Banco Central fixa agora inflao para 2011

Pedro do Coutto

Em resoluo publicada na pgina 56 do Dirio Oficial de 2 de Julho, o Banco Central surpreendentemente fixou a meta de inflao que considera adequada para 2011: 4,5%, com variaes possveis de dois pontos para mais ou menos, como agem as empresas de fazem pesquisas eleitorais, caso do Ibope, Datafolha, Sensus. Por que a antecipao de dois anos? Um enigma. Mas a resoluo est l. Tomou n 3748/2009 e est assinada pelo presidente do BACEN, Henrique Meireles.

A discrepncia percentual dos clculos estimados muito grande.. Se ao invs de registrar 4,5 e assinalar 2,5 pontos, a diferena ser de 40%. Praticamente a mesma escala se atingir 6,5. Os clculos, portanto, no podem ser de preciso. Claro. Sobretudo porque como razovel prever-se o comportamento econmico de um pas com tal antecedncia? Estou falando de previses. At hoje, todas as que foram feitas, incluindo as de Malthus e Karl Marx, dois gnios da humanidade, falharam. que os fatos so de tal forma dinmicos e mutveis, alm de mutantes, que contestam as idealizaes.

Como, por exemplo, vai se comportar o cenrio financeiro mundial que ainda no se livrou do impacto do subprime americano e da alucinada corrupo desencadeada por Bernard Madoff? Condenado a 150 anos de priso, assegurava para as captaes que fazia uma rentabilidade anual em dlar em torno de 45%. Como pode ser isso? S na pirmide da imaginao. Desabou. O mundo econmico financeiro no uma obra de arte na qual os artistas navegam e flutuam vontade. A economia no est se expandindo. Para isso, era preciso que os salrios no perdessem para a inflao do IBGE. O Bolsa Famlia sozinho no sustenta o distributivismo social e cristo do governo.

O maior xito da administrao Lula, desde 2003, sem sombra de dvida, est no comrcio externo. Ele recebeu de Fernando Henrique as exportaes na faixa de 70 bilhes de dlares e as importaes na escala de 60. Em poucos nos, ele praticamente dobrou os nmeros das exportaes e o pas alcanou com o fenmeno um saldo cambial admirvel. As reservas situam-se em torno de 200 bilhes de dlares. O avano notvel foi at o final de 2008. Este ano, no.

Embora os nmeros continuem muito acima dos registrados em 2002, no perodo Janeiro a Junho deste ano. As exportaes recuaram praticamente 21 bilhes de dlares em relao ao mesmo perodo do exerccio passado. Matria primorosa de Eliane Oliveira, O Globo de 02/07, revela os ndices do comrcio exterior brasileiro. O volume exportado ficou em 69,9 bilhes. As importaes que no primeiro semestre de 2008n foram de 79,3 bilhes, desceram este ano nos seis meses iniciais para 55,9 bilhes. No existe qualquer sintoma de que o mercado interno possa avanar a ponto de compensar as diferenas que fazem parte do universo do fluxo comercial.

Nem poderia haver. O desemprego, segundo o prprio IBGE, continua muito alto, os salrios muito baixos. O recurso no crdito poderia ser uma sada compondo com os juros cobrados de mais de 5% ao ms e, ainda por cima, com o risco permanente da perda do emprego? Portanto, a previso flexvel do Banco Central, por mais mvel e vacilante que seja, no pode derrotar a realidade. Inflao baixa s com a economia em expanso. Caso contrrio, o processo de desenvolvimento transforma-se em processo de especulao. Os juros crescem. O poder aquisitivo dos trabalhadores e servidores pblicos diminui. Mas vamos esperar para ver se o desejo supera o fato.

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