo e as razões para a quebra de sigilo de seu escritório.

Bolsonaro enfim decide afastar das questões do governo o seu filho Carlos

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Carlos passou os limites e agora foi colocado em seu devido lugar

Tânia MoAnteiro
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro concordou nesta sexta, 15, com a avaliação de auxiliares próximos, sobre a necessidade de afastar seu filho Carlos Bolsonaro (PSC), vereador no Rio de Janeiro, das questões do governo. Ao longo da manhã, Bolsonaro teve uma série de conversas com ministros e assessores no Palácio da Alvorada e telefonemas para costurar o fim da crise que envolve Carlos e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Ele decidiu manter o ministro no cargo.

Esses interlocutores que atuam na crise relataram ao Estado que, pelas conversas, o acertado por Bolsonaro é que Carlos ficará fora de ações do Executivo e evitará mensagens nas redes sociais com ataques e críticas a integrantes da equipe do presidente.

VAIVÉM – Um dos interlocutores disse à reportagem, porém, que “ninguém” é “ingênuo” de achar que Carlos se concentrará, daqui para frente, no seu trabalho na Câmara de Vereadores do Rio. Essa fonte lembra que, em outros episódios de divergência no âmbito do Planalto, o filho do presidente se ausentou do dia-a-dia do palácio, mas depois voltou a atuar e interferir nas discussões de governo.

Carlos, observou esse interlocutor, é o filho mais próximo de Bolsonaro e, na campanha, comandou com êxito as redes sociais do pai. Ele continua a ter “olheiros” dentro do Planalto. Um deles é o primo Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, que, embora não tenha cargo formal na Presidência, circula com um crachá de acesso ao terceiro e quarto andar do palácio, áreas restritas, sem qualquer impedimento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGÉ inaceitável o livre-acesso do primo Léo Índio a todas as instalações do Planalto, inclusive o terceiro andar, privativo do Presidente Será que foi o próprio Jair Bolsonaro que deu lhe o crachá amarelo? Duvido muito. Parece ser mais uma trapalhada do filho Carlos, que o primo Léo chama de “Carluxo”. (C.N.)

Em reunião no Planalto, Onyx comunica a Bebianno que ele continua como ministro

Gustavo Bebianno deixa o hotel onde mora na manhã desta sexta-feira (15)

Bebianno resistiu ao ataque de Carlos Bolsonaro e se deu bem

Talita Fernandes e Gustavo Uribe
Folha

Em reunião no Palácio do Planalto na manhã desta sexta-feira (15), o ministro Gustavo Bebianno ouviu de Onyx Lorenzoni (Casa Civil) que ele ficará à frente da Secretaria-Geral da Presidência da República. Pessoas próximas aos ministros confirmaram à Folha que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) determinou que a decisão de exoneração fosse suspensa. Aconselhado por aliados, Bolsonaro anteriormente fez chegar a Bebianno seu desejo de que deixasse o posto até segunda-feira (18), mas o ministro tem se articulado com advogados e integrantes do Legislativo e do Judiciário para conseguir uma sobrevida no governo federal.

Ele se reuniu nesta sexta com Onyx e o general Carlos Alberto Dos Santos Cruz (Secretaria de Governo).  Ao sair do Palácio do Planalto, Bebianno foi questionado pela TV Globo sobre a crise no governo, mas respondeu: “Não tem crise nenhuma”. Sobre sua permanência na pasta, afirmou: “Estou aqui, não estou?”, declarando em seguida não saber se continuará no cargo.

APURAÇÃO PELA PF – Segundo auxiliares presidenciais, a ideia de Bolsonaro é aguardar a investigação sobre o esquema de laranjas iniciada pela Polícia Federal. O presidente foi convencido de que a saída do ministro neste momento poderia prejudicar a relação entre Executivo e Legislativo, sobretudo em relação à reforma previdenciária.

Durante a campanha eleitoral, Bebianno foi o presidente interino do PSL, partido comandado pelo deputado federal Luciano Bivar (PE). Na quarta-feira (13), Carlos Bolsonaro, filho do presidente, alavancou a crise ao postar no Twitter que o então ministro havia mentido ao jornal O Globo ao dizer que conversara com Bolsonaro três vezes na véspera, negando desgaste. No mesmo dia, Carlos divulgou um áudio no qual o presidente da República se recusa a conversar com Bebianno.

CANDIDATAS DE FACHADA – A primeira reportagem da série sobre os laranjas do PSL mostrou que o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, patrocinou um esquema de candidaturas de fachada em Minas que também receberam recursos volumosos do fundo eleitoral do PSL nacional e que não tiveram nem 2.000 votos, juntas.

Parte do gasto que elas declararam foi para empresas com ligação com o gabinete de Álvaro Antônio na Câmara dos Deputados.

Após essa revelação, o vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou que esse caso deveria ser investigado.  A Procuradoria-Regional Eleitoral de Minas Gerais decidiu apurar o caso.

EM PERNAMBUCO – No domingo (10), outra reportagem da Folha revelou que o grupo do atual presidente do PSL, Luciano Bivar (PE), recém-eleito segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, criou uma candidata laranja em Pernambuco que recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição de 2018. O dinheiro foi liberado por Bebianno.

Maria de Lourdes Paixão, 68, que oficialmente concorreu a deputada federal e teve apenas 274 votos, foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, mais do que o próprio presidente Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), essa com 1,079 milhão de votos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A Folha descobriu um belo filão de corrupção eleitoral, não há dúvida. O caso do ministro Álvaro Antônio é da maior gravidade, ele já deveria ter sido afastado do ministério do Turismo. Mas a Folha está forçando a barra no caso de Bebianno. Quem está sujo nesta história não é ele, a culpa é do presidente regional do PSL em Pernambuco, que é vassalo do presidente nacional Luciano Bivar. Ao que parece, Bolsonaro já entendeu o que houve e reconsiderou o caso de Bebianno, que a Polícia Federal está investigando. Essa é a verdade sobre o caso. A Folha está indo bem na apuração dos malfeitos, mas não precisa exagerar. (C.N.)

Primo é “olheiro” de Carlos Bolsonaro e circula livremente no Palácio do Planalto

Leonardo Rodrigues de Jesus

Léo Índio (à esquerda) ganhou “crachá amarelo” da Presidência

Deu no Estadão

Embora trabalhe na Câmara Municipal do Rio, o vereador Carlos Bolsonaro (PSL), filho do presidente Jair Bolsonaro, tem uma espécie de representante no Palácio do Planalto, onde despacha seu desafeto Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

Primo de primeiro grau de Carlos e um de seus auxiliares na estratégia de redes sociais da campanha eleitoral, Leonardo Rodrigues de Jesus, de 35 anos, rodeia o presidente desde a transição de governo. Em Brasília, expandiu o livre acesso aos gabinetes do Palácio do Planalto, mesmo sem ter cargo na Presidência.

LÉO ÍNDIO – Sobrinho do presidente, por ser filho de uma irmã de Rogéria Nantes, uma das ex-mulheres de Bolsonaro, ele é conhecido como Léo Índio e é íntimo de Carlos. A proximidade com a família presidencial fez com que transitasse sempre muito próximo do tio, chegando a ser confundido como um dos agentes da escolta de Bolsonaro.

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) afirmou que Léo Índio “não ocupa cargo em nenhum órgão da Presidência da República”. Apesar disso, ostenta um crachá amarelo da Presidência quando caminha livremente nas dependências do Planalto, em locais de acesso restrito.

NÚCLEO DURO – Nesta quarta-feira, dia 13, por exemplo, circulava no quarto andar, onde despacha o núcleo duro do governo. A desenvoltura gera desconfiança de assessores presidenciais, que veem no sobrinho do presidente uma espécie de “olhos e ouvidos” de Carlos.

A Secom não esclareceu o motivo de frequentar quase diariamente o Planalto. Ele chegou a participar de reuniões de autoridades com o governo de Minas, após o rompimento da barragem de Brumadinho. Segundo o Planalto, essa foi a única reunião que o “olheiro” de Carlos participou. A exemplo do primo, Leo Índio rechaça jornalistas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Léo Índio também participou de uma reunião ministerial, junto com o primo Carlos Bolsonaro, antes de o presidente fazer a terceira cirurgia. Nessa reunião, Bolsonaro pediu que todos os ministros deixassem os celulares na antessala, para que ninguém gravasse as conversas, mas Carlos e Léo entraram com os celulares e acompanharam a reunião fechada, parecia até que eram integrantes do ministério. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Auditores dizem que vazamento não pode sepultar a fiscalização de Gilmar Mendes

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Gilmar quer escapar de fininho, mas os auditores vão apanhá-lo

Tarciano Lima
Blog do Sindifisco

O procedimento iniciado no âmbito da Receita Federal para apurar supostas irregularidades fiscais relacionadas ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, corre o risco de ser sepultado, depois do vazamento de informações sigilosas pela revista “Veja”, no dia 8 de fevereiro. O Sindifisco Nacional já emitiu nota de repúdio ao vazamento, mas mantêm uma posição enérgica em defesa da autonomia da fiscalização.

O sindicato entende que a quebra de sigilo ou qualquer outra questão periférica não deve servir de subterfúgio para que o contribuinte fiscalizado, seja quem for, desmereça ou questione a legalidade da atuação dos Auditores-Fiscais.

HOUVE ERRO? – Ocorre que, em decorrência da publicação da matéria, a Receita Federal emitiu Nota Executiva reconhecendo “erro” no uso de expressões constantes do documento de seleção – o que prejudica a imagem do próprio órgão e acaba por subsidiar eventual provocação jurídica quanto à validade do trabalho de auditoria.

Importante observar que o que está em tela é a simples citação, no documento sigiloso vazado, de que o procedimento teria como foco “possíveis fraudes de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência” – crimes que extrapolam a competência legal de autuação da Receita Federal.

Na nota, a Receita afirma que fez uma revisão de outros dossiês de análise preliminar e verificou que as mesmas expressões foram usadas de forma “genérica e indevida”, o que demonstraria “erro na geração desses documentos”.

OBJETIVO MAIOR – Na visão da Direção Nacional do Sindifisco, ao invés de fazer uma espécie de mea-culpa, a Receita Federal deveria centrar-se, nesse caso, na restrita defesa do seu excelente e modelar aparato de fiscalização. A simples menção a eventuais crimes, que podem estar relacionados ao objeto da auditoria, não deve, em hipótese alguma, desqualificar o procedimento em si. Ademais, deve-se considerar que o documento de análise preliminar não guarda qualquer relação jurídico-tributária ou jurídico-processual entre a administração tributária e o contribuinte.

O que importa, de fato, é a devida apuração, após a abertura do procedimento interno, do conjunto de indícios apontados pelas autoridades tributárias. Note-se, nesse contexto, que é bem tênue o limiar entre os mencionados crimes e as práticas ilícitas investigadas pela Receita Federal; um está intrinsicamente ligado ao outro.

ANTICORRUPÇÃO – Não por acaso, a Receita tem sido importante parceira do Ministério Público e da Polícia Federal no combate, em larga escala, aos mesmos crimes, como perfeitamente exemplificado nas recentes operações Zelotes e Lava Jato. A troca de informações, para a devida apuração pela entidade competente, é uma constante entre os órgãos de controle e fiscalização do Poder Público.

Cabe ressaltar, ainda, que nenhuma investigação interna e sigilosa da Receita Federal tem por origem a seletividade. Todas se iniciam ante a identificação de anomalias fiscais. Como agentes públicos, os Auditores têm o dever legal de zelar pela defesa do Estado e do bem-estar comum, e acompanham com serenidade a abertura de sindicâncias e procedimentos administrativos que visem a apuração da verdade.

Não há, portanto, justificativas para pressões, ameaças, declarações exaltadas ou tentativas de ingerências que visem distorcer, abrandar ou invalidar a aplicação da lei – sob a qual, afinal, todos estamos, sem qualquer exceção.

Sr. Schvartsman, a Vale não é “joia”, e sim bijuteria falsificada que ninguém quer

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Todos respeitaram um minuto de silêncio, menos Schvartsman…

Jorge Béja

A declaração de Fábio Schvartsman (ou Schwartzmann?), presidente da Vale S/A, de que sua empresa “é uma joia brasileira e que não pode ser condenada” pelo rompimento da barragem de Brumadinho, tragédia que Schvartsman classificou de “acidente”, constitui outra grave ofensa à memória das mais de 300 vítimas que morreram. É ultraje à própria cidade. É escárnio às famílias, à população, à natureza, ao meio ambiente e a tudo e a todos que tenham sofrido, direta e indiretamente,  qualquer dano em consequência do rompimento da barragem.

Após a tragédia, Schvartsman (ou Schwartzmann?), nas suas primeiras aparições públicas, o presidente se mostrava abatido, se dizendo sofrido e tinha a voz um tanto trêmula, embargada, quase chorando. Deu pra desconfiar daquele “sentimento”.

SEM “MEA CULPA” – Na minha longa jornada de mais de 40 anos defendendo vítimas e familiares de vítimas de tragédias, nunca vi donos e presidentes de empresas por elas responsáveis vir a público e fazer o “mea culpa”, externar um gesto, uma palavra de contrição.

Mas não demorou muito. Encorajado por não ter sido preso nem muito menos molestado pelas autoridades, menos de um mês depois aquele mesmo homem declarou nesta quinta-feira, perante uma comissão criada por parlamentares na Câmara dos Deputados, que sua empresa “é uma joia brasileira”, e que não pode ser responsabilizada pela tragédia!!!

E durante o “um minuto de silêncio” em respeito às vítimas,  toda a multidão de gente presente na Câmara se levantou. O único que permaneceu sentado foi Schvartsman, como mostra a foto divulgada pela própria Câmara e que O Globo estampa na edição de hoje, sexta-feira, folha 8. Gesto de desprezo, de desafio, de pouco caso. Gesto de ausência de dor. De desumanidade. Frieza pura. Desrespeito, prepotência e demonstração de que nada de punição vai sofrer.

CADÊ A JUSTIÇA? – Onde estão os promotores públicos, do Estado de Minas Gerais e os promotores públicos federais? Por que não pedem ao Judiciário a prisão deste homem? Lá na Ilha da Córsega, quando se enfrentavam em campo o Bastia e o Olympique de Marseille, parte da arquibancada do Estádio do Furiani desabou: 30 mortos. No mesmo dia a Justiça da França, a pedido da promotoria (parquet), decretou as prisões do presidente do Furiani e da Federação Francesa de Futebol.

Enquanto isso aqui no Brasil, rompe uma barragem gigantesca de restos de minério, faz centenas de mortes, causa estragos de expressiva dimensão em todos os sentidos… e nada acontece. E o representante legal e presidente da empresa, única culpada, ainda tem a coragem de vir a público dizer que sua empresa é uma “joia brasileira”, sem a menor responsabilidade pela tragédia! E este homem continua solto a zombar dos vitimados.

RELES BIJUTERIA – Senhor Schvartsman (ou Schwartzmann?) a empresa que o senhor preside, se é uma “joia”, é joia falsificada. É mais reles do que bijuteria “chingling”. E bijuteria perigosa, que mata, que dissemina desgraça. Bijuteria maldita, que nem os camelôs querem vender expostas nas calçadas das ruas, escondidos da fiscalização e da polícia. É bijuteria que ninguém compra. É bijuteria diabólica.

Seus adornos são chifres, dentes afiados e garras com brasas tiradas do fogo do inferno, tal como aquela montoeira de restos de lavras arrancadas e exploradas do solo brasileiro, descendo morro abaixo e varrendo e soterrando tudo que encontrasse à frente, como se vê nas reportagens das tevês.. Que digam os vitimados de Mariana e agora de Brumadinho, por enquanto, porque nada garante que outras tragédias não vão se repetir.

Nem precisa a lei dizer que atividade empresarial é de risco, tal como acontece com a energia nuclear, quando gera dano a terceiro, a responsabilidade é objetiva, isto é, não depende da investigação em torno da culpa. Basta a ligação (elo de causalidade) entre o fato danoso e o prejuízo. E só. Daí nasce o indiscutível dever de indenizar. E a responsabilidade é integral da empresa e que se projeta sobre sua alta diretoria, como dispõe o princípio da Desconsideração da Pessoa Jurídica (“Disregard Doctrine”)

UM CRIMINOSO – E a sua responsabilidade criminal-pessoal, senhor Schvartsman (ou Schwartzmann?), decorre do cargo que o senhor ocupa na empresa que o senhor desavergonhadamente diz ser “joia”. “Joia da Coroa”. 

Sobre seus ombros recaem o dever de zelo, cuidado, presença, atenção redobrada e permanente, dever fiscalização, de garantia de segurança… São as chamadas “culpa in omittendo” “in vigilando”, “in contrahendo”, que nos legou o Direito Romano. O senhor é o responsável nº 1. Omitiu-se, quando deveria agir. Não vigiou, quando deveria vigiar. Se delegou tais incumbências a terceiro(s), delegou e contratou mal.

Não se chega a imputar à Vale a intenção (dolo) pelo acidente. Mas a culpa está escancarada. “O crime é culposo quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia”, diz o artigo 18, nº II, do Código Penal.

UM EXEMPLO – Décadas atrás uma grande marquise de um prédio residencial ruiu em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. Matou 8 pessoas e deixou inválidas para o resto da vida mais 3 vítimas. Todos entraram na Justiça contra o dono do prédio. Lá era ponto de ônibus e na hora do desabamento havia muita gente aguardando o coletivo chegar. Na Justiça, o dono do prédio sustentou que a marquise estava íntegra! Que a laje não precisava de reparos! Que foi uma fatalidade! Ou seja, veio com aquela lenga-lenga de sempre. Mas a Justiça, unanimemente, derrubou a esdrúxula tese com uma só frase: “Tanto precisa de reparo que ruiu”.

Juízes e desembargadores que condenaram o proprietário a pagar indenização nem se deram ao trabalho de aprofundarem na dissertação da questão jurídica que ficou resumida somente naquela frase “tanto precisa de reparo que ruiu”.

LEMBRANÇAS – Senhor Fábio, presidente da “joia da coroa”, a pronúncia do seu sobrenome me soa mal. Muito mal. Me leva à idade de 10 anos quando meu pai comprou meu primeiro piano. Era um “Schwartzmann”, muito vendido na década de 50, fabricado no Bairro Braz Cuba, em Mogi das Cruzes, em São Paulo. O auge da fábrica foi na década de 60. Na década seguinte a fábrica fechou. Mas o piano era tão ruim, mas tão ruim, que embora novo, logo no primeiro mês dois bordões partiram. O som não era nada agradável. Cada vez que afinava, piorava. O teclado não era de marfim. Nem as cordas eram cruzadas. Tinha apenas dois pedais. Então vendemos. E ganhei outro, um Stein&Sons, que tenho até hoje. Surrado de tanto tocar mas é um Stein&Sons. Daí a razão de ter escrito seu nome de família e ao lado o nome da marca do piano.

Ou as raízes são as mesmas e a grafia é que foi registrada com equívoco?

Bebianno nega ligação dele e de Bolsonaro com as candidaturas laranjas do PSL

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Bebianno diz que agiu estritamente dentro da lei e das regras

Deu na Folha

O ministro Gustavo Bebianno (Secretaria-Geral) reafirmou na noite desta quinta-feira (14) que não teve participação nos repasses de verba pública feitos para candidatas laranjas durante a eleição de 2018. Em nota, ele também fez um aceno a Jair Bolsonaro ao afirmar que o presidente não teve relação com outras candidaturas do PSL além da Presidência da República. À tarde, Bebianno havia afirmado à revista Crusoé que o presidente temia que o caso respingasse nele.

Bebianno disse que a responsabilidade da transferência de dinheiro para candidatos é de cada diretório estadual. “Todos os repasses para os candidatos das eleições proporcionais e aos governos dos estados são realizados pela Executiva Nacional por conta e ordem dos diretórios estaduais, que recebem diretamente os recursos em suas contas ou indicam os nomes dos candidatos a serem beneficiados”, escreveu o ministro, que também foi coordenador de campanha do presidente.

ESQUEMA DO PSL – Desde o início do mês, a Folha vem publicando reportagens mostrando um esquema do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, de patrocínio de candidaturas laranjas abastecidas com recursos públicos —do fundo eleitoral e do fundo partidário.

Os casos revelados ocorreram em Pernambuco e em Minas Gerais. Essas candidatas declararam ter utilizado o dinheiro em uma gráfica de fachada, em uma gráfica de um filiado do PSL e também em serviços de empresas ligadas ao gabinete do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG).

Em reunião de julho de 2018, a legenda definiu que Bebianno, à época presidente interino do PSL, seria o responsável por distribuir as verbas para aqueles que disputariam cargos na eleição. “Meu trabalho foi executado com total transparência e lisura. As contas da chapa do então candidato Jair Bolsonaro, que estavam sob minha responsabilidade, foram aprovadas e elogiadas pelos ministros do TSE”, disse o ministro, que foi presidente da sigla de fevereiro até outubro do ano passado.

RESPONSABILIDADE – O ministro afirmou que compete a cada um dos candidatos a prestação de contas de sua própria campanha, “cabendo-lhes também a responsabilidade pelos atos praticados”.

Na nota, também disse que Bolsonaro não teve relação com os casos. “Jair Bolsonaro nunca ocupou nenhum cargo de direção no partido, portanto, não tem qualquer relação com outras candidaturas. Responde apenas pela sua própria, como qualquer outro candidato”. ​

Sobre o destino do dinheiro público dado às candidatas, Bebianno também se defendeu. “Não me competia, enquanto Presidente Nacional do Partido, promover contatos com qualquer fornecedor, excetuando unicamente aqueles que prestaram serviço à chapa para Presidente da República”, disse.

LOURDES PAIXÃO – Um dos casos revelados pela Folha foi o de Maria de Lourdes Paixão, 68, que oficialmente concorreu a deputada federal e teve apenas 274 votos. Ela foi a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o país, mais do que o próprio presidente Jair Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), essa com 1,079 milhão de votos.

O dinheiro do fundo partidário do PSL foi enviado pela direção nacional da sigla para a conta da candidata em 3 de outubro, quatro dias antes da eleição.

Bebianno reafirmou não conhecer Maria de Lourdes e disse que os recursos foram transferidos nessa data porque foi quando o Supremo Tribunal Federal autorizou que dinheiro do PSL Mulher fosse utilizado na eleição — “todos os partidos têm que recolher 5% do fundo partidário mensalmente para aplicação em iniciativas para promover a participação da mulher na política”.

SEM IRREGULARIDADE – “Por esse motivo, os recursos do PSL Mulher foram transferidos para as suas candidatas apenas no final da campanha, no mesmo dia em que o STF assim autorizou. Logo, ao contrário do que insinua a Folha, nada há de irregular na cronologia de distribuição dos recursos”, afirmou o ministro.

Bebianno ainda se defendeu de outro caso revelado pela Folha, de que ele liberou R$ 250 mil de verba pública para a campanha de uma ex-assessora —Érika Santos—, que repassou parte do dinheiro para uma gráfica registrada em endereço de fachada —sem maquinário para impressões em massa.

“A candidata nunca foi minha assessora, mas já trabalhava para o PSL há vários anos, antes da minha chegada”, disse, reiterando seu “incondicional compromisso com meu país, com a ética, com o combate à corrupção e com a verdade acima de tudo”.

Relação de Bolsonaro com o filho precisa de ‘ajuste’, declara o líder do PSL

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Major Olimpio defende a permanência do ministro Bebianno

Amanda Almeida
O Globo

O líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), defendeu nesta quinta-feira um “ajuste” nas relações do presidente Jair Bolsonaro com o filho Carlos, que é vereador no Rio de Janeiro e provocou recentemente uma crise no Palácio do Planalto ao usar as redes sociais para interferir nos assuntos do pai com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Para Olímpio, é preciso que Bolsonaro e Carlos estabeleçam uma separação entre o que é a “defesa” que o filho faz do pai, na vida pessoal, do distanciamento que o pai precisa ter do filho ao exercer a Presidência.

– É simplesmente ajustar a sintonia e se distinguir o que é a defesa (do pai), uma manifestação em função do pai, e quais são as atividades, as competências e o tamanho da responsabilidade da Presidência da República – disse o senador.

DESGASTE – Bebianno enfrenta um processo de desgaste provocado por denúncias envolvendo irregularidades na sua gestão à frente do partido. Segundo reportagem da “Folha de S.Paulo”, no ano passado, então coordenador da campanha de Bolsonaro, Bebianno liberou R$ 400 mil do fundo partidário a uma candidata que teve apenas 274 votos. A suspeita é de que ela tenha sido usada como laranja pela legenda do presidente da República.

Filho mais próximo do presidente, o vereador carioca postou nas redes sociais, na quarta-feira, um áudio do presidente endereçado ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Carlos trabalha nos bastidores para derrubar Bebianno, que considera seu desafeto.

O filho do presidente, que não tem função formal no governo, postou a gravação no começo da tarde, enquanto o pai voava de São Paulo a Brasília, para mostrar a seus seguidores que o ministro teria mentido, ao dizer ao Globo, que teria conversado, por mensagens de WhatsApp com Bolsonaro.

MENSAGENS – O ministro palaciano divulgou as conversas na terça-feira, para rebater rumores de que estaria enfraquecido no cargo após a “Folha de S.Paulo” noticiar possíveis irregularidades no caixa eleitoral do PSL durante o período em que esteve à frente da sigla. Nesta quarta-feira, o próprio Bolsonaro replicou a mensagem do filho, que chamava Bebianno de mentiroso.

Questionado sobre as investidas de Carlos Bolsonaro contra Bebianno, Olímpio foi direto: “Quem foi eleito presidente da República se chama Jair Bolsonaro”, disse, acentuando que quem fala pelo governo é o porta-voz de Bolsonaro, Otávio do Rêgo Barros, e o próprio presidente, não seu filho vereador:

FALTA AJUSTE – “Logicamente, uma proximidade maior (com o presidente) gera também manifestações que podem ter um caráter mais forte ou uma difusão maior em função disso. Mas isso tudo é uma questão de ajuste. Estamos com 45 dias de governo, o presidente já tem muito propriamente um porta-voz para ser a sua voz oficial para a população, para todos vocês da mídia, da sua agenda, dos seus anseios. Ele tem seus momentos próprios, em que ele mesmo faz as suas manifestações para a sociedade e, aos poucos, tudo isso vai entrar nos eixos”, afirmou o líder.

Apesar das declarações de Bolsonaro, para o líder do PSL, Bebianno tem a “absoluta confiança” do presidente e terá oportunidade de esclarecer as denúncias. “Tenho certeza de que, no momento em que o ministro Bebianno tiver uma reunião pessoal e reservada com o presidente, tudo vai se esclarecer. Não vejo dificuldade nisso. Simplesmente, ele é ministro, tem a confiança do presidente. É a questão de se resolver ele e o presidente” – disse o senador.

Bebianno está sendo fritado porque rejeitta interferência dos filhos de Bolsonaro

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Carlos Bolsonaro tenta se livrar de Bebianno, mas está difícil

Breno Pires
Estadão

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, disse nesta quinta-feira, dia 14, que serão investigadas suspeitas de repasses de recursos do Partido Social Liberal (PSL) para candidaturas de fachada. Segundo ele, essa foi uma ordem do próprio Bolsonaro. “O senhor presidente proferiu determinação e ela está sendo cumprida. Os fatos vão ser apurados e eventuais responsabilidades após investigações vão ser definidas”, disse Moro, sem especificar que casos exatamente serão foco das apurações.

Na quarta, 13, em entrevista à TV Record, Bolsonaro informou que determinou à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar suspeitas de desvios de recursos do Fundo Partidário destinados ao PSL por meio de candidaturas laranjas nas eleições de 2018.

DENÚNCIAS – Reportagens da Folha nesta semana mostraram que o PSL teria abastecido com verba pública candidaturas laranjas em Pernambuco e em Minas Gerais nas eleições 2018. Repasses teriam sido autorizados pelo então presidente da sigla, Gustavo Bebianno, hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência.

“Se (o Bebianno) estiver envolvido e, logicamente, responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens”, disse Bolsonaro, acrescentando que Moro tem ‘carta branca’.

O caso virou um foco de crise com apenas 1 mês e meio de governo. O filho do presidente, Carlos Bolsonaro, atacou Bebianno nas redes sociais negando que o ministro tenha conversado com Bolsonaro sobre o tema.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Em tradução simultânea, Bebianno está sendo fritado porque não aceita interferências dos filhos de Bolsonaro no governo. O chamado “núcleo duro” do Planalto, formado pelo vice-presidente Hamilton Mourão e pelos ministros Augusto Heleno, Santos Cruz e Onyx Lorenzoni, está apoiando Bebianno, que realmente não teve responsabilidade no caso das candidaturas-laranjas, tendo liberado as verbas eleitorais atendendo a solicitações expressas feitas pelos Diretórios de Pernambuco e de Minas Gerais. Carlos Bolsonaro aproveitou a deixa e convenceu o pai a detonar Bebianno, que teria mentido, ao dizer que falou três vezes com Bolsonaro. De imediato, Carlos e o próprio Bolsonaro desmentiram Bebianno, sem saber que ele dissera ter mandado mensagens ao presidente por WhatsApp, o que realmente acontecera. Repetindo: Bebianno está sendo fritado porque tem coragem de enfrentar os filhos de Bolsonaro. Apenas isso. (C.N.)

E surge uma perigosa lucidez, na visão poética de Clarice Lispector

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Site Poemas & Canções

A escritora, jornalista e poeta Clarice Lispector (1920-1977), nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, expõe as consequências que “A Lucidez Perigosa” pode acarretar.

A LUCIDEZ PERIGOSA
Clarice Lispector

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
Assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
– já me aconteceu antes.
Pois sei que
– em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade –
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

Só o crescimento do consumo dos assalariados possibilitará a recuperação do país

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Charge do Allan Sieber (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A verdade é essa que está no título, uma afirmação simples sobre a realidade que pode levar à recuperação da economia brasileira. Uma simples constatação. Como dizia Santiago Dantas, não se deve ter medo de ser simples nas análises e nas conclusões. Vejam só os leitores que há três versões para a recuperação do desenvolvimento social e econômico brasileiro com base em três matérias nas edições de ontem do Valor, Folha de São Paulo e de O Globo.

No Valor, trata-se de reportagem de Arícia Martins; na Folha de São Paulo, a matéria foi de Bernardo Caran; e em O Globo o texto é assinado por Geralda Doca e João Sorima Neto.

VAMOS POR PARTES – A reportagem do Valor coloca em confronto, com base no ano de 2018, os avanços registrados no comércio e na indústria. No ano passado o comércio avançou 5,1%, mas a produção industrial cresceu apenas 1,1%. Assim, o assunto remete para o plano econômico como um todo.

Não faz sentido o comércio avançar se a produção industrial ficar estagnada. Este tema ainda comporta duas abordagens: primeiro, se a percentagem do comércio abrange ou não estoques armazenando produtos no exercício anterior. De outro lado, sentindo esta possibilidade a indústria, pode ter freado seu desempenho no sentido de assegurar os preços que lhe convêm.

Em todas as situações a origem do fenômeno é uma só: o poder aquisitivo da massa consumidora.

DESONERAÇÕES – Na Folha de São Paulo o texto publicado também ontem destaca opinião do ministro Paulo Guedes, que atacou os setores empresariais de que obtendo desonerações fiscais conseguiram quebrar o país. O ministro da Economia afirmou: “Todo mundo vem a Brasília pedir subsídios, dinheiro para isso, dinheiro para aquilo. Com isso quebraram o Brasil”

Na realidade, os governos Dilma Rousseff e Michel Temer, nas desonerações fiscais que concederam, atingiram a arrecadação tributária em 279 milhões de reais. Somente na área do INSS as isenções tributárias atingiram 54 bilhões de reais, de acordo com a reportagem de Idiana Tomazelli, O Estado de São Paulo da semana passada.

OUTRA VISÃO – Como se vê, as aposentadorias e pensões não contribuíram sozinhas para colocar no déficit. São também causadoras do déficit as isenções concedidas pelos governos anteriores aos setores empresariais.

Em O Globo de ontem, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que, sem reforma da Previdência, o país vai quebrar. A meu ver, as isenções tributárias são muito mais responsáveis pelo desequilíbrio fiscal do que os funcionários públicos e os trabalhadores regidos pela CLT.

Se depender da atuação de seus filhos, o governo de Bolsonaro será um fracasso

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Bolsonaro precisa pensar urgentemente em enquadrar a prole

Carlos Newton

Uma coisa é certa – jamais existiu um governante tão atrapalhado pelos filhos quanto Jair Bolsonaro. É uma crise atrás da outra. Os três se comportam como “príncipes-regentes”, sem perceberem que o Brasil é uma república. Os três se julgam no direito de interferir em tudo, de acompanhar com o presidente em viagem oficial (Eduardo, rumo a Davos) ou de entrar com o primo em reunião ministerial (Carlos, no Planalto).

E O MINISTÉRIO? – Bolsonaro foi eleito em meio a uma esperança enorme, mas já mostrou que tem muita dificuldade para conter os filhos, que influíram até na formação do Ministério. Aliás, cá entre nós, esse primeiro escalão é muito esquisito. Parece que os ministros foram escolhidos a dedo para que o governo não dê certo. É a impressão que está passando.

É claro que não se pode exigir que os ministros sejam trocados de uma hora para outra, porque essa inconstância depõe contra o governo. Mas há determinadas situações que estão chegando ao ponto de ruptura, como se dizia antigamente.

MORO, A EXCEÇÃO – O grande destaque do governo, até agora, é o ministro Sérgio Moro. Discreto, preparado, pró-ativo e seguro, ele já apresentou a primeira parte de seu plano contra a criminalidade. Em breve, virá o complemento. É claro que haverá resistência no Congresso Nacional, onde ainda há abundância de políticos corruptos.

A transformação do caixa 2 eleitoral em crime, como pretende o ministro Moro, não será aceita pacificamente, é claro. Mas o importante é que o ministro está fazendo a parte que lhe cabe nesse latifúndio legislativo.

Mas há outros ministros que deixam a desejar, como Paulo Guedes, chefe da equipe econômica, que há três meses está fugindo da Polícia Federal, para não depor sobre os vultosos prejuízos em investimentos que fez para fundos de pensão, aplicando os recursos em uma empresa presidida por ele mesmo, jogada tipo “batom na cueca”, como se diz na gíria policial.

OUTROS MINISTROS – Tem uma ministra, a já famosa Damares Alves, que conversou com Jesus na goiabeira, quando era menina e estava em sérios apuros. Ninguém sabe com que credenciais foi parar no primeiro escalão da República.

Na mesma situação está o chanceler Ernesto Araújo, indicado pelos três filhos e  que fez discurso de posse com trechos em grego e tupi-guarani, para bancar ser moderninho, mas todos já perceberam que se trata de um diplomata nada diplomático, digamos assim, que foi esvaziado e não manda mais nada no Itamaraty.

Há um ministro tão ignorante, chamado Ricardo Salles, que não sabe quem foi Chico Mendes e pensa que o líder ambientalista era grileiro de terras públicas, uma denúncia totalmente insana. E apareceu um membro do primeiro escalão, Salim Mattar, para elogiar a Vale e defender a empresa na tragédia de Brumadinho, vejam a que ponto chegamos.

CASO BEBIANNO – Existe também um ministro, chamado “Marcelo Álvaro Antônio” (cujo nome verdadeiro é Marcelo Henrique Teixeira Dias), envolvido com candidaturas-laranjas em Minas Gerais. Nesse mesmo esquema, complicou-se  outro ministro, Gustavo Bebianno, que era presidente do PSL, liberou recursos a pedido do Diretório pernambucano e agora está sendo crucificado por Bolsonaro pai e filho.

Bebianno diz que não fez nada de errado e não mentiu, porque se comunicou com Bolsonaro em mensagens no WhatsApp. Por isso, não pediu demissão e conta com a solidariedade do núcleo duro do Planalto, que já não aguenta mais as trapalhadas dos filhos de Bolsonaro, apelidados de os “Três Patetas”.

Aliás, com os filhos interferindo no governo, Bolsonaro nem precisa de inimigos.

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P.S 1
Já ia esquecendo. Outro destaque positivo do ministério é o general Santos Cruz, da Secretaria de Governo, realmente uma revelação. Aliás, os ministros militares são eficientes e preparados. Estamos aguardando o desempenho do almirante Bento Costa Lima Leite no ministério de Minas e Energia, um setor estratégico e que necessita ser tocado com espírito nacionalista.

P.S. 2 – Ia escrever hoje sobre a briga entre governo e a Igreja, mas fica para amanhã. O motivo do desentendimento é muito mais grave do que se pensa. (C.N.)