Bivar pede ajuda de Flávio Bolsonaro para enterrar CPI da “Lava Toga”

Bivar já declarou que “Flávio é o líder do partido”

Daniel Weterman,
Breno Pires e
Julia Linder
Estadão

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) recebeu do presidente nacional do partido, deputado Luciano Bivar (PE), pedido para entrar na articulação contra a criação da CPI da Lava Toga. Filho do presidente Jair Bolsonaro, Flávio é o único dos quatro senadores do PSL que não assinou a petição pela abertura da comissão. A CPI é vista com poder para afetar a relação entre os Poderes.  A articulação para enterrar a CPI é liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que classificou a tentativa de criação da comissão como inconstitucional.  “Se há entendimento de que a comissão não pode investigar decisão judicial, como vou passar por cima disso?”, questionou.

A senadora Maria do Carmo (DEM-SE) anunciou que vai retirar o nome na lista, que contava com 28 assinaturas; segundo ela, atendendo a Alcolumbre. O presidente do Senado, por sua vez, negou ter pedido diretamente a senadores que retirassem assinaturas, mas admitiu que tentou convencer parlamentares sobre seu posicionamento contrário à Lava Toga. Procurados pelo Estadão/Broadcast, os senadores Major Olímpio (PSL-SP) e Soraya Thronicke (PSL-MS), afirmaram que não vão mudar de posição e negaram ter sido procurados por Flávio. A senadora Juíza Selma (PSL-MT) não quis se manifestar. Na noite desta segunda-feira, dia 9, a expressão “assina Flavio Bolsonaro” era o assunto mais comentado no Twitter entre internautas brasileiros.

RECONSIDERAÇÃO – Luciano Bivar disse ao Estadão/Broadcast ter pedido aos senadores do PSL que reconsiderassem o posicionamento, porque percebe na proposta “uma afronta ao Poder Judiciário”. “Precisa-se fazer um entendimento melhor do que fazer uma CPI, isso não faz sentido”, disse o presidente da legenda, acrescentando que é preciso “apostar na governabilidade no nosso país.” O pedido de Bivar a Flavio Bolsonaro vem em um contexto no qual os colegas da bancada no Senado se recusam a mudar de posição.

A intenção do dirigente partidário é que o filho do presidente convença os colegas no Senado. “Eu pedi para ele (Flávio) me ajudar nisso. Não sei qual foi a ação que ele teve”, disse Bivar. Após falar com a reportagem, o presidente do partido emitiu uma nota afirmando que “em momento algum foi dada ao senador Flavio Bolsonaro a incumbência de articular a referida retirada de assinaturas.” Procurado via assessoria de imprensa, Flavio Bolsonaro não se manifestou.

SEM NEGOCIAÇÃO – Mesmo negando ter sido procurado por Flávio Bolsonaro para mudar de posição, o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), deu o recado declarando que tentativas, de quem quer que sejam, não trarão resultado. “É mais fácil uma vaca passar voando na minha frente do que eu desistir. A saúva sabe a roça em que come.

Quem quiser ouvir bastante desaforo venha tentar me convencer”, disse. “E não acredito que as senadoras irão mudar”, acrescentou. Soraya Thronicke, por sua vez, afirmou que foi procurada por Bivar na tentativa passada de instalação da comissão, que terminou em arquivamento, mas não agora. Segundo ela, o dirigente partidário pediu que “raciocinem bem, com cautela, para que não tenhamos problemas com os três poderes”. Soraya lembrou que a bandeira do PSL é contra a corrupção e disse ao Estadão/Broadcast que não irá mudar. “Todos sabem meu posicionamento”, disse.

O novo requerimento da CPI da Lava Toga – ainda não protocolado – é a terceira tentativa de um grupo de senadores. O argumento é a suposta ilegalidade do inquérito aberto pelo STF para investigar ameaças contra magistrados. No bojo do “inquérito das fake news”, como ficou conhecido, foram determinados pelo ministro Alexandre de Moraes a suspensão de procedimentos de apuração da Receita Federal e o afastamento de auditores fiscais. Além disso, o ministro censurou uma publicação da revista eletrônica Crusoé.

RELAÇÃO HARMÔNICA – Com a saída de Maria do Carmo da lista de apoiadores, a CPI perde a quantidade de 27 assinaturas necessárias para que um pedido seja protocolado oficialmente. “Nos termos que está sendo feita, não vai adiantar de nada. Isso não vai dar em nada e acabou-se. Em alguns aspectos eu era (favorável), pela agilidade que a Justiça precisa ter, mas em outros aspectos, não, pelo clima institucional. Os Poderes têm que ser harmônicos, nada de um estar brigando com o outro”, disse a senadora à reportagem. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), idealizador do requerimento, tenta agora outros apoios. Na tentativa de enterrar o pedido, o presidente do Senado conversou com governistas que assinaram o requerimento. “Eu tinha uma preocupação de tirar o foco das reformas, mas acho que não há por parte do governo uma preocupação, basta ver as três assinaturas do PSL”, comentou o vice-líder do governo no Senado Izalci Lucas (PSDB-DF), um dos signatários do pedido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Flávio recebeu não somente a incumbência em articular  em nome do partido para tentar barrar a terceira tentativa de criação da CPI da Lava Toga, como tem ligado diretamente para colegas de legenda para a retirada de assinaturas do requerimento. Em nota, Bivar agora nega. Mas já declarou que o “Flávio é o líder do partido”. “Quando ele pede, está respaldado em cima do partido, com certeza”, acrescenta. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. (Marcelo Copelli)

13 thoughts on “Bivar pede ajuda de Flávio Bolsonaro para enterrar CPI da “Lava Toga”

  1. E falando em Flavio Bolsonaro, tenho mais capim pros quadrúpedes binaristas: vocÊs sabiam que o Flavio Bolsonaro votou a favor da Lei do Abuso de Autoridade????

    Cadê aqueles urros furiosos contra o Flavio hein, quadrúpedes????

    Não ouvi niguém zurrando: “Aiinnnnn, o Flavio quer acabar com a Lava Jato!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

    Aiinnnn, eu vô mandá tanque Urutu pra prender o Flavio!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  2. Do que tem medo este filho deste presidente boçal? De que o presidente da suprema corte mande a Justiça trabalhar e o ponham em cana? Aqui na roça dizemos que quem não deve não teme.

  3. Carlos Marchi (via Facebook)

    O Brasil deve a José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, boa parte de suas fronteiras atuais.

    Em 1895, assegurou boa parte de Santa Catarina e Paraná, na “Questão de Palmas”, litígio com a Argentina arbitrado pelo presidente dos EUA, Grover Cleveland.

    Em 1900, por arbitragem do governo suíço, a fronteira com a Guiana Francesa foi fixada no rio Oiapoque e o Brasil ganhou boa parte do que hoje é o Amapá.

    Ganhou no argumento. Não xingou o então presidente Émile Loubet nem desrespeitou sua mulher.

    Tornou-se chanceler brasileiro em 1902 e passou a simbolizar a referência da diplomacia brasileira.

    Como chanceler, resolveu com a Bolívia o litígio do Acre, nascido quando a Bolívia quis arrendar um grande território a um consórcio anglo-americano.

    A terra não era reclamada pelo Brasil, mas era ocupada por brasileiros, liderados por Plácido de Castro.

    Rio Branco convenceu o governo boliviano a assinar o “Tratado de Petrópolis”. O acre passou a ser brasileiro mediante uma compensação econômica.

    A consolidação da posse do Acre deu-se em 1909, quando Rio Branco convenceu o governo do Peru a aceitar o acordo com a Bolívia.

    Você me pergunta se a figura notável de Rio Branco usava uma pistola na cintura.

    Respondo que não, ele nunca pegou numa arma – e nunca o Brasil ganhou tanto na diplomacia.

    A boa diplomacia é que a dispensa as armas. A que ganha no argumento, na palavra dita ou escrita, no convencimento.

    • Um comentário na página do Facebook Carlos Marchi sobre o Barão do Rio Branco:

      Denise Marino

      “Você me fez lembrar que o primeiro embaixador do Brasil nos Estados Unidos (com esse título) foi o dândi abolicionista e mulherengo Joaquim Nabuco. Embora servindo à República, era monarquista e contava em sua obra (Minha Formação) que a elite norte americana (absolutamente republicana) elogiara D.Pedro II afirmando que seu governo era muitas vezes superior a qualquer das repúblicas latino americanas. (Só curiosidade mesmo rsrsrs)”

  4. EDIÇÃO Nº 2593 06/09 ISTOÉ
    28/11/2002 nº BRASIL

    Esquema milionário
    BC já confirmou que a Anacor faz parte de uma rede de lavagem de dinheiro
    28/11/02 – 10h00

    No final de agosto, chegou à Procuradoria da República em Pernambuco um dossiê com cinco mil páginas produzido pela fiscalização do Banco Central. A papelama relata a existência de uma rede milionária suspeita de acolher operações de desvio e lavagem de dinheiro. A teia, que movimentou mais de R$ 200 milhões nos últimos seis anos, envolve diretamente a Anacor, Josebias Vitorino da Silva e o deputado Luciano Bivar (PFL-PE), além de outras agências de câmbio, laranjas e empresários nordestinos.

    Os documentos comprovam que, como relatou Alexandre Magero Araújo ao Ministério Público na Paraíba, Josebias era sócio-gerente da Anacor até 8 de dezembro de 1998, quando foi excluído da empresa. A mudança ocorreu 45 dias depois que o BC descredenciou a Anacor como instituição autorizada a trabalhar com troca de reais por dólares e remessas ao Exterior. No entanto, como também mostra a documentação reunida pelo BC, nem a Anacor se afastou de operações cambiais, nem Josebias, dos negócios da agência.

    Em fevereiro de 2001, a Anacor foi flagrada tentando trazer o equivalente a US$ 155 mil do Exterior. A operação foi recusada porque a conta da empresa que seria usada para receber o dinheiro estava paralisada há anos. Três meses depois, Josebias recebeu um cheque em nome da Anacor, no valor de R$ 336 mil.

    O esquema revela a participação de outras empresas do ramo de câmbio e turismo que, suspeitam BC e Ministério Público, integram a mesma lavanderia, embora no papel pertençam a sócios diferentes. Depois da destituição da Anacor como operadora de câmbio, emerge no esquema a Brasicor Agência de Viagens, com escritório no mesmo shopping onde funcionava a irmã mais velha. Além de clientes e movimentação financeira, as duas empresas também dividiam outras coincidências: o sócio-gerente da Brasicor, Rubens Barbosa Filho, conforme a ficha de uma das quatro contas correntes identificadas em seu nome, já foi diretor da Anacor.

    Com um rendimento de R$ 6,5 mil mensais, recebeu depósitos de quase R$ 3 milhões apenas em 1996 e 1997, descompasso que chamou a atenção do Banco Central. Junto com Barbosa, surge um terceiro personagem, apontado como peça-chave em todo o esquema: Jorge Torquato David da Costa, dono de uma movimentação de pelo menos R$ 50 milhões entre 1997 e 2001 e também ligado à Brasicor. Torquato, sob investigação da Receita Federal em Pernambuco desde o ano passado, chegou a tentar impedir a quebra de seu sigilo bancário na Justiça, mas o pedido foi sumariamente indeferido.

    Na pendenga judicial com o Fisco, informa ser um “músico, autônomo e estar passando por grandes dificuldades econômico-financeiras”. Por falta de rendimentos, nem sequer apresentou declaração de Imposto de Renda em 1997. Depois da derrota judicial, sumiu.

    Na teia identificada pelo Banco Central, Torquato, Josebias e Rubens dividem a função de receptadores de depósitos junto com outros sete laranjas. De lá, o dinheiro partia para destinos igualmente surpreendentes e boa parte dos trajetos leva ao deputado Luciano Bivar. Entram nas contas dezenas de cheques da Sasse, a Seguradora da Caixa Econômica Federal, o que aponta para a suspeita de um esquema de desvio de recursos originários do pagamento de indenizações em sinistros de imóveis da CEF.
    Privatizada no ano passado, a empresa é responsável pelo seguro contra danos de milhões de imóveis financiados pela Caixa.

    Coincidentemente, há dez anos, a Gerencial Brasitec, pertencente a Bivar, administra os serviços de vistoria, avaliação de danos e execução de reparos em casas, prédios e apartamentos construídos com empréstimos da instituição, segurados pela Sasse.

    A Brasifactor e a Brasitur, também de Bivar, aparecem como beneficiárias de recursos movimentados pelo esquema. Há ainda rumores de que Bivar também é ligado à Brasicor e a Rubens Barbosa.

    Relações – Até o Sport Club Recife, o principal time de futebol pernambucano e presidido por Bivar até 1999, recebeu pelo menos R$ 1 milhão em depósitos que transitaram por contas de laranjas ligados à rede. Por enquanto, no nome do próprio deputado, apareceu apenas um cheque de R$ 18 mil. Também integra o mesmo esquema a Norte Câmbio Turismo, herdeira dos negócios da Anacor.

    Especialistas da área e procuradores que investigam o caso dizem que o mesmo gerente Manolo, conhecido nos bastidores do mercado de câmbio do Recife e citado por Araújo como o administrador da Anacor, é o responsável pela Norte Câmbio. Agora, a pedido do Ministério Público, o BC vai se debruçar sobre o braço da rede dedicado a remessas de recursos para fora e ao leva-e-traz de malas de dinheiro revelado por Araújo em seu depoimento aos procuradores.

    Na quinta-feira 21, o deputado Bivar afirmou que não conhece Araújo nem possui relações com a Anacor, Brasicor ou Rubens Barbosa Filho, a quem diz só conhecer de nome. Também assegurou que não participa de nenhum esquema irregular e não sabe de nenhuma investigação em que esteja envolvido. “Pode ser que algum cheque meu tenha ido parar em alguma empresa dessas, porque elas trabalham com isso, mas não tenho nada com a área de câmbio”, concluiu.

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