Ayres Britto avisa que a cidadania precisa se manter vigilante na defesa da Democracia

Britto assinala que a democracia está sempre sob ameaça

José Carlos Werneck

No podcast ‘Supremo na Semana’ deste sábado, Carlos Ayres Britto , ministro aposentado do Supremo Tribunal, Federal defendeu que a cidadania siga vigilante para manter o vigor da democracia.

“A democracia só é radical numa coisa: não admite alternativa, porque a alternativa para a democracia é a ditadura. A ditadura não é uma alternativa civilizatória, é barbárie. A democracia tem que ser forte o suficiente para não sucumbir a golpes e atentados. A democracia tem que ser vigilante o tempo todo. A cidadania tem que ser vigilante o tempo todo para sair em defesa da democracia”, disse o ministro na edição do podcast do STF.

CORRE PERIGO – Britto também destacou que “toda democracia, em qualquer lugar do mundo, corre perigo, experimenta riscos o tempo todo” e que há “antídotos”, como o Judiciário, a Imprensa, o Ministério Público, além dos partidos políticos.

“A democracia precisa dos antídotos. Esses antídotos começam todos pelas instituições. Há instituições que exercem o poder, como o Legislativo e o Executivo, o poder político propriamente dito. (…) Mas há instituições que não são democráticas pela eleição popular, porém democráticas pelo controle que exercem sobre o poder político e pelo serviço que prestam à democracia, de garantidores dela. Por exemplo, o Judiciário, a imprensa, o Ministério Público, os partidos políticos. Essas instituições não governam, mas impedem o desgoverno.”

Disse que a crítica “bem-intencionada” ao processo eleitoral é bem recebida, mas rechaçou que se possa atuar sorrateiramente, maliciosamente e antidemocraticamente para derrubar um instituto jurídico ou desprestigiar uma instituição”.

VOTO IMPRESSO – Ayres Britto afirmou ser contrário ao voto impresso porque, para ele, isso aumenta as possibilidades “de tumultuar, de conturbar, de retardar o processo eleitoral”, além de quebrar o sigilo do voto. “Fica fácil o perdedor alegar que perdeu por fraude, já preparando o espírito da coletividade para uma eventual perda do mandato pela voz da urna.”

O ministro aposentado comentou as críticas feitas ao Supremo pela decisão que estabeleceu que União, estados e municípios têm competência concorrente para tomar medidas de combate ao coronavírus, afirmando que o Tribunal agiu corretamente e à luz da Constituição, porque a União foi “muito morosa” e os outros entes não poderiam ser “contaminados” por isso.

“Essa paralisia da União, paralisia, mais que morosidade, não poderia contaminar as outras unidades federadas. As outras unidades federadas que tratassem de fazer a função delas, foi o que o Supremo disse”.

COORDENAÇÃO CENTRAL – “A ideia é que a União coordene tudo, porque é a pessoa federada central, mas se a União não ocupa seu espaço, as outras unidades federadas não se contaminam com essa disfunção, essa disfuncionalidade federal, elas atuam por conta própria. Foi o que disse o Supremo Tribunal Federal”, assinalou.

Portanto as fake news aí são a expressão de uma aleivosia (deslealdade) à própria dignidade do Supremo, ao próprio Supremo Tribunal Federal.”

Na oportunidade, discorreu também sobre algumas decisões relevantes dos últimos dias de recesso e falou das expectativas para a reabertura dos trabalhos do STF nesta segunda-feira.

6 thoughts on “Ayres Britto avisa que a cidadania precisa se manter vigilante na defesa da Democracia

  1. Independente de ter sido ministro do STF, Ayres Britto não se dirige ao povo – erro crasso -, e posta a sua opinião sobre ser de responsabilidade da cidadania o exercício da democracia no país.

    Sua Excelência transfere para um povo pobre, miserável, analfabeto absoluto e funcional, desempregado, inculto e incauto, castrado politicamente pelas instituições, sem discernimento, ausência de senso crítico e obrigações cívicas, o que seria compromisso constitucional dos poderes!

    Que poderes tem a população para mudar o Brasil?
    De que forma a voz do povo é ouvida e considerada pelos governantes?
    O que o cidadão pode fazer diante de um legislativo que implantou a sua ditadura, e coloca os demais poderes à mercê de suas vontades e desejos?

    Ayres Britto está completamente dissociado da realidade brasileira.
    Ou também esqueceu que o seu STF está a serviço da corrupção, de um sistema muito bem organizado e implantado no país com relação à impunidade?
    E cabe a nós manter a democracia?!?!

    Até que o povo bem queria esta tarefa, mas as instituições e poderes constituídos permitem??!!

    Ou, por acaso, Ayres Britto imagina que vivemos uma democracia plena?!
    Se pensa assim, então é mais alienado que eu supunha!

    • No texto, eu não vi ele citar que o povo mudaria nada.
      Há única coisa que eu entendi, é que ele quer apenas que a tal “cidadania” fique de olho, para ajudar que tudo fique como está.

      Ele foi bem claro; “a cidadania” deve apenas garantir que quem decide o que está certo ou errado, é:

      ” o Judiciário, a imprensa, o Ministério Público, os partidos políticos.”

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