Bolsonaro reage às críticas de Santos Cruz e diz que o general-ministro é ‘página virada’

Resultado de imagem para bolsonaro na marcha de jesus

Cruz ficou seis meses no governo e não reclamou, alega Bolsonaro

Gustavo Schmitt
Época

O presidente Jair Bolsonaro reagiu às críticas feitas pelo general da reserva do exército Carlos Alberto dos Santos Cruz em entrevista à Época nesta quinta-feira. Após participar da Marcha para Jesus, em São Paulo, nesta quinta-feira, Bolsonaro afirmou que o general, ex-ministro da Secretaria de governo, é “página virada”.

Ao ser questionado sobre a declaração dada por Santos Cruz à revista, de que o governo é um “show de besteiras”, o presidente demonstrou irritação: “Ele (Santos Cruz) integrou o governo por seis meses e nunca disse que tinha bobagem lá dentro”, disse o presidente.

MUDAR O FOCO – Ao ouvir outras perguntas sobre as críticas do seu ex-ministro, Bolsonaro pediu para mudar o foco da entrevista: “Vamos falar de Brasil. Façam pergunta inteligente”

Na entrevista para Época, Santos Cruz disse que o governo perde tempo com “bobagens” quando deveria priorizar questões relevantes para o país. “Tem de aproveitar essa oportunidade para tirar a fumaça da frente para o público enxergar as coisas boas, e não uma fofocagem desgraçada. Se você fizer uma análise das bobagens que se têm vivido, é um negócio impressionante. É um show de besteiras. Isso tira o foco daquilo que é importante”, afirmou o ex-ministro.

Santos Cruz foi demitido por Bolsonaro da Secretaria de Governo na semana passada.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro demitiu o ex-amigo Santos Cruz secamente, sem revelar o motivo. E o general, que é uma pessoa digna e altiva, nem perguntou. O que revela a “Rádio Corredor” do Planalto é que o ministro foi exonerado porque não aceitou privilegiar, na distribuição de verbas publicitárias do governo, os sites e blogs que ficam puxando o saco de Bolsonaro sem fazer jornalismo de verdade. Um dos blogs que seriam “patrocinados”, por coincidência, é editado pelo escritor Olavo de Carvalho, o guru virginiano.

O futuro secretário de Governo, Luiz Eduardo Ramos, que também é general, terá de ser mais maleável e compreensivo, caso contrário também será detonado pelos filhos de Bolsonaro, que estão atuando mais discretamente, porém já recuperaram o controle do governo, enquanto a ala militar está perdendo terreno para os ”olavetes”, apelido que o próprio guru deu a seus fiéis seguidores. (C.N.)  

Bolsonaro escolhe um amigo pessoal para ser o novo Secretário-Geral da Presidência

Jorge Antônio de Oliveira Francisco, Jair Bolsonaro e Floriano Peixoto Neto

Floriano Peixoto, Bolsonaro e o novo secretário-geral do Planalto

Deu em O Tempo

O advogado e major da Polícia Militar, Jorge Antônio de Oliveira Francisco, irá assumir a Secretaria-Geral da Presidência da República, no lugar de Floriano Peixoto Neto, que vai assumir a presidência dos Correios. O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira (21) pelo presidente Jair Bolsonaro.

Jorge Antonio de Oliveira Francisco será o terceiro ministro a comandar a pasta no governo Bolsonaro.  Antes de Jorge Antônio, passaram pela secretaria o advogado Gustavo Bebianno e o general Floriano Peixoto.

NA CASA CIVIL – O novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República trabalha desde o início do governo Bolsonaro à frente da Subchefia de Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil, órgão que analisa a legalidade dos atos presidenciais.

Floriano substitui o general Juarez Cunha, que de acordo com Bolsonaro foi demitido por adotar um comportamento “sindicalista” ao se posicionar contrário a privatização dos Correios. O presidente disse, em coletiva a imprensa, que não pretende mudar “mais ninguém” no quadro de ministros.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Infelizmente, o presidente Bolsonaro continua errando na escolha de ministros. O major Jorge Antonio de Oliveira Francisco tem como principal destaque no currículo o fato de ser amigo pessoal do chefe do governo. E em política todos sabem que nem sempre os amigos têm capacidade de assumir cargos de tamanha importância. No caso do major-advogado, foi ele o responsável na Casa Civil por vários erros jurídicos monumentais cometidos pelo presidente, que preferia consultar o amigo, que é advogado inexperiente, e deixava de consultar o ministro da Justiça, Sérgio Moro, que sabe tudo de direito. Depois a gente volta ao assunto. (C.N.)

“Conspiração” é o único assunto em que Lula e Bolsonaro concordam em discordar

Adélio Bispo de Oliveira durante transferência para presídio em Campo Grande (MT)

Lula e Bolsonaro acreditam que Adélio participou de uma conspiração

Ruy Castro
Folha

É por isso que adoro romances de espionagem. Partem de tramas tão intrincadas que, já na segunda página, nos esquecemos de como elas são improváveis. O inglês John Le Carré é o mestre do gênero. Ou era —porque, agora, temos Lula e Jair Bolsonaro.

Há dias, Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada no candidato Bolsonaro em Juiz de Fora, em 2018, foi absolvido pelo Código de Processo Penal por ser inimputável, portador de uma doença mental. Ficará num presídio de segurança máxima, mas isso só reforçou a dúvida do ex-presidente Lula sobre se houve mesmo a facada. “Não aparece sangue…”, insinuou ele, numa entrevista. 

FALSA FACADA – Para Lula, o golpe em Bolsonaro deve ter sido feito com uma faca retrátil, de teatro, daí a falta de sangue. Para tornar a história plausível, armou-se previamente uma conspiração envolvendo o povo de Juiz de Fora, a equipe do hospital local, os que transportaram Bolsonaro para São Paulo, o pessoal do Albert Einstein que simulou operá-lo e os funcionários dos laboratórios que fingiram analisar suas tripas. Quem seria o cérebro por trás disso? Milhares de pessoas tomaram parte na farsa e, incrível, até hoje ninguém quebrou o pacto de silêncio.

O presidente Bolsonaro, por sua vez, também não admite a sentença. Para ele, Bispo foi apenas a mão que lhe cravou a faca. Por trás dela, haveria uma rede envolvendo o PT, o PC do B, o PSOL, o centrão, os ideólogos, sindicalistas, professores, jornalistas, cientistas de humanas, atores, cantores, índios, ecologistas, pacifistas, gays, lésbicas, praticantes de sexo urinário e idiotas em geral. Todos se articularam para que um ativista contratado o esfaqueasse entre milhares de pessoas e fosse preso ou linchado. E, para disfarçar, confiaram a tarefa a um —este, sim, reconhecidamente— idiota.

Tanto para Lula quanto para Bolsonaro, os psiquiatras que examinaram Bispo também devem estar na conspiração. E louco é o Bispo.

Consultor revela que o setor da agricultura enfim está ‘desmamando’ do governo

Resultado de imagem para agricultura

As exportações agrícolas conseguiram crescer 8% no ano passado

Mauro Zafalon
Folha

O crédito destinado à agropecuária comercial para a próxima safra é adequado, principalmente porque o setor já está “desmamando” do governo. Há algumas safras que a taxa de juros não subsidiada supera a Selic, reduzindo os gastos do Tesouro com equalização.

O peso maior dos custos atuais do governo vem dos recursos tomados pelos produtores nas safras passadas, para a compra, por exemplo, de tratores e de colheitadeiras.

TAXA DE JUROS – Esta avaliação é de Ivan Wedekin, da Wedekin Consultores. Ele comparou as taxas de juros das safras mais recentes. Constatou que, na de 2015/16, os juros de custeio dos grandes produtores foram de 8,8%, 5,4 pontos percentuais abaixo da Selic.

Em 2018/19, o custo dos juros dessa categoria de produtores já superou em 1 ponto percentual a Selic. Projeções para a próxima safra apontam que os grandes produtores voltarão a pagar juros superiores à Selic. Desta vez, o custo deverá superar em 2 pontos percentuais a taxa básica de juros do mercado.

O volume de crédito da próxima safra é praticamente o mesmo da atual, que foi de R$ 221,1 bilhões. Desse total, R$ 159 bilhões foram emprestados no período de julho de 2018 a maio de 2019.

FECHAR A SAFRA – Sendo o último mês da safra um período de maior movimento, Wedekin acredita que o governo vá fechar o ano safra colocando R$ 175 bilhões no mercado agropecuário, ou seja, 80% do que ficou à disposição do setor.

Na opinião do consultor, um dos pontos mais delicados do programa de crédito na próxima safra será a manutenção do orçamento de R$ 1 bilhão para o seguro rural. Já o montante de R$ 1,85 bilhão destinado à política de preços mínimos poderá superar a demanda. Em 2017, o governo gastou R$ 911 milhões com o programa de preços mínimos, volume que recuou para apenas R$ 47 milhões em 2018.

Para Wedekin, o produtor vai arcar com uma taxa de juros maior e com os pouco convidativos preços das commodities, principalmente os do café. Na avaliação dele, porém, o câmbio poderá ajudar a compensar parte das perdas.

EXPORTAÇÕES – De janeiro a abril deste ano, as exportações dos produtos do agronegócio brasileiro cresceram 8% em volume, ante as do mesmo período de 2018.

O faturamento em dólar, porém, evoluiu apenas 0,3% no mesmo período, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), porque os preços médios internacionais dos produtos estão em queda e houve valorização do dólar – esta última tirando parte da competitividade do produto brasileiro. Assim, as circunstâncias não permitiram avanço maior das receitas do setor.

Por fim, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou neste início da semana, na Associação Comercial de São Paulo, que há conversações entre os governos chileno e brasileiro para a viabilização de um acesso do Brasil ao oceano Pacífico.

Ministro da Secretaria-Geral, Floriano Peixoto deixará cargo para presidir Correios

Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Floriano Peixoto 26/02/2019 Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

O general Floriano Peixoto tem a missão de privatizar os Correios

Gustavo Maia
O Globo

Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Floriano Peixoto deixará o cargo para assumir o comando dos Correios. Peixoto, que é general da reserva do Exército, é o quarto ministro do governo do presidente Jair Bolsonaro a deixar o cargo – e o segundo da pasta.

SEM SUBSTITUTO – Até o momento, não se sabe quem assumirá o ministério, sediado no quarto andar do Planalto, um acima do gabinete presidencial. Floriano chegou ao cargo substituindo Gustavo Bebianno, primeiro ministro a cair na atual gestão, ainda em fevereiro.

Bolsonaro havia anunciado a demissão do presidente dos Correios, o também general Juarez Aparecido de Paula Cunha, ao fim de café da manhã com jornalistas que cobrem o Planalto na última sexta-feira.

Segundo o presidente, a exoneração foi motivada pela recente à ida de Juarez à Câmara dos Deputados, a convite de partidos da oposição. Bolsonaro disse que o general se comportou “como um sindicalista” na ocasião e posou para fotos com deputados do PT e do PSOL.

SEM COMENTÁRIOS – Na chegada ao Palácio do Alvorada por volta das 18h50 desta quinta, Bolsonaro desceu do carro, cumprimentou jornalistas e apoiadores que o aguardavam na entrada da residência oficial, mas não respondeu a nenhuma pergunta.

Na última terça-feira, Bolsonaro havia dito que não sabia quem seria o novo presidente da estatal, comentando que “a criança” estava nascendo. Em seguida, afirmou que havia “alguns nomes aparecendo”.

– Logicamente, o presidente que vai assumir vai cumprir o seu papel naturalmente. E o governo deu sinal verde para buscar a privatização, se bem que ela passa pelo Parlamento também.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É impressionante o troca-troca de demissões e nomeações nos primeiros escalões do governo. Jamais se viu esse fenômeno na História da República. Alega-se que não se deve criticar o governo, porque Bolsonaro só está no poder há seis meses. Mas com tantas demissões e novas nomeações, fica claro que há alto de errado, pois o governo não tem a menor estabilidade. Certamente é por isso que dá a sensação de que na verdade ainda nem começou. É uma situação que revela um surpreendente amadorismo, pela falta de executivos competentes para ocupar importantes funções na República. O assunto é preocupante e vamos voltar a ele, porque, desse jeito, fica cada vez mais difícil o governo tirar o país da crise. (C.N.)

O que já era muito difícil no Brasil antes da tuitercracia, agora ficou ainda pior

Resultado de imagem para twitter charges

Charge do Durval (Arquivo Google)

Delfim Netto
Folha

A verdadeira “república democrática” deve garantir a todos os seus membros: 1º) o pleno direito à vivência de sua cidadania, sem distinções identitárias; e 2º) a igualdade de oportunidades apoiada em políticas públicas que nivelam a capacidade cognitiva de todos, independentemente da história e da geografia de seus progenitores.

Todo cidadão sairá para a vida com os mesmos instrumentos para compreender o mundo. O ponto de chegada de cada um dependerá do seu esforço combinado com a sua sorte, e não mais das condições prevalecentes na partida!

INTOLERÂNCIA – Por que não se conseguiu, até agora, realizar essa aspiração? Porque o homem costuma recusar, sem nenhuma razão objetiva, o conhecimento empírico quando este nega suas crenças pré-concebidas!

Por que uma mãe caridosa recusa para seu filho uma transfusão de sangue quando evidências empíricas de seus efeitos benéficos acumulam-se há pelo menos um século?

Por que um evangélico se recusa a aceitar o fato empiricamente comprovado de que a identidade sexual não é zero ou uma, mas todas as possibilidades e, por isso, quer “curar” o normal LGBT?

DEMOCRACIA – O governo Bolsonaro não quer aceitar que não há a forma de se construir uma sociedade civilizada sem políticas públicas focadas e apoiadas na evidência empírica, que obedece à metodologia científica universalmente aceita.

Como é evidente, a viabilidade da “república democrática” depende da construção de um consenso de tolerância entre seus membros com relação a todas as diferenças identitárias, o que exige um contrato social: uma Constituição —uma lei à qual todos se submeterão— sob o controle do Supremo Tribunal Federal, ele mesmo submetido a ela. Esse processo circular pode apresentar problemas lógicos insuspeitados quando há eventos dramáticos.

ONDAS DE CONTÁGIO – O que já era difícil antes do Twitter ficou muito pior. Todos o usam: líderes políticos, jornalistas, jovens e velhos, ricos e pobres. Vivemos uma espécie de “tuitercracia”, que produz “ondas de contágio” que podem ter graves consequências, uma vez que estimulam as diferenças identitárias.

Sua “voz” é flutuante, inconstante e costuma trocar de sinal quase instantaneamente, o que desmoraliza e destrói as instituições que ainda restam da democracia liberal. Esta que está sendo substituída, lentamente, pela iliberal, que não prioriza a liberdade nem o devido processo legal. Não vai terminar bem.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! A coisa está muito séria. Desde o fim do regime militar, Delfim Netto jamais criticou governo algum, nunca fez oposição. E de repente sai chutando o balde, ao descrever a nossa “tuitercracia”. E o pior é que Delfim está cheio de razão. (C.N.)

O sonho inútil de rejuvenescer, na visão poética de Alphonsus de Guimaraens

Resultado de imagem para alphonsus de guimaraensPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O juiz e poeta mineiro Afonso Henriques da Costa Guimaraens (1870-1921), que adotou o nome de Alphonsus de Guimaraens, no soneto “Como se moço e não bem velho eu fosse”, sente sua vida se modificar para melhor através de um sonho, mas, infelizmente, o poeta acorda para a realidade.

COMO SE MOÇO E NÃO BEM VELHO EU FOSSE
Alphonsus de Guimaraens

Como se moço e não bem velho eu fosse,
Uma nova ilusão veio animar-me,
Na minh’alma floriu um novo carme,
O meu ser para o céu alcandorou-se.

Ouvi gritos em mim como um alarme.
E o meu olhar, outrora suave e doce,
Nas ânsias de escalar o azul, tornou-se
Todo em raios, que vinham desolar-me.

Vi-me no cimo eterno da montanha
Tentando unir ao peito a luz dos círios
Que brilhavam na paz da noite estranha.

Acordei do áureo sonho em sobressalto;
Do céu tombei ao caos dos meus martírios,
Sem saber para que subi tão alto… 

Bolsonaro enviará novo projeto de Capitalização, cujo texto não é de Paulo Guedes

Resultado de imagem para CAPITALIZAÇÃO CHARGES

Charge do Rico (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Matéria assinada por José Marques e Ângela Boldrini, Folha de São Paulo de quinta-feira, revela a disposição do presidente Jair Bolsonaro de, rejeitado o texto de Paulo Guedes, enviar ao Congresso outra proposição para o regime de capitalização destinado a aposentadoria dos celetistas, entre eles os servidores das estatais, e do funcionalismo federal. Essa disposição foi anunciada pelo presidente da República logo após participar na quarta-feira de evento da Aeronáutica na cidade paulista de Guaratinguetá.

Com isso – digo eu – Bolsonaro já dá como perdido o projeto original para a reforma da Previdência. No caso pelo menos tacitamente afasta-se do conteúdo do projeto que está dando margem a uma série de debates tanto no Legislativo quanto na opinião pública.

EXCLUSÃO – Não fosse a atitude de criar novo projeto uma prova de que a Câmara deve rejeitar a capitalização na primeira investida, o presidente da República não faria a revelação que fez. De fato o relatório do deputado Samuel Moreira excluiu a capitalização construída pela equipe de Paulo Guedes.

Politicamente não há como negar que o episódio representa um novo desgaste para o governo. Desgaste ampliado pelo mal relacionamento que Guedes estabeleceu com o Poder Legislativo. Sobretudo com Rodrigo Maia que o apontou como um dos integrantes da usina de crises que abastece o Planalto.

DESARTICULAÇÃO – A repórter Ângela Boldrini acrescenta que a articulação política da Presidência está falhando sucessivamente.

Inclusive já se recuou no afastamento do Ministro Onyx LorenzonI dos entendimentos entre o Palácio e o esquema partidário que lhe dá sustentação no Congresso, para que o relacionamento não se torne ainda mais difícil. O general Eduardo Ramos, futuro ministro da Secretaria do Governo só passará a substituir Onyx após a aprovação da reforma da Previdência, assumindo então os diálogos entre o Executivo e os parlamentares

CONFUSÃO – Uma reportagem de Eliane Cantanhede, Ane Worth e Mariana Haubert, no Estado de São Paulo, ilumina com nitidez o que está se passando no Palácio do Planalto. Confusão. O general Eduardo Ramos não parece ser flexível no relacionamento fisiológico com os parlamentares que praticam essa espécie de coptação. Pelo contrário. A comunicação tornar-se-á mais difícil. Acentuo que o tipo de diálogo que marcou os governos Lula, Dilma e Michel Temer dificilmente poderá ser retomado. Uma questão de estilo. Diferente do que as gravações de Joesley Batista e também da corrida de Rocha Loures com a mala de 500 mil reais que o tornou personagem da noite paulista.

Em matéria de desarticulação tem-se a impressão que a ausência de comunicação vai se refletir nas calmas águas do Lago Paranoá.

Atenção, Bolsonaro! O BNDES e o Brasil não podem ser geridos por principiantes!

Resultado de imagem para bndes

O BNDES é o principal instrumento de política econômica do país

Carlos Newton

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pode ser comparado ao próprio Brasil, porque não é para principiantes, como dizia o húngaro Peter Kellemen, que em 1959 lançou pela Civilização Brasileira um livro delicioso sobre golpes e vigarices que eram aplicadas no país, cujo título era “Brasil para Principiantes”. Kellemen estava há apenas seis anos no Brasil, mas conseguiu sacar como o país funcionava e seu o livro foi um grande best-seller.

Kellemen era um tremendo pilantra que se dizia médico ou diplomata, dependendo do freguês. Depois de lançar o livro, o espertalhão criou o “Carnê Fartura”, com boletos pagos mensalmente e que concorriam a sorteios milionários. Quando se encheu de dinheiro, Kellemen fugiu para a Paraguai e nunca mais foi visto por aqui, porque ele não era principiante. E Silvio Santos roubou a ideia dele e criou a TeleSena, uma máquina de fazer dinheiro.

BANCO DE FOMENTO – Assim como o Brasil, o BNDES também não é para principiantes. Até recentemente era o maior bancos de fomento do mundo e tem um corpo técnico de fazer inveja, pelo grau de especialização. Imagine qualquer setor da economia e tenha certeza de que lá no BNDES existem especialistas no assunto, com celulose, veículo leve sobre trilhos, qualquer tipo de mineração, agroindústria, energia, comunicações, fármacos, o que você imaginar é estudado em profundidade pelos especialistas do banco.

Com o melhor corpo técnico do Brasil, o BNDES é hoje o principal instrumento de que dispõe o governo para buscar a retomada dos investimentos e a recuperação da economia.

Mas parece que o governo Bolsonaro, ao invés de usar a expertise do BNDES para enfrentar a recessão, faz exatamente o contrário e se mostra disposto a acabar com o banco de fomento, e para tanto já conta com a ajuda do Congresso.

MALUQUICE – O relator da reforma da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP), fez a maior maluquice do ano, ao propor que sejam extintos os repasses ao BNDES de 40% da arrecadação do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Isso significa cortar, de uma só cutelada, quase 50% da receita do banco de fomento. Essa fatia do FAT antes representava 35,3% da arrecadação do BNDES, mas o percentual está crescendo devido à devolução de recursos ao Tesouro.

O presidente Jair Bolsonaro está deixando as águas rolarem na Câmara, mas alguém tem de evitar essa insanidade. A quem interessa enfraquecer o BNDES, principal instrumento de política econômica?  

O pior é que Bolsonaro está nomeando um executivo de 38 anos para presidir o BNDES, cuja única indicação no currículo é ter sido amigo de infância dos três filhos mais velhos do presidente. Era só o que faltava!, diria o Barão de Itararé.

###
P.S. 1 – O ministro Guedes não dá importância ao BNDES, porque é um irresponsável e parte do princípio de que o livre mercado resolve tudo. Quanto a Bolsonaro, se não consegue entender o papel decisivo do BNDES na economia, é recomendável perguntar aos generais do Planalto, que saberão lhe explicar, pois estudaram economia nos Cursos de Estado Maior e na Escola Superior de Guerra. 

P.S. 2Aliás, os generais precisam lembrar ao capitão que ele foi eleito para salvar o Brasil, e não para destruí-lo de vez. (C.N.)

Prefeito que exigiu presença de servidores em show da noiva é preso em Pernambuco

Prefeito já responde por improbidade administrativa

Demóstenes e a noiva, que gosta de cantar no bloco de carnaval

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O prefeito de Camaragibe (PE), Demóstenes Meira (PTB), foi preso durante a Operação Harpalo II”, organizada pela Polícia Civil de Pernambuco. O petebista é investigado por corrupção, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A investigação começou em dezembro de 2018, com objetivo de prender integrantes de organizações criminosas.

Durante a operação, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva. Foram presos, além do prefeito (que teve também afastamento cautelar do cargo), o empresário Severino Ramos da Silva; a esposa do empresário, Luciana Maria da Silva, e o empresário Carlos Augusto e sua esposa, Joelma Soares.

IMPROBIDADE – Ao todo, 40 policiais civis participaram da ação. No dia 18 de fevereiro, o Ministério Público de Pernambuco abriu procedimentos para apurar possíveis atos de improbidade administrativa do prefeito Demóstenes Meira.

Em áudios enviados pelo WhatsApp, Demóstenes Meira ordenou que os funcionários comissionados comparecessem ao bloco de carnaval Canário Elétrico, no dia 17 de fevereiro, no qual se apresentaria como cantora a sua noiva Taty Dantas, que é secretária municipal da Ação Social.

Camaragibe fica na região metropolitana do Recife. A cidade tem cerca de 150 mil habitantes. A reportagem entrou em contato com a prefeitura, mas não obteve retorno.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Foi um final festivo – a noiva cantou e o prefeito dançou… (C.N.)

É preciso entender e aceitar o jeito Bolsonaro de ser, pois ele quer fazer a coisa certa

Imagem relacionadaPercival Puggina

Muitos analistas políticos têm batido na tecla da necessária interlocução entre o Executivo e o Legislativo. Afinal, o Congresso tem a legitimidade institucional para aprovar ou não os projetos do governo e os cidadãos devem ficar fora desses assuntos. O parlamento é o lugar onde se fala e onde se verbalizam opiniões divergentes. Portanto, “bora conversar” que tudo se resolve.

Resolve? Não. Contudo, ainda que resolvesse – e volta e meia não resolve mesmo – a política é só isso? É apenas um formulário institucional onde os poderes conversam e as opiniões, magicamente, se harmonizam porque todos querem o bem do país? Acumulam nossas instituições méritos que as façam merecedoras da confiança nacional? Novamente, não.

LIÇÃO CLÁSSICA – Tenho como verdadeira a clássica lição segundo a qual a política é possível pelo que as pessoas têm de bom e necessária pelo que nelas há de mau. Sociedades humanas, para um ou para o outro, precisam de elite e precisam de liderança.

Certa feita, comentando as habilidades de Lula como comunicador, registrei minha observação segundo a qual, sobre o mesmo assunto, ele tinha opiniões diferentes para públicos diferentes e, graças a isso, era aplaudido dizendo A e dizendo o contrário de A.

Essa “habilidade” é uma das condições necessárias para identificar um trapaceiro, jamais um estadista. Estadistas não molham o dedo na saliva e o esticam ao ar para perceber de que lado sopra o vento no auditório.

DOM ESCASSO – Na política, liderança e, especialmente, liderança exercida sobre a massa, é um dom distribuído em proporções escassas. Bolsonaro tem esse dom e só ele explica a vertiginosa escalada que o levou à Presidência, contrariando a vontade explícita de quase todos os profissionais da opinião pública, aí incluídos políticos e comunicadores.

Não adianta atacar e fustigar Bolsonaro, apontando suas limitações porque elas nunca foram dissimuladas. Ninguém está a descobrir uma face oculta do Presidente. Tais limitações sempre fizeram parte do jeito Bolsonaro de ser, jeito que a população conhece e ao qual atribui valor elevado num mercado de baixas cotações.

TEM INTENÇÃO – Parcela significativa da sociedade sabe que Bolsonaro não é o príncipe perfeito, mas percebe nele sadia intenção de se sacrificar para fazer a coisa certa. Não tenho o costume de usar citações bíblicas em textos sobre política, mas é impossível não lembrar, aqui, das palavras de Jesus sobre tomar a própria cruz e segui-lo. Tirar o Brasil da situação em que está exige do governante esse mesmo ânimo para enfrentar aqueles que fogem como o diabo de qualquer cruz. Que dizer-se de carregá-la! Ela, a cruz, é parte do problema do governo com a base.

O empenho que se percebe em tantos meios de comunicação, visando a constranger as redes sociais ao silêncio, sustar as cívicas e civilizadas mobilizações de rua e diagnosticá-las como intrusivas e impróprias, outra coisa não é que tentativa de isolar o Presidente de seu principal e mais consistente apoio.

“Governo Bolsonaro é um show de besteiras”, diz o general Santos Cruz à “Época”

Carlos Alberto Santos Cruz

Santos Cruz: “Bolsonaro sequer mencionou o motivo da demissão”

Paulo Roberto Netto
Estadão

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido na semana passada da Secretaria de Governo da Presidência da República, criticou a gestão Bolsonaro por perder tempo com “bobagens” e “fofocagem” quando deveria priorizar ações relevantes do governo para o País. As declarações foram dadas em entrevista à revista Época na última terça, 18, e publicada nesta quinta, 20.

“Se você fizer uma análise das bobagens que se têm vivido, é um negócio impressionante. É um show de besteiras. Isso tira o foco daquilo que é importante”, afirmou Santos Cruz. “Tem muita besteira. Tem muita coisa importante que acaba não aparecendo porque todo dia tem uma bobagem ou outra para distrair a população, tirando a atenção das coisas importantes”.

NIVELZINHO – Sem mencionar nomes, o general afirmou que “essas brigas por Twitter” não é o que interessa para o Brasil e que o País “não pode continuar discutindo esse nivelzinho de coisa”.

“Se você tem alguma coisa contra a pessoa, você tem de falar individualmente. O que acontece é que os recursos todos de tecnologia estão fazendo muita gente esquecer que a melhor maneira de você se comunicar, principalmente entre pessoas públicas, não é de maneira pública. É pessoalmente”, afirmou.

Apesar do relacionamento de longa data, Santos Cruz disse que “não tem chance de cultivar essa amizade” com o presidente. “Ele está no governo como presidente da República. Não tem nem oportunidade de que isso seja cultivado porque a pessoa está em outras atribuições que tomam muito a vida da pessoa. Deixa governar. Tomara que dê tudo certo”.

SEM MOTIVO… – Santos Cruz afirmou não ter falado com Bolsonaro desde a demissão e, apesar de considerar a substituição “uma coisa normal”, disse que não perguntou o motivo da demissão. “A partir da hora que decidiu, não vou ficar gastando tempo para discutir o porquê. É mais uma obrigação da pessoa explicar. Não é só direito meu saber, como também é obrigação da pessoa explicar. Ele não explicou”, disse.

O general também evitou comentar fatos anteriores à sua demissão. “Tem de saber, nesta vida, a hora em que fala e a hora em que não fala”, afirmou. “Mas, quando passar essa fase, vou escrever alguma coisa”.

ATAQUES – Santos Cruz foi substituído pelo general Luiz Eduardo Ramos, que é amigo de Bolsonaro. Antes da demissão, havia sido alvo de uma série de ataques dos filhos do presidente e de Olavo de Carvalho, guru do governo federal.

Em 4 de maio, Olavo disparou uma série de críticas ao general em sua conta do Twitter. “Santos Cruz e Ciro Gomes são aqueles tipos de bandidinhos que não podem receber um elogio sem respondê-lo com insultos, para mostrar que são gostosões. B… em toda a extensão do termo”, escreveu em um dos posts.

TRÓTSKI DE DIREITA – “Vocês acham que o Santos Cruz tem capacidade para ler e analisar uma só página da minha filosofia? O que ele tem, sim, é a capacidade de fofocar e difamar pelas costas”, acrescentou Olavo de Carvalho em outra postagem

Ex-comandante do Exército, o general Eduardo Villas Bôas saiu em defesa do colega. Chamou Olavo de “Trótski de direita”, em referência ao revolucionário bolchevique, figura central da guerra civil russa.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A que ponto chegamos. Como é que se demite um oficial-general do padrão de Santos Cruz e sequer menciona o motivo. É muita falta de educação e de caráter. Bolsonaro está perdendo o rumo e levando o pais para o abismo. Apenas isso. (C.N.)

Onyx continua na articulação política até aprovação da reforma, anuncia o governo

Resultado de imagem para onyx lorenzoni charges

Onyx Lorenzoni vai funcionar como um “gerentão” do governo

Natália Portinari e Bruno Góes
O Globo

A Secretaria de Governo da Presidência da República (Segov) informou que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, vai continuar à frente da articulação política “até o final do processo da reforma da Previdência “, apesar de a função ter sido transferida formalmente à Segov.  O novo ministro da pasta, Luiz Eduardo Ramos, será empossado em julho no lugar do general Santos Cruz, demitido na última quinta-feira.

“O processo de transferência das atividades dessa Secretaria se dará de forma paulatina, até que o novo ministro da Segov, Luiz Eduardo Ramos, possa se inteirar de toda a pasta sob o seu comando. Dessa forma, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, continuará à frente da articulação política do governo até o final do processo da Reforma da Previdência, em discussão na Câmara dos Deputados”, diz a Segov em nota na tarde desta quarta-feira.

A MUDANÇA – Em Medida Provisória publicada nesta quarta-feira, a atribuição de articulação política foi transferida da Casa Civil para a Secretaria de Governo. Na cúpula da Câmara e do Senado, a percepção é de que o movimento esvazia os poderes de Onyx, mesmo que ele continue recebendo deputados e falando em nome do governo.

Não está claro para o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), segundo um interlocutor próximo, como o governo irá coordenar sua articulação em votações importantes que devem ocorrer nas próximas semanas. Uma delas é a possível derrubada do decreto que ampliou o posse e a porte de armas. Aprovada nesta terça-feira pelo Senado, a proposta agora será analisada na Câmara.

TERRAS INDÍGENAS – A MP desta quarta-feira também devolveu ao Ministério da Agricultura a função de demarcar terras indígenas, o que o Congresso já havia vetado ao aprovar a reforma administrativa de Bolsonaro. Partidos da oposição querem que a MP seja derrubada, outra crise em que será preciso articular.

Historicamente ligada à Casa Civil, a Subchefia para Assuntos Jurídicos (SAJ) também deixou a pasta e passará a integrar a Secretaria-Geral da Presidência, que hoje é comandada por ministro Floriano Peixoto. Algumas lideranças consideram a perda da SAJ a alteração mais importante da MP.

O órgão é responsável pela análise e formulação de portarias, decretos, leis e medidas provisórias. Segundo o presidente de um partido do centrão, é um dos mais cobiçados do governo, pois interfere em grande parte das iniciativas do Executivo. Portanto, Onyx perderia poder sem a SAJ.

Mas aliados do ministro da Casa Civil alegam que a mudança foi estruturada pelo próprio Onyx, e que agora ele será uma espécie de “gerentão do governo”.

Onyx será responsável pela interlocução dos ministérios, terá a secretaria que trata do programa de privatizações e cuidará da supervisão de todas as pastas.

IGUAL A TEMER – O modelo é descrito por como similar ao do governo Michel Temer, quando Carlos Marun era uma espécie de “gerentão” e Eliseu Padilha tocava a articulação política e supervisionava votações no Congresso. A expectativa é que o general que vai assumir a Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, nomeie um político para comandar a articulação política. Entre deputados, circula o nome do secretário especial da Previdência, Rogério Marinho.

Aberlardo Lupion, que assumiu recentemente o lugar do ex-deputado Carlos Manato na Casa Civil, não será mais responsável por auxiliar no relacionamento com parlamentares. Ele assume a Secretaria Especial de Relacionamento Externo, que terá a função de dialogar com associações, empresários, conselhos e outras entidades.

Na terça-feira, a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), recebeu do presidente da República a notícia de que Onyx deixaria a articulação política. Segundo aliados de Joice, a troca causou insatisfação. A parlamentar gosta de Ramos, mas não o vê como uma pessoa adequada para supervisionar a articulação.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Joice Hasselmann tem razão. General fazendo articulação política é mais esquisito do que cachorro usando óculos escuros. É claro que não vai dar certo. (C.N.)

Juiz paulista condena três filhos de Paulo Maluf à prisão por lavagem de dinheiro

Flávio já esteve preso junto com o pai, mas acabou se livrando

Pepita Ortega e Fausto Macedo
Estadão

O juízo da 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo, condenou nesta quarta, 19, Flavio Maluf, Ligia Maluf Curi e Lina Maluf Alves, por lavagem de dinheiro. Flávio Maluf terá de cumprir oito anos de reclusão em regime fechado. Já suas irmãs, Ligia e Lina foram sentenciadas a quatro anos de prisão em regime semiaberto.

Os três filhos do ex-prefeito da capital paulista Paulo Maluf são acusados de ocultar valores provenientes de crimes contra a administração pública. O ex-deputado federal foi condenado em 2017 por lavagem de dinheiro e desde agosto de 2018, cumpre prisão domiciliar.

FORO PRIVILEGIADO – A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público em dezembro de 2006, mas por conta do cargo exercido por Paulo Maluf na época, como Deputado Federal, os autos foram enviados ao Supremo Tribunal Federal.

A peça inicial trata de oito situações supostamente criminosas, mas por conta de desmembramentos da denúncia e de casos de extinção da punibilidade e absolvição sumária, somente duas são analisadas na ação que tramita na 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

O primeiro ponto indicado na sentença publicada nesta terça, 19, descreve o envolvimento de Flávio, Ligia e Lina na movimentação de supostos recursos na conta Chanani no Banco Safra de Nova Iorque, por meio de fundos de investimento.

DESVIO DE RECURSOS – Segundo a denúncia, a conta recebeu US$ 10,5 milhões entre janeiro e fevereiro de 1998, por meio de 13 transferências bancárias. O valor seria oriundo de recursos desviados das obras da Avenida Água Espraiada – a atual Avenida Jornalista Roberto Marinho, na zona sul da capital paulista – por meio de operações dólar-cabo. O custo final da obra atingiu aproximadamente R$ 796 milhões.

Os acusados teriam ainda ‘promovido a integração do capital, em tese, criminoso, à economia formal brasileira’, por meio da aquisição de debêntures da empresa Eucatex S/A, controlada pela família Maluf. De acordo com o órgão acusatório, teriam sido movimentados US$ 92,2 milhões entre 1997 e 1998.

OUTRA CONTA – A outra questão mencionada na ação é que Flávio seria o titular de uma conta da Ágata International Holdings Corporation, mantida no MTB Bank of New York, que segundo o Ministério Público Federal, teria ‘desempenhado importante papel no suposto esquema de lavagem de capitais engendrado pela família Maluf’. O texto destaca que tal conta teria movimentado entre janeiro de 1997 e agosto de 2003, mais de US$ 500 milhões.

Para proferir a sentença, o juízo considerou os US$ 10 milhões depositados na conta Chanani, que foi objeto de duas transações financeiras posteriores, e US$ 250 mil relativos à uma transferência para a conta da offshore Ágata.

A defesa dos filhos de Maluf informou que ainda não tevê acesso à sentença e vai se pronunciar quando isso ocorrer.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Os filhos de Maluf vão recorrer. Como é sentença em primeira instância, ficam em liberdade e só serão presos com a condenação sendo confirmada no Superior Tribunal de Justiça, e isso só deve ocorrer quando o filho Flávio já estiver usando fralda geriátrica, como o pai Maluf, circunstância que lhe garante direito a prisão domiciliar na mansão em que vive, segundo o conhecimento jurídico do ministro Dias Toffoli, que nem mandou Maluf ser examinado por junta médica. (C.N.)

Nesta quarta-feira, a sala da CCJ do Senado foi palco-salão de uma tragédia

Resultado de imagem para moro na ccj

No lugar de Moro, que deveria estar depondo é Glenn Greenwald

Jorge Béja

Nesta quarta-feira, 19 de Junho de 2019, a sala da Comissão de Constituição e Justiça do Senado foi palco-salão de uma tragédia. Uma vítima inocente sentou-se numa espécie de banco dos réus para ser interrogado! Ninguém enxerga isso? Uns dizem que Moro saiu-se muito bem… Que Moro mostrou que não cometeu infração alguma…. Que Moro respondeu, com segurança, a todas as perguntas…Mas calma lá!  Que crime Moro é acusado de ter cometido?

Ele, sim, é que foi vítima de crime covarde, quando teve invadida sua privacidade e o criminoso-invasor apoderou-se das mensagens e as tornou públicas, em capítulo, em pílulas, em etapas! Isso, se o teor das gravações conseguidas criminosamente forem mesmo verdadeiras.

ERRO DE PESSOA – Quem deveria estar sentado atrás daquela mesa e sendo interrogado é esse estrangeiro Glenn Greenwald, um criminoso que nem o nobre ofício de jornalista acoberta seus crimes, por ele cometidos e/ou por ele divulgados.

Quem segura a escada para o ladrão roubar também responde pelo crime de roubo. Quem divulga mensagens de terceiros, conseguidas criminosamente, ainda que não seja o divulgador quem as gravou, é tão bandido quando quem gravou, quem copiou, quem invadiu.

Quem também deveria estar sentado atrás daquela mesa para ser interrogado era a doutora Raquel Dodge que, na chefia do Ministério Público Federal, cruzou os braços e não pediu à Justiça a busca e apreensão do material criminoso em poder do tal Greenwald.

CASO NEYMAR – Enquanto isso, o mesmo Ministério Público (o Ministério Público é uno e indivisível, seja estadual, seja federal), pediu e obteve na Justiça a busca e apreensão do celular da “cândida” jovem Nájila Trindade, que foi a Paris para passear com Neymar e ver como ficou a Catedral de Notre Dame e voltou acusando o jogador de tê-la estuprado e de outros crimes. Tudo gravado, segundo ela, pelo seu celular.

 Mesmo assim e apesar da tragédia, nosso presidente Jair Bolsonaro resumiu, acertadamente, tudo numa frase a respeito da covardia que fizeram com Sérgio Moro: “Vão quebrar a cara. Podem procurar outro alvo”.

Supremo pode adiar julgamento sobre suspeição de Moro nas ações da Lava Jato

Resultado de imagem para supremo CHARGES

Charge do Nani (Charge Online)

Mônica Bergamo
Folha

O STF (Supremo Tribunal Federal) pode adiar o julgamento sobre a suspeição do ministro Sergio Moro nos processos da Lava Jato, marcado para a próxima terça-feira (dia 25). A pressão é grande no sentido de postergar a análise do caso. Mas a decisão só deve ser tomada no dia, e por todos os cinco ministros da Segunda Turma, que julgará o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Lula.

O habeas corpus foi apresentado ao STF antes do escândalo das mensagens de Moro com os procuradores da Lava Jato, revelado pelo site The Intercept Brasil.

Um dos pilares da argumentação da defesa é o fato de Moro ter conversado com emissários de Jair Bolsonaro para integrar o governo dele quando ainda era juiz.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A notícia é muito importante, e a jornalista Mônica Bergamo tem informantes privilegiados no PT. A defesa de Lula anexou as denúncias do The Intercept. Só quem pode adiar o julgamento é a ministra Cármen Lúcia, que acaba de assumir a presidência da Segunda Turma. Já foram dados dois votos contra Lula, pelo relator Édson Fachin e pela então revisora Cármen Lúcia. Além de Lewandowski, o ex-presidente, que será o último a votar, faltam Gilmar Mendes e Celso de Mello.

A dúvida é saber se os três têm coragem de libertar Lula com base nessa armação mal ajambrada e que não deu certo, na tentativa de transformar o processo de Lula num conluio de perseguição política. Será que os três ministros terão a audácia de afrontar a nação, agindo ao arrepio da lei dentro do próprio Supremo? É difícil, mas possível. (C.N.)

Facebook censura perfil de Carlos Bolsonaro, por exibir foto de um marginal armado

Resultado de imagem para carlos bolsonaro + foto de marginal

Esta foto do homem que ameaçou Jair Bolsonaro causou a censura

Deu no Correio Braziliense

A filho mais antenado nas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro ficou irritado com o Facebook. Isso porque a plataforma de Mark Zuckerberg bloqueou o perfil de Carlos Bolsonaro por sete dias, por ter exibido a foto de um marginal empunhando uma pistola.

O motivo, de acordo com o próprio Carlos, foi uma quebra das diretrizes da empresa. O que ocorreu é que Carlos postou um conteúdo considerado pela rede como “algo que não segue os nosso padrões”.

EXPONDO VERDADES – Carlos postou a indignação pelo Twitter e no Facebook — sob diferentes administradores: “Tivemos nossas contas bloqueadas por 7 dias pelo Facebook por mostrar um marginal impondo terror à população brasileira. Graças a Deus, temos outros administradores e seguiremos expondo as verdades que tentam omitir”.

O perfil de Carlos Bolsonaro no Facebook tem quase 800 mil pessoas como seguidoras.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como todos nós, Carlos Bolsonaro tem defeitos e qualidades. O principal defeito é a mania de ficar dando pitacos no governo do pai, especialmente nos assuntos ligados à Comunicação. E sua maior qualidade é a ser sincero, ao lutar pela coletividade à sua maneira, que nem sempre é a mais apropriada. Mas nesse episódio com o Facebook, o vereador carioca está sendo censurado, o que é inadmissível. Apenas postou a foto de um idiota que ameaçou o presidente Bolsonaro nas redes sociais, foi preso e pediu desculpas. (C.N.)

 

Sergio Moro conseguiu provar que não houve conluio e sua honra continua inatacável

Resultado de imagem para sergio moro rindo

Depois de 8 horas de depoimento, Sergio Moro era só alegria

José Carlos Werneck

Deixando de lado as preferências político-partidárias e guardando-se a devida e sempre recomendada distância emocional dos fatos e seus personagens, há de se ressaltar o depoimento robusto e hercúleo prestado, nesta quarta-feira, pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, respondendo no Senado Federal sobre sua condução nos processos referentes à Operação Lava-Jato.

Hercúleo, porque exigiu mais de oito horas de explicações estafantes e monótonas, para algumas conhecidas figuras que faziam perguntas infantis e embasadas unicamente na distorção e manipulação dos fatos, a respeito do brilhante trabalho de Moro, quando atuava como magistrado, no estado do Paraná.

ISENÇÃO E TÉCNICA – O trabalho do então juiz Moro, em Curitiba, sempre impressionou pela isenção e pela técnica, sempre preocupado em sustentar argumentos jurídicos minuciosos e capazes de justificar suas sentenças, nas quais demonstrou todo o seu embasamento intelectual e, principalmente, seu profundo conhecimento jurídico e processual

Isso tudo, sem deixar de levar-se em conta sua coragem e desassombro em questionar atitudes pouco recomendáveis de personagens poderosos e até então considerados intocáveis.

Na audiência, Moro exibiu a impressionantes estatísticas que demonstraram o acerto de suas decisões e sentenças, com confirmação em segunda instância e nos tribunais superiores, o STJ e o STF.

ACERTOS E DIVERGÊNCIAS – Sergio Moro mostrou que, na condução dos processos de sua responsabilidade na Lava Jato, foi claro e preciso em tipificar os delitos cometidos por cada um dos denunciados, sem se deixar levar por paixões políticas ou ideológicas de quaisquer espécies.

Só uma pessoa mal intencionada e comprometida com conhecidos criminosos, pode deixar de reconhecer a lisura da impecável atuação do então magistrado. E ao depor no Senado, Moro mostrou as múltiplas divergências entre ele, como juiz, e os procuradores, provocando que jamais houve conluio de nenhuma espécie.

Seu trabalho enobreceu e engrandeceu a função judicante e começou a reacender no coração dos jurisdicionados a fé e a confiança no Poder Judiciário, que até hoje ainda estão muito abaladas.

TRABALHO MAGISTRAL – Por tudo isso, a atuação deste grande magistrado será sempre lembrada como o mais importante trabalho já feito no Brasil por um magistrado de primeira instância, algo jamais visto no Poder Judiciário brasileiro.

Que este honrado homem público e inatacável ex-magistrado guarde para sempre em sua memória que a atual geração de brasileiros, que continua a acompanhar, entusiasmada, seu novo trabalho, tem imensa honra e grande orgulho em tê-lo como seu representante no Governo da República!

Não desista, ministro Sergio Moro. A verdade prevalecerá e os canalhas e ladrões, ao final, serão sempre desmascarados.

Alguém precisa dizer logo ao presidente Jair Bolsonaro: “É a economia, estúpido!”

Resultado de imagem para economia brasileira charges

Charge do Cazo (Facebook:  luizfernando.cazo)

Carlos Newton

Uma das maneiras de defender o governo Bolsonaro é dizer que ainda não completou nem seis meses. Realmente, é cedo para avaliar o que não fez, mas é possível julgar o que já fez. É claro que não se pode incluir nos acertos da gestão a reforma da Previdência, porque a Câmara está tendo de aperfeiçoá-la, para que se torne exequível.

Mas deve-se reconhecer a procedência do pacote anticrime de Moro e da medida provisória para acabar com a contribuição sindical obrigatória, embora se saiba que teria sido muito melhor optar por decreto-lei.

CURTO-CIRCUITO – Quanto ao decreto das armas, poderia ser positivo, se apenas facilitasse a compra de um .38 para qualquer cidadão de ficha penal limpa, como era no regime militar, e de uma escopeta ou fuzil para produtor rural que more em local ermo.

O problema é que o filho Eduardo Bolsonaro, o Zero Três, decidiu entrar em cena e provocou um curto-circuito. Resolveu  liberar porte de arma para uma série de profissões, criou uma confusão dos demônios. O porte de arma carregada deveria ser limitado a militares e policiais da ativa e da reserva, assim como a pessoas sob ameaça concreta. Quanto a praticantes de tiro ao alvo, o porte deveria ser de arma descarregada da munição.

Como o deputado/chanceler resolveu liberar geral, o que é um flagrante absurdo, agora o decreto terá de ser refeito como medida provisória ou mensagem de projeto ao Congresso.

OUTRAS MEDIDAS – Colocar o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) no Ministério da Justiça também foi acertado, mas Bolsonaro teve de recuar, e não foi culpa dele. Mas tirar a Funai do Ministério da Justiça foi bobeira e o Congresso apontou.

Dar mais prazo de validade às Carteiras de Habilitação foi um avanço, mas retirar os pardais é um tremendo retrocesso. Nesse ponto, deve-se apoiar o governador Wilson Witzel, que já reduziu para 50 km a velocidade nos trechos mais perigosos da Rodovia Amaral Peixoto, uma medida acertadíssima, que vai diminuir muito os acidentes.

Fala-se bem do ministro da Integração, Tarcísio Vieira, mas sabe-se o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, deixa a desejar, assim como a ministra Damares Alves, da estranha pasta que reúne Mulher, Família e Direitos Humanos, sem falar em Marcelo Álvaro Antônio, ministro do Turismo, de reputação péssima e já flagrado em fraudes de contabilidade eleitoral.

Por fim, Bolsonaro diz que vai desburocratizar a vida das pessoas físicas e jurídicas, mas até agora não aconteceu nada, e o governo precisa dizer a que veio.

E A ECONOMIA? – O maior problema é a recessão, que pode virar estagflação caso a inflação permaneça. Bolsonaro delegou poderes a Paulo Guedes, que demonstra não saber que medidas tomar, está completamente perdido. Nota-se que o presidente nem dá mais confiança a ele, demitiu o presidente do BNDES e um dos principais diretores sem avisar a Guedes, e ainda nomeou para presidir o BNDES um playboy de 38 anos, amigo de seu filho Zero Três.

O presidente demonstra desconhecer que o BNDES é o mais importante instrumento de que o governo dispõe para reativar a economia e recolocar o país no desenvolvimento. E isso não acontecerá caso Bolsonaro realmente nomeie esse estreante de ficha suja para comandar o BNDES. Só pode ser piada.

Na verdade, a equipe econômica está parada, esperando a banda passar. Está na hora de algum integrante do núcleo duro do Planalto repetir James Carville, marqueteiro de Bill Clinton, e dizer a Bolsonaro – “É a economia, estúpido!”.

###
P.S. 1 Se já desistiu de Guedes, o presidente deveria substituí-lo, antes que a crise se agrave. Até agora, a equipe econômica do Posto Ipiranga fez o projeto de reforma da Previdência e mais nada, rigorosamente.

P.S. 2 – O único projeto é vender tudo o que puderem. Será que acreditam na hipótese de o Brasil sair da crise por osmose? E enquanto eles não se decidem, la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)