Bandidos usam igreja como posto de observao

Pedro do Coutto

O arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, em declaraes a Flvio Tabak, O Globo de 26 de outubro, revelou que criminosos usam, e, portanto ocupam indevidamente, torres da Igreja da Penha com oposto de observao para detectar a chegada de foras policiais a favelas que se encontram ao redor. Como a prtica revela-se habitual, a ponto de o arcebispo anunci-la atravs da imprensa, de se acreditar que vrios apelos foram feitos s foras de segurana para que o hbito no prosseguisse e aqueles postos privilegiados no horizonte na zona norte deixassem de ser utilizados pelos que dominam o trfico nas reas expostas s incurses policiais. Duplamente perigosa a ocupao. Em primeiro lugar pelo carter estratgico e a viso do espao que proporciona. Em segundo lugar, porque, no alto da tradicional igreja, tornam-se blindados contra as foras da lei. Impressionante o que acontece no Rio. Sobretudo, no caso da penha, porque os fieis so, ao mesmo tempo, expostos hiptese de conflitos utilizados pelos criminosos como sua prpria salvaguarda. Do alto da Igreja da penha, inclusive, como se constata quando se v a zona norte de avio, verifica-se o incrvel crescimento das favelas cariocas. Basta comparar, atravs de fotos, a realidade de h vinte anos e a realidade de hoje. Entre a cruz e as incurses, os bandidos sentem-se protegidos. O fundamental era que as autoridades no tivessem permitido sua chegada ao local. Agora, muito mais difcil desaloj-las. Alis esse o processo mais crtico de segurana carioca. Depois de vulnerada a linha, a desocupao do espao torna-se extremamente difcil. Uma questo de lgica. Mais uma prova de insegurana.

Um segundo assunto. O empresrio Paulo Skaf, presidente da FIESP, afirmou, defendendo seu ingresso no PSB, que ele (o partido) s uma letrinha. Letrinha? No. Uma sigla. Por sinal histrica, na qual se integraram homens como Joo Mangabeira, Hermes Lima, e tambm Aurlio Viana, para ficar s nestas citaes.A sigla, ao contrrio da reduo de um smbolo que surgiu no pas em 1945, deve representar um conteudo ideolgico definido. Tem um programa registrado na Justia Eleitoral, a exemplo de todas as agremiaes partidrias. Programa que deve ser cumprido, caso contrrio no faria sentido sua existncia. Esse programa, que defende a harmonia entre capital e trabalho, mas que tem como preferncia o resultado social, caso contrrio no se chamaria socialista, ter que ser o programa de Paulo Skaf. Ele o assinou ao se filiar. Um caso de adeso espontnea. Sobretudo por parte de quem como observou o economista Filipe Campello, meu amigo,. Se apresenta como ore candidato ao governo de So Paulo, ao mesmo tempo em que destaca seu empenho pela candidatura de Ciro Gomes presidncia da Repblica. Uma legenda sintetiza um programa de governo. Com ela, Skaf ter que se sintonizar. Inclusive, vale acentuar, a letra est tanto na sigla quanto no seu prprio sobrenome.

Um terceiro assunto. No site da Tribuna da Imprensa de ontem, o almirante Antonio Santos Aquino, homem que tem em sua histria a luta pela democracia, discordou de comentrio que fiz sobre as alianas firmadas por Lula. Eu concordo com a observao da inoportunidade da colocao do presidente ao citar Jesus Cristo. Mas me referi ao acordo entre Churchill, Roosevelt e Stalin contra Hitler. Concordo tambm que acordos esprios so apenas pretexto para governabilidade. Mas, infelizmente, existem.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.