Cabral e Alckmim firmes no Rio E São Paulo

Pedro do Coutto

Com base na pesquisa Datafolha publicada na edição de 21 de dezembro da FSP, parecem bastante sólidas as candidaturas de Sérgio Cabral e Geraldo Alckmim para os governos do Rio e São Paulo nas eleições de 2010. Já em Minas Gerais, o terceiro estado pesquisado já não se pode aparentemente ter-se uma visão tão nítida.

Em São Paulo, Alckmim alcança 50 pontos contra 14, seja a adversária Marta Suplicy, seja o adversário Ciro Gomes, o que não é provável, pois deverá concorrer à presidência. Acrescenta mais a Dilma Roussef assim do que disputando o executivo paulista.

No Rio de Janeiro, a vantagem de Sérgio é de 38 a 23 de Anthony Garotinho. Fernando Gabeira em terceiro com 14 por cento. Lindberg Farias com apenas 6 pontos. Muito difícil a união de todos contra o atual governador. Faltaria inclusive motivação. Mais fácil ele, Sérgio, reunir mais apoio em torno de si do que os adversários se reunirem. Sérgio Cabral, além disso, com sua vantagem transforma-se em importante aliado no esquema de sustentação da candidatura da ministra chefe da Casa Civil. Com isso, obtém, é claro, o apoio aberto do presidente Lula.

Em Minas Gerais, menos nítido o quadro com base nos índices obtidos por Hélio Costa (31), Fernando Pimentel (19) e Antônio Anastásia (10), mas deve crescer com o apoio que já lhe garantiu o governador Aécio Neves. A pesquisa do Datafolha aumenta em importância, pois é bom lembrar que São Paulo, Minas e Rio são os três principais colégios eleitorais do país. Em seu conjunto pesam aproximadamente 40 por cento. Quase a metade de todo o eleitorado.

Os números, que sempre exigem interpretação, revelam um fator capaz de diminuir os efeitos da derrota do PT em São Paulo, já que, ao que tudo indica, a força de Lula no Nordeste não apresenta qualquer sintoma de redução. E sua presença direta na campanha, claro, vai alavancar Dilma Roussef, como está previsto. Um aspecto importante estará no Rio Grande do Sul, estado em que o PSDB não repetirá a vitória de 2006, conseqüência do desastre da administração da governadora Ieda Crusius.

Em Brasília, reflexo do episódio José Roberto Arruda, quase inacreditável, sobrepor sua forma, não bastante o conteúdo, o PT tem um campo aberto para evoluir. Mas Minas é um enigma. Será que Aécio transfere toda sua força eleitoral para o vice Anastásia ou se Fernando Pimentel, do PT, cresce na campanha? Eis aí uma questão difícil, sobretudo se mantido a nível nacional o acordo PT-PMDB.

Nesta perspectiva, serão dois candidatos ao lado da chefe da Casa Civil. Isso acrescenta votos a ela ou divide a base mineira? Um problema a ser equacionado principalmente pelo Planalto. Sobretudo levando-se em conta que as eleições são em dois turnos. No plano nacional, o confronto final será entre José Serra e Dilma Roussef. No Rio, existe a hipótese de Sérgio Cabral vencer no primeiro, bastando para isso que Fernando Gabeira prefira concorrer ao Senado. Muito difícil que seu percentual se transfira para Anthony Garotinho. No máximo, podem se dividir em partes iguais e tal divisão já assegura a vitória de Sérgio.

Com uma incidência de 6 pontos, tornou-se muito difícil o caminho de Lindberg Farias, que, para viabilizar sua candidatura teria que abrir uma cisão no Partido dos Trabalhadores. Improvável que Lula sequer pense em trocar o apoio do atual governador a Dilma Roussef pelos votos que o prefeito de Nova Iguaçu poderia acrescentar. São todas essas, entretanto, as conjeturas. Mas com base no panorama fotografado pelo Datafolha, analisado hoje, não deverá estar distante da realidade. Modificações difíceis de ocorrer principalmente no Rio e em São Paulo.

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